pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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terça-feira, 21 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: nova pesquisa Simplex confirma liderança de Raquel Lyra.


Possivelmente o TSE não é o melhor órgão para estabelecer os critérios de qualidade que devem reger os trabalhos dos institutos de pesquisa que atuam no país. Há uma grande discussão em torno do assunto, sobretudo depois que aquele órgão determinou a proibição de uma pesquisa realizada pelo Instituto Atlas\Intel, atendendo a um pleito da coordenação de pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Já há, inclusive, uma outra pesquisa do mesmo instituto contestada pelo equipe do pré-candidato. Comentamos o assunto por aqui. O consenso é que talvez precisemos de alguma regulamentação em torno da atuação desses institutos, o que seria bem-vinda. 

Hoje, 21, surgiu mais uma pesquisa do Instituto Simplex acerca da disputa eleitoral em Pernambuco, envolvendo os pré-candidatos João Campos(PSB-PE), Raquel Lyra(PSD-PE) e Ivan Moraes(PSOl-PE). Como os ânimos estão acirrados, uma das possibilidades é um dos lados tentarem "descredenciar" o instituto que não os favorece na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Numa campanha política praticamente todos os expedientes são utilizados, principalmente quando se sabe que os eleitores respondem mais à emoção do que à razão. Daqui há dez dias devem ocorrer as convenções dos candidatos, onde perderemos as contas sobre agressões, traições, defecções, entre outros termos. Perdas e danos inerentes a uma campanha política. 

Agora há pouco soubemos que o PP, comandado no estado pelo deputado Eduardo da Fonte, diante do impasse da escolha do seu nome para compor uma das vagas ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, prepara uma reunião definitiva com a sua base. Apesar de ainda jovem, sem delongas, Eduardo da Fonte é uma raposa política. Daquelas felpudas, que tem sempre uma carta na manga. Num estado com as caraterísticas de Pernambuco, onde até o PT sucumbiu ao eduardismo, ele seguiu numa raia própria. Sempre foi assim. Tem o apoio principalmente de uma bancada de parlamentares, além de uma penca de prefeitos e vereadores. 

Independentemente das colorações políticas ou se ele vai ser aceito ou não na chapa da governadora, convenhamos, ele vem realizando um bom trabalho pelo estado, cumprindo um papel de um parlamentar que pode reivindicar a indicação. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos. Não dá para acomodar tanta gente. Quem estaria considerando também a possibilidade de uma candidatura é o deputado federal Mendonça Filho(PL-PE). Vamos para a pesquisa do Instituto Simplex, que aponta que a governadora aparece com 48,2% das intenções de voto, enquanto o adversário socialista João Campos pontua com 36,5% das intenções. Ivan Moraes, do PSOL, pontua com 1,1% das intenções de voto. O instituto ouviu, por telefone, 1.067 eleitores, entre os dias 15 e 20 de julho de 2026. A pesquisa, que apresenta margem de erro de 3pp e escore de confiabilidade de 95% está registrada no TSE-PE: 03323\2026.   

Editorial: Renan antecipa convenção depois de sofrer ameaças



É preciso tomar alguns cuidados com essas notícias em época de eleição, mas ontem andou circulando a informação de que o pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, estaria antecipando a convenção do seu partido, homologando a sua candidatura, o que anteciparia a segurança disponibilizada ao candidato pela Policia Federal, com medo de ameaças sofridas por facções do crime organizado com atuação no estado do Ceará. Até recentemente, o pré-candidato esteve naquele estado, gravando vídeos para a sua pré-campanha, onde mostrava territórios fantasmas, tomados pelo crime organizado. Renan começou com 200 mil seguidores nas redes sociais e hoje já conta com 2 milhões. Era um traço e hoje já pontua hoje com 9% das intenções de voto em algumas pesquisas, muito acima de nomes conhecidos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema. 

Renan, por incrível que possa parecer, é aquele outsider com o potencial, quem sabe, de furar a bolha da polarização política entre petistas e bolsonaristas, segundo alguns analistas. Nas redes sociais, os bolsonaristas sempre foram bons, Lula melhorou bastante, mas nada se compara ao "estrago" produzido pela equipe de Renan Santos. Agora mesmo, diante do seu avanço nas pesquisas de intenção de voto - ainda modesto, convém observar - a recomendação do candidato é que as pessoas podem colaborar espalhando a notícia em suas redes sociais, nos seus grupos de Zaps, coisas assim. Ainda não acreditamos que seja possível ele furar a bolha, uma vez que o Brasil tem algumas atipicidades, mas marketing é uma coisa muito interessante. 

Uma mega empresa de bebida estimulante espalhava garrafas vazias do produto em ambientes estratégicos, com forte presença dos jovens, potenciais consumidores do produto. Deu certo. Renan tem usado estratégias de comunicação política agressivas em sua campanha, com cenas impactantes. Sabe-se lá o efeito disso junto aos eleitores, principalmente quando se sabe que hoje um dos maiores problemas do país reside exatamente na atuação do crime organizado. Ele já anda prometendo construir megas presídios e até introduzir a pena de morte em alguns casos.    

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Charge! Thiago via Jornal do Commércio

 


Crônicas do Cotidiano: Trump e Lamine Yamal



Rodri foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2026. O goleiro da seleção espanhola, Unai Simón, recebeu a Luva de Ouro de melhor arqueiro.  Vai aqui também a nossa referência ao técnico Luis de la Fuente, que conduziu a seleção espanhola tão bem durante todo torneio, principalmente na partida final, quando montou um esquema tático que praticamente inviabilizou o adversário. Ele saiu de uma situação de desemprego para conquistar uma Copa do Mundo. A seleção espanhola parece ter um DNA de superação, uma vez que o melhor jogador eleito do torneio também se refere ao tema da superação.  Mas, já que estamos falando de superação, nosso olhos se encantaram mesmo foi com Lamine Yamal, que, com o corpo e a mente "preparados" pela pressão, ao responder a um jornalista sobre se sentia pressionado em decidir uma Copa do Mundo com a seleção da Argentina, argumentou sobre a sua trajetória de vida, afirmando que estava ali para jogar bola. Jogou bola e a seleção do seu país ganhou a Copa do Mundo de 2026. 

Isso nos fez lembrar de nosso tempo de peladeiro, quando, num sábado chuvoso, recebemos a visita em nossa cidade de um garoto franzino, de cor negra, com a barriga cheia de verminoses, oriundo da Zona da Mata Sul do Estado. Esse garoto se transformaria, pouco tempo depois, no melhor jogador do Monte Castelo Futebol Clube, do campeonato de várzea local, chegando a defender as cores do time da cidade no campeonato profissional do estado de Pernambuco. Um craque de bola. Já adulto, na universidade, gostávamos de fazer uma correlação entre os estudos acadêmicos do antropólogo José Sergio Leite Lopes com a história de vida de Nego Tom que, assim como Lamine Yamal, enfrentou muitas adversidades. Nego tom era filho de descendentes de ex-escravizados da Zona da Mata do estado, explorados pelas usinas de açúcar da região, tema do mestrado do antropólogo. 

