pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Editorial: Protestos interditam a PB-008



Acordamos hoje com a notícia da interdição da PB-008, realizada em função dos protestos de bugueiros, que foram impedidos de circular nas áreas turísticas de Barra de Gramame. A interdição foi promovida por índios Tabajaras, de um aldeia que fica próximo à localidade. Arrisco a dizer que Barra de Gramame é um das praias mais bonitas não apenas do Litoral Sul do estado, mas de toda o litoral paraibano. Gramame, na realidade, é um rio que separa os municípios de João Pessoa, capital, e o município do Conde. Quando o rio desagua no mar forma um espetáculo da natureza, capaz de encher os olhos de encantamento. As praias integram o roteiro dos turistas que procuram conhecer e desfrutar as belezas do Litoral Sul do estado. Por razões óbvias, não poderia ficar ausente deste roteiro. 

O município do Conde tem uma longa história vinculada à ancestralidade, traduzida, em parte, na presença de comunidades quilombolas e indígenas. O Quilombo do Gurugi é uma comunidade quilombola reconhecida, que fica logo na entrada da cidade. Ali existe museu comunitário que ainda conserva as características seculares da ancestralidade, construído em taipa. A aldeias dos índios Tabajaras, eventualmente, realizam a apresentações no centro de Jacumã, distrito do Conde, um espetáculo acompanhado pelos turísticas locais. Foram muito felizes os artistas que produziram um painel para esta praia com temas relativos às  tribos locais. Não conhecemos, em sua intereira, os argumentos dos índios para interditarem a presença de bugueiros no local, mas acreditamos que um consenso entre as partes, mediada pelo poder público municipal, possa ser construído. Do contrário, é preservação mesmo. 

Jacumã, principal distrito do Conde, que serve de apoio aos turistas que visitam o Litoral Sul, em épocas passadas, era uma pacata vila de pescadores, que não contava nem com energia elétrica. Hoje, tornou-se uma reduto badalado, sobretudo em razão de suas belezas naturais, imperdíveis para os turistas que estão em João Pessoa. Com o progresso também vieram os problemas hoje recorrentes em todos os balneários brasileiros, como a presença de facções do crime organizado brigando por territórios e espalhando o terror. Este trecho que fica entre o Litoral Norte de Pernambuco e o Litoral Sul da Paraíba está se tornando bastante vulnerável. Há alguns anos atrás quem poderia imaginar que uma praia pacata como Pontas de Pedra pudesse ser alvo da cobiça do crime organizado? 

Editorial: Lula vai bancar nome de Messias mais uma vez?


A ideia parece um pouco estapafúrdia, mas começou a ganhar força na crônica política nacional. Supostamente, Lula teria informado a assessores que irá reapresentar o nome do advogado Jorge Messias para o crivo do Senado Federal. Sequer sabíamos que alguém rejeitado numa sabatina pudesse ser reapresentado. A rejeição ao nome de Jorge Messias foi uma das maiores refregas sofridas pelo presidente Lula. Assessores mais diretos dizem que o morubixaba petista soltou fogo pelas ventas quando soube da notícia, como se diz no jargão popular nordestino. Não era para menos. A derrota veio marcada por uma série de simbolismos, entre eles ter sido a única indicação rejeitada ocorrida em 132 anos. 

Já fizemos por aqui uma série de avaliações acerca do episódio, onde tratamos da desarticulação do Governo, a autoconfiança excessiva do Lula e, principalmente, a não leitura correta sobre as jogadas da Oposição, neste caso, ao que se sugere, em articulação com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, que sempre defendeu o nome do senador Rodrigo Pacheco para o cargo. Tinha tudo para dar errado e deu. A derrota da indicação de Jorge Messias veio no bojo, inclusive, de uma articulação maior, onde se previa, o cozinhamento de novas indicações até a posse do novo governo, ou seja, Lula poderia perder tal oportunidade se não for reeleito. Mesmo diante de todas essas circunstâncias adversas, começa a se tornar uma realidade a indicação novamente de Messias à sabatina do Senado Federal. Não há momento. Não há timing. Isso em política é fundamental. 

Messias enfrentou uma verdadeira via crucis até chegar à sabatina, onde seu nome foi rejeitado. Nada funcionou bem com esta indicação, embora não estejamos aqui tecendo alguma consideração sobre o indicado. O diálogo foi truncado desde o início. O cenário mudou desde então? Não. Alguém sugeriu que o presidente Lula poderia se empenhar pessoalmente na articulação política, na realidade, superdimensionando a crônica de uma eventual derrota anunciada. Não seria prudente. Pode ser evitada. 

domingo, 17 de maio de 2026

Editorial: O "emocionante" momento do lançamento da candidatura de Ciro ao Governo do Ceará.


Há três estados importantes da região Nordeste onde o PT terá enormes dificuldades de continuar à frente do Executivo Estadual: Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará. Uma autocrítica levaria o partido a admitir que pode ter cometido equívocos na gestão desses estados, a exemplo de permitir um avanço tão significativo de espaços controlados pelo crime organizado ou montar uma estrutura burocrática de gestão com 4o secretarias, como é o caso do Ceará. No tocante à questão da segurança pública, houve um momento em que a Polícia do Ceará foi utilizada para proteger um comboio de moradores que estavam se mudando de suas residências a mando de facções do crime organizado, quando, na realidade, o Estado deveria estar ali para assegurar que a população se mantivesse em suas residências. 

Na Paraíba, um estado que, infelizmente, já enfrenta situações do gênero, a Polícia Militar esteve presente num residencial localizado em Barra de Gramame para assegurar o exercício à cidadania da população, expulsando, na realidade, os faccionados que atuavam do local. A Paraíba já enfrenta um momento crítico, mas o Estado tomou a atitude que se esperava nesta situação e em outras, onde as polícias do estado estão realizando um trabalho excepcional para impedir que o crime organizado se instaure de vez no estado. 2.500 prisões realizada apenas de pessoas relacionadas com o crime organizado; a Operação Trapiche, realizada com o FICCO\PB, polícias Federal e Polícia Penal Federal, realizada na Grande João Pessoal, como desdobramento de operações anteriores. Na mesma semana a PF erradicou uma plantação de 18 mil pés de maconha na região do Cariri e a PRF apreendeu uma grande quantidade de haxixi, avaliada em 7 milhões de reais. 

