pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Editorial: Governo dos Estados Unidos decretam PCC e CV como organizações terroristas


Por essa nem o Flávio Bolsonaro esperava que ocorresse em tão pouco tempo, trazendo enormes preocupação ao Governo Lula, já próximo às eleições de outubro. A atitude do Departamento de Estado do Governo dos Estados Unidos em decretar organizações como o PCC e o CV como organizações narcoterroristas já era esperada, mas ninguém imaginaria que ocorresse em tão pouco tempo. A diplomacia brasileira tem feito gestões em sentido contrário, Lula pessoalmente se empenhou em dialogar com Donald Trump no sentido de demovê-lo dessa posição, mas se sabia que todo o empenho do Governo brasileiro seria inútil. Trump, inclusive, deu a Lula a chance de antecipar-se aos fatos. Flávio Bolsonaro recebe todos os créditos, algo que ele pretende utilizar durante a campanha. 

A portaria assinada por Marco Rubio saiu logo após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. A grande preocupação hoje é se saber o que vem por aí, uma vez que o reconhecimento dessas organizações como organizações terroristas vêm acompanhada de inúmeras implicações, como sanções no campo financeiro, atingindo o nosso sistema bancário e empresas brasileiras, com reflexos diretos sobre a economia, que já não anda bem das pernas. Isso para começo de conversa. Uma outra preocupação do Governo Lula é como se portar diante desses fatos, assumindo uma posição que não seja lida como em defesa dessas organizações, o que pode corroer suas pretensões eleitorais. 

A males que vêm para o pior, como diria o jornalista Josias de Souza, subvertendo uma máxima popular. É este o caso do reconhecimento dessas organizações criminosas como terroristas. Os Estados Unidos já definiram sua geopolítica para o continente e não medirão esforços em materializá-la. A experiência histórica mostra que eles não voltarão atrás. O Governo Lula, por outro lado, encontra-se num dilema de posicionamento complicado, uma vez que a Oposição já trabalha há algum tempo com a narrativa de que o Governo defende essas facções.  

Editorial: Ciro nos festejos do Pau da Bandeira de Barbalha



Em meio a este turbilhão político provocado em torno da determinação do Governo dos Estados em declarar como organizações terroristas o PCC e o CV - que voltaremos a discutir mais tarde - vamos até Barbalha, no Cariri cearense, onde se realiza o tradicional festejo do "Pau da Bandeira de Santo Antônio", uma festa de inspiração portuguesa que se realiza naquela cidade, todos os anos, atraindo milhares de pessoas, entre habitantes locais e turistas. A festa tem um ritual profano, religioso e folclórico. Há uma missa em homenagem ao padroeiro Santo Antônio, o santo casamenteiro, há um carregamento de um grande mastro de madeira - que, logo em seguida, é exposto em praça pública - além da crença de que as mulheres que passarem no pau acabam encontrando um casamento. 

Há quase um século o ritual é realizado. Barbalha é o reduto político do ex-governador e ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, que, possivelmente deve comparecer ao avento. O mais curioso é que Ciro Gomes já agendou presença aos festejos em homenagem ao santo. Camilo se envolve diretamente em favor do projeto de reeleição de Elmano de Freitas ao Governo do Ceará, que deverá ter uma eleição das mais disputadas ao Palácio da Abolição. Ciro ainda acha que Camilo poderá substituir Elmano na disputa, principalmente se Elmano não reagir nas pesquisas de intenção de voto. Ele licenciou-se do Ministério da Educação em tempo hábil, aumentando as especulações em torno do assunto. 

No Ceará, Ciro lidera todas as pesquisas de intenção de voto até este momento, mas quando o nome de Camilo Santana é testado o jogo fica equilibrado, quase que numa disputa voto a voto. Camilo Santana fez dois governos muito bem avaliados pela população do estado. Aqui em Pernambuco, onde as pesquisas de intenção de voto divulgadas ontem produziram uma espécie de tsunami político, a governadora Raquel Lyra ultrapassou João Campos na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. A pesquisa do Datafolha aponta que ela ostenta 67% de aprovação e isso iria acabar se refletindo, em algum momento, nas intenções de voto. Simples assim.


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quinta-feira, 28 de maio de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Raquel ultrapassa João no Datafolha

 


A chapa completa da governadora Raquel Lyra ao Governo do Estado ainda não foi anunciada, provocando algumas inquietações no seu grupo político e até esboço de defecções ou candidaturas avulsas ao Senado Federal, conforme se presume pelas movimentações de Eduardo da Fonte(PP-PE) e Miguel Coelho(UB-PE), ambos integrantes da poderosa federação União Progressista. Nas coxias se diz que a governadora Raquel Lyra já teria batido o martelo em torno dos nomes de Túlio Gadelha(PSD) e Fernando Dueire(PSD). Suas movimentações pelo estado ao lado principalmente de Fernando Dueire sugere que os prognósticos podem se confirmar. 

Hoje, 28, no entanto vamos ter uma pausa para tentar interpretar o que pode estar se passando na dinâmica competitiva do estado em relação às eleições de 2026, sobretudo depois dos números divulgados pela pesquisa do Instituto Datafolha, que já aponta a liderança da governadora na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Na realidade, Raquel Lyra está tentando a reeleição.  Os dados poderiam surpreender até os mais otimistas analistas políticos, aqueles que advogavam, desde sempre, uma eventual reação da governadora, embora isso tenha ocorrido num intervalo de tempo relativamente curto. Ela, que vinha amargando índices inferiores ao seu principal concorrente, o ex-prefeito do Recife, João Campos, aparece nesta pesquisa liderando a competição tanto no primeiro quanto no segundo turno. 

A candidatura de João tem algumas inconsistência, mas não vamos aqui descer às minúcias, para não atiçar os grupos de whatsapp do candidato, sempre que se sentem criticados pela imprensa. Quanto à governadora Raquel Lyra ela tem bons índices de aprovação, pouca rejeição e vem trabalhando muito, entregando obras por todo o estado. Além, claro, de uma boa assessoria de comunicação institucional, algo em que seu opositor investiu mais do que em obras para a cidade, um ponto nevrálgico onde ele tem sido duramente atingido. Se Lula, com menos de 40% de aprovação do seu Governo, movido pela polarização política renitente, consegue liderar as pesquisas de intenção de voto. Raquel aparece com 67% de aprovação, escore suficiente para preparar o contrato de renovação do aluguel do Palácio do Campo das Princesas. 

Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões definitivas sobre a dinâmica competitiva do pleito no estado. Temos muito chão pela frente, seja no Agreste, no Sertão, na Zona da Mata, ou Região Metropolitana. Os dados do Datafolha, no entanto, chega num bom momento ao Palácio do Campo das Princesas, assim como dever ser motivo de reuniões entre os socialistas locais. O que precisa mudar? Onde João está errando? Uma outra pesquisa, desta vez realizada pelo Instituto Múltipla, confirma o Datafolha e também aponta a liderança da gestora.  A pesquisa do Datafolha foi encomendada pela TV Tribuna, ouviu em entrevistas 1.022 pessoas, entre os dias 25 a 27, o índice de confiança é de 95% e está registrada no TSE -PE -07888\2026 e BR-04242\2026. 

