pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Editorial: Clima tenso nas eleições deste ano.


Já tivemos eleições mais tranquilas, embora se entenda este tensionamento às vésperas do primeiro turno das eleições deste ano. Na Paraíba há um julgamento que pode interditar o ex-prefeito da capital, Cícero Lucena, de participar das eleições, motivadas por denúncias ainda relativas às eleições de 2020 e 2024. O entendimento de alguns dos desembargadores que julgam o caso é de que, embora os fatos  não tenham sido formalmente julgado, as denúncias ensejam motivo para impedir que ele concorra ao Palácio da Redenção. No Ceará, então, o clima é ainda mais tenso. A Policia Federal fez uma grande apreensão de dinheiro em espécie, algo em torno de dez milhões de reais, e, hoje, até bomba explodiu no estado, em frente de um estabelecimento comercial. Suspeita-se de ações de facções do crime organizado. 

Não faz muito tempo, numa operação também na Paraíba, a Polícia Federal descobriu algo curioso, mas muito preocupante, sobretudo se o precedente possa ser recorrente. Um cidadão com apenas um documento de identidade possuía várias títulos aptos a votar. O cidadão foi preso na ocasião. No Ceará, a folgado vantagem da candidatura de Ciro Gomes sobre o candidato Elmano de Freitas, que concorre à reeleição, diminuiu bastante nos últimos dias. O jogo está bastante equilibrado tanto para o Governo do Estado quanto para o Senado Federal. Vai ser voto a voto, assim como se sugere que possa ocorrer aqui em Pernambuco. A equipe jurídica da governadora Raquel Lyra, supostamente, teria entrado com uma ação para impedir a divulgação de uma pesquisa do Instituto Quaest, encomendada pela Rede Globo. Talvez saia hoje durante o Jornal Nacional. Caso a ação não seja acatada. 

Essas eleições serão marcadas por alguns fatos curiosos, como se já não fosse suficiente a crise institucional e de legitimidade - o que é ainda mais grave - em que o país está mergulhado até o pescoço. Nada aponta para uma boia de salvamento quando terminarmos o pleito. Corremos o risco de nos afogarmos. Talvez nunca tenhamos visto um pleito onde os institutos de pesquisas foram tão atacados e acionados na justiça. Todo mundo se transformou em especialistas em metodologias de pesquisas, apontando falhas neste ou naquele instituto, mediante conveniências específicas. Repete-se aquele axioma bastante antigo. Se a pesquisa for favorável, o instituto está certíssimo. Se for contra o meu candidato, há um complô. 

Editorial: Púlpito vazio



Lamentavelmente não tivemos a realização do debate que estava sendo programado pela Rede Globo no dia de ontem. Na realidade, a situação ideal era aquela onde Lula estaria presente e Renan Santos fosse convidado pela emissora. Renan não atende aos requisitos impostos pela própria Legislação Eleitoral, mas, afinal, algumas decisões precisam levar em conta outras questões. Nem sempre o que a legislação diz converge, necessariamente, com as melhores práticas democráticas. Depois da judicialização do debate, um puxa-encolhe entre os convidados, o evento acabou não ocorrendo, levando a emissora a transmitir sua programação normal durante o horário. 

Vamos ter um primeiro turno sem aquele encontro que poderia decidir o pleito. A Rede Globo, por uma decisão do Ministro Gilmar Mendes, do STF, teria que incluir o nome de Renan Santos, assim como não manter o púlpito vazio destinado ao presidente Lula. Já afirmamos isso por aqui numa outra ocasião, mas não custa repetir. Não sabemos o que Lula poderia temer depois de três mandados presidenciais. Flávio é um estagiário na frente de Lula. Um dos dados que fragiliza sua candidatura é exatamente essa falta de experiência administrativa, que poderia ser explorada por Lula durante o encontro. A decisão de não participar foi uma escolha pessoal de Lula. Seus assessores mais próximos propuseram que ele participasse do debate. 

Como o debate foi cancelado, Lula talvez não pague o ônus da ausência e do púlpito vazio. Nesta reta final de campanha, o que está entrando também em processo de judicialização são as pesquisas de intenção de voto. Na Paraíba, a equipe jurídica do candidato Efraim Filho(PL-PB) entrou com uma ação para a não publicação de uma pesquisa do Instituto Quaest. Hoje, 02, ficamos sabendo que o mesmo ocorreu em Pernambuco. A equipe da governadora pede que não seja divulgado o resultado de uma pesquisa do mesmo instituto. Ontem saiu a Datafolha, onde a governadora Raquel Lyra aparece bem, numericamente à frente do ex-prefeito João Campos, tanto no primeiro quanto num eventual segundo turno. A Quaest, possivelmente, poderia trazer outros números. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Editorial: O estranho olhar de Cleitinho



O debate da Rede Globo, programado para logo mais, fica sensivelmente prejudicado com a ausência do presidente Lula, já devidamente confirmada. Nos últimos dias, tivemos dois grandes debates entre os candidatos que concorrem ao governos estaduais. O de São Paulo, entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas, e o de ontem, também organizado pela emissora local da Rede Globo, entre os candidatos que concorrem ao Palácio Tiradentes, sede do Governo de Minas Gerais. Nas Alterosas, a situação está praticamente definida. O senador Cleitinho, do Progressistas, deve ser consagrado como o novo governador do estado. É possível que tenhamos um segundo turno, mas, mesmo assim, ele continua como franco favorito. 

O debate de São Paulo, conforme observou o jornalista Josias de Souza, do UOL, já teve um grande vencedor: sua excelência, o eleitor. É assim que o eleitor deve ser tratado nos debates. Quando um candidato, por algum motivo, se recusa a debater, em última análise, ele está manifestando um profundo desrespeito pelo seu eleitorado. Em Minas Gerais, ainda tivemos algumas trocas de farpas, pois o clima está acirrado. Mesmo assim, foi possível discutir o destino da polis. Tivemos candidatos que se preparam para o embate, construíram propostas, questionaram as alternativas dos seus oponentes para os graves problemas que o estado de Minas Gerais enfrenta neste momento. Muito proveitoso, permitindo ao eleitor fazer uma opção consciente na hora de votar. 

Um fato que chamou atenção dos telespectadores foi o olhar estranho do candidato Cleitinho diante das câmaras da emissora. Passou a hipótese de ele estar olhando para um vazio, desfocado da câmara. Ficava estranho. Seus assessores devem ter observado e alertado o candidato sobre o assunto. Depois de um certo tempo, o problema foi corrigido. Nessas horas, todo o cuidado ainda é pouco. Num debate no Ceará, Ciro Gomes levantou o dedo no rosto de Elmano de Freitas. Se ele fosse um pouco mais além disso poderia dá adeus ao seu projeto de voltar a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição.  

