pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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domingo, 21 de junho de 2026

Editorial: Amizades tóxicas


Pelo andar da carruagem política, o que determina que a delação do ex-banqueiro se proponha "seletiva", na realidade, não seria para preservar alguns amigos do peito, mas por temor dos desdobramentos caso alguns nomes sejam elencados. Hoje, 21, uma jornalista se reporta à observação do ministro André Mendonça, numa sessão aberta do STF, onde o magistrado faz referência a uma proposta de delação "seletiva" recebida. A jornalista utiliza outro neologismo, mas, no fundo, tem o mesmo significado de "seletiva". O caldeirão político está em plena fervura na capital federal. Até os desdobramentos das operações - com temor de eventuais vazamentos ou mesmo sabotagens - estão sendo mantidas sob sigilo, o que dá a dimensão da fervura. Vamos aguardar os próximos lances. 

Um escândalo com as dimensões do Master não poderia ter ocorrido sob a clivagem de ideologia A ou B. O mesmo se aplica ao escândalo do INSS. Faz parte do jogo cada lado tentar jogar no colo do outro as responsabilidades, sobretudo num momento de pré-eleição. Quantas prefeituras dos mais distantes rincões do país adquiriram os papéis podres do Master? De que partidos políticos? Os operadores do esquema teriam algum pudor em se orientarem por critérios ideológicos? A vaselina aqui é outra. E o que significa isso hoje no Brasil, principalmente quando estamos tratando de gestores municipais? Nas eleições de 2016, por exemplo, dirigentes do PT constataram que havia petista apoiando bolsonatistas para o executivo municipal em alguns entes federados. 

Em Paulista, por exemplo, uma cidade que recebeu a visita da Polícia Federal recentemente, no curso das operações envolvendo investimentos de fundos de pensão em papéis podres do Banco Master, ideologias passam ao largo dos debates públicos. A cidade foi forjada sob o jugo de uma ferrenha oligarquia industrial, que deixou suas marcas até hoje no município, traduzidas, em parte, na enorme dificuldade de republicanização da gestão pública, o mesmo fenômeno que ocorre no estado, para sermos mais precisos, concebido como uma capitania hereditária de 1526 anos. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Ciro Gomes nas páginas amarela de Veja

 

Crédito da foto: Jarbas Oliveira\Veja

A entrevista da revista Veja desta semana é com o ex-Ministro da Integração e atual pré-candidato ao Governo do Estado do Ceará, Ciro Gomes(PSDB-CE). É lamentável que Ciro Gomes tenha tentado por quatro eleições ocupar a cadeira do Palácio do Planalto sem sucesso. Instado a habilitar-se a mais uma candidatura, o cearense declinou do convite por um motivo preocupante: o país caminha para um desastre, onde não se vislumbra uma solução no horizonte. Preocupante porque devemos pagar o ônus de sucessivas irresponsabilidades cometidas com as contas públicas, assim como sabermos que, de alguma forma, fomos também responsáveis por este desastre que poderia ter sido evitado. Não foi por falta de avisos. 

Os avisos vieram de um cidadão íntegro, de conduta pública irrepreensível, dotado de espírito público e que sempre fez o dever de casa. De sua fala podemos concluir que ainda resta alguma esperança para o seu estado, o Ceará, que enfrenta sérios problemas de condução da máquina, assim como sofre o efeito do avanço do crime organizado, traduzido nos índices de violência, ocupação de territórios, chacinas, entre outras mazelas. Ali também existe a possibilidade de uma "institucionalização" do crime organizado, ou seja, a infiltração de organizações criminosas na máquina pública, algo que está se tornando até recorrente no país, tendo o Rio de Janeiro como o caso mais emblemático. 

Dado o volume de recursos financeiros hoje movimentado, assim como a  capilaridade assumida hoje pelo crime organizado, este enfrentamento torna-se sensivelmente complicado. Ciro, inclusive, aponta que um dos reflexos da resistência de setores do país à classificação de organizações criminosas como PCC e CV como organizações narcoterroristas é exatamente a eventual asfixia financeira imposta pelo Governo dos Estados Unidos. Neste sentido Ciro Gomes argumenta que poderá recorrer ao Estado de Israel, como já fez no passado, possivelmente em termos de apoio de inteligência. Como se isso já não fosse o bastante, o estado do Ceará também enfrenta problemas de infraestrutura, na saúde e na educação, elementos com o quais o cearense terá que lidar. 

Embora tenha fechado uma aliança com o PL local - vale dizer os bolsonaristas locais, como André Fernandes e o Capitão Wagner - Ciro descarta completamente a possibilidade de montagem de um palanque de Flávio Bolsonaro no estado. Neste momento, Ciro menciona as dificuldades de constituição de palanques estaduais que traduzam, organicamente, as alianças celebradas no plano nacional. Para usarmos uma expressão muito popular na região, no entender do cearense, Flávio e Lula, do ponto de vista da condução da economia, são farinhas do mesmo saco. 

sábado, 20 de junho de 2026

Editorial: Nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial de 2026.


No dia de ontem, 19, divulgamos por aqui o resultado de duas pesquisas, realizadas por institutos distintos, onde o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, passa a "ignorar" o candidato Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Petistas renhidos, órgãos de imprensa favoráveis ao Governo olham para os números conforme as conveniências. Os dados onde Lula distancia-se de Flávio Bolsonaro corresponde ao primeiro turno das eleições, onde, de fato, a distância entre os principais concorrentes ampliam-se, favorecendo Lula. Numa dessas pesquisas, Lula abre 13 pontos, na outra 09. Hoje, 20, uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, desta vez realizada pelo Instituto Datafolha

O instituto, de alguma forma, confirma as pesquisas anteriores, mas apenas em relação ao primeiro turno. Em relação ao segundo turno, embora o petista continue na frente, o jogo ainda não estão definido. Lula crava  47% das intenções de voto, enquanto Flávio pontua com 43%, repetindo os escores da pesquisa anterior realizada pelo instituto. Este jogo já esteve melhor para o candidato Flávio Bolsonaro que já atingiu um empate técnico com o atual presidente Lula. Empate técnico significa que ele poderia estar acima do presidente na corrida pela cadeira do Palácio do Planalto. Se considerarmos os escores obtidos por Lula nas últimas pesquisas de intenção de voto, o petista voltou a sonhar com a renovação do seu contrato de locação com o Palácio do Alvorada. 

Se o "Dark Horse" não foi suficiente para desmontar as pretensões presidenciais do representante do bolsonarismo, por outro lado, a estratégia de responsabilizá-lo pelas mazelas que vem do Norte podem estar surtindo algum efeito. A pesquisa do Datafolha ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 19 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95%. BR-09956\2026. 

Editorial: Os infiltrados II


A delação premiada oferecida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não tem chances de prosperar. Trata-se de uma delação, como se diz no popular, do tipo meia-boca, ou seja, inconsistente. A PF é categórica em afirmar que ele sabe muito mais do que está propondo entregar sobre suas transações nebulosas, que já extrapolaram o perfil de um mero escândalo do sistema financeiro. Numa sessão recente do STF, o ministro relator do caso, André Mendonça, que vem realizando um trabalho digno de todo o respeito na condução do processo, declarou já ter recebido propostas indecentes por parte de advogados do ex-banqueiro, que propuseram uma delação "seletiva". 

Estima-se que o ex-banqueiro, mesmo diante das circunstâncias sensivelmente adversas, deseja poupar alguns amigos do infortúnio. Quem sabe aquele amigo que aparece com ele sorrindo, durante as férias de inverno na França. Sugere-se que alguns mensaleiros gozavam de sua efetiva amizade. E, por falar em mensaleiros, hoje, 20, o jornal Folha de São Paulo traz uma matéria sobre os infiltrados do ex-banqueiro na Polícia Federal. Salvo melhor juízo, uma delegada e um agente. O jornal faz referência, a partir de informações obtidas junto à própria Polícia Federal, que tal mesada poderia chegar ao montante de R$ 400 mil reis por mês. 