O lançamento da candidatura do ex-ministro ao Palácio da Abolição foi um momento onde se tornou possível observar que ele irá trabalhar a emoção do eleitor cearense, hoje apavorado em seu estado, como de resto no Brasil, inteiro, uma vez que, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum de Segurança Pública, 41% da população já convive cotidianamente com práticas e ações do crime organizado. O Governo Federal não irá enfrentar este problema do dia para noite, há poucos meses de uma eleição. É coisa de longo prazo. De imediato já se observam as fragilidades desse plano lançado pelo Governo para o enfrentamento do crime organizado. O Governo fala em coibir o home office do crime organizado nas unidade prisionais. Parece desconhecer que aqui em Pernambuco, a PF desbaratou um esquema de uma unidade prisional onde o próprio diretor estava mancomunado com grupos faccionados, algo de fazer inveja ao Pablo Escolar com a sua Catedral. Nem ele ousou tanto. 

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Editorial: Datafolha ainda não mediu o tamanho do estrago à candidatura de Flávio Bolsonaro.


Logo após os diálogos cabulosos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, foram divulgados os números de uma pesquisa do Instituto Datafolha sobre a corrida presidencial de 2026. A pesquisa, no entanto, foi realizada num período anterior à divulgação dos diálogos pelo site Intercept, não traduzindo, portanto, o humor dos eleitores em relação ao assunto. Nesta pesquisa os dois candidatos aparecem rigorosomente empatados, dentro da margem de erro, num eventual segundo turno disputado entre ambos. 45% a 45%. Nos trackings que foram divulgados pelas redes sociais Lula teria aberto uma vantagem de 7 pontos sobre o seu principal adversário, mas os trackings são aferições diárias realizadas por institutos e órgãos do governo, não cumprindo os rigores legais impostos  pelas autoridades eleitorais para uma pesquisa de intenção de voto. Quem apresentou este dado dos 7 pontos de Lula sobre Flávio foi o Instituto Atlas\Intel. 

O melhor mesmo é aguardar os números das próximas pesquisas realizados pelos institutos. Não duvido que nesta semana já teremos algumas novidades. Agora que os diálogos cabulosos se tornaram públicos, a grande questão agora é  saber quem teria vazados esses áudios para o site Intercept. Os suspeitos estão sendo arrolados e as redes sociais, como sempre, já os elegeram, mas convém manter a prudência necessária em relação ao assunto. O Intercept, salvo melhor juízo, teria o direito de preservar sua fonte. Na realidade, foram inúmeros diálogos cabulosos mantidos pelo próprio banqueiro com inúmeras autoridades da República. O temor deles é que o site tenha tido acesso a outros diálogos comprometedores. 

É impressionante o cardápio de ofertas oferecidos pelo banqueiro para corromper autoridades. Cartões corporativos com gastos ilimitados; presentinhos com imóveis de luxo; festas da cueca com modelos internacionais; degustação de vinhos caríssimos; contratação de escritórios de advogados com remunerações muito acima do mercado; pagamento de mesadas regulares e até financiamentos de filmes. Isso é apenas o que estamos tomando conhecimento neste momento, uma vez que se sugere que o enredo seja ainda mais nebuloso, envolvendo, inclusive, o crime organizado. 



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sábado, 16 de maio de 2026

Editorial: O filme de Lula e o filme de Jair Bolsonaro



Especula-se sobre inúmeras negociações em torno do financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas vamos deixar a Polícia Federal investigar e tirar as suas conclusões. O fato é que Flávio Bolsonaro, finalmente, percebeu que o melhor posicionamento neste momento é abrir o jogo e está até se antecipando a novos diálogos que possam ter sido mantidos entre ele o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Possivelmente trata-se de uma decisão tomada em consonância com o seu staff de campanha, certamente por orientação do seus marqueteiros. Precisamos hoje de escudos de proteção para acessar as redes sociais, com o objetivo de nos proteger contra os dados atirados entre petistas e bolsonaristas, alimentando, assim, a esgarçante polarização política que parece não ter fim e que vem produzindo danos consideráveis às nossas instituições, conforme observa o editorial do jornal O Estado de São Paulo do dia de hoje, 16. 

Especulou-se, por exemplo, a partir de uma determinada publicação, que o filme sobre Lula poderia ter recebido também algum tipo de financiamento do Banco Master. O cineasta americano Oliver Stone precisou se pronunciar a este respeito, desmentindo qualquer ilação sobre o assunto. Ele não recebeu recursos do Banco Master. Esta discussão sobre este ou aquele filme nos fez recordar da década de 50 do século passado, quando o cineasta italiano, Roberto Rossellini, esteve em Pernambuco para fazer um filme sobre o livro A Geografia da Fome, de Josué de Castro. Segundo dizem, estava tudo bem encaminhado, com contrato assinado, definições de atores e tomadas já na cabeça do cineasta do realismo italiano. 

Por razões que se especulam até hoje o filme não foi feito. Temos uma hipótese formada a tal respeito e explicamos isso num romance\ensaio que está em processo de edição. Em suas andanças pela capital, como era de praxe à época, o cineasta foi levado ao Solar de Apipucos para conhecer o antropólogo Gilberto Freyre. Final da tarde, já sem muitas opções sobre o que fazer, alguém sugeriu levar o cineasta para conhecer o Recife antigo, onde ele acabou caindo na gandaia,  depois de ingerir alguns whiskies. O curioso disso é que um cartão do cineasta dirigido às meninas do cabaré de Dona Bombom acabou dentro de um livro vendido num sebo, transformado depois num enredo de um romance do escritor Cícero Belmar. 


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Editorial: Medo, o grande eleitor de 2026


O Governo Lula 3 teve mais de três anos para apresentar para a população brasileira um programa muito bem concebido de enfrentamento do avanço do crime organizado no país. O chamado SUS da Segurança Pública enfrentou grandes atropelos, seja na articulação com os entes federados, seja na costura com a Oposição, assim como em relação às divergências sobre suas ações. Agora, às vésperas das eleições de 2026, apresenta um programa, com investimentos de 11 bilhões de reais, mas que todos sabem tratar-se de um programa inconsistente, insuficiente, de cunho marcadamente eleitoral. De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha, o medo será o grande eleitor das eleições de 2026. 41% da população brasileira já convive em áreas onde se verifica uma atuação ostensiva de facções do crime organizado ou milícias.  

