pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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quarta-feira, 8 de abril de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: pesquisa do Real Time Big Data indica tendência que o PT mais temia.



Dia chuvoso vai bem com um cafezinho quente acompanhado da bolacha Maragogi. Ainda fresca, a pesquisa realizada pelo Instituto Real Time Big Data sobre a disputa ao Governo de Pernambuco e a corrida ao Senado Federal. Já havíamos feito referência a esta pesquisa, depois de informado pela revista Carta Capital, que havia comunicado que os pesquisadores do instituto estavam em Pernambuco coletando esses dados. Hoje, 08, os dados foram divulgados. Para o Governo do Estado, o candidato João Campos(PSB-PE) aparece com 50% das intenções de voto, enquanto a governadora Raquel Lyra crava 38% das intenções. Muito mais do que a dianteira de João Campos, o que deve ser ressaltado aqui é a resiliência da governadora Raquel Lyra, gradativamente equilibrando a disputa, ampliando seus escores e se aproximando de João Campos, que já chegou a estabelecer uma diferença bem mais significativa quando foi lançado candidato lá atrás. 

Na pesquisa do Instituto Veritá, registrada no TSE, que cumpriu todos os requisitos de uma pesquisa de intenções de voto, ela já empata com o candidato João Campos. As intenções de voto para o Senado Federal, no entanto, é onde a porca começa a torcer o rabo, mesmo que a governadora ainda não tenha definido sua chapa oficialmente. Começa a se configurar aqui aquilo que o PT mais temia, ou seja, a possibilidade da candidata Marília Arraes atrair os votos do eleitorado mais progressista, enquanto se desenha no horizonte a eleição de um senador de perfil mais conservador. A pesquisa mostra exatamente isto neste momento. Marília Arraes e Miguel Coelho lideram a pesquisa para o Senado Federal. Marília pontua com 28% das intenções de voto, enquanto o representante do clã dos Coelho na chapa da governadora crava 21%. 

Na esteira de Miguel Coelho, outro nome de perfil conservador, ligado ao bolsonarismo estadual, Anderson Ferreira, pontua com 19% das intenções de voto. O senador Humberto Costa, que luta desesperadamente por sua reeleição, nesta pesquisa aparece com 17%. A rigor, o segundo pelotão está "embolado, configurando-se um empate técnico entre três candidatos ao Senado Federal. A pesquisa do Real Time Big Data, por outro lado, confirma a consolidação do isolamento da candidata Marília Arraes na primeira posição, indicando chances reais da neta do Dr. Miguel Arraes se tornar senadora pelo estado de Pernambuco. Esta tendência de comportamento do eleitorado pernambucano - que já teria sido detectada pelos petistas - poderia ser o motivo pelo qual surgiram as resistências ao nome de Marília na mesma chapa com Humberto Costa. 

O deputado federal Túlio Gadelha, recentemente filiado ao PSD, que entrou na chapa da governadora Raquel Lyra - é bom frisar sempre que a governadora Raquel Lyra tem um baita de um problema sobre bater o martelo acerca da real composição de  sua chapa  - já aparece com 7% das intenções de voto nesta pesquisa do Instituto Real Time Big Data - Túlio ainda insiste no argumento de que é o candidato de Lula na chapa da governadora Raquel Lyra, numa situação que poderia se configurar num surto de esquizofrenia política, principalmente se considerarmos as outras forças políticas que gravitam em torno da chapa que está sendo montada pelo Campo das Princesas. A pesquisa Real Time Big Data foi registrada no TSE sob o número: PE-05353\2026. A margem de erro é de 2pp e índice de confiabilidade de 95%. 

Editorial: Editorialista do Estadão vota contra a indicação de Jorge Messias ao STF.


Até recentemente, Lula teria mantido uma conversa com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, acerca das movimentações em torno da sabatina de Jorge Messias para o Senado Federal. Estima-se que isso ocorrerá apenas no segundo semestre. Davi Alcolumbre, que, num passado recente foi bastante atencioso com o pleito do Executivo envolvendo outros indicados, desta vez afirmou, assim como Pôncio Pilatos, que lavava as suas mãos quanto a aprovação do indicado de Lula ao STF. A indicação e Messias ao STF é um enredo de novela mexicana, que vai se arrastando indefinidamente, sem que se possa prevê algum final feliz para o protagonista. Cria-se tantas situações paralelas em torno do enredo principal que acaba por confundir os telespectadores. 

A relação de confiança de Lula em torno do seu indicado é a melhor possível. Mesmo com o lobby em torno da indicação do nome do ex-Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, Lula acabou optando por indicar o ex-chefe da AGU, oriundo do grupo Prerrogativas, que esteve ao lado do presidente nos seus piores momentos, quando ele esteve preso em Curitiba. Fora essa relação afetiva e de gratidão, o nome de Jorge Messias, por uma infinidade de razões, teria dificuldades de passar na sabatina do STF. Messias teria que se mostrar confiável a um número expressivo de senadores da Oposição, o que não está sendo fácil. Conta hoje com apenas 16 senadores certos. Fez um périplo pelos corredores do Senado Federal, conversou com os senadores, mas, mesmo assim, a resistência à sua indicação é notória. 

O curioso neste enredo de novela mexicana é que ele, depois das providências institucionais possíveis, como escrever uma carta falando de seus propósitos como eventual Ministro da Suprema Corte, já disse que está disposto a ir a sabatina independentemente do resultado. Vai arriscar. Nem ele mesmo está suportando este verdadeiro calvário. As manifestações públicas em apoio ao seu nome vieram de onde menos se esperava, a exemplo do Ministro André Mendonça, que desejou, durante um seminário onde estiveram juntos, que em breve eles poderiam se encontrar na Suprema Corte, assim como Valdemar da Costa Neto, Presidente Nacional do PL. Hoje, 08, o terrível editorialista do Estadão, produziu um editorial demolidor sobre o assunto, afirmando que o Senado Federal não poderia aprovar o nome de Messias para o STF. Invoca-se, entre outras questões, o chamado critério técnico do notório saber. Muito mais do que o notório saber, no entanto, o jornal faz referências às questões políticas. 

Em clima de normalidade institucional, a sabatina do Senado Federal é apenas uma formalidade. Na história da República, só há registro de um nome que foi rejeitado pela Casa Alta. Em clima de beligerância institucional, onde todos os Três Poderes tentam reafirmar as suas reais atribuições institucionais, a possibilidade de uma reprovação - que seria vexatória - existe. O país está passando por um momento muito delicado. Recentemente tivemos a rejeição do relatório da CPMI do INSS, depois de um trabalho minucioso de investigação, produzido por um ex-promotor de justiça, com atuação junto ao GAECO no seu currículo, que esquadrinhou a quadrilha que roubou os sagrados proventos dos aposentados e pensionista. 215 nomes arrolados e, apenas para salvar a pele de uns gatos pingados blindados pelo sistema, o relatório não foi aprovado. O interesse de grupelhos se sobrepôs ao interesse público. Foi triste vê o semblante de desolação do senador Carlos Viana, ao final dos trabalhos. É o Brasil. 

terça-feira, 7 de abril de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: "Eu sou o Camilo que vai continuar a obra de Lula"



Ontem, 06, assistíamos a um vídeo onde o presidente Lula, durante uma fala, faz referência a uma eventual candidatura do ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, que se desincompatibilizou do cargo dentro dos prazos legalmente previstos. A rigor, há um incógnita acerca do futuro político de ambos, Lula e Camilo Santana. Nos últimos dias começaram a ganhar força uma preocupação do Palácio do Planalto em relação à candidatura à reeleição do presidente Lula. As condições já não são tão favoráveis como antes, sugerindo a possibilidade real de uma eventual derrota nas urnas. Cresce a desaprovação do Governo; há uma fadiga de material natural; além de dificuldades na comunicação, embora este último motivo seja questionável. Talvez seja o real problema " o que" comunicar, num país de endividados e com dificuldades de abastecer a geladeira. 