Editorial: Lula não irá ao debate da Globo


O presidente Lula já avisou que não irá comparecer ao debate promovido pela Rede Globo, programado para o dia de hoje. Informações de bastidores apontam que se trata de uma decisão pessoal, uma vez que seu núcleo duro de campanha teria aconselhado ao presidente o comparecimento ao encontro. Assim como ocorreu anteriormente em relação ao debate organizado pela Rede Bandeirantes, Lula optou por conceder uma entrevista no mesmo momento do debate. Público controlado, sem os inevitáveis questionamentos a que ele seria submetido durante o encontro da Globo. O jogo está bastante equilibrado, mas existe algumas circunstâncias que podem prejudicar Lula neste momento. O experiente jornalista Fernando Mitre costuma enfatizar que uma cadeira vazia sempre produz alguns efeitos, não necessariamente positivos. 

Existem algumas nuances nessas eleições, como uma espécie de "desencanto" que tomou conta do eleitorado, possivelmente em razão das circunstâncias em que estamos indo as urnas, em meio a uma crise institucional sem precedentes. Não seria surpresa um contingente expressivo de abstenções neste pleito, geralmente liderado por um núcleo de eleitores de menor formação, exatamente aquele eleitor que se identifica mais com o petismo. Lula lidera apenas "numericamente" o pleito, o que não inspira grande confiança no resultado do jogo. Ainda existem alguns eleitores indecisos ou que talvez possam mudar de voto. Em circunstâncias assim, a prudência é a melhor conselheira.  

Hoje, dia primeiro, também será realizado um debate decisivo aqui no estado. O grupo Jornal do Commércio promove um debate entre os candidatos ao Governo do Estado, onde, possivelmente, alguns temas nevrálgicos deverão voltar à discussão, sobretudo quando se percebe que tais temas podem estar influenciando a opinião e o voto dos eleitores. O bom seria que os candidatos se concentrassem apenas nos temas que interessam para a gestão da máquina estadual, como ocorreu no debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo e ao Governo de Minas Gerais. Ontem tivemos verdadeiras aulas sobre os problemas das estradas do Sul de Minas, a poluição de sua bacia hidrográfica e a famigerada dívida pública do estado com a União. É isso que a gente precisa ouvir. Esse negócio de laqueadura eu nunca entendi muito bem. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Editorial: "Amas a incerteza e serás um democrata"


A incerteza sobre o resultado do jogo é inerente ao processo democrático. A frase está inscrita num artigo famoso do cientista político polonês, professor da Universidade de Chicago, Adam Przeworski, "Amas a incerteza e serás um democrata". Na reta final do primeiro turno das eleições deste ano, que já ocorre no próximo domingo, 04, temos pensado bastante sobre este assunto. Estamos mergulhado numa torrentes de incertezas que não se esgotam apenas nas eleições, mas, e talvez principalmente, sobre o que vem a seguir, posto que estamos mergulhados numa crise institucional sem precedentes no país. Os dois principais concorrentes, guardam relações com esta crise institucional, como se sabe. 

Em determinado momento se pensou, por exemplo, que Lula poderia perder as eleições em função dessa questão nevrálgica. Neste momento, no entanto, o jogo eleitoral envolvendo os dois principais concorrentes está incerto. As últimas pesquisas de intenção de voto apontam isso. Aqui no estado de Pernambuco foram divulgadas duas pesquisas recentes, uma do Instituto Quaest e a outra do Instituto Paraná Pesquisas. Em ambas, um rigoroso empate técnico, dentro da margem de erro, entre os candidatos João Campo e Raquel Lyra. Tivemos o debate da Rede Globo, na terça, e já se anuncia o debate da TV Jornal para a quinta-feira. Num momento crucial da pesquisa, surgiu o vídeo sobre uma fala infeliz da governadora Raquel Lyra, que está sendo muito explorado pelo seu adversário, João Campos. 

A equipe de comunicação da governadora Raquel Lyra, que estava tão bem, precisou pedir o VAR e isso não é bom, mesmo quando se encontra a melhor maneira de encarar a situação. Essa coisa de comunicação de massa é algo extremamente sensível e complicado. À época em que foi divulgado um vídeo onde um pastor ensinava aos seus auxiliares como arrancar dinheiro do "rebanho", os pastores da igreja conseguiram convencer os fiéis a não acreditarem no que eles "estavam vendo". Aqui em Pernambuco, até hoje as pessoas acreditam numa tal de "Perna Cabeluda", personagem inventada por um profissional de imprensa que não tinha "pauta" para entrar no ar ao vivo numa emissora de rádio. Em décadas passadas, numa eleição apertada, os adversários plantaram a desinformação de que o então candidato ao Governo do Estado do Maranhão,  Epitácio Cafeteira, havia cometido um homicídio. Até hoje ele tenta se explicar.  

Editorial: Pedágio eleitoral na Paraíba


Até domingo, dia 04, primeiro turno das eleições deste ano, muita coisa pode acontecer. Nesses últimos dias, na ânsia de se elegerem, muitos candidatos abdicam do respeito aos princípios republicanos de uma eleição; falam demais, como o presidente Lula recentemente; desrespeitam as regras estipuladas pela Legislação Eleitoral e até compram os votos dos eleitores, reproduzindo, para o perímetro urbano, aquilo que, no passado, denominávamos de currais eleitorais, traduzidos no belo texto de Coronelismo, Enxada e Voto, de Victor Nunes Leal. No dia de ontem, 29, mais uma operação da Polícia Federal, no Paraíba, no curso de operações que já vinham sendo implementadas, visando coibir a prática do que se convencionou chamar de "Pedágio Eleitoral", ou seja, controlando territórios específico, facções do crime organizado passaram a cobrar dinheiro dos candidatos para a realização de atividades políticas em seus territórios, subvertendo alguns princípios elementares da democracia representativa. 

Mancomunados com os políticos que se sujeitam ao processo, os faccionados passam a pressionarem a população desses territórios a votarem nos nomes que estão sendo indicados por eles. Em estados como o Rio de Janeiro, onde 33% do território já está sob o controle das milícias e de facções, a gente vê isso na prática. Uma penca de políticos comprometidos com tais esquemas, mantendo relações promíscuas com esses criminosos até mesmo durante a sua atuação parlamentar, o que significa concluir que o mecanismo passou a ser utilizado pelas facções com objetivos bem mais audaciosos, como a participação em licitações, emprego na máquina, além, muito provavelmente, de outras práticas ilícitas. 

