pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sexta-feira, 20 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: as ranhuras na chapa de João Campos



Hoje, 20, o prefeito do Recife, João Campos, em cerimônia programada para o Hotel Luzeiros, na Zona Sul do Recife, deve anunciar sua candidatura ao Governo do Estado, nas eleições de 2026. Isso não chega a ser uma novidade, uma vez que os pernambucanos já sabiam, desde algum tempo, que o filho do ex-governador Eduardo Campos, herdeiro do espólio politico do pai, almeja chegar ao Palácio do Campo das Princesas. É um projeto familiar. O lado bom é que, João, jogado nesta arena circunstancialmente,  logo após a morte do pai, tomou gosto pela atividade política. Possivelmente colocou como compromisso pessoal cumprir a trajetória que o "Moleque dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco", por uma fatalidade, deixou de realizar. Por este prisma, o garoto está apenas no meio do caminho, pois o objetivo final será o Palácio do Planalto. 

O termo "Moleque dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco" era uma referência nossa ao ex-governador Eduardo Campos. Filho do escritor Maximiano Campos, segundo diziam os colegas, Eduardo Campos, ainda menino, costumava ser visto circulando pelos jardins da instituição criada por Gilberto Freyre. O termo é uma licença poética. Era um termo carinhoso. Escrevemos vários artigos sobre o jovem político, quase sempre favoráveis. Nossas ponderações críticas ao pai de João começaram em razão do seu afastamento do PT, quando estrava em curso o seu projeto presidencial e o seu feeling político chegara à conclusão que o caminho, naquele momento, seria construir uma aliança conservadora, mantendo uma equidistância necessária em relação ao PT.  

Ontem, alguns leitores - e nos agradecemos sempre as considerações dos nossos leitores - nos questionaram sobre o potencial eleitoral da chapa formada pelo prefeito João Campos. Poderíamos aqui sair pela tangente, a exemplo de um cientista político pernambucano, parafraseando o filósofo, e responder que tudo seria possível, inclusive nada. Mas isso não é do nosso perfil. Corremos os riscos dos eventuais equívocos. Ontem mesmo líamos alguns oráculos afirmando que a chapa de João, por ser ideologicamente mais orientada à esquerda, poderia afugentar os eleitores conservadores. Sim e não. A tendência é que haja uma convergência de votos para o governador e para os senadores da chapa. É isso, inclusive, que preocupa setores do PT com a inclusão ou confirmação  de Marília na chapa. Há uma leitura onde se pressupõe que os eleitores teriam uma tendência a votar num candidato mais conservador e num outro de perfil mais à esquerda. Marília, inclusive, bebe na mesa "fonte" de Humberto Costa. 

Por outro lado, há de se entender que, mesmo construindo uma carreira política dentro das hostes progressistas, João sempre teve votos em segmentos conservadores. Já foi eleit0, inclusive, com uma narrativa antipetista, possivelmente com apoio do voto bolsonarista. Neste aspecto, de alguma forma, a governadora Raquel Lyra talvez não tivesse qualquer aresta em receber esse voto conservador, calculado hoje em 30% entre os eleitores do estado. Pelo andar da carruagem política, Raquel deve compor sua chapa com três troncos familiares tradicionais do estado. Os Ferreira, os Mendonça e os Coelho. Se entrar Anderson Ferreira, ainda incorpora o voto religioso, hoje importantíssimo, logo mais determinante numa eleição. Raquel está muito bem avaliada e fecha o Triângulo das Bermudas das eleições pernambucanas, algo que não pode ser desprezado. 

Para variar, ainda há muita confusão na montagem de sua chapa. Esta uma bagunça generalizada essa formação da federação União Progressista. Mendonça Filho, ao lado de Miguel Coelho e Antonio Rueda, que preside o União Brasil, asseguram o apoio ao projeto de reeleição de Raquel Lyra. Na outra margem do Rio, Ciro Nogueira reafirma que quem manda na federação em Pernambuco é o deputado Eduardo da Fonte, que, aliás, já teria afirmado que acompanharia Raquel com o seu grupo político, mas teria sido sondado até mesmo pelo PT, que desejava que Humberto disputasse o Senado Federal ao lado de alguém com um perfil mais conservador. Se o eleitor optar em votar em Marília e escolher outro candidato de perfil mais conservador, Humberto Costa pode não se reeleger. Este é o frisson que poderia estar provocando ranhuras na composição da chapa, segundo especula a crônica política pernambucana no dia de hoje. Dizem que o PT não confirma a chapa oficialmente, embora ela tenha sido referendada pelo próprio Lula. 

Editorial: A delação do fim do mundo



Está tudo acordado para a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Folha de São Paulo, em sua edição de hoje, 20, assegura que o acordo de delação premiada já foi assinado. O fato de Vorcaro ter sido transferido para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, é um forte indicador. O que se diz nas coxias é que ele vai revelar tudo, não esconder nada. Somente assim a delação seria aceita. Vorcaro não tinha outra alternativa. Segundo a coluna Radar, da Veja, assinada por Robson Bonin, mesmo que ele obtivesse algum benefício em relação à prisão neste momento, logo voltaria à cela, dada a robustez de provas encontradas contra ele pela PF. Se especulou, durante alguns momentos, se esta delação não seria uma delação meia boca, ou seja, pouparia algumas autoridades da República. Pelo andar da carruagem política e jurídica, sugere-se que ele vai falar o que sabe sobre os caminhos tortuosos que percorreu nos corredores da Brasília, achacando autoridades, articulando projetos do seu interesse. 

Há mais temores do que expectativas em relação a este assunto, principalmente em função do clima belicoso entre os Três Poderes da República, praticamente às vésperas de uma eleição presidencial. Esta delação poderá produzir reflexos diretos nas próximas eleições. Sabe-se que a teia de articulações obscuras montada atinge agentes públicos praticamente de todas as esferas, alguns deles em plena atividade política e, possivelmente, até candidatos. Este país realmente não pode ser levado a sério. O Ministro André Mendonça, numa medida sensata, determinou o bloqueio ao acesso de dados que estavam numa sala cofre da CPMI do INSS. Dizem que o próprio Vorcaro havia advertido sobre esses dados, onde haveria, possivelmente, vídeos comprometedores de agentes públicos nas festanças promovidas em Trancoso. 

Vamos aguardar a bomba que vem por aí e torcer que haja as condições institucionais suficientes para impor a lei para todos os agentes públicos envolvidos nessa trama macabra que vem abalando os alicerces de nossa frágil república. Mas como este país ainda é um país dos intocáveis - do você sabe com quem está falando, como diria Roberto DaMatta - não é improvável um ajuste aqui e ali para poupar alguns nomes. Cidadão réu confesso, condenado a mais de 400 anos de prisão, anda tomando vinhos caros, comendo filé em sua cobertura, indicando filmes para os seus seguidores e, dizem, ainda pode ser candidato nas próximas eleições.  

quinta-feira, 19 de março de 2026

Editorial: Sérgio Moro se acerta com o PL



São curiosos esses arranjos políticos regionais. Quando o senador Sérgio Moro admitiu que seria candidato ao Governo do Paraná, muita gente filiada ao União Brasil, o seu partido, teria se desligado da legenda, vinculada ao Governo de Ratinho Junior, do PSD. Embora bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, o senador tinha uma encrenca pela frente. Seria necessário fazer alguns ajustes. Ele já havia decidido que seria candidato de qualquer forma. Muito próximo do bolsonarismo, o senador procurou entabular negociações com o PL. Recentemente, a crônica política nacional anunciou que ele estaria deixando o União Brasil e filiando-se ao PL. Montará o palanque do candidato Flávio Bolsonaro no estado. 

Precisando costurar apoios, o candidato Flávio Bolsonaro, segundo dizem, andou sondando a possibilidade do próprio Ratinho Jr. vincular-se ao projeto bolsonarista. Ele vai bem nas pesquisas de intenção de voto, ficando ali na terceira posição, inclusive com votos entre os eleitores mais pobres e nordestinos, onde hoje o PT enfrenta algumas dificuldades. Sobretudo porque ele vai bem nas pesquisas, exatamente por isso o PSD não cederia seu passe. O PL tenta trazer para chapa de Flávio alguém que realmente some. Dois nomes estão sendo pensados. Além de Ratinho, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo. Parece ainda não ter amadurecido o momento de definições. 