Derrapagens verbais e erros de posicionamento produzem seus estragos, mas, convenhamos isso talvez não seja o mais importante. Em sua fala, o presidente Lula deixa transparecer que o companheiro Camilo poderá ser candidato. A que é uma incógnita. Há quem diga que a sua missão será tentar salvar um eventual desastre do PT no Ceará, onde Elmano de Freitas, atual governador, menos competitivo, corre o risco de perder feio a eleição para o filho pródigo, Ciro Gomes, que, no passado, já foi um grande aliado de Camilo Santana. Coisas da dinâmica da política. Dois nomes surgem no horizonte como os eventuais substitutos de Lula: Camilo Santana e Fernando Haddad. Haddad talvez tivesse maior ascendência sobre o morubixaba petista, mas, no momento, depois da repercussão positiva de seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto em São Paulo, é possível que ele ajude mais o PT como candidato ao Palácio dos Bandeirantes. 

A despeito do avanço do nome do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, sua candidatura apresenta fragilidades evidentes, como a ausência de um programa de governo para o país, assim como fatos de sua biografia que merecem passar pela clivagem do eleitorado. Outra gravíssima exposição do candidato são suas declarações polêmicas, principalmente em suas falas nos Estados Unidos, onde chegou a insinuar, supostamente, segundo editorial da Folha, que, se as eleições presidenciais não confirmarem a sua vitória já seria suficiente para o levantamento de alguma suspeita. Camilo Santana, por outro lado, diante das atuais circunstâncias do desgaste do Governo Lula 3, precisa dizer mais do que o apenas: "Eu sou o Camilo que vai continuar a obra de Lula".   

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Editorial: O PT antissistema?



Quando o PT foi fundado, ali na década de 80, foi apresentado como a grande novidade da política brasileira. Era um partido com características singulares, absolutamente distintas no contexto do sistema partidário brasileiro. Muitas dissertações de mestrado e teses de doutorado foram produzidas, explorando essa condição do partido. Tudo era muito simbólico em relação ao PT, suscitando atenções da sociedade sobre todos os seus atos, inclusive sobre as primeiras experiências de gestão da legenda. Os militantes mais exaltados queriam a implantação de uma espécie de "socialismo municipal", algo impensável num contexto de uma economia capitalista. Isso ocorreu em Santa Quitéria, no Ceará, quando o partido conseguiu eleger seu primeiro prefeito no Brasil, ou mesmo quando Luísa Erundina foi eleita para governar a maior cidade da América Latina. 

Na realidade, alguns assinalam, equivocamente, que teria sido Diadema a primeira cidade a ser conquistada pela legenda. A luta pelo voto e o exercício do poder, aliada ao processo natural de "oligarquização - conforme assinala o sociólogo alemão Robert Michels - foram moldando uma nova personalidade a legenda ao longo do tempo, com enormes prejuízos pela sua luta de base, esteio primordial do partido. Hoje se fala, por exemplo, que o partido distanciou-se dos evangélicos, num momento crucial, quando se sabe que este nicho eleitoral está se tornando fundamental para a definição de uma eleição presidencial. Em épocas passadas, o partido manteve até núcleos evangélicos atuando nas instâncias partidárias. Depois de 20 anos de exercício do poder no plano nacional, o PT é, de fato, um outro partido, sobre o qual a narrativa de partido antissistema talvez não se aplique mais. 

Aqui vamos concordar com o editorialista do jornal O Estado de São Paulo, ao afirmar ser um equívoco a fala do presidente nacional de legenda, Edinho Silva, apontando partido como um partido antissistema. Não é mais. Em certa medida já foi. Costumo muito mencionar aqui pelo blog duas situações emblemáticas ocorridas aqui no estado, ali pela década de 80, quando partido foi fundado. Fundado numa reunião ocorrida no Colégio Sion, em São Paulo, em 10 de fevereiro de 1980, aqui no estado o partido só seria criado no mês de junho daquela mesmo ano. Por essa época, segundo o professor Paulo Rubem Santiago, o partido se reunia no  Sindicato das Empregadas Domésticas. Nada mais simbólico. Outro dato emblemático é a expulsão sumária, sob a acusação de abuso do poder econômico, de um candidato que havia presentado um cabo eleitoral com um jerico para fazer a sua campanha no interior do estado. Vão longe esses tempos, meu caro editorialista do Estadão.  

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: disputa empatada entre João Campos e Raquel Lyra.



O presidente Lula parece que está enfrentando aquela fase de maré braba, onde tudo sugere-se que está dando errado. Agora é a polêmica de uma suposta carne de paca que a sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, estaria preparando para ele. Animal silvestre, a carne de paca seria proibida para o consumo, segundo a legislação ambiental. Num dos seus vídeos que circularam pelas redes sociais neste final de Semana Santa, a governadora Raquel Lyra aparece radiante, colhendo frutos enquanto caminhava num sítio da família, possivelmente em Caruaru, seu reduto eleitoral. Acreditamos que ainda não havia tomado conhecimento sobre os dados da pesquisa realizada pelo Instituto Veritá, divulgada neste domingo, 07, onde ela aparece rigorosamente empatada com o candidato João Campos. Ambos disputam o Governo do Estado nas eleições de 2026. 

Lá atrás, quando começaram as especulações acerca de uma eventual candidatura do prefeito ao Palácio do Campo das Princesas, João abria uma vantagem enorme sobre a governadora, com indicadores de que poderia encerrar a eleição ainda no primeiro turno. Com trabalho, articulação política, entregas e uma melhoria significativa em sua diretriz de comunicação institucional - seguida à risca pela governadora - esta diferença foi caindo gradativamente e agora confirma-se o empate técnico, algo com o potencial de ser muito comemorado no Palácio do Campo das Princesas, assim como suscitar uma ampla reflexão no Palácio Capibaribe. Para esta semana aguarda-se uma nova pesquisa sobre a disputa no estado, desta vez realizada pelo Instituto Real Time Big Data. Hoje, 06, seus pesquisadores já devem estar em todo o estado coletando dados da disputa pelo Governo e pelo Senado Federal. Os resultados devem sair ainda esta semana. 

Geralmente se aconselha ficar atentos à série histórica, que seria uma média ponderada das diversas pesquisas realizadas sobre um determinada disputa, onde se pode inferir sobre tendências efetivas. Por outro lado, já se antecipando àqueles que advogam que não haveria grandes motivos para comemorações, convém frisar que as pesquisas anteriores já antecipavam que haveria uma tendência de a governadora equilibrar a disputa em Pernambuco. A pesquisa do Instituto Veritá, portanto, confirma esta tendência. Para o Senado Federal, um outro empate técnico, desta vez entre o senador Humberto Costa, que disputa a reeleição, e a candidata Marília Arraes. Ambos bebem na mesma fonte do eleitorado de perfil mais progressista, o que preocupou setores do PT desde o início. 

Na "cola" de ambos, os nomes de Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, que crava 13,8% das intenções de voto, assim como o nome de Anderson Ferreira, que aparece muito bem, tanto para o Senado Federal quanto para o Governo do Estado. Será que os bolsonaristas se animam para montagem de uma chapa que sirva de palanque de Flávio Bolsonaro no estado, conforme nos referimos em nosso último texto sobre este assunto? A questão aqui é a capacidade maior de atração de Marília Arraes em relação a este voto progressista e a entrada de um candidato de perfil mais conservador no circuito, atrapalhando a reeleição do real senador de Lula no estado. A pesquisa do Instituto Veritá foi realizada entre os dias 24 e 30 de março, ouviu 2.010 pessoas, com margem de erro de 2,5 pp, registrada no TSE\BR -0 4215\2026. 

Para o Governo do Estado: 

Raquel Lyra(PSD)              35,4%

João Campos(PSB)            35,4%

Para o Senado Federal: 

Humberto Costa(PT)           18,4%

Marília Arraes(PDT)            18,4%

domingo, 5 de abril de 2026

Editorial: Em editorial, Folha critica Flávio Bolsonaro.