O dano maior para as nossas instituições democráticas é que a prática já começa a se disseminar pelo país afora, em estados como o Ceará e a Paraíba. Não é nada improvável que tenhamos outras situações do gênero entre os demais entes federados, principalmente aqueles onde a atuação de facções são mais evidentes. Em maior ou menor proporção, na realidade, eles atuam em todo o país. Ainda ontem, durante um debate entre os candidatos ao Governo do Estado de Pernambuco, o candidato João Campos, do PSB, reforçou o alerta acerca do avanço do crime organizado em Pernambuco, onde, em algumas comunidades, já poderia estar ocorrendo os chamados "toque de recolher".   

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Editorial: Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no momento mais importante da eleição


No próximo domingo, 04, teremos o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Estamos, portanto, num momento crucial do pleito. Num momento definitivo, duas pesquisas de intenções de voto, divulgadas hoje, 28, mostram a ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Na média, 5% na Nexus e na Quaest. O chamado centrão sociológico ainda não se definiu completamente, mas, gradativamente, este contingente também vai diminuindo à medida em que o pleito se aproxima do primeiro turno. Salvo melhor juízo, hoje Lula deve arrastar uma multidão calculada em mais de um milhão de pessoas na Barra, em Salvador, reduto tradicional do petismo. ACM Neto, herdeiro do Carlismo, que mantinha uma tendência de vitória desde o início da campanha, percebe que Jerônimo Rodrigues, com a força da militância do PT baiano, já funga em seu cangote. 

Estão praticamente empatados, sendo, neste momento, improvável fazer qualquer previsão. O PT, de um modo geral, parece ter dado uma arrancada nesta reta final da campanha, quando se sugere que as medidas adotadas pelo Planalto recentemente estão trazendo alguns dividendos políticos, como o aumento do Bolsa Família, a proibição das Bet's. Flávio já havia encostado no teto e Lula encontrado o seu piso. A terceira via encontra-se, como sugere o escritor José Adalberto Ribeiro, em sua crônica política de hoje, num verdadeiro pau de sebo, impossível de ser vencido. Zema não consegue a simpatia e o apoio nem do eleitor de Minas Gerais, onde foi governador. É uma luta inglória a da terceira via.

São muitas as emoções até o dia 04 de outubro. A militância petista está nas ruas, os artistas estão pedindo votos para a Lula em suas redes sociais, a exemplo do cantor Djavan. Não sabemos se outros artistas engrossaram essa fileira, mas não seria improvável. Lula esteve recentemente na casa do cantor Caetano Veloso, no Rio de Janeiro. Do Ceará vem a informação que, assim como ocorre na Bahia, o governador Elmano de Freitas, que concorre à reeleição, aparece bem posicionado contra Ciro Gomes nas últimas pesquisas.  

Editorial: O debate da Rede Globo


Aqui na província pernambucana, na reta final da campanha, um verdadeiro massacre promovido pelos blogs de política "comprometidos" com o candidato socialista contra a governadora Raquel Lyra(PSD-PE). O massacre é tão asqueroso que deixamos de comentar o tema em nossas postagens de cobertura específica sobre as eleições. Já faz algum tempo que não publicamos o nosso "O xadrez político das eleições estaduais de 2026". Lula, da última vez que esteve por aqui, teria aconselhado aos seus apoiadores que não atacassem a governadora. No plano nacional, recrudesce as indisposições entre os ministros da Suprema Corte, um derrubando as medidas tomadas pelo outro. Haja antiácido para poupar-nos de uma indigestão política. Em meio a tal turbilhão, especula-se sobre um possível debate, promovido pela Rede Globo, entre os candidatos que concorrem ao Palácio do Planalto. 

O debate está programado para o dia primeiro, três dias antes das eleições de outubro. Debates políticos para este editor são sempre bem-vindos. Trata-se de uma oportunidade rara de conhecermos a realidade de todos os nossos entes federados. Ontem, por exemplo, acompanhamos um debate entre os candidatos quem concorrem ao Governo do Piauí, onde os problemas relacionados às intervenções no meio ambiente, os recursos hídricos e os problemas habitacionais deram a tônica do encontro. O Piauí sugere que seja mais um caso onde a privatização da companhia de água e saneamento está produzindo efeitos danosas à população. Sinceramente, não conhecemos um único caso onde as concessões ou privatizações dos serviços de água e esgoto deram certo. Em São Paulo a Sabesp, a maior empresa de saneamento básica do continente, foi privatizada mesmo dando lucro. Vamos dar uma de ingênuo por aqui e fazermos de conta de que não entendemos essa lógica. 

O debate que será promovido pela Rede Globo, já no finalzinho do primeiro turno, pode contar com os faltosos dos debates anteriores e os mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O grande problema é que, para assegurar a presença de Lula e Flávio, a emissora dos Marinhos resolveu não convidar o candidato do Renan Santos, do Missão, que, em tese e do ponto de vista legal, atende os requisitos para ser convidado. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro não teriam interesse em participar de um debate com Renan Santos. Hoje o candidato aparece nas redes sociais afirmando que iria se comportar, evitar os eventuais excessos,  enfatizando que seria bem-vindo que a emissora o convidasse. Seria bom mesmo. 

sábado, 26 de setembro de 2026

Editorial: Festival Gastronômico IgaraMangue


Crédito da Foto: Blog Dellas, de Terezinha Nunes


Recentemente concluímos mais um texto literário abordando uma temática da Região da Mata Norte do estado, o romance Nas Marés de Malunguinho. Não é a primeira vez que nos debruçamos sobre o assunto. No nosso primeiro romance, vencedor do Prêmio José Lins do Rego de Literatura, tínhamos como um dos propósitos abordar um fato abominável ocorrido na Comunidade Quilombola de Cuieira, em Igarassu, na década de 40, durante a vigência da ditadura do Estado Novo, onde ocorreu um verdadeiro massacre atingindo os moradores locais, identificados com as religiões de matriz africana, que tiveram suas casas invadidas, foram espancados e mortos por forças policiais. Por algum motivo, esquecemos de abordar o tema, impondo-nos a necessidade de proceder alguns ajustes no texto apenas para inserir tal discussão e chamar atenção do público sobre o episódio repulsivo ali ocorrido. 

Afinal de contas, estamos tratando de um cientista político que resolveu fazer literatura. Não tem sido fácil conciliar essas duas condições, pois os nossos textos acabam ficando ensaísticos demais, disputando com a narrativa strictu sensu literária. O mesmo ocorre com o romance Nas Marés de Maluguinho, onde a História do Quilombo do Catucá assume uma dimensão gigantesca no livro. Bom para os historiadores, antropólogos, sociólogos mas talvez menos interessante para os leitores mais identificados com a trama da narrativa literária propriamente dita. Existe uma regra para isso, mas, quase sempre, não a respeitamos. Mais de quatro páginas de descrições pode cansar os leitores. Hoje nos dedicamos à revisão de um texto sobre as Heroínas de Tejucupapo, que também trata de uma temática relativa às Comunidades Quilombolas de Tejucupapo e São Lourenço. 

