pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: se fosse largo, tudo acomodava, João.



Os últimos dias tem sido marcado por intensas movimentações das peças que compõem o tabuleiro da política pernambucana. Diríamos mesmo que um rebuliço, para sermos mais precisos. Ontem foi a vez do ministro de Portos e Aeroportos do Governo Lula vir a público desmentir um boato de que ele estaria sendo cotado para compor a chapa do prefeito João Campos, mas na condição de candidato a vice-governador. Sílvio Costa Filho, mais conhecido como Silvinho, fez questão de enfatizar que os seus planos políticos, definitivamente, é disputar uma vaga ao Senado Federal pelo estado, preferencialmente alinhado ao projeto de reeleição de Lula. Preferencialmente aqui é força de expressão uma vez que se sabe da correção deste rapaz em seu fazer política. Nas últimas eleições, a despeito de uma enorme movimentação pelo estado, em nenhum momento ele se posicionou incorretamente em relação à base de sustentação do Governo Lula 3. 

Mais complicado ainda foi o movimento da ex-deputada Marília Arraes, anunciado seu desligamento do Solidariedade, filiação ao PDT e a firmeza com que está lançando sua candidatura ao Senado Federal, atendendo a um pedido dos eleitores pernambucanos, que sempre invocam o desejo de votar na neta do Dr. Miguel Arraes. Este fato, olhando de uma maneira mais ampla, traz implicações efetivas para todos os pretendentes do estado em ocupar um assento na Casa Alta, sobretudo se considerarmos a performance da candidatura de Marília, líder em pesquisas de intenção de voto. Em particular, para a composição da chapa do prefeito João Campos, mais ainda, uma vez que ele já conta com enormes dificuldades de acomodar os nomes que desejam as duas vagas que concorrem ao Senado Federal. Segundo dizem, na realidade uma, uma vez que uma dessas vagas está aprioristicamente destinada ao senador Humberto Costa, apadrinhado pelo morubixaba petista. 

E agora? Como diria o cancioneiro popular, se fosse raso, ninguém se afogava. Se fosse perto, tudo mundo ia. Se fosse largo, tudo acomodava. Pensou-se até, numa conversa com Edinho Silva, Presidente Nacional do PT, uma chapa com três candidatos ao Senado Federal. Os petistas se colocaram contra. Poderia confundir o eleitorado. Vamos de dois candidatos mesmo. Mas quem? Agora há pouco líamos a notícia de que - numa manobra carregada de ardis - talvez o Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, seja convidado a compor a chapa de João na condição de vice, ocupando o espaço da legenda na composição, escanteando, assim,  o pleito de Marília Arraes. A proposta vem sendo muito festejada, com uma série de argumentos positivos, mas se sabe o que está em jogo na realidade. 

Neste momento, o prefeito está com o escudo armado, tentando se proteger dos inúmeros petardos que estão sendo atirados contra o Palácio Capibaribe. A oposição na Casa de José Mariano é pequena, mas faz um barulho danado. Uma semana, um pedido de impeachment, na outra uma proposta de CPI. Na outra margem do Capibaribe, as intensas movimentações da governadora Raquel Lyra, ancorada na entrega de obras e nas diretrizes da comunicação institucional, algo que vem dando certo, se considerarmos a sua recuperação gradual nas últimas pesquisas de intenção de voto. Em suas redes sociais, ela hoje aparece ao lado do deputado Mendonça Filho, segundo os planos de Flávio Bolsonaro, um dos nomes a disputar o Senado Federal no estado. 

Editorial: Quem tem medo de Daniel Vorcaro?

Jornalista Lauro Jardim


A teia de articulações do banqueiro Daniel Vorcaro são extensas e perigosas. Acabamos de acompanhar uma entrevista concedida pelo senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, onde, ao responder a uma pergunta do repórter da CNN sobre quem teria mais medo de Vorcaro em Brasília, se a esquerda, se a direita ou se o Centrão, respondeu que todos teriam, uma vez que a sua ramificação criminosa não passava pelo critério da clivagem ideológica. Era ecumênica. Quando a gente observa determinadas figuras realizando gestões claramente no sentido de blindar este sujeito se dá conta de que a degenerescência institucional que o país atravessou nos últimos anos atingiu níveis inimagináveis. 

Talvez precisemos de décadas para uma assepsia republicana em nossas instituições. Os métodos utilizados pela "turma" dão bem a dimensão de como pseudo agentes públicos, com acessos, redes e informações privilegiadas, podem burlar a legalidade para causar danos a terceiros, como na situação do jornalista Lauro Jardim, apenas por divulgar verdades incômodas em sua coluna. Em estados de exceção, como nas nossas experiências autoritárias, fatos assim eram comuns, mas se sabia quem eram os seus autores. Agentes da Ditadura de Getúlio Vargas, por exemplo, deram uma camada de pau no jornalista Aníbal Fernandes, insatisfeitos com os seus artigos publicado no Diário de Pernambuco. Sobre 1964, os exemplos são inúmeros, sendo o caso de Vladimir Herzog o mais emblemático. 

O exemplo de um banqueiro, que, segundo apurou a Polícia Federal, supostamente agia no submundo, nos estertores, com know how semelhante às milicias e ainda com cobertura de pessoas honradas, indicam a fragilidade de nosso sistema democrático. Logo mais teremos uma daquelas audiências da CPMI do INSS, cujos integrantes realizam um trabalho hercúleo para dá conta de uma parte da justiça que precisa ser feita aos milhares de pensionistas e aposentados lesados por essas quadrilhas montadas para desviar recursos públicos. Também por aqui, não está sendo fácil. Que o diga o senador Carlos Viana. 

Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio

 


quarta-feira, 4 de março de 2026

Editorial: As anotações de Flávio Bolsonaro sobre a Paraíba.


Reprodução de O Globo

Vem dando o que falar essas anotações do candidato Flávio Bolsonaro, logo depois de uma reunião do PL para definir os palanques estaduais. Sabe-se lá porque essas anotações foram deixadas em cima da mesa, num lance de descuido, segundo o jornal O Globo. Aqui em Pernambuco ela vem causando um rebuliço danado, uma vez que figuras carimbadas do bolsonarismo foram deixadas de lado nos planos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sugere-se que na Paraíba tem ocorrido a mesma situação, pois o ex-Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, bolsonarista de fidelidade canina, também não foi consultado sobre os planos de Flávio Bolsonaro, que articula a filiação do senador Efraim Filho, hoje no União Brasil, ao PL, sendo ungido como candidato ao Governo do Estado, ao lado do major Fábio que, juntamente com Queiroga, comporia os dois nomes que disputarão as vagas ao Senado no estado. A questão aqui é que o PL do estado praticamente foi entregue a Efraim Filho, produzindo ruídos inevitáveis. 

Talvez empolgado com os resultados favoráveis nas pesquisas de intenção de voto, o candidato Flávio Bolsonaro tem afinado o violino da campanha com celeridade, enquanto o PT se perde ainda nas discussões internas. Aqui em Pernambuco, causou surpresa os nomes anunciados para concorrer ao Senado Federal. Mendonça Filho, hoje filiado ao União Brasil, que se filiaria ao PL, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, ainda no União Brasil, mas com enormes dificuldades de entendimento com a outra banda da futura federação União Progressista. O PP está com Raquel Lyra, enquanto o União Brasil, se depender de suas lideranças no estado, seguem no apoio ao nome do prefeito João Campos como candidato ao Governo do Estado. 

Bem que poderíamos denominar este editorial como mais um daqueles textos tratadas aqui sobre as idiossincrasias dos arranjos políticos regionais. Vamos precisar de um longo processo de acomodações dessas placas tectônicas da política regional. Ninguém se entende. Acabo de ler uma matéria onde se diz que a governadora Raquel Lyra, que tentará a reeleição, entabula conversas com o MDB. Em Pernambuco, há uma disputa acirrada pelo comando da legenda, que já chegou às barras dos tribunais. Para completar o enredo, o grupo de Raul Henry está perfilado ao lado do prefeito João Campos. Raul, inclusive, ocupa a Secretaria de Articulação Institucional da Prefeitura da Cidade do Recife. 

Editorial: Crescimento da candidatura de Flávio acende a luz vermelha no Planalto.