Com ações mais intensificadas de combate ao crime organizado em estados como o Ceará e a Bahia - possivelmente motivadas pelas críticas e proximidade das eleições - grupos faccionados estão migrando para estados como Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte. Paraíba e Rio Grande do Norte já entraram num estágio crítico, com a ampliação de territórios controlados por facções, a despeito do enorme esforço empreendido pelas forças policias desses estados. No caso da Paraíba, com uma forte articulação com forças nacionais. Em Pernambuco, é bastante observar os índices de violência em cidade como Petrolina, em função da guerra travada entre  facções rivais. Nas inserções de TV do PSDB no Ceará o ex-ministro Ciro Gomes, que será candidato ao Governo do Estado, promete exatamente enfrentar este "medo" que a população está sentido. Ciro lança sua pré-candidatura logo mais, em evento programado para o bairro Conjunto Ceará.  

O PT vai enfrentar um petardo pela frente. Não adianta ações paliativas em relação a este enfrentamento. Exige-se gestão sistêmicas, estratégia de longo prazo, liderança coordenada. Na Bahia, o problema se repete, com a liderança de ACM Neto, ancorada numa estratégia de marketing político bem elaborada, mostrando sua experiência como prefeito da capital e dizendo ao eleitor o que vai fazer e não apenas atuando no medo da população. Será muito difícil o PT reverter a situação na Bahia como ocorreu em eleições passadas. Mesmo com o timaço entrando em campo, eles vão precisar de muitas orações ao nosso senhor do Bomfim, como fez Jerônimo nas eleições anteriores.

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: As intimidades reveladas nos celulares de Daniel Vorcaro

Arte de IA sobre foto de Geraldo Majela\Agência Senado\Gazeta do Povo


À medida em que poeira assenta, vão ficando mais desanuviadas todas as implicações relativas ao maior escândalo de fraudes bancárias já ocorridos no país, atribuída ao Banco Master. É sempre bom a gente observar as coisas nas entrelinhas, juntando as peças pacientemente. Os celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tinham várias barreiras de proteção, algo que levou a Polícia Federal, segundo divulgou-se, a procurar ajuda no exterior para ultrapassar essas barreiras. Os cartões por onde parceiros e políticos realizam suas orgias eram de propriedade do próprio banco ou do banqueiro, evitando que essas pessoas fossem identificadas. Em relação aos recursos destinados ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, na realidade, a PF suspeita da possibilidade de tais recursos terem sido destinado, na verdade, à manutenção de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. 

Tudo que envolve Daniel Vorcaro é marcado por inúmeros ardis e somas estratosféricas. É um enredo de filme de terror. Hoje talvez se entenda porque a Polícia Federal sugeriu recusar sua proposta de delação premiada. A PF descobriu muito mais do que ele imagina, daí se entender do que o que ele está oferecendo é insuficiente. Ainda não há uma precisão acerca de como o site Intercep obteve acesso ao diálogo entre Daniel Vorcaro e o candidato Flávio Bolsonaro, embora haja a confirmação de que os diálogos sejam autênticos. Essas coisas vazam com uma velocidade impressionante. Hoje, 15, as redes sociais estão repletas de "discussões" acerca de se identificar, por exemplo, quem é o deputado federal que foi flagrado nu em um vídeo de um celular, supostamente do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele é alagoano.

A semana que se aproxima promete muitas novidades, inclusive na arena política. Os analistas políticos se dividem acerca do impacto do vídeo sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Alguns acreditam que Lula pode ir preparando o terno de posse no seu quarto mandato, enquanto outros advertem sobre o comportamento previsível do eleitorado brasileiro que, como fez no passado em relação a outras grandes escândalos, possa tão tão somente ignorar mais um escândalo. A candidatura de Flávio, a rigor, já tinha um rosário de acusações que pesam contra ele e se mantinha firme, competitiva. 

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Editorial: Coisa de cinema

 


A capa da revista Veja desta semana é sobre a história de cinema envolvendo eventuais financiamentos do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, articulados entre o pré-candidato às eleições presidenciais de 2026, Flávio Bolsonaro, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, autor de uma das maiores fraudes bancárias já ocorridas no país. O caso vem produzindo uma repercussão gigantesca, sendo o principal assunto da crônica política neste momento. Deu até no The Economist. Muitos analistas políticos estão fazendo alguns prognósticos do desfecho deste caso para a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas é preciso cautela, principalmente quando se considera o comportamento do eleitorado brasileiro. 

Uma megaoperação de combate ao crime organizado realizada recentemente melhorou sensivelmente os índices de popularidade de um ex-governador enredado até a medula com o próprio crime organizado. Já perdeu o mandato em razão deste envolvimento. Flávio Bolsonaro continua conversando com os correligionários, possando para fotos, negando que a Michelle Bolsonaro pudesse substituí-lo. O planalto continua intensificando os seus tracking, tentando medir a temperatura e os reflexos do escândalo para a candidatura à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Sidônio Palmeira possivelmente com a prancheta na mão, observando a reação do eleitorado, algo que poderemos aferir a partir da publicação das novas pesquisas de intenção de voto. Flávio derrete ou não? Ficamos na dúvida.

Na última pesquisa do Instituto Genial\Quaest o presidente Lula deu aquele respiro dos afogados. Melhorou seus índices de aprovação e superou, numericamente, Flávio Bolsonaro no segundo turno. O episódio que depõe contra a candidatura de Flávio, portanto, ocorreu num bom momento para o petista. Aliado a este fato, as próximas pesquisa também poderão trazer alguns indicadores acerca da repercussão do pacote de bondades que estão sendo implementadas pelo Governo, buscando, exatamente, a recuperação da competitividade na disputa. Enquanto houver bambu tem vara, independentemente das consequências. 

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Editorial: 6º Fase da Operação Compliance Zero


Hoje a Polícia Federal realizou a 6º Fase da Operação Compliance Zero, que culminou com a prisão do pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, sobre quem pesa a suspeita de continuar operando na organização denominada de "A Turma", utilizando-se de expedientes como troca regulares de aparelhos celulares, assim como procedendo as ligações de outros países, a exemplo da Colômbia, financiando suas operações. A PF suspeita que, mesmo com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, as operações da "Turma" continuaram. Já se imaginava a dimensão gigantesca da teia de irregularidades que estavam por trás das operações fraudulentas envolvendo o Banco Master. 

Num país como o nosso, não se trata de nenhuma surpresa que essa teia tem atraído tantos agentes públicos nos Três Poderes da República. Em certa medida, é a régua ou medida do que nós somos. Num país mais sério, já seria o momento de fechar o cabaré mas no Brasil eles dão sempre um "jeitinho". CPI's de "conveniência", longe de serem motivadas em defesa do interesse público, políticos legislando para favorecer as falcatruas - caso Master e INSS - ministros ordenando o arquivamento de provas obtidas com um esforço tremendo da Polícia Federal, entre outras espertezas. Não foi por acaso que admitimos, logo cedo, que essa acusação contra o candidato Flávio Bolsonaro possa ser creditada no arsenal da "perseguição política" e, num contexto de polarização esgarçante possa até "colar", principalmente junto ao seu eleitorado cativo, que atinge em média um pouco mais de 40% do eleitorado. 