Mesmo com dificuldades, outro nome de PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, continua alimentando a sua pré-campanha presidencial, vangloriando-se da instalação de presídios e abrindo negociações com os Estados Unidos sobre as terras raras do estado. Se antecipando, como ele mesmo diz. Não seria por outro motivo que os petistas já começaram a tratar os candidatos de direita ao Governo de Donald Trump. De uma certa forma proceder a observação. Não conseguimos enxergar algo diferente. Um governo de Flávio Bolsonaro seria um governo aliado aos Estados Unidos. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: resiliência de Marília e articulação de Lupi: chapa de João formada.

Crédito da Foto: Felipe Ribeiro, Folha de Pernambuco. 


Os bastidores da formação de uma chapa para concorrer a uma determinada eleição envolve inúmeros fatores. É uma obra de engenharia política complexa. Nos últimos dias, ocorreram inúmeras especulações acerca da composição da chapa do prefeito João Campos, que deverá disputar o Governo do Estado de Pernambuco, nas eleições de 2026. Alguns nomes, inclusive, chegaram a ser divulgados precipitadamente como os prováveis escolhidos para a composição desta chapa. Logo em seguida, tais informações foram desmentidas ou desautorizadas. Ontem, 18, no entanto, o próprio prefeito João Campos sinalizou qual seria a chapa com a qual pretende disputar o Governo do Estado. Os candidatos ao Senado Federal serão Humberto Costa, que concorre a reeleição, e a ex-deputada Marília Arraes. Para a vice, o empresário Carlos Costa, irmão do Ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, que manteve um longo diálogo com o presidente Lula, hoje, 19, onde ficou determinado que ele será candidato à reeleição. Sílvio sempre afirmou que o seu projeto maior é a reeleição do presidente Lula. Muito fiel e coerente.  

Que arranjos de bastidores chegaram a esta composição? Esta é a grande discussão. Vamos analisá-los, uma vez que toda posição assumida pode trazer reflexos positivos ou negativos ao final do jogo. João Campos já havia, lá atrás, fechado a porteira política do Governo Lula para a sua opositora, Raquel Lyra. Não chega a ser novidade. Raquel tende construir, contingenciada pelas circunstâncias políticas, uma chapa de perfil mais conservador, talvez até mesmo com o apoio de bolsonaristas do estado. No momento, a provável composição envolve o União Brasil, com a indicação do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o PL, que deve indicar Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes. Nada oficial ainda, uma vez se sabe das querelas entre o PP e o União Brasil. É um pé dentro e outro fora. Embora no governo, o PP não deseja caminhar com Raquel Lyra e  os cargos já começaram a serem cobrados. 

O que se diz nos bastidores para acalmar Silvinho, além da vice, claro, é que o arranjo ainda poderia envolver uma eventual contemporização de Sílvio Costa, que é o suplente da senadora Teresa Leitão. Esta hipótese já teria sido aventada num outro momento. A senadora poderia assumir algum cargo num eventual Governo Lula 4, abrindo o espaço para Sílvio assumir sua vaga no Senado Federal. V0ltamos a insistir, são apenas especulações dos bastidores da política. Em ralação a Marília Arraes, muita coisa precisa ser dito. Em princípio, como o projeto maior da família Campos\Arraes seria a conquista do Campo das Princesas, nesta engenharia, ficaria ajustado que Marília disputaria uma vaga na Câmara Federal. Ocorre que, nas pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal, seu nome começou a despontar como uma das principais concorrentes, indicando que o eleitorado do estado desejava vê-la na Casa Alta. 

Durante algum tempo, a questão foi tratada em banho maria, até que tal possibilidade passou a animar a neta do Dr. Miguel Arraes, que decidiu atender a uma demanda do seu eleitorado, dispondo a apresentar o seu nome para um referendo popular. Assumiu afirmando que o seu projeto não teria mais volta. A decisão causou um rebuliço no contexto da formação de ambas as chapas. Dizem até que chegou a ser convidada pela governadora Raquel Lyra, que percebeu as dificuldades de consolidação do nome de Marília na chapa de João Campos. Embora irresoluta, Marília sabia que sua viabilidade política passava, necessariamente, pelo chamado campo progressista, em apoio ao palanque de Lula no estado. Em princípio, o seu eleitorado, majoritariamente, vem deste espectro político. Possivelmente, este eleitorado não responderia da mesma forma se ela fosse acomodada na chapa da governadora Raquel Lyra. Marília deve ter lido o nosso artigo anterior. 

Para ser anunciada na chapa de João, por outro lado, ela deve ter enfrentado resistências, inclusive de parte do PT, a sua banda mais burocrática. O PT de base, mais orgânico, em tese, não teria resistências ao seu nome. Como o partido "oligarquizou-se", a burocracia acaba tomando as resoluções partidárias mais importantes. Pensou-se ate numa candidatura avulsa, mas o próprio PT se colocou contra, alegando que isso poderia diluir os votos e, consequentemente, talvez prejudicar a própria reeleição dos senadores da chapa. Graças a sua resiliência, agora ela está dentro. Há pouco tempo, antes da definição da chapa com o nome de Marília, o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou, categoricamente, que impôs, como condição primária para a formação da aliança do seu partido e os socialistas passava pela consolidação do nome de Marília na Chapa. Disse depois que, de imediato, João rejeitou a proposta,  argumentando os enormes compromissos já assumidos com as forças que gravitavam em torno do gestor. 

A crônica política pernambucana - e até nacional - vem tecendo loas à habilidade política do prefeito João Campos na formação desta chapa. Não vamos colocar água neste vinho, uma vez que o próprio Carlos Lupi, num alusão ao ex-governador Eduardo Campos, fala que os filhotes de onça já nascem com as pintas. Mas é preciso ressalvar aqui a habilidade política do pedetista, sempre modesto, o principal responsável pela costura política que demoveu as resistência do prefeito João Campos. Seu empenho nesta composição passa, igualmente, pela consolidação do PDT no estado, o que talvez se explique pela presença do Ministro da Previdência Social, Volney Queiroz, um ministério da "cota" dos pedetistas. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Editorial: Já está na hora de "bater" em Flávio Bolsonaro?



Embora não haja nada de concreto sobre as supostas mesadas recebidas por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, conforme alertou o senador Carlos Viana, é sabido, conforme observa o jornalista Josias de Souza, em sua coluna do Portal UOL, que este ativo político será largamente usado pelo oposição nesta eleição. O que se sabe, algo admitido pela própria defesa do filho do presidente, é o financiamento de uma viagem, de primeira classe, com direito a hospedagem, financiada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, ao filho do presidente. O projeto seria a montagem de uma futura parceria na construção de uma empresa de Cannabis medicinal. Neste momento, o presidente Lula não vai muito bem nas pesquisas de intenção de voto para aquelas eleições. Embora em empate técnico, o candidato Flávio Bolsonaro, por outro lado, encontra-se em céu de brigadeiro, dadas as circunstâncias. Sua candidatura sequer foi levada muito a sério no início. Hoje ele já discute nomes para um futuro ministério. 

Vamos dizer que o processo está embolado e o presidente Lula encontra muitas dificuldades neste momento. Em tais circunstâncias, geralmente surgem aqueles conselheiros recomendando isso e aquilo. Para variar, o vilão é sempre a área de comunicação institucional. Sidônio que se cuide. Nos bastidores, no entanto, diante o crescimento de Flávio, alguns assessores próximos a Lula já estão admitindo que talvez tenha chegado a hora de bater no candidato Flávio. Alguns órgãos de imprensa, no dia de hoje, 18, insinuam que, por ocasião do lançamento da candidatura de José Dirceu a deputado federal as chicotadas já começaram. Se isso de fato ocorreu, pode ser lido como um indício forte de que a ordem já foi dada e começa a se refletir na estratégia de campanha petista.

Sugere-se, em princípio, que o PT subestimou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Quando o seu nome foi anunciado como pré-candidato, alguns setores do PT chegaram a comemorar. Estimativas iniciais, indicavam, até mesmo, um eventual estímulo a tal candidatura, pois ela seria mais fácil de ser batida num embate direto. O problema, no entanto, não é só a candidatura de Flávio. Lula não consegue uma melhor performance, entre outros motivos, por não superar a equação de desaprovação do seu governo. O PT não avança em função de suas próprias fragilidades, muito mais do que pelos méritos do adversário. Outro grande problema é a relação com os evangélicos, algo a ser resolvido - se tanto - apenas pelas próximas décadas, se considerarmos o hiato que foi construído. 