Primeiro turno: 

Raquel Lyra(PSD)        48%

João Campos(PSB)       43%

Ivan Moraes(PSOL)      2%

Segundo turno: 

Raquel Lyra(PSD)         51%

João Campos(PSB)       44% 

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Editorial: "O mordomo da Casa Branca"



Como estamos numa fase de pré-campanha eleitoral, não seria de se estranhar que os especialistas - e não necessariamente apenas eles - começassem a fazer análises acerca das narrativas dos pré-candidatos e até mesmo sobre suas posturas corporais em público. Embora tenha cometido alguns equívocos em termos de narrativas, a campanha de Flávio Bolsonaro parece ter sobrevivido aos últimos solavancos. Tal hipótese já era prevista, sobretudo neste climão de polarização política, onde os fiéis eleitores preferem desconhecer os pecados dos seus candidatos, assim como suas irresponsabilidades com o  zelo em relação às contas públicas. Já se sabe aonde isso irá nos conduzir, mas infelizmente é isso. As alternativas viáveis dentro dessa camisa de força não são, necessariamente, as melhores para o país. 

Hoje, 28, já se fala numa eventual fusão de chapas, ou seja, uma entabulação de conversas que estariam existindo entre os candidatos Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais. O embate aqui é saber quem irá liderar a chapa, se Caiado ou Zema. Também hoje o jornal O Estado de São Paulo dedica seu editorial a uma análise da visita do pré-candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca, criticando o fato de ele se parecer como alguém absolutamente subserviente ao presidente americano, algo que sinaliza sobre como seria um eventual governo do bolsonarista. Acreditamos que ninguém tem dúvidas sobre tal comportamento de Flávio Bolsonaro caso ele chegue à cadeira do Palácio do Planalto. Isso já está claro há um bom tempo, inclusive a partir da gestão do seu pai, Jair Bolsonaro, favorável a abertura de exploração das reservas do subsolo da Amazônia, gestão da Base de Lançamento de Alcântara, etc. 

Salvo melhor juízo, ele já deixou claro a anuência de classificar as facções que atuam no país como narcotraficantes. O que fica claro na doutrina Trump é que ele deseja governos afinados com as políticas emanadas da Casa Branca para todo o continente, em parte traduzida no Escudo das Américas. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, por exemplo, criou uma espécie de força tarefa para localizar, até debaixo d'água, traficantes que haviam escolhido o país como um esconderijo inalcansável. Um casal de traficantes brasileiros foi preso recentemente no país, morando numa mansão avaliada em R$ 6 milhões de reais. Já existem presos condenados nos Estados Unidos "hospedados" na masmorra do CECOT, criada por Nayib Bukele. Por falar em postura, alguém já observou o esforço que Donald Trump faz para "parecer" sorrindo?

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Editorial: O fim da escala 6X1



Comissão da Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6X1, algo que vem repercutindo bastante no noticiário político no dia de hoje, 28. Nesta queda de braço entre capital e trabalho, assim como entre Governo e Oposição, as opiniões se dividem. O Governo Lula 3 está festejando bastante a medida, uma vez que ela ocorre num momento importante, há alguns meses da eleição, onde Lula disputa um quarto mandato. Os meios de comunicação estão inundados com propaganda institucional do Governo defendendo o fim dessa escala 6X1. Por sinal, são campanhas institucionais muito bem elaboradas, creditando ao Governo a defesa dos trabalhadores e apelando para o emocional. Não vamos aqui entrar nessa bola dividida, mas vamos relatar para vocês um pouco dessa queda de braço entre capital e trabalho ao longo do tempo, tomando como referência alguns episódios dessas árduas conquistas históricas e como elas foram tratadas ao longo da História. 

São episódios pontuais, mas dão a dimensão de como os trabalhadores foram ultrajados pelo interesse do capital ao longo do tempo, inclusive no país e, em particular, tomando como parâmetro o caso que vamos relatar: Em 1900 um oligarca sueco comprou glebas de terra na região metropolitana do Recife, assim como uma antiga fábrica de sacarias para armazenagem de açúcar, em processo falimentar. Começaram explorando alguns negócios, a exemplo de uma usina de açúcar, mas resolveram se concentrar na indústria têxtil, transformando aquela fábrica falida num colosso parque têxtil, que chegou a ser o maior da América Latina.  Ao longo do tempo, além de expandirem a produção com a abertura de duas novas indústrias, expandiram os negócios para o varejo de tecidos. 

O grupo mantinha uma relação complicada com os operários e operárias, a ponto de, em determinado momento, foram tratados pelo oligarca, em seu diário, como unidades produtivas. Algumas décadas depois foram iniciados os primeiros conflitos entre capital e trabalho. Havia jornadas de 12 horas de trabalho, com o emprego de mão-de-obra feminina. As mulheres, aliás, enfrentariam os primeiros conflitos de posicionamento contra tal exploração. Foram elas, igualmente, - por alguma razão não bem aprofundada até hoje - que estiveram sempre na liderança desses movimentos de enfrentamento contra aquelas condições de trabalho. Mas, vamos por parte. O primeiro desse movimento ocorreu em razão de um pleito dessas mulheres por uma hora semanal para realizarem suas feiras, também organizado pelos donos da companhia de tecidos, que mantinham roçados produtivos naquela cidade-fábrica. 

A concessão do descanso semanal remunerado provocou um grande alvoroço na indústria, que não desejava permitir esse direito aos operários e operários. Se submeteram à legislação que entrava em vigor, mas passaram a adotar uma contrapartida rigorosa, como a não concessão do direito a quem se atrasasse, por menor que fosse este atraso, assim como reduziu o tempo de banho dos caldeireiros de 15 para 1o minutos, sob os olhos atentos de sua milícia, que também atuava no interior das fabricas. Os caldeireiros precisavam desse tempo para um banho, uma vez que trabalhavam sob altas temperaturas. O tempo era concedido entre os turnos de trabalho. Ocorreram vários relatos de apontamentos equivocados em relação às horas trabalhadas, através de um mecanismo contábil dúbio, que poderiam ter prejudicado os operários e operárias. 

Quando, a partir do Governo de Getúlio Vargas, começaram o surgimentos dos primeiros sindicados pelo país, com incentivo do aparelho de Estado, comenta-se que um dos herdeiros do grupo convidou os operários e operárias para uma reunião onde teria afirmado que os que fossem a favor ficassem de um lado e os que fossem contra ficassem do outro. Quem ficou a favor da criação do sindicato foi sumariamente demitidos. Ele afirmava que o sindicato era ele mesmo. Quando o salário mínimo foi regulamentado, tivemos episódios dantescos, semelhantes aos aqui relatados, mas deixemos essa discussão para um outro momento para não nos alongarmos demais. Na foto acima, Friedrich Engels, responsável pela conversão de Marx ao comunismo, ao relatar para o amigo as agruras que passavam os trabalhadores e trabalhadoras ingleses, numa indústria têxtil, durante a Revolução Industrial. 