Logo depois, o antropólogo se dedicou ao estudo da tecelagem do conflito de classe na cidade das chaminés, onde os pais do Nego Tom trabalhavam, numa indústria de tecidos localizada numa cidade da Região Metropolitana do Recife. Através de seus estudos acadêmicos, José Sérgio Leite Lopes acompanhou a trajetória de vida do Nego Tom. Tanto no mestrado quanto no doutorado. Na cerimônia de encerramento da Copa, tivemos a curiosidade de observar a indiferença com que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi tratado pelo craque da vida e da bola, Lamine Yamal. Cumpriu-se o rito, mas, em nenhum momento, ele demonstrou qualquer gesto de afetividade com o presidente americano.  

Editorial: Uma "nova" candidatura de direita?


Com o título "Uma chance de ouro para a direita", o editorial do jornal O Estado de São Paulo advoga que talvez seja o momento de, diante das dificuldades da candidatura de Flávio Bolsonaro, a direita pensar num outro nome a ser trabalhado como opção. Na realidade, já temos opções à direita e até à extrema-direita. A questão é que, embora os problemas da candidatura de Flávio estejam fragilizando sua performance na disputa presidencial de 2026 - conforme se presume pelas últimas pesquisas de intenção de voto - o eleitorado de direita não parece inclinado a credenciar um outro nome, a exemplo de Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Filho. 

Ontem, 20, comentamos por aqui uma pesquisa que aponta que o eleitorado que acaba decidindo a eleição - aquele independente, menos infenso ao petismo e ao bolsonarismo - diante das dificuldades de Flávio Bolsonaro, está migrando para Lula. Quem seria essa direita à qual o jornal se refere? A direita bolsonariasta? Estaríamos aqui, então, diante de uma defecção nas próprias hostes bolsonaristas, que poderiam, diante das circunstâncias adversas, passar a pensar numa alternativa ao nome de Flávio Bolsonaro, que, a rigor, não seria o nome pensado antes do ex-presidente Jair Bolsonaro bater o martelo? 

Conforme brincávamos por aqui, antes de uma decisão praticamente imposta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, já havia um nome "verificado" pela direita, inclusive a direita de matriz bolsonarista. O nome reuniria as melhores condições para disputa, conforme se presume pelo andar da carruagem política. A candidatura de Flávio Bolsonaro representa uma decisão pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro, referendada pelo núcleo duro do bolsonarismo e um eleitorado antipetista. Os bolsonaristas menos radicais hoje entendem que talvez não tenha sido a melhor opção. 

domingo, 19 de julho de 2026

Editorial: Os eleitores independentes estão indo para Lula


Há um debate bastante interessante sobre esses eleitores independentes ultimamente, muito incentivado, talvez, pela atenção sobre eles, a partir de algumas falas do marqueteiro João Santana, sobretudo porque eles definem as eleições presidenciais no país. São eleitores infensos à polarização política, mas capitulados por um dos lados - posto que sem alternativas - embora orientados por questões mais pragmáticas, não necessariamente ideológicas. Já foram rigorosamente independentes - não tendo nenhum candidato - já tenderam a votar na candidatura de Flávio Bolsonaro, hoje tendem, majoritariamente, a votarem no Lula. Lula hoje ostenta uma tendência de abocanhar 30% desses eleitores, Flávio 15% e 17% continuam sem definir o seu voto. 

Esses dados foram levantamos pelo Instituto Quaest. Estamos tratando aqui, como os eleitores já perceberam, de um eleitorado "volátil", suscetível, mas determinante no pleito, o que significa mais uma dor de cabeça para os bolsonaristas.  A candidatura de Flávio Bolsonaro, que nos permitam os bolsonaristas mais radicais, entrou num "enrosco" onde não se sabe se haverá alguma saída. Há muito coisa a ser gerenciada, dentro e fora do país. Algumas dessas variáveis a sua campanha não tem controle. As defecções passam uma imagem muito ruim para o eleitorado. Nem ele nem o Valdemar tem total controle sobre o que está acontecendo. Quem vai controlar, por exemplo, as ações de um Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, sempre considerando que suas iniciativas favorecem o irmão? 

Estamos nos aproximando do pleito e adversidades nesta fase passam a ser mais complicadas. No momento é possível concluir que o avanço de Lula está mais relacionado aos erros de Flávio do que aos méritos do petista. Por uma dessas ironias do destino, Lula conta hoje com um cabo eleitoral de peso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Melhor para se construir uma "narrativa" impossível. 

sábado, 18 de julho de 2026

Editorial: Coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro contesta mais uma pesquisa do Atlas\Intel


Recentemente ficamos sabendo que a coordenação de campanha do senhor Flávio Bolsonaro entrou novamente com uma representação no TSE contestando os resultados de uma nova pesquisa de intenção de voto do Instituto Atlas\Intel. Num primeiro momento, a coordenação de campanha contestou os resultados de um outro levantamento deste mesmo instituto, pleito que foi acatado pelo Ministro Nunes Marques, presidente daquela corte eleitoral, numa decisão que causou enorme discussão entre os analistas e pesquisadores, trazendo à luz questões relativas aos métodos de pesquisa utilizados por esses institutos. Curioso que, logo em seguida, o próprio TSE, através do mesmo ministro, comunicou a existência de um preocupação no sentido de estabelecer uma espécie de "controle de qualidade" do trabalhos desses institutos. 

Uma espécie de "selo" de qualidade dos institutos. À época, em razão da repercussão do caso, muitos CEO's ou diretores dos inúmeros institutos de pesquisa que atuam no mercado brasileiro se manifestaram sobre o assunto, sempre em defesa do rigor técnico, metodológico e isenção que orientam as pesquisas desses instituto, evitando, assim, os eventuais vieses que poderiam comprometer a autenticidade do resultado dessas pesquisas. Comentamos por aqui que talvez fosse o caso de uma "regulação de mercado", ou seja, a necessidade de criação de uma entidade que pudesse estabelecer normas para a criação e atuação desses institutos, que costumam proliferarem em períodos eleitorais, fato em particular que poderiam suscitar alguma inquietação. 

No mercado brasileiro existem inúmeros institutos em atuação, todos muito bem consolidados e com um excelente nível técnico dos seus trabalhos. Tivemos curiosidade de acompanhar a resposta do CEO do Atlas\Intel, Andrei Roman, acerca desta nova contestação apresentada pela pré-campanha do senhor Flávio Bolsonaro. Ele se mostra convencido de que não precisa alterar em nada os critérios adotados pelo instituto em relação à realização dessas pesquisas. Outros dados que este editor se preocupou em observar foram os escores apresentados ali, que indica, na realidade, um crescente declínio dos índices de intenção de voto do candidato Flávio Bolsonaro. Nesta pesquisa, em primeiro turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 36,6%. No segundo turno, Lula 48,8%, enquanto Flávio crava 42,3%.  

Editorial: As contas chegaram


Circula um vídeo nas redes sociais - sugere-se que seja autêntico - onde o presidente Lula afirma que esperaria a tomada de decisão do Governo Trump sobre as tarifas para, somente depois, tomar alguma iniciativa. O vídeo foi realizado possivelmente durante uma cerimônia pública, talvez entrega de obras, onde as bravatas são recorrentes. É possível até que ele não raciocinasse dessa forma e tenha até tomadas algumas iniciativas de negociações com os americanos, através de seus assessores. O fato é que essas negociações não andaram e durante os pronunciamentos públicos das autoridades daquele país, a conclusão é que faltou o empenho necessário do Governo brasileiro no sentido de um equacionamento dessa questão.  