No dia de ontem, 03, saiu o resultado de mais uma pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026, desta vez realizada pelo Instituto Real Time Big Data. O instituto apenas confirma o que institutos anteriores já haviam prenunciado, ou seja, Lula continua à frente dos concorrentes no primeiro turno, mas, na eventualidade de um segundo turno, o Real Time Big Data assinala um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarista Flávio Bolsonaro. Lula aparece ali com 42% das intenções de voto enquanto Flávio crava 41%. Logo no início do ano o morubixaba petista percebeu a necessidade de fechar a boca do jacaré entre os índices de aprovação e rejeição do seu Governo. Não conseguiu até o momento. Os índices de rejeição continuam superiores aos de aprovação, sendo este um dos principais - se não o principal - gargalo de sua performance nas pesquisas de intenção de voto. 

Salvo melhor juízo, o cientista político pernambucano Antonio Lavareda teria afirmado que, se o petista não conseguir resolver tal equação, corre o risco de não se reeleger. Outro problema diz respeito a um eventual erro de avaliação em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, segundo o analista político do instituto. No início, o Planalto até "estimulou" uma eventual candidatura de Flávio, considerando que ele seria uma adversário menos complicado do que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Sugere-se que avaliou mal, uma vez que sua candidatura - apesar de programaticamente inconsistente e carregando o fardo pesado do bolsonarismo - consegue se afirmar e agora começa a ameaçar o favoritismo do petista. 

Flávio mapeia apoios nos estados, escala nomes para a coordenação de campanha, enquanto o PT parece inerte. Segundo matéria do Radar da Veja, estaria na hora de o PT acionar a velocidade cinco, que acreditamos que seria imprimir tração máxima na campanha para recuperar o terreno perdido para o adversário. Outro nome que vem se consolidando é o do governador do Paraná, Ratinho Junior, principalmente entre eleitores de baixa renda e no Nordeste, onde consegue tirar votos do petista. O Planalto anda tentando atrair o apoio do PSD de Gilberto Kassab, mas, pelo menos por enquanto, o bruxo continua reticente, dando corda ao seu pupilo do Paraná, que vem se mostrando "viável". 

terça-feira, 3 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Marília Arraes entra na corrida pelo Senado Federal.



No intervalo entre este artigo e o último publicado tratando das próximas eleições estaduais no estado, ocorreram alguns fatos dignos de nossa apreciação, a exemplo da decisão do grupo político ligado ao deputado federal Eduardo da Fonte assumir que seguirá alinhado ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Eduardo da Fonte lidera a federação União Progressista no estado, que possui a maior bancada na Casa de Joaquim Nabuco e na Câmara Federal. Além disso, o político sempre "correu numa raia própria", arregimentando uma penca de lideranças interioranas em torno do grupo por ele comandado. Trata-se um "pêndulo político" importante, talvez determinante. Como sempre afirmo por aqui, Eduardo da Fonte mantinha um grupo tão fiel aos seus projetos que resistiu ao processo de "eduardolização" da política pernambucana. 

Não há nada muito definido em relação aos nomes que deverão compor a chapa da governadora na condição de candidatos ao Senado Federal, mas supõe-se que Eduardo da Fonte seja um desses nomes. Muito difícil fazer uma afirmação categórica sobre o assunto, pois, assim como os nomes que gravitam em torno da indicação na chapa do adversário João Campos, a governadora também tem dificuldades de bater o martelo sobre o assunto. Aconselhada pelo próprio Gilberto Kassab a não se afastar muito do Planalto, recentemente surgiu, entre as anotações do candidato Flávio Bolsonaro, uma possível composição dos nomes do deputado federal Mendonça Filho e do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Seriam os nomes a compor a chapa da governadora como eventuais candidatos ao Senado Federal. Mendonça Filho se filiaria ao PL. Admitiria aqui, em princípio, uma eventual composição bolsonarista da governadora Raquel Lyra. 

Conforme já enfatizamos, o curioso neste arranjo é que estariam de fora dos plano de Flávio Bolsonaro figuras de proas do bolsonarismo, a exemplo de Anderson Ferreira e Gilson Machado. Trata-se um arranjo trôpego por diversos aspectos, a começar pelo fato de que seria Jair Bolsonaro quem estaria definindo os nomes que concorreriam ao Senado nos Estados e, neste particular, dificilmente alguém com a fidelidade de Gilson Machado ficaria de fora dos seus planos. Por outro lado, convém salientar o bom trânsito de Mendonça Filho junto ao Palácio do Campo das Princesas, assim como uma informação que surgiu sugerindo um eventual convite da governadora Raquel Lyra a Miguel Coelho, antes de estourar o escândalo da Operação Vassalos. 

Não vamos aqui entrar no mérito dessas questões, pois temos as costas ainda "ralhadas" pelos pelourinhos dessas oligarquias, mas se tornou "enigmática" um expressão usado pelo ex-prefeito de Petrolina em relação ao se referir a esses fatos, sugerindo que se trata de manobras de forças políticas que se contrapõem ao progresso do Estado. Ficamos sem entender. No dia de ontem, 02, tivemos a confirmação da candidatura da ex-deputada federal, Marília Arraes, ao Senado Federal. Marília comunicou ao Solidariedade que estaria se filiando ao PDT para viabilizar o seu projeto político. Reafirma que o seu projeto é irreversível, porque os eleitores pernambucanos desejam vê-la na Casa Alta. De fato sim, conforme enfatizamos por aqui em alguns momentos. 

Sabe-se lá como as placas tectônicas se acomodarão com mais uma postulante ao Senado Federal no estado. Segundo dizem, haveria um acordo firmado entre as famílias Campos\Arraes, onde ficaria acordado o papel de cada um deles nas próximas eleições. A postulação de Marília Arraes ao Senado Federal não estaria nos planos dessas nucleações familiares. Com o afunilamento do processo, hoje se fala, por exemplo, que o Senador Humberto Costa seria um dos nomes na chapa de João Campos, assim como Sílvio Costa Filho, Ministro dos Portos e Aeroportos. No momento seriam os nomes mais prováveis. Há quem diga que a candidatura de Marília talvez não se sustente. De fato ela não tem estrutura. Vamos aguardar um pouco mais. Prometo que voltaremos a tratar deste assunto numa outra oportunidade.  

segunda-feira, 2 de março de 2026

Editorial: As idiossincrasias dos arranjos políticos regionais II



Uma matéria nossa sobre as idiossincrasias dos arranjos políticos regionais - que quase sempre não convergem com os acordos firmados nacionalmente - suscitou uma grande audiência entre os nossos leitores. Tais idiossincrasias continuam ocorrendo. Aqui em Pernambuco, por exemplo, um jornal teve acesso a possíveis anotações do candidato Flávio Bolsonaro sobre a quadra política local, trazendo o nome do deputado Mendonça Filho como eventual candidato ao Senado Federal, uma vez filiado ao PL, numa composição com a governadora Raquel Lyra. Fala-se em palanque duplo do Planalto no estado, mas, pelo andar da carruagem política, os bolsonaristas estão "flertando" com a governadora Raquel Lyra. É bom que se diga que Mendonça Filho tem um excelente trânsito no Campo das Princesas. 

Eduardo da Fonte, da União Progressista, possivelmente será o outro candidato ao Senado Federal na chapa da governadora. O inusitado neste caso é que, entre as sondagens de Flávio Bolsonaro, figuras carimbadas ligadas ao PL e ao bolsonarismo pernambucano ficaram de fora do seu radar, a exemplo de Anderson Ferreira e Gilson Machado, cuja lealdade ao bolsonarismo está fora de questão. A hipótese de uma composição do grupo do deputado Eduardo da Fonte com o candidato João Campos está completamente descartada. Depois de muito cotejo, entabulações e meditar sob a massaranduba do tempo, o seu grupo, por unanimidade, optou por trabalhar pela reeleição da governadora. Isso de acordo com matéria de página inteira de um jornal local. Produzimos até um texto sobre o assunto, ainda não publicado, por entender que se trata de um movimento dos mais relevantes e significados no contexto da correlação de forças entre a governadora Raquel Lyra e o candidato João Campos. 

Outro movimento que merece nossas considerações é o anúncio da candidatura de Marília Arraes ao Senado Federal, fato tratado como um blefe por um blog local. De fato, a despeito de sua boa performance nas sondagens de intenções de voto realizadas até este momento para a Casa Alta, a tendência "natural" seria uma composição na chapa formada pelo primo João Campos, já bastante "congestionada". Carlos Lupi, do PDT, tentaria uma filiação de Marília ao partido e articulações com o prefeito do Recife. Falta a Marília base de lançamento. Mesmo assim, ela se diz resoluta quanto ao projeto político de uma candidatura ao Senado Federal. 

domingo, 1 de março de 2026

Editorial: O retorno ao estado hobbesiano.