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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Charge! Borega via Tribuna Feirense

 


Editorial: Renan Santos já está na Bahia


O pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, já se encontra na Bahia denunciando em seus vídeos os horrores que o crime organizado anda cometendo naquele estado. Agora mesmo acompanhei um desses vídeos, realizadas na Praia da Gamboa, um território controlado por uma facção do crime organizado, o Comando Vermelho. Um turista, infelizmente desaviado, esteve frequentando esta praia com uma camisa da Adidas, com aquele símbolo característico, marcado em três, sendo o suficiente para o pessoal que comanda o território entender nisto uma apologia ao PCC, o que determinou a sua morte. Renan já mostrou outros fatos, como o episódio de uma interrupção de enterro, onde o caixão do defunto foi metralhado, assim como a morte de três técnicos de internet. 

Existem três estados no Nordeste que estão na iminência de entrar num colapso em relação à segurança pública: Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. A Paraíba está bem próxima deste estágio. Medidas estruturais precisam ser tomadas e rapidamente. O PT governa esses três estados e a Bahia não foi escolhida por acaso pelo candidato do Missão, que disputa espaço entre os dois principais concorrentes ao Palácio Planalto, não poupando nenhum deles. O Flávio Bolsonaro já teria dito que não irá a debates com a presença de Renan Santos. Renan, em algumas sondagens de intenção de voto, já aparece ocupando a terceira posição, à frente de gente de peso, a exemplo de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mas a calcificação da político brasileira talvez não permita que ele avance acima desses níveis. 

Em todo caso, ele está vendendo bem o seu peixe, aparece muito bem nas redes sociais e deve incomodar os principais postulantes até às eleições de outubro, principalmente se continuar trabalhando com o "medo", que deve ser mesmo o grande eleitor das próximas eleições. Renan tem sido radical em suas propostas de enfrentamento ao crime organizado, em certa medida tendo como referência o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que encarcerou no CECOT todas as gangues de criminosos que operavam ali, tornando o país o mais seguro do continente. Esta praia da Camboa fica no Morro de São Paulo e se trata de uma praia belíssima, mas, infelizmente, encontra-se nesta situação em razão de se constituírem em fonte de comércio varejista de entorpecentes. 

P.S.: Contexto Político: Esta informação sobre o assassinato de um turista pelas razões alegadas no vídeo do candidato ainda carece de confirmações oficiais. No entanto, nada se tornou absurdo nessas práticas entre esses grupos rivais. Outro dia fomos informados que, na mesma Bahia, trabalhadores da construção civil foram assassinados simplesmente porque, em estando em serviço, se recusaram a baixar a cabeça para integrantes de uma facção que transitava no local e que, provavelmente, controlavam aquele território. Este ato de "referência" passou a ser exigido pelos chefes do tráfico do local. 

Editorial: Nova fase da Operação Sem Desconto em Pernambuco


Amanhecemos esta manhã chuvosa do dia 27 com a realização de uma nova fase da Operação Sem Desconto em Pernambuco, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal, onde, por determinação do Supremo Tribunal Federal, mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, além de outras medidas, como cautelares de monitoramento, que acreditamos que seja um termo técnico para o uso de tornozeleira eletrônica. Até recentemente, numa entrevista, uma alta autoridade do INSS afirmou que o escândalo seria algo do passado, uma página virada. Contestamos por aqui, afirmando que o escândalo bilionário do roubo de aposentados e pensionistas, ao contrário, seria algo do futuro, ou seja, uma oportunidade para criar mecanismos que blindassem a autarquia das novas investidas dos gatunos do erário. 

Este enredo é nebuloso e, à medida em que as investigações avançam, pelo menos no caso do Banco Master, existe a possibilidade de uma eventual integração de facção do crime organizado ao esquema. Não é improvável, se consideramos as cifras estratosféricas que estão sempre envolvidas nas maracutaias atribuídas aos papéis podres do banco, como este último, onde os fundos da RioPrevi foram aplicados, depois de manobras ardilosas para afastar diretores que não concordavam com as operações, assim como ignorar pareceres técnicos que também não as recomendavam. Ontem, 26, comentamos sobre algo em torno de um bilhão de reais. Hoje já se sabe que o montante é bem superior, atingindo 3,7 bilhões de reais. Importante neste caso é a preocupação da PF em identificar e aplicar as penalidade legais previstas a esses "facilitadores". 

A Operação Compliance Zero já evidenciou uma provável articulação entre as operações do Banco Master e fação do crime organizado. No caso do INSS, o que estamos discutindo aqui são os chamados empréstimos consignados do banco, que esteve na iminência de ser investigado pela extinta CPMI do INSS. Não temos dados mais concretos sobre este assunto - daí a possibilidade de cometermos alguma injustiça - mas consideramos a possibilidade de Pernambuco ter sido um dos estados mais atingidos pelos fraudes do INSS, aqui avaliando não apenas o número de pessoas lesadas, mas, e principalmente, os fraudadores.  

terça-feira, 26 de maio de 2026

Editorial: Bolívia, país esconderijo


A incansável Polícia Federal fez mais uma busca e apreensão em residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, desta vez em razão de aplicação de quase um bilhão de reais dos fundos previdenciários de servidores estaduais no Banco Master. Os investigadores estão entrando numa seara das mais interessantes, uma vez que estão buscando a responsabilização de agentes públicos, talvez até mesmo do quadro efetivo, que estão autorizando esses investimentos. Isso ocorreu em todo o Brasil. São inúmeras prefeituras municipais que aplicaram recursos dos servidores em fundos do banco, talvez mesmo sabendo que se tratava de algo temerário, inseguro. Por que fizeram isso? É uma boa pergunta. Auferiram alguma vantagem? A conta, no final, quebrou para os servidores públicos estaduais ou municipais, que agora aguardam o ressarcimento do erário através do FGC. Este é um assunto que iremos aprofundar mais tarde. 

Hoje, 26, foi preso na Bolívia o senhor Gerson Palermo, que estava foragido há mais de seis anos, acusado de supostas ligações com o PCC. Palermo cumpria pena no Brasil e fugiu em condições pouco esclarecidas até hoje. Mas isso não é o mais importante. O importante mesmo é a condição de um país como a Bolívia, que hoje se transformou numa espécie de porto seguro para faccionados brasileiros encrencados com a justiça. Uma espécie de país esconderijo. São recorrentes os casos de procurados pela justiça brasileira e de outros países que estão sendo capturados na Bolívia. Em tese isso já seria reflexo da integração do presidente daquele país, Rodrigo Paz, à operação Escudo das Américas, voltada para o enfrentamento do crime organizado no continente. Depois da reunião com Trump, a chapa esquentou para os traficantes escondidos no país. 

Soubemos há pouco que o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, já se encontra a caminho da Casa Branca para uma conversa com o presidente americano, Donald Trump. Há muita gente interessada nesta agenda, sobretudo se considerarmos a questão da geopolítica definida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, que também pode ser classificada como doutrina Trump. Enquanto o Governo Lula tem reticências a tal doutrina, a afinidade de uma candidatura como a de Flávio Bolsonaro são evidentes. 