O fato é que as contas chegaram, trazendo aquelas consequências indesejáveis, pois irão se refletir diretamente sobre setores produtivos importantes, produzindo prejuízos para a nossa economia e repercutindo sobre o emprego de milhares de pessoas. No momento, do ponto de vista das negociações, a corda está bastante esticada entre os dois países, com acusações de parte a parte. Em mais um dos seus arroubos, o Governo Lula afirma que vai jogar duro com o Governo dos Estados Unidos, auferindo os lucros eleitorais que a situação provocou. Já há quem esteja sugerindo que a reeleição de Lula, no atual contexto, são favas contadas. Há um derretimento da candidatura de Flávio Bolsonaro, posto que organicamente vinculada às mazelas do tarifaço. 

Neste momento, Trump é o maior cabo eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. O ônus do tarifaço será atirado no colo do adversário Flávio Bolsonaro. Se a situação for revertida, o mérito será também do presidente Lula, o que significa dizer que a situação política é confortável para ele neste momento. É preciso entender, no entanto, que este é um jogo complicado, quando se entende, sobretudo, que o Governo Norte-Americano pretende influenciar nas eleições do país, assumindo que se afina com o projeto político dos bolsonaristas.  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Editorial: O "timing" do tarifaço de Trump


As tarifas impostas pelo Governo dos Estados Unidos a alguns produtos de exportação brasileiros, em qualquer circunstância, são extremamente danosas aos nossos interesses. Acabo de ler uma informação de que assessores da pré-candidatura do senhor Flávio Bolsonaro consideram que tais tarifas deveriam ter sido anunciadas um pouco depois e não de imediato, como se isso fosse fazer alguma diferença, exceto, talvez, em relação às pretensões presidenciais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. É assim que uma situação sensivelmente delicada está sendo tratada, ou seja, como um trunfo eleitoral de A ou B. Os bolsonaristas que nos perdoem, mas a candidatura do senhor Flávio Bolsonaro talvez não sobreviva às intempéries. Não se trata apenas do tarifaço( ou tariflávio, conforme os petistas), mas em função de uma tempestade perfeita que ronda o pré-candidato. 

E, segundo dizem, vem novos raios por aí. Alguns analistas observam que o Governo Lula pode ter sido leniente nessas negociações diplomáticas em torno do assunto. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem sido contundente no seu enfrentamento às medidas adotadas pelo Governo dos Estados Unidos. Está no seu papel. Não abandonou o seu embaixador em Washington, como ocorreu naquele caso da França, onde o embaixador Carlos Alves de Souza Filho, que defendia nossos interesses em relação à pesca da lagosta no país se sentiu abandonado pelo Governo, cunhando a expressão de que o Brasil não era um país que não se poderia levar muito a sério. 

O caminho, no entanto, seria o diálogo, mas, mesmo assim, talvez Trump não esteja muito afim de ceder. Matreiramente já deixou de fora os produtos de exportação que pudessem inflar os índices inflacionários no território americano. Lei da reciprocidade já se sabe como é. Retaliações sem fim de lado a lado. Recorrer aos organismos internacionais de regulação já não produzem os mesmos resultados de outrora, em função da fragilidade desses organismos na geopolítica atual. O Governo Lula informa que já tem um plano para socorrer os setores atingidos. Resta saber com que lastro diante de nossa combalida economia. 

Editorial: A presença do Estado no Distrito Mecânico\Comunidade do Renascer.



Já existem várias "cidades fantasmas" no estado do Ceará, ou seja, comunidades que abandonaram suas residências por determinação explícita ou guerra entre facções do crime organizado. O caso mais emblemático é o do distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova, que o Governo do Estado disse ter retomado, mas, logo em seguida, a oposição apresentou um vídeo mostrando o contrário, ou seja, o distrito continua com suas casas vazias, praças e ruas desertas, como é possível observar nas imagens acima. Nessa questão de segurança pública, alguns fatos devem acender os alertas das autoridades constituídas acerca do que está ocorrendo. A Paraíba, infelizmente, entrou no radar do "avanço" do crime organizado, protagonizando situações de tentativa de ocupação de territórios, conflitos entre facções rivais, chacinas, inserção de facções no aparelho de Estado, como foi o caso recente da cidade de Cabedelo. 

Se, num determinado momento, os índices de MVI ou CVLI  caem, mas, no momento seguinte a polícia descobre que as facções já determinaram que numa determinada comunidade a população só podem usar os serviços de internet mantidos por eles, isso significa que o crime organizado avançou mais uma casa e é questão de tempo para as taxas de MVI ou CVLI voltarem a subir. Ontem líamos uma matéria onde o articulista provava que, se o CV tomar a favela de Rio das Pedras forma-se o complexo de Jacarepaguá e a situação fica sensivelmente preocupante, tornando-se quase impossível a retomada de território naquela área pelo aparelho de Estado. Esta reflexão vem no bojo do que está ocorrendo no estado da Paraíba, que ganhou as páginas policiais nacionais depois do ocorrido no Distrito Mecânico, mais precisamente na Comunidade do Renascer, em João Pessoa. 

Rapidamente se perde o controle da situação. Tome-se, por exemplo o caso da cidade de Bayeux, na Grande João Pessoa. É praticamente impossível o cidadão observar a crônica policial e não encontrar o registro de alguma situação de grave violência naquela cidade, todos os dias. Um grande contingente da Polícia Militar da Paraíba foi acionado recentemente para conter a onda de violência que tomou conta do Distrito Mecânico, onde uma facção realizou sequestro de pessoas, segundo dizem, com o propósito de execução. Cenas de guerra, típicas do que já ocorre em regiões conflagradas, a exemplo do Rio de Janeiro, com 16 homens encapuzados, portando armas de grosso calibre. Felizmente a Polícia Militar chegou em tempo hábil e impediu o intento dos criminosos. 

Vários batalhões da Polícia Militar do Estado da Paraíba participaram da operação. Não sabemos se, nesse primeiro momento, a ação policial contou com a participação da Polícia Civil, mas, se contou, fica o registro. Está de parabéns as polícias do Estado da Paraíba, principalmente pelo entendimento de que o aparelho de Estado não pode perder o controle da situação, mantendo sua presença no local de forma ostensiva. Pelos informes obtidos, o próprio Comandante da Polícia Militar do Estado participa diretamente das operações no local, principalmente nessa segunda fase, onde é preciso assegurar a presença institucional da corporação, tranquilizando a população que se sente refém do crime organizado. 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o impasse na escolha dos senadores na chapa de Raquel Lyra.


Pelo andar da carruagem política, possivelmente esse impasse criado junto à federação União Progressista, que deve indicar um dos senadores na composição da chapa da governadora Raquel Lyra(PSD-PE), tende a uma judicialização, o que implica dizer que o impasse não seria resolvido até a convenção que homologaria a sua candidatura à reeleição, prevista para o início de agosto. A solução deveria passar pela construção de um consenso, algo improvável nesse momento, mesmo que a governadora tenha externado sua preferência pelo nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, do União Brasil. Ontem saiu uma pesquisa sobre a disputa ao Senado Federal no estado, indicando uma tendência já observada em sondagens anteriores, da eleição de um nome de perfil mais à esquerda e um nome de perfil mais conservador, quem sabe de centro-direita. 

