Mal tomou posse, o presidente da Colômbia, Abelardo de la Spriella, passou a cumprir as promessas de campanha, ou seja, deu início à cruzada de enfrentamento aos narcotraficantes do país. Já existem de peixes graúdos detidos, medidas foram adotadas para não permitir que os chefes de tráfico que cumprem penas gozem de algum privilégio. Ainda hoje, dezenas foram transferidos para prisões de segurança máxima, aparelhos de televisores retirados das celas, proibição de recebimento de visitas íntimas. A Colômbia pegou fogo. Já há registro de atentados, felizmente sem vítimas. Membros das forças especiais COPES realizam a operação de segurança do novo chefe de estado e seus familiares. O aparato de segurança é coisa cinematográfica. Tudo isso em menos de 24 horas da posse. Imaginem o que não vem por aí.
CONTEXTO POLÍTICO.
Análise e notícias atualizadas sobre a política de Pernambuco e do Brasil
sábado, 8 de agosto de 2026
Editorial: Os "diferenciais" de Alfredo Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro
Às vezes, as vias tortuosas podem conduzir a bons achados. Este talvez seja o caso da escolha do nome do deputado federal Alfredo Gaspar(PL-AL) para compor a chapa do candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Ele talvez tenha aceito o convite mais como missão, uma vez que deixa de concorrer ao Senado Federal pelo seu estado, Alagoas, onde tinha uma eleição praticamente assegurada. Dizem, nas coxias, que haveria algum acordo nos bastidores em favor de algum dos postulantes, mas isso é apenas especulação. Continuamos afirmando que se trata de uma escolha "estranha", uma vez que os indicadores não caminhavam para a sua indicação. Dizem que o nome dele teria sido lembrado pelo senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, logo aceito pelo staff de campanha do candidato.
Ambos fizeram um trabalho elogiável durante a condução da CPMI do INSS. Este é o único elo onde não há surpresa. É possível que o seu nome realmente tenha sido lembrado pelo senador. Agora, vamos para os "diferenciais" que realmente podem fazer diferença. Alfredo Gaspar é um homem preparado. Promotor Público, integrante do GAECO, por duas vezes Secretário de Segurança Pública de Alagoas. Como relator da CPMI do INSS fez um trabalho excepcional. Com a sua expertise, sua equipe conseguia antecipar-se às investigações da própria PF. A rejeição do relatório se deu por manobras escusas, nunca por algum motivo técnico. A peça era excelente. Muitas de suas premonições estão sendo materializadas mais recentemente.
Gaspar bate de frente contra o PT e o crime organizado. Conforme antecipamos, além de um vice, se eleito, Flávio já tem o seu nome para enfrentar o gargalo da nevrálgica questão da segurança pública no país, o que pode ser um diferencial ter alguém assim na chapa. Íntegro, Gaspar também aparece bem nas mídias sociais, conforme avaliações de especialistas neste assunto. É curioso como uma escolha, sob todos os aspectos "atabalhoada", pode ter resultado numa escolha interessante. Gaspar já vem assumindo as críticas contundentes contra o PT em suas redes sociais, principalmente no caso envolvendo o "Lulinha".
Editorial: Abelardo de la Spriella toma posse sob forte aparato de segurança
O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Spriella, toma posse sob um gigantesco aparato de segurança. Chama a atenção o aparato de segurança em torno do novo presidente, talvez até mais do que sobre suas propostas, uma vez que elas são conhecidas desde a campanha presidencial. Mal tomou posse, medidas já estão sendo tomadas contra chefes de facções e carteis que atuam no país. Alguns deles cumpriam penas em prisões comuns. Pelo andar da carruagem, podemos esperar ações até mais ousadas do que as adotadas por Nayib Bukele em El Salvador. Há promessas de construções de unidades prisionais à semelhança do CECOT. Um nome bastante festejado na posse de De la Spriella foi o do presidente argentino, Javier Milei, que adentrou ao palácio presidencial naquele estilo estridente, proferindo palavras de ordem contra a esquerda.
A eleição de nomes identificados com a estratégia norte-americana "Escudo das Américas" é algo que traz algumas preocupações para países como o Brasil, sob um governo de centro que, definitivamente, não é a menina dos olhos do Governo Americano. As escaramuças estão sendo postas desde algum tempo. As ações do Governo Trump contra o Governo Lula podem ter relações com o projeto de um controle estratégico efetivo sobre o continente americano pelos Estados Unidos. São medidas econômicas, políticas e diplomáticas que preocupam. Mais preocupante ainda é a modulação que vem sendo adotadas pelo Governo Lula. É preciso tomar alguns cuidados com o uso eleitoreiro do "soberanês".
Por falar em Spriella, a segurança pública será mesmo o grande tema das discussões das eleições de 2026. Próximo ao primeiro debate programado pela Band, o Ceará tornou-se um barril de pólvora, com grande atuação das forças de segurança no enfrentamento ao crime organizado. O crime organizado no estado passou a adotar o modus operandi do esquartejamento de desafetos. Corpos esquartejados estão sendo encontrados nos rios que cortam a capital Fortaleza. Esta prática, infelizmente, está se generalizando para o interior e o litoral. São comuns corpos encontrados em praias como Cumbuco, em Caucaia, hoje sob o controle de facções do crime organizado. Não gostaria de estar na pele do governador Elmano de Freitas durante esses debates.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Drops Político: Rebelião republicana nas Alterosas.
Prefeitos ligados ao Republicanos nas Alterosas esboçam ameaça de uma rebelião e desligamento da legenda caso o nome do senador Cleitinho não seja referendado como candidato ao Governo do Estado pela partido. O partido ratificou à Justiça Eleitoral que terá uma chapa concorrendo ao Governo de Minas, mas sem declinar o nome dos postulantes ao Palácio Tiradentes. O irmão do senador já andou circulando nas redes sociais informando que fará uma mobilização em nome do mano. Não se faz uma reunião de cinco horas, principalmente em Minas Gerais, para anunciar, tão somente, que Cleitinho não seria candidato. Agora que a poeira baixou, é possível compreender os bastidores daquela reunião. Marcos Teixeira, Presidente Nacional do Republicanos, tem um nome como candidato, o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão. Haveria discordância também acerca do vice que Cleitinho queria, que não foi aceito pelo partido. Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela.
Editorial: Dois de Julho ou Três de Julho?
Neste início de agosto, as polícias Civil e Militar do estado do Ceará desencadeou uma megaoperação contra o crime organizado, denominada "Operação Integração Saturação Total", envolvendo 620 agentes de segurança. O principal alvo foi a "Tropa do Marreta", ligada a uma facção que atua no estado. Há de se reconhecer o esforço das forças policiais locais no enfrentamento dessa grave questão, louvar a atuação dos agentes envolvidos, assim como o apoio do pessoal da logística, quase sempre negligenciados nessas ocasiões. Do ponto de vista político, não há como separar essas operações - pelo menos em relação à sua intensificação - com relação à proximidade das eleições, onde a nevrálgica questão da segurança pública tornou-se o maior problema de gestão pública em alguns estados da federação.
O mais preocupante, no entanto, é o avanço das ações do crime organizado por todo o país. Nós temos as nossas métricas para concluir sobe o como isso vem se tornando cada vez mais complicado. Mais recentemente, tratando deste mesmo assunto, um experiente desembargador afirmou que o país havia acabado há 20 anos. Não admira, não espanta. Não é improvável que ele tenha razão. Neste caso do Ceará, a fação havia obrigado aos comerciantes e aos fornecedores de água mineral a estabelecer uma taxa de R$ 1 real por cada garrafão de água vendido. Quem não se dispusesse a pagar a taxa não mais poderia vender água naquela área. A cidade é Morada Nova, onde já existe um distrito fantasma, ou seja, a população precisou deixar suas casas por ordem dos traficantes locais.