Editorial: A gestão da crise do "Dark Horse"


Não há dúvidas de que o pré-candidato Flávio Bolsonaro geriu mal a crise do "Dark Horse", quando ele foi enredado em diálogos e uma visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, quando este já estava usando tornozeleira eletrônica. Também não se pode culpar sua assessoria de marketing político em razão de suas atitudes, se entendermos que, possivelmente, não foram eles não o aconselharam a mentir. Em todo caso, bastante pressionado - até pelas pesquisas, que mostram um relativo declínio de suas intenções de voto - ele resolveu mudar sua equipe de marqueteiros e está em visita aos Estados Unidos, onde deve manter um encontro com o presidente Donald Trump. Este encontro será marcado por simbolismos políticos que os petistas não estão nenhum pouco satisfeitos. 

Teme-se até um eventual apoio explícito de Donald Trump ao candidato, o que não seria de todo improvável diante da conjuntura continental do Escudo das Américas, onde o Governo dos Estados Unidos tenta ajustar os mandatários dos países do continente aos seus objetivos geopolíticos. Até recentemente, Lula esteve com o presidente Donald Trump, mas, a despeito das boas conversas, sabe-se que o presidente americano não abre em relação a algumas questões. Uma delas e classificar como narcoterroristas organizações do crime organizado que atuam no país. Aqui estão envolvidos interesses geopolíticos gigantescos e não é a posição que Lula apoia sobre o assunto que será determinante. 

Neste tabuleiro, por exemplo, existe a China, que mantém um expressivo comércio com o país e que o Tio Sam não gosta nenhum pouco dessas intimidades, assim como ocorreu na Venezuela. Declarar as nossas facções como organizações terroristas daria uma liberdade de ação dos Estados Unidos inclusive em nosso território, possivelmente trazendo prejuízos para o comércio entre os brasileiros e os chineses. Os Estados Unidos estão adotando essa política do torniquete até o sujeito sangrar, como ocorreu com Nicolás Maduro. Cuba é a bola da vez. Na foto acima, Eduardo Fischer, novo marqueteiro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.  

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Editorial: A CIA em Havana



O diretor da Agencia Americana de Inteligência(CIA) John Ratcliffe está em Havana, a capital de Cuba. Com o indiciamento do ex-presidente Raul Castro, tudo leva a crer que Cuba será a próxima pedra a cair no tabuleiro da geopolítica americana para o continente, assim como ocorreu a com a Venezuela. Possivelmente não estaríamos lendo esta notícia nos tempos áureos da Revolução Cubana. O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos acabou com a ilha caribenha. Soma-se a isso o corte de combustível e a parceria econômica que era mantida com a Venezuela até bem pouco tempo. Cuba está vivendo o seu pior momento. Acreditamos que nem na época da sanguinário ditadura de Fulgêncio Batista as coisas chegaram a este nível. Os Estados Unidos pressionam a ilha política e militarmente. Ajuda apenas se eles cederem. 

Em 2023 escrevemos um longo conto sobre as condições da ilha a partir de um suposto diálogo com um assessor de Tomás Gutierréz Alea, então dirigente do ICAIC( Instituto Cubano del Arte e Indústria Cinematográfica). O ICAIC foi uma das maiores escolas de cinema da América Latina. Durante a narrativa, invocamos as impressões de um visitante estrangeiro à ilha, cruzando becos e viela de Havana, convivendo com pessoas, observando o cotidiano da ilha, relatando seus problemas. Memórias do Subdesenvolvimento foi um dos melhores filmes realizados por Alea. O mais emblemático no filme são as impressões de um cidadão que, logo após o êxito da Revolução Cubana, resolve permanecer no país para observar como seria o governo revolucionário. Alea foi o grande cineasta da Revolução Cubana. 

Há muitos anos atrás, quando ele era o dirigente do ICAIC, a censura a um documentário sobre o cotidiano de Havana produziu um frisson no campo da esquerda. O documentário tratava exatamente dos problemas enfrentados por habitantes da periferia de Havana, dos becos, vielas, gente desocupada, bêbados, prostitutas, drogados. À época, os produtores foram acusados de contrarrevolucionários, uma contradição no contexto do que representava o ICAIC para o cinema não apenas de Cuba, mas da América Latina. O conto foi selecionado para sair numa coletânea. Pelo menos no conto, ainda tivemos a oportunidade de tomar um daikiri cinematográfico no cais de Havana. Antes da chagada dos Yankees, naturalmente.  

Editorial: Um escândalo para não ser esquecido



Há muita coisa ainda a ser investigada acerca do escândalo do INSS, principalmente quando se descobre que "novos" escândalos estão a ele associados, como é o caso do escândalo do Banco Master, que teria arrecado bilhões dos aposentados através dos famigerados empréstimos consignados. A CPMI do INSS caminhava, inclusive, para desvendar vínculos perniciosos desse esquema com o crime organizado. Infelizmente a CPMI foi interrompida antes que o seu trabalho pudesse ter sido concluído a contento. Até o seu relatório deixou de ser aprovado, mesmo com a precisão dos trabalhos realizados pelo seu relator, o deputado federal alagoano, Alfredo Gaspar. Atores importantes envolvidos neste enredo deixaram de ser ouvidos e, portanto, responsabilizados pelos seus atos. 

Outros tantos envolvidos, figuras de proa, aliás,  já demonstraram a intenção de integrar programa de delação premiada. O órgão precisa ser republicanizado, blindado de forma segura para evitar novas investidas dos gatunos. Esteve bastante vulnerável, permitindo que os segurados fossem submetidos a todo tipo de achaques. A avaliação de órgãos de controle, a exemplo do TCU, ao recomendar cautela em relação à novos empréstimos, conforme assegura o editorial do Estadão do dia de hoje, 25, a partir de uma entrevista com Wolney Queiroz, Ministro da Previdência, é uma evidência da possibilidade de possíveis vulnerabilidades. O escândalo do INSS não é uma coisa do passado, mas do futuro. 

É curioso como, neste momento, os maiores escândalos de corrupção do país passaram a ter um modus operandi comum, quase sempre envolvendo altas autoridades com o crime organizado, culminando com recursos escondidos em paraísos fiscais e aquisições de mansões através de laranjas nos Estados Unidos. Em certa medida, alguns órgãos públicos brasileiros se tornaram tão vulneráveis que podem ser comparados a uma tábua de pirulitos, como se diz aqui no Nordeste. Entende-se, em grande medida, uma preocupação premente do órgão em encerrar as gigantescas filas, mas é preciso aprimorar os mecanismos de proteção desses novos segurados. 

domingo, 24 de maio de 2026

Editorial: As supostas mansões de Vorcaro nos Estados Unidos.


Hoje, 24, as redes sociais estão repletas de informações acerca da localização de eventuais mansões atribuídas como sendo de propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Naturalmente que existe aí um mecanismo já conhecido para adquirir esses bens em nomes de terceiros, não se identificando o dono legítimo dos imóveis. Por outro lado, antes de uma comprovação legal, a partir dos órgãos competentes, tudo fica apenas no terreno das suposições. São mansões caríssimas, cinematográficas, de tirar o fôlego, localizado em endereços privilegiadíssimos dos Estados Unidos. A CPMI do INSS foi interrompida no momento em que avançava sobre as investigações acerca dos famigerados empréstimos consignados de pensionistas e aposentado concedidos pelo Banco Master. 

