É bem provável que o humor do eleitorado brasileiro em relação ao escândalo do Banco Master já pode ter sido sinalizado na última pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, no dia de ontem, 07. Por outro lado, além de confirmar outras pesquisas de institutos conceituados divulgadas recentemente, os números do Datafolha refletem, na realidade, uma tendência consistente de crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A boca do jacaré se fecha numa disputa de segundo turno, assinalando um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para os mais entusiasmados torcedores bolsonaristas, o nome de Flávio Bolsonaro, por este critério, já poderia, inclusive, ter ultrapassado o petista. Tecnicamente, é isso.
Observamos que o escândalo do Banco Master pode estar se refletindo nestes números, uma vez que já faz algum tempo que se fala constantemente sobre o assunto. Pelo enredo nebuloso envolvendo o escândalo, não há dúvidas de que o presidente Lula arcará com parte deste ônus, mesmo em se constatando que ele não tem nada a ver com isso. Seria natural. É o governo de turno. A despeito de termos excelentes institutos de pesquisa atuando no mercado, os dados do Datafolha são considerados ainda a maior referência. Em dezembro de 2025 o Instituto divulgou sua última pesquisa sobre a corrida presidencial. Neste intervalo, Lula perdeu 07 pontos, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou 05 pontos. Mesmo sem nada de concreto ainda, segundo dizem, o candidato Flávio Bolsonaro já explora em suas falas os rolos em que o filho do presidente Lula estaria supostamente metido, envolvendo as fraudes contra os aposentados e pensionistas. Faz parte do jogo.
Nossa impressão é que, se pudesse antever esta série de problemas, o presidente Lula reavaliaria o endosso do seu nome para disputar um segundo mandato. O problema é que ele é aferrado ao poder e não estimulou nomes para substituí-lo. Não temos nenhum outro nome de candidato identificado com o escopo de centro-esquerda na disputa é um reflexo disso. Enquanto a direita ou extrema direita tem uma penca de candidatos. Este fato implica dizer que, num eventual segundo turno - o que é quase inexorável na disputa presidencial no país - a tendência dos votos desses outros candidatos é migrarem para Flávio Bolsonaro. Hoje, 08, o jornal O Globo traz uma entrevista com o cientista política Alberto Carlos Almeida, uma opinião bastante ouvida pelo Planalto, segundo o próprio jornal. O cientista observa que o escândalo do Banco Master tem um potencial enorme de prejudicar a candidatura do presidente Lula. Hoje, Lula seria favorito a perder as próximas eleições presidenciais, de acordo com o prognóstico do cientista.
Por algum motivo, o Instituto testou o nome de Fernando Haddad como candidato à Presidência da República, ele se saiu bem, cravando um empate técnico com o candidato Flávio Bolsonaro, mesmo sendo testado pela primeira vez. Na realidade, mantida as atuais condições, o morubixaba petista já escalou Fernando Haddad para a missão espinhosa de disputar o Palácio dos Bandeirantes com o bolsonarista Tarcísio de Freitas. O objetivo é, na realidade, é minimizar os danos no chamado Triângulo das Bermudas, os estados da região Sudeste, onde se concentram os maiores colégios eleitorais do país. Com isso se espera que os votos do Nordeste, tradicional reduto petista, possa assegurar, mais uma vez, uma vitória a Lula. É bom salientar, no entanto, a queda de popularidade do presidente Lula também no Nordeste. Talvez esses cálculos precisem ser refeitos.