Editorial: A prorrogação da CPMI do INSS



A decisão sobre a concessão do pedido de prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS ficou sob a incumbência do Ministro André Mendonça, do STF. A expectativa é que ele autorize, sobretudo em razão de acompanhar, no STF, na condição de relator, as investigações conduzidas pela CPMI. André Mendonça tem pautado as suas decisões com muita coerência, embasadas juridicamente, dentro de uma diretriz republicana. O Mandado de Segurança impetrado pela CPMI ter recaído nas mãos do ministro André Mendonça trouxe alguma esperança entre os membros daquela comissão, que realiza um excelente trabalho, algo inusitado no contexto do nosso parlamento, hoje tão fragilizado. Ainda no dia de ontem, 17, novas operações da Polícia Federal envolvendo agentes públicos e privados arrolados nos escândalos do roubo bilionário ocorrido no INSS. 

No Ceará, uma parlamentar foi obrigada a usar tornozeleira eletrônica. A proposta da PF seria prendê-la, mas o ministro André Mendonça, considerando a sua condição de parlamentar, resolveu atenuar a punição. E por falar em moderação, coerência, equilíbrio, senso de justiça, recomendo aos nossos leitores ouvir a entrevista concedida pelo presidente dos trabalhos da CPMI do INSS, o senador mineiro Carlos Viana. Há três momentos emblemáticos durante a entrevista. Há, de fato, uma blindagem de alguns nomes que poderiam e deveriam prestar grandes esclarecimentos aos trabalhos daquela comissão. Não vamos aqui apontar quem seja os responsáveis por tais blindagens, mas elas são conduzidas, sobretudo, por critérios políticos. Geralmente, o que prevalece nesses casos são os interesses corporativos. O interesse público fica para depois. 

Muita gente não queria a instauração da CPMI do INSS, assim como ocorre em relação à CPI do Banco Master. Infelizmente, há de se contar com tais fatores. A situação é tão escandalosa, que algumas pautas talvez só possam ser viabilizadas na próxima legislatura. Quando indagado sobre a questão que envolve o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, Carlos Viana relatou a existência de uma testemunha que assegura haver alguma relação entre Lulinha e o "Careca do INSS", Antônio Carlos Camilo Antunes. Por outro lado, não há nenhuma prova material que comprove que ele recebia a tão propalada mesada de 300 mil por mês. Sobre as restrições de acesso aos arquivos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de posse da CPMI, considerou coerente a medida tomada pelo Ministro André Mendonça. 

No final, ele afirmou algo curioso sobre os eventuais diálogos de Vorcaro com eventuais membros da Suprema Corte. O tal telefone é um telefone institucional, de trabalho, portanto. Em tais circunstâncias, aí sim, é que se torna absolutamente necessário algum esclarecimento. O telefone estava cedido a quem? São diálogos cabulosos. Impondo-se que sejam devidamente esclarecidos. Ajuda a liberdade de atuação que membros da Polícia Federal estão tendo neste sentido. Uma senhora detida no dia de ontem, no curso das investigações da PF, havia dado um depoimento evasivo na CPMI do INSS. Adquiriu dois Mustangs no valor de um milhão cada um deles. Salário? R$ 7 mil reais por mês. 

terça-feira, 17 de março de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Delação seletiva



Um dos assuntos mais comentados nos últimos dias é uma possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra preso numa penitenciária federal em Brasília. A mudança de sua banca de advocados é um indicador seguro de que tal hipótese esteja sendo analisada. Sua insatisfação com a prisão - onde teria se automutilado, algo que evitamos tratar por aqui em razão da suspeita de fake news - ficou realmente confirmada. Não está sendo fácil para o ex-banqueiro. O que mais incomoda, no entanto, são os murmurinhos acerca do formato de uma eventual delação premiada. Para ela ser aceita, supõe-se que deverá ser seletiva, ou seja, atingindo apenas um casta de atores políticos, que seria a vaselina que a tornaria viável. Do contrário, não passaria. 

Sabe-se, no entanto, que neste enredo ou teia nebulosa montada pelo grupo do ex-banqueiro, supostamente, estão envolvidos peixes graúdos dos Três Poderes da República. Nem órgãos de fiscalização e controle teriam escapado da sanha. Há servidores do Banco Central arrolados nas investigações. Na realidade, esta delação seletiva seria um correlato do famoso jeitinho brasileiro, ou seja, as costas quentes que protegem figuras inatingíveis da nossa pobre e podre república. O sistema pode até entregar alguns anéis. Os dedos, nem pensar. Vamos aguardar o andar da carruagem política. A oposição faz um esforço hercúleo para viabilizar uma CPI do Banco Master, que encontra barreiras quase que intransponíveis. 

O Ministro André Mendonça, do STF, determinou restrições ao acesso da CPMI a um cofre com documentos pessoais de Daniel Vorcaro. A medida estaria ancorada no objetivo de preservar sua privacidade. Não houve a sessão programada para o dia de ontem da CPMI, em razão de outra decisão do Ministro André Mendonça, que facultou a ida Aristides Veras dos Santos, Presidente da Contag, que estava sendo convocado para o dia de ontem, 16. A Contag é uma das entidades mais envolvidas no escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas. A CPMI luta para uma prorrogação dos trabalhos, mas também está encontrando fortes resistências. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Editorial: Mendonça Filho pede cancelamento da Federação União Progressista.



O deputado federal Mendonça Filho, do União Brasil, irá solicitar aos dirigentes da futura Federação União Progressista que cancele a formação desta federação, em razão das inúmeras dificuldades que a integração dos dois partidos, o União Brasil e o PP, encontram nas quadras estaduais. Pernambuco, possivelmente, é um dos casos mais emblemáticos. A coisa aqui está tão complicada que, mesmo isso não se concretizando, ainda assim o seu União Brasil terá dificuldades em construir um consenso mínimo acerca das chapas em disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Mendonça está alinhado com a governadora Raquel Lyra - segundo algumas especulações até mesmo cotado para integrar a disputa ao Senado Federal na chapa do Campo das Princesas - enquanto o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, também do União Brasil, encontra-se vinculado ao projeto do prefeito João Campos. Reiteradas vezes Miguel tem afirmado que caminhará com o prefeito nas próximas eleições, embora encontre dificuldades em ver o seu nome ratificado como um dos postulantes ao Senado Federal. 

Mas, afinal, quem é que não encontra dificuldades neste sentido? A Federação União Progressista foi anunciada com todas as trombetas indicando a composição de um grupo político que iria trabalhar em favor do crescimento da oposição ao Governo Lula 3. Nasceu sob este signo. Como em política esses arranjos nem sempre são como se pronunciam, por dificuldades em assegurar sua reeleição no Piauí, especula-se que, supostamente, o próprio senador Ciro Nogueira, do PP, teria conversado com o Planalto com a promessa de não assumir compromisso com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Não se surpreendam com algumas surpresas aqui no estado, principalmente em relação à chapa da governadora Raquel Lyra, que tem sido bastante discreta acerca do assunto. 

Ontem mesmo, domingo, o senador Humberto Costa, talvez o único com vaga assegurada na chapa de João Campos, recebeu o apoio do prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, aliado de primeira hora da governadora Raquel Lyra. Não apenas de Rodrigo Pinheiro, mas de alguns outros prefeitos da Região do Agreste, inclusive alguns deles vinculados ao grupo da governadora. Os arranjos políticos são complexos. Isso não significa um afastamento do prefeito de Caruaru do grupo de governadora Raquel Lyra. Longe disso. Ele é bastante coerente e leal. Se trata, na realidade, dos projetos que o senador conseguiu Humberto Costa conseguiu destravar em Brasília para a região. É cérebro e não fígado. 

Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio

 


domingo, 15 de março de 2026

Editorial: A estratégia de Kassab que está estimulando o PL.



