quinta-feira, 27 de julho de 2017

Editorial: A rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer


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Conforme já confidenciamos aos leitores, apenas 1/3 daquilo que escrevemos é publicando aqui pelo blog. No dia de ontem, por exemplo, escrevemos um longo editoral sobre o recém-lançado Programa de Demissão Voluntária, do Governo Federal. Optamos por não publicá-lo e encaminhá-lo diretamente aos assinantes do blog. Hoje, ficamos divididos entre as movimentações do futuro candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin(PSDB), e os resultados do trabalho realizado pelos operadores do Planalto no sentido de evitar que seja aceita a denúncia formulada pela PGR contra o presidente Michel Temer(PMDB). Este último, um trabalho arrojado e profissional - embora sem pruridos republicanos - desenvolvido pela tropa de choque do presidente - quando não ele mesmo à frente - já que estamos tratando com um profissional da política. Aquela política que se aproxima mais da lógica da Ética das Consequências, de matriz maquiavelina, como bem se sabe. 

 
Um conjunto de forças tramou contra o governo da presidente Dilma Rousseff e ela se recusou a fazer esse jogo. Resiliente, aguardou pacientemente o desfecho da trama que foi urdida contra ela. Outro dia, escrevemos um longo editorial sobre as benesses recebidas pela bancada ruralista neste governo. É a parte que lhes cabe deste latifúndio golpista, com a licença poética do poema Morte e Vida Severina, do poeta pernambucano, João Cabral de Mello Neto. No entanto, a participação desta bancada em todos os momentos da trama do golpe institucional parece ser mesmo maior do que dimensionamos, ao lermos o artigo de Miguel Stédile, publicado aqui no blog. Vale a pena a leitura, em razão de o artigo trazer informações importantes sobre o "financiamento" do golpe institucional ora em curso no país. 

 
De acordo com cálculos da tropa de choque do presidente Michel Temer, a rejeição da denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República contra ele são favas contadas. Contadas minuciosamente, segundo dizem, num computador instalado no gabinete do ministro Eliseu Padilha, fiel escudeiro de Michel Temer. Os dados informam que, pelo menos 260 deputados deverão votar contra a aceitação da denúncia. Não satisfeita com o placar, a tropa de choque ainda tentar cooptar o voto de alguns indecisos, que somam não mais do que cinco dezenas de deputados. Animal político azeitado, o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, já aproveita para praticar aquele esporte que ele mais gosta: surfar de acordo com as ondas e nunca contra elas. Voltou a emitir sinais de que trabalha em defesa do presidente Michel Temer. 
 

O momento institucional do país é bastante delicado. Caso esta denúncia contra o ex-presidente não seja aceita, as demais terão chances ainda menores de serem aceitas. Esta é uma conclusão dos bastidores da política e não apenas uma intenção da troca de choque do presidente. Para convencer os indecisos, o presidente usou a caneta como pôde, em certa medida, contradizendo-se até às medidas de austeridades adotadas pelo seu próprio governo. Para a liberação das emendas de deputados dispostos a votarem com o governo, a lógica da racionalidade no gasto de receitas da União não foram levadas em conta. Nossa política desceu ao fundo do poço. Chega a ser folclórica as "justificativas" apresentadas pelos beneficiários dessas emendas, quando questionados pelos repórteres. 

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