Como não se avançou suficientemente nessas investigações, por razões conhecidas, não dá para afirmar, categoricamente, sobre as cifras movimentadas, mas já se sabia que a quantia envolvida era vultosa. O paradoxo disso tudo é que os pobres velhinhos, sem dinheiro até para adquirir os remédios para assegurar um pouco de paz em suas doenças crônicas, podem ter contribuído para bancar a luxúria de políticos, empresários e banqueiros pelo mundo afora. Conforme informamos no editorial anterior, a delação premiada do banqueiro não vai muito bem. Sem nenhuma outra alternativa, ele vai acabar revelando nuances dessa engrenagem, onde se presume que ele não seja, necessariamente, o cabeça. Vamos aguardar os próximos lances desse jogo nefasto. 

Nas redes sociais também circula um vídeo do pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, como se diz popularmente, metendo o sarrafo numa oligarquia política pernambucana. Renan pretende percorrer a Bahia, produzindo vídeos para  divulgação nas rede sociais, com críticas duras ao Governo do PT no estado. Segundo as avaliações do pré-candidato, a Bahia é um retrato do que pode virá o Brasil se o partido for mantido no governo. Renan toma como referência o episódio onde traficantes de uma facção invadiram um cemitério para metralhar o caixão de um desafeto que estava sendo enterrado. Um simbolismo para deixar claro quem era dono do território, mas que chocou um país católico, onde nem o momento de dor de uma família foi respeitado. Este episódio está sendo muito "explorado" e ainda pode produzir muitos danos políticos. 

sábado, 23 de maio de 2026

Editorial: Por que a delação de Daniel Vorcaro não está dando certo?


Eis aqui uma boa pergunta, em meio a tantas especulações a respeito. Por recomendação da PGR, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou à cela que ocupava na sede da Polícia Federal, em Brasília. A argumentação da PGR é que, numa cela de prisão comum, ele poderia manter contato com pessoas ligadas ao esquema do Master. Na realidade, aos "esquemas", uma vez que o enredo é carregado de ilicitudes, algo que deverá comprometer sensivelmente a vida do ex-banqueiro. Dizem que seu pai, inclusive, enfrenta hoje problemas psicológicos em relação à prisão. A primeira especulação que começou a surgir dava conta de que a transferência do cumprimento de pena significa novas negociações em relação ao processo de delação premiada. 

Para não entender assim, temos dois argumentos fortes: o da PGR, ao recomentar a sua transferência, prontamente aceita pelo Ministro André Mendonça; e a destituição dos seus advogados, grupo liderado por José Luís de Oliveira Lima, talvez o maior especialista brasileiro nesses acordos de delação premiada. Vorcado está contratando outra banca de advogados. Se, de fato, as negociações estão avançando em termos de ajustes desse acordo, por que razão ele se desligou de sua banca de advogados original? A nova banca contratada trabalha com esses processos? Hoje, 23, passou a circular a informação de que ele teria aumentado o montante a ser devolvido ao erário. Antes eram R$ 40 bilhões. Passou para R$ 60 bilhões. 

O que temos de concreto mesmo é que a consolidação do processo de delação premiada está se tornando cada vez mais difícil, uma vez que ele poderia entregar muito mais do que a Polícia Federal já sabe, facilitando o trabalho dos investigadores, uma vez que não tem outra saída. E, por falar em Vorcaro, produtores do filme "Dark Horse" afirmam que não receberam nenhum centavo dos R$ 60 milhões supostamente liberados pelo ex-banqueiro.  Aonde foi parar esses R$ 60 milhões? 

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Editorial: Aécio Neves candidato à Presidência da República?



É o que sugere a coluna Radar, da revista Veja, assinada pelo jornalista Robson Bonin. Segundo o jornalista, o deputado federal Aécio Neves, hoje dirigente do PSDB, pretende lançar sua pré-candidatura à Presidência da República e já recebeu o sinal verde do Cidadania, que pretende formalizar uma federação com os tucanos. Uma coisa que não se pode dizer sobre ele, neste momento, é que ele está sendo egoísta, uma vez que, até recentemente, fez gestões para que o ex-ministro Ciro Gomes aceitasse a missão de assumir uma nova candidatura ao Planalto. Aécio Neves vê uma possibilidade que, de fato, existe. A superação da calcificação da política brasileira, hoje traduzida nesta polarização entre petistas e bolsonaristas. Duas propostas superadas. A questão é levar o eleitorado a fazer esta reflexão. 

Aécio, neste momento, age muito mais como homem de partido, motivado em reaver os bons tempos dos tucanos na política brasileira. Ele faz previsões otimistas sobre a bancada de parlamentares que o partido pode compor, assim como conta com o bom desempenho de nomes que disputam o executivo estadual na região Nordeste, a exemplo de Ciro Gomes, no Ceará, e JHC, em Alagoas. É curioso que um partido que tinha o seu ninho mais emplumado em estados da região Sudeste tente essa retomada à ribalta pelo Nordeste, um reduto histórico do PT. Em São Paulo sugere-se que tenha entrado cuco no ninho, uma vez que o partido nunca mais conseguiu acertar o passo. 

Uma vez consolidada a pré-candidatura, Aécio Neves seria mais um a tentar furar a bolha da calcificação. Salvo melhor juízo, ele aparece bem nas pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal, em Minas Gerais. Em Alagoas, o jogo político tornou-se tão intrincado que despertou no nosso interesse em acompanhar. Dizem que JHC respirou aliviado quando soube que Ciro Gomes não seria mais pré-candidato à Presidência da República, uma vez que ele não deseja assumir compromisso cm nenhum palanque para a Presidência da República. Confirmada a candidatura de Aécio Neves mantém-se tal postura? 

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Editorial: Datafolha confirma "erosão" da candidatura de Flávio Bolsonaro


Em certa medida, ao confirmar os números apresentados por uma pesquisa anterior do Instituto Atlas\Intel, a pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no dia de ontem, 22, sobre a corrida presidencial de 2026, evidencia os danos produzidos sobre a campanha do senador Flávio Bolsonaro depois da divulgação dos áudios do site Intercept. Na pesquisa divulgada ontem, num eventual segundo turno, Lula abre 4% pontos percentuais de diferença sobre o oponente, num certame que aparecia, até então, equilibradíssimo, por vezes o Flávio aparecendo à frente de Lula numericamente. Há várias leituras que se possa fazer dos números divulgados pelo Datafolha. Nenhum candidato na disputa consegue amealhar vantagem deste momento de dificuldade encontrado por Flávio Bolsonaro, ou seja, os votos que ele está perdendo não estão migrando para nenhum candidato, como reflexo da dinâmica da disputa. 

Flávio ainda está no páreo, a despeito das dificuldades. Isso talvez explique o fato de ele ter trocado seu marqueteiro de campanha recentemente, possivelmente em razão da gestão de crise. Como reage o eleitorado a determinadas narrativas é algo que ainda merece muitas avaliações. Mesmo em se tratando de questões éticas, o eleitorado pode simplesmente relevá-las em razão de sua identificação com o candidato. Pesquisas do mesmo Datafolha mostram contingentes de eleitores que sequer tomaram conhecimento sobre a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, assim como sobre o "Dark Horse". O jornal O Estado de São Paulo, órgão bastante influente no mercado, publicou um editorial "definitivo" sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Alguém leu? 