Pela grande capilaridade política alcançada ao longo de anos de atuação, o deputado federal Eduardo da Fonte(PP-PE) aparece em terceiro lugar nesta pesquisa, ameaçando, eventualmente, caso se confirme o seu nome de algum modo,  a eleição do nome do senador Humberto Costa, do PT, que integra a chapa do ex-prefeito João Campos(PSB-PE). A reeleição do senador é prioridade da legenda no estado. João Campos montou uma chapa puro-sangue, mas o eleitorado parece decidido a não apostar todas as fichas em dois nomes de perfil progressista como representantes do estado na Casa Alta. Salvo melhor juízo, o próprio Humberto Costa acenou para esta preocupação no início das conjecturas em torno da formação da chapa de João Campos. Eduardo da Fonte chegou a conversar acerca da possibilidade de uma composição com o socialista João Campos, algo que serviu de argumento para a governadora não endossar o seu nome em sua chapa de reeleição. 

Marília Arraes segue firme na dianteira das pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal em Pernambuco. Sugere-se que seja uma hegemonia inquebrantável, algo já detectado muito antes das definições de chapa. Ela inclusive tinha um outro projeto político, mas acabou aquiescendo a esta tendência do eleitorado. Pelo andar da carruagem política, na realidade, temos apenas uma vaga me disputa ao Senado por Pernambuco, uma vez que a tendência de eleição de Marília é dada como certa. Humberto Costa disputa este espaço, mas vem sendo acossado por algum nome de perfil conservador, seja Miguel Coelho, seja Eduardo da Fonte, seja um outro nome. Mantida a atual tendência, a eleição de Túlio Gadelha, principalmente em razão de se apresentar como um nome do campo progressista, torna-se improvável. 

A pesquisa do Instituto Conecta entrevistou 2,1 mil eleitores, entre os dias 8 e 11 de julho, em 53 municípios pernambucanos. Está registrada no TSE-PE sob o número: o4263\2026. 



Editorial: "E o Brasil que se lasque"


Este é o título do editorial de hoje, dia 16, do jornal O Estado de São Paulo. Mais uma vez, o "terrível" editorialista daquele jornal tem razão em seus argumentos, ou seja, Governo e Oposição agem de forma irresponsável no que concerne às finanças públicas, produzindo um ônus pesado para o país, fatura que deve ser cobrada já nos próximos meses. Por enquanto, eles vão empurrando com a barriga, auferindo os resultados imediatistas do populismo. Com seus pacotes de bondade sem lastro o Governo avança nas pesquisas de intenções de voto; enquanto a Oposição festeja mais uma derrota infligida ao Governo. O editorial do Estadão faz menção à recente aprovação da PEC 14\2021, que concede aposentadoria especial aos agentes de saúde e de combate à endemias, o que irá representar um rombo estimado de 30 bilhões aos cofres públicos pelas próximas décadas. 

Não estamos tratando aqui do mérito da aprovação da medida, por sinal humanamente justíssima, mas observando suas consequências para as contas públicas. Há alguns meses atrás, a Ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que havíamos chegado ao limite. Era preciso realmente dá uma segurada nos gastos públicos, sob pena de enfrentarmos o caos. Pelo andar da carruagem política, em ano de eleições, este aviso caiu no vazio. A Confederação Nacional dos Municípios(CNM) já se manifestou contrária à aprovação da PEC 14\2021 avaliando que o impacto sobre os municípios seja da ordem de R$ 70 bilhões, praticamente levando a um impasse fiscal. 

É o Brasil descendo a ladeira, meu caro editorialista. Uma imagem que traduz muito bem isso é uma analogia atribuída a pelo antropólogo Roberto DaMatta, quando ele menciona a alegoria do elevador. O elevador do prédio suporta apenas seis pessoas. Num determinado momento, um funcionário tenta entrar no elevador, mesmo sabendo que a lotação já estava esgotada. O ascensorista em princípio recusa, mas o funcionário sugere que pode limpar sua barra com a empregada do 301. Ele acaba aquiescendo, cedendo à proposta, e o elevador vai ao fundo do poço.  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Editorial: Com melhora da avaliação, Lula abre vantagem significativa sobre Flávio Bolsonaro.



Ainda quentinha, acaba de sair da fornalha uma nova rodada de pesquisa do Instituto Quast\Genial sobre a disputa presidencial de 2026. O Planalto tem todos os motivos para festejar, enquanto a campanha do candidato bolsonarista, Flávio Bolsonaro, precisa colocar suas barbas de molho. É a primeira vez, desde 2024, pelos levantamentos do Instituto, que o presidente Lula tem índice de aprovação superior ao de desaprovação: 48% aprovam, enquanto 47% desaprovam. Este fato alvissareiro para o Planalto deve estar se refletindo diretamente nas escores de intenções de voto obtido pelo candidato Lula, que começa a abrir diferença significativa do oponente Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições de 2026. 

Segundo avaliação do presidente do instituto, o cientista político Felipe Nunes, o que se supõe é um eventual desgaste da imagem do candidato depois do affair Michelle Bolsonaro. Ou seja, o fogo amigo estaria produzindo maiores desgaste na candidatura de Flávio do que os méritos do próprio Lula. Se consideramos o que apresentamos pela manhã, com a possibilidade de novos petardos, a pergunta que se faz é se a sua candidatura não esteja começando a descer ladeira abaixo. Um fato curioso, igualmente observado pelo presidente do instituto, é que esses escores perdidos pelo pré-candidato bolsonaristas não são direcionados a nenhum dos demais concorrentes do segundo escalão. 

A pesquisa do Quaest ouviu, de forma presencial, 2004 pessoas, entre os dias 10 e 13 de julho, apresenta 2 p.p de margem de erro, índice de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número: BR-07181\20226

Segundo turno: 

Lula(PT)       45%

Flávio Bolsonaro(PL)     37%

Editorial: André de Paula fica no Ministério da Agricultura


Ontem, 14, comentamos por aqui, em postagem dedicada à disputa política no estado, sobre a dissidência aberta no PT local em relação ao apoio do nome da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) para o Governo do Estado, em 2026. É preciso, antes de mais nada, considerarmos o fato de que a governadora Raquel Lyra não tem arestas com o Planalto; hoje, lidera as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado; por fim, mas não menos importante, é preciso considerar que seus votos não são apenas oriundos da direita. O próprio Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, que hoje é o vice na chapa de Ronaldo Caiado(PSD-GO), deixou a governadora à vontade para as suas costuras locais. Em nenhum momento impôs que ela deveria apoiar o nome do partido, postura acompanhado pelo pré-candidato Ronaldo Caiado. 

Para evidenciarmos como esses arranjos locais podem não seguir, necessariamente, as decisões tomadas pelos grêmios partidários em Brasília, hoje, 15, leio, na coluna Diário Político, da jornalista Renata Bezerra de Melo, do Diário de Pernambucoque o Ministro da Agricultura, André de Paula, deve ser mantido no cargo, independentemente do rumos tomados oficialmente pelo PSD. A articulação com o ministro André de Paula, que é filiado ao PSD, está relacionada à bancada federal da legenda, que vota sempre em pautas a favor do Governo Lula. Trata-se um membro do partido, pernambucano, aliado da governadora Raquel Lyra, que vota a favor do Governo. 

A dissidência aberta no PT local não é recente. Quando foi eleito prefeito do Recife pela primeira vez, quem procurou distância do PT à época foi o próprio candidato João Campos. Fez críticas duras ao partido e afirmou, categoricamente, que governaria sem o PT, fomentando alguns constrangimentos em membros da legenda. É possivelmente este grupo hoje que não se sente muito à vontade em endossar sua candidatura ao Governo do Estado. 

