pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
Powered By Blogger

segunda-feira, 30 de março de 2026

Editorial: Paraná Pesquisas já aponta Flávio Bolsonaro liderando a corrida presidencial.

 


Alguns segmentos da imprensa, o que seria até natural, estão destacando uma vantagem numérica do candidato Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial de 2026. Na realidade, estamos tratando aqui de um empate técnico, mas a torcida é grande. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas. Flávio aparece com 45,2%, enquanto Lula crava 44,1%. No primeiro turno, também se configura uma empate técnico entre ambos, ou seja, o candidato Lula aparece com 41,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro crava 37,8%. Empate técnico em ambos os turnos, mas o efeito de Flávio Bolsonaro já aparecer à frente de Lula numericamente está dando um grande alento ao bolsonaristas e trazendo enormes preocupações ao Palácio do Planalto. Possivelmente, as pesquisas internas já apontavam para este desfecho. 

Há rumores, inclusive, dando conta de que interlocutores mais próximos a Lula já estariam conversando com o petista acerca de uma reavaliação de tal candidatura. Os números não devem está animando o petista, mas não é só isso. Existe um percentual de rejeição ao seu Governo que insiste em não baixar. Ao contrário, as últimas pesquisas apontam para uma abertura ainda maior da boca do jacaré, ou seja o aumento da desaprovação e a consequente diminuição dos índices de aprovação do seu terceiro governo. Ele tem declarado que, enquanto for vivo, não permitirá a volta dos fascistas, mas isso pode se constituir apenas em bravata de palanque. Raposas políticas experientes, a exemplo de Michel Temer e José Sarney já o alertaram sobre as dificuldades desta campanha, antes mesmo dos ingredientes novos, como uma eventual simpatia do governo americano pelo candidato Flávio Bolsonaro.  

Talvez o mais prudente fosse mesmo pendurar as chuteiras e entregar esta missão a outro postulante, afastando-se da vida pública no momento certo, depois de governar o país por três mandatos. Mas quem seria este nome? Como o nome do ex-Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aparece muito bem, talvez seja ele o indicado caso Lula desista de ser candidato. Neste momento, Haddad se apresenta como uma espécie de bombril, ou seja, com mil e uma utilidade. Seu nome já foi especulado para a concorrer ao  Senado Federal por São Paulo, para o Governo do Estado de São Paulo e, agora, para substituir Lula na corrida presidencial deste ano. Não há outro nome no horizonte. A pesquisa do Paraná Pesquisas está registrada no TSE sob o número: BR- 00873/2026.  

Editorial: Performance de Haddad em São Paulo anima o PT


Houve um tempo em que, preocupado com o futuro do Partido dos Trabalhadores, principalmente depois da debacle de algumas lideranças que haviam se projetado nacionalmente e caído em desgraça, Lula escalou vários nomes para disputarem espaço no chamando cinturão paulista, ou seja, um conjunto de cidades do estado de São Paulo que seriam determinantes numa eleição presidencial, pois possuem colégios eleitorais com mais de um milhão de eleitores. Não foi bem-sucedido nesta empreitada. Salvo melhor juízo, Fernando Haddad ainda foi dessa lavra. Nas últimas eleições municipais, o PT apoio o nome do psolista, Guilherme Boulos, e escalou a ex-prefeita Marta Suplicy para acompanhá-lo, na condição de vice. O objetivo, neste caso, seria facilitar a penetração do psolista na chamada periferia paulista onde, no passado, tal eleitorado havia demonstrado simpatias pela ex-prefeita. Como se sabe, também não deu certo. 

A geografia do voto mostrou, curiosamente, que o candidato Guilherme Boulos não se saiu muito bem na periferia. Foi a classe média, bem educada, com formação intelectual, morando em bairros chiques que votou no psolista. Agora surgiu uma pesquisa que está deixando os petistas exultantes em relação à candidatura do ex-Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Palácio dos Bandeirantes. Esta pesquisa, encomendada pelo Estadão e realizada pelo Instituto AtlasIntel, apresenta o governador Tarcísio de Freitas, que concorre à reeleição, com 49,1% das intenções de voto, enquanto o petista surge no horizonte com surpreendentes 42,6% das intenções de voto. É muito cedo para se tirar quaisquer conclusões deste resultado. Sequer se sabe de onde estão vindo esses votos para o petista. 

Por outro lado, até no PT são dadas como favas contadas a reeleição de Tarcísio de Freitas. Haddad entrou na disputa apenas para assegurar um percentual de votos que possa assegurar um equilíbrio de forças a nível da disputa presidencial. Cumpre o mesmo papel de Rodrigo Pacheco, em Minas Gerais. Igualmente surpreendentemente, Rodrigo Pacheco, por enquanto, também não vem dando vexame nas primeiras pesquisas de intenção de voto, onde aparece em segunda colocação, logo abaixo do senador Cleitinho, que sequer se sabe se será mesmo candidato. Neste momento, Haddad cumpre o seu papel fundamental de ajudar a reeleger o morubixaba petista que, segundo dizem, anda desanimado com a boa performance do adversário Flávio Bolsonaro, que, hoje, 30, segundo levantamento do Paraná Pesquisas,  equilibra a disputa no primeiro e no segundo turno. 

domingo, 29 de março de 2026

Editorial: A "venezualização" do Brasil



Houve um tempo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantinha cordiais relações diplomáticas com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que hoje se encontra preso nos Estados Unidos. Lula chegou a receber o presidente Maduro no Brasil, algo que não foi bem assimilado pelos bolsonaristas. Por essa época, a oposição acusava Lula de uma tentativa de "venezualização" do Brasil. A narrativa bolsonarista partia da hipótese de o presidente Lula repetir o modelo daquele país, tornando-se um ditador. O tempo passou e, hoje, as contingências históricas e geopolíticas empurram o Brasil para uma situação complicada. Em discurso num evento de direita realizado nos Estados Unidos, o candidato Flávio Bolsonaro sugere um monitoramento das próximas eleições presidenciais no Brasil. 

Antes disso, um emissário do presidente Donald Trump veio ao Brasil para, segundo dizem, observar as condições da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. As relações entre o Brasil e os Estados Unidos não são das melhores. O Governo daquele país andou sugerindo que o Brasil enquadre facções do crime organizado como organizações narcoterroristas, algo que não foi aceito pelo Governo brasileiro. Existe também a suspeita de instalações chinesas com propósitos militares instaladas no Rio Grande do Norte, o que suscitou protestos dos americanos. Na realidade, há uma grande gama de investimentos chineses em todo o Nordeste. São investimentos em portos,  infraestrutura, tecnologia, comunicações. Ativos que, segundo o Governo Trump, poderiam ser utilizados para fins não apenas civis, mas militares. 

Assim como existia um grande interesses nos poços de petróleo da Venezuela, também existe um grande interesse americano nas nossas terras raras. Um dos grandes interesses dos americanos, pelo que se observa do ataque à Venezuela e ao Irã, é "sufocar" a China, atingindo países com os quais os chineses mantenham relações comerciais e eventuais parcerias militares. O Brasil se enquadra neste perfil, mesmo em se sabendo que as nossas relações com os chineses estão circunscritas aos interesses comerciais. Há alguns anos atrás já ficamos impressionados com o volume de comércio entre o Nordeste do Brasil é aquele país. Ou seja, mesmo que por vias tortuosas, o Brasil já passa por um processo forçado de "venezuelização". Isso é muito delicado. Talvez nunca estivemos tão expostos como hoje, principalmente num momento de diplomacia da supremacia militar.   

sábado, 28 de março de 2026

Charge! Kleber via Correio Braziliense

 


Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Executiva do PT decide seu rumo nas eleições de outubro.



Segundo o sociólogo alemão Robert Michels, autor da tese da Lei de Ferro das Oligarquias, o processo de oligarquização envolvendo sindicatos e partidos político é algo "natural" e inevitável. Ao longo dos seus 46 anos de existência, o PT, obviamente, passaria por tal processo, talvez até mesmo como contingência em priorizar a luta eleitoral, distanciando-se do trabalho de base, o que explica, em parte, o "hiato" com os evangélicos. Resumidamente, uma "casta" burocrática, segundo Michels, acaba impondo as diretrizes da agremiação política, não raro atropelando tendências internas. Por outro lado, o cientista político italiano, Ângelo Panebianco, costumava argumentar que a forma como as cartas foram jogadas na fundação de uma instituição acabarão se refletindo para toda a sua existência. 

