pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : abril 2026
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quarta-feira, 1 de abril de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: a "orfandade" do bolsonarismo no estado.


Os bolsonaristas são fortes em Pernambuco. A demonstração de força deste grupo político de direita já ficou evidente em inúmeros eventos no estado. Raquel Lyra foi eleita governadora do Estado de Pernambuco com o apoio expressivo dos bolsonaristas, assim como o candidato João Campos, eleito pela primeira vez prefeito do Recife com um discurso acentuadamente anti-petista. Num estado "lulista" por natureza, hoje, tanto Raquel quanto João Campos evitam assumir posições que possam melindrar ou afugentar o eleitorado identificado com Lula no estado. Os bolsonaristas são até bem-vindo, desde que isso não signifique perder completamente o eleitorado que se identifica com o presidente Lula. Daí a preocupação com a formação de dois palanques lulistas no estado. 

Tanto João Campos quanto Raquel Lyra moveram moinhos neste sentido, tendo sido mais fácil ao prefeito fazer este trânsito. Raquel era do PSDB, partido de rusgas antigas com o PT. Hoje filiada ao PSD, o partido tem um candidato de perfil da direita bolsonarista autêntica ao Palácio do Planalto, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.  Gilberto Kassab teria deixado ela livre, mas não como não ser cobrada em relação a isso, principalmente pelo pessoal da campanha de João Campos? E, por falar em bolsonarismo, por onde anda os bolsonaristas do estado? Em sua maioria, eles estão hoje orbitando em torno do Palácio do Campo das Princesas, a exemplo de Anderson Ferreira e Mendonça Filho, que ontem deixou o União Brasil e filiou-se ao PL, possivelmente com o sinal verde do candidato Flávio Bolsonaro. 

Não se sabe ainda como esse grupo será acomodado na chapa da governadora Raquel Lyra. Ambos estavam nas anotações deixadas pelo candidato Flávio Bolsonaro como eventuais nomes que se candidatariam ao Senado no Estado. Em princípio, não há nenhum candidato do partido ao Governo do Estado. Ou há e nós não sabemos? Mendonça já declarou que está "fechado" com a reeleição de Raquel Lyra. Hoje, primeiro de abril, a crônica política local traz a informação dando conta da desfiliação do deputado federal Túlio Gadelha, da Rede, e filiação ao PSD, partido da governadora. O objetivo seria a sua candidatura ao Senado Federal na chapa da governadora. Não podemos confirmar se procede, uma vez que seu nome ainda não foi confirmado. Seria uma manobra da governadora para "diluir" o perfil de direita de sua chapa. 

Um fato, porém, preocupa. As vagas ao Senado Federal do Campo das Princesas estão literalmente "congestionadas". Como a governadora irá se arranjar para assegurar espaço para tantos pretendentes à disputa ao Senado Federal? São candidatos para a formação de três chapas. Ela tem trabalhado em silêncio, o que é prudente. Voltemos a repetir O Sagrado Evangelho de Mateus, principalmente nesta Semana Santa: Muitos são os chamados e poucos os escolhidos. A questão aqui é como aplacar a ira dos não escolhidos. Vejam os leitores, por exemplo, a reação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, depois que foi preterido na indicação do PSD à Presidência da República.   

Editorial: Ciro lidera no Ceará


Discretamente, o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, já está engajado na campanha política do Ceará. Oficialmente para ajudar Lula e o PT, mas Ciro Gomes acredita que ele poderá ser o candidato ao Governo do Estado. Hoje, dia primeiro, saiu mais uma pesquisa sobre as intenções de voto naquele estado, desta vez realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, onde Ciro Gomes abre uma expressiva vantagem sobre o candidato petista, Elmano de Freitas, tanto no primeiro quanto no segundo turno. No primeiro turno Ciro pontua com 46,6% das intenções de voto, enquanto o candidato do PT crava 33,9%. A Pesquisa do Paraná Pesquisas está registrada sob o número TRE- CE- 00151\2026. 

Há dois estados do Nordeste onde o PT enfrentava sérios problemas: Ceará e Bahia. São expressivos colégios eleitorais da região. A Bahia chega a ser o quarto colégio eleitoral do país e seus eleitores deram a maior vitória ao PT nas últimas eleições. Mais de 70% dos baianos votaram no PT. Pelas últimas pesquisas, a situação na Bahia está mais controlada, uma vez que o governador petista, Jerônimo Rodrigues, que concorre à reeleição, mantém a disputa mais ou menos equilibrada. Há um empate técnico com ACM Neto, herdeiro do Carlismo no estado. A situação já esteve bem pior para o petista. Hoje existe a possibilidade de uma reversão, como já ocorrera em outra ocasião. Contribui favoravelmente ao PT naquele estado uma espécie de voto identitário, ou seja, o cidadão vota no PT independentemente dos percalços da gestão. 

O PT escalou para o Senado nomes que já esquentaram o assento do Palácio de Ondina, a exemplo de Jaques Wagner e Rui Costa. Trata-se de uma chapa puro-sangue, o que vem provocando alguns ruídos entre os aliados do PT no estado. Na Bahia, com a ajuda dos petistas renhidos e do nosso Senhor do Bomfim, as coisas podem até se arranjarem. No Ceará é muito improvável. Ciro deve vencer as eleições para ocupar o Palácio da Abolição. A situação do PT é muito delicada e, mesmo que o candidato Elmano seja substituído por Camilo Santana, ainda assim, não acreditamos que a situação seja revertida. Pesa contra o PT no estado as denúncias de suposta gestão temerária da máquina, o controle exercido por facções em territórios de diversas cidades do estado e uma forte integração da oposição no estado, que aponta como prioridade a retirada do PT do Palácio da Abolição.