Hoje, ao abrir as páginas do nosso Jornal do Commércio, deu água na boca as menções às iguarias gastronômicas que estão sendo servidas e avaliadas no Festival Gastronômico de IgaraMangue. Em nossas andanças por aquelas bandas do nosso litoral, já experimentamos de muita coisa, como uma linguiça de peixe servida na praia de Pontas de Pedra, os Guaiamuns do Buraco da Gia, a Comida de Santo, no terreiro de Umbanda de mãe Nininha, assim como a mariscada, que era o prato preferido de João Ubaldo Ribeiro, em sua Itaparica. Essas comidas, quase sempre preparadas com algum fruto do mar, são realmente uma delícia. Em Maceió é servido um sururu de capote que fazia a alegria de Jorge Amado quando estava por aquelas bandas. Neste rol, podemos incluir, certamente, a fritada de aratu, de Patrícia Maria, que participa do festival. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Editorial: Lula no Recife


Na última quinta-feira foram publicados os índices de intenção de voto para o Governo de Pernambuco, numa pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha. Os números, mesmo se considerarmos o empate técnico, ainda são favoráveis à governadora Raquel Lyra, que disputa a reeleição. A presença de Lula no Recife, segundo analistas, é a última cartada dos socialistas para virarem o jogo em favor do candidato João Campos(PSB-PE). Sabe-se lá quais seriam as prioridades de campanha do presidente Lula neste momento crucial da campanha. Aqui em Pernambuco a sua situação é razoavelmente até confortável, pois detém o dobro das intenções de voto do seu adversário, Flávio Bolsonaro. Há outros entes federados onde a situação é bem mais complicada neste momento e cruciais para a definição do pleito. Mesmo assim, Lula veio ao Recife. 

Um colunista da revista Veja recentemente utilizou a imagem do piso e do teto para ilustrar este momento das pesquisas de intenção de voto, ou seja, Lula encontrou o seu piso e Flávio atingiu o teto. Os bolsonaristas estavam otimistas com a arrancada de Flávio nas últimas pesquisas de intenção de voto, mas o fôlego, como sugere o colunista da revista, parece estar se exaurindo. Mais um pouco ele morre afogado. Num eventual segundo turno, Lula aparece à frente do bolsonarista, de acordo com a última Datafolha. A vantagem não é confiável e muito menos confortável, mas o fato, em si, deixa os petistas menos desesperados. Pelo andar da carruagem política, nobre e estimado leitor, vamos ter uma disputa equilibradíssima. Voto a voto. 

Há um índice de indecisos que giram em torno de 5% a 8% do eleitorado. Eles serão decisivos na definição do pleito. Não são petistas nem bolsonaristas, mas órfãos de opção, encurralados pela polarização esgarçante. Integram aquele contingente que o marqueteiro João Santana classifica como "centrão sociológico". Quando ele afirma que é este o grupo de eleitores que definem o jogo ele está certo. É preciso discutir, no entanto, essa orfandade de opção. Não votam num programa, não votam por identificação, talvez optem pelo menos ruim. O mais preocupante é que, em qualquer dos casos, a crise institucional em que o país está mergulhado não sinaliza para uma solução.  

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Editorial: Lula reconsidera ida aos debates



Entramos naquela fase onde todos os assessores, simpatizantes e militantes estão dando palpite sobre a campanha dos seus candidatos. Em certa medida, é mais ou menos o que ocorre com a seleção brasileira, onde cada torcedor se torna um técnico capaz de apontar as falhas do time, indicar nomes e definir uma estratégia vitoriosa. Agora é a vez dos simpatizantes que, mesmo não integrando a equipe de campanha, começam a apontar os procedimentos que devem ser adotados. Na semana passada, o prefeito de Maricá, Rio de Janeiro, Washington Quaquá, observou que Lula precisa fazer uma campanha mais povão, falar a língua do povo, juntar-se à multidão de eleitores, assim como vem procedendo o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro. Segundo Quaquá, Lula precisaria deixar de tratar temas, complicados, que não entram no cotidiano do eleitor comum. Excetuando-se as feiras e supermercados, onde os preços estão pelo olho da cara, talvez o Quaquá tenha razão.  

Podem ter certeza que, se Lula for derrotado nas eleições, faltarão espaço na imprensa para divulgar tantos diagnósticos. Hoje, 24, o que se diz é que o morubixaba petista pode reconsiderar a possibilidade de participar dos próximos debates. Estamos diante de uma disputa equilibradíssima. A vantagem de um sobre o outro neste momento é apenas numérica. Ora Lula aparece à frente, Ora aparece numericamente abaixo de Flávio Bolsonaro, mas, em ambos os casos, tudo dentro da margem de erro. Neste sentido, a ausência num debate poderia definir o jogo. Ontem aguardávamos o debate da TV Record, de Minas Gerais, entre os candidatos ao Palácio Tiradentes. Dos cincos candidatos convidados, apenas dois compareceram ao debate, esvaziando completamente a discussão sobre os rumos do estado a partir de 2027. 

Por falar em Minas Gerais, as últimas pesquisas de intenção de voto trouxeram um novo alento ao Palácio do Planalto. Pelo menos nas Alterosas, em algumas delas, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro. Minas, como se sabe, é um grande pêndulo político. A ocupação da cadeira do Palácio do Planalto passa, necessariamente por ali. Não apenas por ser o segundo colégio eleitoral do país, mas, sobretudo, por traduzir, em seu território, um pedacinho de cada região do país. Em Minas, caso essas pesquisas de confirmem, pode estar ocorrendo um fenômeno curioso. O eleitor pode votar num candidato de direita ao Palácio Tiradentes e em Lula para presidente. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Editorial: Lula confirma presença em Pernambuco



Os socialistas estão em estado de graça, preparando minuciosamente o roteiro da presença do presidente Luiz Inácio Lula ao estado. Acreditamos que Lula não aceitou o convite pelo apelo dos socialistas, mas, talvez, para ajudar o companheiro de todas das horas, o senador Humberto Costa. Os socialistas têm reclamado que Lula não demonstra o empenho que se esperava no concerne ao apoio aos candidatos socialistas nesta campanha. Mas isso é muito relativo. O cálculo, neste momento, é outro. Subtraíram verbas de campanha do candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad. Havia uma perspectiva de que o morubixaba petista poderia participar de um evento na cidade de Sobral, no Ceará, reduto da família Gomes. Elmano de Freitas, que concorre à reeleição ao Governo do Estado, é do PT. Situações assim devem ocorrer por todo o país. 