O agente infiltrado ficaria encarregado de repassar informações sobre o andamento de investigações sigilosas da corporação ao ex-banqueiro. Um agente da PF começa ganhando aproximadamente R$ 15 mil e pode chegar a R$ 25 mil reais depois de alguns anos na corporação, incorporando ao salário alguns benefícios. Um outro agente, este da Polícia Civil, também infiltrado, num outro caso que não tem relação com este, numa gravação obtida pelos investigadores do caso, aparece tratando o salário recebido como uma "merreca". Merreca diante dessas propostas indecorosas, ofertadas mediante o roubo descarado de pessoas comuns, aposentados, pensionistas. Era isso que estava em jogo. 


  

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o posicionamento de João Campos em relação a Lula


Em política, posicionamento é algo importante e igualmente arriscado. Aqui se aplica a máxima do grande Ulisses Guimarães, que afirmava que o político não poderia se aproximar demais ao ponto de não poder afastar-se, assim como distanciar-se demasiadamente, o que tornaria improvável uma reaproximação. Quando foi pré-candidato ao Planalto, um projeto que o animava desde os tempos de universitário, o ex-governador Eduardo Campos adotou uma posição marcadamente antipetista, se aproximando de grupos políticos de centro e centro-direita. Naquele momento, tal posicionamento poderia ser lido como de ingratidão, uma vez que o Governo Federal, através de programas federais como o PAC, destinava vultosas obras no estado. Pernambuco chegou a abocanhar 25% de todos os recursos do PAC à época, salvo melhor juízo. Se estivermos errados, já antecipamos nossas desculpas por aqui. 

Mais do que isso. Havia uma relação histórica, política e afetiva entre o presidente Lula e o seu avô, Dr. Miguel Arraes. Quando todos abandonaram Lula como um cão sarnento durante o escândalo do Mensalão, Dr. Arraes deixou o Palácio do Campo das Princesas e foi solidarizar-se com o amigo. Em sua primeira candidatura à Prefeitura do Recife, João Campos considerou que, naquele momento, era importante manter uma distância regulamentar do PT. Regulamentar aqui é um eufemismo para evitar os melindres nesses tempos de nervos aflorados. Na realidade, naquele momento, possivelmente aconselhado por seus assessores de comunicação, João considerou que afastar-se do PT poderia representar uma chance efetiva de vitória nas eleições. E foi assim mesmo. João tornou-se prefeito do Recife, antecipando que não admitiria petistas em sua gestão. 

Não há dúvida que, com tal narrativa, naquele momento, o prefeito tenha recebido apoios de eleitores vinculados ao centro e à direita do espectro político, o que hoje se complica um pouco em relação ao seu realinhamento ao petista. Possivelmente grupos políticos simpáticos à candidatura da governadora Raquel Lyra estão explorando esses dois momentos do João. É preciso considerar se essa contradição seria suficiente para produzir danos consideráveis à sua candidatura. Na outra margem do Capibaribe, na Praça do Campo das Princesas, depois do vídeo gravado por Lula em apoio ao nome de João Campos, a governadora Raquel Lyra pode apostar tudo numa estratégia marcadamente conservadora, sem o menor flerte com os petistas. 

Hoje, 19, já começou a se especular sobre a sorte de Túlio Gadelha em sua chapa para o Senado Federal, assim como Miguel Coelho, que, supostamente, não contaria com o aval da federação União Progressista chancelando sua candidatura. Por outro lado, já ouvimos fontes afirmando que, durante o São João dos Coelho, em Petrolina, seu nome pode ser confirmado. Aumentam as apostas em torno de nomes como Eduardo da Fonte, do PP, assim como em relação ao nome de Mendonça Filho(PL-PE), que, embora não tenha anunciado sua pré-candidatura, passou a pontuar bem nas pesquisas de intenção de voto para a Casa Alta.  

Editorial: Obrigado, leitores!


Entre os dias 16 e 19 do corrente, tivemos uma média de 25 mil visualizações do blog, o que é um número expressivo para um blog como este, com produção própria, sem reproduzir qualquer conteúdo de fora - sem ajuda das IA's - feito do próprio punho, comentando sobre política, literatura, sociologia, antropologia, entre outros temas. Os acessos do blog, conforme já enfatizamos num outro momento, são majoritariamente do exterior. Dos números acima, apenas 5000 acessos de brasileiros e brasileiras que confiam em nosso trabalho e têm nos apoiados por aqui. Sempre que alcançamos esses números expressivos surgem postagens antigas, que, geralmente, submetemos a algum tipo de correção, evitando os erros de posicionamento e linguagem que permitimos passar naquele momento. Pedimos perdão aos diletos leitores se tais equívocos não forem devidamente corrigidos. 

Isso nos conduz a uma outra conclusão, a que já tivemos melhor liberdade de expressão no país em passado recente. Este editor se sentia bem mais à vontade em seus escritos. Hoje temos que evitar alguns temas, abusarmos de expressão como supostamente, eventualmente, e assim por diante, sempre com o propósito de não nos comprometermos. Nomes próprios apenas como referência inevitável - em função do cargo público ocupado - ou para fazermos elogios. O artigo sobre a alavancagem da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) foi escrito ainda no domingo e mantido em stand by. Não por considerarmos as pesquisas mais recentes de intenção de voto - que, aliás, como afirmamos ali - ficam distante de se igualarem aos escores obtidas pela gestora no Datafolha. Os dados do Datafolha se constituíram num divisor águas na dinâmica competitiva da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas nessas eleições. O jogo está, no mínimo, equilibrado. O motivo de mantermos o artigo em stand by foi com o propósito de checarmos a informação sobre os investimentos em publicidade da Prefeitura do Recife. Outro dado que não pode deixar de ser considerado são os  índices de avaliação de gestão da governadora, escores que recomendam a sua permanência na cadeira do Palácio do Campo das Princesas. 

Houve um tempo em o blog tinha enorme dificuldade de acessos no continente africano e asiático, além dos países de língua espanhola. É coisa do passado. Hoje o mundo lê o blog Contexto Político. Penetramos nos rincões empobrecidos da África, da Ásia, em cidades\estados como Hong Kong, Singapura, nos países conflagrados do continente latino-americano, assim como na terra do Tio Sam, onde a nossa audiência é recorrente, da mesma forma em Barcelona, Paris ou nas velhas repúblicas do socialismo real do Leste Europeu. Passamos por aqui para agradecer aos diletos leitores e leitoras, ensejando que o espaço está aberto aos comentários, observações e críticas de cada um de vocês. 

Crônica do cotidiano: Chega nego


Tivemos algumas experiências interessantes na Bahia, seja quanto viajamos a trabalho ou mesmo a passeio com a família. Uma das mais significativas e gratificantes foi o deslocamento de Salvador à cidade de Cachoeira, na região do Recôncavo Baiano.  Ainda guardamos no paladar os sabores da culinária local, apreciadas aos finais de tarde, sob o por do sol, às margens do Rio Paraguaçu. Esta cidade está cercada por um conjunto de emblemas históricos e arquitetônicos do estado, alguns dos quais já tratados por aqui em momentos anteriores. Nossa passagem por ali foi retratada numa novela concluída recentemente, onde nos reportamos aos diálogos com o pessoal da Irmandade da Boa Morte e ao Coco de Roda de Dona Dalva, doutora Honoris Causa pela Universidade do Recôncavo Baiano. Dona Dalva também integra a Irmandade da Boa Morte. 

No afã de remontar toda a origem da Irmandade da Boa Morte, O texto ficou demasiadamente ensaístico, o que nos contingenciou aos reparos necessários. Ao romancear alguns fatos históricos, não raro nos empolgamos com as remissões  históricas, sociológicas  e antropológicas e isso pode comprometer os aspectos determinantes de um romance ou de uma novela. Romance é preciso ter ritmo, cadência. Caso contrário, podemos perder os leitores e leitoras. Ele pode simplesmente não se interessar em conhecer a História da Irmandade da Boa Morte e abandonar o texto. Trata-se de uma armadilha da qual raramente conseguimos escapar. Ainda em Salvador, conhecemos o CEAO ( Centro de Estudos Afro-Orientais), tudo dentro de nossa perspectiva de pesquisa, onde mantivemos alguns contatos com pesquisadores do centro. 