No dia de ontem, 14, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializou a sua filiação ao PSD, disposto, mais do que nunca, a disputar as próximas eleições presidenciais. Há um acordo no partido que, aquele pretendente que estiver melhor posicionado nas pesquisas, seja o escolhido como candidato da legenda ao Planalto. Caiado disputa esta indicação com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o governador Ratinho Júnior, do Paraná. No momento, Ratinho Júnior é aquele que melhor aparece nas pesquisas de intenção de voto. Aparece tão bem que, dizem, já haveria emissários do PL dispostos a comprar o seu passe, convidando-o para ocupar a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Dizem que Flávio joga parado, mas os seus partidários estão se movimetnadno intensamente. Os jornais deste domingo informam que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também já teria sido convidado para a vice de Flávio. 

Como seus soldados estão bem na fita, a exemplo de Ratinho Júnior, possivelmente Gilberto Kassab cederia neste momento. É possível até que a sondagem a Romeu Zema já seja decorrente de uma recusa de Ratinho Júnior em aceitar a vice neste momento. O mais interessante não é isso. Fala-se numa trinca de ouro de Gilberto Kassab, ou seja, na realidade, o que ele pretende mesmo é aproveitar todo o seu time. Ratinho Júnior como candidato ao Planalto, Eduardo Leite como vice, e Ronaldo Caiado antecipando as trombetas já  como o grande futuro Ministro da Segurança Pública. Há gente dentro do PL, interessado em copiar o PSD, ou seja, aconselhando Flávio Bolsonaro a já anunciar o nome de Caiado como o grande xerifão a partir de 2027. Quem sabe o nosso Bukele.  

Por enquanto, Romeu Zema é candidato ao Palácio do Planalto. No futuro, porém, uma aliança entre o PL e o Novo é perfeitamente possível. O futuro dura muito tempo. Bem posicionado em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, a candidatura de Flávio atravessa o Triângulo das Bermudas sem sobressaltos, algo que preocupa sensivelmente o Planalto. Assessores diretos do presidente Lula especulam que as recentes cobranças do Governo dos Estados Unidos em relação às facções criminosas seja, na realidade, uma tentativa de interferir nas próximas eleições presidenciais. Trata-se de uma questão que merece um aprofundamento maior, mas é preciso considerar que o Departamento de Estado dos Estados Unidos bate nesta tecla há algum tempo. 

sábado, 14 de março de 2026

Editorial: O PT já acusa o "tranco".



Para este final de semana, a Regional do PT de Pernambuco teria agendado um encontro de conjuntura entre os seus membros, com palestra do senador Humberto Costa, encontro que deve ocorrer em Caruaru. Em Pernambuco, conforme estamos enfatizando, estamos diante de um verdadeiro tsunami político, provocado pelas costuras na formação das chapas que deverão disputar as duas cadeiras do Senado Federal. Em alguns momentos, o jogo parece zerado. Eduardo da Fonte, comprometido até a medula com o Governo de Raquel Lyra, sugere-se que esteja sendo sondado pelo grupo do prefeito João Campos. Seu nome já chegou a se divulgado numa composição para o Senado Federal na chapa de João, algo que, logo em seguida, foi desautorizado pelo prefeito do Recife. 

Raquel Lyra, por outro lado, pede uma definição do aliado. Ontem começaram os rumores de que uma parte do seu grupo não o acompanharia entre o trajeto do Campo das Princesas ao Palácio Capibaribe. Ele deverá ponderar muito sobre isso. Embora apresentado como nome certo na chapa de João Campos, o senador Humberto Costa, até recentemente, chegou insinuar que vai depender da direção do PT a decisão de acompanhar o projeto de João Campos ou de Raquel Lyra. Pensamos que se tratava de algo já definido. Pode ter sido apenas uma narrativa para contemporizar os petistas que não endossam o apoio ao prefeito João Campos. Manobra de raposa política, pois ele mesmo sabe que, mesmo dividido, o partido vai para onde ele for. 

No plano nacional, vale a pena ressaltar a fala do experiente José Dirceu - tratado aqui como o grande timoneiro do partido - sobre a composição da vice na chapa de reeleição de Lula. Cogitou-se em entregá-la a um emedebista, talvez Renan Filho, mesmo com a indisposição de setores do partido das regiões Sul e Sudeste. Dirceu afirma que, se o PT abrir mão de Alckmin perde as eleições. O crescimento da candidata de Flávio Bolsonaro preocupa sobremaneira o PT. O próprio Dirceu, segundo dizem, teria aconselhado os petistas a deixaram ele "crescer" inibindo nomes mais complicados, a exemplo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Será que não estão deixando ele crescer demais? 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: A volta do soberanês?



Há certas coisas sobre as quais não vale a pena insistir. Se chegássemos a essa conclusão mais cedo teríamos evitado algumas dores de cabeça pela vida afora. É uma pena que alguém seja perseguido por denunciar os malfeitores do erário público, mas é isso mesmo o que está ocorrendo em pleno 2026. Quando afirmamos que pouca coisa mudou desde de 1500, algumas pessoas ainda consideram que possamos estar exagerando. Mas, não vamos mexer neste vespeiro para evitarmos, exatamente, essas dores de cabeça. Deixemos isso para as entidades de classe, que possuem suas assessorias jurídicas. O contraditório é que isso parte de agentes públicos e instituições que, por dever de ofício, deveram, a rigor, preservar o direito à informação. Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu em duas teclas, de forma aparentemente sem algum sentido ou inutilmente.  

Os Estados Unidos estão decididos a enquadrar organizações como o PCC e o CV como organizações de narcoterroristas. Esta decisão é irreversível no contexto do Departamento de Estado Norte-Americano. Enquadra-se dentro da doutrina Trump para o continente. Portanto foram inúteis os esforços da diplomacia brasileira, através do Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em estabelecer reiterados contatos com Marco Rubio no sentido de que eles pudessem reavaliar a situação. Hoje ficamos sabendo que os Estados Unidos, inclusive, deseja que o país possa abrigar prisioneiros de outras nações - talvez mesmo dos Estados Unidos - assim como já ocorre em El Salvador. Eles querem ir para cima dessas facções que atuam no país. Estão querendo que o Governo informe como irá enfrentá-las. A menina dos olhos do presidente americano é o modelo do CECOT de El Salvador. 

Outra atitude, talvez imprudente, foi a recusa em receber um emissário daquele país, que desejava fazer uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra internado neste momento. Uma birra primária que apenas se entende, como setores da imprensa estão especulando, se houver uma tentativa de retomada da narrativa do "soberanês", que foi capaz de dá um momento de trégua na popularidade do presidente Lula. No mais, é possível que venha encrenca pesada pela frente, algo que poderia ter sido evitado. 

Drops cultural: Morre o Menino de Engenho



O ator Sávio Rolim, que interpretou o menino Carlinhos, no filme Menino de Engenho, de Walter Lima Junior, uma adaptação do romance homônimo, do escritor José Lins do Rego, acaba de falecer. Sávio Rolim estava internado para o tratamento de uma broncopneumonia e não resistiu. Morreu aos 72 anos de idade e será enterrado em Cajazeiras, sua terra natal. Não conhecemos os bastidores das escolhas dos atores que participaram da adaptação para o cinema do romance de estreia do escritor paraibano. Mas é possível afirmar que a escolha para interpretar o menino Carlinhos não poderia ter sido mais feliz. O filme de Walter Lima Junior foi realizado em 1965, nove anos depois da morte do escritor. Não existe, portanto, uma avaliação sobre a película do autor do livro, mas, se ele estivesse vivo à época, possivelmente se sentiria bem representado por Sávio Rolim, que interpretou impecavelmente o menino Carlinhos em suas aventuras na bagaceira do Engenho Santa Rosa. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Drops Político: STF mantém prisão de Daniel Vorcaro.


Este país entrou numa espiral de crise institucional sem precedentes, com consequências imprevisíveis. Já tem até analista sugerindo extinguir alguns órgãos e recomeçar o jogo do zero. Hoje, uma decisão da segunda turma do STF, que mantém a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, deixou a turma do Centrão de cabelo em pé. Embora sua defesa negue qualquer movimento neste sentido, sabe-se que o caminho natural de Daniel Vorcaro é uma delação. No caso dele, a "premiação" seria algo complicado, uma vez que ele está enrolado em crimes sobre os quais não haveria possibilidade de algum benefício. Não sabemos se funciona bem assim, mas, em todo caso, trata-se de uma discussão jurídica e não política. Cada qual no seu quadrado. 