Não vamos aqui entrar nas nuances para não melindrar os bolsonaristas, mas, estamos tratando de uma candidatura que já nasce sob o signo de problemas. Setores importantes do PF, inclusive, desejavam que o candidato fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O capitão é que não abriu mão de ter um herdeiro legítimo disputando seus votos na eleição. Vamos aguardar os próximos lances da disputa, quando se sabe que o novo marqueteiro deve utilizar uma nova estratégia para o enfrentamento da crise, mesmo se sabendo que os equívocos cometidos não podem ser creditados na conta do marqueteiro anterior. 



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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Editorial: A interiorização do crime organizado


Comentar sobre a "interiorização" do crime organizado, quando que sabe que organizações como o PCC já atuam em diversos países do mundo, constituindo-se numa espécie de multinacional, pode parecer até algo desatualizado. A verdade é que eles estão em todas. Do tráfico de drogas para a Itália até aos garimpos ilegais dos rincões da Amazônia, alguns em terras indígenas, com prejuízos ambientais e humanos colossais. Atuam no parlamento, no judiciário, no executivo em todos os níveis, até de forma "legal" vencendo licitações públicas, utilizando-se de CNPJ. É assim de São Paulo até Cabedelo. O termo "interiorização" aqui é apenas para fazer alusão às recentes operações policiais realizadas entre os estados que hoje apresentam os índices mais críticos da presença do crime organizado, entre eles a Paraíba. 

São cada vez mais recorrentes as incursões de operações do crime organizado em cidadezinhas antes pacatas, do interior, com registro, inclusive, de mortes violentas e brigas entre facções. O fenômeno se constitui apenas numa capacidade do crime organizado adaptar-se a inúmeras realidades, bem como se contrapor às investidas das operações policiais nos grandes centros urbanos ou metropolitanos. Quem imaginaria, há alguns anos atrás, a presença ostensiva de facções do crime organizado com atuações efetivas em regiões como Tejucupapo, São Lourenço, Pontas de Pedra, na região de Goiana, Litoral Norte do Estado? 

Regiões históricas, com a presença forte, como é o caso de São Lourenço, de comunidades quilombolas. Escrevemos até um romance sobre a Comunidade Quilombola de São Lourenço, que costumávamos visitar, com regularidade, com os nossos alunos e alunas. Bons tempos aqueles, cuja única preocupação era com a caldeirada da Irene ou  com a comida de santo, gentilmente servida pelas religiões de matriz africana da localidade. Três fatores explicam essa presença do crime organizado em cidades interioranos. Se pudéssemos resumi-los: ausência do Poder de Estado. Estruturas policiais frágeis; menor capacidade de investigação; presença reduzida do aparelho de Estado. 

Na ilustração acima, a Comunidade Quilombola de São Lourenço, com destaque para a igrejinha onde começamos a nossa preleção com a turma. Exatamente com o propósito de descontruir essa questão do preconceito religioso, não paramos por aí. Depois vamos visitar um assento de Jurema Sagrada, almoçamos num terreiro de umbanda e, já no finalzinho da tarde, ainda acompanhamos um culto evangélico.



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Editorial: Renan Santos no radar do Datafolha



Há uma grande expectativa em torno da nova pesquisa do Instituto Datafolha, sobre a disputa presidencial de 2026, que deve ser divulgada nas próximas horas. Pelo andar da carruagem política, mantida as circunstâncias atuais, muito dificilmente a candidatura de Flávio Bolsonaro se manterá de pé. Os dirigentes do PL informaram que o tal do ultimato dos 15 dias não estava relacionado às eventuais denúncias que envolvem o candidato, mas em relação à reação dos eleitorado, que pode ser aferido logo mais com a divulgação da pesquisa do Datafolha Na realidade, não há como separar um coisa de outra, entendendo que uma coisa reflete necessariamente sobre a outra. 

O problema são os arranjos dentro da direita bolsonarista em relação ao assunto, uma vez que o capitão já determinou que o seu herdeiro político seria o senador Flávio Bolsonaro. Uma candidatura que, aliás, que já começou com uma série de problemas, mas o eleitor bolsonarista renhido foi capaz de tolerar. Na realidade, de um modo geral, o país está órfão de candidaturas que respondam, neste momento, aos graves problemas que o país enfrenta, um encilhamento montado por esta armadilha da polarização. A questão que se coloca neste momento é como ficará a dinâmica da disputa com uma eventual queda da candidatura de Flávio Bolsonaro, seja em relação à capilaridade junto a um eleitorado bolsonarista consolidado, seja mesmo, em última análise, uma desistência. 

Aqui, várias hipóteses estão sendo lançadas, uma  vez que temos muitas opções à direita. Direita mais moderada, direita mais radical, direita para todos os gostos. A esquerda é luladependente. Uma dessas possibilidades é uma migração para a candidatura de Renan Santos, nem tanto pelas suas propostas, mas, sobretudo, pelo espaço que ele vem conquistando com sua atuação pelas redes sociais, algo que ele domina muito bem e isso pode fazer a diferença, conforme as últimas eleições demonstraram, inclusive no Brasil. Renan é aquele candidato que atua na fadiga do PT e no desgaste da grande família. 

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Editorial: Delações insuficientes


Pelo andar da carruagem política, a Polícia Federal já trabalha com a rejeição da proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, assim a do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A razão é simples. Essas delações não estão acrescentando absolutamente nada ao que a PF já sabe sobre esse enredo nebuloso, traduzido não apenas como a maior fraude do sistema financeiro brasileiro, mas interligado a uma rede de maracutaias de toda ordem. Vorcaro voltou a cumprir pena numa cela comum, em condições absolutamente distinta da cela que ele ocupava na sede da Polícia Federal, em Brasília. Há um consenso de que a proposta de delação premiada não será aceita, mesmo com as rasuras e emendas. 

Ele nunca chega ao que se pretende, ou seja, facilitar as investigações da Polícia Federal, apontando as autoridades compradas com recursos fraudulentos, entre outros "detalhes" sobre os quais a PF está debruçada. Certamente tem dado mais trabalho, mas a PF aprofunda as investigações mesmo se a colaboração do ex-banqueiro. Dizem que ele tem reclamado bastante, se sentindo abandonado. Acossado, tudo é possível. Inclusive nada. Ele sabe muito, mas não deseja falar. Será que vai aguentar o tranco de uma prisão comum? Muito improvável. Na outra margem do rio, mas não tão distante, a PF aprofunda investigações que corroem, a cada dia, a sustentabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro. Num dia são os diálogos sobre o financiamento do "Dark Horse"; no outro, os encontros negados;  depois, o escândalo do REFIT; e, agora, supostas emendas para favorecer gente ligada à morte de Marielle Franco. Uma tempestade perfeita. 

É pressão de um lado e do outro. Toda a direita está tentando tirar proveito deste momento difícil da candidatura do representante do bolsonarismo na disputa presidencial de 2026. Enquanto ele é cobrado pelos seus pares, candidatos como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos tentam ocupar este vácuo. O mais ousado de todos é o candidato do Missão, Renan Santos, um candidato que já aparece no retrovisor das pesquisas de intenção de voto sobretudo em razão de sua comunicação com o eleitorado mais jovem, que acompanha esses movimentos pelas redes sociais, onde ele tem forte penetração. 