Talvez não haja outro termo mais apropriado para definirmos a situação que o mundo enfrenta neste momento. Instituições de arbitragem sensivelmente fragilizadas, enquanto nações usam e abusam de sua força contra outras nações, impondo sua vontade através do poderio militar. É a lei do mais forte. Nos últimos anos, a humanidade passou por um processo de erosão civilizatória. Aqui no Brasil, são frequentes nossos comentários acerca deste assunto, vividos enquanto ainda estávamos no batente. A aposentadoria nos permitiram alguns momentos de trégua. Procedimentos abjetos, aéticos e criminosos se tornaram rotineiros, sem que as pessoas atentassem acerca das transgressões morais, ilegalidades e ferimento dos princípios cristãos e  humanitários que estavam cometendo. As "arbitragens" deixaram de existir. Não se sabe a quem recorrer, tampouco isso importa, uma vez que as avaliações se dão no aspecto "político" e não jurídicos. Os americanos dão uma excelente audiência a este blog. Dos  15 mil acessos do dia de ontem, 11,500 foram dos americanos. Como informamos antes, a grande audiência deste blog vem do exterior. 

Num intervalo de uma semana, o presidente Donald Trump anunciou - ou gabou-se? - de ter assassinado o narcoterrorista mais procurado do mundo, o mexicano Nemesio Oseguera Cervantes, mais conhecido como "El Mencho". Faz sentido, uma vez que todo o trabalho de inteligência coube aos Estados Unidos, através da DEA. Eles monitoraram movimentos pouco usuais nas proximidades da Serra de Tapalpa, onde o líder narcoterrorista estava escondido. A possível jovem com a qual ele teria um relacionamento não teve nada a ver. Não houve traição. Eles estavam monitorando o segurança que transportava a jovem para os encontros com "El Mencho". O mesmo ocorreu com a localização do bicheiro Adilsinho, no Brasil, praticamente encontrado pelo monitoramento de um dos seus seguranças. É o que o Mossad chama de "vulnerabilidade". 

Hoje, Donald Trump anunciou que 43 pessoas do alto escalão militar do Irã,  entre eles gente da área de segurança e de inteligência, foram abatidos na operação conjunta com forças israelenses naquele país. E assim caminha a humanidade. Em retaliação, o Irã atacou bases norte-americanas localizadas em diversos países do Oriente Médio. Já fecharam o Estreito de Ormuz, o que deve significar, de imediato, uma alta dos preços de combustíveis, o que deve se refletir negativamente no contexto da economia mundial. Estima-se que 20% do petróleo do mundial passe por aquele estreito. Por precaução, por não saber qual o perfil dos americanos que nos dão tanta audiência, vamos ficar por aqui. Hoje a gente não tem chance nem de se explicar.  

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Editorial: A má vontade com o trabalho das CPI's



O assunto do momento é o novo ataque conjunto de forças militares americanas e israelenses contra o Irã. O objetivo prioritário seria o líder Revolução Iraniana, Ali Khamenei, que não estaria no local atingido. A reação do Irã foi imediata e sem precedentes. Sabe-se lá qual será o desdobramento deste conflito, que estava sendo contido através da via diplomática. Infelizmente, as negociações se encerraram.  Voltaremos a tratar deste assunto mais tarde.  Mas, gostaríamos de abordar um outro tema. O da má vontade com os trabalhos realizados pela CPI's, a exemplo da CPMI do INSS, do Crime Organizada e, quiçá, do Banco Master. Na realidade há uma queda de braço em torno desta última, uma vez que há uma infinidade de autoridades da República que não desejam que as vísceras do maior escândalo bancário do país sejam revelados. Para as vítimas, os pagadores de impostos, a sociedade brasileira, trata-se de uma CPI que urge ser instaurada. 

No caso do INSS, há muito tempo não se via um trabalho tão honroso realizada por uma comissão, conduzida por dois parlamentares da mais absoluta honradez e espírito público: o presidente, o senador mineiro Carlos Viana, e o relator, o deputado federal pelo estado de Alagoas, Alfredo Gaspar. Trata-se de uma comissão que vem prestando um grande serviço ao país, colocando os fraudadores da previdência na cadeia. Precisa de um prazo maior para a ampliação de suas investigações, mas, no contexto dessa má vontade citada acima, o Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, foge de Carlos Viana como o diabo foge da cruz. A CPI do Crime Organizado trata-se de uma outra comissão importantíssima, mas, infelizmente, algumas decisões tomadas por ali estão sendo rejeitadas pela justiça. Trata-se, a rigor, de uma espécie de blindagem dos "intocáveis". 

O senador Carlos Viana foi injustamente atacado em razão do resultado de uma votação de aprovação de pauta na última sessão da CPMI do INSS. O caráter dele não permitiria nenhum ardil ou manobra fraudulenta. É um sujeito decente. Infelizmente, o que houve foi uma insatisfação generalizada dos governistas em razão de mais um daqueles "cochilos" ou salto alto. Achavam que seriam vitoriosos, baixaram a guarda e foram derrotados. O banqueiro Daniel Vorcaro será ouvido na comissão de finanças do Senado Federal, sob a coordenação do senador Renan Calheiros. Está tudo preparado para tal audiência, inclusive um forte aparato de segurança conduzido pela Polícia Federal. Aguardamos, com grande expectativa, a sua presença na CPMI do INSS.  

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Editorial: Paraná Pesquisas aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.


Acabamos de saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente convenceu Fernando Haddad a disputar o Governo de São Paulo. Não faz muito tempo, o nome de Rodrigo Pacheco foi anunciado como possível candidato do Planalto ao Governo de Minas Gerais. Isso traduz uma longa conversa entre o presidente Lula e seus apoiadores no sentido de, minimamente, equilibrar a disputa em estados importantes da Região Sudeste. O Instituto AltlasIntel, no dia de ontem, 26, trouxe alguns dados suficientes para deixar o Planalto em estado de alerta. Mais do que os dados - que mostram uma diferença pequeníssima em favor de Flávio Bolsonaro na disputa de um eventual segundo turno - o mais importante é identificar as motivações dos eleitores no sentido de produzirem uma queda de avaliação do Governo, que está se refletindo, quase que organicamente, nas intenções de voto do petista.  

Mais importante ainda é verificar o que está ocorrendo em regiões como Nordeste, um tradicional reduto petista. Anpassant, pode-se concluir que o PT já experimentou dias melhores nesta região. O cálculo que se fazia no sentido de obter um percentual "X" de votos no Sudeste seria suficiente para assegurar a vitória do PT, em razão da larga vantagem no Nordeste talvez precise ser refeito. Outro problema diz respeito aos "eleitores tradicionalmente identificados com o partido, como aqueles eleitores dos extratos sociais mais baixo da pirâmide social. Como está se comportando este eleitorado? O voto majoritário da periferia de São Paulo em candidatos com perfil conservador é um alerta que não poderia ser desprezado. Sobre o nicho evangélico, já tratamos disso antes. Estima-se que, a partir de 2030, ninguém chega ao Palácio do Planalto sem antes contar com as bençãos dos irmãos. 

Hoje saíram os dados da pesquisa de intenção de voto do Instituto Paraná Pesquisas, um dos institutos mais bem credenciados. A pesquisa seria publicada no dia de ontem, mas isso não altera em nada os números preocupantes para o Planalto, que já sabia do resultado, posto que antecipado por alguns órgãos de comunicação. O PT está como aquele náufrago tentando sair de braçada da corrente de retorno. Quanto mais se debate mais cansa e, se não houver um salvamento ou nadar para o lado correto, pode vir a se afogar. Sem que se saiba nada sobre como seria um Governo de Flávio Bolsonaro - atributo de uma inconsistência tremenda à sua candidatura - o fato é que ele conseguiu arregimentar o eleitorado bolsonarista raiz, aquele eleitor que votaria no seu pai que está preso. 