Na Bahia, outro estado que enfrenta graves problemas de segurança pública, aconteceu um caso inusitado. Existe um bairro famoso em Salvador conhecido como 02 de julho, numa alusão à data de independência do país, que os baianos comemoram neste dia. Pois bem. Segundo uma facção que atua na área, por não concordar com a alusão ao número dois, eles estariam "estimulando" os moradores do local a se referirem àquele bairro como 03 de julho.
Editorial: A "estranha" escolha de Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro
Tem coisas que se dizem por cima, tem coisas que se dizem por baixo, tem coisas que não se dizem. Esta máxima se aplica ao caso da indicação do deputado federal Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, para compor a chapa do candidato Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Depois de uma série de especulações em torno do assunto, Alfredo Gaspar foi indicado ao cargo de vice na chapa do bolsonarista. Em princípio, dizem que a indicação conta com o aval das principais lideranças partidárias do PL e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Evidentemente que não haveria arestas em relação à indicação, sobretudo em se tratando do nome do deputado Alfredo Gaspar. Exceto, talvez, pela questão de gênero, uma vez que as preferências recaiam sobre a indicação de um nome feminino. Isso aqui é o que conseguimos enxergar na superfície. Alfredo Gaspar, inclusive, é amigo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nas coxias, nos bastidores, sabe-se lá o que está em jogo. Flávio tinha pressa e muitas dificuldades em compor a chapa. Consideramos estranha a escolha ter recaído sobre o nome de Gaspar. Afinal, ele era um dos favoritos a se eleger senador nas próximas eleições, abdicando de uma eleição quase certa para se aventurar numa eleição incerta como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Se eleito, certamente Flávio já tem um nome para cuidar da nevrálgica questão da segurança pública no país, pois trata-se de um assunto que o parlamentar entende bem. Como Promotor Público, Gaspar esteve atuando junto ao GAECO no enfrentamento ao crime organizado de Alagoas e foi secretário de segurança pública do estado. Embora isso seja verdade, possivelmente não foi isso o que esteve em jogo sobre a escolha do seu nome. Dizem que tem a ver com os arranjos locais da eleição para o Senado Federal.
Lamentamos profundamente que o seu relatório, produzido por ocasião da CPMI do INSS, tenha sido rejeitado depois de manobras ardilosas de integrantes da base governista. Agora já se sabe as reais motivações. Nesse momento, o parlamentar foi vítima de acusações vis, agressões descabidas, do arsenal conhecido para "desacreditar" os opositores. Hoje ficamos sabendo que não tem acordo com ele. Vai até as últimas consequências para provar a sua inocência e enquadrar seus detratores nas malhas da lei, como deve ser. Nesses tempos bicudos, essas práticas sórdidas tornaram-se algo recorrente.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Editorial: Lula perde tração no Sudeste
A região Sudeste, como se sabe, tem um peso decisivo numa eleição presidencial. No caso das eleições presidenciais brasileiras, como os espaços estão muito demarcados, identifica-se perfeitamente onde a bolsonarismo consegue ser hegemônico, assim como o petismo, onde o Nordeste continua sendo o seu grande reduto eleitoral. Neste contexto, a região Nordeste é a fiel da balança, definindo as eleições. Ontem comentávamos por aqui, através do levantamento da última pesquisa do Instituto Quaest, que havia ocorrido um movimento preocupante para o petista, ou seja, aquele eleitores que decidem uma eleição, o chamado centrão sociológico, algo em torno de 27% do eleitorado, mostrava uma tendência de voto no candidato Flávio Bolsonaro.
Esta mesma pesquisa do Quaest aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perde tração na região Sudeste. Além de outras tantas, mais notícias ruins para o Planalto. Nada ainda é definitivo, Lula continua liderando o pleito, mesmo que na condição de empate técnico, mas convém colocar as barbas de molho para as "tendências", mesmo que ainda não determinantes nesse momento. Há dois meses das eleições presidenciais, já começaram as baixarias. Isso de lado a lado. Casaram Lulinha com a lobbista a partir de um provável erro em relação a um processo envolvendo uma empregada doméstica; voltaram a repercutir as falsas acusações contra o deputado Alfredo Gaspar, fatos esclarecidos ainda durante os trabalhos da CPMI do INSS, onde o parlamentar realizou um trabalho digno de sua trajetória na vida pública e experiência profissional.
Hoje, 06, estamos proibidos de acompanhar as redes sociais. Vamos nos dedicar à leitura e um livro lançado recentemente sobre a esposa do escritor britânico, George Orwell, autor de obras distópicas fundamentais. A vida invisível da Sra. Orwell. Curioso que há apenas uma biografia intelectual do escritor britânico, obra já esgotada, somente possível de ser encontrada nos sebos. Salvo melhor juízo, também foi lançada recentemente uma película sobre um dos seus livros mais importantes, A Revolução dos Bichos, onde ele revela seu desencanto com a experiência do socialismo real.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Editorial: Saiu nova pesquisa Quaest\Genial para a Presidência da Repúbica.
O Ministro Kássio Nunes Marques, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ao que se sabe, pretende instituir uma espécie de reconhecimento institucional aos institutos de pesquisas que alcançarem os melhores índices de acertos em seus levantamentos de intenções de voto. Por alguma razão, os chamados "grandes" institutos não gostaram da proposta. Nas últimas eleições, coincidentemente, os institutos que ainda não alcançaram esse patamar foram os que mais acertaram nos resultados eleitorais. Um bom exemplo disso é o Paraná Pesquisas, o que mais acertou o resultado de alguns pleitos.
Hoje, 05, saiu mais uma pesquisa do Instituto Quaest|Genial, outro instituto que se enquadra neste segundo pelotão, atingindo um bom patamar de credibilidade. Entre uma pesquisa e outro, grosso modo, se o observador não ficar mais atento não percebe as nuances que tais indicam, como o número de eleitores que não acham razoável conceder um quarto mandato ao presidente Lula; a resiliência do candidato Flávio Bolsonaro, que, mesmo atropelado por uma série de percalços, mantém-se competitivo; assim como um dado crucial observado pelo jornalista Josias de Souza - não temos certeza se a partir desta pesquisa Quaest - de que os eleitores do chamado centrão sociológico inclinam-se para Flávio Bolsonaro neste momento. Isso é determinante, uma vez que são eles que definem o resultado do pleito.
Jogaram alguns petardos perigosos no colo do presidente Lula, como essas indisposições com o Governo dos Estados Unidos, assim como as investigações envolvendo o seu filho Lulinha. Será que ele terá a mesma resiliência de Flávio Bolsonaro? Vamos aguardar. Essa indisposição com o Governo dos Estados Unidos não é prudente. Em doses homeopáticas, gradativamente, o Governo Trump vem adotando medidas que acabam prejudicando o país sensivelmente. A tese do "soberanês", tão exaltada neste momento, pode vira contra Lula, sobretudo se considerarmos as consequências daí decorrentes. Questionado recentemente sobre uma eventualidade de intervenção americana o país, o Ministro da Defesa, José Múcio, supostamente teria afirmado: Se eles vierem, vamos precisar abrir os portões. A referência aqui está relacionada às nossas fragilidades de defesa.
