Em política existe uma máxima, atribuída ao grande Ulisses Guimarães, onde ele vaticina que, não se deve manter uma distância tão expressiva que impeça uma reaproximação. Ainda seguindo esta máxima, também não se deve manter um grau de aproximação tão demasiado que impeça um afastamento. Pensamos muito nisto quando acompanhamos a peregrinação do ex-Ministro da Integração Nacional do Governo Dilma Rousseff, Ciro Gomes, que precisou se reaproximar de figuras carimbadas da política cearense, antes rejeitados pelo político. Hoje, segundo sua versão, o mais importante é unir forças para apear o PT do Palácio da Abolição. Aqui em Pernambuco, João Campos já consagrou-se em pleitos eleitorais com uma linha efetivamente antipetista. Sequer desejava que o partido integrasse o seu governo. Isso, aliás, deixou mágoas em alguns núcleos do partido, que não desejam apoia-lo no projeto de ocupar o Palácio do Campo das Princesas.
Raquel Lyra, um tanto quanto diversionista no início de sua gestão, hoje conversa com todas as tribos políticas do estado, inclusive com o PT. Não faz muito tempo, esteve efusivamente comemorando com o deputado federal Mendonça Filho algumas vitórias na Câmara dos Deputados. No dia de ontem, ao lado do ex-governador Jarbas Vasconcelos, por ocasião do lançamento do projeto "Várias Vozes- Um só hino". Aqui temos mais um elemento que assegura que a gestora abriu, de fato, um canal de diálogo com o MDB. Ainda no último artigo sobre os movimentos das peças no tabuleiro do xadrez político do estado comentamos sobre o assunto. O MDB está dividido, assim como ocorre com inúmeras agremiações políticas em todo o país. Aqui em Pernambuco, a questão do comando da legenda já foi até judicializada.
O MDB de Raquel, pelo andar da carruagem política, não é o MDB de Raul Henry, Secretário de Articulação Institucional da Prefeitura do Recife. É o MDB de Jarbas Vasconcelos, de Jarbinhas, do senador Fernando Dueire, que também está na briga para ocupar um espaço que lhes permita disputar a reeleição. O quadro está bastante congestionado, como se sabe. Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, conforme nos ensinam o evangelho. Segundo se especula, Raquel Lyra cobra uma definição do PP sobre o pleito de 2026. O PP de Eduardo da Fonte integra sua base de governo, mas, eventualmente se especula que também estaria sendo "sondado" pelos socialistas e petistas. Ele deve seguir com Raquel, conforme deseja a sua base de apoio político no estado. Estranho mesmo são os planos do candidato Flávio Bolsonaro para a governadora, deixados, por descuido, em anotações sobre uma mesa. Algumas dessas sinalizações da governadora, entanto, diluem tal estranheza.