Um deles usou a expressão "chega nego" muito comum no estado, utilizada em diversos ambientes sociais da capital baiana, seja um bar, um ponte de encontro, uma praia, um sítio histórico. Mas, neste caso, o pesquisador a utilizou como um eventual ponto de desembarque de negros escravizados que chegavam à capital, possivelmente na cidade baixa, próximo onde hoje fica o Mercado Central. A cidade de Salvador sofreu várias intervenções urbanística ao longo dos anos não sendo possível precisar se, de fato ali, funcionava o local de desembarque de negros trazidos do continente africano. Um local conhecido como Porto da Misericórdia é mais utilizado pelos pesquisadores como ponto de referência neste sentido. O "Chega Nego" oficial. 

Ainda por exigências impostas pela pesquisa, tivemos que subir ao ponto mais alto e luxuoso da cidade, o chamado Corredor da Vitória, onde reside a nata da burguesia baiana. Nosso objetivo era conhecer uma instituição museológica local, detentora de um acervo importante para o nosso trabalho. Hoje, 19, uma referência na coluna Diário do Poder nos remeteu a tais lembranças. Segundo a coluna, para alguém que se espantou com a kitnet de milhões, é ali que reside o tal senador encrencado, num belo apartamento avaliado em 200 milhões, com píer e acesso de teleférico à Baía de Todos-os- Santos e, parafraseando um poema de Gilberto Freyre, de quase todos os pecados. 

Editorial: Lula passa a "ignorar" Flávio na corrida pelo Palácio do Planalto.


Em princípio, o suposto financiamento do ex-banqueiro  Daniel Vorcaro aos produtores do filme Dark Horse não teria causado um grande estrago à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Pelo menos era isso o que mostravam as pesquisas de intenção de voto divulgadas logo após o episódio. Passada a tormenta, as últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas mais recentemente mostram um distanciamento crescente entre os índices do presidente Lula e os escores obtidos pelo bolsonarista. Não é possível afirmar, categoricamente, que isso é um reflexo retardado do "Dark Horse" ou se isso ocorre em função de outros fatores. Fatores é o que não faltam, a começar pela estratégia do Planalto em jogar no colo do candidato de oposição a responsabilização pelas medidas amargas adotadas pelo Governo Norte-Americano. 

Algo está dando certo para Lula, depois de um longo e tenebroso inverno, onde seus assessores de comunicação não conseguiam identificar onde estava o problema. Mesmo nas redes sociais, habitat natural do bolsonarismo, o Planalto conseguiu alguns êxitos consideráveis no calor da crise do assédio ao nosso Pix. Compete aos seus marqueteiros e homens de comunicação identificarem o que exatamente está ocorrendo. Na pesquisa do CNT\MDA Lula abre 13 pontos de diferença em relação ao oponente Flávio Bolsonaro, ao passo que na pesquisa Nexus o morubixaba chega a abrir 9 pontos de diferença. Pesquisas qualitativas, com grupos fechados, poderiam ajudar bastante. 

A pesquisa da CNT\MDA ouviu, através de entrevistas presenciais, 20002 eleitores entre os dias 10 e 14 de junho e está registrada no TSE sob o número BR- 04256\2026. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 p.p e índice de confiabilidade de 95%. 

Primeiro Turno: 

Lula(PT)         41,8%

Flávio(PL)      28,2% 

Editorial: Jaques Wagner afirma que continuará no Governo


Mesmo diante da repercussão negativa da nona fase da Operação Compliance Zero, realizada no dia de ontem, 18, que realizou buscas e apreensões em endereços do senador Jaques Wagner e pessoas ligadas a ele, a informação é que ele deverá mesmo permanecer no cargo de líder do Governo Lula no Senado Federal. O senador teria mantido um diálogo amistoso com o morubixaba petista, onde a hipótese de deixar o cargo foi descartada. Ontem passamos o dia acompanhando a repercussão dos desdobramento desta nova fase da Operação Compliance pelas redes sociais. A relação duvidosa entre entes públicos e privados envolve, inicialmente, a negociação da compra, realizada por um operador do Banco Master, de uma rede de supermercados estatal pertencente ao Governo da Bahia, o Cesta do Povo, que vendia produtos subsidiados aos servidores públicos do estado. A rede pertencia à Empresa Baiana de Abastecimento(EBAL).  

Com a aquisição da rede de supermercados estatais, o senhor Augusto Lima, segundo apurou a Polícia Federal, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu o sinal verde para a criação de um cartão de crédito denominado Credcesta, que operava com empréstimos consignados e créditos com descontos em folha dos servidores. É aqui que começam os problemas para os cidadãos e cidadãs comuns, simples servidores públicos do estado, em atividade e ou aposentados, e, acreditam os investigadores, os "subsídios" indevidos às autoridades públicas que estiveram diretamente relacionadas à facilitação dessas transações, arrolados aqui uma kitnet avaliada em 2,5 milhões num dos bairros mais caros de Salvador, o Horto Florestal.  

Mexer com este jogo espúrio de interesses é a pior atividade existente. Isso vale para uma simples milícia que opera numa favela e obriga os comerciante locais a adquirem a farinha de trigo de péssima qualidade comercializada por eles, até às decisões que são tomadas por membros da mais alta corte de justiça do país, o Supremo Tribunal Federal. Recentemente um comerciante foi morto por se recusar a adquirir o produto oferecido pela milícia local, no Rio de Janeiro. Os milicianos resolveram diversificar os seus negócios e hoje investem até no pãozinho francês. Nem ele escapa desta sanha. O ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master, numa sessão recente do STF, fez revelações preocupantes, como uma proposta de delação seletiva encaminhada por um dos escritórios de advocacia do banqueiro Daniel Vorcaro, assim como sugere possíveis ameaças veladas já recebidas. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Editorial: Ações coordenadas contra o crime organizado


Há um adágio aqui na região onde se afirma que dois bicudos não se beijam. Lula sabe da importância de manter um diálogo permanente com o presidente americano Donald Trump, mais, internamente, faz questão de alfinetá-lo com as bravatas do soberanês, uma narrativa que pode até dá certo como estratégia de reeleição. Por outro lado, plantado no território do inimigo, interferindo diretamente nesse padrão de relação entre os dois presidentes, uma família, com acesso direto ao próprio Trump ou aos seus assessores diretos. Apesar de tratá-los como traidores entre nós, do ponto de vista estritamente estratégico da relação entre os dois países, a conta não fecha. 

Independentemente da vontade do Governo Lula, o Departamento de Estado acabou mesmo classificando organizações como o PCC e o CV como organizações narcoterroristas. Até recentemente, numa operação de forças militares americanas dentro do território da Venezuela, o que já não é mais alguma novidade, os americanos destruíram o que seria um acampamento da facção Tren de Aragua, matando Niño Guerrero, o chefão do cartel. Para que tenhamos uma ideia sobre como essas ações contra o crime organizado precisa de uma coordenação de inteligência e ações conjuntas, ontem, 18, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, numa operação realizada no Aeroporto do Galeão, prendou o operador financeiro desta facção venezuelana, numa ação que confiscou 300 milhões de dólares e um automóvel Porsche. 

Esta organização criminosa já opera no Brasil há algum tempo, assim como facções brasileiras atuam em diversos ramos ilegais no exterior. No Brasil, sequer existe uma integração efetiva dessas ações envolvendo a União e os entes federados. A proposta do Governo Lula até acena para esta necessidade, mas, a rigor, sabemos que ela funciona bem apenas em relação há alguns entes federados, uma vez que os estados sob o controle da oposição, deliberadamente, evitam estabelecer esta parceria. Na região, observamos o estado da Paraíba como uma honrosa exceção. Gaeco, Ficco, Ministério Público, PRF, polícias militar e civil realizam várias operações conjuntas contra o crime organizado. Não sabemos se este padrão de articulação já é suficiente, mas, sim, é alvissareiro. 


Editorial: Nova fase da Operação Compliance Zero na Bahia.