É neste contexto que se entende os encontros do partido para a definição de táticas eleitorais, políticas de alianças e outras tomadas de resoluções coletivas. Neste momento, os membros da agremiação se encontram no Centro de Convenções de Pernambuco para deliberarem sobre as próximas eleições. Em princípio, já haveria um indicativo de que o PT deve caminhar ao lado do prefeito João Campos, que deve disputar a cadeira do Palácio do Campo das Princesas.  Para entender como essas pedras se movem no tabuleiro do xadrez eleitoral, é sempre bom ficar de olho no movimento do adversário. Assim que foi anunciado que o deputado federal Eduardo da Fonte assumiria o comando da poderosa federação União Progressista no estado, ele tratou logo de sinalizar que apoiará o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra, minimizando as eventuais divergências. 

Com isso, estava descartada a formação de uma chapa com ele e Humberto Costa para o Senado Federal. João Campos deve mesmo partir para o embate com uma chapa "puro-sangue", ou seja, com dois senadores identificados com o campo popular e progressista, de palanque único com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, 27, quando havia algum intervalo na CPMI do INSS, líamos alguns análises sobre a estratégia que será utilizada pelo senador Humberto Costa no estado, que envolve, inclusive, bom trânsito com prefeitos ligados ao grupo da governadora Raquel Lyra. Como se trata ainda de especulações, não vamos discutir isso por aqui, mas fica no ar, além da estratégia em curso, como o Palácio do Campo das Princesas irá gerenciar essa questão. 

O prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, por exemplo, se antecipou a declarar o seu apoio ao candidato Humberto Costa, além de outros prefeitos da base da governadora, inclusive da região do Agreste, seu reduto eleitoral. Como fica o apoio esperado aos candidatos ao Senado Federal na chapa montada pela governadora Raquel Lyra? Tudo indica que a chapa da governadora deve ser montada com os nomes do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e do deputado federal Eduardo da Fonte, em função do "peso" da federação. Vamos acompanhar como fica a situação do senador Fernando Dueire, do MDB, e a do deputado federal Mendonça Filho, também da federação. Correndo por fora, ainda o nome de Anderson Ferreira, do PL, bem ranqueado nas pesquisas de intenção de voto.  

Editorial: Golpe baixo na CPMI do INSS


Ontem, 27, por ocasião do encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, tivemos um espetáculo deprimente no Congresso Nacional. Durante os trabalhos de leitura do relatório, o deputado federal Alfredo Gaspar foi violentamente atacado em sua honra, reproduzindo-se aqui um modus operandi recorrentes de bandidos, ou seja, tentar desacreditar ou descredenciar seus opositores através desses expedientes espúrios. Até o final dos trabalhos, toda a farsa da acusação havia sido desmascarada, com depoimento da suposta vítima. Alfredo Gaspar paga o ônus pesado de não se corromper e denunciar esquemas de desvios de condutas de agentes públicos e privados. Um ônus que se torna ainda mais pesado num país com as nossas características, onde a corrupção é endêmica. 

Queremos aqui elogiar senhor Alfredo Gaspar, que cumpriu com honradez o seu trabalho, indicando os procedimentos que deveriam ser adotados contra todos os envolvidos nos desmandos do maior escândalo de desvios de recursos públicos de um sistema previdenciário no mundo. O Brasil sempre bate esses recordes. Estima-se que a Lava Jato tenha superada a Operação Mãos Limpas, na Itália, contra a máfia. Coroando um rito de impunidades, no final dos trabalhos, o relatório foi rejeitado, um fim melancólico para uma das comissões mais produtivas e eficazes no combate à corrupção no país, principalmente quando se leva em consideração o perfil dos  atingidos,  pessoas carentes, indefesas, submetidas a todo tipo de achaques no final de suas vidas. Relatório robusto, mais de 4 mil páginas, elaborado com rigor técnico, à altura de um cidadão na condição de promotor público, com um lastro respeitável no enfrentamento à corrupção no seu estado, Alagoas.  

A CPMI do INSS, à medida em que avançava nas investigações, apontando gatunos de alto coturno, passou a sofrer uma série de assédios institucionais que culminaram no seu esvaziamento. As investigações envolvendo os empréstimos consignados fraudulentos perpetrados por instituições bancárias foi o limite, sobretudo por atingir algo que respinga sobre uma das vértices mais importantes do sistema apodrecido. Até recentemente a Polícia Federal fez operação contra um outro banco que opera quase nos mesmos moldes do Master, inclusive com a cooptação de agentes públicos. Agora é torcer que a Polícia Federal reúna as condições institucionais suficientes para dá prosseguimento ao seu trabalho sobre as fraudes ocorridas no INSS.  

sexta-feira, 27 de março de 2026

Editorial: Cleitinho lidera em todos os cenários para o Governo de Minas Gerais.



O senador Cleitinho, do Republicanos, lidera em todos os cenários para ocupar a cadeira do Palácio Tiradentes, sede do Governo de Minas Gerais. Conhece-se outros nomes assumidamente pré-candidatos ao Governo de Minas Gerais. No caso de Cleitinho, apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, sequer se sabe se ele já se decidiu sobre a candidatura. São várias pesquisas, realizadas por diversos institutos, indicando esta tendência entre o eleitorado das Alterosas. Cleitinho tem uma boa presença pública, seja a partir de sua atuação no Senado Federal, seja em suas aparições pelas redes sociais. Em relação à eleição para o Senado Federal, outra "surpresa". O deputado federal Aécio Neves aparece muito bem nas pesquisas de intenção de voto. Só perde para o senador Carlos Viana, do Podemos, que dirige os trabalhos da CPMI do INSS. 

Aécio Neves, que quase chegou a Presidente da República, a partir de então, passou a enfrentar um inverno político. A situação ficou tão desfavorável que ele não se arriscou aos voos mais condizentes com a condição de neto de Tancredo Neves. Optou por uma candidatura a deputado federal, algo mais seguro. Assim como ocorre com Cleitinho, ainda não se sabe se, de fato, ele será candidato ao Senado Federal. Se for, corre o risco de ser eleito. Aécio esteve no Ceará recentemente, ao lado do senador Tasso Jereissati e do candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes. Encontro regado ao famoso refrigerante de caju, o São Geraldo. Se diz, na realidade, que o encontro girou em torno de uma eventual candidatura presidencial de Ciro Gomes, o que seria algo imprudente, conforme já enfatizamos por aqui em outro momento. 

Cleitinho tem uma origem humilde. Orgulha-se de afirmar que veio da base, de verdureiro ao Senado Federal. Seu estilo de fazer política é polêmica, mas bem ao gosto popular, o que explica-se pela sua liderança nas primeiras pesquisas de intenção de voto ao Governo de Minas Gerais. Como não se pode deixar passar esses cavalos selados, não seria surpresa se ele aceitar a missão. O Planalto enfrenta dificuldades naquela região, mas o nome de Rodrigo Pacheco, eventual candidato, não está fazendo feio. Aparece na segunda posição.  

Editorial: O sepultamento da CPMI do INSS

 



A decisão de não permitir a continuidade dos trabalhos da CPMI do INSS foi uma decisão eminentemente política. Quem teve a oportunidade de acompanhar o voto dos ministros da Suprema Corte, principalmente o voto do Ministro Luiz Fux, principalmente quando ele faz referência às excepcionalidades de outras comissões analisadas pela Corte - caso da Covid e das fake news, por exemplo - vai entender este raciocínio. Realmente, o procedimento republicano recomendava que esta decisão de prorrogação fosse tomada no Poder Legislativo. Isso dentro de padrões normalidade, onde os parlamentares fizeram um esforço hercúleo com esta finalidade, em lograrem êxito, em função da resistência esboçada pela Presidência do Senado Federal, na pessoa do senador Davi Alcolumbre. Recorrer ao STF foi a última alternativa.  

Neste momento, o relator daquela comissão, Alfredo Gaspar, está lendo um relatório de cinco mil páginas, produzido com muito esmero técnico, guiado pelo interesse público e espírito republicano. Uma pena que uma comissão como esta esteja sendo sepultada, quando se sabe que muitos agentes públicos e privados ainda poderiam ser arrolados, em função de desvios de conduta. Uma questão de justiça aos aposentados e pensionistas, além do ressarcimento do erário. A comissão, nesta fase, estava entrando nas investigações sobre os famigerados empréstimos consignados. Entrava-se no pantanoso sistema bancário, o que poderia abalar os alicerces do sistema. 