O jogo está bastante equilibrado e o pragmatismo passa a ditar as regras das movimentações de Lula nesta reta final de campanha. O que poderia ter ajudado um pouco nesta decisão é a estratégia de segurar um apoio já explicitado em diversos levantamentos de pesquisas de intenção de voto, ou seja, Lula tem o dobro das intenções de voto de Flávio Bolsonaro no estado. Caminha ao lado e João Campos(PSB-PE), mas sem perder de vista a necessidade de não constranger a governadora Raquel Lyra(PSD-PE), quando se sabe que um contingente expressivo de seus eleitores votam nela e em Lula, assim como alguns dos seus aliados estão comprometidos com a reeleição de Humberto Costa ao Senado Federal.

As mais recentes pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado mostram um quadro de bastante equilíbrio, embora a governadora ainda mantenha uma vantagem numérica sobre o socialista. É difícil calcular os reais danos daquele vídeo infeliz com uma fala da governadora sobre a esterilização feminina, mas o fato de ela tentar se explicar a todo tempo evidencia o alto custo. Uma fala infeliz. Ainda esta semana deve sair novas pesquisas de intenção de voto. Sua vantagem sobre o socialista já esteve bem mais confortável. 

 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Editorial: A nova Quaest em Pernambuco



Há um percentual até expressivo de eleitores que ainda não se decidiram sobre quem vão conduzir aos governos estaduais e à Presidência da República. Isso funciona como uma espécie de funil. À medida em que se aproxima o pleito, a tendência é esse percentual ir diminuindo gradativamente. As novas pesquisas de intenção de voto já podem traduzir esse funil, daí se tornarem cada vez mais importantes para a definição do jogo eleitoral. Ontem, 21, por encomenda da Rede Globo e do jornal O Globo, foram divulgados os números do Instituto Quaest para a Presidência da República. No segundo turno, o candidato Flávio Bolsonaro já aparece numericamente à frente do presidente Lula: 42% a 41%. Escores estritamente dentro da margem de erro, mas há quem assegure que esta tendência de crescimento do bolsonarista pode se confirmar nas próximas pesquisas, indicando que ele poderá ser eleito o novo presidente do país. 

Se considerarmos as dificuldades que a candidatura de Lula enfrenta neste momento, tal hipótese não é de todo improvável. Um tiro no escuro, para usarmos uma linguagem popular. Falta programa, falta experiência administrativa e sobram as evidências de eventuais agravamentos das encrencas institucionais e internacionais, se considerarmos os padrões de relacionamento do bolsonarismo com o Governo dos Estados Unidos. Hoje deve sair os dados do Instituto Quaest em relação à disputa eleitoral em Pernambuco. Ontem tivemos o debate da TV Guararapes, onde prevaleceu, finalmente, as questões administrativas da gestão da governadora Raquel Lyra e do ex-prefeito do Recife, João Campos. Um ponto muito positivo do debate, até mesmo para os gestores fazerem uma autocrítica e, se novamente eleitos, ficarem atentos às falhas de sua gestão. 

O candidato do Psol, Ivan Moraes, sempre se pautando pela defesa de boas causas, quando, por exemplo, questionou a derrubada de milhares de árvores na Mata de Aldeia para a construção da Escola de Sargentos. Lulista ferrenho, Ivan Moraes pontuou criticamente as duas gestões, dando a dimensão do seu trabalho importante como vereador do Recife. Ivan é um dos vereadores mais atuante na Casa de José Mariano, conhece bem o Recife, conhece bem o estado, sempre traz contribuições importantes ao debate político. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Editorial: Pesquisa BTG\Nexus para a Presidência da República



Acaba de sair a pesquisa de intenções de voto para a Presidência da República, realizada pelo Instituto Nexus, com o patrocínio do Banco BTG\Pactual. Mais tarde, possivelmente durante a transmissão do Jornal Nacional, deve ser divulgado o levantamento do Instituto Quaest. encomendado pelo jornal O Globo. No que concerne aos dados do Nexus, se considerarmos as últimas pesquisas divulgadas até aqui e, principalmente, a margem de erro com a qual esses institutos trabalham, Lula aparece um ponto à frente de Flávio num eventual segundo turno, mas Flávio já pode ter ultrapassado o petista. O voto bolsonarista consolidado e o voto antipetista estão produzindo esse equilíbrio rigoroso na disputa. Nesta pesquisa, no segundo turno, Lula aparece com 46% e Flávio com 45%. A pesquisa está registrada no TSE-BR-00485/2026. 

Exceto por aqueles eleitores que votariam no filho do capitão por uma grande identificação com Jair Bolsonaro, há um contingente de eleitores que estão votando em Flávio em razão da fadiga produzida pelo PT. Hoje estávamos lendo que o morubixaba petista já estaria fazendo uma autocrítica em suas falas, reconhecendo que poderia ter feito mais. Diferente, talvez fosse o termo mais correto. A rejeição ao nome de Flávio Bolsonaro, por tudo que ele representa do legado negativo da experiência bolsonarista, não está sendo suficiente, desta vez, para impedir sua ascendência nas pesquisas de intenção de voto. O nome de Augusto Cury, do Avante, embora tenha acenado para uma possibilidade de crescimento, sugere-se que já tenha encostado no teto, um teto entre 8 e 11% das intenções de voto, algo parecido com os escores de Ciro Gomes, no passado, quando disputou quatro eleições presidenciais. 

Por falar no Ceará, os últimos acontecimentos registrados naquele ente federado são sensivelmente preocupantes. Alguns analistas já acenam para um diagnóstico de colapso na segurança pública há poucos dias das eleições de 04 de outubro. Muito cobrado, o governador Elmano de Freitas(PT-CE), que concorre à reeleição, tem intensificado as operações contra o crime organizado nos últimos dias, mas sugere que ainda insuficientes para aplacar a sanha das facções que atuam no estado. Agora deram para esquartejar suas vítimas, fenômeno que também passou a ser registrado no estado da Paraíba, onde três mortos tiveram suas cabeças decepadas.  

domingo, 20 de setembro de 2026

Editorial: Afinal, quem guarda os guardiões?

Mafalda Anjos


Se sobrevivermos à tempestade institucional que o país enfrenta neste momento, talvez tenhamos uma reforma do judiciário nos próximos anos. Não é possível que as coisas continuem como estão. Hoje, 20, este é o assunto principal dos principais veículos da chamada "Grande Imprensa", a exemplo de O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e O Globo, o jornal da família Marinho. Como sai na sexta-feira, a revista Veja antecipou o debate, trazendo uma grande reportagem sobre o assunto em sua matéria de capa. São editoriais, reportagens densas, algumas delas buscando inspirações até entre os filósofos gregos. Afinal, quem guarda os guardiões, quem vigia os vigilantes? Muito interessante o vídeo da jornalista Mafalda Anjos, correspondente da Folha em Portugal, que traça um panorama completo acerca do perfil e da dinâmica da Suprema Corte brasileira, com as suas peculiaridades que a distingue das demais supremas cortes pelo mundo. 