Numa fala que veio a público durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal, o Ministro André Mendonça, fez várias afirmações importantes, mas destacamos três delas. Num determinado momento ele afirmou que não mandava prender para arrancar delações premiadas, o que significa entender que a delação proposta pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não assumiria uma importância capital no rumo das investigações sob a relatoria do ministro. Talvez exatamente por isso, por não "abrir" o jogo de elementos novos, tenha sido rejeitada.  Num outro momento, o magistrado observa que o escândalo do Banco Master é muito mais do que uma fraude do nosso sistema financeiro, com ramificações junto ao modus operandi da máfia e do crime organizado. 

Num outro momento, ele assegura que cumprirá seu dever de ofício de conduzir as investigações de forma republicana, não poupando nenhum dos envolvidos no caso. É de bom mister contar com servidores públicos investidos deste propósito e postura na condução dos trabalhos sobre esta que se acredita ser a maior fraude do sistema financeiro no mundo, mostrando, mais uma vez, que o Brasil não é para amadores. Hoje, 18, a Polícia Federal, por determinação do ministro, cumpre mais uma fase da Operação Compliance Zero, desta vez na Bahia, onde se especula que possa ter sido o "berço" das transações nebulosas e pouco republicanas das operações do Banco Master. Pelo menos no que concerne a esta promiscuidade entre fundos públicos e entes privados. O enredo da Bahia é, de fato, nebuloso, envolvendo autoridade da República que, supostamente, teria sido beneficiado através de parentes. 

Estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. A condução dos trabalhos é republicana, dentro do estrito cumprimento da lei e não se trata, em nenhuma hipótese, de perseguição política, como os adversários do ministro deverão tentar insinuar. Há uma robustês de evidências de maracutaias que deverão ser apurados e os responsáveis punidos. Embora a nova proposta de Vorcaro tenha sido mais uma vez recusada, como sempre ocorre, a imprensa divulgou alguns drops do seu conteúdo, evidenciando como atores dos Três Poderes da República estavam, de alguma forma, mancomunados com o ex-banqueiro. Gente de altíssima esfera, ocupando cargos de comando. Um deles considerou não haver nada demais o banqueiro ter financiado sua hospedagem em hotel de luxo em Portugal, com diárias nas nuvens. É lixo só. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Crônicas do cotidiano: Os hábitos "esquisitos" dos escritores


O suíço Robert Walser era uma espécie de escritor para escritores. Dominava, com maestria, todos os gêneros e tornou-se o escritor preferido do tcheco Franz Kafka. Internado a contragosto numa clínica psiquiatra, depois de enfrentar alguns problemas psicológicos, dos médicos aos profissionais de saúde que o acompanhavam imploravam que ele continuasse escrevendo, ao que ele sempre respondia: "Eu vim aqui para ser louco. Não para escrever." Esta expressão nos deixou tão impressionados que costumamos repeti-la com frequência nos nossos textos literários. Para que os leitores tenham uma vaga ideia sobre a importância deste "ambiente" de escrita, mencionaríamos, igualmente, uma outra referência, desta vez alagoana, numa alusão ao escritor Graciliano Ramos. 

Um crítico literário teve a preocupação de comparar seus escritos, quando ele gozava de sua liberdade, dos escritos do período em que ele esteve preso durante a Ditadura de Getúlio Vargas, por suas atividades no Partido Comunista Brasileiro. O crítico concluiu que seus melhores momentos de criatividade estavam relacionados ao tempo em que o escritor se recolhia à sua escrivaninha, acompanhado de uma garrafa de cachaça, um pedaço de rapadura e os inseparáveis fumo de rolo. Assim, o velho Graça produziu um dos melhores acervos da literatura brasileira. Memórias do Cárcere já não reservaria o melhor de sua produção literária, exatamente porque longe do seu habitat natural de criação.

Ontem, 16, faleceu no Recife, vítima de um câncer terminal, o escritor pernambucano Raimundo Carrero. Noticiando o evento, o Blog do Magno, em matéria escrita pelo próprio jornalista Magno Martins, há referência a um diálogo entre ele e o escritor Raimundo Carrero, quando este se refere ao seu momento de criação, sob intenso suor do Sertão, acompanhado de uma cachaça. Desde de ontem essa imagem  não nos sai da cabeça. O que impressiona é que, talvez sob um friozinho de ar-condicionado, um cafezinho quente, uma mesa bem arrumada, bolachinhas de coco,  não tivéssemos produzido um escritor da envergadura de um Raimundo Carrero. 

Quando alisávamos os bancos do CAC, da UFPE, nas aulas de Teoria Literária, tínhamos o privilégio de a disciplina ser ministrada por alguém do "ofício", o poeta Marcus Accioly. Marcus tinha uma metodologia que animava os alunos de sua disciplina, ao mencionar suas experiências como escritor, levar os companheiros de escrita para os bate-papos em sala de aulas, coisas assim. Salas sempre repletas de alunos, ansiosos por sua experiências. Produzimos uma resenha de um dos seus livros, muito elogiada pelo autor, que fez questão de enfatizar, em sala de aula, que nenhum crítico literário havia produzido as observações que apresentávamos no texto. 

Sobre os hábitos curiosos de alguns deles, Marcus fazia referência a Friedrich Schiller, que sempre guardava maças pobres na gaveta de sua escrivaninha para se inspirar. Somente assim ele conseguia escrever. Kafka escrevia nu, noite adentro, compulsivamente. Dormia muito pouco. Truman Capote tinha uma cor de papel para cada gênero. Uma cor para romance, outra para o conto e assim por diante. Quando, por algum motivo, não dispunha desses papéis na cor específica do gênero, considerava que sua  produção já não era a mesma. Hemingway escrevia apenas pela manhã. Das 100 páginas escritas, confessaria, uma era uma obra-prima. 99 delas jogava no lixo. Sobre os tomadores de whiskies, deixemos para um outro momento. A lista é grande. 

Editorial: Elmano perde a compostura em evento e se aborrece durante entrevista.


Quando o indivíduo entra na vida pública deve estar ciente de algumas condições a ela inerente, como o fato de ser criticado pelos órgãos de comunicação, profissionais do ramo, analistas sociais, opositores e até o mais humilde pagador de impostos. Aqui em Pernambuco, terra das velhas oligarquias carcomidas da política que estão no poder desde 1500, isso se traduz num grandiosíssimo problema, por vez traduzido em perseguições sórdidas, utilização do aparato de Estado com propósito nada republicano ou legal, abertura de processos judiciais. Com o advento das tecnologias, hoje o indivíduo pode ser "cancelado" até pelas redes sociais, através dos criminosos disparos de WhatsApp, formado por grupos corporativos. 

Dizem que isso tem a ver com o nosso processo de formação histórica, na condição de capitania açucareira bem-sucedida. A patologia social  produzido pelo familismo amoral foi tão gritante que este processo acabou sendo reproduzido nas instituições do Estado, com a formação de núcleos feudais e microcapitanias hereditárias. O uso da máquina do Estado para atender às demandas de núcleos familiares e seu apaniguados levam esses senhores a desconsiderarem os menores princípios éticos ou cristãos em seus métodos e práticas persecutórias contra os desafetos. Nem precisa necessariamente ser um desafeto. Basta apenas criticá-los. Eles atropelam tudo em nome da preservação de tais interesses.  

O Governo do Ceará reunia recentemente em evento gestores municipais do estado. O evento, ao que se sugere, não foi bem-sucedido ou não atendeu às expectativas dos organizadores. O fato é que, alguns jornalistas após o encontro, formularam algumas questões delicadas ao governador Elmano de Freitas, que ficou aborrecido ao ser indagado por um deles, possivelmente um crítico de sua gestão, o jornalista João Mota, do site O Otimista.  Quando indagado pelo jornalista acerca dos altos índices de insegurança pública no estado e sobre o famigerado caso do "sumiço" do político conhecido como Bebeto do Choró, que teria supostamente, ligações com o crime organizado, Elmano foi taxativo: "Não lhe respeito".  

terça-feira, 16 de junho de 2026

Crônicas do Cotidiano: A morte de Raimundo Carrero



Assim como ocorre com outros escritores, tínhamos uma curiosidade enorme em conhecer as primeiras novelas escritas pelo pernambucano de Salgueiro, o escritor Raimundo Carrero, que faleceu na manhã de hoje, aos 78 anos de idade. Essa curiosidade é absolutamente natural, pois sempre aprendemos muito com os grandes mestres. O propósito em relação ao trabalho do escritor Raimundo Carreiro estava relacionado a conhecermos um pouco o seu estilo literário ainda jovem e o seu processo de aprimoramento ao longo do tempo. A nossa conclusão à época é que Raimundo sempre foi de boa lavra, sugerindo-se uma grande vocação para a literatura desde cedo. Entre seus grandes tutores literários, podemos citar o escritor Ariano Suassuna e o antropólogo Gilberto Freyre, de quem foi assessor de imprensa. O regionalismo de Gilberto é forte em sua produção literária. 