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Editorial: O ultimato a Flávio Bolsonaro


Já faz algum tempo que a verdade foi completamente relativizada e passamos a viver das narrativas, que se replicam continuamente, mesmo quando não procedem. O cérebro tem dificuldade de buscar a verdade dos fatos, as implicações jurídicas de propagar inverdades, as consequências reais dessas atitudes em relação às vítimas atingidas, daí o perigo dessas narrativas. Causava neste editor um profundo desconforto - quem acompanha o blog sabe disso - as narrativas de membros do PT durante os trabalhos da CPMI do INSS, tentando jogar na conta do bolsonarismo a responsabilização do escândalo do roubo dos aposentados e pensionistas, quando se sabia primariamente, que estávamos lidando com um escândalo sistêmico, estrutural, de longas datas, sem viés ideológico. 

Passamos a imaginar quantos outros ouvintes sentiam o mesmo desconforto com a desonestidade dessa narrativa. A investida de membros do Governo no sentido de propor uma CPMI do Master neste momento é simples. O escândalo também pode ser associado ao bolsonarismo, principalmente depois que vieram à público os tais diálogos cabulosos. Desta vez seria o Bolsomaster, um expressão simples, fácil de decorar, que pega com facilidade, não exigindo muito esforço dos neurônios, principalmente no calor de uma campanha eleitoral. O esquema urdido pelo ex-banqueiro, atingiu atores e instituições dos Três Poderes da República. Trata-se de um enredo nebuloso, assim como o escândalo do INSS, também sistêmico, com suspeita de ramificações até com o crime organizado. 

A situação de Flávio Bolsonaro é bastante complicada. Seu nome poderia ser associado a outro escândalo no Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo. Aliados já teriam sinalizado que ele teria alguns dias para tentar se recuperar da refrega, sob pena de se passar a pensar, concretamente, numa outra alternativa de candidatura. Nomes como Ronaldo Caiado e  Romeu Zema já tentam ocupar este vácuo político. Num encontro dos prefeitos, ocorrido em Brasília, um dos candidatos ao Planalto chegou a sugerir que, se o indivíduo tem seu nome associado ao banqueiro Daniel Vorcaro não pode pleitear ocupar a Presidência da República. 

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Editorial: Real Time Big Data aponta empate técnico entre Ciro e Elmano no Ceará.



Quem acompanhou o lançamento da pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes ao Governo do Estado do Ceará, que ocorreu no último dia 16, no simbólico bairro do Conjunto Ceará, sabe que ele não está para brincadeiras. Ele vai para cima, com chances reais de ocupar a cadeira do Palácio da Redenção a partir de janeiro de 2027. Hoje ele está anunciando que chega ao Cariri, no dia 22, para abraçar os eleitores da região. Ele vem mantendo o ritmo de campanha que o  coloca numa vantagem competitiva até agora em relação ao candidato do PT, Elmano de Freitas. O Ceará enfrenta um gravíssimo problema de segurança pública e o "medo" será o grande eleitor de 2026. 

Os analistas advogam que, se ele mantiver este ritmo de campanha, ninguém tira a eleição dele. O Ceará, a despeito dos problemas, é uma arena emblemática para o PT no Nordeste. Ali se espera que o partido aposte todas as suas fichas na eleição de um aliado. Até mesmo a substituição de Elmano por Camilo Santana passou a ser cogitada. Não sabemos se por iniciativa pessoal ou por orientação dos seus marqueteiros, Ciro Gomes vem nacionalizando a campanha, com ataques duros ao PT. Camilo Santana deixou o Ministério da Educação para a ajudar no projeto de reeleição de Lula, mas se sabe nas entrelinha que ele focará mesmo na disputa do Ceará, onde já está engajado na campanha de Elmano de Freitas. Numa disputa direta com Ciro ele equilibra o jogo. 

Hoje, 20, porém saiu uma pesquisa que dá um certo alento aos petistas. Nesta pesquisa, Elmano de Freitas aparece em empate técnico com Ciro Gomes no primeiro e no segundo turno, numericamente à frente, inclusive. Nenhum questionamento aqui em relação aos dados apresentados pelo instituto, mas cumpre fazer uma consideração inevitável. Os dados destoam acerca de uma tendência de favoritismo da candidatura de Ciro Gomes, atestada por pesquisas anteriores realizadas por outros institutos. O mais surpreendente ainda é que a pesquisa foi realizada um pouco depois da confirmação da pré-candidatura de Ciro Gomes, evento bastante concorrido. O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores, por telefone, entre os dias 18 e 19 de maio. A margem de erro é de 2.p.p, com escore de confiabilidade de 95%, registro: TSE\CE- 03509\2026. 

Primeiro Turno: 

Elmano de Freitas(PT)        43%

Ciro Gomes(PSDB)               40%

Segundo Turno: 

Elmano de Freitas(PT)         46%

Ciro Gomes(PSDB)                45% 

Editorial: "Dark Horse", em breve, num cinema perto de você!



A situação do candidato Flávio Bolsonaro pode se complicar ainda mais, a partir de informações que tivemos acesso. Aqui se aplica a máxima dos males que vem para pior. Seus assessores o aconselharam a não manter qualquer contato com um ex-governador enredado até a medulo em investigações da Polícia Federal. O pior é que o tal governador é uma pessoa muito próxima ao candidato. As explicações sobre o contato mantido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, quando ele já estaria utilizando tornozeleira eletrônica, também não convenceram. Pegou mal e agrava a sua situação diante de um eleitorado que está reagindo negativamente em relação a essas atitudes. A pesquisa do Atlas\Intel, publicada ontem, 19, com repercussão aqui pelo blog, mostra exatamente isso. A boca do jacaré abriu com 7 pontos de vantagem favoráveis a Lula num eventual segundo turno. O Planalto vem explorando as contradições do candidato à exaustão pelas redes sociais.  

Em todo caso, a produção do filme Dark Horse afirma que o filme continua em andamento e será apresentado ao público, independentemente dessas questões de natureza política. Não é bem o nosso caso, mas quem entende de produção cinematográfica afirma que o custo está muito alto para os padrões. Não podemos entrar neste mérito. Vamos aguardar o filme do capitão, que deve estrear, em breve, num cinema perto de você. Isso nos fez lembrar dos antigos cinema de bairro. Aqui no Recife tínhamos alguns deles, a exemplo do Veneza, do Moderno, do São Luiz, do Trianon, do Arte Palácio. Além da capital, alguns bairros também mantinham suas salas de cinema. Hoje eles estão confinados aos Shopping Centers, sem aquele glamour de antes. 

Nos intervalo das sessões, os filmetes do inesquecível Canal 100, com cenas do futebol brasileiro produzidas impecavelmente, com gols em câmara lenta, closes da torcida, dribles e jogadas épicas. Quando essas narrações, com aquela música característica, eram acompanhadas das crônicas do pernambucano Nelson Rodrigues, era mesmo de arrepiar. Estávamos observando que já existe uma grande produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há livros sobre o seu período na caserna, como ele chegou à Presidência da República e também sobre o seu Governo. "Dark Horse" possivelmente complementa essa biografia.  

terça-feira, 19 de maio de 2026

Charge! Kleber via Correio Braziliense

 


Editorial: Atlas\Intel mostra o efeito "Dark Horse" sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro.