Em países como Portugal, por exemplo, as pessoas sequer conhecem quem são os juízes que integram a suprema corte do país. Na condição de professor, em se tratando da suprema corte americana, a único caso que nos chamou atenção foi a indicação, por parte do ex-presidente George Bush,  de um negro conservador para integrar aquela corte, mencionado num dos livros do sociólogo jamaicano Stuart Hall. Segundo Stuart, George Bush tentou medir a reação da sociedade americana e obter dividendos políticos com a indicação. Ele fez um jogo interessantíssimo, minuciosamente analisado pelo sociólogo, pois o negro indicado tinha posições conservadoras, arestas com grupos feministas. É interessante observar, neste caso, os "cálculos políticos" do ex-presidente americano, daí nos referirmos ao assunto durante algumas aulas.  

No caso do Brasil, a situação é sensivelmente complicada, uma vez que este enredo que preocupa vem de alguns anos. Lula está tão encaracolado com o STF que isso passou a ser um dos motivos de apreensões de seus assessores de campanha, a exemplo do Presidente Nacional do PT, Edinho Silva, que admitiu recentemente que a crise no judiciário pode prejudicar Lula. Do outro lado, com chances, um candidato enredado em indisposições com o STF, como é o caso do bolsonarista Flávio Bolsonaro. Ou seja, seria o continuísmo de uma relação que precisa ser, necessariamente, repensada ou um eventual acirramento das tensões. Que situação, caro leitores!Um bom domingo a todos. 

sábado, 19 de setembro de 2026

Editorial: Lula vem ao Recife?


A expectativa é que sim, embora haja muitas controvérsias em torno do assunto. Em regra geral, Lula tem se movimentado menos nessas eleições e menos ainda em territórios onde estão em disputa pelo Governo do Estado aliados socialistas. Aqui em Pernambuco, ocorre um fato curioso. Há um contingente expressivo de eleitores de Lula que irão votar na governadora Raquel Lyra, do PSD, principal adversária do aliado socialista, João Campos. Mais um motivo para as reticências do morubixaba petista. Um outro fator crucial é que muitos prefeitos e lideranças ligadas à governadora já assumiram compromisso de voto no candidato ao Senado Federal, Humberto Costa, a grande referência de Lula no estado, prioridade de reeleição da legenda. Embora as dificuldades de reeleição estejam evidentes, em estados como Pernambuco Lula ainda preserva seu capital político, daí se entender porque João Campos faz questão de sua presença. 

Hoje, 19, repercute bastante o aumento concedido pelo presidente Lula aos beneficiários do programa Bolsa Família, já julgado como normal pelo Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Os efeitos práticos do benefício só serão sentidos no segundo turno das eleições presidenciais. Se havia alguma expectativa diferente no Planalto, a intenção falhou. Lula chegou a dar um UP na campanha no sentido de resolver o jogo ainda no primeiro turno, mas sabe-se que esta hipótese é cada vez mais remota. O jogo está muito equilibrado e, no segundo turno, o candidato Flávio Bolsonaro poderá contar com apoios que podem definir o jogo ao seu favor, a exemplo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Dizem até que assessores de Lula já estão tentado uma aproximação com o candidato do Avante, Augusto Cury, de olho nas alianças do segundo turno. Simplesmente não dá para conversar com os demais. 

A revista Veja desta semana expõe a crise no Supremo Tribunal Federal e como ela pode repercutir nas eleições de 04 de outubro. A Ministra Cármen Lúcia, conforme já discutimos por aqui numa outra ocasião, já traduziu isso muito bem em sua fala durante a sessão do último dia 15. Pelo andar da carruagem política, corremos um sério risco de agravamento desta situação, se considerarmos a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, com arestas institucionais evidentes. Na própria revista, uma matéria sobre eventuais desconfortos e inconformismos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na prisão, o que pode levá-lo a expor ainda mais as autoridades da República que não resistiram aos seus mimos, traduzidos em  dinheiro, charutos, viagens, whiskies e mulheres estonteantes. 


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Editorial: O que a Folha pensa sobre Flávio Bolsonaro?


No dia de ontem, 17, talvez escaldado em razão das reações das hordas bolsonaristas, resolvemos abordar um outro assunto que não este do editorial. Em 2016, quando a campanha do senhor Jair Bolsonaro ainda não havia assumido aquela condição de favorita, publicamos um artigo que chegou a ser lido por um grupo de direita ativo, afinado, naturalmente, com o bolsonarismo. A reação foi imediata, extrapolando aqueles padrões civilizatórios com o qual se espera que sejam tratados os adversários políticos. Fazemos isso por aqui. Nunca destratamos ninguém. Um bom exemplo são os atores políticos Carlos Viana, senador pelo estado de Minas Gerais, e o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar, vice na chapa de Carlos Bolsonaro, tratados aqui como homens públicos que honram cada um dos votos recebidos pelos seus eleitores. 

De qualquer maneira, observo aos mais exaltados que estamos tratando aqui de editoriais de dois grandes jornais, O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo, que publicaram recentemente duas opiniões sobre o candidato bolsonarista. A ênfase se dá em relação à inexperiência em gestão da máquina pública; as credenciais políticas insuficientes - que não o credenciam a assumir um cago de tamanha relevância -; um eventual pendor autoritário e de enfrentamento institucional, e, por último, mas não menos importante, a sua relação com os Estados Unidos, onde a questão da soberania nacional poderia ser prejudicada. Como já teríamos afirmado por aqui antes, o que ocorre neste momento é que estamos diante de uma eleição presidencial atípica, marcada por uma polarização política perniciosa, onde as opções que disputam com favoritismo a cadeira do Palácio do Planalto, cada uma ao seu modo, enfrentam problemas. 