Editorial: Como a equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro pretende usar as medidas restritivas impostas a ele.



O bombardeio será pesado até o final da campanha presidencial. A disputa está equilibrada, dentro daquela condição imposta pela polarização política, ou seja, mesmo diante das dificuldades de ambos os candidatos, eles continuam competitivos, não permitindo a ascensão de um nome do segundo pelotão. A revista Veja trouxe até uma matéria recente sobre o outsider Renan Santos, o nome que, em tese, poderia provocar alguma mudança nessa dinâmica competitiva dos pleitos presidenciais no país nos últimos anos. Trata-se de uma dinâmica competitiva que divide a disputa entre petistas e bolsonaristas. 

Vem chumbo grosso por aí, mas vamos aguardar primeiro os disparos dos canhões. Por enquanto, o que se sabe é que assessoria de marketing do candidato Flávio Bolsonaro pretende utilizar as imposições do STF contra ele a seu favor, ou seja, trabalhar no imaginário social o sentimento coletivo de um filho proibido de ver o pai. Não sabemos se isso vai surtir algum efeito positivo para o candidato, uma vez que, conforme se presume, a comunicação do candidato hoje atua como bombeiros tentando apagar incêndios, inclusive aqueles que estão sendo produzidos pelos piromaníacos do próprio bolsonarismo. 

O candidato, por sua vez, tem cometido alguns erros primários, passíveis de serem evitados. São tantos os equívocos que, um espaço como este seria insuficiente para mencioná-los. A equipe de comunicação, na realidade, deveria ficar mais atenta aos seus passos e atitudes. O que seria mais importante? a divulgação de uma carta do ex-presidente apresentando-o como o interlocutor legítimo do bolsonarismo ou uma interlocução permanente com um ator que, mesmo cumprindo prisão domiciliar, realiza um trabalho estratégico para o bolsonarismo neste momento? A equipe de comunicação ou marketing político sabia da carta, assim como de sua divulgação?  

terça-feira, 14 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o "conclave" que define um dos senadores na chapa de Raquel Lyra.

Crédito da Arte: Blog do Magno


No estado vizinho, a Paraíba, o diretório do PT de Campina Grande já informou à direção estadual da legenda que os dois nomes que serão apoiados pelo partido na cidade para o  Senado Federal serão o do ex-governador, João Azevedo(PSB-PB), e o do senador Veneziano Vital do Rego(MDB-PB), que concorre à reeleição. A deputada estadual Cida Ramos(PT-PB), que dirige a legenda no estado, entendeu que se tratou de um processo natural, para não dizer também coerente. O PT estadual, igualmente, formalizou o apoio a um nome como o de Lucas Ribeiro, do PP, e, oficialmente, deve apoiar o nome de Nabor Wanderley(Republicanos-PB) ao Senado Federal. Um apoio com reticências naturais, mas endossando a aliança com o socialista João Azevedo. 

Trazemos este exemplo para tentar entender o porque de tanta confusão em torno de uma dissidência do PT de Pernambuco, onde segmentos endossam o apoio ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra(PSD-PE). É impressionante como as coisas estão assumindo um rumo de radicalismo, quando já se fala numa eventual expulsão do vereador Osmar Ricardo do partido, assim como não oferecer a legenda para os seus novos projetos políticos. Tratando da questão do ponto de vista estritamente ideológico, as duas citações não são convergentes. Embora filiado ao MDB, sabe-se da fidelidade do Veneziano Vital ao Governo Lula 3. Aqui o argumento "ideológico!" faz algum sentido, sobretudo se entendermos que forças do campo político oposto estão afinados com o projeto de reeleição da governadora. Por outro lado, do ponto de vista da burocracia partidária, depois de 46 anos de história, já se esperava que o partido tivesse uma estrutura de amortecedores melhores para lidar com uma situação do gênero. Parece até que estamos na década de 80. 

Por outro lado, Raquel nunca declarou oposição a Lula. Sua relação com o Planalto é a melhor possível e extrapola o meramente institucional. Pragmaticamente, hoje lidera as pesquisas para o Governo do Estado. São votos que interessam ao projeto de reeleição de Lula. A imagem publicada no blog do Magno de uma espécie de conclave para definir o segundo nome na chapa ao Senado Federal da governadora Raquel Lyra foi muito feliz, embora se saiba que a gestora, depois de esgotar suas posições sobre o assunto, entregou aos caciques da federação União Progressista uma decisão sobre o assunto. A imagem é uma referência às intensas - e não menos tensas - reuniões com Antonio Rueda(UB-) e Ciro Nogueira(PP) em torno do assunto. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: STF impõe restrição às visitas de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.


O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o pré-candidato Flávio Bolsonaro não poderá visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelos próximos três meses. A medida é aplicada a partir do entendimento de que ocorreu violações das regras impostas para o cumprimento da pena do ex-presidente, que não poderia usar as redes sociais, tampouco por terceiros, conforme se presume. Hoje as redes sociais dos bolsonaristas estão inundadas de comparações das medidas  adotadas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando este cumpriu pena na sede da Polícia Federal, em Curitiba, quando recebia visitas regulares e se comunicava com partidários através de correspondências. 

São situações distintas, momentos distintos, juízes distintos. Salvo melhor juízo, foi o ex-ministro Ricardo Lewandowski, quem teria dado autorização para o petista manter tal interlocução com seus partidários. O ilícitos penais também são distintos. A condenação de ambos ocorreram por motivos distintos. Ontem, através de suas redes sociais, o candidato Flávio Bolsonaro estava convidando seus partidários para ouvirem um pronunciamento a respeito das medidas adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes. O temor maior é que uma simples carta possa repercutir sobre o cumprimento da pena do ex-presidente, eventualmente colocando em risco a sua prisão domiciliar. Bolsonaro não reúne condições de saúde para o cumprimento de pena em presídios convencionais. 

A despeito dos "solavancos", o jogo continua equilibrado na disputa eleitoral de 2026. Duas pesquisas de intenção de voto foram divulgadas recentemente, onde Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados. Pelo andar da carruagem política, o que se vislumbra no horizonte, a julgar pelo comportamento de alguns atores relevantes - e também de feeling político apurado - é que o inferno astral do candidato não será superado até 04 de outubro, definindo seu destino nas próximas eleições.  

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Editorial: Nova pesquisa BTG\Nexus aponta equilíbrio na disputa presidencial de 2026



Hoje, 13, saiu uma nova pesquisa BTG\Nexus sobre a disputa presidencial de 2026. O quadro continua embolado, indicando um empate técnico, em segundo turno, entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Nesta pesquisa, num eventual segundo turno, Lula parece pontuando com 47% das intenções de voto, enquanto o bolsonarista Flávio Bolsonaro crava 43% das intenções de voto, dentro da margem de erro da pesquisa, portanto. A disputa política no país tornou-se perigosamente "cristalizada". É interessante observar como a polarização política entre petistas e bolsonaristas resiste a praticamente tudo. Todos os dias surgem denúncias, escândalos, fatos novos, que, pelo andar da carruagem política, apenas contribuem para fortalecer essa dinâmica. 