Depois da matéria da revista Veja, que alcançou grande repercussão, não é mais segredo para ninguém que o Planalto estuda alternativas a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Por se tratar de um assunto sensível, os movimentos ainda são discretos. Há, no entanto, uma preocupação real com a dificuldade de superação dos índices de impopularidade do presidente, algo que pode determinar o resultado da próxima eleição presidencial. O experiente José Dirceu teria afirmado recentemente que os escândalos de corrupção no país podem atrapalhar o projeto de reeleição de Lula. Escândalos de corrupção produzem efeitos danosos para qualquer governo de turno, independentemente de seu envolvimento ou não. Vamos ter numa eleição presidencial num momento delicado, possivelmente já sob os efeitos da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, expondo as vísceras dos descalabros envolvendo os Três Poderes da República. 

E, por falar em eleições, ontem, 04, em editorial, o jornal Folha de São Paulo faz duras críticas à fala do candidato Flávio Bolsonaro quando ele esteve nos Estados Unidos, discursando na reuniã0 de numa associação ultradireitista. Flávio supostamente teria afirmado que as próximas eleições presidenciais só seriam legítimas se conduzissem à sua vitória. O editorial sugere que Flávio dê explicações sobre as acusações que pesam contra ele - como a sua relação com milicianos, por exemplo - e proponha um programa para o país. De fato, o programa de Flávio Bolsonaro no momento se resume às críticas ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não se tem nenhuma ideia do que Flavio Bolsonaro pretende fazer se chegar à Presidência da República. O editorial trata esta fala como uma fala de conotações golpistas. 

O Brasil, infelizmente, vai muito mal de candidaturas presidenciais. De um lado, uma fadiga de material representada pelo atual titular do Planalto. Do outro, um candidato que precisa explicar seu tempo pretérito, sem apresentar propostas consistente para o país, de falas preocupantes sobre os esteios de nossa democracia representativa. Está realmente muito difícil, principalmente se atentarmos sobre a gravidade de alguns problemas que enfrentamos neste momento. 


sábado, 4 de abril de 2026

Editorial: Tucanos alçam voos pelo Nordeste


São Paulo sempre foi o ninho mais emplumado dos tucanos. Hoje esta situação mudou sensivelmente, acabando de forma melancólica quando os caciques da legenda resolveram contrariar as poucas vozes destoantes das bases que restavam no estado para encamparem a candidatura do apresentador José Luiz Datena. Datena era a grande aposta dos tucanos. Mesmo fragilizados no restante do país, governar uma cidade como São Paulo daria uma sobrevida à legenda. A debacle foi generalizada, vindo o partido a perder os três governadores que ainda estavam filiados à legenda, a exemplo de Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul e, finalmente, a governadora Raquel Lyra, de Pernambuco. Neste último caso, os caciques da legenda fizeram um esforço enorme para mantê-la o partido. Tudo em vão. Raquel Lyra concorre à reeleição pelo PSD, de Gilberto Kassab. 

Curiosamente, o Nordeste está se tornando a região onde os tucanos podem ensaiar um novo voo, a partir das próximas eleições. Há, na região, duas liderança recém filiadas à legenda que reúnem condições de reiniciarem um processo de soerguimento do partido: Ciro Gomes, no Ceará, e JHC(João Henrique Caldas), em Alagoas. Os tucanos podem chegar ao Governo dos estados do Ceará e Alagoas. São duas lideranças políticas de peso. No Ceará as pesquisas apontam uma possível vitória de Ciro Gomes contra o atual governador, Elamano de Freitas. Cogita-se, inclusive, uma eventual substituição de Elmano de Freitas por Camilo Santana, numa tantativa desesperado do PT em não perder o controle sobre o Palácio da Abolição. 

No Ceará ocorre algo curioso. O presidente Lula vai bem nas pesquisas de intenção de voto, mas isso não se reflete em relação ao candidato do partido, Elmano de Freitas. Na Bahia, que era outro estado onde havia uma enorme preocupação do Planalto, as coisas parecem que estão se arrumando. Hoje já se fala num empate técnico entre o governador Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. Esta diferença já foi bem mais substantiva. O PT montou no estado uma chapa puro-sangue, com Jaques Wagner e Rui Costa concorrendo ao Senado Federal. Certamente que esta composição ajudou - e muito - o candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues. No Ceará, embora o teste de Camilo Santana possa levar o PT a equilibrar o jogo, mesmo assim Ciro Gomes ainda leva vantagem.  

Editorial: Nova pesquisa eleitoral sobre a eleição em Pernambuco


No dia de ontem, 03, fomos informados sobre a pesquisa que o Instituto Real Time Big Data está preparando sobre as próximas eleições no estado. Possivelmente entre os dias 07 e 08 os dados coletados serão divulgados, suscitando muitas expectativas a respeito. A série histórica, reunindo pesquisas de outros institutos, mostra a governadora Raquel Lyra recuperando pontinhos preciosos em seu projeto de continuar como inquilina do Palácio do Campo das Princesas por mais quatro anos, diminuindo a diferença que a separava do prefeito João Campos. Ontem comentávamos sobre as dificuldades de formação de sua chapa, que deve ser anunciada nos próximos dias, independentemente dessas dificuldades. Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, como ensina o Evangelho de Mateus. 

Há nomes para a formação de três chapas entre os aspirantes ao Senado Federal no seu grupo político. Pelo andar da carruagem política, sugere-se que os ungidos sejam o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o deputado federal Túlio Gadelha, recém-chegado ao grupo, depois de filiar-se ao PSD. Esta pesquisa é importante, uma vez que realizada depois da eventual acomodação das placas tectônicas das duas chapas, depois dos inúmeros atropelos, como a formação da União Progressista, a Convenção do PT, mudanças partidárias, entre outros fatos importantes. É aquela pesquisa que se assemelha ao tiro de largada, ou seja, em que condições os candidatos começam o jogo. Para se ter uma ideia dos indicadores de uma pesquisa neste momento, no caso do Ceará, pode selar até mesmo o destino de Elmano de Freitas, que vem levando uma surra de Ciro Gomes. São cada vez mais recorrentes as suspeitas de que ele possa ser substituído por Camilo Santana. 

A governadora está com astral excelente. Abandonou completamente aquele semblante fechado que não combinava nenhum pouco com a sua beleza. Ontem, por exemplo, logo cedinho, antes mesmo do café da manhã, foi surpreendida por um grupo de pescadores de Itapissuma, que a presentearam com um barco de ostras frescas, segundo eles, as melhores ostras do mundo, o que não seria nada improvável. A governadora recebeu o grupo na sede da fazenda Macambira, tradicional termômetro político do estado.   

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o "simbolismo" da adesão de Túlio Gadelha ao projeto de reeleição de Raquel Lyra


Em Pernambuco, as placas tectônicas da política estão se movendo, contingenciando-nos a acompanhar tais movimentos, sob pena de, em não o fazendo, perder o rumos de tais movimentações e, consequentemente, seus resultados possíveis. Com todas as pompas, ladeado pelo candidato presidencial Flávio Bolsonaro, o deputado federal Mendonça Filho comunicou sua filiação ao PL, deixando o União Brasil, onde militou desde os tempos da antiga Arena. Mendonça tinha uma longa história neste agrupamento político de perfil conservador, como integrante de um clã  familiar tradicional do estado, Os Mendonça, de Belo Jardim. Deve ter tido bons motivos para se desfiliar da legenda, no momento em que seu ex-partido se une ao PP para a formação da União Progressista. Fez questão de reafirmar que seu projeto político no estado é ao lado da reeleição da governadora Raquel Lyra. 