Politicamente, pode ser o começo do fim do mundo. É curioso como o jogo é pesado na capital federal. Alguém com o perfil de Vorcaro, supostamente, através de um diálogo atribuído a ele, se diz achacado numa visita a Brasília. A rigor, muitos nomes de atores políticos relevantes já foram ventilados como eventuais pessoas ligadas ao banqueiro. Só que eles vão negar até o último instante. E não estamos nos referindo aqui à degustação de whisky Macallan caríssimo, mas às famosas festas promovidas em Trancoso, na Bahia. Também regadas a bons whiskies e garotas de programa importadas da Europa. 

Editorial: O desânimo de Lula



O que se comenta nas coxias da política em Brasília é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria externado para interlocutores mais próximo um certo desânimo em relação às eleições presidenciais de 2026. Deve ser realmente complicado encerrar sua carreira política com uma derrota. Nossa conclusão é que se ele soubesse o tamanho exato da encrenca que viria pela frente, teria desestimulado seus auxiliares a estimularem mais uma candidatura presidencial. O enredo nebuloso não se limitou à Marquês de Sapucaí. Vieram Lulinha, Master, crise institucional instaurada. Já perdemos a conta de quantas pesquisas de intenções de voto apontam para um empate técnico no segundo turno, o que pode significar, na pior das hipóteses, uma dianteira do candidato bolsonarista. 

Programaticamente inconsistente, do ponto de vista eleitoral, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem se revelado competitiva e, por conseguinte, vai quebrando, aos poucos, a resistência entre segmentos refratários da própria direita. Não há argumento melhor do que um candidato bem posicionado nas pesquisas, com chances reais de chegar lá. Hoje ficamos sabendo que o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, estaria costurando um acordo com o pré-candidato Ratinho Junior, do PSD, tentando convidá-lo para assumir a vice, contornando os problemas que a candidatura de Sérgio Moro enfrenta no Paraná.  Se Ratinho aceitar, em troca, demoveria a resistência de aliados ao apoio ao nome do senador Sérgio Moro ao Palácio do Iguaçu. 

Lula precisa melhorar os índices de aprovação se deseja continuar como inquilino do Palácio do Planalto. Os índices de aprovação, no entanto, não melhoram. As pesquisas indicam que Lula vem perdendo eleitores no Nordeste e até entre os beneficiários do Bolsa Família. Sugere-se que estejamos, talvez, diante de uma fadiga de material, ou seja, há pouca coisa a ser feita. O Governo Lula 3 não vai se reinventar ou corrigir problemas estruturais até 04 de outubro. Falta inclusive diálogo com a oposição para a construção de consenso mínimo sobre algumas questões nevrálgicas, como a da segurança pública.  

quinta-feira, 12 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Afinal, quem é o eleitor de Marília?


Estávamos realizando um levantamento acerca dos textos publicados sobre as eleições de 2022 no estado. Dá um bom livro sobre o assunto, mas conforme já expusemos em outro momento, pouca gente se interessa sobre as eleições passadas, exceto, talvez, estudiosos do assunto e marqueteiros. Como Marília Arraes aparece por ali! Bem próximo ao final das eleições publicamos um longo texto explicando as razões pelas quais ela havia perdido aquelas eleições. Um erro de posicionamento em relação aos socialistas locais, um grupo que o eleitor pernambucano já decidira que seria o momento de deixar o Palácio do Campo das Princesas. Lembramos de um case de negócios famoso, transformado em livro, onde um executivo da Coca-Cola, por um motivo estranhíssimo, resolveu mudar a fórmula do produto. 

O erro estratégico, muito bem explorado pelos executivos da Pepsi-Cola, permitiu a esta empresa o ganho de fatias consideráveis do mercado americano de refrigerantes. Pouco tempo tempo depois, um marqueteiro envolvido na campanha, acabou concordando com nossa análise, em artigo publicado num blog local. Embora apontasse outros equívocos da candidata durante a campanha, considerou ter sido determinante a sua decisão de reaproximar-se dos socialistas. Este blog tem uma dívida de gratidão com Marília Arraes. Na condição de vereadora do Recife à época, ela foi a única voz que se levantou na Casa de José Mariano, propondo uma moção de desagravo a um processo movido pelo Governo do Estado contra o professor Michel Zaidan Filho. É uma dívida impagável, como diria, com o seu senso de humor, o próprio mestre. É um fato inegável que o eleitor pernambucano deseja ver a militante como a nossa representante na Casa Alta, assim como é irreversível a sua decisão de candidatar-se ao Senado Federal. Está se filiando ao PDT, com o aval de Carlos Lupi, e, pelo menos publicamente, o objetivo é este. 

Nos últimos dias tem sido intensa as movimentações no tabuleiro da politica pernambucana. Está em jogo, sobretudo, a definição dos nomes que disputarão o Senado Federal pelo Estado. Política é como as nuvens. Mudam constantemente, conforme ensinava uma velha raposa mineira. João já foi eleito na esteira de um discurso antipetista, mas hoje é o principal aliado de Lula no estado. Embora não haja nenhuma pesquisa qualificada acerca de quem seja este eleitor de Marília Arraes, supõe-se que ele seja majoritariamente petista, o que pode ser realmente bem provável. Neste caso, ele estaria disposto a acompanhar a candidata numa chapa com a governadora Raquel Lyra? Ou migraria para um outro concorrente à Casa Alta. Numa conversa com a candidata, a experiente senadora Tereza Leitão teria alertado para o problema, insinuando que ela poderia passar a campanha tentando se explicar, o que, convenhamos, não se recomenda muito bem. 

O caminho "natural" de Marília seria integrar-se ao projeto de João Campos ao Palácio do Campo das Princesas. A questão que se coloca é como acomodá-la na chapa? Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, conforme o Evangelho de Mateus. Ontem, 11, um anúncio oficioso sobre a eventual composição da chapa de João Campos já provocou um verdadeiro tsunami no cenário político local. Essas coisas são tão curiosas que o PDT, até o momento, não faz qualquer sinalização ao Palácio do Campo das Princesas, embora se diga que Raquel Já teria convidado Marília para concorrer ao Senado Federal na sua chapa. Ao contrário, em meio à turbulência política, o gesto veio do primo João, reafirmando que o lugar de Marília é ao seu lado.  

quarta-feira, 11 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: especulações sobre a chapa de João produzem um tsunami na política pernambucana.



Pelo andar da carruagem política, não é só a capital federal que se encontra em polvorosa. O anúncio de uma provável chapa do candidato ao Governo do Estado, João Campos, provocou um verdadeiro tsunami na política pernambucana nesta manhã. Nos últimos dias, muitos movimentos dos atores políticos do estado foram verificados, indicando que estávamos, sim, numa fase de definições ou afunilamentos das escolhas para as composições das chapas que entrarão na disputa pelo Governo do Estado, nas eleições de 2026. Os movimentos foram até civilizados, como um encontro entre os prováveis candidatos ao Senado Federal, Marília Arraes, e o Ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho. Muito correto em suas posições políticas, Silvinho, como é conhecido, já disse que só integra num projeto identificado com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditamos que Marília Arraes siga a mesmo diretriz política. 

O problema no estado é como acomodar tantos pretendentes ao Senado Federal, limitados a praticamente duas chapas, a do prefeito João Campos, e da governadora Raquel Lyra, que tentará a reeleição. A chapa de João Campos, antecipada por alguns órgãos da crônica política local no dia de hoje, sem que se afirme tratar-se de um anúncio oficial, registre-se - traz algumas surpresas, a exemplo da inserção do nome do deputado federal Eduardo da Fonte, que deve compor, ao lado de Humberto Costa, os dois nomes que disputarão o Senado Federal na chapa do prefeito. Há alguns dias, o senador Humberto Costa havia mantido uma conversa com Eduardo da Fonte, mas, a rigor, o seu grupo já havia sinalizado que deveria seguir os rumos do projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Fora uma decisão unânime, o que suscita algumas interrogações, pois Eduardo da Fonte, geralmente, segue as orientações do seu grupo político. 