Além de escritor,  Carrero trabalhou no Diário de Pernambuco, onde atuava como jornalista, e na Fundação Joaquim Nabuco, onde exerceu o cargo de assessor de imprensa. Acreditamos que a sua cumplicidade com Ariano tenha sido maior, uma vez que, na década de 70, Raimundo integrou o Movimento Armorial e chegou a produzir um texto literário em conjunto - o que não é comum - com o autor do Auto da Compadecida. Tratamos Gilberto aqui como antropólogo, mas todos sabem que o que ele desejava mesmo era ser tratado como escritor. Maria Lúcia Pallares Burke, que escreveu a melhor biografia intelectual sobre o mestre de Apipucos descobriu essas pistas ao esmiuçar sua biblioteca, repleto de textos literários de grandes escritores da época. 

Conhecemos Raimundo Carrero em suas oficinas literárias na Fundação Joaquim Nabuco, sempre auxiliado por uma companheira de trabalho, que tinha por ele um carinho enorme. Sobre a análise da obra de Gilberto Freyre do ponto de vista ensaístico e literário daria um grande ensaio, mas não deixa de ser curiosa a sua ascendência sobre escritores como José Lins do Rego e Raimundo Carrero, de alguma forma, ter sido agraciado, mais de uma vez, com os melhores prêmios literários brasileiros e ter, ao mesmo tempo, sua obra não legitimada no campo literário. Os paraibanos não gostam muito dessa referência à ascendência literária de Gilberto sobre José Lins do Rego, mas foi o próprio escritor paraibano quem declarou que devia a Gilberto os seus romances. 

Há um relato do jovem Raimundo Carrero, contando a alegria de ter agendado um encontro com o antropólogo\escritor em sua residência de Apipucos, onde chegou com grandes expectativas acerca da avaliação que Gilberto havia feito em relação a um dos seus textos. Sugere-se que tal encontro tenha ocorrido quando Raimundo estava no início de sua carreira de escritor.  Quando foi acometido por um AVC, o escritor pernambucano, Raimundo Carrero revelou o que ele mais temeu naquele momento, como consequência da enfermidade: perder a capacidade de imaginar, condição fundamental para o exercício do seu oficio: escrever. 

Carrero continuou escrevendo e publicando livros, num dos casos, relatando sua experiência com a doença. Lembramos deste episódio ao ler, até recentemente, um texto da professora Eliana Robert Moraes, analisando o lugar da literatura na obra do filósofo francês, Michel Foucault. Como tudo que se refere a Foucault, trata-se de uma grande viagem, uma viagem para ser feita, preferencialmente de barco, o lugar da "heterotopia", ou seja, um espaço, que mesmo sendo localizável, se configura como um lugar à parte, constituindo uma espécie de contestação ao mesmo tempo mítica e real do espaço em que vivemos, consoante com Eliana Robert. A literatura de Carrero foi um pouco isso nos seus últimos anos no plano terrestre, ao se preocupar com a morte dos nossos meninos. 

Charge! Borega via Tribuna Feirense

 


Editorial: PGR rejeita nova delação de Daniel Vorcaro


Deu o esperado, conforme já havíamos previsto por aqui. A Procuradoria-Geral da República rejeitou a nova proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quem tem a última palavra sobre o assunto é o Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, mas a tendência natural é que ele acompanhe a posição da PF e da PGR. A PGR também rejeitou o pedido de prisão domiciliar encaminhado pelos advogados do ex-banqueiro, o que representa mais um grave problema para Vorcaro, uma vez que a PF já recomendou sua transferência da sala especial em Brasília, mas o STF não considera prudente encaminhá-lo para uma prisão comum. Por outro lado, a prerrogativa de cumprimento de pena na sede da Polícia Federal depende dos acertos na condução da proposta de delação premiada, que acaba de ser rejeitada pela segunda vez.  

Parece enredo de novela mexicana, onde os capítulos vão se arrastando indefinidamente, quando o essencial já foi dito. Neste caso, talvez não tenha sido dito, gerando enormes especulações pela imprensa em torno do assunto. Alguém já sugeriu que o ex-banqueiro está jogando bem, ou seja, mantém a proposta em aberto - usufruindo dos seus benefícios antecipados - ao mesmo tempo em que preserva alguns bons amigos dos tempos áureos, das viagens de contos de fadas, das degustações de whiskies caríssimos. Tudo é possível. Vorcaro não suportou apenas alguns dias preso numa cela comum de penitenciária. Ele sabe muito bem o que significa isso. 

Vamos aguardar os próximos capítulos ou o próximo escândalo que seja capaz de assumir protagonismo suficiente para ofuscar as manchetes em torno do escândalo do Master. Coisa de país como o nosso, que já aprendeu a "conviver" com essas maracutaias envolvendo entes públicos e privados. No Governo de Jair Bolsonaro ocorreram várias denúncias de eventuais irregularidades no uso dos cartões corporativos. Para fazer a coisa certa, o Governo Lula 3 jamais poderia permitir que o cidadão pagador de impostos ficasse privado do conhecimento sobre como tais recursos públicos estão sendo utilizados. Pois bem. Também decretou sigilo sobre o uso desses cartões. 

domingo, 14 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Por que Raquel virou o jogo?


Já antecipamos que não somos nenhum especialista em comunicação política. O pouco que sabemos sobre o assunto são ensinamentos observados no cotidiano ou através dos grandes mestres neste campo do conhecimento. Embora, como advoga a oposição, haja uma destinação substantiva para investimentos em comunicação institucional, não procede a informação de que a Prefeitura da Cidade do Recife, durante a gestão de João Campos, investiu mais em comunicação do que em obras na cidade. Ficar de olho na aplicação dos impostos recolhidos pelo ente público é obrigação de qualquer munícipe. A informação poderia ter sido obra de um equívoco cometido por parlamentares que elegeram a fiscalização da gestão municipal como plataforma dos seus mandatos, o que seria bastante natural. É esta a função ou atribuição principal do Legislativo Municipal. O "natural" aqui se refere à fiscalização e não à desinformação. 

O cidadão comum dificilmente reservaria algumas horas do seu dia para acompanhar os "balanços" de prestação de conta do município. Por que, então, João Campos é apresentado como aquele que faz, aquele que realiza, aquele que entrega, levando-o a assumir, durante meses, a liderança nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado? Esta pergunta foi respondida pelos estrategistas de comunicação da governadora Raquel Lyra, que acaba de, não apenas virar o jogo, mais abrir uma diferença razoável na disputa pela reeleição ao Governo de Pernambuco. Conforme enfatizamos durante essas nossas discussões acerca da disputa política no estado, não há um único fator que, isoladamente, explique essa virada, mas múltiplos fatores que, agregados e agindo em sintonia, são os responsáveis por tal mudança de cenário na disputa.  

Há pouco dias reportamos por aqui a presença da governadora Raquel Lyra anunciando, em suas redes sociais, as obras do Arco Metropolitano, que se estendiam pela madrugada adentro. Ela não apenas anuncia a obra, mas põe a mão na massa, conversa com os operários e, principalmente, se envolve diretamente com os beneficiários desses empreendimentos, mostrando o que pode mudar na vida dessas pessoas. Se é uma creche, ela aparece abraçando as crianças; se é uma obra para as mulheres, ela faz uma live com as companheiras; se é para alunos da rede pública, ela aparece em sala de aulas abraçando os alunos, se é uma obra com os peladeiros de várzea, ela ensaia alguns toques na bola. Por sinal, a governadora está até em boa forma. Pena que não encontramos nenhuma foto específica, porque os vídeos curtos são os preferidos de sua equipe.  