Inquieta a este editor, por outro lado, um eventual arranjo no sentido de construção de um palanque bolsonarista raiz no estado, talvez como linha auxiliar ao Campo das Princesas. O nome de Mendonça foi encontrado, entre as anotações deixadas pelo candidato Flávio Bolsonaro, entre os nomes que poderiam concorrer ao Senado Federal por Pernambuco. Antes disso, Flávio apareceu ao lado do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, reafirmando que gostaria de vê-lo candidato ao Senado Federal por Pernambuco. Pelo andar da carruagem política, existem dificuldades enormes em acomodar tantos bolsonaristas na chapa da governadora Raquel Lyra. Embora a chapa ainda não tenha sido anunciada, os nomes mais cotados hoje é o de Miguel Coelho, representante da federação União Progressista, e, agora, Túlio Gadelha que, embora filiado ao PSD, segundo dizem, foi colocado na chapa por Raquel com o objetivo de "flertar" com um eleitorado mais à esquerda. 

O discurso de Túlio Gadelha, embora contraditório, é basicamente nesta linha,  procurando forçar a barra, como se diz.  É o senador de Lula na chapa de Raquel Lyra, que conta com apoio do núcleo duro do bolsonarismo no estado. Túlio já foi recebido como o eventual segundo nome ao Senado na formação de sua chapa, deixando no "sereno" muita gente que almejava esta indicação. Como estamos na Semana Santa, vale a advertência bíblica de não servir a dois senhores. E preciso ponderação sobre o propósito de se vender a imagem de Túlio Gadelha como um petista na chapa de Raquel Lyra, sobretudo em razão da "inflação" de bolsonaristas no Palácio do Campo das Princesas. 

Editorial: Sidônio "colou" no Lula.

 


Nos próximos dias, segundo especula a imprensa, poderemos ter uma série de torpedos disparados contra o candidato Flávio Bolsonaro, utilizando-se, sobretudo, das redes sociais. O Palácio do Planalto chegou a conclusão de que talvez já seja o momento de desconstruir a imagem do representante do bolsonarismo nas próximas eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro chegou a ser "alimentada" por segmentos petistas, sob o argumento de que seria uma candidatura relativamente fácil de ser enfrentada. Só que diante das fragilidades da candidatura de Lula neste momento, o bolsonarista parece agigantar-se e já ultrapassa Lula nas últimas pesquisas de intenção de voto, embora ainda numericamente. Lula não consegue baixar os índices de desaprovação, o que seria fundamentalmente importante para o seu projeto de reeleição.  

Na última reunião ministerial, por exemplo, comentou-se sobre um eventual esquenta rabo entre o Ministro Chefe da Casa Civil, Rui Costa,  e o marqueteiro Sidônio Palmeira, responsável pela Comunicação Institucional do Governo Lula 3. Com uma longa expertise nas redes sociais, os bolsonaristas já preparam uma contra ofensiva. Pelo sim, pelo não, o homem responsável pela comunicação institucional de Lula, Sidônio Palmeira, resolveu colar literalmente no presidente Lula, reforçando um pouco da tese levantada por aqui no último post, onde pontuávamos que o marqueteiro estava, na realidade, correndo atrás do prejuízo, tendo que apagar os incêndios provocados pelas declarações infelizes do próprio presidente Lula. É no mínimo injusto responsabilizá-lo pelos percalços que o Governo Lula 3 enfrenta nesta momento. 

Em princípio, em razão dos seus próprios afazeres, não seria natural vê-lo acompanhando o presidente Lula em suas aparições públicas, a exemplo do que ocorreu no dia de ontem, na cidade de Camaçari, na Bahia. Isso deve fazer parte de uma estratégia de "colar" no presidente Lula, talvez para evitar eventuais derrapagens verbais. Lula se empolga quando fala de improviso e acaba fazendo afirmativas infelizes, a exemplo condenar o "consumismo" feminino em pleno ano eleitoral. No evento da Bahia houve o flagrante de um momento onde o presidente Lula foi aconselhado por Sidônio Palmeira a falar sobre o PIX, defendendo-o como coisa nossa, onde os Estados Unidos não devem se meter. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Editorial: PL e União Progressista com Ciro no Ceará.



Para falarmos de pesquisas de intenção de voto precisamos observar se a mesma possui registro nos respectivos TRE's estaduais. Trata-se de uma exigência legal, possivelmente para que se evite a divulgação de pesquisas falsas - o que seria até recorrente nesses tempos bicudos - divulgadas com o objetivo de induzir o eleitor ao erro. Entre alguns entes federados, por exemplo, nesses tempos de eleições, é comum o aparecimento de "instituições de pesquisas" de ocasião, criados sob medida e com objetivos específicos. Nas pesquisas realizadas por institutos sérios que estão prospectando as intenções de voto no estado do Ceará, porém, Ciro lidera em todos os cenários, seja concorrendo com o atual governador, Elmano de Freitas, ou mesmo contra Camilo Santana, ex-Ministro da Educação. 

Ciro sempre teve algumas dificuldades em torno dos arranjos partidários. Por conveniência, mesmo políticos e agremiações partidárias simpáticas a ele, foram tentadas a compor com o governador Elmano de Freitas, em razão das melhores chances de reeleição. Ciro é filiado ao PSDB, um partido sem grande expressão no estado. Mantinha rusgas com o PL, em razão das desavenças pretéritas com a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ter o apoio da União Progressista era um outro problema, uma vez que nem seus líderes nacionais, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, chegavam a um consenso sobra a formação dessa federação. Hoje, 02, no entanto, o martelo foi batido. O PL assume o apoio a Ciro no Ceará, assim como a União Progressista. 

Jair Bolsonaro, no passado, já havia se mostrado favorável à articulação do seu partido no Ceará. A reação contrária era apenas de Michelle Bolsonaro, o que não é pouco, mas ela foi vencida nesta querela. Nada como um candidato que lidera todas as pesquisas de intenção de voto para quebrar resistências. É este o caso do Ciro Gomes, que praticamente está mudando o perfil dos tucanos, antes hegemônicos na região Sudeste, mas especificamente em São Paulo. Ciro agora se vê na contingência de declarar apoio público ao nome de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.  E, por falar nessas querelas familiares, uma fala do Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, sugere que tais querelas não foram completamente apaziguadas no clã familiar dos Bolsonaro. Valdemar chega a sugerir que isso pode, inclusive, prejudicar a candidatura de Flávio Bolsonaro. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Ainda os problemas de comunicação institucional do Governo Lula 3



O publicitário Sidônio Palmeira teria chegado ao Planalto, segundo dizem, com o aval do núcleo baiano do governo petista,  ou seja, aqueles atores políticos do estado que ganharam uma grande capilaridade política depois que conseguiram a proeza da assegurar mais de 70% dos votos dos eleitores da Bahia para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. A Bahia foi o estado que deu o maior percentual de votos ao presidente Lula. O ex-governador Rui Costa assumiu a Casa Civil e projetou-se, inclusive, como um dos possíveis nomes para segurar o bastão do petista depois que ele resolvesse se aposentar. Pelo andar da carruagem politica, porém, tudo leva a crer que Lula só deixa o Palácio do Planalto depois de morto. 

No núcleo que exerce ascendência sobre o presidente, hoje, sugere-se que o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, se configura como aquele ator político em melhores condições de ser ungido pelo morubixaba petista. Mas isso já é uma outra discussão. Sidônio Palmeira chegou ao Planalto como aquele bombeiro que chega apara apagar o incêndio. A comunicação institucional do Governo estava eivada de problemas e ele seria a solução mágica. A gente sabe que não é bem assim que funciona. Não se pode negar o seu empenho, inclusive tentando articular os diversos órgãos do governo no sentido de ajustaram o passo dentro das diretrizes ou políticas de comunicação institucional introduzida por ele na SECOM. 