Outro fato curioso foi o anúncio do deputado estadual Antônio Coelho, que representaria o grupo Coelho na aliança com o prefeito. Logo em seguida, veio um desmentido do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, assinalando que não haveria qualquer acordo neste sentido, que o seu projeto é o Senado Federal e não a vice. Miguel reafirma sua posição de disputar o Senado Federal e não endossa, pela Federação União Progressista, a entrada de Eduardo da Fonte na chapa do prefeito João Campos. Ainda sobre Eduardo da Fonte, que é do PP, o deputado federal Mendonça Filho, também do  União Brasil, assim como Miguel Coelho, cobra um posicionamento da Federação União Progressista sobre a situação da disouta no estado. Em razão da sua capilaridade política, Eduardo da Fonte, do PP, controla a federação no estado, em rinha permanente com o União Brasil. Mendonça Filho, inclusive, surge na bolsa de apostas como eventual candidato ao Senado Federal na chapa de Raquel Lyra. 

Para apimentar ainda mais o enredo, ontem começaram a surgir especulações em torno de um arranjo inusitado, onde a hipótese pouco provável de um palanque duplo do PT no estado voltou a ser ventilado. Por este arranjo, Sílvio Costa Filho poderia integrar a chapa da governadora Raquel Lyra. Em meio a esses movimentos, pouca coisa ainda se sabe sobre os dois nomes que deverão disputar o Senado Federal na chapa da governadora. Seus acenos para alas do MDB levantou a hipótese de que o senador Fernando Dueire possa disputar a reeleição em sua chapa. Até o nome de Marília chegou a ser ventilado para compor com Raquel Lyra. Já imaginaram os leitores? 

Editorial: A delação de Daniel Vorcaro


O país realmente está mergulhado numa baita crise institucional. A corda está bastante esticada entre os Três Poderes da República e sabe-se lá qual será o resultado de tudo isso quando a poeira abaixar. Para completar o enredo, estamos num ano eleitoral, o que significa que a corda poderá ser ainda mais esticada até o resultado das urnas de outubro. Algumas "pendências" vão ficar sem um enfrentamento claro até lá, a exemplo da nevrálgica questão da segurança pública. O próprio sistema deverá entregar os anéis para não perder os dedos. Sem saída, em razão dos inúmeros crimes a ele imputados, não restaria outra alternativa ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro se não negociar com a Polícia Federal uma delação premiada. 

Ontem, 10, este foi um dos assuntos mais comentados na imprensa. Segundo alguns jornalistas, ele já teria manifestado a vontade de delatar. O Ministro André Mendonça, mesmo contrariando uma determinação da segurança penitenciária federal onde está preso - determinou que as conversas entre o ex-banqueiro e seus advogados não fossem gravadas. Uma medida aparentemente simples, mas suscitou enormes discussões, inclusive entre o cúpula da Polícia Penal Federal, pois o procedimento é uma norma que se aplica a todos os apenados. A abertura de um precedente poderia trazer alguns problemas para a segurança das unidades prisionais federais. O Ministro André Mendonça tem pautado as suas decisões com muito bom senso. Hoje ele recebe o senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, que reclama do esvaziamento da comissão, em razão dos inúmeros habeas corpus concedido às testemunhas, que não são obrigadas a comparecer às audiências. 

Em tese, já se tem um ideia de como a engrenagem funcionava, envolvendo grana alta distribuída a autoridades da República em troca de favores. As ramificações vão do submundo das milícias às mais altas autoridades da República. Até bem pouco tempo se pensava que a teia não havia chegado ao submundo, até se descobrir as mensagens que recomendavam moer empregadas domésticas e dar uma camada de pau em jornalistas, simulando um assalto. Gangsterismo em estado puro. Dependendo do andar da carruagem política, as eleições de 2026 podem ter um desfecho muito antes de 04 de outubro. São muitas emoções até lá. 

terça-feira, 10 de março de 2026

Flávio Bolsonaro conversa com Ciro sobre apoio no Ceará


Vamos partir logo de um pressuposto. Flávio não teria outra opção política no Ceará, senão a de seguir uma tendência natural de apoio dos bolsonaristas locais à candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Estado. Assim como ocorre de resto no país, ali vamos ter uma eleição bastante polarizada. O PT de um lado e todos contra o PT do outro, ao lado de Ciro Gomes. Figuras de proa do bolsonarismo no estado já declararam apoio ao nome de Ciro, a exemplo do Capitão Wagner e do deputado federal André Fernandes. Dentro do bolsonarismo, a resistência ao nome de Ciro Gomes é esboçada apenas pela esposa do ex-presidente, Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, em razão de querelas do passado, onde Ciro exagerou na verborragia, o que não seria nenhuma novidade.  

Segundo dizem, o próprio Jair Bolsonaro endossa o apoio do PL ao nome de Ciro Gomes. Valdemar da Costa Neto já teria fechado com Ciro. Mais recentemente voltou a aflorar as desavenças entre Ciro e Michelle, que teria recomendado aos bolsonaristas uma distância regulamentar do candidato. Hoje, 10, no entanto, acabamos de saber que Flávio Bolsonaro está mantendo um diálogo com o cearense com o propósito de que ele encampe o palanque bolsonarista no estado. A Michelle vai ter que se conformar em ter perdido esta batalha. Segundo dizem, nas anotações deixadas pelo filho de Bolsonaro, quando se referia ao Ceará, o nome de Ciro já teria sido mencionado para segurar seu palanque no estado. 

Ciro aposta que o candidato do PT não será Elmano de Freitas, mas o atual Ministro da Educação, Camilo Santana. Ela fala em "traição", mas, se isso de fato ocorrer, será em função dos aperreios do PT no estado. Elmano de Freitas, na realidade, foi eleito com o apoio decisivo de Camilo Santana. Em todas as pesquisas de intenção de voto realizadas até este momento, a vantagem de Ciro Gomes se mostra evidente num confronto direto com Elmano de Freitas. A expectativa do PT é que Camilo Santana seria um nome mais competitivo, num estado estratégico para a legenda. Não é traição, mas aperreio mesmo. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Escudo das Américas


Rapaz, este país entrou numa espiral complicada. Soube há pouco, através de um colunista da Globo News, que os militares estão em conversas reservadas com Lula sobre os últimos escândalos da República. Já mantiveram uma conversa e teriam uma outra agenda programada. A oposição deverá entrar com um mandado de segurança junto ao STF para aprovação da CPI do Banco Master, quando se sabe que ela não sairá do Senado Federal se depender do presidente Davi Alcolumbre. O danado é que se sabe que o próprio STF não teria interesse numa CPI do Banco Master. Os Estados Unidos se reúne com 13 países do continente para desenvolver ações de combate aos narcotraficantes. Além de ficar de fora, o Brasil faz gestões junto ao Departamento de Estado no sentido de não inclusão das principais facções que atuam no país no rol da classificação de grupos narcoterroristas. Não precisamos nem falar que uma das figuras mais festejadas do encontro foi o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o carcereiro das américas. 

Será inútil as gestões da diplomacia brasileira no sentido de reverter tal situação. Donald Trump, aliás, já havia pedido que o Governo brasileiro assim procedesse. O Governo brasileiro sabe das consequências e por isso tenta, a todo curto, evitar tal classificação. Chegamos a um estágio onde será necessário fazer alguns ajustes. Estima-se que 25% da população brasileira já vive sob o comando dessas facções. Estados como Bahia e Ceará estão na iminência de um colapso na segurança pública. Na semana passada houve uma megaoperação das polícias civil e militar para devolver à população um trecho de um bairro da periferia de João Pessoa onde os faccionados locais haviam montado barricadas, no melhor estilo do que ocorre em regiões do Rio de Janeiro. No mesmo período, na antes pacata Itabaiana, onde o escritor José Lins do Rego esteve estudando num internato, ocorreu um massacre onde cinco pessoas foram torturadas e mortas. Soube-se depois que, supostamente, se travava de cinco membros do CV, trucidados por uma facção local. A coisa está feia no estado vizinho. 

O caso do Banco Master, que, como se sabe também tem relação explícita com o crime organizado, talvez seja o exemplo mais cabal da falência do Estado brasileiro no enfrentamento deste problema. O crime organizado atingiu o núcleo duríssimo de nossas instituições. E, conforme cansamos de afirmar por aqui, não há hipótese de Governo e Oposição construírem algum consenso mínimo em relação ao tema da segurança pública, muito menos ainda num ano eleitoral. Portanto, o Governo tem pouca coisa a apresentar ao Governo Norte-Americano em relação a este assunto. E mesmo se tivesse, sabe-se que a tal química não impressiona Donald Trump. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

É Camilo ou Elmano no Ceará?