Há alguns meses atrás, logo depois das primeiras operações da Polícia Federal, no curso da Operação Sem Desconto, uma revista de circulação nacional chegou a insinuar que membros da própria corporação teriam alertado se o sistema suportaria as investigações sobre os sistema bancário. A comissão já havia percebido articulações suspeitas envolvendo o banco Master, no epicentro dos desmandos atuais na república. Era apenas a ponta do iceberg. O Master, pelo andar da carruagem política, foi apenas o primeiro da fila. Já existem outros bancos na mesma situação, utilizando-se dos mesmos expedientes espúrios. O Banco Central está com as mãos na cabeça em razão dos "rombos" de outras instituições bancárias. 

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


quinta-feira, 26 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Eduardo da Fonte assume União Progressista e reabre diálogo com Raquel Lyra.

Crédito da Foto: Divulgação


Finalmente, hoje, 26, o TSE homologou a federação entre o União Brasil e o PP, constituindo a federação União Progressista. Agora começam os ajustes acerca do comando desta poderosa federação nas unidades regionais, admitido, como consenso(?), que o partido que tiver o maior número de parlamentares nos estados, assume o comando da federação. Aqui em Pernambuco, o PP possui a maior bancada e, portanto, o deputado federal Eduardo da Fonte é o novo presidente da União Progressista. Este é um dos momentos decisivos para a "decantação" da ebulição da política no estado, uma vez que as chapas estão em processo de formação. 

O senador Humberto Costa, por exemplo, ainda não confirmou se será mesmo um dos candidatos ao Senado Federal na chapa do prefeito João Campos. Embora já dentro do Governo Raquel Lyra e colocado na chapa como um dos candidatos ao Senado Federal, com a homologação da federação, a situação de Miguel Coelho é incerta na chapa do Campo das Princesas. Marília Arraes não será uma das senadoras do PT. Hoje os jornais já especulam sobre o nome de Túlio Gadelha na chapa de Raquel Lyra. E assim caminha a nossa cena política, num diapasão de incertezas e insegurança. Durante essas discussões, teria avançado bastante uma negociação entre o deputado Eduardo da Fonte e o senador Humberto da Costa. A ideia inicial era compor uma chapa para o Senado com um nome mais ligado ao campo progressista, Humberto, e outro de perfil mais conservador, Eduardo da Fonte. Se na chapa de João ou de Raquel era talvez um pequeno "detalhe", uma vez que o Planalto, em princípio, poderia ter um palanque duplo no estado. 

Inclusive uma corrente do PT é simpática ao Palácio do Campo das Princesas. Mas, pelos seus pronunciamentos no dia de hoje, depois de confirmado como o comandante da federação no estado, sugere-se que Eduardo da Fonte está reabrindo o diálogo com o União Brasil e com a governadora Raquel Lyra. Num determinado momento desta ebulição política, um jornal local atribuiu ao prefeito João Campos a conclusão de que, se ele tivesse a federação ao seu lado, ganhava as eleições de outubro próximo. Não seria improvável. Trata-se de um apoio robusto. Não fosse suficiente a grande representação estadual e federal da federação no estado - além de penca de prefeitos aliados a Eduardo da Fonte - teremos tempo de televisão e recursos financeiros em jogo. 

Depois das indisposições, Raquel Lyra já teria caminhado ao lado do "Galeguinho" e do senador Fernando Dueire pelo estado, além de publicar no diário oficial a destituição dos cargos que o PP ocupava na máquina estadual. A tendência dele hoje, a despeito dos problemas, é a de reatar o diálogo com a governadora. Ninguém se perde no caminho de volta, como diria o poeta. Como o União Brasil já se encontra dentro do Palácio do Campo das Princesas, a tendência maior é a volta do filho pródigo, que deverá ser recebido com todas as honras no Campo das Princesas. Hábil, Eduardo da Fonte sabe disso. Muito antes ele já havia confirmado que a sua base sinalizava o apoio à reeleição de Raquel Lyra. 

Editorial: O destino da CPMI do INSS



Será decidido, pelo pleno do STF, logo mais, às 14h:00, o destino da CPMI do INSS. Ficamos muito felizes com a decisão do Ministro André Mendonça, que acatou o mandado de segurança, impetrado por membros da CPMI, pedindo a sua prorrogação. O jurídico do Senado Federal reagiu contra a liminar, suscitando uma decisão a ser tomada pelo pleno do STF. Não se sabe qual será a decisão do pleno do STF, sobretudo neste climão entre os Três Poderes da República. O Executivo não tem interesse na prorrogação dos trabalhos, sobretudo em função das próximas eleições presidenciais. Setores do STF também não são sensíveis às prerrogativas de investigações das CPI"s. Isso talvez possa ser traduzido nas facilidades de concessão de habeas corpus aos convidados ou intimados por aquelas comissões, que, em si, já tem contribuído bastante para o "esvaziamento" dos trabalhos. 

Como a corda já está muito esticada, talvez o pleno forme maioria para derrubar a liminar do Ministro André Mendonça. Há, nas coxias, rumores de que o Senado Federal, através de sua mesa diretora, como retaliação, poderia se tornar mais "sensível" aos pleitos de impeachment de ministros do STF. Se a liminar não for rejeitado, temos muito o comemorar, uma vez que esta CPMI tem realizado um excelente trabalho em defesa do interesse público. Se a liminar for rejeitada, os gatunos do erário que ainda não foram identificados ou arrolados, terão muito o que comemorar. Nesta fase dos trabalhos, a CPMI está enveredando sobre os famigerados empréstimos consignados,  um roubo de dentro para fora das instituições bancários, que lesou milhares de aposentados e pensionistas. Há suspeitas de empréstimos não autorizados, além de vendas casadas de produtos bancários. 

A CPMI se reúne neste momento, numa sessão burocrática, marcada por divergências entre governistas e oposicionistas. Hoje, 26, não teremos audiências. Os parlamentares se dedicam à aprovação de requerimentos. A CPMI encerra seus trabalhos no próximo sábado, dia 28, caso não seja prorrogada. Poderíamos ter uma reunião extra amanhã, sexta-feira, já para a leitura do relatório elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar(PL-AL), que lidera a corrida pelo Senado Federal naquele estado. Acabamos de saber que o TSE, finalmente, homologou a formação da federação União Progressista, uma decisão que pode mudar a conjuntura política aqui no estado de Pernambuco, fato que iremos comentar mais tarde. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Editorial: Moro é o principal motivo da desistência de Ratinho Jr.



Se já não ocorreu, Gilberto Kassab deverá encontrar-se com Ronaldo Caiado nas próximas horas para discutir sua candidatura às eleições presidenciais de 2026. Depois da desistência de Ratinho, Caiado se apresenta como o postulantes com maiores chances dentro do PSD. Eduardo Leite não consegue convencer nem ele mesmo sobre a sua pré-candidatura. Diferentemente de Eduardo Leite, Ronaldo Caiado vem se movimentando como pré-candidato, inaugurando presídios com a sua "marca"; participando de eventos; ocupando espaços nas redes sociais; a até conversando com emissários americanos sobre as terras raras de Goiás. Embora não se saiba ainda se esta terceira via que o PSD tentar construir é mesmo para valer. Trata-se, na realidade, de uma jogada de Kassab. E, como jogada, pode ser que não dê certo e ele, assim, seja contingenciado a se reposicionar no tabuleiro. Ele é movido pelas oportunidades de poder. 

Em quaisquer circunstâncias, pragmaticamente, estará com quem chegar à rampa do Palácio do Planalto. Na realidade, quais as verdadeiras razões da desistência da pré-candidatura de Ratinho Jr? O motivo é a candidatura de Moro. As explicações, naturalmente, não poderiam seguir esta linha, apresentando-se, como argumentos, os compromissos com o eleitor paranaense; as entregas que precisam ser feitas até o final do mandato; um consenso ou acordo construído em família. Na realidade, no plano nacional, Ratinho Júnior estava muito bem, ocupando a terceira colocação na disputa em várias pesquisas. A questão real são os abacaxis que ele poderia deixar no Palácio Iguaçu para o seu sucessor. O candidato apoiado pelo grupo de Ratinho Júnior, não vaia muito bem nas pesquisas de intenção de voto. O senador Sérgio Moro lidera desde o início as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado do Paraná. 