Editorial: Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", pede para deixar campanha de Lula
Não conhecíamos este cidadão até ele ser anunciado como uma assessor chave do Palácio do Planalto. Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado pelos companheiros de "Marcola", era tão discreto que, possivelmente, muita gente se encontrava na mesma situação que este editor. Seu nome surgiu na mídia recentemente, por ocasião do anúncio de que ele estava deixando o cargo de secretário do presidente para se engajar na campanha presidencial de Lula. Até aí nenhuma novidade. O problema maior ainda estava por vir. Seu nome acabou envolvido numa suposta transferência de recursos da senhora Roberta Luchsinger para ele. O argumento de Marco Aurélio é que se tratava de um empréstimo, algo que está sendo apurado pela Polícia Federal.
O estrago político era inevitável, sobretudo quando se sabe do enredo que envolve as investigações sobre o escândalo do INSS. De lado a lado, a Justiça Eleitoral terá um trabalho enorme para impor regras republicanas nas redes sociais. Muita coisa do PT está sendo vetada, conforme tomamos conhecimento mais recentemente, mas existe o outro lado que também precisa ser observado com muita acuidade. Perfis marcadamente bolsonaristas já exploram deliberadamente o episódio, com potencial de produzir alguns danos ao projeto de reeleição do petista. Hoje, tomamos conhecimento que Marco Aurélio Santana, sabedor dos problemas, está deixando a campanha de Lula.
Hoje foram divulgados duas novas pesquisas sobre a disputa presidencial deste ano, que comentaremos logo mais. A despeito de Lula aparecer bem em ambas, ainda liderando numericamente a disputa, uma informação crucial é apontada na coluna do jornalista Josias de Souza, no Portal UOL. Segundo o jornalista, os chamados eleitores independentes, aqueles tratados pelo marqueteiro João Santana como "centrão sociológico", demonstra uma tendência maior de votar em Flávio Bolsonaro. Uma informação crucial, obtida nas "entrelinhas" das pesquisas, dados que ficam quase sempre "submersos", exceto para os observadores mais atentos.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Editorial: Cleitinho é ou não é candidato?
É impressionante essa novela. Agora há pouco, durante a convenção do Republicanos, em Brasília, o senador Cleitinho afirma que reconsiderou a posição de ontem - quando afirmou que estava desistindo da candidatura - e, agora, depois do sinal verde dos seus familiares, volta a assumir que é candidato ao Governo de Minas Gerais. Não se faz uma reunião de cinco horas, como a que ocorreu ontem, principalmente envolvendo mineiros, quando algum impasse não estivesse em jogo. O próprio Cleitinho tratou de esclarecer o que estava por trás. Ele havia acordado o nome do vice e, por alguma razão, o nome não havia sido referendado pela legenda republicana.
Acreditamos que muita gente estava comemorando essa desistência do senador Cleitinho, o que, de fato embaralhava a disputa pelo Palácio Tiradentes. Agora o jogo é outro. Em todas as pesquisas o senador aparece liderando a pesquisa, tem um apelo muito popular, um jeitão de fazer política que lembra alguns ícones do passado. Esta novela, inclusive, pode ser incluída no seu repertório político. Em entrevista, um repórter perguntou a ele se ele não havia se arrependido de ter desistido e voltou a atrás, a o que Cleitinho respondeu: você nunca se arrependeu de alguma coisa na vida? Quem não se arrependeu de alguma coisa?
Já líamos uma matéria recente na revista Veja indicando que o partido não teria ficado muito satisfeito com a nova decisão do senador. Já há uma outra versão, circulando nas redes sociais - o que impõe alguns cuidados - afirmando que a homologação de sua candidatura foi unânime. Seria o cúmulo do absurdo se o partido se colocasse contra a candidatura. Por que? Estão tendo a chance de governar um dos estados mais importantes do país, quando se sabe que São Paulo é dado como favas contadas. É café com leite, Cleitinho!
O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Mendonça Filho confirma candidatura ao Senado Federal.
A palavra "traição" nunca foi tão usada aqui em Pernambuco. A província pernambucana nunca recebeu tantos visitantes ilustres, a exemplo Sun Tzu, Nicolau Maquiavel, Max Weber, todos com o propósito de analisarem o nosso cenário político, emitindo suas opiniões sobre o que pode ter ocorrido nos últimos dias, período em que as chapas que concorrem ao Governo do Estado se consolidaram. Traição em política é algo muito comum, talvez mais do que se imagina. Somente no dia de ontem, dois candidatos favoritos às eleições de 2026 renunciaram às suas respectivas candidaturas. O senador Cleitinho não irá mais concorrer ao Governo de Minas Grais, assim como Álvaro Dias não concorre mais ao Senado Federal pelo estado do Paraná.
Ambos eram francos favoritos aos cargos que concorriam. Sabe-se lá o que levaram esses pré-candidatos a renunciarem às suas candidaturas, para além das razões sentimentais ou afetivas. No caso de Minas Gerais, é incompreensível que o partido Republicanos tenha deixado de estimular uma candidatura com chances efetivas de êxito, num dos estados mais estratégicos da federação. Hoje, 04, deve ser anunciado o nome do deputado federal Mendonça Filho(PL-PE) ao Senado Federal, com o apoio do PL, do Podemos e, segundo dizem, com o aval da família Coelho, com a qual havia celebrado um acordo. Desde algum tempo, por algum motivo, Mendonça Filho aparece bem nas pesquisas de intensão de voto para o Senado Federal.
Pelo menos em relação ao Senado, o que sugere-se até o momento é que o eleitor pernambucano não parece disposto a colocar todos os ovos numa única cesta, ou seja, tem dado demonstrações de que pretende eleger um senador do campo progressista e um senador do campo conservador. Sugere-se, igualmente, que a vaga do campo progressista já está preenchida pela candidata Marília Arraes, que lidera todas as pesquisas realizadas até agora para a Casa Alta. Restaria, então, uma batalha pelo voto conservador, para qual não faltam aspirantes. Mendonça Filho é um nome muito ligado ao Palácio do Campo das Princesas. Neste sentido se diz, com alguma razão, que a candidatura de Raquel Lyra conta com três nomes na disputa ao Senado Federal.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, comemora o fato de ter um candidato ao Senado Federal ligado ao seu grupo no estado. É bom que se diga que o nome de Mendonça já estava em suas anotações como um aliado no estado muito antes dos últimos acontecimentos, mas não havia espaço para tal. O vácuo foi deixado com o desfecho da disputa entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, que agora terá que usar de toda a sua habilidade política para superar a má vontade. A família Coelho fechou um acordo com Mendonça Filho, onde suas bases políticas serão divididas. Mendonça vai ao Sertão do São Francisco, enquanto Miguel vem ao Agreste e Região Metropolitana. A parada é dura pelo voto conservador.
Editorial: Nova fase da Operação Sem Desconto
A Polícia Federal realiza hoje, 04, mais uma fase da Operação Sem Desconto, criada com o objetivo de investigar um esquema de fraudes milionárias no INSS. Já perdemos as contas de quantas fases dessa operação já foram realizadas e, pelo andar da carruagem, teremos muita coisa pela frente, sobretudo se considerarmos que a caixa-preta dos empréstimos consignados, investigação sobre a qual a CPMI queria avançar, atingiu apenas a ponta do iceberg. A operação de hoje cumpre 18 mandados de busca e apreensões no Distrito Federal e no Maranhão, ao que se sabe, envolvendo familiares dos envolvidos no escândalo. Segundo o noticiário, o Ministro André Mendonça, do STF, teria quebrado o sigilo da operação no sentido de torná-la a mais transparente possível, consoante os princípios republicanos e das boas práticas do serviço público.
