Conversamos pela manhã acerca das dificuldades que enfrenta, neste momento, a pré-candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os problemas são preocupantes, uma vez que o petista está perdendo influência sobre nichos estratégicos do eleitorado, antes afinado com o petismo, a exemplo dos jovens. Mas esta já é uma outra discussão. Vamos voltar ao xadrez da cena política pernambucana. Salvo em algumas situações - como a de uma grande comoção pública - a transferência de votos não é algo automático. Há aqui algumas variáveis que podem interferir neste processo. Ilustres burocratas do corpo técnico do Palácio do Campo das Princesas, a exemplo de Paulo Câmara e Geraldo Júlio, foram eleitos, respectivamente, sem muitas dificuldades, para o Palácio do Campo das Princesas e para o Palácio Capibaribe.
Paulo como resultado de uma grande comoção pública provocada pela morte prematura do ex-governador Eduardo Campos, e Geraldo Júlio, por interferência direta deste no processo eleitoral. No segundo turno das eleições passadas, o grupo Coelho, através do ex-candidato ao Governo do Estado, Miguel Coelho, conseguiu transferir 80% dos votos do Sertão do São Francisco para a governadora Raquel Lyra. Segundo algumas avaliações, a própria governadora foi beneficiada com a morte prematura do seu esposo, durante o processo eleitoral. No Ceará e na Bahia o PT conta com o engajamento de Camilo Santana, Jaques Wagner e Rui Costa para reverter situação desfavorável aos seus candidatos. Nos dois estados, em eleições passadas, a estratégia se mostrou exitosa.
Na semana passada o vereador Eduardo Moura, do Novo, que mesmo sem se apresentar como pré-candidato ao Governo do Estado pontuava entre 5% e 8% das intenções de voto, desistiu de sua candidatura e declarou apoio ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Eduardo Moura será candidato a deputado federal. A questão que se coloca é se a governadora Raquel Lyra herda automaticamente os índices de voto de Eduardo Moura. Sim e não, para não nos comprometermos. Não seria improvável que a governadora herde esses percentuais, por dois motivos: pela identidade política\ideológica do vereador, que se situa ali do centro para a direta do espectro.
Depois, por sua conhecida combatividade oposicionista contra o prefeito do Recife, João Campos, onde se notabilizou dentro e fora dos contornos da Casa de José Mariano. Possivelmente boa parte desse eleitorado - em princípio, devem estar concentrado na Região Metropolitana do Recife, que concentra o maior número de eleitores do Recife, onde João Campos vai muito bem, sobretudo em razão do alcance de sua propaganda institucional. Hoje, por exemplo, o seu perfil tece duras críticas a um suposto atraso na entrega de material escolar para os alunos da rede pública municipal. Possivelmente esses seus posicionamentos c0ntundentes devem ser explorados no guia eleitoral da chapa do Campo das Princesas.

