Há um debate bastante interessante sobre esses eleitores independentes ultimamente, muito incentivado, talvez, pela atenção sobre eles, a partir de algumas falas do marqueteiro João Santana, sobretudo porque eles definem as eleições presidenciais no país. São eleitores infensos à polarização política, mas capitulados por um dos lados - posto que sem alternativas - embora orientados por questões mais pragmáticas, não necessariamente ideológicas. Já foram rigorosamente independentes - não tendo nenhum candidato - já tenderam a votar na candidatura de Flávio Bolsonaro, hoje tendem, majoritariamente, a votarem no Lula. Lula hoje ostenta uma tendência de abocanhar 30% desses eleitores, Flávio 15% e 17% continuam sem definir o seu voto.
Esses dados foram levantamos pelo Instituto Quaest. Estamos tratando aqui, como os eleitores já perceberam, de um eleitorado "volátil", suscetível, mas determinante no pleito, o que significa mais uma dor de cabeça para os bolsonaristas. A candidatura de Flávio Bolsonaro, que nos permitam os bolsonaristas mais radicais, entrou num "enrosco" onde não se sabe se haverá alguma saída. Há muito coisa a ser gerenciada, dentro e fora do país. Algumas dessas variáveis a sua campanha não tem controle. As defecções passam uma imagem muito ruim para o eleitorado. Nem ele nem o Valdemar tem total controle sobre o que está acontecendo. Quem vai controlar, por exemplo, as ações de um Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, sempre considerando que suas iniciativas favorecem o irmão?
Estamos nos aproximando do pleito e adversidades nesta fase passam a ser mais complicadas. No momento é possível concluir que o avanço de Lula está mais relacionado aos erros de Flávio do que aos méritos do petista. Por uma dessas ironias do destino, Lula conta hoje com um cabo eleitoral de peso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Melhor para se construir uma "narrativa" impossível.