Acaba de sair os números da pesquisa do Instituto Atlas\Intel sobre a corrida presidencial de 2026. Como os próprios trackings do instituto já havia antecipado, o efeito "Dark Horse" já pode ser sentido sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Não havia a menor dúvida de que isso iria se refletir sobre a candidatura do Bolsonarista, que passa a perder tração ou competitividade neste momento de pré-campanha, permitindo que o petista respire um pouco aliviado, uma vez que melhora seus índices de aprovação e competitividade no pleito que se aproxima. Lula amplia seus escores tanto no primeiro quanto no segundo turno da disputa. Este é um dado dos mais importantes, que pode ser confirmado pela pesquisa do Instituto Datafolha, que deve sair ainda nesta semana. 

O eleitor, mesmo diante das fragilidades das explicações que foram dadas até o momento sobre o assunto, poderia simplesmente ignorar o ocorrido, principalmente nesses momentos de torcida organizada, de polarização esgarçante, de pós-verdade, onde uma mentira dita sobre um adversário é verdade inquestionável e uma verdade sobre um amigo é uma mentira deslavada. Quer dizer, é tudo muito relativo. Neste caso, entretanto, o eleitor resolveu desconfiar dessas narrativas, o que deve ter deixado o Planalto em estado de graça. Na realidade, não há muito o que ser comemorado, uma vez que o jogo ainda está equilibrado e já se pensa na possibilidade de substituição do nome de Flávio Bolsonaro na disputa. 

Na realidade, a candidatura de Flávio vem de uma condição de fragilidades desde o início. Uma candidatura que se sustenta em função de uma polarização política que continua produzindo seus efeitos danosos ao país. É uma candidatura "inconsistente" sob vários aspectos. Um dado que passa a chamar a atenção é o terceiro lugar ocupado pelo pré-candidato Renan Santos, do Missão que vem soltando rojões pelas redes sociais. Renan utiliza de forma magistral as redes sociais e pode surpreender na disputa, principalmente entre os jovens. A pesquisa do Instituto Atlas\Intel foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, com 1p.p de margem de erro, ouviu 5.032 eleitores pela internet  e está registrada no TSE sob o número: BR-06939\2026. 

Primeiro Turno

Lula(PT)    47%

Flávio Bolsonaro(PL)     34,3%

Renan Santos(Missão)     6,9%

Segundo Turno: 

Lula(PT)      48,9%

Flávio Bolsonaro(PL)      41,8% 

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Editorial: Michelle será testada.


A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem uma eleição para o Senado Federal praticamente assegurada, concorrendo pelo Distrito Federal. Está claro, desde o início, um eventual conflito de interesses entre a ex-primeira-dama e o clã Bolsonaro. Qualquer esboço de uma tentativa de Michelle no sentido de viabilizar seus projetos políticos, isso logo é desaconselhado por membros da família Bolsonaro. Agora, diante das dificuldades enfrentadas pela candidatura de Flávio Bolsonaro, o nome de Michelle passou a ser aventado por setores do PL como uma eventual alternativa. Ontem, numa declaração, o Eduardo Bolsonaro afirmou que a possibilidade de uma desistência de Flávio é zero. Por outro lado, as articulações políticas do senador ficaram sensivelmente prejudicadas depois que vazaram os áudios dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, enredado no escândalo do Banco Master. 

Numa declaração recente, o senador Ciro Nogueira, um dos principais expoentes do Centrão, aponta que seria prudente que o grupo político se mantivesse equidistante neste momento. Michelle tem um grande potencial eleitoral, isso já foi observado em inúmeras pesquisas de intenção de voto. Muito antes de Flávio se apresentar como o representante do bolsonarismo, Michelle já aprecia muito bem. E a resiliência eleitoral dela permanece. Diante da atual conjuntura, não se sabe se ela terá a mesma performance de antes. Política é como as nuvens, aconselhava a raposa Magalhães Pinto. De repente, o escândalo do Banco Master pode ter o potencial amaldiçoar todos os representantes do bolsonarismo. Ou não. 

Pelo que vem sendo divulgado pela imprensa, a partir das investigações da Polícia Federal, a encrenca é gigantesca, assim como tudo que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os operadores do PL aguardam a sondagem do Datafolha, mas sabem que se oferecerem a legenda a Michelle ela topa na hora e aí teríamos uma mulher concorrendo à Presidência da República no Brasil, um fato inédito. Essa pesquisa vai mostrar também o humor do eleitorado em relação aos áudios divulgados pelo site Intercept.

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Editorial: Neymar foi convocado por Ancelotti



A crônica política de hoje está repleta de bons temas para o nosso debate cotidiano. Com o desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, sugere-se que a próxima pesquisa do Datafolha possa testar o nome da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Há versões acerca dos recursos repassados pelo Banco Master para o financiamento do filme "Dark Horse", mas, na realidade, essas versões precisam ser confirmadas através de uma documentação adequada. Uma candidatura em franca ascensão, hoje enfrenta uma crise de confiança junto aos eventuais apoiadores; A Polícia Federal, por sua vez, tomou medidas mais duras em relação à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, transferindo-o para uma prisão comum e restringindo o acesso dos advogados ao seu cliente. Há um consenso entre as autoridades que apuram o caso do escândalo Banco Master  no sentido de que o ex-banqueiro poderia colaborar muito mais. Ele pode se prejudicar sensivelmente, uma vez que a Polícia Federal avança nas investigações e a sua proposta de delação vai se tornando inútil. 

O editorial do Estadão de hoje é sobre a insistência de Lula em reapresentar o nome do advogado e amigo Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O editorialista aproveita para soltar um farpa: nada mudou no currículo de Messias desde então. Realmente não sabemos se ele atualizou o Lattes desde então, mas, mesmo assim, isso não seria suficiente para atender aos requisitos do "notório saber jurídico". No futebol, a grande paixão dos brasileiros, a comemoração da convocação de Neymar foi como se já estivéssemos ganho a copa do mundo, se estendendo por todo o país. A copa começa no próximo mês. O italiano finalmente entendeu que somos uma pátria de chuteiras, como diria o saudoso Nelson Rodrigues. Cada brasileiro é um técnico de futebol e quem escala a seleção é o torcedor. 

Imagina a encrenca em que ele iria se meter se não convocasse o Neymar. Minimiza, assim, suas responsabilidades sobre um resultado não satisfatório na competição. Pelo menos ninguém vai dizer que ele perdeu a copa por não ter convocado Neymar. Em 1978, numa copa do mundo realizada e vencida pela Argentina, o técnico Cesar Luis Menotti deixou Maradona de fora da competição. A Argentina venceu a copa, mas jamais os argentino superaram este trauma. No documentário da Netflix é triste acompanhar o trauma produzido sobre o jogador, que contava então com apenas 17 anos de idade e aquela seria a sua primeira convocação. Mais tarde, em entrevista, Menotti admitiu o grande erro que havia cometido. O pai de Maradona nunca perdoou Menotti por esta atitude. 

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