Partidos de centro e centro-direita, a exemplo do União Brasil e do Republicanos demonstram pouca ou nenhuma motivação em compor com o candidato Flávio Bolsonaro, pois acreditam que ele se encontra num momento difícil e com tendência a se complicar ainda mais. Gente ligada ao Republicanos sugere que existe uma possibilidade real do bolsonarista perder a eleição para o presidente Lula. Se recusam a compor com ele. O segundo pelotão, a exemplo de Caiado, Zema, Renan Filho tentam de tudo e tudo é insuficiente para quebrar a hegemonia entre petistas e bolsonaristas. Há um eleitor de centro, independente, mas, ao final e ao cabo, ele acaba contingenciado a optar entre um e outro. Nunca num terceiro nome. É curioso isso. 

A pesquisa Nexus\BTG ouviu 2.003 eleitores, através de entrevista por telefone, entre os dias 10 e 12, com margem de erro de 2.pp, índice de confiabilidade de 95%, contratada pelo banco BTG Pactual, e está registrada no TSE sob o número BR- 07981\2026. 

Editorial: Hugo Motta sai em defesa das emendas



As medidas saneadoras adotadas recentemente pelo STF em relação a uma tal de cogestão ou redirecionamentos de emendas parlamentares não deveriam, mas, ao que parece, estão se tornando mais um elemento da queda de braço entre os Três Poderes da República. O Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, deu uma declaração recente discordando das medidas adotadas pelo Ministro Flávio Dino, do STF. As medidas adotada pelo STF são da maior pertinência, orientadas por princípios que regem o uso correta de verbas públicas. Como é que se explica que, sequer, a prestação de conta sobre a destinação e aplicação correta dessas emendas não sejam apresentadas? Uma boa parte delas não passam nessa clivagem primária. Não sabemos como anda a situação neste momento, mas, até recentemente, havia um montante expressivo de recursos de emendas retidos exatamente pela ausência de transparência.  

Ontem surgiu a notícia de mais um bloqueio, este da ordem de 6 milhões, pelas mesmas motivações dos bloqueios aplicados ao Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Desta vez o atingido foi o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, ao que se sugere, está tentado voltar à ribalta pelo estado de Minas Gerias, onde é candidato a deputado federal. Isso é mais indício do acerto da medida adotada pelo Ministro Flávio Dino. A engenharia de supostas falcatruas ou irregularidades no uso dessas emendas é surpreendente. A cada dia surge um mecanismo ou expediente novo por onde escoa para mãos erradas os recursos de nossos impostos. 

Já surgiram deputados da Paraíba liberando emendas para cidades do interior do Ceará; liberação de emendas mediante pagamentos de propinas; emendas liberadas cujos recursos não foram aplicados em obras para as quais elas foram liberadas, caracterizando, neste caso, um explícito caso de desvio de recursos públicos; emendas cujas prestações de contas são inexistentes ou suspeitas. O arsenal de criatividade é enorme, bem típico de um país como o Brasil. Infelizmente. 

domingo, 12 de julho de 2026

Crônicas do Cotidiano: Os prefácios de Henry James


No seu livro "A Preparação do Escritor", o escritor pernambucano Raimundo Carrero, morto recentemente, fala-nos sobre o processo angustiante e laborioso de escrever uma obra de ficção. No texto, são constantes as expressões "ler, ler, ler", "escrever, escrever, escrever", "reescrever, reescrever, reescrever", "criticar, criticar, criticar", e assim por diante, antecipando aos desavisados de que a tarefa de produção de um romance não é algo simples, exigindo dedicação, resignação e, principalmente, muita disciplina. Mesmo nos seus manuais de escrita, nunca lemos alguma menção de Raimundo Carrero acerca do grande romancista britânico Henry James, cujos "Prefácios" lemos até recentemente. 

Este livro, que pode ser traduzido como uma espécie de manual de escrita criativa, a partir da experiência de um dos escritores mais bem-sucedidos na escrita do gênero romance, na realidade, foi concebido quando a editora que publicava suas obras resolveu fazer uma publicação completa dos seu trabalho, reunindo todos os seus romances, num total de 11. Se Carrero tivesse tido acesso a tal obra, possivelmente ela seria matéria prima para as suas oficinas de criação literária. James pegou, para cada página escrita de cada um desses romances, uma página em branco, onde procedeu as modificações que julgava necessárias ao texto. Um trabalho primoroso que modificou o teor dos textos iniciais, corroborando com a "incerteza" inerente à concepção de uma obra de ficção, conforme enfatiza Carrero, apontando sua caraterística de infinitude. 

Nos Prefácios, James explica como concebeu cada um desses romances, assim como argumenta porque, diante da exigência da editora na publicação dos textos, procedeu tais mudanças em sua composição. É um verdadeiro "achado", uma vez que tais intervenções são verdadeiras aulas sobre o gênero romance, algo em que o escritor foi tão feliz. Graciliano Ramos, que era um mestre na arte da escrita e da "lapidação" dos textos, nunca ficou satisfeito com o resultado do seu primeiro romance, Caetés. Mesmo quando um crítico como Antonio Candido elogiou o texto, Graciliano ignorou as observações positivas sobre a obra, mantendo suas reticências iniciais.  

James era muito prolixo. Alguns críticos suspeitam que as suas novelas, na realidade, eram contos que ele não conseguia restringir a algumas poucas páginas. Não satisfeito, James resolveu escrever, para cada romance escrito, um prefácio contando a sua concepção, sua história, sua impressão sobre o texto, os personagens, algo que se constitui, conforme afirmamos antes, num momento de grande aprendizagem. É curioso como Raimundo Carrero tinha grandes afinidades com os poetas, sempre reiterando a necessidade de lê-los, o que facilitaria a construção de cenários para a construção dos romances e novelas. 

Editorial: A conquista de Rio das Pedras.


Rio da Pedras, região do Rio de Janeiro que hoje vive sob o controle de grupos milicianos, tem uma história das mais interessantes, pois foi um dos primeiros núcleos de favelas estabelecidos naquele estado, a partir da concessão de terrenos doados pelo poder público a um determinado grupo de moradores locais. Esses moradores acabaram convocando os parentes para o local, ampliando sensivelmente o número de habitantes na região. Rio das Pedras conta com a ausência do aparelho de Estado desde o início, daí se entender que ali também foi forjado o primeiro grupo miliciano com atuação no estado. O grupo foi formado a partir de uma simples associação de moradores criada para organizar a distribuição dos terrenos. 

Hoje, como mostra uma matéria da revista Veja desta semana, a região está completamente sob o controle dessas milícias, que exploraram um comércio cada vez mais diversificado, atraindo o interesse até mesmo de facções do crime organizado, como é o caso do Comando Vermelho, que está tentando tomar a região. Os grupos miliciano são geralmente formados por pseudo agentes de Estado que atuam na região, explorando negócios como a venda de gás, água, serviços de internet, imóveis na laje, segurança privada, transporte. Como já se tem notícia, nem o pãozinho francês escapa dessa sanha, pois a massa de trigo tem que ser comprada aos milicianos. São rendas fixas que movimentam milhões, algo diferente das oscilações inerentes ao tráfico de drogas, daí o grande interesse dessas fações do crime organizado por esse nicho. 