A direita está dividida e alguns dos seus mais ilustres representantes até tentam tirar proveito da situação. Eduardo Bolsonaro e o Romeu Zema já andam trocando farpas nas rede sociais. Ronaldo Caiado foi mais discreto assinalando que o mais importante ainda é derrotar o PT. O próprio Flávio admitiu ter pedido dinheiro ao banqueiro para a realização do filme sobre o seu pai, Jair Bolsonaro. O áudio é autêntico. Ainda não se sabe com o Intercept teve acesso a ele antes de outros canais. Falou-se que poderia ter sido resultado das perícias da Polícia Federal nos aparelhos celulares do banqueiro, mas a informação não é oficial. 

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Editorial: O diálogo cabuloso entre Flávio e Vorcaro



Hoje, 14, em operação da Polícia Federal, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso. Segundo as primeiras informações, a PF suspeita que ele integrava aquela "turma" que havia prometido arrancar os dentes de um jornalista. Ontem, 13, já no final da tarde, começou a repercutir a divulgação de um áudio onde o pré-candidato às eleições presidenciais de 2026, Flávio Bolsonaro, aparece pedindo a quantia de 61 milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de um filme sobre o seu pai, Jair Bolsonaro. Durante o diálogo, Flávio Bolsonaro relata ao banqueiro as dificuldades com as faturas que precisam ser pagas com o objetivo de viabilizar a película. 

Ainda no dia de hoje teremos novas repercussões deste fato, mas já podemos tirar algumas conclusões depois que o próprio Flávio confirmou o diálogo e inúmeros órgãos de imprensa assegurarem a autenticidade do áudio obtido pelo site Intercept. É o que no jargão popular é conhecido como batom na cueca. Ontem mesmo o staff de campanha do pré-candidato teria se reunido para avaliar os danos colaterais produzidos pelo escândalo, com potencial, inclusive, de sepultar o seu projeto de tornar-se presidente da República Federativa do Brasil. A análise é feita tomando como parâmetro os princípios republicanos, mas no Brasil de uma polarização política esgarçante tudo é possível, inclusive nada. 

O PT já se movimento para instaurar uma CPMI do Banco Master, algo que abominava no início, com o objetivo de jogar o escândalo da maior fraude bancária do país no colo do bolsonarismo. Esta mesma CPMI que, num determinado momento político, o partido fez gestão para não aprová-la. A equação indica claramente as motivações do partido, que não são motivações republicanas. Ontem o Planalto conseguiu subir um pouco à superfície e dar aquela respirada do que estão se afogando. A pesquisa do Instituto Quaest mostra uma melhoria da avaliação de Lula, mesmo que pontual ainda; o "teto" de Flávio Bolsonaro - com uma torcida pela queda depois dos diálogos cabulosos -; e a vantagem numérica de Lula sobre Flávio num eventual segundo turno. 


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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Editorial: Ciro lança candidatura no Conjunto Ceará


A pauta de hoje, dia 13, a rigor, está até bem movimentada, com uma nova pesquisa do Instituto Quaest sobre a disputa presidencial e a avaliação do Governo Lula, assim como as repercussões em torno do "novo" plano de segurança pública para o enfrentamento do crime organizado. Já íamos esquecendo aqui da extinção da taxa das blusinhas - no bojo desse pacote de bondades pré-eleitoral - medida com o potencial de prejudicar os produtores locais, gerando desemprego no setor têxtil. Em relação à pesquisa, nada a comentar, exceto o fato de que Lula ultrapassou Flávio num eventual segundo turno, mas tudo dentro da margem de erro, ou seja, 42% a 41%. 

Depois de evitar a arapuca- e a tentação, registre-se - de mais uma candidatura presidencial, o ex-Ministro Ciro Gomes lança sua candidatura ao Governo do Ceará, no próximo dia 16, no Conjunto Ceará, em Fortaleza, tradicional reduto político do candidato. Ciro mantém com este bairro uma relação afetiva, desde as décadas de 80 e 90, quando ainda era prefeito de Fortaleza. Como prefeito, Ciro fez vários investimentos de infraestrutura no bairro, tornando-se uma referência de gestor público para os moradores locais. Não sabemos em que circunstâncias, mas o próprio Ciro admite que a sugestão para que ele assumisse uma candidatura ao Governo do Estado surgiu neste bairro. 

Ciro é meio doido, como ele mesmo admitiu. Quase aceitava a proposta de Aécio Neves para mais uma candidatura presidencial. Seria um melhor presidente do que as opções que estão sendo oferecidas aos eleitores neste momento. Mas, por algum motivo,  a centrífuga da polarização continua produzindo seus efeitos danosos para o país. A batalha pelo Palácio da Abolição poderá se tornar, com certeza, a campanha mais renhida que Ciro Gomes já enfrentou. Mantida a candidatura de Elmano de Freitas, ela terá toda a carga de apoios do Planalto. Se, mesmo assim, ele não reagir nas pesquisas de intenção de voto, sugere-se que Camilo Santana poderá entrar na disputa, tornado o pleito equilibradíssimo, disputado voto a voto.


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Editorial: Alcolumbre ainda está amuado com Lula


Política é feita de gestos. A ausência de um político em determinada cerimônia oficial é logo observada pela imprensa, daí se tirando as conclusões inevitáveis. Se deixou de comparecer é porque fez uma desfeita com o anfitrião. Se não foi convidado é porque o prestígio está em baixa. Ontem, 12, em dois episódios, o lançamento do programa de enfrentamento ao crime organizado do Governo Federal, assim como na posse de Nunes Marques no TSE, o comportamento do Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, foi observado pelos atentos repórteres. Alcolumbre, embora convidado, preferiu não comparecer ao lançamento do programa do Governo Federal. Foi à posse de Nunes Marques, mas não teria conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Por razões que interessam a ambos, este distencionamento deve ocorrer. O Governo optou por não entrar num confronto direto, mas, ao que sabe, mandou averiguar os cargos indicados pelo presidente do Senado Federal no segundo escalão do Executivo. Hoje, 13, o jornal O Estado de São São Paulo traz uma matéria sobre o PCC, apontando como esta organização cresceu desde 2o12. Hoje eles atuam em 14 tipos de negócios, com os seus chefes de departamento, que vão desde a coleta de lixo aos garimpos ilegais na Amazônia, e movimentam algo em torno de 10 bilhões de reais por ano. Ou seja, em apenas um ano eles arrecadam com suas operações todo o montante de recursos destinados a combatê-los.  