Isso fica mais registrado na mente dos eleitores. É muito mais do que simplesmente anunciar uma obra. É o emocional que está sendo trabalhado, o que tem um peso muito maior na hora de definição do voto. Sua equipe de comunicação institucional está no caminho certo. João, apesar de jovem e bem-avaliado como prefeito do Recife, carrega o ônus pesado dos 16 anos em que o seu partido, o PSB, manteve-se à frente do Palácio do Campo das Princesas, um inquilinato que os eleitores pernambucanos já haviam emitido uma ordem de despejo ao eleger Raquel Lyra pela primeira vez. Havia uma inevitável "fadiga de material" socialista. Será que ele terá as "credenciais" necessárias para comunicar os eleitores que faria diferente?  

Este texto foi produzido por ocasião da publicação da pesquisa do Instituto Datafolha, aquela que apontava a virada de mesa da governadora. Logo em seguida, vieram outras pesquisas apontando um reequilíbrio na disputa entre João Campos(PSB-PE) e a governadora Raquel Lyra(PSD). Difícil dizer "o que" e "se houve" essa mudança tão significativa desde a divulgação da pesquisa do Datafolha. A verdade é que Raquel ter superado João de forma tão significativa é o grande "divisor de águas" na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. 

sábado, 13 de junho de 2026

Editorial: A repercussão da denúncia contra o Presidente do Senado Federal


Há muita curiosidade da imprensa acerca do teor efetivo dessa colaboração do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Sobretudo em razão deste fato, convém tomar as precauções devidas em relação a assunto. Pela segunda vez a proposta é rejeitada, sempre sob o argumentos de que o que ele está propondo é insuficiente. Talvez o ex-banqueiro esteja, na realidade, tentando proteger os amigos mais próximos, sugerem os investigadores. Ademais, muito do que está se divulgado não ultrapassa a linha da quebra do seu sigilo telefônico, processo já em andamento na Polícia Federal. A PF tem vários celulares do ex-banqueiro em seu poder. Do ponto de vista dos trabalhos de investigações, a rigor, supõe-se que ele poderia colaborar muito mais. 

Neste sentido, orientando por tal linha de raciocínio, faz sentido esta segunda rejeição, algo que poderá ser seguido pela PGR. Sobre a rede de ramificações perigosas do dono do Master com autoridades dos Três Poderes da República, disfarçadas de "serviços prestados", igualmente este fato está cabalmente evidenciado. Pelos cargos ocupados por esses senhores, sabe-se que o céu era o limite para os operadores do esquema do Master. Neste final de semana, a revista Veja trouxe uma matéria de capa tratando deste escândalo nebuloso do nosso sistema financeiro. A repercussão foi grande no meio político, lembrando as grandes reportagem da revista de outrora, com o potencial de pautar os rumos da política nacional. 

Na matéria, segundo apurações da publicação, nesta segunda proposta de delação premiada do senhor Daniel Vorcaro ele afirmaria que um dos seus operadores teria feito um depósito da ordem de 33 milhões de dólares numa conta no exterior, cujo beneficiário, supostamente, seria o Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, que informou que estaria acionado juridicamente o ex-banqueiro em relação à veracidade ou não desta denúncia. Vamos aguardar os próximos desdobramento desta informação, já se sabendo que a tendência é a confirmação da recusa de mais uma proposta de delação premiada do ex-banqueiro. Em qualquer país civilizado do mundo o escândalo do Banco Master já seria suficiente para fechar a conta e passar a régua. No Brasil, a gente fica aguardando o próximo escândalo. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: PL pode lançar candidatura ao Governo do Estado


Alguns movimentos da política pernambucana suscitam algo que instiga uma discussão mais efetiva. Sempre questionávamos por aqui as razões pelas quais os bolsonaristas não lançaram ainda uma candidatura ao Governo do Estado de Pernambuco. Há espaço, há eleitores, há alternativas. Principalmente quando consideramos que eles hoje estão sob o guarda-chuva do Palácio do Campo das Princesas, onde, a rigor, não há espaço suficiente para as suas aspirações. Numa entrevista recente a revista Veja desta semana, a governadora Raquel Lyra não se comprometeu com nenhum candidato presidencial. Nem com Lula, nem com Caiado, que é do seu partido, muito menos com Flávio Bolsonaro. Com Lula, segue o efetivo diálogo institucional em nome do interesse público - como não poderia deixar de ser - assim como suas cordiais relações com o Planalto. Se não estivermos juntos, também não vamos estar separados. 

Chegamos a pensar que os bolsonaristas poderiam compor com o Novo, mas o partido resolveu indicar outro rumo ao vereador Eduardo Moura, que deverá disputar uma vaga de deputado federal pela legenda. O principal dirigente do PL no estado, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, já antecipou que estaria abdicando da disputa ao Senado Federal. Também optou por disputar uma vaga de deputado federal. Na próxima semana os bolsonaristas locais se reúnem para definir o rumo que tomarão nas próximas eleições no estado. Pernambuco tem uma robusta representação bolsonarista, integrada por militares, religiosos e empresários. É forte o peso político dos bolsonaristas no estado, a despeito da hegemonia lulista indicada pelas pesquisas de intenção de voto.  

A ausência de uma definição mais precisa dos bolsonaristas, levou o Palácio do Campo das Princesas a penetrar sensivelmente neste reduto. A esta altura do campeonato político, talvez eles optem por não lançar uma candidatura ao Governo do Estado, embora deva estar havendo cobranças efetivas da direção nacional do PL neste sentido, quando se sabe da necessidade de montagem de um palanque para Flávio Bolsonaro no estado. Um dado curioso observado na última pesquisa do Datafolha é a performance do deputado federal Mendonça Filho(PL-PE), que aparece muito bem na disputa ao Senado Federal quando sequer é pré-candidato. Mendonça é hoje um nome alinhadíssimo ao Campo das Princesas e, possivelmente, não encampará o projeto de uma candidatura própria do PL. 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Raquel nas páginas amarelas de Veja


Crédito da Foto: Germano Lüders\Veja


Recentemente, a governadora Raquel Lyra apareceu numa de suas redes sociais acompanhando obras do Arco Metropolitano, que se estendiam pela madrugada adentro. Mais do que uma estratégia de sua equipe de comunicação institucional, a gestora consolida uma imagem de "tocadora" de obras, algumas delas deixada para trás nos 16 anos de gestão do PSB no estado. Um dado que ninguém tem enfatizado acerca desta subida das intenções de voto da governadora é que, além das razões já elencadas por este editor, há um fato "velho" que ela fez questão de enfatizar em sua entrevista à revista Veja que sai às bancas nesta semana: Quando foi eleita governadora, o povo estava cansado da permanência dos socialistas no Palácio do Campo das Princesas. 

Trata-se aqui de mais uma preocupação entre os socialistas: Depois de uma gestão que conta com 67% de aprovação, uma "tocadora" de obras à frente da gestão estadual, o povo pernambucano estaria disposto a devolver o assento do Campo das Princesas a um socialista? Ela fez apenas algumas ponderações durante a entrevista, mas este fato é bastante relevante, sobretudo se considerarmos que um dos fatores da derrota de Marília Arraes naquelas eleições foi justamente este "perdão" aos socialistas. Raquel vem ajustando sua gestão em todas aqueles aspectos que poderiam ser elencados como "vulneráveis", como o quesito da segurança pública, hoje um dos fatores determinantes nas próximas eleições. Seria o fator mais determinante nessas eleições, mas o fator "bolso" começou de novo a cobrar a fatura. 