A reticência de parte desses grupos vão, aos poucos, sendo diluídas, principalmente em relação àqueles núcleos de dissidências dentro do próprio escopo do bolsonarismo. Até o pastor Silas Malafaia já andou dizendo que Eduardo Bolsonaro faria melhor à candidatura de Flávio se se mantivesse em silêncio. Os núcleos conservadores de outro perfil podem não resistir aos "encantos" de uma candidatura "viável" eleitoralmente. Pois bem. Nesta pesquisa de hoje Lula aparece à frente, com 39,6% das intenções de voto, mas encostado em Flávio, que crava 35,3% das intenções de voto, uma diferença de apenas 4 pontos, caracterizando um empate técnico, dentro da margem de erro do Instituto. Isso no primeiro turno. No segundo turno, tanto Flávio quanto Ratinho Junior aparecem igualmente em empate técnico com o morubixaba petista. 

Uma tempestade perfeita de problemas enfrentados pelo Planalto. O escândalo do Banco Master, num enredo nebuloso, de proporções gigantescas, enredando a metade da República; o desastre na Marquês do Sapucaí, ampliando o hiato com os evangélicos e levando segmentos conservadores a viraram a cara para a legenda; A quebra de sigilo bancário do Lulinha, agravada pela delação premiada de integrantes da alta cúpula do INSS, envolvendo nomes ligados ao Governo, a exemplo do ex-Ministro Carlos Lupi, segundo informa o site Metrópoles. A oposição está se antecipando para pedir a quebra de sigilo fiscal e bancário também de Carlos Lupi. Esta delação premiada do alto escalão do INSS pode ter um efeito devastador, sobretudo num ano eleitoral. O pior é que o "Careca" também está na fila. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Editorial: AtlasIntel aponta Flávio à frente de Lula no segundo turno.

 



Quando saírem os novos escores do ranking de corrupção mundial, se estávamos perdendo alguns pontinhos, tenham certeza os senhores que já estaremos recuperando as primeiras posições. Nos últimos dias, foram expostas as vísceras deste mal crônico que assola o país desde 1500. Somente aqui em Pernambuco, durante a Operação Vassalo, realizada pela Polícia Federal, por determinação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, estima-se que o desvio de verbas públicas de emendas parlamentares tenha atingido a cifra dos 100 milhões. Agora há pouco, depois da revelação do site Metrópoles sobre possíveis delações premiadas encetadas por membros do alto escalão do INSS, que estão presos, sugere-se que o nome do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, pode estar arrolado no esquema de desvios do órgão. Sugere-se que, supostamente, o Lulinha receberia uma mesada da ordem de R$ 300 mil por mês. O próprio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", segundo dizem, deseja entrar no programa de delação premiada. 

O PT, então, preparou uma tropa de choque na sessão da CPMI do dia de hoje, com o objetivo de evitar que ele possa ser convocado ou tenha seu sigilo fiscal quebrado. Sabe-se lá o dano que isso poderia produzir à campanha do petista. A manobra não deu certo. A oposição conseguiu aprovar a pauta, levando os parlamentares governistas ao desespero, ao ponto de promoverem agressões a membros da oposição. Nem o presidente dos trabalhos, o senador Carlos Viana, escapou das agressões. Muito ponderado e equilibrado, como sempre ele manteve a postura serena. Não conhecíamos o trabalho do senador Carlos Viana, mas ele merece o respeito de todos os brasileiros pela condução dos trabalhos naquela comissão. Sereno, republicano, correto e justo. Não merecia a fúria de membros do PT. 

Assunto é o que não falta no dia de hoje, um dia verdadeiramente de ebulição política, se considerarmos, por exemplo, o "enquadramento" que os senador Girão deu no Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, em relação aos inúmeros pedidos de impeachment parados e, sobretudo em razão da pousa disposição demonstrada em instaurar a CPI do Banco Master, um escândalo de dimensões gigantescas. Outro fato dos mais relevantes foi a quebra de sigilo e as convocações promovidas pelo relator Alessandro Vieira, no curso dos trabalhos da CPI do Crime Organizado. Alessandro Vieira, assim como Alfredo Gaspar estão realizando um trabalho primoroso.  

Só não falamos até aqui sobre a pesquisa recente do Instituto AtlasIntel, que aponta uma "vantagem" numérico do candidato Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula num eventual segundo turno entre ambos. Realizada depois do carnaval, sob a ressaca dos inúmeros equívocos associados ao PT durante o Desfile da Marquês de Sapucaí, não surpreende esses números. Os dados coletados refletem, igualmente, a queda dos índices de aprovação do Governo Lula 3. Estima-se que hoje saia a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, que devem confirmar aqueles números desagradáveis para o Planalto. Pesquisas internas indicavam tal possibilidade. Possivelmente realizadas pela SECOM.  

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Editorial: Flávio ultrapassou Lula?



Quem lê um pouco sobre o Brasil não estranha alguns fatos, a exemplo da corrupção sistêmica; do "jeitinho" dos penduricalhos ou das chantagens com os vazamentos de informações sigilosas. Fica configurada, claramente, uma rede de proteção montada para proteger aquele banqueiro encrencado até a medula. O problema é que o cara enredou metade da República. E, por falar em "vazamentos", ainda neste final de semana começaram a circular informações antecipando uma pesquisa que será publicada ainda amanhã, 26, pelo Instituto Paraná Pesquisas, com uma suposta dianteira do candidato Flávio Bolsonaro sobre Lula. O Planalto estaria em polvorosa, uma vez que, segundo pesquisas internas, tal tendência já teria sido verificada. 

Dois fatores poderiam explicar esta liderança de Flávio, de acordo com os analistas. Mesmo com uma candidatura inconsistente - uma vez que não se sabe o que ele fará na Presidência da República, algo que ele evita falar até porque não tem experiência de gestão da máquina - Flávio consegue arregimentar o apoio do voto bolsonarista raiz, ou seja, aqueles eleitores que estariam dispostos a votar no seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma transferência de voto automática. Uma outra razão seria o "desastre" da Marquês de Sapucaí, quando o ex-presidente Lula recebeu uma homenagem controversa da escola de samba Acadêmicos de Niterói. Além dos problemas relativos a uma enxurrada de ações por suposta "campanha antecipada", o PT amarga o ônus da "narrativa" do enredo, comprometendo ainda mais a sua relação com grupos de eleitores evangélicos e conservadores. 

Não se pode, em nenhuma hipótese, negligenciar o nicho eleitoral dos evangélicos. Estimativas de crescimento deste nicho sugerem que, talvez a partir da próxima eleição presidencial, eles sejam decisivos para assegurar um assento na cadeira do Palácio do Planalto. O PT vai mal com este nicho desde as eleições passadas. Sugeriram várias estratégias de reaproximação, nenhuma delas bem-sucedida. Agora, diante do desastre da Sapucaí, estão sugerindo que a deputada Benedita da Silva possa serenar os ânimos entre este nicho e o PT, eximindo o PT da condenação antecipada ao inferno. Foi a própria Benedita quem havia sugerido, nas eleições passadas, que o PT poderia tentar este diálogo pela via "econômica", ao invés de definir uma estratégia específica. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Editorial: PL rachado?



Salvo em situações limites, geralmente essas coisas são "desconversadas" no mundo político. As indisposições entre os membros da cúpula do PL a nível nacional são recorrentes e antigas. Em princípio, o nome de Flávio Bolsonaro não seria a primeira opção do Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Ele aquiesceu, assim como tantos outros, em razão da ausência de condições políticas de rejeitar uma indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro que, igualmente, criou uma situação complicada em Santa Catarina, onde o governador Jorginho Melo teria um acordo com o PP, que acabou quebrando em nome da indicação de Carlos Bolsonaro de Caroline De Toni para concorrer as duas vagas abertas para o Senado Federal. Neste arranjo, o estado pode deixar de eleger alguém com a capacidade e expertise política de Esperidião Amim, que afirma que será candidato mesmo assim. 

Dos Estados Unidos, onde se encontra no momento, Eduardo Bolsonaro teceu algumas considerações críticas em ralação à atuação do deputado Nikolas Ferreira em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Isso está rendendo tinta que é uma coisa. Mesmo encarcerado na Papudinha, segundo o próprio filho Carlos, Bolsonaro teria uma cadernetinha onde define os representantes do bolsonarismo em cada estado da Federação. Segundo Valdemar, os nomes seriam apenas para o Senado Federal. Temos nossas dúvidas. Em Pernambuco, as farpas trocadas são entre os representantes da família Ferreira e o ex-Ministro do Turismo, Gilson Machado, fiel escudeiro do bolsonarismo no Estado. Não vamos entrar nessas querela, mas, sinceramente, não sei de onde o ex-prefeito de Jaboatão do Guararapes, Anderson Ferreira, desejou por em dúvida o   o bolsonarismo de Gilson Machado. 