Um fato que chama a atenção é que algumas igrejas neopentecostais é hoje um desses "departamentos". Já foram publicados alguns livros tratando especificamente deste assunto. Existe o fato da proximidade geográfica, uma vez que a maior atuação dessas igrejas é exatamente em áreas também de atuação de milícias e o crime organizado, a exemplos das favelas, assim como a questão nevrálgica da lavagem da dinheiro. Em áreas controladas pelo TCP - Terceiro Comando Puro - segundo comenta-se, até as missas realizadas pela Igreja Católica estão sendo proibidas. Este componente é sensivelmente preocupante porque entramos aqui no terreno pantanoso do radicalismo religioso. 

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terça-feira, 12 de maio de 2026

Editorial: O colapso de Cabedelo



Vamos começar fazendo os elogios. Isto talvez atenue um pouco o que virá a seguir. Recomendamos a leitura de um artigo escrito pelo Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Pernambuco, Áureo Cisneiro, publicado no blog do Magno Martins, hoje, dia 12. De fato, o crime organizado tornou-se uma grande organização empresarial, movimentando cifras astronômicas, sem que o Estado consiga manter um controle sobre tais movimentações. Um perfil de multinacional, para sermos mais precisos, uma vez que atua em vários países. O PCC, segundo suspeita-se, poderia ter o controle de drogas que abastecem o mercado europeu. Hoje eles atuam com CNPJ, como as investigações em São Paulo já indicaram, principalmente no transporte de passageiros. Na iniciativa privada, então, até um perfume que você compra naquela cadeia de perfumaria famosa pode ter ligação com a facção. 

O afastamento de suas funções de 25 servidores da Receita Federal que atuavam no Porto do Rio de Janeiro, que, supostamente, agiam de forma mancomunada com práticas ilícitas, dá uma dimensão da encrenca que temos pela frente quando estamos tratando do envolvimento dos agentes de Estado que, teriam, por dever de ofício, impedir essas práticas. Um dado que merece o nosso reconhecimento por aqui é o trabalho primoroso que vem sendo realizado pela Polícia Civil do Estado da Paraíba no tocante ao enfrentamento ao crime organizado, inclusive com um padrão excepcional de articulação com as polícias e órgãos federais. Se o Governo Federal deseja articular  bem essas ações é bom ficar atento ao que já vem ocorrendo na Paraíba. 

Infelizmente, o estado passa por um momento muito delicado neste sentido. Enquanto a reportagem do Fantástico sobre o o que ocorre em Cabedelo ia ao ar, facções rivais trocavam tiros no bairro da Colinas do Sul, Grande João Pessoa, pelo controle de territórios. Cabedelo é um caso emblemático de como o crime organizado saiu das periferias, dos bairros mais empobrecidos da cidade e chegou às altas esferas do poder público municipal, através de um conluio perpetrado entre agentes públicos e privados, atuando em licitações fraudulentas, práticas de rachadinhas, emprego de faccionados na máquina, entre outros expedientes. Inclusive um caso de logística curioso, porque, pelo que se sabe, o suposto operador comanda tudo a partir do Complexo do Alemão. 


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Editorial: O plano do Governo contra o crime organizado



30% do território brasileiro já estaria sob o comando do crime organizado; 41% da população reside em áreas onde já se observa a presença de facções ou milícias; Organizações como o PCC, antes vinculadas apenas a ilícitos e comércio de entorpecentes, agora, a exemplo do CV, começa atuar também no controle de territórios, determinando normas a serem cumpridas pelos moradores desses espaços; Alianças já estariam sendo celebradas entre essas duas organização pelo país inteiro. O maior eleitor das eleições presidenciais de 2026 é o medo. A população brasileira está assustada. A reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, do último domingo,  sobre uma cidade em estado de colapso na Região Metropolitana de João Pessoa, é um exemplo pavoroso do que estamos presenciando no país inteiro.  

Voltaremos a discutir o caso de Cabedelo num outro momento. Ontem, 11, o Governo Lula anunciou um audacioso plano de combate ao crime organizado, orçado em 11 bilhões de reais. Entre outros projetos, o plano prevê uma asfixia financeira das organizações criminosas, maior controle sobre a segurança das unidade prisionais, impedindo os trabalhos home office a partir dessas unidades. Não conhecemos o plano em sua inteireza, não sendo pertinente fazermos considerações sem conhecê-lo, mas é preciso dizer que estamos lidando com algo muito complexo, exigindo uma ação sistêmica, estratégia de longo prazo e liderança coordenada. Teríamos longas divagações pela frente para discutirmos cada uma dessa questões, algo que não seria possível num espaço de um editorial. 

Mas já vamos antecipar aqui as enormes dificuldades que a União hoje enfrenta em estabelecer um consenso mínimo sobre essas ações junto aos entes federados, assim como a infiltração do crime organizado no aparato de segurança do Estado, exigindo-se, por consequência, uma reestruturação das polícias estaduais, o que não é algo tão simples. Não fosse essa polarização entre petista e bolsonaristas, um candidato que oferecesse uma solução para este problema teria enormes chances eleitorais. Infelizmente chegamos a este estágio. 

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Editorial: Alfredo Gaspar lidera a corrida pelo Senado Federal em Alagoas


Os eleitores que nos acompanham sabem que, muito raramente, há publicações por aqui acerca da situação política no estado de Alagoas. Nessas próximas eleições, porém, estamos sendo tentados a mudar um pouco este comportamento, principalmente em razão do intrincado jogo de xadrez político que está se configurando em relação àquelas eleições. Tem se mostrado bastante interessante a movimentação dos principais atores no tabuleiro político estadual. Até bem pouco tempo, por exemplo, falou-se num suposto encontro entre o ex-prefeito da capital, JHC(João Henrique Caldas) com o ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lyra. Especulou-se, então, sobre a possibilidade de uma aliança entre ambos, com o propósito de isolar os Renan, que estão concorrendo ao Senado e ao Governo do Estado. 