Quando chegou ao órgão ele já tinha percebido alguns "gargalos" que precisariam ser corrigidos, como a lentidão com que as realizações do Governo chegavam à população, perdendo feio em termos da velocidade das redes sociais. Várias reuniões foram feitas, muitas mudanças introduzidas, inclusive um reforço expressivo no time que ficaria responsável pelas mídias sociais. Em vários momentos, para o seu desespero, o próprio presidente Lula deu com a língua nos dentes, fazendo algumas falas infelizes, obrigando Sidônio a correr atrás do prejuízo. Sobretudo quando as coisas não vão bem, a área de comunicação institucional é um das mais afetadas. Segundo a imprensa noticia, na última reunião ministerial o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, teria proferido algumas ponderações críticas acerca do trabalho da SECOM. Não temos conhecimento da fala exata do Ministro Rui Costa, talvez ele tenha feito as ponderações necessárias, mas soa um exagero responsabilizar Sidônio Palmeira por todos esses "tropeços", que não são apenas de comunicação.  

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: a "orfandade" do bolsonarismo no estado.


Os bolsonaristas são fortes em Pernambuco. A demonstração de força deste grupo político de direita já ficou evidente em inúmeros eventos no estado. Raquel Lyra foi eleita governadora do Estado de Pernambuco com o apoio expressivo dos bolsonaristas, assim como o candidato João Campos, eleito pela primeira vez prefeito do Recife com um discurso acentuadamente anti-petista. Num estado "lulista" por natureza, hoje, tanto Raquel quanto João Campos evitam assumir posições que possam melindrar ou afugentar o eleitorado identificado com Lula no estado. Os bolsonaristas são até bem-vindo, desde que isso não signifique perder completamente o eleitorado que se identifica com o presidente Lula. Daí a preocupação com a formação de dois palanques lulistas no estado. 

Tanto João Campos quanto Raquel Lyra moveram moinhos neste sentido, tendo sido mais fácil ao prefeito fazer este trânsito. Raquel era do PSDB, partido de rusgas antigas com o PT. Hoje filiada ao PSD, o partido tem um candidato de perfil da direita bolsonarista autêntica ao Palácio do Planalto, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.  Gilberto Kassab teria deixado ela livre, mas não como não ser cobrada em relação a isso, principalmente pelo pessoal da campanha de João Campos? E, por falar em bolsonarismo, por onde anda os bolsonaristas do estado? Em sua maioria, eles estão hoje orbitando em torno do Palácio do Campo das Princesas, a exemplo de Anderson Ferreira e Mendonça Filho, que ontem deixou o União Brasil e filiou-se ao PL, possivelmente com o sinal verde do candidato Flávio Bolsonaro. 

Não se sabe ainda como esse grupo será acomodado na chapa da governadora Raquel Lyra. Ambos estavam nas anotações deixadas pelo candidato Flávio Bolsonaro como eventuais nomes que se candidatariam ao Senado no Estado. Em princípio, não há nenhum candidato do partido ao Governo do Estado. Ou há e nós não sabemos? Mendonça já declarou que está "fechado" com a reeleição de Raquel Lyra. Hoje, primeiro de abril, a crônica política local traz a informação dando conta da desfiliação do deputado federal Túlio Gadelha, da Rede, e filiação ao PSD, partido da governadora. O objetivo seria a sua candidatura ao Senado Federal na chapa da governadora. Não podemos confirmar se procede, uma vez que seu nome ainda não foi confirmado. Seria uma manobra da governadora para "diluir" o perfil de direita de sua chapa. 

Um fato, porém, preocupa. As vagas ao Senado Federal do Campo das Princesas estão literalmente "congestionadas". Como a governadora irá se arranjar para assegurar espaço para tantos pretendentes à disputa ao Senado Federal? São candidatos para a formação de três chapas. Ela tem trabalhado em silêncio, o que é prudente. Voltemos a repetir O Sagrado Evangelho de Mateus, principalmente nesta Semana Santa: Muitos são os chamados e poucos os escolhidos. A questão aqui é como aplacar a ira dos não escolhidos. Vejam os leitores, por exemplo, a reação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, depois que foi preterido na indicação do PSD à Presidência da República.   

Editorial: Ciro lidera no Ceará


Discretamente, o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, já está engajado na campanha política do Ceará. Oficialmente para ajudar Lula e o PT, mas Ciro Gomes acredita que ele poderá ser o candidato ao Governo do Estado. Hoje, dia primeiro, saiu mais uma pesquisa sobre as intenções de voto naquele estado, desta vez realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, onde Ciro Gomes abre uma expressiva vantagem sobre o candidato petista, Elmano de Freitas, tanto no primeiro quanto no segundo turno. No primeiro turno Ciro pontua com 46,6% das intenções de voto, enquanto o candidato do PT crava 33,9%. A Pesquisa do Paraná Pesquisas está registrada sob o número TRE- CE- 00151\2026. 

Há dois estados do Nordeste onde o PT enfrentava sérios problemas: Ceará e Bahia. São expressivos colégios eleitorais da região. A Bahia chega a ser o quarto colégio eleitoral do país e seus eleitores deram a maior vitória ao PT nas últimas eleições. Mais de 70% dos baianos votaram no PT. Pelas últimas pesquisas, a situação na Bahia está mais controlada, uma vez que o governador petista, Jerônimo Rodrigues, que concorre à reeleição, mantém a disputa mais ou menos equilibrada. Há um empate técnico com ACM Neto, herdeiro do Carlismo no estado. A situação já esteve bem pior para o petista. Hoje existe a possibilidade de uma reversão, como já ocorrera em outra ocasião. Contribui favoravelmente ao PT naquele estado uma espécie de voto identitário, ou seja, o cidadão vota no PT independentemente dos percalços da gestão. 

O PT escalou para o Senado nomes que já esquentaram o assento do Palácio de Ondina, a exemplo de Jaques Wagner e Rui Costa. Trata-se de uma chapa puro-sangue, o que vem provocando alguns ruídos entre os aliados do PT no estado. Na Bahia, com a ajuda dos petistas renhidos e do nosso Senhor do Bomfim, as coisas podem até se arranjarem. No Ceará é muito improvável. Ciro deve vencer as eleições para ocupar o Palácio da Abolição. A situação do PT é muito delicada e, mesmo que o candidato Elmano seja substituído por Camilo Santana, ainda assim, não acreditamos que a situação seja revertida. Pesa contra o PT no estado as denúncias de suposta gestão temerária da máquina, o controle exercido por facções em territórios de diversas cidades do estado e uma forte integração da oposição no estado, que aponta como prioridade a retirada do PT do Palácio da Abolição.   

terça-feira, 31 de março de 2026

Charge! Kleber via Correio Braziliense

 


Editorial: Alckmin é mantido na chapa de reeleição de Lula


Havia algumas dúvidas a respeito da manutenção do vice-presidente, Geraldo Alckmin(PSB-SP), na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula deu a entender que foi vencido pelas contingências. Em alguns momentos, ele chegou a sugerir que gostaria de negociar o nome do vice com outra legenda que pudesse apoiar o seu projeto de reeleição, a exemplo do MDB e até do PSD, de Gilberto Kassab. Setores do MDB mostraram-se sensíveis ao pleito, mas, com a indicação do nome do vice que deverá concorrer na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas, tal hipótese ficou praticamente descartada. O arranjo entre os Republicanos e o MDB em São Paulo, desde algum tempo, está sendo montado com um olho em São Paulo e outro em Brasília. 

Resta a Lula algumas alianças pontuais, principalmente em regiões como o Norte e o Nordeste, pois os arranjos regionais nem sempre refletem os acordos nacionais, identificando uma característico do nosso sistema partidário. Alguém estava observando que, no momento em que anuncia sua candidatura presidencial, o PSD amplia espaços no Governo Lula 3, ocupando ministérios mais relevantes. Kassab, conforme já afirmamos antes, sobe a rampa do Planalto com quem chegar lá. É um político bastante pragmático. É até curioso entender qual é a estratégia dele com a candidatura de Ronaldo Caiado. Um assunto que vai merecer a nossa avaliação posteriormente. 