Eles exploram tudo, estabelecem regras, criando o que os estudiosos denominam de governança do crime organizado. Outro dia um Oficial de Justiça queixou-se que estava sendo proibido de entregar intimações da justiça comum em determinada região, pois ali eles são a lei.  Há ainda um dado a ser acrescentado. Por razões conhecidas, a ação do aparelho policial contra o crime organizado geralmente é maior do que a ação contra as milícias. A matéria da revista Veja está repercutindo bastante, uma vez que este é um tema central das próximas eleições presidenciais e para os governos estaduais, principalmente em estados como o próprio Rio de Janeiro, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, entre outros.   

Editorial: Em carta, Bolsonaro pede apoio ao nome do filho


Embora estável nas pesquisas de intenção de voto, a candidatura de Flávio Bolsonaro, neste momento, passa por um quadro caracterizado como de tempestade perfeita. Vejamos. A polêmica questão de sua posição em relação às tarifas de Trump; o affair entre ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; as divergências entre bolsonaristas históricos; assim como, mais recentemente, a suspeita levantada pela Polícia Federal em relação a um suposto esquema de redirecionamento de emendas parlamentares envolvendo o Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que acaba, de alguma forma, se refletindo sobre a sua campanha. 

Ontem ele esteve no Ceará, ao lado dos companheiros bolsonaristas locais, mas, como já se supunha, sem a presença de Ciro Gomes(PSDB-CE), que tem o apoio do partido. Hoje, 11, foi divulgada uma carta onde o ex-presidente Jair Bolsonaro pede apoio ao nome do filho, rogando por uma trégua nessas fissuras internas. Nos bastidores, andou circulando a informação de que ele também teria pedido a sua esposa, Michelle, que reestabelecesse a paz entre ela e o filho, evitando problemas para a candidatura de Flávio, o que seria bastante complicado para a gestão de sua prisão. Na realidade, Lula reeleito a expectativa é que a gestão do cumprimento da pena de Bolsonaro continue problemática.

Contrariando as opiniões que advogam uma eventual fissura no bolsonarismo, uma cientista política, em artigo, defende a  tese de que tudo isso não passa de uma estratégia pré-definida para chamar a atenção num primeiro momento, e, depois, enfatizar os valores familiares tão caro ao bolsonarismo. Ou seja, ela considera a hipótese de uma "reconciliação" entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro passando a imagem de uma clã familiar capaz de superar divergências internas em nome de um propósito maior.  

sábado, 11 de julho de 2026

Editorial: PF suspeita de Valdemar da Costa Neto na cogestão irregular de emendas parlamentares.



O inquérito corre no Supremo Tribunal Federal, com relatoria do Ministro Flávio Dino, que já determinou o bloqueio de bens no montante ao equivalente ao direcionamento, supostamente irregular, de emendas parlamentares pelo senhor Valdemar da Costa Neto, Presidente Nacional do PL. A defesa de Valdemar já se manifestou a respeito, argumentando não haver irregularidades nesse direcionamentos, uma vez que se trata de negociações partidárias, consoante interesses ou prioridades específicas da legenda. Embora dirija um partido, Valdemar da Costa Neto não tem mandato parlamentar. Soubemos, igualmente, que a PGR não teria endossado a medida tomada pelo STF. 

O pré-candidato Flávio Bolsonaro já se pronunciou a respeito, alegando "perseguição" política por parte da Polícia Federal. Vamos deixar a poeira assentar para termos uma clareza sobre o que, de fato, está ocorrendo, sobretudo neste momento em que os ânimos políticos estão tão acirrados. Independentemente dos fatos narrados acima, o pavoroso é observar o pântano de corrupção que está relacionado a essas emendas parlamentares. Cada dia aparece um expediente novo sobre como desviá-las para interesses escusos, que não a sua finalidade específica, ou seja, a de servir ao interesse público. 

Essa turma não toma emenda. A própria Polícia Federal já realizou inúmeras operações de buscas e apreensões envolvendo irregularidades no uso dessas famigeradas emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino realiza um trabalho hercúleo para dá a elas uma destinação correta, transparente, republicana, consoante a sua finalidade específica, a de atender às demandas dos pagadores de impostos. Ao tomar a medida de bloqueio de bens do senhor Valdemar da Costa Neto, certamente ele desconfia de eventuais irregularidades. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Paraná Pesquisas aponta liderança de Raquel Lyra.


Duas informações - talvez três - causaram um certo alvoroço no cenário político pernambucano. Uma delas dizia respeito a um provável acordo entre o Republicanos e o PL, no plano nacional, o que poderia produzir alguns reflexos nas alianças estaduais em Pernambuco, onde o Republicanos já fechou um acordo com o candidato João Campos, do PSB. Este assunto foi contornado com a indicação da direção do partido no sentido de respeitar os acordos regionais da legenda. Aqui o partido segue com os socialistas, ali o partido alia-se aos bolsonaristas e tudo bem. Uma outra informação, de certo modo surpreendente, é o pronunciamento de uma liderança do PT local dando conta de que o presidente Lula não estaria muito satisfeito com os acordos em relação ao apoio ao projeto João Campos no estado, indicando que, possivelmente, não subirá em seu palanque. 

A informação foi logo desmentido pelo senador Humberto Costa, reafirmando que as costuras políticas envolveram a direção da legenda, com a anuência do próprio Lula. Trata-se, portanto, de um acordo de alta cúpula. De fato esta informação precisa ser melhor avaliada, principalmente quando se sabe que estamos tratando aqui de um acordo de legendas, ou seja, uma aliança de longa data entre petistas e socialistas. Curiosas essas coisas da política. Túlio Gadelha, confirmado como candidato ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, havia observado que Lula gravara um vídeo de apoio ao candidato João Campos sem muito entusiasmo. 

A terceira informação saiu ontem, depois da divulgação da pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, que confirma a liderança da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) pela disputa do Palácio do Campo das Princesas, em 2026. Os dados ainda podem ser analisados como dentro da margem de erro do instituto, mas, ratifica uma tendência de liderança nas pesquisas de intenção de voto, conforme apontada antes por institutos como o Datafolha. Nesta pesquisa Raquel Lyra aparece com 46,8% das intenções de voto, enquanto João Campos crava 42,5%. O psolista Ivan Moraes pontua com 1,3% das intenções de voto. A pesquisa ouviu 1.500 eleitores nas diversas regiões do estado, entre os dias 7 e 9 de julho e está registrada no TSE sob o número: PE- 00478\2026. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Editorial: Os erros de comunicação dos bolsonaristas.


Alguns analistas políticos já consideram que acendeu a luz vermelha na comunicação de campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Já faz algum tempo que o problema existe, para sermos sinceros desde o início do lançamento do nome de Flávio Bolsonaro, mas sugere-se que estamos chegando a um limite. Depois do affair entre o próprio candidato e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, agora é a vez do embate entre bolsonaristas históricos, com direito à troca de farpas entre ele. Com tantos erros de comunicação, afinal, quem precisa de adversários? Com os nervos à flor da pele, acaba sobrando para pessoas como o senador Rogério Marinho, cidadão bastante equilibrado e ponderado. 

Seu nome está sendo envolvido de forma equivocado nessa engrenagem. O senador é o menos responsável pelos equívocos de comunicação da campanha, embora seja o coordenador da campanha do senhor Flávio Bolsonaro. Ontem estávamos lendo um texto dos mais lúcidos sobre o assunto. De fato, o que, no frigir dos ovos, está ocorrendo é uma espécie de "transtorno" de comportamento do próprio Flávio, tendo que acenar para os radicais bolsonaristas, de um lado, e, por outro, procurar a ponderação necessária para não afugentar os 27% do eleitorado infenso à polarização política, o grupo que, afinal, define as eleições presidenciais no país, de acordo com estudos. O centrão sociológico, segundo João Santana. 

