Todos os dias surgem alguns fatos novos sobre as eleições deste ano. A teoria da conspiração anda solta, produzindo os seus estragos antecipados, como uma eventual interferência norte-americana nas eleições; a fala de um bolsonarista afirmando uma suposta fraude, a partir daquele momento em que os dados nacionais deixaram de ser, momentaneamente, divulgados; coisas assim. Tudo isso é reflexo do climão que passamos a viver no país, onde absurdos passaram a ser "normalizados". Sabe-se lá o que vem mais por aí. Lula se declara surpreso com o resultado das eleições, a despeito dos indicadores internos e os sinais emitidos pelos institutos de pesquisa apontarem, claramente, que o voto útil tendia a favorecer o seu oponente, Flávio Bolsonaro.
Há duas falas que pretendo resgatar por aqui, como disse antes, comendo o mingau quente pelas beiradas para não se queimar. Infelizmente não nos recordamos o nome de um analista político que observou que as pesquisas qualitativas apontavam para uma insatisfação de parte do eleitorado antes do primeiro turno. Esta insatisfação, dizia ele, não estava apenas relacionada à herança maldita da experiência bolsonarista, mas relaciona-se, em parte, ao terceiro governo Lula. Hoje, 06, numa entrevista concedida pelo CNN, o cientista politico pernambucano, Antonio Lavareda aponta os problemas da condução da economia como determinante para o resultado desfavorável ao Governo Lula nesta eleição. Como a economia não muda radicalmente em apenas três semanas, isso corrobora com a tese das dificuldades do Planalto neste momento.
Este problema vem se arrastando desde algum tempo, configurando-se nos índices de avaliação do Governo Lula 3, que nunca foram definitivamente favoráveis. Soubemos há pouco que alguns assessores do presidente Lula consideram, mais uma vez, creditar os percalços à área de comunicação. Isso é desde sempre. É injusto este diagnóstico. De qualquer maneira, já se pensa em convocar o marqueteiro João Santana para assumir a campanha no segundo turno. Tenho um profundo respeito pelo João Santana, mas não acreditamos em milagres. O curioso é que João vem de duas campanhas malsucedidas contra o PT. Na Bahia e no Ceará. Chama atenção como o PT conseguiu reverter duas situações sensivelmente desfavorável nesses dois estados.