O Ministro André Mendonça vem realizando um excelente trabalho no STF, contrariando interesses os mais diversos, indicando que já cruzou a fronteira das defesas do sistema. A essa altura do campeonato, acreditamos que as estimativas do rombo, antes previstos em 6,6 bilhões, foram subestimadas. Através de manobras escusas, o relatório da CPMI, um trabalho primoroso realizado pelo deputado federal Alfredo Gaspar, foi rejeitado. Curioso é que as investigações da Polícia Federal apenas confirmam as suspeitas já levantadas por aquele relatório. Deliberadamente, manobras igualmente escusas esvaziaram essa comissão e, praticamente inviabilizaram outras, a exemplo daquela que estava sendo proposta para o escândalo do Banco Master. Não interessava nem ao Governo e nem à Oposição.
Há três processos investigativos que correm contra Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, por determinação do Ministro André Mendonça. Isso tem produzido um verdadeiro rebuliço na capital federal, sobretudo em razão da proximidade das eleições de outubro. Agora fala-se numa suposta transferência de recursos para um assessor direto do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. São escândalos de lado a lado, não se sabendo qual deles será suficiente para produzir mais estragos nas campanhas em curso.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Editorial: Cleitinho desiste da candidatura ao Governo de Minas Gerais.
Penso que foi a raposa mineira Magalhães Pinto que, entre outras máximas, cunhou a expressão: "Reunião Mineira", onde advogava que os mineiros tomavam as suas decisões antes das reuniões aconteceram, ou seja, quando eles realizavam uma reunião era apenas para comunicarem o que, em princípio, já estava decidido. Estávamos acompanhando há pouco uma conversa entre o pastor Marcos Pereira, Presidente Nacional do Republicanos, e o senador Cleitinho, que acaba de decidir que não irá disputar o Governo de Minas Gerais, nas próximas eleições. O argumento de Cleitinho é o sentimental. Recentemente o senador perdeu um irmão e, em função deste fato, não se sente em condições psicológicas de encarar a disputa. Temos que respeitar essa posição do senador, mas há algo de muito estranho neste episódio.
Primeiro, o partido se contrapôs à iniciativa de sua candidatura sob o argumento de que ele não participou da convenção partidária. Depois, ele mesmo afirmou que "Se o povo querer", eu topo. O povo queria. Cleitinho lidera todas as pesquisas de intenção de voto até o momento. Com a sua saída, conforme afirmamos anteriormente, até o azarão do Patrus Ananias, candidato do PT, passa a ter alguma chance na disputa. A desistência de Cleitinho é mais um duro golpe nas pretensões presidenciais de Flávio Bolsonaro. Abre uma avenida para o crescimento do PT num estado determinante numa eleição presidencial. Era um dos pontos de fragilidade do PT, que poderia ser melhor explorado pela oposição. Com a desistência de Cleitinho, agora é Flávio quem está à procura de um nome para levantar seu palanque naquele estado.
Como diria Magalhães Pinto, é muito estranha uma reunião de cinco horas para se fazer um comunicado de desistência da candidatura. Da nova geração, Cleitinho é um político atípico, lembrando algumas figuras emblemáticas do passado. Tem um estilo bem espontâneo de fazer política. Dizem que chorou bastante ao anunciar que não seria candidato. O que se diz, pelo menos publicamente, é que o partido já havia decidido que a sua não ida à convenção não se constituiria num impedimento. Nunca entendemos muito bem porque um partido como o Republicanos perderia a oportunidade de governar um dos estados mais importantes do país.
O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o "pêndulo" dos Coelho
Hoje, 03, na crônica política local só se fala sobre o destino da família Coelho nas próximas eleições. Soubemos agora que, diante de tanto assédio - até mesmo de pessoas ligadas à Frente Popular de João Campos - a governadora Raquel Lyra está mobilizando um pessoal de sua estrita confiança para reestabelecer o diálogo com a família Coelho. Na realidade, apesar do desfecho que não permitiu a consolidação do nome de Miguel Coelho em sua chapa que concorre ao Senado Federal, tal diálogo nunca foi rompido. Sensivelmente abatido, Miguel chegou a gravar um vídeo logo após o episódio, reafirmando o seu compromisso com a gestão da governadora Raquel Lyra.
Durante a convenção do PSD, realizada ontem no Recife, a governadora fez questão de agradecer a integração do representante da família Coelho no seu grupo político, marcado por um convívio de lealdade, confiança e sem arestas até então, uma vez que ela havia dado demonstrações inequívocas de que desejava que o nome referendando pela União Progressista fosse mesmo o de Miguel Coelho. Política é feita de contingências e tais contingências foram desfavoráveis ao ex-prefeito de Petrolina. A política pernambucana, desde então, passou por uma efervescência gigantesca há dois meses das eleições de outubro. Todos desejam o apoio da família Coelho, com forte penetração no Sertão do São Francisco.
Lá atrás, por ocasião de sua eleição para o Governo do Estado, Raquel cometeu o equívoco de abrir o espaço que a família merecia em seu governo. Os Coelho deram a governadora, em seu reduto político, algo em torno de 80 mil votos, fundamentais para a sua eleição naquele momento. Candidato ao Governo do Estado, Miguel Coelho debruçou-se sobre os principais gargalos do estado, propondo intervenções inovadoras. Dentre os concorrentes, foi Miguel quem elaborou o melhor programa de governo. Ademais, ele vinha de gestões bem-sucedidas como prefeito de Petrolina. Era um quadro com grande potencial, que poderia ser servido bem ao governo de Raquel Lyra.
Agora, estamos diante de um grande dilema. Apesar dos panos mornos, numa eleição equilibrado como esta, o concurso ou o apoio do grupo pode ser decisivo. Não há uma posição tomada. João Campos tem trânsito com o grupo, assim como a governadora Raquel Lyra. Correndo por fora, passou-se a especular um eventual acordo entre o deputado federal Mendonça Filho, do PL, e a família Coelho. Pelo acordo, Mendonça sairia como candidato ao Senado Federal com o apoio da família e, em troca, colocaria suas bases em favor de uma eventual candidatura a deputado federal de Miguel Coelho. Até o final da tarde, possivelmente teremos mais novidades.
Editorial: Pesquisa BTG\Nexus pós-convenções
Ainda fresquinha, para ser digerida no café da manhã com cuscuz e carne de sol, a nova pesquisa do BTG\Nexus sobre a corrida presidencial deste ano. No contexto ou série histórica das pesquisas realizadas pelo instituto, o candidato Flávio Bolsonaro, a despeito dos atropelos de sua campanha, melhorou seu desempenho na disputa pela cadeira do Palácio do Planalto, ao diminuir a distância que o separa do seu principal oponente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entendendo que a avaliação diz respeito apenas à serie histórica do instituto, algo que não pode ser generalizado. A rigor, ambas as candidaturas enfrentam problemas neste momento. Alguns analistas sugerem que as investigações autorizadas pelo STF contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, podem prejudicar a campanha de Lula, assim como Flávio se encontra enredado em problemas, ao ponto de até partidos do centrão se recusaram a declarar apoio ao seu nome.
A pesquisa do Instituto Nexus ouviu 2002 eleitores, através de entrevistas presenciais, entre os dias 31 de julho e 02 de agosto, com margem de erro de 3 p.p e escore de confiabilidade de 95%. No primeiro turno Lula pontua com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 37%, uma diferença que já foi bem maior nas pesquisas anteriores do instituto. Num eventual segundo turno, rigoroso empate técnico. Lula pontua com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 45%. A desaprovação de Lula nesta pesquisa, numericamente, é superior à aprovação, mas tudo dentro da margem de erro, ou seja, 48% desaprovam, enquanto 47% aprovam.