Hoje, tanto JHC quanto Lyra seguem caminhos distintos, em raia própria, em busca do voto do eleitor alagoano. O deputado federal Alfredo Gaspar, que teve uma participação exemplar como relator da CPMI do INSS, teria sido sondado para a montagem de um palanque em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Neste caso, ele abdicaria de uma das vagas praticamente certa ao Senado Federal para disputar o Palácio dos Martírios. Por enquanto, algo não se ajustou e ele hoje é pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, aparecendo muito bem nas pesquisas de intenção de voto, num reconhecimento legítimo do eleitorado do estado, em função do seu trabalho como homem público, honrando cada voto que recebeu. 

O mesmo reconhecimento esperamos que receba, lá pelas bandas das Alterosas, o senador Carlos Viana, que presidiu os trabalhos da CPMI do INSS. Até o momento ele está bem posicionado, mas o quadro lá está bastante disputado. A reeleição do senador Carlos Viana depende de uma série de arranjos e conformações no tabuleiro político de Minas Gerais. E, por falar em Minas Gerais, nos próximos dias o senador Rodrigo Pacheco deve manter um encontro com emissários do PT no sentido de definir sua situação política na disputa pelo Palácio Tiradentes. O próprio Rodrigo Pacheco, para sermos sincero, nunca demonstrou grande interesse nesta disputa. 

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Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Balcão de negócios


A expressão "balcão de negócios" é relativamente antiga, usada para identificar as inúmeras maracutaias que se realizam na capital federal entre entes privados e parlamentares, sempre em prejuízo do interesse público. Ela voltou a ser usada por ocasião do estouro do escândalo do Banco Master, onde já se sabe que o CEO do banco utilizava-se, supostamente, de expedientes escusos para corromper autoridades e políticos de Brasília. Caiu um dos figurões do Centrão e o grande temor agora é em relação ao próximo da fila, uma vez que as ofertas - imóveis de luxo, cartões sem limites de gastos, festas da cueca com modelos internacionais - eram simplesmente irrecusáveis. Pelo andar da carruagem das investigações da Polícia Federal ninguém mais tem dúvidas de que a lista é enorme. 

A investigações apontam, inclusive, que alguns desses políticos teriam uma relação que poderia supostamente ultrapassar os limites de apenas suborno. Tornaram-se sócio das maracutaias do banqueiro. Membro da CPMI do INSS, a exemplo do  deputado federal Evair Vieira de Melo, já desconfiava da estratégia utilizada pelo banqueiro para não identificar e deixar rastros sobre as pessoas que utilizavam esses cartões do banco, com limites de gastos ilimitados, registrados no nome do próprio banqueiro. Caso a CPMI tivesse sido prorrogada, poderíamos ter contado, inclusive com a presença do próprio Daniel Vorcaro nos trabalhos da comissão. O sistema brecou. 

A conclusão hoje é que o banqueiro está oferecendo muito pouco em relação ao acordo de delação premiada. Segundo os observadores, a estratégia seria poupar alguns figurões que ainda poderiam ajudá-lo. Não terá acordo se a estratégia permanecer esta. A Polícia Federal já teria recomendado que ele voltasse à Papuda, uma vez que o acordo proposto não contribui para o avanço das investigações. Mesmo sem sua colaboração, as investigações avançam e não há dúvidas de que teremos novidades, talvez ainda nesta semana.

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domingo, 10 de maio de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o incômodo "silêncio" dos bolsonaristas.



Num encontro bastante festejado, com a presença de correligionários de todo o estado, o Presidente Estadual da União Progressista, o deputado federal Eduardo da Fonte, anunciou, com bastante entusiasmo, o apoio da poderosa federação ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Em seu discurso, como já era previsível, anunciou que está pronto para ser indicado para concorrer a uma das vagas ao Senado Federal na chapa a ser anunciada pelo Palácio do Campo das Princesas. Neste momento, sentimos um franzir de rosto da governadora, que sabe que terá um problemão pela frente no sentido de acomodar, em duas vagas disponíveis apenas, um séquito de desejosos pela indicação, integrantes de partidos que compõem a sua base de sustentação. 

Acompanhando as movimentações políticas pelos diversos estados da federação, algo nos chama a atenção. Os movimentos dos bolsonaristas aqui no estado são bastante discretos. Recentemente, numa visita ao polo têxtil do estado, o candidato João Campos foi ovacionado aos gritos de "Raquel"! Raquel"! "Raquel"!. Aquela área ali é um tradicional polo, na realidade de bolsonaristas. Numa das cidades integrantes desse polo, o ex-presidente Jair Bolsonaro deu, literalmente, uma surra em Lula na eleição passada. Salvo melhor juízo, em Santa Cruz do Capibaribe, uma cidade que integra este polo, o bolsonarista teve a maioria dos votos. Um dado a ser considerado é que cidade teria uma população flutuante, ou seja, muitos moradores provém de outras regiões do país e fazem apenas negócios na cidade. 

Este é um dado que pode indicar uma identificação desse eleitorado bolsonarista com a governadora Raquel Lyra. Mas nem precisávamos tanto, uma vez que a nata do bolsonarismo do estado, vinculada ao PL, está abrigada no guarda-chuva do Palácio do Campo das Princesas. Em princípio, a governadora não irá declarar um apoio ostensivo ao nome de Flávio Bolsonaro no estado, uma vez que flerta com o eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, é pouco provável que os bolsonaristas sejam acomodados, em sua plenitude de interesse, na composição da chapa. Inclusive tratando-se aqui da montagem de um palanque em apoio a Flávio no estado. E agora? O que fazer? 

Gilson Machado já sinaliza que será candidato a deputado federal. Anderson Ferreira, por sua vez, participou de um churrasco e uma pelada na casa do candidato Flávio Bolsonaro, em Brasília, onde ficou ratificado que o candidato deseja os bolsonaristas melhor posicionados no estado para o enfrentamento das próximas eleições. O neobolsonarista, Mendonça Filho, já esteve nas anotações de Flávio como um potencial apoio ao Senado Federal em Pernambuco. Aventamos por aqui a possibilidade com uma união entre o PL e o Novo, através de um nome que, embora não assumisse que era pré-candidato, já contava com escores razoáveis de intenção de voto, o vereador Eduardo Moura, que já disse que é candidato a deputado federal. Vamos aguardar os próximos lances desse xadrez, mas acreditamos que ainda possamos ter algumas surpresas.  