Mas, voltemos a Alckmin. O experiente José Dirceu, durante um encontro do PT, afirmou que Geraldo Alckmin precisava ser mantido na chapa, sob pena de, não o fazendo, Lula poderia perder as eleições ainda no primeiro turno. Ficamos por aqui curiosos acerca do "cálculo político" realizado pelo timoneiro do PT, o homem responsável pela estratégia que conseguiu levar Lula ao Planalto pela primeira vez, principalmente ao aparar arestas internas dentro do próprio PT. Já houve um tempo em que se impunha o nome de perfil mais conservador, afinado com o mercado, para acompanhar Lula. Hoje, não sabemos se tal premissa ainda prevalece. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Editorial: Paraná Pesquisas já aponta Flávio Bolsonaro liderando a corrida presidencial.

 


Alguns segmentos da imprensa, o que seria até natural, estão destacando uma vantagem numérica do candidato Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial de 2026. Na realidade, estamos tratando aqui de um empate técnico, mas a torcida é grande. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas. Flávio aparece com 45,2%, enquanto Lula crava 44,1%. No primeiro turno, também se configura uma empate técnico entre ambos, ou seja, o candidato Lula aparece com 41,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro crava 37,8%. Empate técnico em ambos os turnos, mas o efeito de Flávio Bolsonaro já aparecer à frente de Lula numericamente está dando um grande alento ao bolsonaristas e trazendo enormes preocupações ao Palácio do Planalto. Possivelmente, as pesquisas internas já apontavam para este desfecho. 

Há rumores, inclusive, dando conta de que interlocutores mais próximos a Lula já estariam conversando com o petista acerca de uma reavaliação de tal candidatura. Os números não devem está animando o petista, mas não é só isso. Existe um percentual de rejeição ao seu Governo que insiste em não baixar. Ao contrário, as últimas pesquisas apontam para uma abertura ainda maior da boca do jacaré, ou seja o aumento da desaprovação e a consequente diminuição dos índices de aprovação do seu terceiro governo. Ele tem declarado que, enquanto for vivo, não permitirá a volta dos fascistas, mas isso pode se constituir apenas em bravata de palanque. Raposas políticas experientes, a exemplo de Michel Temer e José Sarney já o alertaram sobre as dificuldades desta campanha, antes mesmo dos ingredientes novos, como uma eventual simpatia do governo americano pelo candidato Flávio Bolsonaro.  

Talvez o mais prudente fosse mesmo pendurar as chuteiras e entregar esta missão a outro postulante, afastando-se da vida pública no momento certo, depois de governar o país por três mandatos. Mas quem seria este nome? Como o nome do ex-Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aparece muito bem, talvez seja ele o indicado caso Lula desista de ser candidato. Neste momento, Haddad se apresenta como uma espécie de bombril, ou seja, com mil e uma utilidade. Seu nome já foi especulado para a concorrer ao  Senado Federal por São Paulo, para o Governo do Estado de São Paulo e, agora, para substituir Lula na corrida presidencial deste ano. Não há outro nome no horizonte. A pesquisa do Paraná Pesquisas está registrada no TSE sob o número: BR- 00873/2026.  

Editorial: Performance de Haddad em São Paulo anima o PT


Houve um tempo em que, preocupado com o futuro do Partido dos Trabalhadores, principalmente depois da debacle de algumas lideranças que haviam se projetado nacionalmente e caído em desgraça, Lula escalou vários nomes para disputarem espaço no chamando cinturão paulista, ou seja, um conjunto de cidades do estado de São Paulo que seriam determinantes numa eleição presidencial, pois possuem colégios eleitorais com mais de um milhão de eleitores. Não foi bem-sucedido nesta empreitada. Salvo melhor juízo, Fernando Haddad ainda foi dessa lavra. Nas últimas eleições municipais, o PT apoio o nome do psolista, Guilherme Boulos, e escalou a ex-prefeita Marta Suplicy para acompanhá-lo, na condição de vice. O objetivo, neste caso, seria facilitar a penetração do psolista na chamada periferia paulista onde, no passado, tal eleitorado havia demonstrado simpatias pela ex-prefeita. Como se sabe, também não deu certo. 

A geografia do voto mostrou, curiosamente, que o candidato Guilherme Boulos não se saiu muito bem na periferia. Foi a classe média, bem educada, com formação intelectual, morando em bairros chiques que votou no psolista. Agora surgiu uma pesquisa que está deixando os petistas exultantes em relação à candidatura do ex-Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Palácio dos Bandeirantes. Esta pesquisa, encomendada pelo Estadão e realizada pelo Instituto AtlasIntel, apresenta o governador Tarcísio de Freitas, que concorre à reeleição, com 49,1% das intenções de voto, enquanto o petista surge no horizonte com surpreendentes 42,6% das intenções de voto. É muito cedo para se tirar quaisquer conclusões deste resultado. Sequer se sabe de onde estão vindo esses votos para o petista. 

Por outro lado, até no PT são dadas como favas contadas a reeleição de Tarcísio de Freitas. Haddad entrou na disputa apenas para assegurar um percentual de votos que possa assegurar um equilíbrio de forças a nível da disputa presidencial. Cumpre o mesmo papel de Rodrigo Pacheco, em Minas Gerais. Igualmente surpreendentemente, Rodrigo Pacheco, por enquanto, também não vem dando vexame nas primeiras pesquisas de intenção de voto, onde aparece em segunda colocação, logo abaixo do senador Cleitinho, que sequer se sabe se será mesmo candidato. Neste momento, Haddad cumpre o seu papel fundamental de ajudar a reeleger o morubixaba petista que, segundo dizem, anda desanimado com a boa performance do adversário Flávio Bolsonaro, que, hoje, 30, segundo levantamento do Paraná Pesquisas,  equilibra a disputa no primeiro e no segundo turno. 

domingo, 29 de março de 2026

Editorial: A "venezualização" do Brasil



Houve um tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantinha cordiais relações diplomáticas com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que hoje se encontra preso nos Estados Unidos. Lula chegou a receber o presidente Maduro no Brasil, algo que não foi bem assimilado pelos bolsonaristas. Por essa época, a oposição acusava Lula de uma tentativa de "venezualização" do Brasil. A narrativa bolsonarista partia da hipótese de o presidente Lula repetir o modelo daquele país, tornando-se um ditador. O tempo passou e, hoje, as contingências históricas e geopolíticas empurram o Brasil para uma situação complicada. Em discurso num evento de direita realizado nos Estados Unidos, o candidato Flávio Bolsonaro sugere um monitoramento das próximas eleições presidenciais no Brasil. 

Antes disso, um emissário do presidente Donald Trump veio ao Brasil para, segundo dizem, observar as condições da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. As relações entre o Brasil e os Estados Unidos não são das melhores. O Governo daquele país andou sugerindo que o Brasil enquadre facções do crime organizado como organizações narcoterroristas, algo que não foi aceito pelo Governo brasileiro. Existe também a suspeita de instalações chinesas com propósitos militares instaladas no Rio Grande do Norte, o que suscitou protestos dos americanos. Na realidade, há uma grande gama de investimentos chineses em todo o Nordeste. São investimentos em portos,  infraestrutura, tecnologia, comunicações. Ativos que, segundo o Governo Trump, poderiam ser utilizados para fins não apenas civis, mas militares. 

Assim como existia um grande interesses nos poços de petróleo da Venezuela, também existe um grande interesse americano nas nossas terras raras. Um dos grandes interesses dos americanos, pelo que se observa do ataque à Venezuela e ao Irã, é "sufocar" a China, atingindo países com os quais os chineses mantenham relações comerciais e eventuais parcerias militares. O Brasil se enquadra neste perfil, mesmo em se sabendo que as nossas relações com os chineses estão circunscritas aos interesses comerciais. Há alguns anos atrás já ficamos impressionados com o volume de comércio entre o Nordeste do Brasil é aquele país. Ou seja, mesmo que por vias tortuosas, o Brasil já passa por um processo forçado de "venezuelização". Isso é muito delicado. Talvez nunca estivemos tão expostos como hoje, principalmente num momento de diplomacia da supremacia militar.   

sábado, 28 de março de 2026

Charge! Kleber via Correio Braziliense

 


Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Executiva do PT decide seu rumo nas eleições de outubro.