Conforme comentamos mais cedo, os arranjos estaduais para dá suporte à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro estão sendo costurados. Pelo andar da carruagem política, conforme ainda comentamos, Pernambuco é um desses estados problemas. Além do bom desempenho de Lula, o PL simplesmente não tem alternativa. A centrífuga aqui moe em favor dos nomes de João Campos e Raquel Lyra. Tanto Gilson Machado quanto Anderson Ferreira desejam mesmo é uma candidatura ao Senado Federal. 


Editorial: O acordo de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.


O cenário da disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, certamente, promete ser um dos mais controversos. As disputas políticas naquele ente federativo sempre foram marcadas por tais características, mas, em 2026, teremos alguns ingredientes novos. Conhecedor dos mecanismos sobre os quais aquela engrenagem moe, o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, monta uma chapa com Deus e com Diabo na terra do Sol. Tem o apoio do PT e de segmentos do bolsonarismo, principalmente os evangélicos. Oficialmente, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, manteve um encontro com o atual governador Cláudio Castro, onde teria ajustado os termos de conduta para um eventual mandato tampão, assim como definido o nome que representará essas forças nas urnas. 

O nome ungido é o do delegado Felipe Curi, conhecido por sua atuação nas recentes investigas policiais contra o crime organizado nas favelas cariocas. Em se tratando de segurança pública, que será o maior gargalo das próximas eleições, não há dúvida de que ele poderá atrair um eleitorado identificado com as teses bolsonaristas, principalmente numa região colapsada e conflagrada, a exemplo do Rio de Janeiro. A candidatura de Flávio, embora inconsistente, está consolidada e talvez não haja mais retorno. Não se sabe o que Flávio Bolsonaro irá fazer na presidência, exceto indultar o pai que se encontra preso na Papudinha. Não é um candidato que convença pelos argumentos acerca dos grandes problemas nacionais. Sua pauta é o antipetismo e tudo que está associado a ele. 

Em alguns estados, a exemplo de Pernambuco e o Ceará, ele terá grandes dificuldades de construir um consenso acerca do palanque que venha a apoiá-lo. No Ceará os bolsonaristas estão com Ciro Gomes, que já foi execrado pela família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro não perdoa declarações de Ciro sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os bolsonaristas, por sua vez, asseguram que o próprio Bolsonaro deu sinal verde para as articulações. Em Pernambuco, a tendência é que a família Ferreira represente os interesses dos bolsonaristas no estado, principalmente depois do desligamento de Gilson Machado do PL. Ocorre, porém, que, em princípio, o grupo não almeja o Palácio do Campo das Princesas. Uma vaga ao Senado Federal já estaria de bom tamanho. Quem sabe uma chapa com o vereador Eduardo Moura, do Novo, que aparece com 10% das intenções de voto?  

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Editorial: Morte de "El Mencho" gera onda de violência no México.


A morte de "El Mencho", chefe do cartel de Jalisco, no México, infelizmente não impedirá o tráfico de drogas para os Estados Unidos. Os cartéis de drogas do continente, desde algum tempo, estão organizados como verdadeiras empresas, não sendo portanto a morte de uma liderança suficiente para interromper o fluxo do comércio ilegal de entorpecentes. Muito embora esses "chefões", geralmente, sejam bons gerentes que emprestaram suas habilidades para atividades ilegais. Nemesio Rubén Oseguera, a exemplo de Joaquin Gusman, "El Chapo", que hoje vive em condições deploráveis numa prisão de segurança máxima nos Estados Unidos, eram tidos como bons gerentes. No Brasil, sem querer declinar o nome, há também um grande traficante procurado pela Polícia do Rio de Janeiro também considerado uma pessoa muito hábil com os negócios. Nemesio Rubén era o criminoso mais procurado do México. Segundo especula-se, uma namorada poderia ter dado informações sobre o seu paradeiro, ajudando as forças policiais. 

O Governo Mexicano contou com a ajuda do Governo dos Estados Unidos para a sua captura. Na realidade, ele morreu no confronto com as forças de segurança do Estado, no dia de ontem, 22. Um dos seus filhos foi capturado. De origem humilde - como, aliás, a esmagadora maioria dos traficantes -  Nemesio foi deportado dos Estados Unidos, iniciou suas atividades criminosas no estado de Jalisco, expandindo seus negócios rapidamente, tornando o CJNG numa das organizações criminosas mais poderosas do mundo. Sua morte produziu uma onda de violência talvez sem precedentes naquele país, com o registro atual de 63 mortos até o momento. Geralmente os narcotraficantes reagem dessa forma, não sabemos se em proporção semelhante. A captura dos filhos de "El Chapo" em Sinaloa, também produziram ondas de protestos e atentados.  

O Governo Mexicano, de alguma forma, vem colaborando com os Estados Unidos no sentido de minimizar o fluxo de drogas para aquele país. O Governo Trump já sinalizou que essas atitudes podem representar um afrouxamento das pressões políticas, econômicas e até militares, como ocorreu na Venezuela. A ação das forças de segurança do México contou com a inteligência da DEA americana. Mesmo assim, em face do grande poderio bélico dos traficantes, ainda estamos tentando imaginar como "El Mencho" foi morto. Esse aparato conta, inclusive, com homens extremamente preparados, cooptados das forças regulares, ou seja, o Estado investe em sua formação e eles acabam servindo ao mundo do crime, recebendo remunerações vultosas. O poder de fogo desses traficantes não fica nada a dever do poder de fogo das forças regulares policiais. Em alguns casos, é até superior. 

Editorial: O "distanciamento" entre Kassab e Tarcísio de Freitas



Ambos preferem não se pronunciar sobre o assunto, mas sabe-se que esta relação já teve dias melhores no passado.  Tarcísio de Freitas, até recentemente, era o nome preferido por Gilberto Kassab para encampar um projeto de candidatura conservadora à Presidência da República. Defendeu esta tese até quando foi possível, entregando os pontos depois de um encontro entre o governador paulista e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois do encontro, Tarcísio de Freitas manifestou o apoio ao projeto de apoiar o nome do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o que levou o aliado Kassab a fazer algumas declarações públicas onde teria usado os termos lealdade e submissão. Lealdade ele até entenderia, mas submissão não. Tarcísio de Freitas acusou o petardo e retrucou, afirmando que, de fato, lealdade é uma moeda cara na política. De fato sim. Tarcísio de Freitas tem uma dívida de gratidão com a família Bolsonaro. 

A rigor, Tarcísio de Freitas, se desejarmos falar de lealdade, não pode se queixar do seu Secretário de Governo neste sentido. Desde algum tempo, Tarcísio de Freitas já havia sido ungido como potencial candidato dos segmentos conservadores à Presidência da República. Kassab, no entanto, alertava para o fato de ele não se posicionar como uma "bolsonarista". Embora louvável, a lealdade de Tarcísio, a rigor, não é o único problema. O grande problema é que ele, de fato, depende do bolsonarismo. A dependência não é apenas emocional. Tarcísio depende dos votos e do apoio do bolsonarismo. Como o capitão já havia decidido que o seu representante seria o próprio filho Flávio Bolsonaro, Tarcísio reconsiderou a possibilidade de uma candidatura. É preciso dizer, no entanto, que, a despeito do avanço da candidatura de Flávio, muitos setores conservadores ainda se sentem "órfãos" com a desistência de Tarcísio. 

A questão agora é saber se, mesmo não sendo o nome de preferência desses setores, o crescimento da candidatura de Flávio mudará este cenário. Kassab estava sendo contado para vice na chapa de reeleição de Tarcísio de Freitas, mas, diante dos acontecimentos, tal possibilidade tornou-se pouco provável. Os nomes que deverão habilitarem-se para a disputa ao Senado Federal pelo campo conservador também tem sido alvo dessas discórdias, provocando as declarações recentes de Eduardo Bolsonaro contra a postura do deputado mineiro Nikolas Ferreira, a quem acusa de falta de engajamento na candidatura presidencial do irmão. Na realidade, antes de ser indicado como candidato presidencial representado o clã Bolsonaro, Flávio Bolsonaro faria uma "dobradinha" com Guilherme Derrite pelas duas vagas de senadores do estado. Sua saída do páreo, assanhou os pretendentes ao cargo.  