Este fato provocou uma revoada de integrantes do União Brasil que se identificam com o grupo do governador Ratinho Júnior no estado. Embora tivesse o apoio do eleitorado, o nome de Moro provocava resistências dentro de sua própria agremiação política. Moro não desanimou e reafirmou seu propósito de candidatar-se. Até recentemente, costurou um acordo com o PL e com o Podemos e montará o palanque de Flávio Bolsonaro no estado. Neste cenário, mantendo a candidatura presidencial, Ratinho Jr. pouco poderia fazer pelo seu sucessor no Palácio Iguaçu. Por outro lado, o que se diz nas coxias é que o ex-juiz da Lava Jato ainda não teria perdido o hábito das devassas, o que incomoda alguns setores. Votando a Caiado, um leitor nos questionou se ele teria alguma chance de crescimento. Tem sim. Ela já percebeu a armadilha de um tema só e corre numa raia que mais preocupa o eleitorado brasileiro hoje, ou seja, a segurança pública. 

terça-feira, 24 de março de 2026

Editorial: Ciro lidera no Ceará. Camilo entra no jogo



Geralmente, alguns meses antes das eleições presidenciais, volta a circular a teoria da terceira via, ou seja, um espaço alternativo à polarização renitente da política brasileira, representada pelo bolsonarismo, de um lado,  e pelo petismo, do outro. Hoje, uma alternativa è reeleição de Lula ou eleição de Flávio Bolsonaro. Há vários argumentos que embasam esta teoria, mas todos convergem para uma saturação do eleitorado em relação a essas duas alternativas. Esta onda geralmente acaba na medida em que se aproxima o dia 04 de outubro. A tendência, no geral, é que isso também se repita este ano. Não faz muito tempo, o deputado federal Aécio Neves, juntamente com o sanador Tasso Jereissati, estiveram em Fortaleza para um encontro reservado com Ciro Gomes, que deve disputar o Governo do Estado nas próximas eleições, ancorado num conjunto de forças que fazem oposição ao Governo de Elmano de Freitas. 

Segundo vazou para a imprensa - é sempre prudente tomar cuidados com tais vazamentos e com os powerpoints - Ciro teria sido sondado para uma eventual disputa ao Palácio do Planalto. Aconselharíamos ao Ciro não cair neste canto da sereia. Ele vai muito bem no Ceará, onde lidera a corrida pelo Palácio da Abolição, segundo  a última pesquisa do Instituto Datafolha, onde pontua com 47 das intenções de voto contra 32 de Elmano de Freitas. Dizem que a projeto  insere-se numa espécie de arma de vingança de Aécio Neves contra o PT. Está parecendo aquela música do cantor brega Carlos Alexandre. Se for caso, deixa essa vingança do Aécio para o divã. A nível nacional, Ciro já fez o impossível para viabilizar-se como esta terceira alternativa a um projeto já desgastado do PT, assim como a ausência programática do bolsonarismo. Flávio faz uma contraposição ao PT sem apresentar propostas para o país. Nós não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos. 

Hoje, 24, o presidente Lula anunciou que o Ministro da Educação, Camilo Santana está deixando o cargo para participar da campanha eleitoral. Em tese, Camilo ajudaria em todo o Brasil, mas sabe-se que o seu objetivo maior é engajar-se na campanha de Elmano de Freitas, no Ceará. Ciro Gomes tem reafirmado que deverá enfrentar, na realidade, o ex-Ministro da Educação do Governo Lula e não Elamano de Freitas. Se Ciro estiver correto, parece não haver chegado ainda o momento do anúncio. Segundo dizem, o PT pode atropelar o projeto de reeleição de Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia, estados onde o partido enfrentar grandes dificuldades. São colégios eleitorais importantes - a Bahia, por exemplo, é o quarto colégio eleitoral do pais - e, pelo andar da carruagem política, o PT corre o risco de não repetir o desempenho de eleições anteriores. 

O PT precisa fechar uma equação onde se recupere os votos obtidos no Nordeste em eleições anteriores, assim como equilibre a disputa no Triângulo das Bermudas, ou seja, nos estados da Região Sudeste, Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Inclusive precisa ter um desempenho maior nesses estados do Sudeste, uma vez que começa a perder capilaridade em seu reduto tradicional, o Nordeste, que já foi bem mais sensível aos apelos da legenda. O desempenho do PT nesses estados era tão bom que se dizia que o eleitorado estava disposto a votar no partido a despeito dos problemas. Fala-se aqui, principalmente na Bahia, num voto identitário. O cidadão se identifica com o PT e pronto. É como as torcidas organizadas. 

Editorial: CPMI do INSS será prorrogada

 



A esta altura do campeonato político, o caldeirão está em ponto de fervura. Ciro Gomes lidera no Ceará, de acordo com o Instituto Datafolha, fragilizando as pretensões de Elmano de Freitas em continuar no Palácio da Abolição; o ex-presidente Jair Bolsonaro, em razão dos sérios problemas de saúde, pode progredir para o regime de prisão domiciliar, conforme recomenda a própria PGR; Ratinho Jr, que despontava com o nome do PSD para disputar a Presidência da República, decide que vai continuar no Palácio do Iguaçu, abrindo uma avenida de possibilidades de crescimento do nome do governador Ronaldo Caiado, ancorado no agronegócio e nas políticas de enfrentamento às facções; renúncia do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, um pouco antes de uma cassação quase certa. Mas, a notícia mais importante da semana, pelo o que ela representa de lampejo republicano e espírito público, é mesmo a decisão do Ministro André Mendonça em acatar o mandado de segurança impetrado pelos membros daquela comissão, determinado que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, prorrogue os trabalhos da CPMI do INSS por mais 120 dias. 

A decisão foi bastante comemorada pela oposição, mas representa, na realidade um anseio de milhares cidadãs e cidadãos brasileiros que foram lesados por gatunos do erário, retirando bilhões indevidos de suas aposentadorias. A CPMI nesta fase, inclusive, está entrando no famigerado empréstimo consignado, onde já se sabe que muitos velhinhos foram roubados de dentro para fora, parafraseando o nosso saudoso Millôr Fernandes. O senador Carlos Viana afirmou que deverá conversar os integrantes da CPMI para uma definição de mais dois meses em relação aos trabalhos. A decisão de André Mendonça é, de alguma forma, o reconhecimento do trabalho sério que vem sendo conduzido por aquela comissão, agindo em conjunto com a Polícia Federal e com o próprio STF, através do Ministro André Mendonça. 

Viana fala em dois meses, mas isso é trabalho para uns dez anos, conforme enfatiza Alfredo Gaspar. Há de se considerar, inclusive, as propostas de delação premiada que estão sendo analisadas neste momento. Os graúdos estão querendo delatar. Outra determinação importante do Ministro André Mendonça diz respeito aos leilões dos carrões apreendidos durante as operações da Polícia Federal. Isso é um rolo danado, uma vez que essas quadrilhas agiam em "família", representando uma dor de cabeça para os filhos e esposas dos implicados. Preocupa sensivelmente ao senhor Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como "o careca do INSS" a prisão do seu filho. Este seria o motivo que estaria estimulando-o a entrar num programa de delação premiada. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o silêncio de Eduardo da Fonte

 



Costumamos afirmar por aqui que o deputado federal Eduardo da Fonte foi o único que resistiu ao processo de "eduardolização" da política pernambucana. Corre numa raia própria, criou as condições políticas que lhes permite a independência necessária para se posicionar quando considerar ser o momento certo. Principalmente com a homologação da União Progressista, sendo ele indicado o mandachuva da federação, sua força política pode desequilibrar o jogo eleitoral no estado. Ele é candidatíssimo ao Senado Federal e se movimenta como tal desde algum tempo. Até recentemente, em razão de rusgas com o Palácio do Campo das Princesas, seu grupo perdeu os cargos que ocupava na burocracia do Estado, segundo dizem, entregues a um dos possíveis nomes que concorrem ao Senado na chapa da governadora, Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina. 

No estado, os partidos que deverão compor a futura federação, como se sabe, estão completamente cindidos. O União Brasil se aproximou da governadora Raquel Lyra, enquanto o PP anda indeciso. Esses movimentos na políticos pernambucana produziram uma situação onde tudo se tornou possível. As especulações são de toda ordem. Fala-se no apoio do PT ao projeto de reeleição de Raquel Lyra, mudando completamente a composição possível da chapa do Palácio do Campo das Princesas; um eventual acordo do grupo de Eduardo da Fonte com a governadora Raquel Lyra, uma vez que seus partidários esboçam, majoritariamente, esta tendência; Eduardo da Fonte como candidato ao Senado Federal, uma vez que o martelo ainda não foi definitivamente batido em nenhum dos palácios. As possibilidades são tantas que o jogo parece ter zerado. 