Algo nos diz que deve ser mesmo Camilo Santana que disputará o Governo do Estado do Ceará. Ele reúne melhores condições para um embate com Ciro Gomes, que, aliás, já se prepara para disputar as eleições de 2026 com o atual Ministro da Educação, um antigo aliado. A situação no Ceará é bastante complicada para o PT. A impotência da gestão de Elmano de Freitas em enfrentar o crime organizado pode enterrar os planos do partido num estado estratégico para a legenda, principalmente quando se trata das dificuldades enfrentadas pelo próprio Lula no contexto nacional. No estado, todas as forças de oposição estão se unindo em torno da candidatura de Ciro Gomes, observado como o único em condições de desbancar o PT do Palácio da Abolição. E Ciro já está com a faca nos dentes e a língua afiada para o embate. Já ocupa as primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto. O PT terá que jogar toda a carga se deseja reverter a situação.  

Com Camilo ou Elmano, o Ceará terá uma das disputas mais emblemáticas do país, uma vez que Ciro promete fazer grandes revelações sobre os bastidores da gestão petista no estado. Ciro Gomes conhece bem essas personalidades da política cearense. Antes de sua projeção como um dos grandes quadros do PT a nível nacional - cotado até mesmo para ser o ungido por Lula como seu sucessor - Camilo enfrentou grandes dificuldades, tendo em Ciro um antigo "companheiro". Camilo começou ali por Barbalha, a cidade do famoso Pau de São Francisco. Construiu sua carreira política com o apoio de Ciro Gomes, hoje uma adversário ferrenho, mas no passado um grande aliado. Hoje, 09, começaram a circular novas informações de atores relevantes no cenário político do estado, dando conta  que o candidato ao Governo em 2026 será mesmo Camilo Santana. 

Esta será uma eleição dos "escândalos". Sabe-se lá se teremos mais alguns daqui para a frente. Esses escândalos sempre respingam no governo de turno, conforme assinalamos no dia de ontem. Master, INSS, Emendas, entre outros. Ousamos até afirmar que, se Lula tivesse a condição de dimensionar tais problemas não teria estimulado uma nova candidatura. Segurança pública não avança um milímetro, seus índices de aprovação igualmente. Uma candidatura como a de Flávio Bolsonaro, antes vista como um azarão fácil de ser batido nas urnas, começa a incomodar. As últimas quatro pesquisas realizadas recentemente, por institutos bem avaliados, cravam um empate técnico entre ele e Flávio. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: tempo das definições.



Começamos a semana com uma agenda repleta de informações sobre o cenário político nacional e estadual. No cenário nacional, uma eventual delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra preso em Brasília neste momento, pode abalar os alicerces de nossa república tupiniquim. Se ele destrinchar o novelo da podridão, muitas cabeças deverão rolar. Não haverá blindagem que proteja alguns desses figurões, assim como a Polícia Federal conseguiu transpor três bloqueios em seus celulares. Sugere-se que não haja outra alternativa para Daniel Vorcaro. No dia de ontem, o Programa Fantástico, da Rede Globo, voltou a abordar o assunto, inclusive com referências às famosas festas da cueca realizadas em Trancoso, na Bahia. 

Na outra margem do Rio, nos Estados Unidos precisamente, surge a informação de que o presidente Donald Trump deverá decretar que as principais facções do crime organizado que atuam no no Brasil sejam classificadas como grupos narcoterroristas. Sabe-se que isso pode trazer várias preocupações para o Governo Lula 3. Ainda com algumas "pendências" no Oriente Médio, Donald Trump ainda encontra tempo para fazer novas advertências aos países do continente, a exemplo de Cuba e do México. Ele parece irresoluto no propósito de "arrumar a casa" consoante as suas diretrizes e com o uso da força militar. O papel da diplomacia na Era Trump é algo que deve ser completamente ignorado. Voltamos ao Estado Hobbesiano. 

Aqui em Pernambuco, estamos numa fase de definições políticas. Acabamos de acompanhar uma entrevista com um parlamentar do PT onde ele afirma, categoricamente, que o partido deve caminhar com o projeto de eleição do prefeito João Campos, o que não se traduz em nenhuma novidade. Até o senador Humberto Costa já está definido como um dos candidatos ao Senado Federal em sua chapa. O parlamentar assegura que, hoje, no entanto, a governadora Raquel Lyra é favorita a vencer as próximas eleições estaduais, por tudo que ela vem entregando, pelos seus índices de aprovação. Por falar em João Campos, uma fonte nos informou que o prefeito também já teria batido o martelo em torno do nome do Ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, como o segundo nome a disputar o Senado Federal em sua chapa. 

Conforme enfatizamos por aqui num momento anterior, a governadora Raquel Lyra andou fazendo alguns gestos em direção a setores do MDB. Hoje um blog local informa que o senador Fernando Dueire (MDB-PE) poderia compor a sua chapa. Ele já estaria sendo convidado a acompanhar a gestora em seus eventos pelo estado. Dueire integra o MDB sob a influência do ex-governador Jarbas Vasconcelos. Na realidade, não há chapa para integrar ou contemporizar todos os pré-candidatos ao Senado Federal no estado. Alguns deles ficarão de fora. Até mesmo os bem cotados, a exemplo da ex-deputada federal Marília Arraes, que hoje se especula que possa consolidar o projeto de uma candidatura "avulsa". 

domingo, 8 de março de 2026

Editorial: Datafolha já reflete o escândalo do Master? A boca do jacaré se fecha e Flávio mantém empate técnico no segundo turno.



É bem provável que o humor do eleitorado brasileiro em relação ao escândalo do Banco Master já pode ter sido sinalizado na última pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, no dia de ontem, 07. Por outro lado, além de confirmar outras pesquisas de institutos conceituados divulgadas recentemente, os números do Datafolha refletem, na realidade, uma tendência consistente de crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A boca do jacaré se fecha numa disputa de segundo turno, assinalando um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para os mais entusiasmados torcedores bolsonaristas, o nome de Flávio Bolsonaro, por este critério, já poderia, inclusive, ter ultrapassado o petista. Tecnicamente, é isso. 

Observamos que o escândalo do Banco Master pode estar se refletindo nestes números, uma vez que já faz algum tempo que se fala constantemente sobre o assunto. Pelo enredo nebuloso envolvendo o escândalo, não há dúvidas de que o presidente Lula arcará com parte deste ônus, mesmo em se constatando que ele não tem nada a ver com isso. Seria natural. É o governo de turno. A despeito de termos excelentes institutos de pesquisa atuando no mercado, os dados do Datafolha são considerados ainda a maior referência. Em dezembro de 2025 o Instituto divulgou sua última pesquisa sobre a corrida presidencial. Neste intervalo, Lula perdeu 07 pontos, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou 05 pontos. Mesmo sem nada de concreto ainda, segundo dizem, o candidato Flávio Bolsonaro já explora em suas falas os rolos em que o filho do presidente Lula estaria supostamente metido, envolvendo as fraudes contra os aposentados e pensionistas. Faz parte do jogo. 

Nossa impressão é que, se pudesse antever esta série de problemas, o presidente Lula reavaliaria o endosso do seu nome para disputar um segundo mandato. O problema é que ele é aferrado ao poder e não estimulou nomes para substituí-lo. Não temos nenhum outro nome de candidato identificado com o escopo de centro-esquerda na disputa é um reflexo disso. Enquanto a direita ou extrema direita tem uma penca de candidatos. Este fato implica dizer que, num eventual segundo turno - o que é quase inexorável na disputa presidencial no país - a tendência dos votos desses outros candidatos é migrarem para Flávio Bolsonaro. Hoje, 08, o jornal O Globo traz uma entrevista com o cientista política Alberto Carlos Almeida, uma opinião bastante ouvida pelo Planalto, segundo o próprio jornal. O cientista observa que o escândalo do Banco Master tem um potencial enorme de prejudicar a candidatura do presidente Lula. Hoje, Lula seria favorito a perder as próximas eleições presidenciais, de acordo com o prognóstico do cientista. 