Convém esclarecer que Pernambuco sempre foi um estado muito violento, independentemente das colorações ideológicas. O quadro hoje se agrava em todo o país. Pernambuco hoje sofre o assédio perigoso da presença de facções do crime organizado, além de ser um estado com uma vizinhança sensivelmente perigosa. A governadora teve que, inclusive, responder uma questão da revista sobre este assunto. Segurança Pública é um tema complexo e delicado. Na semana passada comentamos por aqui um atentado ocorrido no bairro do Rangel, em João Pessoa, onde dois jovens perderam a vida. Eles estavam pintando os muros com as cores da seleção brasileira. Aventamos algumas hipóteses, mas logo em seguida, um outro atentado contra um cidadão que estava também pintando o muro com as cores verde e amarelo. Os atentados podem ter ocorrido simplesmente pelo fato de essas pessoas estarem pintando os muros. Dá para entender isso? 

Editorial: Mais um capítulo da delação premiada de Daniel Vorcaro

Crédito da foto: Ana Paula Paiva\Valor


A matéria de capa da revista Veja desta semana é sobre a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Hoje, 12, os jornais trazem a notícia de que a Polícia Federal rejeitou mais uma de suas propostas de delação premiada, decisão que deve ser acompanhada pela Procuradoria-Geral da República. Segundo a matéria, a PF suspeita que o ex-banqueiro esteja tentando proteger os amigos, assim como há, na delação, a ausência de elementos comprovatórios suficientes, ou seja, ele não apresenta provas objetivas de suas afirmações. Na realidade, o que a imprensa andou divulgando acerca dessa nova delação premiada já se sabia a partir das investigações conduzidas pela própria Polícia Federal. Possivelmente, o único nome novo é o de um ministro do Governo Lula. 

O esquema de compra de autoridades públicas dos Três Poderes para auferir vantagens para o grupo está escancarado. Esta engenharia de cooptação de agentes públicos com tal finalidade já é conhecida. Segundo a matéria, com informações apuradas a partir do teor desta nova proposta de delação premiada, um parceiro do esquema teria depositado a quantia de 30 milhões de dólares no exterior para favorecer resoluções do Legislativo favorável aos seus negócios. Recentemente, um ministro do STF anulou um processo e determinou o desbloqueio de bens de um dos envolvidos na Operação Calvário, um escândalo de desvios de verbas públicas na área da saúde, ocorrido na Paraíba. 

Uma delatora entregou o esquema, dando detalhes e até as senhas que comunicavam a entrega de propina a agentes públicos arrolados à época. Falou até sobre o local onde os corruptores entregavam as malas com dinheiro, que ocorria num estacionamento do Shopping Manaíra. Nada disso foi suficiente para se caracterizar a culpa dos envolvidos. De fato, é preciso tomar todos os cuidados possíveis com essas narrativas, por vezes decorrentes do efeito manada. Alguém "planta" algo e as pessoas saem reproduzindo aquela informações, sem sequer se preocuparem sobre a sua veracidade ou não, colaborando com a estratégia explícita de destruição de reputações, algo que se tornou rotineiro nesses tempos bicudos. Neste caso da Operação Calvário, a cidadã delatora também estava envolvida no esquema. Em tese, não teria porque mentir.  

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Editorial: A "judicialização" das pesquisas de intenção de voto?


Neste climão de polarização política, o "terrível" editorialista de O Estado de São Paulo já foi acusado de fazer o jogo do governo de turno pelos bolsonaristas, assim como já foi taxado de direitista pelos petistas. O humor de ambos os lados muda conforme as opiniões emitidas pelo jornal da família Mesquita. Leio-o sempre e, não raro, comentamos por aqui as suas opiniões. Hoje, 11, por exemplo, o editorial é uma crítica à recente medida tomada pelo presidente do TSE, o Ministro Nunes Marques, que proibiu a veiculação de uma pesquisa do Instituto Atlas\Intel, atendendo a uma solicitação do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Salvo melhor juízo, na Paraíba uma outra decisão judicial proibiu a divulgação de uma pesquisa do Instituto Veritá sobre a corrida estadual naquele estado. 

Como observa o editorialista, esta é uma situação das mais polêmicas, sobretudo se entendermos que, a rigor, não compete ao Poder Judiciário a prerrogativa de proibir divulgações de pesquisas, sobretudo aquelas que cumpriram os critérios técnicos e legais previstos, o que, certamente, deve orientar os procedimentos desses institutos. Não é bem este o caso desses dois institutos - com uma larga experiência e tempo de atuação no mercado - mas o que consideramos curioso é o número surpreendente de institutos que surgem durante as eleições. Aqui observamos alguns problemas. Talvez precisássemos melhorar os "filtros" para a constituição desses institutos. 

Metodologias utilizados podem ser responsáveis por grandes discrepâncias entre os institutos de pesquisas. Há uma semana o Datafolha mostrou a liderança da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) sobre o seu concorrente João Campos(PSB-PE), na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Hoje, 11, já há uma outra pesquisa, desta vez realizada pelo Real Time Big Data, apontando que João teria "revertido" tal desvantagem. O que ocorreu entre uma semana e outra que possa justificar tal mudança? Tal mudança de cenário na disputa, de fato, ocorreu? Não seria melhor aguardarmos um pouco mais e mantermos o quartel de prontidão? Observar o comportamento dos tracking ou uma média ponderada entre os levantamentos dos diversos institutos?  

Charge! Kleber via Correio Brasiliense

 


Editorial: A "novela" da delação de Daniel Vorcaro


Ontem, 10, o jornal Folha de São Paulo trouxe mais uma informação pessimista em relação à aceitação da proposta de delação premiada oferecida pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Oficialmente, é isto o que se sabe. Por outro lado, vários canais de comunicação passaram a divulgar supostos elementos que constariam dessa proposta de delação. Pelo que está sendo divulgado, só há mesmo um elemento novo aqui, ou seja, a confissão de que os recursos repassados a entes privados e autoridades da República, na realidade, trata-se mesmo, como se previa, de propinas ou tráfico de influência disfarçados de serviços prestados. Pelo menos no que está sendo divulgado pelos canais de comunicação, salta aos olhos que não há nada de novo no front, de onde se conclui que a proposta seja novamente recusada, conforme prevê o jornal paulista.  

Por outro lado, a Polícia Federal continua trabalhando. Ontem esteve aqui em Pernambuco, mais precisamente na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Recife, onde se presume que o poder público municipal tenha investido mais de três milhões em papéis podres do Master, através dos fundos de previdência municipal. Há outras tantas prefeituras envolvidas pelo país afora e sabe-se lá em que condições esses investimentos foram realizados, mas existe a possibilidade de estarmos lidando com o mesmo modus operandi do RioPrevidência, onde até uma diretoria do órgão foi trocada para facilitar as transações. Isso, aliás, ocorreu no país inteiro. O esquema do Banco Master é gigantesco. O mais grave é que talvez tenhamos que pagar essa conta, através do FGC. 

O bom mesmo seria a abertura de uma CPMI, que prestaria um papel relevante de esclarecimentos à opinião pública sobre os meandros desse escândalo de corrupção nebuloso. Infelizmente, as "forças ocultas" não permitem a sua instauração. Nem mesmo foi permitido a uma comissão já instaurada, a do CPMI do INSS, a continuidade dos seus trabalhos, o que nos permitiria avançar sobre os famigerados empréstimos consignados do banco, outro duto por onde, supostamente, o cidadão comum pode ter sido igualmente lesado. Lá vem o Brasil descendo a ladeira. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: "Comigo ou sem migo o náutico vai vencer"?

 



Na década de 70 o Clube Náutico Capibaribe tinha um excelente plantel de jogadores, o que proporcionou ao time grandes conquistas nos gramados pernambucanos, fazendo a alegria de sua fiel torcida. Entre esses jogadores, destacava-se o folclórico ponta Dedeu. Num determinado momento, por problemas de contusão, Dedeu não pode entrar em campo, levando um repórter a questioná-lo acerca das dificuldades que o time enfrentaria com a sua ausência. A resposta de Dedeu entrou, definitivamente, para o folclore futebolístico pernambucano: "comigo ou sem migo o náutico vai vencer". Isso nos fizeram lembrar da polêmica produzida através de uma entrevista concedida pelo Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, ao jornal O Globo, onde ele insinua que Lula poderia ter um palanque duplo em Pernambuco. 