Ontem saiu uma lista com 27 nomes de candidatos ao Senado Federal que o PT deve apoiar nas eleições de 2026. O nome de Marília Arraes não estava na lista divulgada pelo site Metrópoles. Alguma interferência do PT local? da Casa Civil, de Rui Costa, que manteve um diálogo com a governadora Raquel Lyra, logo após o anúncio da chapa de João Campos? Não se sabe. Rui Costa sempre considerou Raquel uma aliada do Planalto. Diante de tantas especulações, ontem um blog local divulgou um suposto encontro entre o deputado federal Eduardo da Fonte com o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral. O encontro, segundo o blog, teria durado horas. Em tese, não há nenhuma surpresa aqui. Eduardo da Fonte faz política 24 horas do dia. O curioso, meus caros leitores, é que Lula Cabral teria ajustado com o prefeito João Campos ser o homem responsável por sua campanha na Região Metropolitana do Recife, um dos gargalos da governadora, principalmente em razão da penetração de João Campos, aliada aos problemas de segurança pública. Em Pernambuco já se fala em territórios controlados por facções e milícias.  

Editorial: As dificuldades que Jorge Messias enfrenta no Senado Federal.



Esta semana promete em termos de assuntos políticos. Somente aqui em Pernambuco teremos algumas definições que podem definir o rumo da formação das chapas que disputarão o Palácio do Campo das Princesas, nas eleições de 2026. Acredita-se numa definição sobre a homologação da formação da federação União Progressista, assim como prevê-se um encontro definitivo da executiva do PT, no próximo domingo, com definições claras sobre as próximas eleições estaduais. Quem parece que está bastante preocucado é o pernambucano, Jorge Messias, que teve seu nome indicado para ocupar a vaga do ex-Ministro Luiz Roberto Barroso, que se aposentou de suas funções no Supremo Tribunal Federal. Desde o início, esta indicação enfrenta uma série de problemas, mas, mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu bancá-la e pagar para ver.  

O momento político de crise institucional declarada talvez exigisse de Lula a capacidade de minimizar eventuais atritos. O nome de Rodrigo Pacheco, mesmo com toda a resistência da oposição, ainda assim seria mais assimilável. Jorge Messias conta com apenas 16 votos neste momento, quando precisa de 45 votos. Ele até está tentando, mas não consegue demover as resistências, a começar pelo Presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre, padrinho da indicação de Rodrigo Pacheco. Rodrigo Pacheco, inclusive, contava com apoios no próprio STF. Todo mundo sabe que a rejeição é um ato eminentemente político e não técnico. Teria ocorrido apenas um única vez na história da República. Messias, a rigor, não conta com nenhum dos dois requisitos. O notório saber jurídico e a capilaridade política. 

Para complicar ainda mais o cenário, neste intervalo surgiram rumores de medidas tomadas por Messias na AGU que desagradaram ainda mais aqueles senadores que já resistiam  à indicação do seu nome. Rodrigo Pacheco, contingenciado pelo Planalto, aceitou disputar o Governo de Minas Gerais, nas próximas eleições. É aquele aceite de má vontade, uma vez que nunca foi este o seu objetivo. O petardo em Minas Gerais será pesado para o Planalto. Ele sabe disso. Um cargo vitalício na burocracia da capital federal seria bem mais confortável para Rodrigo Pacheco. 

domingo, 22 de março de 2026

Editorial: A festa bolsonarista em João Pessoa



O candidato Flávio Bolsonaro esteve hoje, 22, em João Pessoa, consolidando a chapa de apoiadores que devem disputar o Governo do Estado da Paraíba, nas eleições de 2026. A festa bolsonarista foi realizada numa casa de shows, com direito à empolgação do candidato, que dançou bastante na pista, para deleite dos participantes do evento. Estiveram presentes o senador Efraim Filho, que disputa o Governo do Estado, o ex-Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o Major Fábio, que disputam as duas vagas do Senado Federal, e o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima. Bruno Cunha Lima abre uma dissidência numa das famílias mais tradicionais da política paraibana, os Cunha Lima. Seu irmão, Pedro, deve seguir outro rumo, possivelmente apoiando a candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. O ato serviu para filiar Efraim Filho ao PL. 

Os bolsonaristas enfrentam uma batalha complexa no estado. Uma candidatura oficial, liderada por Lucas Ribeiro(PP-PB), ungido com o apoio da máquina governada por João Azevedo(PSB-PB), e, do outro lado, uma candidatura igualmente competitiva, liderada pelo atual gestor da capital, Cícero Lucena, que sempre aparece bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto. Lucas Ribeiro tem a máquina e Cícero tem a manha. É o político mais "manhoso" do estado. Consegue se equilibrar-se entre os dois polos do espectro político. Segmentos do eleitorado de perfil conservador se afinam com o candidato, assegurando-lhes as últimas vitórias eleitorais. Por outro lado, articula, inclusive, o apoio do PT ao seu projeto, algo que vem sendo costurado a nível nacional, nas altas esferas de Brasília.  

Por incrível que possa parecer, ele pode construir um palanque duplo do estado, de alguma forma, escanteando o socialista João Azevedo. Escanteando não seria bem o termo, mas retirando-lhes a "primazia". A aliança governista montada por João Azevedo era bastante ampla, incluindo, salvo melhor juízo, além do PP, outros partidos de perfil conservador. O PT participa do seu governo. Com a proximidade das próximas eleições, ocorreu uma espécie de "decantação" deste processo, ou seja, alguns filtros naturais, como a saída do PL da Prefeitura de João Pessoa. Para variar, assim como ocorre aqui em Pernambuco, o PT paraibano ainda estuda os "cenários".  

Editorial: Temporada de delações e eleições.



Gostaríamos primeiro de agradecer aos 13 mil leitores do blog no dia de ontem, 21. Uma pena que as intervenções e comentários desses leitores ainda sejam escassos, mas isso ocorre até entre sites com maior capilaridade do que o nosso. Principalmente no nosso caso, onde, deliberadamente, por razões óbvias, comentamos nas entrelinhas, evitando uma exposição maior num momento tênue de liberdade de expressão. Hoje, por exemplo, aparece uma relação aparentemente de caráter pouco republicana entre um grande conglomerado empresarial e um filho de um político alagoano. Os filhos dessa classe política sempre contam com algum empurraozinho. São sempre pequenos prodígios que enriquecem da noite para o dia. O assunto é matéria do jornal O Estado de São Paulo, do dia de hoje, 22. É curioso este momento. Mesmo diante das adversidades, a grande mídia parece ter acordado da inércia e se dado conta das consequências de alimentar o monstro. 

Este grupo empresarial, aliás, está envolvido em quase todos os grandes escândalos de corrupção do país. Do país e até do exterior, para sermos mais precisos. São negócios nebulosos, sempre envolvendo agentes públicos, algo que já estaria exigindo uma investigação séria. Um esquadrinhamento desses mecanismos. Não é mera coincidência. Em pleno ano eleitoral, estamos vivendo um momento que se poderia se chamar de temporada de delações. Salvo melhor juízo, está tudo certo com a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas existe outros implicados no escândalo bilionário do INSS com o mesmo objetivo, a exemplo do Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, Maurício Camisotti, entre outros. É curioso como servidores de alto escalação do INSS se meteram nesta enrascada. Até servidores públicos concursados que tinham, como dever de ofício, impedir que os desvios ocorressem. 

Sugere-se que há uma mobilização no sentido de esvaziar os trabalhos das comissões em andamento, assim como impedir que novas comissões sejam criadas. Sentam a bunda nas propostas, impedem oitivas de investigados. As manobras são inúmeras. A CPI do Master, por exemplo, conta com 51 assinaturas de senadores e possivelmente não será apreciada por Davi Alcolumbre. O senador Eduardo Girão, um feroz defensor da criação desta comissão, já perdeu as esperanças de tratá-la pela via do parlamento. Felizmente, em alguns momentos este bloqueio da impunidade é quebrado, como no caso da delação de Daniel Vorcaro. Vai abrir a boca e muitos desses picaretas poderão interromper suas carreiras políticas. Um grupo que entrou na vida pública apenas para se locupletaram. Desprovidos de espírito público. 

sábado, 21 de março de 2026

Editorial: Tudo certo para a delação do fim do mundo



Estava vendo um vídeo da chegada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede da Policia Federal, em Brasília, por ocasião da assinatura do termo de compromisso em relação à delação premiada. Ele está bastante abatido. Segundo dizem, vai falar o que sabe. Não deve poupar ninguém, uma vez que, juridicamente, isso não seria permitido. Ao contrário, se as autoridades descobrem depois que ele, deliberadamente, tentou poupar alguém, o procedimento pode ser anulado. Em princípio é isso. Hoje circulou a informação de que mais três telefones celulares do ex-banqueiro podem estar à disposição da Polícia Federal. A condução dos trabalhos está entregue ao Ministro André Mendonça, de quem se espera a serenidade suficiente para conduzi-lo, em meio à grande apreensão que se formou em torno do assunto. 