Por algum motivo, o Instituto testou o nome de Fernando Haddad como candidato à Presidência da República, ele se saiu bem, cravando um empate técnico com o candidato Flávio Bolsonaro, mesmo sendo testado pela primeira vez. Na realidade, mantida as atuais condições, o morubixaba petista já escalou Fernando Haddad para a missão espinhosa de disputar o Palácio dos Bandeirantes com o bolsonarista Tarcísio de Freitas. O objetivo é, na realidade, é minimizar os danos no chamado Triângulo das Bermudas, os estados da região Sudeste, onde se concentram os maiores colégios eleitorais do país. Com isso se espera que os votos do Nordeste, tradicional reduto petista, possa assegurar, mais uma vez, uma vitória a Lula. É bom salientar, no entanto, a queda de popularidade do presidente Lula também no Nordeste. Talvez esses cálculos precisem ser refeitos. 

P.S.: O termo "Triângulo dos Bermudas" é do jornalista Rudolfo Lago, do Correio da Manhã, numa referência aos três estados da região Sudeste, Minas, Rio e São Paulo, onde o PT enfrenta as dificuldades conhecidas. Aqui em Pernambuco, existem três cidades estratégicas, que podem definir uma eleição, também conhecidas como o nosso Triângulo das Bermudas: Petrolina, no Sertão do São Francisco, Caruaru, no Agreste, e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. 

sábado, 7 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Raquel Lyra se aproxima do MDB. Mas que MDB?



Em política existe uma máxima, atribuída ao grande Ulisses Guimarães, onde ele vaticina que, não se deve manter uma distância tão expressiva que impeça uma reaproximação. Ainda seguindo esta máxima, também não se deve manter um grau de aproximação tão demasiado que impeça um afastamento. Pensamos muito nisto quando acompanhamos a peregrinação do ex-Ministro da Integração Nacional do Governo Dilma Rousseff, Ciro Gomes, que precisou se reaproximar de figuras carimbadas da política cearense, antes rejeitados pelo político. Hoje, segundo sua versão, o mais importante é unir forças para apear o PT do Palácio da Abolição. Aqui em Pernambuco, João Campos já consagrou-se em pleitos eleitorais com uma linha efetivamente antipetista. Sequer desejava que o partido integrasse o seu governo. Isso, aliás, deixou mágoas em alguns núcleos do partido, que não desejam apoia-lo no projeto de ocupar o Palácio do Campo das Princesas. 

Raquel Lyra, um tanto quanto diversionista no início de sua gestão, hoje conversa com todas as tribos políticas do estado, inclusive com o PT. Não faz muito tempo, esteve efusivamente comemorando com o deputado federal Mendonça Filho algumas vitórias na Câmara dos Deputados. No dia de ontem, ao lado do ex-governador Jarbas Vasconcelos, por ocasião do lançamento do projeto "Várias Vozes- Um só hino". Aqui temos mais um elemento que assegura que a gestora abriu, de fato, um canal de diálogo com o MDB. Ainda no último artigo sobre os movimentos das peças no tabuleiro do xadrez político do estado comentamos sobre o assunto. O MDB está dividido, assim como ocorre com inúmeras agremiações políticas em todo o país. Aqui em Pernambuco, a questão do comando da legenda já foi até judicializada. 

O MDB de Raquel, pelo andar da carruagem política, não é o MDB de Raul Henry, Secretário de Articulação Institucional da Prefeitura do Recife. É o MDB de Jarbas Vasconcelos, de Jarbinhas, do senador Fernando Dueire, que também está na briga para ocupar um espaço que lhes permita disputar a reeleição. O quadro está bastante congestionado, como se sabe. Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, conforme nos ensinam o evangelho. Segundo se especula, Raquel Lyra cobra uma definição do PP sobre o pleito de 2026. O PP de Eduardo da Fonte integra sua base de governo, mas, eventualmente se especula que também estaria sendo "sondado" pelos socialistas e petistas. Ele deve seguir com Raquel, conforme deseja a sua base de apoio político no estado. Estranho mesmo são os planos do candidato Flávio Bolsonaro para a governadora, deixados, por descuido, em anotações sobre uma mesa. Algumas dessas sinalizações da governadora, entanto, diluem tal estranheza. 

Editorial: O que a Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro?



Este assunto está virando uma novela, provavelmente sem um final feliz. Pela manhã já comentamos sobre este assunto, mas algo parece sugerir que, para o banqueiro e sua defesa, o que menos importa são os diálogos das conversas pessoais mantidas com autoridades da República. O que, de fato, preocupa a defesa é o conteúdo do que foi extraído do celular. A própria Polícia Federal antecipou-se em afirmar que não se responsabiliza pelo vazamento dos diálogos pessoais do banqueiro. Estava, há pouco, ouvindo uma entrevista do senador Carlos Viana, onde ele ratifica que a CPMI não se responsabiliza sobre alguns dados que teriam sido igualmente vazados, desta vez, envolvendo o sigilo bancário e fiscal do senhor Luiz Fábio Lula da Silva, o Lulinha. 

Ainda não sabemos se realmente procede, mas o Ministro André Mendonça teria restabelecido a queda do sigilo  bancário do Lulinha, como desejava a CPMI. Por motivos bem conhecidos, a CPMI do INSS encontra muitas dificuldades na realização do seu trabalho. O Brasil, que já era o país disso e daquilo, agora também é o país da blindagens de autoridades. A Polícia Federal hoje possui tecnologia avançada na extração de dados de aparelhos celulares. Dizem que esta tecnologia é a mesma utilizada por uma empresa que presta serviços à  inteligência de Israel, o Mossad. Quase nada fica ocultado. Já tem gente falando em delação premiada. Os leitores conseguem imaginar as consequências de uma delação premiada de alguém da "turma"? 

Embora não nessas dimensões gigantescas, fraudes bancárias são até recorrentes no país. A penetração do crime organizado no núcleo duro das instituições brasileiras também não é mais novidade. O que intriga neste caso, pelo menos para este simples editor, é a articulação de grupos criminosos com nucleações políticas que ditaram os rumos do país nos últimos anos.  

Editorial: Ministro André Mendonça manda apurar vazamentos dos diálogos de Daniel Vorcaro.



Atendendo a um pedido dos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, O Ministro André Mendonça, respeitando as fontes dos jornalistas, manda a Polícia Federal apurar eventuais vazamentos dos diálogos entre Vorcaro e autoridades da República. Conforme comentamos por aqui no dia de ontem, 06, tais vazamentos se tornaram recorrentes no país. Não se traduz em nenhuma novidade. O Ministro Alexandre de Moraes negou que tivesse mantido com o banqueiro os diálogos que estão sendo divulgados pela imprensa. A Polícia Federal antecipou-se em informar que não seria responsável pelos vazamentos dos diálogos pessoais do banqueiro. Há um festival de acusações em curso. Assim como ocorre em relação a tais diálogos, o mesmo ocorre em relação aos vazamentos das movimentações bancários do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lulinha. 

Salvo melhor juízo, membros da CPMI do INSS já se anteciparam em informar que não são responsáveis pelos dados divulgados pela imprensa. O presidente dos trabalhos daquela comissão, o senador Carlos Viana, que presta um grande serviço aos país na condição de parlamentar, informou que pretende convidar o ministro Flávio Dino para uma das sessões da comissão. No entendimento de Viana, o STF poderia ajudar mais nos trabalhos de investigações que estão sendo conduzidos por aquela comissão. Na realidade, estamos, neste momento, travando uma verdadeira guerra entre os Três Poderes da República. Alguns atores, mesmo ocupando papéis relevantes, estão se tornando ridículos neste processo, insistindo em remar contra a maré legalista e republicana. 

Se sobressai, entre os escombros, a condução dos trabalhos do Ministro André Mendonça, pautando suas decisões por critérios eminentemente legalistas, republicanos e orientados pela Constituição Federal, como não deveria deixar de ser. Já disse que estaria disposto a "cortar na carne" se o andamento das investigações assim determinarem. Por "cortar na carne" entenda-se a não submissão ao espírito de corpo. Vamos aguardar o rumo dos acontecimentos, uma vez que o país continua mergulhado numa espiral complicada, num estágio de degenerescência institucional talvez nunca visto antes.