À medida em que se aproxima o período de votação, Redes de Televisão como a Bandeirantes já anunciam os debates que deverão ocorrer nos estados. Dia 09 teremos o primeiro debate entre os candidatos que concorrem aos governos estaduais. Nenhuma programação ainda para os debates presidenciais, mas os principais concorrentes não demonstram boa vontade em discutirem seus projetos e programas com a população. Nem Lula nem Flávio demonstram grande entusiasmo com o tema.
domingo, 2 de agosto de 2026
Drops Político: A convenção de Raquel Lyra
| Crédito da Foto: Blog do Magno |
A governadora chegou atrasada à convenção que homologará sua candidatura à reeleição, em 2026, tivemos um grave problema de falta de luz, mas não de energia, durante o evento. No mais, tudo ocorreu conforme o previsto, com uma verdadeira multidão acompanhando a festa partidária. Um sucesso a convenção do PSD. Antecipo por aqui que a governadora, a despeito de toda a mobilização de setores oposicionistas, não terá dificuldades em seu projeto de reeleição. É um risco fazer esta previsão com tanta antecedência, mas indicadores nos estimulam a acreditar nesta hipótese, como a aprovação de sua gestão, que hoje chega a 67% da população pernambucana.
O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: a batalha pelo voto conservador ao Senado Federal.
O eleitorado pernambucano tem dado demonstrações de que pretende eleger um senador de perfil progressista e um senador de perfil conservador para o Senado Federal. No passado, os analistas políticos analisavam essa tendência como algo positivo, pois representava uma evidência de que tais eleitores procuravam estabelecer um equilíbrio de forças, não apostando todas as fichas num único grupo político. Neste caso, se essas fichas fossem creditadas em apenas um grupo, poderíamos ter a Frente Popular com a eleição dos nomes de Marília Arraes e o senador Humberto Costa, que tenta a reeleição. Marília, como se sabe, foi definida pelo eleitorado pernambucano como a representante desse campo progressista. Falta o eleitorado definir quem será o nome que representa as hostes conservadoras do estado.
Muitos são aos chamados, poucos os escolhidos, conforme o Evangelho de Mateus, nas Sagradas Escrituras. Depois do imbróglio envolvendo os nomes do deputado Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, na composição da chapa da governadora Raquel Lyra, o jogo foi praticamente zerado. Miguel, como vinha acompanhando a governadora a mais tempo, sendo assegurado que ele seria um dos candidatos ao Senado Federal, poderia ser esse representante das hostes conservadoras, como um ilustre representante do clã Coelho, de Petrolina. Eduardo da Fonte, embora com grande capilaridade política, ainda não definiu se será ou não candidato, uma vez que já foi prejudicado pelo impasse e amarga uma situação onde o seu nome, embora aceito com o aval da federação União Progressista, já possui uma imagem de rejeição na composição da chapa da governadora.
Os Coelho, por sua vez, se sentem traídos e políticos traídos é complicado. Desde de ontem se fala sobre os eventuais rumos que o grupo poderia tomar. Miguel, pessoalmente, tem demonstrado o desejo de apoiar a reeleição da governadora, independentemente do ocorrido. Mas o seu partido, o União Brasil, tem dado demonstrações de que não deseja apoiar a governadora. Antonio Rueda, Davi Alcolumbre e ACM Neto pediram explicações para o ocorrido em Pernambuco. Fala-se que Marília Arraes poderia ter sondado os Coelho para uma suplência em sua chapa; Hoje, 02, surgiu a notícia de Mendonça Filho(PL-PE), que aparece bem nas pesquisas de intenção de voto, pode habilitar-se como candidato ao Senado Federal com o apoio da família Coelho. São muitas as especulações em torno do assunto.
Pelo menos formalmente, Eduardo da Fonte é candidato ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, ao lado do deputado federal Túlio Gadelha. Todos os seus passos, no entanto, são bem calculados. Não se arriscará a ficar sem mandato. Muito além da composição com a governadora, outras variáveis precisam ser observadas nessa conjuntura, como as eventuais costuras da Frente Popular em alianças com segmentos conservadores do estado, em alguns casos, até alinhavados com o projeto de reeleição da governadora. Em teses, essas bases podem estar "minadas". Essa observação é válida, sobretudo se mantidos ou ampliados os escores do segundo senador da Frente Popular.
Editorial: Por que o Centrão resiste em apoiar Flávio Bolsonaro?
Primeiro, gostaríamos de corrigir uma informação. A Senadora Tereza Cristina é filiada ao PP e não ao Republicanos, conforme havíamos divulgado. Tereza é senadora pelo Mato Grosso do Sul e ocupou o cargo de Ministra da Agricultura no Governo Jair Bolsonaro, tendo um desempenho muito elogiada na pasta, daí se entender o entusiasmo do candidato Flávio Bolsonaro com a hipótese de a senadora compor a sua chapa na condição de vice. Reticente no início, Tereza Cristina acabou vencendo as resistência e já havia concordado em aceitar o convite, quando foi vetada pela legenda à qual está filiada. Este é um daqueles assuntos onde as explicações podem ser divididas entre o que pode ser dito e o que não pode ser dito ou as coisas que são ditas por cima ou as coisas que são ditas por baixo. Nunca vamos saber ao certo.
Por vezes, o "não dito" se constitui em elemento mais confiável para entendermos as reais razões de algumas atitudes. Ontem comentávamos por aqui que achávamos estranhos alguns comportamentos dos caciques do PP e dos Republicanos em relação aos arranjos eleitorais das próximas eleições. O PP vetou a aliança com o PL, impedindo que a senadora Tereza Cristina fizesse uma composição com o candidato Flávio Bolsonaro. O que se diz explicitamente, é que o senador Ciro Nogueira, teria ficado magoado com a reação dos bolsonaristas quando o seu seu nome foi envolvido no escândalo do Banco Master. Ciro Nogueira foi um dos nomes mais importantes do Governo Bolsonaro, ocupando o cargo de Ministro da Casa Civil.
Nos bastidores, no entanto, voltou a ganhar força a tese de um eventual acordo com o Planalto para ele não ser prejudicado em seu projeto de se reeleger senador pelo Piauí, algo crucial neste momento, concedendo-lhe um foro privilegiado como senador da República. O Republicanos, por sua vez, além de recusar uma aliança com o candidato sob o argumento de que se trata de uma candidatura fraca, impediu, estranhamente, que o senador Cleitinho tenha sua candidatura ao Governo de Minas Gerais homologada pela legenda. Cleitinho não teria cumprido um rito burocrático, ou seja, não participou da convenção partidária. Neste caso, pesaria um suposto acordo com o Planalto para facilitar a vida de Lula num dos estados mais estratégicos para a sua reeleição. Com Cleitinho fora do páreo, o jogo fica embolado, favorecendo até mesmo o "azarão" Patrus Ananias.
sábado, 1 de agosto de 2026
Drops Político: Rafael Greca fecha acordo com Ratinho Junior
O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, acaba de anunciar que fechou um acordo com o governador do Paraná, Ratinho Junior, e será candidato a vice na chapa encabeçada por Sandro Alex, apoiado pelo Palácio do Iguaçu. No Paraná ocorre um fenômeno curioso nas eleições deste ano. O ex-Ministro da Justiça e ex-Juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro, lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado do Paraná, mesmo enfrentando nomes fortes da política local, a exemplo do ex-prefeito de Curitiba. Sobretudo com esses novos arranjos, a possibilidade de Sérgio Moro liquidar a fatura ainda no primeiro turno torna-se mais improvável. Ratinho Junior conta com a máquina do estado, uma gestão bem avaliada e, agora, com o concurso de Rafael Greca. A tendência natural é que o nome de Sandro Alex cresça nas pesquisa de intenção de voto com o decorrer do pleito.