Quem vai, por exemplo, controlar as falas e até mesmo as atitudes de Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos? Eles estão cometendo equívocos diuturnamente. Já existe uma opinião formada entre parte do eleitorado a respeito do tarifaço de Trump, que não é favorável ao candidato. Mesmo com esses problemas intestinais, o jogo continua equilibrado na disputa pela cadeira do Palácio do Planalto. A última pesquisa do Instituto GERP mostrou Flávio numericamente à frente de Lula. 45% a 42%. Na margem de erro, mas à frente. 

Editorial: Debate sobre o Governo do Ceará já tem data marcada.

 


A Rede Bandeirantes de Televisão, com uma larga expertise na realização de debates políticos, agendou para o dia 09 de agosto o primeiro debate entre os candidatos que concorrem ao Governo do Ceará, em 2026. Há uma grande expectativa em torno desse debate, por dois motivos. A campanha do Ceará está definitivamente nacionalizada. Não apenas pelo "gargalo" da segurança pública, mas por envolver uma rinha acirrada entre petistas e bolsonaristas. Naquela praça, uma praça estratégica para o partido, o PT aposta todas as suas fichas na reeleição do governador Elmano de Freitas(PT-CE). Por outro lado, talvez em razão de sua larga visão sobre o cenário nacional, Ciro Gomes(PSDB-CE), o candidato de oposição, faz questão de construir um discurso que extrapola as dimensões geográficas do estado. 

Ciro, um dos pivôs das indisposições entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, aliou-se à nata do bolsonarismo no estado, embora assegure que não pedirá votos para o candidato presidencial do bolsonarismo no estado. Trata-se de um acordo local. Estávamos lendo uma entrevista recente do governador Elmano de Freitas ao Blog do Magno, onde ele sugere que focará nos debates essa guinada dada pelo ex-ministro Ciro Gomes, que teria abandonado as forças de centro-esquerda de suas origens. Não sabemos quem está por traz de sua assessoria de comunicação, mas percebe que teremos por aqui um grande problema. 

A narrativa ideológica, muito possivelmente, não logrará bons resultado para o candidato Elmano de Freitas, principalmente quando se sabe que Ciro lidera as pesquisas de intenção de voto. Em última análise, isto quer dizer que o eleitor já assimilou essa condição do neo-tucano. Ciro é um cara muito bem-preparado. Daqueles que fazem o dever de casa. Vai trazer ao debate aspectos da gestão que ele conhece muito bem. Elmano deveria estar se preparando, aliás, para este embate técnico, algo que já vem sendo pincelado pelo tucano em suas falas nas redes sociais, como questões de saneamento básico, construção de novos hospitais, ausência de concursos públicos para a renovação dos quadros das polícias estaduais, entre outros. Nós já estamos aguardando o dia 09 de agosto como se fosse uma final de copa do mundo. 

Editorial: Lula recusa apoio a Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta, na Paraíba.



Hoje, 10, a crônica política está recheada de notícias "quentes". Aqui na província, as dificuldades na relação entre a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) e a federação, União Progressista, depois que ela decidiu que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, do União Brasil, será o representante da federação em sua chapa para o Senado Federal. Setores da federação insistem no nome do deputado Eduardo da Fonte(PP-PE). Curioso que, lá atrás, a governadora já havia assegurada dois nomes da federação na composição da chapa. Eduardo da Fonte, no entanto, andou sondando eventuais negociações com o Palácio do Capibaribe, aborrecendo a governadora. 

Ainda no plano estadual, mas no estado vizinho da Paraíba, uma matéria da coluna Diário do Poder, onde informa-se que o presidente Lula teria batido o martelo em apoio aos nomes de João Azevedo(PSB-PB)e Veneziano Vital do Rego(MDB-PB) ao Senado Federal, deixando de apoiar o nome de Nabor Wanderley(Republicanos-PB), como desejava Hugo Motta, Presidente da Câmara Federal. O PT local até apoia o nome de Lucas Ribeiro(PP-PB) ao Governo do Estado, assim como os nomes de João Azevedo e Nabor Wanderley, que integram a sua chapa como concorrentes ao Senado Federal. Há dissidências, como no caso de Campina Grande, cujo diretório já disse que caminha ao lado do projeto de reeleição de Vital do Rego. O preocupante aqui seria Lula não apoiar o nome de Vital do Rego, um senador coerentemente governista em sua atuação no Senado Federal. 

O eventual acordo com Hugo Motta tinha relação direta com as negociações do Planalto com a Câmara dos Deputados, muito distante da dinâmica política estadual da Paraíba. Algo esquizofrênico, sem pé nem cabeça. Acabou dando com os burros n'água. Não pensem os senhores que o PT estadual apoia a composição da chapa de bom grado. Entra contingenciado pela aliança com os socialistas. Setores do partido desejavam até mesmo uma candidatura própria. No plano nacional, nova operação da Polícia Federal no contexto do escândalo do Banco Master, desta vez a partir das ameaças contra a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que já tratamos por aqui em duas ocasiões. A "Turma" se preocupava com os formadores de opinião, o que não se constitui nenhuma novidade. No final, nossos agradecimentos aos 20.703 leitores do nosso blog no dia de ontem. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Republicanos podem fechar acordo com o PL... em Brasília.


Tomamos conhecimento, através da coluna Cena Política, do Jornal do Commércio, que o Republicanos negocia o apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL. Isso muda o jogo a disputa no estado, onde o Republicano já está representado na chapa do candidato João Campos(PSB-PE) ao Governo do Estado? Sim e não. João perde em termos de narrativa discursiva, onde procurava manter-se fielmente ao campo de esquerda, empurrando à adversária Raquel Lyra(PSD-PE) um eventual flerte com a direita bolsonarista. Flerte aqui é apenas forma de expressão, principalmente quando se sabe que ele usa tal discurso como estratégia de campanha. 

O fato de ter, entre integrantes de sua chapa, um nome do Republicanos, o vice Carlos Costa, dilui em certa medida tal narrativa discursiva. Por outro lado, em se sabendo como se dão os arranjos regionais - que nem sempre correspondem ao que é celebrado nos escaninhos de Brasília - não haveria problema algum. Ademais, segundo anda a Coluna, o partido em Pernambuco teria que continuar assim mesmo, com o apoio ao nome de João Campos ao Governo do Estado. Muito provavelmente trata-se de um tema a ser explorado durante a campanha, principalmente por ocasião dos debates públicos, mas, até que ponto isso possa influenciar o comportamento do eleitorado, estamos aqui diante de uma longa distância, até porque, no plano nacional, os Costa sempre estiveram com Lula. 

Quando Sílvio Costa foi indicado ao cargo de Ministro de Portos e Aeroportos de Lula, desde aquela época já se especulava acerca de tal conveniência, uma vez que os Republicanos tinham o governador Tarcísio de Freitas como pré-candidato à Presidência da República. São coisas da nossa política. Sílvio Costa, aliás, salvo melhor juízo, não era considerado "cota" do partido Republicanos no Governo Lula. Por outro lado, há de se considerar a inegável lealdade de Sílvio Costa ao Governo Lula 3, o que minimiza as opiniões em contrário.