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Editorial: Rodrigo Pacheco será candidato ao Governo de Minas Gerais.

Crédito da Foto: Pedro Gontijo, Senado Federal. 


As chances do ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, ser eleito para ocupar a cadeira do Palácio Tiradentes são remotíssimas. O pior é que ele sabe disso, tentou resistir às insistências do presidente Lula, mas acabou aquiescendo. Pacheco sabe que vai para o sacrifício. Será improvável, até mesmo, atingir um percentual de votos para o PT naquela praça que seja capaz de equilibrar o jogo da disputa no plano nacional, sabendo-se que é este, afinal, o grande objetivo do PT. O desgaste de Pacheco no seu estado natal foi muito bem trabalhado pela Oposição. Pacheco, na condição de Presidente do Senado Federal, seguiu um script de alinhamento irrestrito ao Executivo, o que desagradou a amplos setores da Oposição. Foi exposto à execração pública por atores com ampla capilaridade política no estado. Não tem qualquer chance. 

Resta saber qual foi acordo firmado com o morubixaba petista, sabendo-se que ele, apadrinhado por David Alcolumbre, luta por uma indicação ao STF. Aliás, tal indicação já poderia ter saído, não fosse a insistência de Lula na chancela do nome de Jorge Messias, algo ainda atravessado na traqueia de Davi Alcolumbre. Expectativa de mais um mandato para Lula? Aposentadoria precoce de mais um Ministro da Suprema Corte, quando ele poderia ser indicado? A rigor, o Planalto sabe das dificuldades que deverá enfrentar em grandes colégios eleitorais do país. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre esses estados. Em nenhum deles a situação do PT é confortável. Muito ao contrário. 

Por isso mesmo, haveria a necessidade de analisar a situação com mais cuidado. Pacheco não é o único que o PT está tentando jogar aos leões. Em São Paulo, insiste-se na candidatura de Fernando Haddad, que sabe que se trata de uma batalha perdida -  e talvez até vexatória - maculando seu currículo político. Assim como Geraldo Alckmin, Haddad resiste à ideia de uma candidatura. Especula-se, igualmente, acerca do futuro político do vice-presidente, Geraldo Alckmin, com poucas chances de continuar nesta condição na chapa de reeleição de Lula. Lula tenta negociar esta indicação mediante o apoio do MDB, que ainda ficou mais chamuscado depois da exposição da imagem do ex-presidente Michel Temer na Marquês da Sapucaí. 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Editorial: As idiossincrasias dos arranjos políticos regionais.


Até recentemente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que é filiado ao PSD, telefonou para Lula para informar que havia fechado uma aliança com o MDB local, de olho na disputa pelo Palácio Guanabara, em 2026. Lula teria aprovado a aliança de imediato. Conhecedor como poucos da política carioca, Eduardo Paes sabe que precisa dá nó em água se deseja assegurar algum espaço político naquela quadra. Políticos orientados pelos critérios ou princípios ideológicos não têm qualquer chance de lograrem êxito por ali. Basta observar o arco de alianças que ele construiu nas últimas eleições. Depois do desfile na Marquês de Sapucaí, onde esteve ao lado de Lula, criou uma aresta com o pastor bolsonarista roxo, Silas Malafaia. Antes, porém, havia afirmado que, se mexessem com Silas Malafaia, estavam mexendo com ele. 

A postura de Silas é praticamente um indício de ruptura política, um pouco do ônus que o Planalto terá que pagar em razão do desastre político do desfile da Sapucaí. Há analistas políticos prevendo, inclusive, a possibilidade do candidato Flávio Bolsonaro já aparecer à frente de Lula nas próximas pesquisas de intenção de voto. A relação do PT com os evangélicos, que já era difícil desde as últimas eleições, pode se tornar desastrosa. É sempre bom analisar as quadras regionais para entendermos um pouco sobre como as acordos nacionais estão se refletindo entre os entes federados. Neste caso em particular, talvez compreenda-se porque o ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, além de admitir a sua candidatura - ou sacrifício? - em Minas Gerais, informar que pode deixar o PSD para filiar-se ao MDB. 

Salvo em algumas praças - São Paulo é uma delas - a aliança do PT com o MDB pode ser que vingue. Como diria Gilberto Freyre, nada nos surpreenderia acerca desses arranjos regionais, motivados, sobretudo, por interesses paroquiais, tempo de propaganda no rádio e televisão, maiores chances de eleição de bancadas, entre outros penduricalhos. Em eleições passadas, até bolsonaristas haviam celebrados alianças com petistas nos chamados "rincões". Outro dia, aperreado com o seu projeto de reeleição ao Senado Federal, um cacique do Centrão propôs abandonar o projeto de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro - o que seria mais lógico - em nome de um acordo com o PT no seu estado. Até recentemente, o pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, desconfiou das reais intenções do seu União Brasil. Abandonou o partido e filiou-se ao PSD. 

Ele tinha lá suas razões Para complicar o cenário, um partido que está celebrando uma aliança com o PP, partindo do pressuposto do antipetismo, acaba de namorico com este partido em alguns estados, a exemplo de Pernambuco e Ceará. Em Pernambuco o partido está fechado com a candidatura do prefeito João Campos, do PSB, mas aliado de primeira ordem do PT. No Ceará, depois de inúmeras negociações com a futura Federação União Progressista, Ciro Gomes pode não contar com o apoio desta Federação para reassumir o Palácio da Abolição. Haveria uma tendência de apoio ao nome de Elmano de Freitas, movida pela possibilidade de ampliar as chances de formação de uma boa bancada da legenda. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Editorial: CPMI antecipa depoimento de Daniel Vorcaro. É segunda-feira.


O presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana, antecipa que o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, antes previsto para a quinta-feira, foi antecipado para esta segunda-feira, 23, às 16h, no Senado Federal. Carlos Viana não antecipa mais detalhes, mas se sabe que ele havia solicitado a devolução ou acesso aos documentos em poder da CPMI, cujo sigilo havia sido decretado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O novo relator das investigações envolvendo o Banco Master é o Ministro André Mendonça, o mesmo que acompanha os trabalhos de relatoria da CPMI do INSS. Nesta segunda fase, a CPMI, que faz um trabalho seríssimo, dedica-se a investigar as maracutaias realizadas com os famigerados empréstimos consignados. O Bando Master também explorava esse tipo de empréstimo a aposentados e pensionistas, movimentando montantes volumosos. 

No bojo dessas discussões, outro assunto que não poderia deixar de ser tratado diz respeito a uma possível delação premiada que estaria sendo proposta pelos advogados do senhor Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como o "Careca" do INSS. O curioso neste aspecto é que, sempre que o assunto é tratado pela imprensa, sugere-se que ele teria interesse em revelar um eventual envolvimento do Lulinha, filho de Luiz Inácio Lula da Silva, no contexto dessas transações irregulares. Não se sabe se o propósito é realmente este ou se trata de uma "apelação" de alguns órgãos de imprensa. Camilo Antunes está bastante incomodado com a prisão do filho. Certamente, a delação premiada teria como objetivo maior a libertação do seu filho. 

O assunto do momento são as supostas festas nababescas promovidas pelo banqueiro na cidade de Trancoso, na Bahia, onde, onde supõe-se, reunia várias autoridades de Brasília, com a presença de garotas de programa. A imprensa chegou a este assunto através de possíveis vazamentos do teor do conteúdo dos celulares apreendidos do banqueiro. Neste caso específico, haveria até imagens sobre essas festas da cueca. É o Brasil. Nenhuma surpresa por aqui. 


Editorial: A cruzada de Flávio Dino contra os penduricalhos no Serviço Público.



É realmente muito complicado levar um país com as características do Brasil a sério. Surgiu nas crônicas políticas um tal de "Pica das Galáxias", personagem extraído dos diálogos obtidos pela Polícia Federal nos aparelhos de telefone daquele banqueiro encrencado até a medula. Dizem que se tratava, na realidade, das famosas "Festas da Cueca", promovidas por ele, com a presença de altas autoridades da República, num retiro na paradisíaca praia de Trancoso, na Bahia. Há algumas pistas, mas, a rigor, até agora não se sabe quem recebia esta alcunha entre os frequentadores dessas orgias. É realmente uma pena que Stanislaw Ponte Preta já não esteja entre nós. Outra grande lambança, que poderia ter sido evitada, ocorreu na Marquês de Sapucaí, quando uma Escola de Samba comete todos os equívocos possíveis ao tentar homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Absolutamente nada deu certo e eles ainda foram rebaixados. 