De André Mendonça, igualmente, espera-se que autorize o prosseguimento dos trabalhos da mais importante CPMI instaurada no Legislativo nas últimas décadas, a do INSS. O pedido já foi formulado, exatamente pelas dificuldades encontradas em relação à dilatação do prazo de atuação da referida comissão. Existe muita gente interessada em que ela não tenha prosseguimento. Inclusive dentro do parlamento. Há manobras deliberadas no sentido de interromper seus trabalhos, justamente quando a CPMI começa a investigar o famigerado empréstimo consignado oferecido por instituições bancárias. Pelas primeiras apurações de um depoimento recente, é algo que deve ser rigorosamente apurado. Tem podridão por aqui também. 

Aguardamos com uma grande expectativa a decisão do Ministro André Mendonça. Se depender da má vontade de alguns atores do Legislativo, esta comissão, infelizmente, já está morta. A CPI do Crime Organizado também enfrenta enormes dificuldades, assim como é improvável a aprovação da CPI do Master. Isso é um retrato do nosso Legislativo. Uma penca de representantes enredados com um monte de maracutaias, que são os primeiros que não desejam que as investigações avancem. Ainda bem que há exceções, a exemplo do senador Carlos Viana, do deputado federal pelo estado de Alagoas, Alfredo Gaspar, violentamente atacados em sua honra, por se conduzirem de forma decente e republicana. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: os tempos do PT



Algo sugere que a chapa montada pelo prefeito João Campos para disputar o Palácio do Campo das Princesas, nas eleições de 2026, não estaria definitivamente fechada. O gestor municipal, que deve liderar a Frente Popular, aguarda o tempo do PT. A expressão tempo do PT é emblemática e até certo ponto utilizada equivocadamente. Se estivéssemos noutros tempos, ela até faria sentido. Hoje, nem tanto. Não estamos falando daqueles tempos da pungência das alas orgânicas da legenda; dos exemplos inquestionáveis de exercício da democracia interna; do tempo em que seus líderes se reuniam no Sindicato das Empregadas Domésticas; do tempo em que a legenda expulsou dos seus quadros um candidato que havia presenteado um cabo eleitoral com um jerico para ele se deslocar pelo interior do estado. Fora acusado de "abuso" de poder econômico. 

Hoje, a expressão, todo mundo sabe, não se trata apenas de um tempo dado às tomadas de decisões ou deliberações das instâncias de decisão da agremiação aqui no estado. O que está em jogo é outra coisa. Ala do partido é favorável a uma aliança com a governadora Raquel Lyra e outra ala, embora fechada com o projeto de João Campos, não aceita a indicação do nome de Marília Arraes como candidata ao Senado na chapa encabeçada por João Campos. A primeira ala é até mais contemporizadora. Não faz muito tempo, embora afirmando que a governadora Raquel Lyra deve vencer as eleições de outubro, um deputado estadual do PT afirmou estar convencido de que o partido apoiaria oficialmente o nome de João Campos. Esta segunda ala vê riscos à reeleição do senador Humberto Costa, com Marília no mesmo campo. 

Ainda calouro na Ciência Política, observávamos que existiam muitas hipóteses acerca das indisposições entre os ex-governadores Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos. Várias possibilidades eram aventadas, mas, num final de tarde, até sem grandes compromissos, resolvemos assistir a uma palestra de um professor que havia produzido um texto sobre a geografia do voto aqui no estado. No final, respondendo a uma indagação nossa, ele afirmou que essa briga seria "inevitável". Os dois políticos disputavam voto no mesmo reduto eleitoral. Ou seja, bebiam na mesma fonte. Essa era a  verdadeira raiz do problema. O resto era acessórios. A leitura que setores do PT faz acerca das primeiras pesquisas de intenção de voto já divulgadas é que o eleitorado pernambucano tende a votar num candidato mais à esquerda do espectro político e num nome de perfil mais conservador. 

Neste sentido, Marília Arraes poderia tirar votos do senador Humberto Costa. Marília já estaria com tendência a se consolidar como este nome do espectro de esquerda. Como teremos uma penca de nomes de perfil mais ao centro ou à direita do espectro político, um deles poderia angariar a simpatia do eleitorado e ser eleito. Nem mesmo uma candidatura avulsa de Marília Arraes foi bem aceita por esta ala da legenda. Há, naturalmente, outras motivações, mas não compete entrarmos no mérito para não animar as discórdias. Este, na realidade, é o verdadeiro "tempo" do PT. Outro fato que deve ser aqui considerado são as articulações entre o PT e o deputado estadual Eduardo da Fonte, que, segundo Ciro Nogueira, é o principal comandante da federação União Progressista no Estado. 

Sugere-se que as negociações entre a ala dirigente do PT e o grupo de Eduardo da Fonte estavam num estágio bastante avançado. Eduardo da Fonte, inclusive, chegou a ser anunciado como concorrente ao Senado Federal, ao lado de Humberto Costa. Não sei se vocês observaram, Eduardo da Fonte está tranquilo. Tranquilo demais, em meio ao tsunami que tomou conta da política pernambucana. Eduardo da Fonte, como se observa, atendia à estratégia pensada pelo PT. A eleição para o Senado Federal neste ano é algo sensivelmente delicado. Há análises, inclusive, indicando que a tese da mudança na Casa Alta, tornando-a capaz de corrigir alguns equívocos nos outros Poderes da República, possam estimular o eleitorado, predisposto a ver essas mudanças ocorrerem, a sufragarem nomes com tal perfil e compromisso. É muita blindagem. Já passou dos limites. 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: as ranhuras na chapa de João Campos



Hoje, 20, o prefeito do Recife, João Campos, em cerimônia programada para o Hotel Luzeiros, na Zona Sul do Recife, deve anunciar sua candidatura ao Governo do Estado, nas eleições de 2026. Isso não chega a ser uma novidade, uma vez que os pernambucanos já sabiam, desde algum tempo, que o filho do ex-governador Eduardo Campos, herdeiro do espólio politico do pai, almeja chegar ao Palácio do Campo das Princesas. É um projeto familiar. O lado bom é que, João, jogado nesta arena circunstancialmente,  logo após a morte do pai, tomou gosto pela atividade política. Possivelmente colocou como compromisso pessoal cumprir a trajetória que o "Moleque dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco", por uma fatalidade, deixou de realizar. Por este prisma, o garoto está apenas no meio do caminho, pois o objetivo final será o Palácio do Planalto. 

O termo "Moleque dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco" era uma referência nossa ao ex-governador Eduardo Campos. Filho do escritor Maximiano Campos, segundo diziam os colegas, Eduardo Campos, ainda menino, costumava ser visto circulando pelos jardins da instituição criada por Gilberto Freyre. O termo é uma licença poética. Era um termo carinhoso. Escrevemos vários artigos sobre o jovem político, quase sempre favoráveis. Nossas ponderações críticas ao pai de João começaram em razão do seu afastamento do PT, quando estrava em curso o seu projeto presidencial e o seu feeling político chegara à conclusão que o caminho, naquele momento, seria construir uma aliança conservadora, mantendo uma equidistância necessária em relação ao PT.  

Ontem, alguns leitores - e nos agradecemos sempre as considerações dos nossos leitores - nos questionaram sobre o potencial eleitoral da chapa formada pelo prefeito João Campos. Poderíamos aqui sair pela tangente, a exemplo de um cientista político pernambucano, parafraseando o filósofo, e responder que tudo seria possível, inclusive nada. Mas isso não é do nosso perfil. Corremos os riscos dos eventuais equívocos. Ontem mesmo líamos alguns oráculos afirmando que a chapa de João, por ser ideologicamente mais orientada à esquerda, poderia afugentar os eleitores conservadores. Sim e não. A tendência é que haja uma convergência de votos para o governador e para os senadores da chapa. É isso, inclusive, que preocupa setores do PT com a inclusão ou confirmação  de Marília na chapa. Há uma leitura onde se pressupõe que os eleitores teriam uma tendência a votar num candidato mais conservador e num outro de perfil mais à esquerda. Marília, inclusive, bebe na mesa "fonte" de Humberto Costa. 