Segundo o sociólogo alemão Robert Michels, autor da tese da Lei de Ferro das Oligarquias, o processo de oligarquização envolvendo sindicatos e partidos político é algo "natural" e inevitável. Ao longo dos seus 46 anos de existência, o PT, obviamente, passaria por tal processo, talvez até mesmo como contingência em priorizar a luta eleitoral, distanciando-se do trabalho de base, o que explica, em parte, o "hiato" com os evangélicos. Resumidamente, uma "casta" burocrática, segundo Michels, acaba impondo as diretrizes da agremiação política, não raro atropelando tendências internas. Por outro lado, o cientista político italiano, Ângelo Panebianco, costumava argumentar que a forma como as cartas foram jogadas na fundação de uma instituição acabarão se refletindo para toda a sua existência. 

É neste contexto que se entende os encontros do partido para a definição de táticas eleitorais, políticas de alianças e outras tomadas de resoluções coletivas. Neste momento, os membros da agremiação se encontram no Centro de Convenções de Pernambuco para deliberarem sobre as próximas eleições. Em princípio, já haveria um indicativo de que o PT deve caminhar ao lado do prefeito João Campos, que deve disputar a cadeira do Palácio do Campo das Princesas.  Para entender como essas pedras se movem no tabuleiro do xadrez eleitoral é sempre bom ficar de olho no movimento do adversário. Assim que foi anunciado que o deputado federal Eduardo da Fonte assumiria o comando da poderosa federação União Progressista no estado, ele tratou logo de sinalizar que apoiará o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra, minimizando as eventuais divergências com a gestora. 

Com isso, estava descartada a formação de uma chapa com ele e Humberto Costa para o Senado Federal. João Campos deve mesmo partir para o embate com uma chapa "puro-sangue", ou seja, com dois senadores identificados com o campo popular e progressista, de palanque único com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, 27, quando havia algum intervalo na CPMI do INSS, líamos alguns análises sobre a estratégia que será utilizada pelo senador Humberto Costa no estado, que envolve, inclusive, bom trânsito com prefeitos ligados ao grupo da governadora Raquel Lyra. Como se trata ainda de especulações, não vamos discutir isso por aqui, mas fica no ar, além da estratégia em curso, como o Palácio do Campo das Princesas irá gerenciar essa questão. 

O prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, por exemplo, se antecipou a declarar o seu apoio ao candidato Humberto Costa, além de outros prefeitos da base da governadora, inclusive da região do Agreste, seu reduto eleitoral. Como fica o apoio esperado aos candidatos ao Senado Federal na chapa montada pela governadora Raquel Lyra? Tudo indica que a chapa da governadora deve ser montada com os nomes do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e do deputado federal Eduardo da Fonte, em função do "peso" da federação. Vamos acompanhar como fica a situação do senador Fernando Dueire, do MDB, e a do deputado federal Mendonça Filho, também da federação. Correndo por fora, ainda o nome de Anderson Ferreira, do PL, bem ranqueado nas pesquisas de intenção de voto.  

Editorial: Golpe baixo na CPMI do INSS


Ontem, 27, por ocasião do encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, tivemos um espetáculo deprimente no Congresso Nacional. Durante os trabalhos de leitura do relatório, o deputado federal Alfredo Gaspar foi violentamente atacado em sua honra, reproduzindo-se aqui um modus operandi recorrente de bandidos, ou seja, tentar desacreditar ou descredenciar seus opositores através desses expedientes espúrios. Até o final dos trabalhos, toda a farsa da acusação havia sido desmascarada, com depoimento da suposta vítima. Alfredo Gaspar paga o ônus pesado de não se corromper e denunciar esquemas de desvios de condutas de agentes públicos e privados. Um ônus que se torna ainda mais pesado num país com as nossas características, onde a corrupção é endêmica. 

Queremos aqui elogiar o senhor Alfredo Gaspar, que cumpriu com honradez o seu trabalho, indicando os procedimentos que deveriam ser adotados contra todos os envolvidos nos desmandos do maior escândalo de desvios de recursos públicos de um sistema previdenciário no mundo. O Brasil sempre bate esses recordes. Estima-se que a Lava-Jato tenha superada a Operação Mãos Limpas, na Itália, contra a máfia. Coroando um rito de impunidades, no final dos trabalhos, o relatório foi rejeitado, um fim melancólico para uma das comissões mais produtivas e eficazes no combate à corrupção no país, principalmente quando se leva em consideração o perfil dos  atingidos,  pessoas carentes, indefesas, submetidas a todo tipo de achaques no final de suas vidas. Relatório robusto, mais de 4 mil páginas, elaborado com rigor técnico, à altura de um cidadão na condição de promotor público, com um lastro respeitável no enfrentamento à corrupção no seu estado, Alagoas.  

A CPMI do INSS, à medida em que avançava nas investigações, apontando gatunos de alto coturno, passou a sofrer uma série de assédios institucionais que culminaram no seu esvaziamento. As investigações envolvendo os empréstimos consignados fraudulentos perpetrados por instituições bancárias foi o limite, sobretudo por atingir algo que respinga sobre uma das vértices mais importantes do sistema apodrecido. Até recentemente a Polícia Federal fez operação contra um outro banco que opera quase nos mesmos moldes do Master, inclusive com a cooptação de agentes públicos. Agora é torcer que a Polícia Federal reúna as condições institucionais suficientes para dá prosseguimento ao seu trabalho sobre as fraudes ocorridas no INSS.  

sexta-feira, 27 de março de 2026

Editorial: Cleitinho lidera em todos os cenários para o Governo de Minas Gerais.



O senador Cleitinho, do Republicanos, lidera em todos os cenários para ocupar a cadeira do Palácio Tiradentes, sede do Governo de Minas Gerais. Conhece-se outros nomes assumidamente pré-candidatos ao Governo de Minas Gerais. No caso de Cleitinho, apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, sequer se sabe se ele já se decidiu sobre a candidatura. São várias pesquisas, realizadas por diversos institutos, indicando esta tendência entre o eleitorado das Alterosas. Cleitinho tem uma boa presença pública, seja a partir de sua atuação no Senado Federal, seja em suas aparições pelas redes sociais. Em relação à eleição para o Senado Federal, outra "surpresa". O deputado federal Aécio Neves aparece muito bem nas pesquisas de intenção de voto. Só perde para o senador Carlos Viana, do Podemos, que dirige os trabalhos da CPMI do INSS. 

Aécio Neves, que quase chegou a Presidente da República, a partir de então, passou a enfrentar um inverno político. A situação ficou tão desfavorável que ele não se arriscou aos voos mais condizentes com a condição de neto de Tancredo Neves. Optou por uma candidatura a deputado federal, algo mais seguro. Assim como ocorre com Cleitinho, ainda não se sabe se, de fato, ele será candidato ao Senado Federal. Se for, corre o risco de ser eleito. Aécio esteve no Ceará recentemente, ao lado do senador Tasso Jereissati e do candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes. Encontro regado ao famoso refrigerante de caju, o São Geraldo. Se diz, na realidade, que o encontro girou em torno de uma eventual candidatura presidencial de Ciro Gomes, o que seria algo imprudente, conforme já enfatizamos por aqui em outro momento. 

Cleitinho tem uma origem humilde. Orgulha-se de afirmar que veio da base, de verdureiro ao Senado Federal. Seu estilo de fazer política é polêmica, mas bem ao gosto popular, o que explica-se pela sua liderança nas primeiras pesquisas de intenção de voto ao Governo de Minas Gerais. Como não se pode deixar passar esses cavalos selados, não seria surpresa se ele aceitar a missão. O Planalto enfrenta dificuldades naquela região, mas o nome de Rodrigo Pacheco, eventual candidato, não está fazendo feio. Aparece na segunda posição.  