O Estadão, até recentemente, também publicou uma matéria em editorial onde afirma que Lula, definitivamente, não está preocupado nenhum pouco com as contas públicas. Isso antes de ser anunciado um novo reajuste para o programa Bolsa Família, há 14 dias das eleições de outubro. Além desse pântano de incertezas, ainda convivemos com uma crise institucional sem precedentes,  onde o Judiciário deixou de ser árbitro para fazer parte do processo eleitoral, talvez até quem sabe, como observa alguns analistas, sendo decisivo para a definição do pleito. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Editorial: Quaquá abre o jogo sobre a campanha de Lula



Washington Quaquá, prefeito petista de Maricá, é uma figura polêmica dentro do PT exatamente por se pronunciar sobre temas nevrálgicos ao partido. Desta vez ele se pronunciou sobre a campanha de Lula, afirmando que a comunicação está fazendo tudo errado. Enquanto Flávio Bolsonaro se expõe, aparece nos supermercados apontando a carestia dos itens básicos da feira do eleitor, Lula se debruça sobre temas complicados que, sequer, entra no cotidiano do eleitorado. Para nosso orgulho, ontem estávamos lendo uma matéria sobre a comunicação show que os candidatos do Nordeste estão realizando, a exemplo de Ciro, no Ceará, JHC, em Alagoas, ACM Neto, na Bahia, Raquel Lyra, em Pernambuco. 

Segundo tal avaliação, o Nordeste realiza as melhores campanhas de comunicação política neste momento. Ponto positivo para o nosso marketing político. O articulista atribui esse feito às figuras de Duda Mendonça e João Santana, que, neste momento, coordena duas delas, a de Ciro Gomes, no Ceará, e a de ACM Neto, na Bahia. Seriam as sementes plantadas por esses dois mestres que estão frutificando. Entende-se, em parte, o que Quaquá está afirmando, embora seja necessário se fazer as ponderações evidentes em torno do assunto. Lula não teria argumentos para fazer alguma tomada dentro de um supermercado. Flávio, na oposição, naturalmente, se sente mais à vontade nesta missão. Nesta reta final, o candidato Bolsonarista, aliás, vem imitando outros nomes da política latino-americana, a exemplo de Javier Milei, na Argentina. 

Ontem, 16, em discurso no Marco Zero, aqui no Recife, ele apareceu com um facão, fazendo alusão a uma proposta de castração química a quem cometer abusos sexuais contra menores. Aconselhamos aos leitores que leiam um editorial da Folha, onde o jornal paulista analisa o perfil do candidato que pode se tornar o novo presidente da República, sobretudo se considerarmos os percalços da candidatura petista neste momento. Há vinte dias das eleições de outubro, possivelmente aconselhado por assessores, Lula passou a ser mais contundente em ralação à crise no Supremo Tribunal Federal. Talvez seja um pouco tarde.    

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Editorial: A fala consequente de Cármen Lúcia na sessão de ontem do STF


Por uma iniciativa da ONU, ontem, 15, foi comemorado o dia da democracia. O Brasil, no entanto, em plena campanha presidencial, parou para acompanhar uma sessão polêmica no Supremo Tribunal Federal, onde se discutiu a possibilidade de investigação de um dos membros da Suprema Corte. Acompanhamos toda a sessão, assim como milhões de brasileiros, que deixaram alguns dos seus afazeres cotidianos para ficarem de olho na telinha, observando os desdobramentos das discussões em torno do assunto. Embora em clima naturalmente tenso, em função do que estava em jogo, nada justifica alguns excessos proferidos durante a reunião, onde os tratamentos protocolares foram negligenciados em alguns momentos.  

A Ministra Cármen Lúcia fez a melhor fala da sessão. Não apenas por ter pedido desculpas aos brasileiros por chegarmos a tal situação, mas, sobretudo, por invocar duas questões cruciais. A primeira delas diz respeito às eleições de outubro, que perderam a importância diante do que se discutia naquela sessão do STF, num indicativo de alguma patologia política enfrentada pelo país. O mais grave disso é que, a depender do rumo da sessão do dia 15 - que pode se prolongar pelos próximos três meses - poderia se prever um eventual resultado do pleito. A Suprema Corte perdeu aquela condição de isenção, equidistância que seria salutar num regime democrático. Nós estamos tendo uma eleição presidencial profundamente comprometida. 

Flávio já aparece superando numericamente Lula em algumas sondagens, mas acreditamos que até os bolsonaristas roxos sejam incapazes de mencionar alguns tópicos de um eventual governo do filho de Jair Bolsonaro. Como Lula já está tentando um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, nós já conhecemos o receituário temerário que pode levar o país a uma situação econômica preocupante. Economistas de todas as matizes ideológicas afirmam que podemos mergulhar numa recessão, caso as contas públicas não sejam ajustadas. Um outro dado levantado pela Ministra Cármen Lúcia diz respeito à confiança nas instituições. Em certas situações, como ela mesma admitiu em sua fala, o Judiciário, em vez de transmitir segurança, está transmitindo, na realidade, insegurança à população. 

Este último tópico é o mais importante. O Ministro Luiz Fux, em sua fala, observou que as instituições policiais estão subordinadas aos ministros do STF. Não se concebe que uma instituição policial passe a monitorar algum ministro daquela Corte, conforme se sugere que possa ter ocorrido. A partir de 2016 passamos a observar este fenômeno no país, ou seja, uma instrumentalização das instituições concebidas constitucionalmente como instituições de Estado. Isso é típico de governos que vão perdendo os pudores democráticos. Uma das coisas que mais nos intrigou é que, no seu terceiro governo, Lula foi demasiadamente tímido no enfrentamento dessa questão. Uma assepsia institucional meia boca, como se diz no popular. 

sábado, 12 de setembro de 2026

Editorial: Datafolha devolve alento à campanha de Lula


No próximo dia 15 deve ser tomada uma decisão em Brasília que, segundo alguns analistas, pode definir o destino de Lula nessas eleições. Dependendo dessa decisão, o petista ainda pode manter suas expectativas de vitória na eleição presidencial. Não está sendo fácil para o Planalto enfrentar uma eleição num clima de instabilidade institucional jamais visto no país. A decisão a ser tomada no dia 15, segundo pesquisas realizadas por um desses grandes jornais, terá influência direta sobre os rumos da eleição ou, mais precisamente, sobre o destino do petista. A pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no dia de ontem, 11, trouxe um novo alento ao Planalto. 

Em dias anteriores, institutos como o Atlas/Intel chegou a apresentar o candidato Flávio Bolsonaro, numericamente, à frente do petista, embora dentro da margem de erro do instituto. O Datafolha foi mais generoso com o petista. Lula aparece ali com 46%, das intenções de voto, superando o seu principal oponente, Flávio Bolsonaro, que crava 44%, num eventual segundo turno. Lula afirmou que gostaria de vencer as eleições ainda no primeiro turno, entendendo que uma disputa no segundo turno seria complicada. É muito provável que a eleição vá para um segundo turno que ele, pessoalmente, entende como algo complicado. Lula enfrenta dificuldades desde o início, a começar pela decisão de disputar mais uma eleição, diante da fadiga de material de três gestões, o peso da idade e o agravamento dos entreveros com o governo dos Estados Unidos.