O PT aguarda uma enxurrada de representações junto à TSE e um ônus político gigantesco, embora alegue que não ouve, por  parte da legenda, qualquer interferência na concepção do desfile da Acadêmicos de Niterói. Isso pouco importa. As narrativas associaram organicamente o PT à ala dos conservadores e evangélicos "enlatados". Notícia boa mesmo são as cruzadas do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, contra as esculhambações que ocorrem com as emendas parlamentares e, agora, em relação aos chamados penduricalhos, acréscimos irregulares nos salários de alguns privilegiados servidores públicos, que superam, em muito, os tetos estipulados pela Constituição. Há magistrados recebendo milhões por ano. 

Na realidade, os penduricalhos servem exatamente a tal objetivo, ou seja, "furar" o teto. Já se saber que um monte de associações corporativas estão insatisfeitas com as medidas tomadas pelo ministro. Hoje os jornais dão conta que ele não apenas ratifica as medidas anteriores - onde determinou rigor em relação a tais artifícios - como já decretou ser ilegal a criação de novas medidas com tal objetivo. Ele sabe que o brasileiro é muito "criativo". 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Editorial: Vazamentos supremos II


É difícil precisar essas ocorrências, mas, a rigor, a partir do ano de 2016 o país passou a atravessar momentos difíceis, de retrocesso autoritário e civilizatório. O mal foi banalizado, para usarmos uma expressão atribuída à filósofa Hannah Arendt, durante o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, em Israel. Práticas sórdidas se tornaram comuns, a exemplo dos linchamentos e cancelamentos de indivíduos perpetrados pelas redes sociais. Fiquemos apenas neste exemplo, suficientemente execrável. Num contexto como este, ainda sofremos as consequências nefastas de tal processo, traduzidas nas ameaças veladas às autoridades de Estado, como ocorreu em relação a membros do Executivo e do Judiciário Brasileiro. Ficamos por aqui apenas imaginando. Se nem tais autoridades foram poupadas desta sanha, o que não deve ter ocorrido aos cidadãos comuns pelo país afora, aqueles sem os escudos protetores das funções que ocupavam?

Ontem, em plena terça-feira gorda, policiais federais cumpriram mandados de buscas e apreensões em três Estados da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O motivo seria algo já comprovado, ou seja, os vazamentos criminosos - posto que ilegais, sem ordem judicial - de dados da declaração de renda de Ministros do STF e de seus familiares. Segundo se informa, a própria Receita Federal já vinha investigando o problema. Foram identificados os servidores que estariam adotando tais procedimentos. Especula-se sobre a possibilidade de vazamentos com fins políticos, o que também não seria improvável. A cessão de senha de acesso a sistemas, distribuídas a determinados cidadãos ou cidadãs, deve sempre ser algo cercado de absoluta confiança. Neste caso, estranha o número de servidores arrolados, pelo menos um deles cedido de outro órgão, o que é mais estranho ainda. 

Vamos aguardar o desfecho de tais investigações. Hoje, logo mais, teremos a apuração dos votos das escolas do primeiro grupo do carnaval carioca. Tem gente torcendo que a escola que homenageou o presidente Lula seja rebaixada, em razão dos excessos cometidos. O PT tratou de lançar um nota eximindo-se de qualquer ingerência sobre a concepção do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O PT sabe que há uma profusão de problemas legais e políticos. Há uma enxurrada de ações por irregularidades cometidas junto ao TSE. Politicamente, o PT, que já não ia tão bem junto aos evangélicos, ficou ainda pior na fita, antecipadamente condenado às labaredas do inferno.  

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Charge! Gilmar via Facebook

 


Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: O "enredo" de Lula



O antropólogo Gilberto Freyre, que entendia o país como poucos, afirmava que nada seria capaz de surpreendê-lo no Brasil. Nos últimos dias ocorreram alguns fatos que merecem o nosso registro como fatos surreais, inusitados, incomuns ou até mesmo imprevidentes. Para dizermos o mínimo, naturalmente. Áudios de uma reunião entre os ministros da mais alta corte de justiça do país vazaram para a imprensa, a despeito de todas as precauções tomadas. Reunião ultra secreta, que, no dia seguinte, as falas dos seus ministros já estavam sendo divulgadas por órgãos de imprensa. Ainda não se tem uma pista segura sobre o que poderia ter ocorrido. Ao que se sabe, a Polícia Federal pode ser convocada a tentar entender o que ocorreu naquela reunião. No dia de hoje, 17, a pedido do Ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal realiza operação de buscas e apreensões. A Operação de hoje está relacionada a vazamentos de dados sigilosos das declarações de renda de membros e familiares da Suprema Corte. A Receita Federal já investigava o caso. 

A despeito de ser um ano eleitoral, quando se sabe que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve disputar a reeleição, a homenagem de uma escola de samba alçada recentemente ao primeiro grupo do Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói,  foi marcada por uma série de melindres, a começar pelo fato de que poderia infringir algumas restrições impostas pela Legislação Eleitoral. Lula varou a madrugada para acompanhar as homenagens, mas o próprio Planalto emitiu uma série de recomendações no sentido de que os limites não fossem extrapolados. Mesmo assim, devem chover representações contra o PT, considerando-se este momento de beligerância política que o país atravessa. Alertado pelo Oposição, o Planalto cercou-se de cuidados, mas deixou de combinar o enredo com o pessoal da Acadêmicos de Niterói. Ocorreram equívocos e ilicitudes, que deverão ser analisadas pelo pessoal do TSE. 

Pior que isso só uma nota emitida pela Federação União Progressista em favor do Ministro do STF, Dias Toffoli. Uma nota sem pé nem cabeça - talvez não? - onde, de imediato, provocou uma reação na bancada da futura Federação, entre senadores que não endossaram a medida. Ciro Nogueira, sempre tão ponderado, nos últimos dias sugere-se que se encontra meio perdido. Segundo noticiou a imprensa, andou entabulando conversas com o Planalto no sentido de retirar o apoio do seu PP à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em troca de ajustes com o PT em seu estado natal, o Piauí, onde tentará assegurar o seu mandato. Ele que é um dos personagens mais emblemáticos do Centrão. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o carnaval da governadora

 


Há alguns anos, enquanto nos dirigíamos ao trabalho, meditávamos sobre a campanha do então técnico do Governo do Estado de Pernambuco, Geraldo Júlio, alçado pelo ex-governador Eduardo Campos para assumir o comando da Prefeitura da Cidade do Recife. Orientado pelas pesquisas qualitativas realizadas por um publicitário argentino, o então governador havia chegado à conclusão de que os recifenses desejavam um gerente no comando do Palácio Capibaribe. Em inúmeros artigos publicados aqui pelo blog observávamos que os movimentos de Eduardo Campos indicavam que o seu objetivo maior era mesmo "unificar" a política pernambucana em torno do seu projeto de se tornar Presidente da República. Retirar o Palácio Capibaribe do comando do PT estava entre tal objetivo. Até os seus mais ferrenhos adversários à época foram cooptados em torno deste projeto, a exemplo de Jarbas Vasconcelos, que acabou não se materializando em razão de um trágico acidente aéreo. 

Ao chegarmos à repartição, antes das atividades diárias, escrevemos um artigo antecipando que ele seria o próximo prefeito do Recife. O artigo, naturalmente, causou alguns embaraços, principalmente entre os seus adversários à época, naturalmente insatisfeitos com o nosso prognóstico. Na realidade, conforme fazíamos todas as eleições, escrevemos uma série de artigos sobre aquele pleito específico que, se reunidos, daria um ótimo livro. Passados os anos, porém, pouca gente se interessa pelas eleições anteriores, exceto, talvez, marqueteiros, analistas políticos e publicitários. Isso nos veio a mente neste carnaval, depois de refletirmos um pouco sobre a arrojada campanha de comunicação institucional adotada pela governadora Raquel Lyra durante o período momesco, com fôlego de foliã adolescente, participando dos principais eventos, distribuindo uma alegria contagiante. Nas ladeiras de Olinda a governadora ganhou até uma sósia, tratada como irmã mais nova. 