Editorial: O sepultamento da CPMI do INSS

 



A decisão de não permitir a continuidade dos trabalhos da CPMI do INSS foi uma decisão eminentemente política. Quem teve a oportunidade de acompanhar o voto dos ministros da Suprema Corte, principalmente o voto do Ministro Luiz Fux, principalmente quando ele faz referência às excepcionalidades de outras comissões analisadas pela Corte - caso da Covid e das fake news, por exemplo - vai entender este raciocínio. Realmente, o procedimento republicano recomendava que esta decisão de prorrogação fosse tomada no Poder Legislativo. Isso dentro de padrões normalidade, onde os parlamentares fizeram um esforço hercúleo com esta finalidade, em lograrem êxito, em função da resistência esboçada pela Presidência do Senado Federal, na pessoa do senador Davi Alcolumbre. Recorrer ao STF foi a última alternativa.  

Neste momento, o relator daquela comissão, Alfredo Gaspar, está lendo um relatório de cinco mil páginas, produzido com muito esmero técnico, guiado pelo interesse público e espírito republicano. Uma pena que uma comissão como esta esteja sendo sepultada, quando se sabe que muitos agentes públicos e privados ainda poderiam ser arrolados, em função de desvios de conduta. Uma questão de justiça aos aposentados e pensionistas, além do ressarcimento do erário. A comissão, nesta fase, estava entrando nas investigações sobre os famigerados empréstimos consignados. Entrava-se no pantanoso sistema bancário, o que poderia abalar os alicerces do sistema. 

Há alguns meses atrás, logo depois das primeiras operações da Polícia Federal, no curso da Operação Sem Desconto, uma revista de circulação nacional chegou a insinuar que membros da própria corporação teriam alertado se o sistema suportaria as investigações sobre os sistema bancário. A comissão já havia percebido articulações suspeitas envolvendo o banco Master, no epicentro dos desmandos atuais na república. Era apenas a ponta do iceberg. O Master, pelo andar da carruagem política, foi apenas o primeiro da fila. Já existem outros bancos na mesma situação, utilizando-se dos mesmos expedientes espúrios. O Banco Central está com as mãos na cabeça em razão dos "rombos" de outras instituições bancárias. 

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


quinta-feira, 26 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Eduardo da Fonte assume União Progressista e reabre diálogo com Raquel Lyra.

Crédito da Foto: Divulgação


Finalmente, hoje, 26, o TSE homologou a federação entre o União Brasil e o PP, constituindo a federação União Progressista. Agora começam os ajustes acerca do comando desta poderosa federação nas unidades regionais, admitido, como consenso(?), que o partido que tiver o maior número de parlamentares nos estados, assume o comando da federação. Aqui em Pernambuco, o PP possui a maior bancada e, portanto, o deputado federal Eduardo da Fonte é o novo presidente da União Progressista. Este é um dos momentos decisivos para a "decantação" da ebulição da política no estado, uma vez que as chapas estão em processo de formação. 

O senador Humberto Costa, por exemplo, ainda não confirmou se será mesmo um dos candidatos ao Senado Federal na chapa do prefeito João Campos. Embora já dentro do Governo Raquel Lyra e colocado na chapa como um dos candidatos ao Senado Federal, com a homologação da federação, a situação de Miguel Coelho é incerta na chapa do Campo das Princesas. Marília Arraes não será uma das senadoras do PT. Hoje os jornais já especulam sobre o nome de Túlio Gadelha na chapa de Raquel Lyra. E assim caminha a nossa cena política, num diapasão de incertezas e insegurança. Durante essas discussões, teria avançado bastante uma negociação entre o deputado Eduardo da Fonte e o senador Humberto da Costa. A ideia inicial era compor uma chapa para o Senado com um nome mais ligado ao campo progressista, Humberto, e outro de perfil mais conservador, Eduardo da Fonte. Se na chapa de João ou de Raquel era talvez um pequeno "detalhe", uma vez que o Planalto, em princípio, poderia ter um palanque duplo no estado. 

Inclusive uma corrente do PT é simpática ao Palácio do Campo das Princesas. Mas, pelos seus pronunciamentos no dia de hoje, depois de confirmado como o comandante da federação no estado, sugere-se que Eduardo da Fonte está reabrindo o diálogo com o União Brasil e com a governadora Raquel Lyra. Num determinado momento desta ebulição política, um jornal local atribuiu ao prefeito João Campos a conclusão de que, se ele tivesse a federação ao seu lado, ganhava as eleições de outubro próximo. Não seria improvável. Trata-se de um apoio robusto. Não fosse suficiente a grande representação estadual e federal da federação no estado - além de penca de prefeitos aliados a Eduardo da Fonte - teremos tempo de televisão e recursos financeiros em jogo. 

Depois das indisposições, Raquel Lyra já teria caminhado ao lado do "Galeguinho" e do senador Fernando Dueire pelo estado, além de publicar no diário oficial a destituição dos cargos que o PP ocupava na máquina estadual. A tendência dele hoje, a despeito dos problemas, é a de reatar o diálogo com a governadora. Ninguém se perde no caminho de volta, como diria o poeta. Como o União Brasil já se encontra dentro do Palácio do Campo das Princesas, a tendência maior é a volta do filho pródigo, que deverá ser recebido com todas as honras no Campo das Princesas. Hábil, Eduardo da Fonte sabe disso. Muito antes ele já havia confirmado que a sua base sinalizava o apoio à reeleição de Raquel Lyra. 

Editorial: O destino da CPMI do INSS



Será decidido, pelo pleno do STF, logo mais, às 14h:00, o destino da CPMI do INSS. Ficamos muito felizes com a decisão do Ministro André Mendonça, que acatou o mandado de segurança, impetrado por membros da CPMI, pedindo a sua prorrogação. O jurídico do Senado Federal reagiu contra a liminar, suscitando uma decisão a ser tomada pelo pleno do STF. Não se sabe qual será a decisão do pleno do STF, sobretudo neste climão entre os Três Poderes da República. O Executivo não tem interesse na prorrogação dos trabalhos, sobretudo em função das próximas eleições presidenciais. Setores do STF também não são sensíveis às prerrogativas de investigações das CPI"s. Isso talvez possa ser traduzido nas facilidades de concessão de habeas corpus aos convidados ou intimados por aquelas comissões, que, em si, já tem contribuído bastante para o "esvaziamento" dos trabalhos. 

Como a corda já está muito esticada, talvez o pleno forme maioria para derrubar a liminar do Ministro André Mendonça. Há, nas coxias, rumores de que o Senado Federal, através de sua mesa diretora, como retaliação, poderia se tornar mais "sensível" aos pleitos de impeachment de ministros do STF. Se a liminar não for rejeitado, temos muito o comemorar, uma vez que esta CPMI tem realizado um excelente trabalho em defesa do interesse público. Se a liminar for rejeitada, os gatunos do erário que ainda não foram identificados ou arrolados, terão muito o que comemorar. Nesta fase dos trabalhos, a CPMI está enveredando sobre os famigerados empréstimos consignados,  um roubo de dentro para fora das instituições bancários, que lesou milhares de aposentados e pensionistas. Há suspeitas de empréstimos não autorizados, além de vendas casadas de produtos bancários. 

A CPMI se reúne neste momento, numa sessão burocrática, marcada por divergências entre governistas e oposicionistas. Hoje, 26, não teremos audiências. Os parlamentares se dedicam à aprovação de requerimentos. A CPMI encerra seus trabalhos no próximo sábado, dia 28, caso não seja prorrogada. Poderíamos ter uma reunião extra amanhã, sexta-feira, já para a leitura do relatório elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar(PL-AL), que lidera a corrida pelo Senado Federal naquele estado. Acabamos de saber que o TSE, finalmente, homologou a formação da federação União Progressista, uma decisão que pode mudar a conjuntura política aqui no estado de Pernambuco, fato que iremos comentar mais tarde.