Editorial: Temporada de convenções
Vamos ter um final de semana cívico, repletos de convenções partidárias por todo país. Ontem, no Ceará, foi a vez do grupo ligado ao governador Elmano de Freitas(PT-CE) realizar sua convenção, com a presença, inclusive, do presidente Lula, que prometeu que, enquanto estiver vivo, os "fascistas" não voltam a governar o estado. Ainda pairavam dúvidas sobre a composição da chapa, mas nesta convenção foi anunciada o nome de Gabriella Aguiar, vice-prefeita de Fortaleza, como candidata a vice-governadora na chapa de Elmano de Freitas. Hoje é a vez da convenção do PT na Bahia, em apoio ao nome de Jerônimo Rodrigues à reeleição. Na Bahia ocorre um fenômeno curioso. O PT amarga o desgaste natural de 12 anos no poder, índices de violência altíssimos, mas permanece competitivo para continuar como inquilino do Palácio de Ondina.
Em princípio, grosso modo, sugere-se que os baianos têm muitas dificuldades em devolver o poder aos herdeiros do babalorixá Antônio Carlos Magalhães. João Santana, marqueteiro de ACM Neto, vai precisar usar de toda a sua competência para reverter tal situação. Anda circulando pela cidade uma espécie de tribuna contra Jerônimo, onde estão sendo disponibilizados um microfone, em local público, onde o povo pode se manifestar contra o governador. Não sabemos se isso não fere algum princípio da legislação eleitoral. As falas estão sendo exibidas nas redes sociais de ACM Neto. Amanhã, domingo, é a vez de Ciro Gomes, no Ceará, que concorre ao comando do Palácio da Abolição. Ciro vem embalado pelo apoio popular, traduzido nos bons índices alcançados nas pesquisas de intenção de voto.
Em Pernambuco, é vez da governadora Raquel Lyra realizar a sua convenção, com chapa completa, concorrendo à reeleição. Ontem, 31, o Datafolha confirmou sua liderança nas pesquisas de intenção de voto, avalizando várias pesquisas anteriores realizadas por outros institutos. A governadora reverteu um favoritismo do ex-prefeito do Recife, João Campos, que espera contar com a presença de Lula em seu palanque no estado. É curioso como há tantas dúvidas ainda em torno deste assunto, mesmo depois do vídeo e dos compromissos assumidos durante a convenção do PSB, em Brasília.
O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Liderando as pesquisas, Raquel fecha a chapa.
Ontem, 31, o deputado federal Eduardo da Fonte(PP-PE) foi recebido no Palácio do Campo das Princesas, onde a governadora Raquel Lyra(PSD-PE), finalmente, fez os ajustes finais na composição da chapa que concorrerá à reeleição. Priscila Krause permanece como vice, Túlio Gadelha é um dos candidatos ao Senado Federal, e, depois de uma longa discussão interna na relação entre a gestora e a federação União Progressista, o martelo foi batido em favor do nome do deputado federal Eduardo da Fonte, que deve ocupar a outra vaga na disputa à Casa Alta. Hoje a crônica política local e as redes sociais trazem a fala do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, afirmando que não mais irá concorrer ao Senado Federal, mas continua identificado com o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra.
Miguel Coelho, na realidade, era o nome da preferência da governadora, fato demonstrado em inúmeras ocasiões, mas as contingências politicas apontavam para uma consolidação do nome de Eduardo da Fonte, com maior força política no contexto da federação União Progressista. A União Progressista não abdicava de sua indicação, o que poderia criar alguns embaraços para a governadora. Liderando as pesquisas de intenção de voto para continuar ocupando a cadeira do Palácio do Campo das Princesas, com um adversário competitivo na sua cola, tudo o que ela não desejava era mais encrencas. A federação tem recursos, tempo de propaganda no rádio e TV, e agora um nome consolidado no cenário político do estado concorrendo ao Senado Federal.
Eduardo da Fonte entra na disputa com alguns trunfos e alguns percalços, uma vez que, em razão das indefinições sobre o seu nome, possivelmente ele foi prejudicado no ranqueamento dos institutos de pesquisas. Em política isso pode ser determinante. A tendência no estado é a eleição de um nome do campo progressista e um nome de perfil conservador, mais ao centro do espectro político. Neste intervalo, o "vácuo" foi ligeiramente preenchido pelo senador Humberto Costa, que concorre à reeleição, conforme demonstram as últimas pesquisas.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Editorial: Centrão diz não para Flávio Bolsonaro
Hoje foi um dia de muita movimentação em torno de costuras políticas. Agora são dados os últimos arremates na composição das chapas que deverão disputar as próximas eleições de outubro. De todos os arranjos possíveis, um deles em particular surpreende este editor. O PP resiste a uma composição com Flávio Bolsonaro, mesmo depois que a convidada para compor a chapa do candidato na condição de vice, a senadora Tereza Cristina, havia sinalizado que aceitaria a missão. O partido reafirma que não deseja compor com o candidato bolsonarista, emitiu uma nota a esse respeito, endossada posteriormente pela senadora, que já havia vencido as resistências. Outro fato curioso, desta vez envolvendo o Republicanos, é o caso de Minas Gerais, onde o senador Cleitinho(PP-MG), muito bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, não conta com o apoio do partido para se lançar ao Governo do Estado.
Na realidade, a posição do Republicanos é a mesma dos partidos que compõem o núcleo duro do Centrão, juntamente com o União Brasil e o PP. O Centrão tem um feeling político bastante apurado. A leitura que eles fazem é que a candidatura de Flávio Bolsonaro é frágil, sem expectativa de poder. O Centrão, aliás, é um bom termômetro político neste sentido. O candidato está mudando o nome do seu marqueteiro e o Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, resolveu se envolver diretamente nas articulações políticas. A despeito das dificuldades do outro lado, o cenário não é dos melhores. Lula vai de Geraldo Alckmin mais uma vez, dirimindo as eventuais especulações em torno do assunto. O Nome do vice foi confirmado na Convenção do PSB, realizada recentemente em Brasília.
Neste momento, o tema central é a autorização concedida pelo Ministro André Mendonça, do STF, para que a PF investigue o filho do presidente Lula, o Lulinha. De lado a lado, isso vem gerando uma polêmica dos diabos. Os bolsonaristas estão certos de que isso pode trazer danos consideráveis ao projeto de reeleição de Lula. No Brasil, um país que acabou há vinte anos atrás, como afirmou recentemente um desembargador nas redes sociais, é difícil mensurar as consequências de qualquer coisa. Parece que já estamos anestesiados.
Editorial: Zum zum zum na política cearense
Em política os gestos são cruciais. Há alguns anos atrás, quando foi candidato à Presidência da República, o tucano autêntico, Mário Covas, recebeu o apoio incondicional de um único governador à época, o cearense Tasso Jereissati. Num belo dia, Tasso pediu que Mário Covas fosse ao Ceará, possivelmente para se engajar em algum projeto político local. Dizem que a esposa de Mário Covas teria se mostrado reticente ao convite ao marido, em virtude de alguns problemas de saúde. Mário Covas atendeu ao chamamento do correligionário cearense, informando à esposa que não poderia faltar com ele, o único governador que o havia apoiado em sua tentativa de chegar à Presidência da República.
Nossos informantes na terra do poeta Patativa do Assaré nos passaram a informação de que hoje, 31, o mundo da política naquele estado foi sacudido por um comportamento inusitado nas cercanias do Palácio da Abolição. Às véspera das convenções partidárias, o atual governador, Elmano de Freitas, passou a ser mais "discreto", abrindo espaço para o protagonismo do atual capitão da política cearense, o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana. O candidato da oposição, Ciro Gomes, tem dito, reiteradas vezes, que disputará a eleição não com Elmano de Freitas, mas com Camilo Santana. Nas duas últimas pesquisas de intenção de voto, Ciro abre cerca de dez pontos de diferença em relação a Elmano de Freitas, aumentando as especulações em torno do assunto.