Por outro lado, há de se entender que, mesmo construindo uma carreira política dentro das hostes progressistas, João sempre teve votos em segmentos conservadores. Já foi eleit0, inclusive, com uma narrativa antipetista, possivelmente com apoio do voto bolsonarista. Neste aspecto, de alguma forma, a governadora Raquel Lyra talvez não tivesse qualquer aresta em receber esse voto conservador, calculado hoje em 30% entre os eleitores do estado. Pelo andar da carruagem política, Raquel deve compor sua chapa com três troncos familiares tradicionais do estado. Os Ferreira, os Mendonça e os Coelho. Se entrar Anderson Ferreira, ainda incorpora o voto religioso, hoje importantíssimo, logo mais determinante numa eleição. Raquel está muito bem avaliada e fecha o Triângulo das Bermudas das eleições pernambucanas, algo que não pode ser desprezado. 

Para variar, ainda há muita confusão na montagem de sua chapa. Esta uma bagunça generalizada essa formação da federação União Progressista. Mendonça Filho, ao lado de Miguel Coelho e Antonio Rueda, que preside o União Brasil, asseguram o apoio ao projeto de reeleição de Raquel Lyra. Na outra margem do Rio, Ciro Nogueira reafirma que quem manda na federação em Pernambuco é o deputado Eduardo da Fonte, que, aliás, já teria afirmado que acompanharia Raquel com o seu grupo político, mas teria sido sondado até mesmo pelo PT, que desejava que Humberto disputasse o Senado Federal ao lado de alguém com um perfil mais conservador. Se o eleitor optar em votar em Marília e escolher outro candidato de perfil mais conservador, Humberto Costa pode não se reeleger. Este é o frisson que poderia estar provocando ranhuras na composição da chapa, segundo especula a crônica política pernambucana no dia de hoje. Dizem que o PT não confirma a chapa oficialmente, embora ela tenha sido referendada pelo próprio Lula. 

Editorial: A delação do fim do mundo



Está tudo acordado para a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Folha de São Paulo, em sua edição de hoje, 20, assegura que o acordo de delação premiada já foi assinado. O fato de Vorcaro ter sido transferido para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, é um forte indicador. O que se diz nas coxias é que ele vai revelar tudo, não esconder nada. Somente assim a delação seria aceita. Vorcaro não tinha outra alternativa. Segundo a coluna Radar, da Veja, assinada por Robson Bonin, mesmo que ele obtivesse algum benefício em relação à prisão neste momento, logo voltaria à cela, dada a robustez de provas encontradas contra ele pela PF. Se especulou, durante alguns momentos, se esta delação não seria uma delação meia boca, ou seja, pouparia algumas autoridades da República. Pelo andar da carruagem política e jurídica, sugere-se que ele vai falar o que sabe sobre os caminhos tortuosos que percorreu nos corredores da Brasília, achacando autoridades, articulando projetos do seu interesse. 

Há mais temores do que expectativas em relação a este assunto, principalmente em função do clima belicoso entre os Três Poderes da República, praticamente às vésperas de uma eleição presidencial. Esta delação poderá produzir reflexos diretos nas próximas eleições. Sabe-se que a teia de articulações obscuras montada atinge agentes públicos praticamente de todas as esferas, alguns deles em plena atividade política e, possivelmente, até candidatos. Este país realmente não pode ser levado a sério. O Ministro André Mendonça, numa medida sensata, determinou o bloqueio ao acesso de dados que estavam numa sala cofre da CPMI do INSS. Dizem que o próprio Vorcaro havia advertido sobre esses dados, onde haveria, possivelmente, vídeos comprometedores de agentes públicos nas festanças promovidas em Trancoso. 

Vamos aguardar a bomba que vem por aí e torcer que haja as condições institucionais suficientes para impor a lei para todos os agentes públicos envolvidos nessa trama macabra que vem abalando os alicerces de nossa frágil república. Mas como este país ainda é um país dos intocáveis - do você sabe com quem está falando, como diria Roberto DaMatta - não é improvável um ajuste aqui e ali para poupar alguns nomes. Cidadão réu confesso, condenado a mais de 400 anos de prisão, anda tomando vinhos caros, comendo filé em sua cobertura, indicando filmes para os seus seguidores e, dizem, ainda pode ser candidato nas próximas eleições.  

quinta-feira, 19 de março de 2026

Editorial: Sérgio Moro se acerta com o PL



São curiosos esses arranjos políticos regionais. Quando o senador Sérgio Moro admitiu que seria candidato ao Governo do Paraná, muita gente filiada ao União Brasil, o seu partido, teria se desligado da legenda, vinculada ao Governo de Ratinho Junior, do PSD. Embora bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, o senador tinha uma encrenca pela frente. Seria necessário fazer alguns ajustes. Ele já havia decidido que seria candidato de qualquer forma. Muito próximo do bolsonarismo, o senador procurou entabular negociações com o PL. Recentemente, a crônica política nacional anunciou que ele estaria deixando o União Brasil e filiando-se ao PL. Montará o palanque do candidato Flávio Bolsonaro no estado. 

Precisando costurar apoios, o candidato Flávio Bolsonaro, segundo dizem, andou sondando a possibilidade do próprio Ratinho Jr. vincular-se ao projeto bolsonarista. Ele vai bem nas pesquisas de intenção de voto, ficando ali na terceira posição, inclusive com votos entre os eleitores mais pobres e nordestinos, onde hoje o PT enfrenta algumas dificuldades. Sobretudo porque ele vai bem nas pesquisas, exatamente por isso o PSD não cederia seu passe. O PL tenta trazer para chapa de Flávio alguém que realmente some. Dois nomes estão sendo pensados. Além de Ratinho, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo. Parece ainda não ter amadurecido o momento de definições. 

Mesmo com dificuldades, outro nome de PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, continua alimentando a sua pré-campanha presidencial, vangloriando-se da instalação de presídios e abrindo negociações com os Estados Unidos sobre as terras raras do estado. Se antecipando, como ele mesmo diz. Não seria por outro motivo que os petistas já começaram a tratar os candidatos de direita ao Governo de Donald Trump. De uma certa forma proceder a observação. Não conseguimos enxergar algo diferente. Um governo de Flávio Bolsonaro seria um governo aliado aos Estados Unidos. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: resiliência de Marília e articulação de Lupi: chapa de João formada.

Crédito da Foto: Felipe Ribeiro, Folha de Pernambuco. 


Os bastidores da formação de uma chapa para concorrer a uma determinada eleição envolve inúmeros fatores. É uma obra de engenharia política complexa. Nos últimos dias, ocorreram inúmeras especulações acerca da composição da chapa do prefeito João Campos, que deverá disputar o Governo do Estado de Pernambuco, nas eleições de 2026. Alguns nomes, inclusive, chegaram a ser divulgados precipitadamente como os prováveis escolhidos para a composição desta chapa. Logo em seguida, tais informações foram desmentidas ou desautorizadas. Ontem, 18, no entanto, o próprio prefeito João Campos sinalizou qual seria a chapa com a qual pretende disputar o Governo do Estado. Os candidatos ao Senado Federal serão Humberto Costa, que concorre a reeleição, e a ex-deputada Marília Arraes. Para a vice, o empresário Carlos Costa, irmão do Ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, que manteve um longo diálogo com o presidente Lula, hoje, 19, onde ficou determinado que ele será candidato à reeleição. Sílvio sempre afirmou que o seu projeto maior é a reeleição do presidente Lula. Muito fiel e coerente.  

Que arranjos de bastidores chegaram a esta composição? Esta é a grande discussão. Vamos analisá-los, uma vez que toda posição assumida pode trazer reflexos positivos ou negativos ao final do jogo. João Campos já havia, lá atrás, fechado a porteira política do Governo Lula para a sua opositora, Raquel Lyra. Não chega a ser novidade. Raquel tende construir, contingenciada pelas circunstâncias políticas, uma chapa de perfil mais conservador, talvez até mesmo com o apoio de bolsonaristas do estado. No momento, a provável composição envolve o União Brasil, com a indicação do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o PL, que deve indicar Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes. Nada oficial ainda, uma vez se sabe das querelas entre o PP e o União Brasil. É um pé dentro e outro fora. Embora no governo, o PP não deseja caminhar com Raquel Lyra e  os cargos já começaram a serem cobrados. 

O que se diz nos bastidores para acalmar Silvinho, além da vice, claro, é que o arranjo ainda poderia envolver uma eventual contemporização de Sílvio Costa, que é o suplente da senadora Teresa Leitão. Esta hipótese já teria sido aventada num outro momento. A senadora poderia assumir algum cargo num eventual Governo Lula 4, abrindo o espaço para Sílvio assumir sua vaga no Senado Federal. V0ltamos a insistir, são apenas especulações dos bastidores da política. Em ralação a Marília Arraes, muita coisa precisa ser dito. Em princípio, como o projeto maior da família Campos\Arraes seria a conquista do Campo das Princesas, nesta engenharia, ficaria ajustado que Marília disputaria uma vaga na Câmara Federal. Ocorre que, nas pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal, seu nome começou a despontar como uma das principais concorrentes, indicando que o eleitorado do estado desejava vê-la na Casa Alta. 