Engana-se quem acredita que ela esteja "brincando" carnaval. O período, na realidade, foi escolhido para redimensionar a sua campanha de comunicação institucional já em curso, impulsionada por um bom momento. Não há muito o que se criar por aqui. É vender água para quem tem sede. É fazer melhor o que o João já faz. E desta vez eles conseguiram. Estamos tendo o carnaval da governadora. Mas vamos voltar ao nosso quadrado, evitando enveredar pelas áreas dos analistas de mídias sociais, publicitários, marqueteiros e nos concentrarmos na área de Ciência Política. Nos últimos dias, a presença ou não de Lula no desfile do Galo da Madrugada movimentou o mundo político pernambucano. Lula teria sido convidado pelo prefeito João Campos, do PSB, em mais uma de suas estratégias para assegurar palanque único de apoio ao projeto de reeleição do petista. 

Neste intervalo, surgiram burburinhos dando conta de que a governadora Raquel Lyra teria conversado com o morubixaba petista, dissuadindo-o da ideia. Uma blogueira chegou a anunciar que Lula não viria mais acompanhar o desfile do Galo da Madrugada. Logo em seguida, o próprio prefeito confirmou a presença de Lula no camarote oficial do Galo da Madrugada. A governadora Raquel Lyra não se fez de rogada e roubou a cena durante o desfile do tradicional bloco carnavalesco pernambucano, literalmente "colando" em Lula. Pelo menos no camarote do Galo, o palanque duplo ficou assegurado. O PSB integra o núcleo duro de apoio ao Governo Lula 3, mas a relação entre os dois partidos já gozou de melhores momentos. Hoje Lula tem dificuldades de assegurar ao partido a vice na chapa de 2026 e empurra uma candidatura à força de Alckmin na quadra paulista, algo que ele já afirmou ser improvável, sobretudo por conhecer as dificuldades da Planalto naquele estado da federação. 

O grande objetivo do Palácio do Planalto hoje é assegurar, em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro um percentual de votos que equilibre a disputa no restante do país, ou seja, permita que os votos que o PT espera obter em regiões como o Nordeste não sejam  tão amplamente suplantados. Hoje, numa avaliação preliminar, sabe-se das enormes dificuldades enfrentadas pelo presidente Lula neste momento, mas isso já é assunto para uma nova discussão. Independentemente disso, mesmo diante das dificuldades, Pernambuco sem mantém fiel ao seu filho ilustre. Os eleitores do estado estão propensos a apoiarem Lula mais uma vez, sendo fundamentalmente importante mantê-lo por perto, de preferência distante dos adversários. 

O PSD mantém um arranjo nacional que integra três governadores de Estado, uma trinca de ouro, de acordo com alguns analistas. Dizem que o projeto seria, na realidade, apresentá-los à sociedade numa chapa única, ou seja, Ratinho Júnior para a Presidência da República, Eduardo Leite para vice e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já seria apresentado como o "Xerifão" para ocupar o cargo de super Ministro da Segurança Pública, pondo "ordem" na casa, como fez no seu estado. Agora, tudo isso precisa ser combinado com o eleitorado, que tende a reproduzir a polarização intermitente que domina a política brasileira há algum tempo. Flávio Bolsonaro cresce a despeito das inconsistências de sua candidatura. 

Pragmático como sempre, Gilberto Kassab nunca se permite não ter uma plano "B" ou uma segunda jogada. Talvez até uma terceira. Dá como favas contadas a desistência de Tarcísio de Freitas, não se permite conversas com Lula acerca da possibilidade de indicação de um vice em sua chapa de reeleição, mantém sua trinca de ouro ativa para qualquer eventualidade de mudança de humor do eleitorado, que ele ainda acredita que poderá ocorrer. Mas, se não ocorrer, ele já tem cartas na manga. Aqui em Pernambuco, independentemente do cenário nacional, já teria alertado a governadora acerca da necessidade de não se afastar do líder petista, fundamental para o seu projeto de renovar o contrato de locação do Palácio do Campo das Princesas. A governadora parece tê-lo ouvido. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Lula no Galo

 


Editorial: Vazamentos supremos



Já se disse que o Brasil não é um país para amadores. E não é mesmo. Nos últimos anos, então, movido por uma série de fatores - coincidentemente todos perniciosos - ocorreu uma espécie de "banalização do mal", ou seja, comportamentos antes tidos como reprováveis, a exemplo da disseminação de notícias falsas, assédios morais institucionalizados, linchamentos morais digitais, aparelhamentos de órgãos públicos, políticas de "cancelamentos"  tornaram-se bastante recorrentes. Descemos alguns degraus na escala civilizatória. Num contexto evidente de degenerescência institucional, não estranha, por exemplo, a notícia de vazamentos ocorridos sobre uma sessão supersecreta organizada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. 

No dia seguinte à reunião, surpreendentemente, alguns órgãos de imprensa passaram a divulgar trechos das falas dos ministros presentes, convocados pelo presidente da Suprema Corte, o ministro Edson Fachin. A reunião tinha como objetivo uma tomada de decisão em relação à relatoria do Caso do Banco Master. Já faz algum tempo que estranhamos alguns fatos desta natureza. Processos apresentados como sigilosos chegam a alguns órgãos de imprensa com uma facilidade incomum, inclusive com teores de depoimentos dos réus envolvidos. Houve até um ministro do STF que resolveu decretar a quebra de sigilo de alguns processos em andamento argumentando justamente que o objetivo era o de minimizar os ruídos em torno do assunto, assim como as ilações produzidas por alguns órgãos de imprensa. 

Os ministros ficaram indignados com o ocorrido. Algumas providências deverão ser tomadas em relação ao assunto, para evitar essas "molecagens". Não sabem eles que tais "molecagens" são mais comuns do que se imagina no país de hoje. Chegamos a um estágio onde nem mesmo a mais alta corte de justiça do país está imune a tais investidas. Especula-se hoje sobre quem poderia ter vazado o teor da fala dos ministros durante a reunião. Mas não vamos dá mal exemplo e especular sobre especulações. Logo depois dos festejos momescos, teremos a tão aguardada presença do banqueiro Daniel Vorcaro na CPMI do INSS. O Caso do Banco Master, pelo visto, mexeu com as placas tectônicas do sistema. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Editorial: André Mendonça assume relatoria do Caso Master


O Ministro André Mendonça assume relatoria do caso Master. O caso do Banco Master, o maior escândalo financeiro da História do país, vem produzindo seus estragos. E tem muito mais coisas por aí. Não vamos aqui entrar em alguns méritos da questão para não melindrar, mas o cara conseguiu enredar em sua teia figurões do Poder Judiciário, do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Sugere-se que sabia exatamente o que estava fazendo. Hoje só se fala sobre a saída do Ministro Dias Toffoli do caso, depois do relatório produzido pela Polícia Federal, onde aponta-se suspeição do ministro. Numa reunião tensa, os demais ministros da Suprema Corte decidiram pelo seu afastamento da relatoria. Segundo dizem, ele resistiu o quanto pode. A melhor analogia produzida sobre este caso veio do senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, que afirmou que tem gente tentando esconder um elefante debaixo da mesa. 

André Mendonça já imprime seu ritmo e, principalmente, seu método de trabalho ao caso, já ouvindo a PF acerca das investigações conduzidas. Sugere-se que a relação seja mais proativa. Em última análise, trata-se de uma notícia alvissareira para os membros da CPMI do INSS, uma vez que André Mendonça é também o relator dos trabalhos daquela comissão, que luta pelo acesso a documentos importantes, assim como pela presença do banqueiro Daniel Vorcaro em audiência pública. Dentro de um espírito republicano, esta comissão vem realizando um excelente trabalho e, em tese, mereceria o apoio do Poder Judiciário em suas ações, mas, como se sabe, há aqueles atores inatingíveis, protegidos pelo sistema. 

Há alguns anos ficamos bastante estarrecidos com o que presenciávamos em algumas repartições públicas. Demorou um pouco para entendermos o que, de fato, estava ocorrendo, denominado por nós como práticas de assédios institucionalizados, ou seja, assédio como política deliberada contra alguns atores, principalmente entre órgãos públicos que realizavam um trabalho que não se coadunava com as diretrizes do governo de turno, a exemplo das políticas indigenistas, em defesa do meio ambiente, de gênero, etc. Esses órgãos sofreram horrores em tempos que não estão tão distantes assim. Outros tantos foram aparelhados no sentido de servirem a tais governos, perdendo a sua condição de órgãos de Estado. Passamos por um processo de degenerescência institucional com reflexos até no Poder Judiciário.