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Editorial: STF suspende aplicação da Lei da Dosimetria



O Ministro Alexandre de Moraes suspendeu o cumprimento da Lei da Dosimetria, a despeito da promulgação pelo Senado Federal. Segundo a imprensa comenta, em seu despacho o magistrado aponta as dificuldades da execução da lei diante dos embaraços jurídicos já em andamento, com centenas de condenados em cumprimento de penas. Realmente, isso vai dá uma dor de cabeça jurídica pela frente, além do nó górdio que precisa ser desatado na relação entre os Três Poderes da República. Trata-se de mais um daqueles episódios onde essa relação complicada atinge momentos de agudeza. Logo em seguida à revogação, vários parlamentares de oposição se pronunciaram em protestos. 

O Ministro Alexandre de Mores teria atendido a requerimentos de contestação encetados por partidos como o PSOL e Rede. Salvo melhor juízo, o caminho agora é aguardar uma avaliação pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. Não saberemos se o caso terá um desfecho até outubro, quando do primeiro turno das eleições presidenciais. O fato é que este será um dos temas interessantes no que concerne ao debate entre os pretendentes a ocupar a cadeira do Palácio do Planalto. Já há candidato prometendo subir a rampa com os envolvidos no 08 de janeiro, já então anistiados, no primeiro ato. Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e possivelmente Romeu Zema estão entre eles. 

Lula é contra. O veto presidencial, que foi rejeitado pelo Senado Federal, produziu um grande desconforto no Palácio do Planalto. Aliada à rejeição da indicação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal, foi mais uma daquelas derrotas difíceis de assimilar. Ainda bem que o Governo refez os cálculos políticos e optou por adotar uma postura apaziguadora em relação ao Legislativo, evitando, assim, maiores consequências. Para esta missão foram escalados os dois "bombeiros" José Múcio e José Guimarães, que já teriam agendados um encontro entre Lula e Davi Alcolumbre. 

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sábado, 9 de maio de 2026

Charge! Borega via Tribuna Feirense

 


Editorial: Ciro Gomes confirma candidatura ao Governo do Ceará



No próximo dia 12 haverá um encontro dos parlamentares que apoiam o projeto da candidatura do ex-ministro Ciro Gomes ao Governo do Estado do Ceará. O encontro está agendado para a ALECE - a Assembleia Legislativa do Ceará. Dia 16, data que está sendo festejada nas redes sociais, no Conjunto Ceará, em Fortaleza, finalmente, Ciro Gomes dirá que concorre à cadeira do Palácio da Abolição. Gerou-se muita expectativa em torno deste assunto, sobretudo depois que começaram os rumores acerca de uma nova candidatura do cearense à Presidência da República, muito motivada pelo Presidente Nacional do PSDB, Aécio Neves. Melhor assim. Nesta semana, a revista Veja traz uma matéria apontando que o quadro da eleição de 2026 ainda não está completamente definido. De cada 10 eleitores, 4 estariam dispostos a mudarem de voto, segundo um levantamento realizado pelo Institutos Genial\Quaest e Meio e Ideia.  

Na realidade, o eleitorado está dividido entre o desgaste do petismo e as temeridades e incertezas concernentes ao bolsonarismo. Mesmo assim, a centrífuga da polarização fecha sua visão desses eleitores acerca dos graves problemas que enfrentamos em relação à condução da economia, cujas "bondades" estão sendo feitas sem lastro, assim como o negativo repertório para a saúde das instituições da experiência bolsonarista. Alguém estava perguntando ontem se, em algum dia, as nossas instituições estarão voltando aos patamares dos índices institucionais de antes do bolsonarismo. Ciro, inutilmente, tentou romper este ciclo. Os eleitores não o ouviram antes e, possivelmente, não o ouviria numa nova tentativa. 

Não se pode dizer que ele não combateu o bom combate, tentando abrir os olhos dos eleitores. No Ceará, a batalha não é menor, em razão dos problemas de gestão enfrentados, com a ampliação dos territórios de Estado sendo ocupados pelo crime organizado. Ciro, ao lado JHC de Alagoas, é a esperança de soerguimento ou volta ao protagonismo político dos tucanos, desta vez pelo Nordeste. Engolir sapos faz parte do mitiê político. Não é bem este o estilo de Ciro Gomes, mas ele vai precisar conviver com a fina flor do bolsonarismo, assim como articular o palanque de Flávio Bolsonaro no estado. 

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Editorial: Polícia Federal descobre como a mesada para a senador escapava da fiscalização.


Não faz muito tempo, uma quadrilha movimentou quase três milhões de reais aqui no Recife. A quantia, na realidade, é uma micharia diante do montante de recursos movimentados pelo crime organizado. O problema, neste caso, é que esta quantia foi sacada em espécie, na boca do caixa. Um cidadão comum que movimenta dez mil reais já precisa preencher um cadastro de controle de movimentação financeira. Muitos atores são envolvidos nessas maracutaias, burlando os procedimentos de praxe. A Polícia Civil do Estado, que já estava de olho, aprendeu a quantia mencionada.  Numa viagem que fizemos à Salvador, na Bahia, resolvemos esticar um pouco para a região do Recôncavo, para conhecermos a aprazível cidade de Cachoeira. 

Na volta, compramos um desses papéis prensados recheados de amendoim torrado, em formato de canudo, algo que era bastante comum na infância. Mantivemos um desses canudos dentro da bolsa de viagem, logo detectado pelas máquinas de Raio X, exigindo-se um exame minucioso da bolsa, talvez com a suspeição da possibilidade de que transportávamos alguma arma. Outros passam com maletas com toda a tranquilidade, onde nem precisam passar pelo Raio X, como a imprensa tem divulgado. Este prólogo é em razão das descobertas da Polícia Federal sobre a tal mesada paga pelo banqueiro ao senador. Já se sabe que os cartões que pagavam as orgias das viagens ao exterior ficavam, supostamente, em nome do próprio banqueiro ou do banco, não se identificando quem realizavam tais gastanças. 

Agora a Polícia Federal suspeita que a mesada, embora em valores altos, eram pagas fracionada, com valores um pouco abaixo dos dez mil reais para escapar do controle estatal sobre as movimentações financeiras. Diante desses novos fatos, o PT se empenha pela aprovação da proposta de uma CPMI do Banco Master, iniciativa que não contou com o apoio da legenda no início. Os bolsonaristas, por sua vez, veem com cautela algo que já estava em costura, ou seja, uma articulação com segmentos do Centrão. O que nenhum candidato deseja é ser associado ao escândalo há poucos meses da eleição presidencial. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Editorial: Delação à vista



Ontem, 7, comentávamos por aqui acerca dos problemas relativos à proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Tanto o Ministro André Mendonça, relator do caso no STF, assim como a Procuradoria-Geral do Estado e a própria Polícia Federal consideram insuficientes o que seus advogados estão oferecendo. Pelo menos no que concerne à Polícia Federal, no curso dessa operação denominada de Compliance Zero, é que se conclui que ele está oferecendo revelar tão somente o que a PF já sabe. Já há quem esteja propondo que o banqueiro volte a cumprir pena na penitenciária onde ele estava antes da transferência para a sede da Polícia Federal. 