Wellington Dias falou com a autoridade de quem está investido da responsabilidade de coordenar a campanha de Lula no Nordeste. O assunto provocou uma polêmica enorme na crônica política local, além de uma verdadeira operação de guerra dos socialistas em busca de um desmentido do Planalto e a ratificação de que o candidato João Campos(PSB-PE) tem primazia exclusiva do palanque do morubixaba petista no estado. Edinho Silva, Presidente Nacional do PT, além de conversar com Wellington Dias a este respeito, confirmou que o palanque de Lula no estado é ao lado do socialista. Aliás, logo após a divulgação da pesquisa do Datafolha - que tirou João Campos de uma confortável zona de conforto na liderança das pesquisas de intenção de voto - as inquietações começaram. Já elencamos por aqui as razões que levaram a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) a superar sua desvantagem nas pesquisas de intenção de voto. Com 67% de aprovação do eleitorado pernambucano, Raquel Lira reúne as premissas básicas para renovar seu contrato de locação com o Palácio do Campo das Princesas. 

Era preciso alguns ajustes na comunicação institucional - o que foi feito - aparar algumas arestas em sua relação com o parlamento, afagar os gestores municipais com as entregas e tomar medidas em relação à nevrálgica questão da segurança pública. Em política - como de resto em tudo - posicionamento é algo muito importante. João Campos já foi eleito prefeito pela primeira vez com um posicionamento claramente antipetista, angariando apoio de uma classe média simpática ao bolsonarismo, que hoje se encontra mais inclinada a apoiar o projeto de reeleição de Raquel Lyra. Com a formação de uma chapa puro-sangue João Campos perdeu a interlocução com este eleitorado, que em Pernambuco é representativo. Agora, parafraseando o craque Dedeu, a pergunta que se faz é: com Lula ou sem Lula será que ele consegue superar essas dificuldades?  

Editorial: Genial\Quaest aponta ampliação da vantagem de Lula no segundo turno.



O que se concluiu, pelo resultado das últimas pesquisas de intenção de voto, é que o famoso financiamento do filme Dark Horse não teria prejudicado sensivelmente a candidatura do bolsonarista Flávio Bolsonaro. A pesquisa do Instituto Quaest divulgada no dia de hoje, 10, no entanto, mostra uma ampliação dos índices do presidente Lula sobre o seu opositor, Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Esta questão do "Dark Horse", inclusive, levou o candidato Flávio Bolsonaro a fazer questionamentos acerca de uma pesquisa divulgada recentemente, argumentos que levaram o TSE a proibir a divulgação dos dados ali encontrados. Há indícios técnicos dos chamados "vieses" na condução ou aplicação dos questionários. 

Argumentos técnicos são sempre bem-vindos. É até uma forma de aprendizagem, de aprimoramento dos trabalhos dos institutos que se dedicam a inferir o humor do eleitorado nas eleições. A estratégia de focar na defesa da soberania e responsabilizar o adversário pelos assédios e medidas do Tio Sam, por outro lado, podem estar surtindo efeito. Há aqui apenas uma hipótese que poderia ser evidenciado ou não através de pesquisas qualitativas. O Planalto, por outro lado, mesmo sem lastro, adotou nos últimos dias um pacote de bondades que podem estar ajudando o projeto de reeleição de Lula, como os estrategistas sugeriram que poderia ocorrer. 

A pesquisa do Instituto Quaest foi encomendada pelo Banco Genial, ouviu, através de entrevistas, 2.004 pessoas, entre os dias 5 e 8 de junho, com margem de erro de 2 pp e escore de confiabilidade de 95%. Está registrada com o número BR-07661\2026

Primeiro Turno: 

Lula(PT)                           39%

Flávio Bolsonaro(PL)    29%

Renan Santos(Missão)   3%

Segundo Turno:

Lula(PT)                             44%

Flávio Bolsonaro(PL)       38% 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Editorial: Os infiltrados


O título deste editorial poderia ser confundido perfeitamente com uma série da plataforma de streaming como a Netflix, mas, infelizmente, não é. Repercute hoje no país uma matéria do jornal Folha de São Paulo, acerca dos infiltrados, ou seja, um chefe de investigação da Polícia Civil, um agente e um estagiário, tratados como "infiltrados" do PCC dentro da Polícia Civil de São Paulo, lotados em Campinas. Eles estariam envolvidos numa trama para matar um agente do GAECO. Tá feia a coisa. Na semana passada fomos instados a comentar por aqui uma reportagem do Programa Fantástico, da Rede Globo, sobre uma investigação da Polícia Civil da Paraíba, do Gaeco e do Ministério Público do Estado acerca de eventual envolvimento de policiais civis com o crime organizado. São dois agentes e um delegado de Polícia Civil do Estado. 

Em respeito ao trabalho brilhante que vem sendo desenvolvido pelas polícias civil e militar do estado no enfrentamento ao crime organizado não comentamos o assunto. Na realidade, a PCPB vem realizando um trabalho hercúleo, num estado que hoje se encontra num estágio de vulnerabilidade, bem próximo ao que já ocorre na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Norte. Dois atentados ocorridos na Grande João Pessoa recentemente é um prova cabal do que estamos falando. Um deles ocorreu no bairro da comunidade de Paulo Afonso, no bairro de Jaguaribe, onde dois jovens foram mortos e três deles encontram-se internados no Hospital de Traumas de João Pessoa. Chacina, na realidade, se caracteriza quando há óbitos num total de, no mínimo, quatro pessoas. Ontem, uma nova tragédia, desta vez no bairro do Rangel, onde dois jovens foram mortos e dois deles se encontram também no Hospital de Traumas. 

O pavoroso neste caso é que os dois jovens mortos tinham apenas 16 anos de idade, não tinha nenhum envolvimento com entorpecentes e provavelmente foram mortos porque estavam pintando a rua com as cores da bandeira do Brasil, em função da Copa do Mundo, que começa daqui há dois dias. Sonhos desfeitos, para desespero de seus familiares. Os dois jovens sonhavam em se tornarem jogadores de futebol profissional. É possível que a facção que controla o local tenha entendido que eles talvez estivessem apagando suas inscrições de domínio territorial ou colocando o nome de alguma outra fação. Essas coisas estão se tornando tão óbvias que nem precisa investigar. 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Editorial: Semana decisiva para a delação de Daniel Vorcaro


Esta é uma semana decisiva para a aceitação ou recusa da proposta de delação premiada oferecida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra preso na sede da Polícia Federal, em Brasília. Hoje, 08, já tivemos acesso a duas matérias tratando deste assunto, todas pessimistas em relação a uma aceitação da proposta, o que significaria o prenúncio de um martírio para o ex-banqueiro, que corre um sério risco de voltar a cumprir pena num presídio convencional, quando todos sabem o que significa isto no Brasil. Numa dessas leituras, há a suposta conclusão de que Vorcaro estaria tentando proteger alguns figurões, fatos, ou seja, propondo entregar apenas parte do maior esquema de fraudes bancárias já ocorrido no país. 

Esta versão bate com a da Polícia Federal, se considerarmos os motivos da recusa de sua primeira proposta de delação premiada. Por outro lado, há uma jornalista muito bem informada sobre os bastidores de Brasília, que chega a insinuar que, na realidade não seria bem assim, ou seja, em alguns momentos o banqueiro pode ter desejado entregar mais da conta daquilo que o sistema suportaria. Como nós não temos acesso a essas propostas, vamos ficar no aguardo de uma avaliação da PF, da PGR e, principalmente, o Ministro André Fernandes, que deve ter a palavra final sobre este assunto. Uma CPMI poderia ajudar bastante aos brasileiros e brasileiras tomarem conhecimento sobre este enredo nebuloso, mas já se sabe que não existe qualquer possibilidade de sua viabilidade. 

Mais curioso do que esta polêmica em torno da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro só mesmo os "argumentos" apresentados pelo Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, afirmando que não abriria a CPMI porque ela se tornaria uma espécie de palanque eleitoral. Ele parece ignorar o interesse público que está por trás desta abertura de CPMI, considerando-se estarmos diante o maior escândalo de fraudes bancárias do país, com milhares aplicadores lesados, aposentados e pensionistas ludibriados através dos famigerados empréstimos consignados, assim como e o cidadão comum pagando a conta através do Fundo Garantidor de Créditos.