Todos sabem o que representa uma derrota de Camilo Santana no Ceará, hoje um estado mais do que estratégico para os projetos do PT. Por enquanto, é só especulação e, como sempre, deve ser dado o desconto necessário, sobretudo nesses momentos de acirramentos políticos. Na realidade, depois de duas gestões bem avaliadas, coube a Camilo Santana, mesmo concorrendo ao Senado Federal, fazer o seu sucessor no Palácio da Abolição. Conforme comentávamos por aqui naquele período, um dos poucos casos onde o candidato ao Senado Federal literalmente "puxou" o candidato ao Governo do Estado. Camilo é um candidato mais competitivo. As pesquisas de intenção de voto demonstram isso.
Editorial: Ainda os reflexos do trabalho sério da CPMI do INSS
Pelo andar da carruagem política, hoje se entende perfeitamente porque não interessava ao Governo e Oposição a abertura de uma CPMI do Banco Master. O mesmo raciocínio se aplica aos percalços enfrentados pela CPMI do INSS, que precisou ser interrompida antes de concluir suas investigações e teve seu relatório não aprovado. Numa reflexão mais ampla, esses dois fatos dão sua contribuição para entendermos um pouco sobre o enrosco institucional em que estamos metidos. Estamos tratando aqui apenas da ponta do iceberg para não melindrarmos. A CPMI do INSS, por iniciativa do seu relator, o senador Carlos Viana(Podemos-MG), já havia determinado a quebra do sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o objetivo de desvendar os padrões de relação estabelecidos entre ele e Antônio Carlos Camilo Antunes, um dos principais alvos do escândalo daquele órgão.
Ontem, 30, o Ministro André Mendonça, do STF, autorizou a PF a indiciar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como estamos há dois meses das eleições, o fato tem alcançado ampla repercussão. Salvo melhor juízo, setores da própria Polícia Federal já haviam alertado acerca da necessidade de um prazo maior para a conclusão das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Setores da PF, diante desses novos fatos, entraram com um pedido junto à AGU no sentido de revogar as medidas tomadas pelo Ministro André Mendonça. Estamos tratando aqui realmente de uma situação inusitada. AGU se contrapondo ao STF. Mas, no Brasil, como diria o antropólogo Gilberto Freyre, tudo seria possível.
É bom sempre enfatizar aqui a seriedade e o senso de justiça que conduzem as decisões tomadas pelo Ministro André Mendonça. É salutar que tenhamos na mais alta Corte de Justiça do país alguém com o seu perfil. O excelente trabalho realizado pela CPMI do INSS ainda produz bons resultados, mesmo que aquela CPMI tenha sido abruptamente interrompida e o seu relatório rejeitado. O relatório, produzido pelo deputado federal alagoano, Alfredo Gaspar, que era relator daquela comissão, tratou-se de uma peça impecável. Incomodava aos "intocáveis", daí ter sido solenemente ignorado. Salvo melhor juízo, uma cópia foi entregue ao Ministro André Mendonça, que deve estar se debruçando sobre o seu conteúdo.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Editorial: Na Bahia, Jerônimo comemora e ACM Neto faz reunião de emergência
Segundo nossos informantes na terra dos babalorixás, o grupo do governador Jerônimo Rodrigues(PT-BA) comemorou os números apontados pela pesquisa realizado pelo Instituto Quaest\Genial, publicada no dia de ontem, 29, onde ele aparece em rigoroso empate técnico com o concorrente, ACM Neto(UB-BA). Há motivos para comemorar? Sim. A despeito de tocar uma máquina com algumas dificuldades - a exemplo dos altos índices de violência registrado no estado - o governador consegue obter 57% de aprovação de sua gestão. Segundo essa mesma pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conta com 70% de aprovação, levantando a possibilidade de obter as votações estupendas de eleições passadas no estado, fazendo, como se diz no popular, barba, cabelo e bigode.
A Bahia é um caso à parte, conforme afirmamos isso ontem. O eleitor identificado com o petismo vota no PT em quaisquer circunstâncias. ACM Neto corre o risco de, mais uma vez, morrer na praia. Não faz muito tempo, comentamos por aqui sobre os "constrangimentos" que estão determinando o voto no país. Nossas escolhas não tem sido felizes e, quase sempre, são conduzidas por impulsos, paixões, exclusões, nunca orientadas por critérios republicanos, consequentes, racionais. O eleitor de Flávio Bolsonaro vota nele porque não deseja que Lula continua sentando na cadeira do Palácio do Planalto. Quem, dentre vós, eleitores de Flávio, conhece o seu programa de governo ou sabe qual foi o último livro que ele leu?
Na Bahia, pelo andar da carruagem política, caminhamos para o sexta gestão consecutivo do PT no Palácio de Ondina. Duas de Jaques Wagner, duas de Rui Costa e, talvez, duas de Jerônimo Rodrigues. É isso que o grupo de ACM Neto deseja evitar. O curioso é que ACM Neto contratou o marqueteiro João Santana para assessorá-lo. Trata-se de um dos grandes nomes do marketing político do país, com uma larga expertise. João Santana, inclusive, já comandou campanhas de Lula, de Dilma Rousseff. As peças atacam a nevrálgica fragilidade da segurança pública no estado, além de propor mudanças. Como convencer os eleitores baianos sobre a necessidade dessa mudança? Eis a questão.
Editorial: Liderança de Ciro no Ceará é confirmada em duas pesquisas.
Ontem tivemos o desprazer de assistir a uma cena daquelas abomináveis, ocorrida no Ceará, onde uma facção do crime organizado proibiu que um enterro de um jovem de 23 anos pudesse ser realizado. O jovem fora assassinado dias antes, possivelmente em razão das disputas entre essas facções. O curioso - para não dizer trágico - é que, acionada pela família, grupos de policiais foram ao local para garantir que o enterro fosse realizado. Tinha gente até do Raio, um batalhão motorizado da PMCE, que goza de um conceito elevado na tropa. São situações dessa natureza que talvez possam explicar o desempenho do senhor Elmano de Freitas(PT-CE)nas pesquisas de intenção de voto, onde concorre à reeleição.
O pior é que, em consulta aos nossos "informantes", ficamos sabendo que este não é o primeiro caso. Esses casos estão se tornando até recorrentes no estado. Se o indivíduo o morto integrava uma facção "X", rival da fação "Y", não pode ser enterrado num cemitério sob o comando da fação "Y". Na Bahia já houve um caso em que um enterro foi interrompido à bala, sob circunstâncias bem parecidas. De fato, a Polícia do Estado do Ceará, acionada, assegurou que o enterro se realizasse, mas não há como informar, com segurança, o aparato que foi utilizado, daí a ressalva à participação do Batalhão Raio( Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas).
Nesta semana foram divulgadas duas pesquisas de intenções de voto, onde o tucano Ciro Gomes abre algo em torno de 10 pontos de diferença na corrida pela cadeira do Palácio da Abolição. Esta última, divulgada há pouco, é do Instituto Quaest\Genial. O Ceará enfrenta alguns problemas, mas a questão da segurança pública é aquela que leva a população a refletir sobre a necessidade de eleger alguém com a disposição de resgatar a autoridade de Estado. Salvo melhor juízo, a área onde ocorreu o caso desse enterro proibido já é uma daquelas zonas abandonadas, ou seja, território já sob o controle de facções, mesma situação de Uiraponga, distrito que ficou conhecido nacionalmente como Cidade Fantasma.