E, por falar em transferência, O Ministro André Mendonça autorizou a transferência do ex-diretor do BRB, Paulo Henrique Costa, para a Papudinha, o que pode ser lido como um avanço nas negociações de uma nova delação premiada proposta pelos seus advogados. Há situações onde o sujeito está tão enredado que não existe outra alternativa. Ontem, 07, com a realização da quinta fase da Operação Compliance Zero, começamos a entrar nas entranhas de como este, que é considerado o maior escândalo de fraudes bancárias do país, contou com a ajuda providencial de nomes políticos de peso na capital federal. 

A PF desconfia que a redação da alteração da lei do FGC tenha sido redigida pelo próprio banco Master. "saiu exatamente como nós queríamos". Daniel Vorcaro é um grande arquivo vivo. Ainda jovem, é impressionante como este cidadão conseguiu montar uma estrutura tão articulada, capaz de penetrar e corromper atores no núcleo duro dos Três Poderes da República. Ele sabe muito coisa e a Polícia Federal tem consciência sobre o quanto ele pode revelar. É preciso que os advogados voltem a conversar com ele e apresentem uma nova proposta aos órgãos da República que investigam o caso.  

Editorial: Os senadores do PT na Paraíba


Um palanque duplo do PT em Pernambuco não está completamente descartado, segundo o próprio Presidente Nacional da legenda. Nas palavras de Edinho Silva, o PT no estado tem um candidato "preferencial", que seria o ex-prefeito João Campos. Não se descarta a possibilidade de uma composição com a governadora Raquel Lyra(PSD-PE), embora a conjuntura não seja a melhor possível, uma vez que o Palácio do Campo das Princesas tornou-se um ninho de bolsonaristas. Isso se torna ainda mais improvável depois dos últimos acontecimentos, envolvendo integrantes da poderosa federação União Progressista, que passou a ser um problema para o próprio Flávio Bolsonaro, que vinha de namoricos com o Centrão. 

Há algum tempo, o PT emitiu uma lista sobre os senadores da legenda para o pleito de 2026. Alguém observou que aqui em Pernambuco só aparece o nome do atual senador, Humberto Costa, que tenta renovar o mandato. O nome de Marília Arraes(PDT-PE), que integra a mesma chapa com Humberto, não apareceu nesta lista, sinalizando algum ruído. Na Paraíba, o PT vai apoiar senadores de chapas distinta, a despeito dos apelos do Presidente da Câmara Federal, Hugo Motta, que gostaria que Lula emprestasse apoio ao nome do seu pai, Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos, que integra a chapa de Lucas Ribeiro(PP-PB), apoiada pelo PT, cujo outro nome ao Senado Federal é o ex-governador João Azevedo(PSB-PB), este sem "arestas", uma vez que é socialista. 

Por outro lado, abriu-se uma dissidência interna no PT estadual - a partir do diretório municipal de Campina Grande - que resolveu declarar apoio ao projeto de reeleição do senador Veneziano Vital do Rego(MDB-PB), mais identificado com o projeto petista e a reeleição de Lula. Ontem isso foi confirmado oficialmente, por Edinho Silva, que aparece numa foto ao lado de Veneziano Vital nas redes sociais. É uma atitude sensata e coerente do PT estadual. Um eventual acordo com Hugo Motta seria a partir de arranjos celebrados em Brasília, totalmente desconectado da realidade do estado da Paraíba. Vital do Rego, embora na composição da chapa do ex-prefeito Cícero Lucena(MDB-PB), é muito mais identificado com o PT. O PT do estado apoia senadores de chapas diferentes, o que se sugere que possa ter tentado a governadora Raquel Lyra com a inclusão de Túlio Gadelha em sua composição.

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Editorial: Zé Múcio põe panos mornos na briga entre Executivo e Congresso



O pernambucano José Múcio Monteiro é um conciliador por natureza, daqueles políticos que aparam as arestas entre as partes, construindo pontes, consensos mínimos. Neste sentido ele se parece muito com o ex-senador Marco Maciel, exímio articulador, apagador de incêndios. Pode-se dizer que são da mesma escola. Quando se aposentou do TCU poderia muito bem voltar ao seu reduto político, conviver mais com a família, ouvir os pássaros canoros pela manhã e ao final da tarde, comer mel de engenho com cuscuz, doce de leite preparado com leite ainda fresco e o tradicional bolo de rolo com bastante recheio de goiaba, uma "invenção" tipicamente pernambucana, uma vez que o original português era recheado com amêndoas e nozes. 

Dizem até que teria uma proposta irrecusável para atuar na iniciativa privada, mas atendeu ao pedido de Lula para assumir o Ministério da Defesa num dos momentos mais delicados, logo após o 08 de janeiro. Neste embate com o Congresso Nacional, principalmente em relação ao Senado Federal, se o Executivo não buscasse uma conciliação amargaria mais algumas dores de cabeça. Lula superestimou sua capacidade pessoal e subestimou os ardis e as armas do adversário. Ainda bem que seus assessores mais diretos o convencerem que o caminho - o único sensato, aliás - era a conciliação. Depois da rejeição do nome de Messias, há, pelo menos, oitenta outras indicações do Executivo que precisam de aprovação nas inúmeras comissões na Casa Alta. A governança, que não vai bem, poderia ficar pior. 

Lula escalou o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o Ministro da Articulação Institucional, José Guimarães, para esta missão. Neste terceiro mandato, Lula nunca acertou a mão em duas áreas estratégicas, a comunicação institucional e a articulação política, que vem dando dores de cabeça desde o início do governo. Gambiarras e panos mornos são utilizadas com frequência nestas áreas nevrálgicas. Pessoas sem know-how na comunicação já estiveram à frente da SECOM, assim como políticos de perfil radical quase sempre estiveram à frente da articulação, a exemplo de Gleisi Hoffmann e agora José Guimaraes. Uma vaselina política seria muito bem-vinda nessa área, alguém com a maleabilidade e o contorcionismo político de um Zé Múcio, que já ocupou o cargo no passado, descascando os abacaxis antes que eles chegassem ao mandatário. 


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