Um trajeto de Uber entre o Aeroporto de Salvador até o bairro da Barra não seria suficiente para fazermos uma análise mais profunda sobre a situação política daquele estado. Sobretudo nesses tempos bicudos, onde as pessoas estão saindo da cidade e os turistas, por sua vez, estão se dirigindo a outros destinos, afugentados pelos altos índices de violência ali registrados. Mas é possível entender, em parte, porque, a despeito de todos esses problemas, a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues, do PT, continua resistindo e competitiva, conforme aponta a última pesquisa do Instituto Quaest divulgada recentemente. Considerando-se a margem de erro do instituto, dá para se fazer algumas configurações acerca dos índices apresentados, mas, pelo menos numericamente, os dois principais pré-candidatos ao Palácio de Ondina, ACM Neto(União Brasil) e Jerônimo Rodrigues(PT-BA), estão rigorosamente empatados: 39 a 38.
O quarto colégio eleitoral do país tem um voto bastante identitário, ou seja, o petista, mesmo sentido na pele os efeitos dos altos índices de violência não deixa de votar no PT. Durante o trajeto que fizemos do aeroporto de Salvador até a Barra, o motorista veio o caminho todo tecendo loas à gestão petista. João Santana, que coordena a campanha de ACM Neto terá muito trabalho pela frente. Surpreende que o governante de um dos estados mais violentos do país esteja alcançando esses índices de intenção de voto. Pela manhã comentamos acerca dos "constrangimentos" na escolha do voto do eleitor brasileiro. Em entrevista recente à revista Veja o economista Armínio Fraga afirmou que o quadro de nossa economia é desastroso.
Quando se lança um olhar sobre os competidores a nível da Presidência da República, você observa um candidato que não se propõe a mudar isso e um outro que não tem proposta ou não saberia como fazê-lo. Nos estados, principalmente na região Nordeste, um avanço vertiginoso da governança criminal - provocando, como consequência natural o aumento dos índices de violência - e candidato que não se mostraram capazes de lidar com este problema gravíssimo. Vale aqui repetir a pergunta que fizemos dias antes: será que suportamos mais quatro anos? A pesquisa da Quaest foi realizada entre os dias 23 e 27 de julho, ouviu 1,2 eleitores em 61 municípios. Os dados acima se referem ao primeiro turno, embora ambos os candidatos também estejam em empate técnico num eventual segundo turno. TSE\BA: 02331\2926.