Ciro enfrenta a máquina petista no plano estadual e federal. O Ceará é a terra do ex-Ministro Camilo Santana, por duas vezes governador do estado, um dos coordenadores da campanha de reeleição de Lula. Vão jogar a carga toda na reeleição do governador Elmano de Freitas. Camilo Santana não quer se permitir uma derrota em seu berço político, principalmente quando se sabe que, hoje, trata-se de um ator que reúne amplas condições de se tornar uma reserva do partido para 2030. O Instituto Quaest ouviu 1002 eleitores através de entrevistas, entre os dias 24 e 26 de julho, com margem de erro de 3 pp para mais ou para menos, índice de confiança de 9%. TSE-CE: 09277\2026.
Primeiro Turno:
Ciro Gomes (PSDB-CE) 43%
Elmano de Freitas (PT-CE) 33%
Eduardo Girão (Novo-CE) 3%
Editorial: "Se o povo me querer, eu estou preparado"
O senador Cleitinho deve ocupar a cadeira do Palácio Tiradentes a partir de janeiro de 2027. A frase acima foi dita pelo senador mineiro durante o lançamento de sua candidatura, realizada na rua, espontaneamente, acompanhada por uma multidão de correligionários, independentemente das matizes ideológicas. De alguma forma, o seu estilo de fazer política lembra alguns personagens do passado, sobretudo por sua capacidade de comunicação com as massas, que já haviam decidido que ele seria o nome a ser conduzido ao Palácio Tiradentes. Ele vem fazendo tudo certo. Não precisa mudar um milímetro. Criou um vínculo emocional inquebrantável com o eleitorado. Existem algumas arestas partidárias a serem aparadas, mas isso se resolve. Seu "atraso" em cumprir alguns acertos burocráticos na máquina dos Republicanos atribui-se ao luto da morte de seu irmão mais recentemente.
Tudo levar a crer que ele resistiu em anunciar antes que seria candidato por uma estratégia política. "Quem decide é povo. "A voz do povo é a voz de Deus". "Tem muito buraco nas ruas. O que você vai fazer? Tapar os buracos". Cleitinho lidera as intenções de voto para o Governo do Estado muito antes de confirmar sua candidatura. Agora é fazer os tradicionais ajustes na composição, uma vez que ele já tem a comunicação da campanha pronta. O PT lançou o nome de Patrus Ananias, que se coloca naquele pelotão intermediário, pontuando em torno de 10% das intenções de voto. Se considerarmos uma eventual identificação do eleitor de Alexandre Kalil(PDT-MG) com o PT, Lula pode amealhar nas alterosas algo em torno de 20% das intenções de voto.
O PT sabe que precisa de votos no estado para continuar ocupando a cadeira do Palácio do Planalto. Uma eleição presidencial passa, necessariamente, pelas alterosas. O PT estabelece ali a mesma estratégia adotada em São Paulo, ou seja, o objetivo é não ficar de fora da divisão de votos nesses estados, que são os maiores colégios eleitorais do país. Surpreende nesses primeiros levantamentos os índices obtidos por Mateus Simões(PSD-MG), que conta com o apoio do ex-governador Romeu Zema.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Editorial: Um ponto separa ACM neto de Jerônimo Rodrigues na Bahia
Um trajeto de Uber entre o Aeroporto de Salvador até o bairro da Barra não seria suficiente para fazermos uma análise mais profunda sobre a situação política daquele estado. Sobretudo nesses tempos bicudos, onde as pessoas estão saindo da cidade e os turistas, por sua vez, estão se dirigindo a outros destinos, afugentados pelos altos índices de violência ali registrados. Mas é possível entender, em parte, porque, a despeito de todos esses problemas, a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues, do PT, continua resistindo e competitiva, conforme aponta a última pesquisa do Instituto Quaest divulgada recentemente. Considerando-se a margem de erro do instituto, dá para se fazer algumas configurações acerca dos índices apresentados, mas, pelo menos numericamente, os dois principais pré-candidatos ao Palácio de Ondina, ACM Neto(União Brasil) e Jerônimo Rodrigues(PT-BA), estão rigorosamente empatados: 39 a 38.
O quarto colégio eleitoral do país tem um voto bastante identitário, ou seja, o petista, mesmo sentido na pele os efeitos dos altos índices de violência não deixa de votar no PT. Durante o trajeto que fizemos do aeroporto de Salvador até a Barra, o motorista veio o caminho todo tecendo loas à gestão petista. João Santana, que coordena a campanha de ACM Neto terá muito trabalho pela frente. Surpreende que o governante de um dos estados mais violentos do país esteja alcançando esses índices de intenção de voto. Pela manhã comentamos acerca dos "constrangimentos" na escolha do voto do eleitor brasileiro. Em entrevista recente à revista Veja o economista Armínio Fraga afirmou que o quadro de nossa economia é desastroso.
Quando se lança um olhar sobre os competidores a nível da Presidência da República, você observa um candidato que não se propõe a mudar isso e um outro que não tem proposta ou não saberia como fazê-lo. Nos estados, principalmente na região Nordeste, um avanço vertiginoso da governança criminal - provocando, como consequência natural o aumento dos índices de violência - e candidato que não se mostraram capazes de lidar com este problema gravíssimo. Vale aqui repetir a pergunta que fizemos dias antes: será que suportamos mais quatro anos? A pesquisa da Quaest foi realizada entre os dias 23 e 27 de julho, ouviu 1,2 eleitores em 61 municípios. Os dados acima se referem ao primeiro turno, embora ambos os candidatos também estejam em empate técnico num eventual segundo turno. TSE\BA: 02331\2926.
Editorial: Como os nossos governantes estão sendo "escolhidos".
Na realidade, este assunto demandaria um grande debate, impossível de se esgotar num espaço como este, mas estamos muito preocupados com uma questão crucial para a nossa experiência democrática: os "constrangimentos" políticos impostos na escolha dos nossos governantes. No Brasil de hoje, a escolha dos desses governantes tem seguido uma lógica das mais frágeis. O eleitor de Flávio Bolsonaro vota em Flávio Bolsonaro não em razão de algum programa ou proposta do candidato - que, na realidade ele não tem - mas por ser antilulista. Poderia votar num nome da terceira via - como demonstrou um levantamento apontando que um percentual expressivo dos seus eleitores estariam dispostos a mudar de voto - mas acabam sucumbindo à uma situação onde Flávio é o único que reúne as condições de derrotar o petista.
Política tem uma questão relacionada às expectativas reais de poder, algo que nenhum dos postulantes da terceira via consegue passar para os eleitores mais independentes neste momento. Somados, os escores de Caiado, Zema e Renan não se atingem os índices de intenção de voto de Flávio Bolsonaro. O sociólogo jamaicano, Stuart Hall, alertava-nos para o perigo de uma polarização, ao concluir que esse processo não termina bem. Só termina quando um dos polos consegue esmagar o outro. Os Estados Unidos, por exemplo, tem sinalizado que pode tomar medidas contra autoridades brasileiras, depois de dois assessores terem seus vistos negados no Brasil. A ideia inicial, em princípio, era obter informações sobre o nosso processo eleitoral. O tarifaço, de alguma forma, já se insere neste contexto de retaliações segundo algumas análises.
Salvo melhor juízo, recentemente o presidente Donald Trump andou fazendo algumas declarações criticando como o Governo Lula está tratando o ex-presidente Jair Bolsonaro. É preocupante observar como este apoio a um nome entre aqueles que concorrem à Presidência da República nas próximas eleições está se tornando demasiadamente evidente. Simpatia dá para ser tolerada, mas já passa disso. Os Estados Unidos desejam mesmo é governos alinhados no continente.