Há análises apontando que Lula poderia manter a mesma performance da eleição anterior em estados da região Sudeste, mas sua hegemonia em regiões como o Nordeste encontra-se ameaçada. Há um equilíbrio de forças muito grande em estados como o Ceará e a Bahia, onde adversários podem derrotar a hegemonia de governos petistas. A situação não é tranquila nem em Pernambuco, berço do petista, onde a governadora Raquel Lyra aparece à frente do seu oponente, João Campos(PSB-PE), nesta mesma Datafolha: 47% a 42%. Escores ainda dentro da margem de erro, mas o dado a ser considerado e a "resiliência" da governadora na dianteira das pesquisas desde algum tempo. 

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Finalmente os debates


Hoje, 11, por volta das 9h, começou o debate organizado pela emissora de rádio de Caruaru, 99.7FM, debate transmitido a partir do auditório do Shopping Difusora, naquela cidade, berço político da governadora Raquel Lyra, que concorre à reeleição ao Governo do Estado de Pernambuco. Ivan Moraes, o candidato do PSOL, procurou mostrar independência em relação aos dois postulantes, mas, aqui e ali, o seu sotaque de militante de esquerda não pode ser ocultado. Por exemplo, nos questionamentos à governadora sobre a opinião dela sobre o Governo Bolsonaro, assim como em relação à privatização da Compesa, processo que o país segue um caminho inverso às experiências desastrosas de alguma países, a exemplo do Chile, que voltou a reestatizar os serviços de fornecimento de água. 

Ele tem razão. Não se conhece uma experiência exitosa acerca da privatização ou concessão de serviços de água e saneamento. A Compesa registrou, ao longo de seu processo, lucros expressivos, assim como a Sabesp, de São Paulo, recentemente privatizada. O Governo de São Paulo privatizou uma empresa superavitária, um verdadeiro colosso. O Brasil parece que não aprendeu nada com a experiência mundial em relação ao assunto. Ele não vai se ofender aqui comigo, mas consideramos que ele foi menos contundente com o candidato João Campos, embora tenha atacado pontos nevrálgicos de sua gestão na Prefeitura da Cidade do Recife, como os índices de feminicídio registrados em sua gestão.  

A esquerda tem sempre uma boa pauta e o candidato Ivan Moraes se saiu muito bem. Aos ataques desferidos pelo adversário João Campos, a governadora respondeu com trabalho, obras, realizações, competência e, principalmente, compromisso com a população do estado. Especialistas já preveem uma refrega para o aliado de Lula no estado. Infelizmente, o debate que estava sendo pensado pela emissora  TV Nova Nordeste não foi confirmado. Iniciativas de debates públicos são sempre bem-vindas e a Rádio 99.7FM está de parabéns pelo debate realizado, o que já uma tradição daquela emissora. Os anteriores não acompanhamos porque não sabíamos que eles possuem um canal no Youtube. 

Editorial: Flávio já aparece numericamente à frente de Lula na Atlas/Intel



O candidato Luiz Inácio Lula da Silva não enfrenta um bom momento em sua campanha de reeleição. Aliás, como externamos por aqui em momentos anteriores, a campanha de reeleição de Lula nunca engrenou efetivamente. Nunca manteve uma distância segura do seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, o candidato do bolsonarismo. Tal equilíbrio de forças seria até natural, mas sempre que Lula esteve no jogo, seus estrategistas de campanha encontraram sempre um caminho, uma brecha, que tornou viável sua vitória nas urnas. Desta vez as coisas estão mais difíceis, conforme eles próprios admitem. As últimas pesquisas apontam que a "boca do jacaré" se fechou completamente. E, agora, para complicar o cenário, mesmo diante de uma república de escândalos, a candidatura de Flávio Bolsonaro se mantém competitiva. 

Talvez porque ninguém se possa declarar completamente isento desses escândalos que estão pipocando no país. A imprensa publicou ontem que os assessores do Planalto estão estimulando a exploração da Operação Make Up, realizada ontem pela Polícia Federal, que envolve eventuais desvios de recursos públicos para o financiamento do filme Dark Horse. Imagino que os chargista já estejam utilizando a imagem de um Flávio Bolsonaro participando de um rodeio, montado num cavalo, resistindo aos solavancos. Essa pesquisa do Instituto Atlas/Intel, divulgada ontem, mostra o quadro de dificuldades do presidente Lula. Num eventual segundo turno, Flávio aparece com 46,4%, enquanto Lula pontua com 46,2%. 

Considerando-se a margem de erro do instituto, a diferença é irrisória, mas tem combustível para animar a militância. Mas não é só isso. Numa entrevista recente, diretor do Instituto Quaest, o cientista político Felipe Nunes aponta um dado que ele considera crucial: Flávio ultrapassou Lula num estado determinante da região Sudeste: Minas Gerais, estado referência quando estamos tratando de uma eleição presidencial. Felipe Nunes deve estar se referindo aos levamentos do seu próprio instituto, o Quaest. A pesquisa do Atlas\Intel ouviu 5000 pessoas, no período entre 04 e 09 de setembro, com margem de erro de 1 pp e índice de confiança de 95%. Está registrada no TSE-BR - 01452/2026. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Editorial: Operação Make Up


A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União realizam na manhã de hoje, 10, uma mega operação contra eventuais fraudes, peculato, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos envolvendo a realização do filme Dark Horse, que trata da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A operação está sendo realizada em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, onde cumpre-se 49 mandados de buscas e apreensões. Os dois principais alvos dessa operação é o deputado federal por São Paulo, Mário Frias, do PL, além da produtora do filme, Karina Gama. Na realidade, o enredo da realização desse filme daria um outro filme ou uma série para alguma plataforma de streaming. 

Toda a operação para a realização dessa película está envolta em situações que requerem maiores esclarecimentos. Há alguns "hiatos" que até hoje não foram bem esclarecidos, como, por exemplo, os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Hoje, por exemplo, como se os rolos anteriores ainda não fossem suficientes, estamos tratando agora de eventuais desvios de dinheiro público através de emendas parlamentares. Em tese, emendar que deveriam ter uma finalidade de conversão em serviços prestados à população podem ter sido desviadas para outras finalidades, num artifício que, aliás, está e tornando até recorrente. Infelizmente. O famigerado orçamento secreto, como já se previa, facilitou essas práticas ilícitas. 

Hoje o dia será pequeno para as especulações em torno desta operação, sobretudo neste climão de instabilidade institucional em que o país está mergulhado. Há praticamente 20 dias das eleições de outubro, o que se discute é a repercussão de uma operação como esta no contexto do equilíbrio de forças que disputam, neste momento, as atenções do eleitorado. Tudo sugere que vamos ter uma eleição presidencial disputadíssima, voto a voto. O indivíduo não pode nem piscar. Vamos aguardar seus desdobramentos.