Durante algum tempo, a questão foi tratada em banho maria, até que tal possibilidade passou a animar a neta do Dr. Miguel Arraes, que decidiu atender a uma demanda do seu eleitorado, dispondo a apresentar o seu nome para um referendo popular. Assumiu afirmando que o seu projeto não teria mais volta. A decisão causou um rebuliço no contexto da formação de ambas as chapas. Dizem até que chegou a ser convidada pela governadora Raquel Lyra, que percebeu as dificuldades de consolidação do nome de Marília na chapa de João Campos. Embora irresoluta, Marília sabia que sua viabilidade política passava, necessariamente, pelo chamado campo progressista, em apoio ao palanque de Lula no estado. Em princípio, o seu eleitorado, majoritariamente, vem deste espectro político. Possivelmente, este eleitorado não responderia da mesma forma se ela fosse acomodada na chapa da governadora Raquel Lyra. Marília deve ter lido o nosso artigo anterior. 

Para ser anunciada na chapa de João, por outro lado, ela deve ter enfrentado resistências, inclusive de parte do PT, a sua banda mais burocrática. O PT de base, mais orgânico, em tese, não teria resistências ao seu nome. Como o partido "oligarquizou-se", a burocracia acaba tomando as resoluções partidárias mais importantes. Pensou-se ate numa candidatura avulsa, mas o próprio PT se colocou contra, alegando que isso poderia diluir os votos e, consequentemente, talvez prejudicar a própria reeleição dos senadores da chapa. Graças a sua resiliência, agora ela está dentro. Há pouco tempo, antes da definição da chapa com o nome de Marília, o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou, categoricamente, que impôs, como condição primária para a formação da aliança do seu partido e os socialistas passava pela consolidação do nome de Marília na Chapa. Disse depois que, de imediato, João rejeitou a proposta,  argumentando os enormes compromissos já assumidos com as forças que gravitavam em torno do gestor. 

A crônica política pernambucana - e até nacional - vem tecendo loas à habilidade política do prefeito João Campos na formação desta chapa. Não vamos colocar água neste vinho, uma vez que o próprio Carlos Lupi, num alusão ao ex-governador Eduardo Campos, fala que os filhotes de onça já nascem com as pintas. Mas é preciso ressalvar aqui a habilidade política do pedetista, sempre modesto, o principal responsável pela costura política que demoveu as resistência do prefeito João Campos. Seu empenho nesta composição passa, igualmente, pela consolidação do PDT no estado, o que talvez se explique pela presença do Ministro da Previdência Social, Volney Queiroz, um ministério da "cota" dos pedetistas. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Editorial: Já está na hora de "bater" em Flávio Bolsonaro?



Embora não haja nada de concreto sobre as supostas mesadas recebidas por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, conforme alertou o senador Carlos Viana, é sabido, conforme observa o jornalista Josias de Souza, em sua coluna do Portal UOL, que este ativo político será largamente usado pelo oposição nesta eleição. O que se sabe, algo admitido pela própria defesa do filho do presidente, é o financiamento de uma viagem, de primeira classe, com direito a hospedagem, financiada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, ao filho do presidente. O projeto seria a montagem de uma futura parceria na construção de uma empresa de Cannabis medicinal. Neste momento, o presidente Lula não vai muito bem nas pesquisas de intenção de voto para aquelas eleições. Embora em empate técnico, o candidato Flávio Bolsonaro, por outro lado, encontra-se em céu de brigadeiro, dadas as circunstâncias. Sua candidatura sequer foi levada muito a sério no início. Hoje ele já discute nomes para um futuro ministério. 

Vamos dizer que o processo está embolado e o presidente Lula encontra muitas dificuldades neste momento. Em tais circunstâncias, geralmente surgem aqueles conselheiros recomendando isso e aquilo. Para variar, o vilão é sempre a área de comunicação institucional. Sidônio que se cuide. Nos bastidores, no entanto, diante o crescimento de Flávio, alguns assessores próximos a Lula já estão admitindo que talvez tenha chegado a hora de bater no candidato Flávio. Alguns órgãos de imprensa, no dia de hoje, 18, insinuam que, por ocasião do lançamento da candidatura de José Dirceu a deputado federal as chicotadas já começaram. Se isso de fato ocorreu, pode ser lido como um indício forte de que a ordem já foi dada e começa a se refletir na estratégia de campanha petista.

Sugere-se, em princípio, que o PT subestimou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Quando o seu nome foi anunciado como pré-candidato, alguns setores do PT chegaram a comemorar. Estimativas iniciais, indicavam, até mesmo, um eventual estímulo a tal candidatura, pois ela seria mais fácil de ser batida num embate direto. O problema, no entanto, não é só a candidatura de Flávio. Lula não consegue uma melhor performance, entre outros motivos, por não superar a equação de desaprovação do seu governo. O PT não avança em função de suas próprias fragilidades, muito mais do que pelos méritos do adversário. Outro grande problema é a relação com os evangélicos, algo a ser resolvido - se tanto - apenas pelas próximas décadas, se considerarmos o hiato que foi construído. 

Editorial: A prorrogação da CPMI do INSS



A decisão sobre a concessão do pedido de prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS ficou sob a incumbência do Ministro André Mendonça, do STF. A expectativa é que ele autorize, sobretudo em razão de acompanhar, no STF, na condição de relator, as investigações conduzidas pela CPMI. André Mendonça tem pautado as suas decisões com muita coerência, embasadas juridicamente, dentro de uma diretriz republicana. O Mandado de Segurança impetrado pela CPMI ter recaído nas mãos do ministro André Mendonça trouxe alguma esperança entre os membros daquela comissão, que realiza um excelente trabalho, algo inusitado no contexto do nosso parlamento, hoje tão fragilizado. Ainda no dia de ontem, 17, novas operações da Polícia Federal envolvendo agentes públicos e privados arrolados nos escândalos do roubo bilionário ocorrido no INSS. 

No Ceará, uma parlamentar foi obrigada a usar tornozeleira eletrônica. A proposta da PF seria prendê-la, mas o ministro André Mendonça, considerando a sua condição de parlamentar, resolveu atenuar a punição. E por falar em moderação, coerência, equilíbrio, senso de justiça, recomendo aos nossos leitores ouvir a entrevista concedida pelo presidente dos trabalhos da CPMI do INSS, o senador mineiro Carlos Viana. Há três momentos emblemáticos durante a entrevista. Há, de fato, uma blindagem de alguns nomes que poderiam e deveriam prestar grandes esclarecimentos aos trabalhos daquela comissão. Não vamos aqui apontar quem seja os responsáveis por tais blindagens, mas elas são conduzidas, sobretudo, por critérios políticos. Geralmente, o que prevalece nesses casos são os interesses corporativos. O interesse público fica para depois. 

Muita gente não queria a instauração da CPMI do INSS, assim como ocorre em relação à CPI do Banco Master. Infelizmente, há de se contar com tais fatores. A situação é tão escandalosa, que algumas pautas talvez só possam ser viabilizadas na próxima legislatura. Quando indagado sobre a questão que envolve o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, Carlos Viana relatou a existência de uma testemunha que assegura haver alguma relação entre Lulinha e o "Careca do INSS", Antônio Carlos Camilo Antunes. Por outro lado, não há nenhuma prova material que comprove que ele recebia a tão propalada mesada de 300 mil por mês. Sobre as restrições de acesso aos arquivos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de posse da CPMI, considerou coerente a medida tomada pelo Ministro André Mendonça. 

No final, ele afirmou algo curioso sobre os eventuais diálogos de Vorcaro com eventuais membros da Suprema Corte. O tal telefone é um telefone institucional, de trabalho, portanto. Em tais circunstâncias, aí sim, é que se torna absolutamente necessário algum esclarecimento. O telefone estava cedido a quem? São diálogos cabulosos. Impondo-se que sejam devidamente esclarecidos. Ajuda a liberdade de atuação que membros da Polícia Federal estão tendo neste sentido. Uma senhora detida no dia de ontem, no curso das investigações da PF, havia dado um depoimento evasivo na CPMI do INSS. Adquiriu dois Mustangs no valor de um milhão cada um deles. Salário? R$ 7 mil reais por mês.