CONTEXTO POLÍTICO.
Análise e notícias atualizadas sobre a política de Pernambuco e do Brasil
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Editorial: Master tentou calar a jornalista Malu Gaspar
No plano federal, fala-se muito nos chamados gabinetes do ódio do partido X - e do partido Y também - mas aqui em Pernambuco, um jornalista confidenciou-nos sobre a existência, tempos atrás, de um Gabinete da Sacanagem, que tinha como objetivo "cancelar" ou "desacreditar" os críticos do governo de turno. Pernambuco é terra do familismo amoral. Ainda ontem, 02, comentamos isto por aqui. Edward Banfield morreu em 1999, com 87 anos, mas suas análises sobre a excrescência de núcleos familiares no controle do aparelho de Estado continuam perenes, produzindo prejuízos gigantescos ao interesse público. As categorias utilizados pelo cientista político americano, tantos anos depois, continuam perenes e aplicam-se, como uma luva, ao nosso estado.
A cooptação de agentes públicos e profissionais de imprensa era uma outra atividade do grupo. Sabe-se, por exemplo, que, possivelmente, sites e formadores de opinião possam ter aceito essas propostas indecorosas. A ideia era formar uma "opinião pública" contra a venda do banco ao BRB. Malu resolveu seguir os conselhos de George Orwell, ou seja, seguiu a cartilha do verdadeiro jornalismo, dizendo o que alguns senhores que se sentem intocáveis não gostariam que fosse dito.
Editorial: Atlas\Intel\Bloomberg sobre a percepção da população sobre o suposto envolvimento de Jaques Wagner com o escândalo do Banco Master
O pessoal de O Estado de São Paulo realizou um trabalho interessante acerca do envolvimento de atores e partidos políticos em relação às maracutaias do Banco Master. Num infográfico, com direito ao registro de porcentagens, eles relacionam os partidos que foram cooptados no esquema de corrupção do banco. Como já havíamos antecipados por aqui, a "clivagem" ideológica passou longe das preocupações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quase todas as tribos políticas estão integradas no esquema, sendo o MDB, PP e o PL aquelas agremiações onde existem mais nomes enrolados. Mais do que nunca, nesses tempos bicudos, as "narrativas", se correspondem à realidade dos fatos ou não, quando bem trabalhadas, acabam se consolidando.
Ativos políticos podem ser transformados em passivos por equívocos operacionais, por exemplo. A maior apreensão de drogas já realizada no estado do Ceará, pela Polícia Civil daquele estado, deixou de ser capitalizada pelo governo Elmano de Freitas(PT-CE) e tornou-se um trunfo para a oposição. A droga não foi incinerada de imediato, suscitando uma polêmica dos diabos. Quando o governador Elmano de Freitas interrompeu o jogo do Brasil para acompanhar as providências do caso, o estrago já estava feito. A pesquisa realizada pelo Instituto Atlas\Intel, divulgada no dia de ontem, 02, aponta que, entre as pessoas que conhecem a Operação Compliance Zero, 74,3% acreditam que o senador Jaques Wagner poderia ter recebido vantagens indevidas do dono do Banco Master. Apenas 9,4% acreditam em sua inocência.
O estrago já está feito, principalmente se considerarmos as eleições vindouras, onde o senador disputa a renovação do seu mandato. 35,6% dos entrevistados envolvem o Governo Lula, apontando, como se diz popularmente, que o Governo poderia ter culpa no cartório. A pesquisa foi realizada com eleitores de todo o país, não sendo possível analisar a situação do caso do estado da Bahia, onde o senador disputa a renovação do mandato. A coluna Diário do Poder, no dia de hoje, no entanto, traz a informação de que o senador teria sido vaiado num evento na cidade de Lapinhas, interior do estado.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Editorial: Operação "Puro Suco do Rio de Janeiro"
A Polícia Federal desencadeou mais uma operação no Rio de Janeiro, desta vez traduzindo perfeitamente no seu título, o que ocorre, de fato, na quadra política daquele estado, onde a corrupção já penetrou em todas as entranhas do aparelho de Estado. A operação leva o curioso, mas emblemático nome de "Puro Suco do Rio de Janeiro", onde ex-presidente da ALERJ, bicheiro, facionados, filho de ex-governador e pastor evangélico vendedor de cigarros estão envolvidos. Nenhuma surpresa por aqui. Em Rio das Pedras, onde se formou o primeiro núcleo miliciano do estado, a partir das inocentes associações de moradores, em princípio, os ditos milicianos combatiam os narcotraficantes que atuavam naquela área.
Iniciava-se um processo de execuções, extorsões a comerciantes e exploração de alguns negócios, como alugueis, vendas de gás, transporte coletivo local e afins. Esses grupos contavam com a participação de pseudos agentes de Estado. Com o tempo, os traficantes perceberam que seria um bom negócio ampliar sua carteira de ofertas e passaram a explorar os mesmos mercados das milícias, que também passaram a estabelecer parcerias com grupos faccionados nesses empreendimentos. Hoje é difícil precisar onde há territórios genuinamente controlados por facções ou por milícias. Com o tempo, tantos as facções quanto as milícias perceberam que os templos evangélicos poderiam ser uma boa fonte de lavagem de dinheiro e passaram a investir nesses templos, sem qualquer pudor movido pelos princípios inerentes às Sagradas Escrituras. Hoje, o termo narcotraficante evangélico, por paradoxal que possa parecer, não se constitui surpresa. Nesses termos, um pastor evangélico vendedor de cigarros é "fichinha".
Já existe algumas boas obras no mercado tratando desses assuntos, algumas delas esclarecendo como os fuzis se juntaram às Bíblias. O Rio de Janeiro já é um narco estado e, infelizmente, o modelo vem se alastrando por outros entes federados, na iminência de colapsarem. Houve um tempo em que se dizia que as facções estariam financiamento dos estudos de advogados com o intuito de constituíram a defesa dos seus interesses futuramente. Hoje eles operam não apenas dentro dos Executivos - em todos os níveis - mas no financiamento de parlamentares para as câmaras municipais, estaduais e federal. Não precisa fazer grandes esforços para encontrá-los.
Editorial: "É preciso calar esta mulher" . As ameaças a jornalista Malu Gaspar
A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, vem realizando um trabalho verdadeiramente jornalístico, dentro daquela concepção orwelliana, que define a atividade onde se diz tudo o que algumas pessoas não gostariam que fosse dito. O mais é publicidade, segundo o autor de 1984. Essas pessoas incomodadas com o que a jornalista anda afirmando ou escrevendo estão nos altos escalões do nosso Executivo, do Legislativo ou do Judiciário ou até mesmo na esfera empresarial\financeira, a exemplo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Certamente, vem colecionado indisposições com esses senhores. A Polícia Federal teria encontrado, nas conversas do ex-banqueiro com um publicitário, falas comprometedoras que podem ate ser traduzidas como ameaças dirigidas a jornalista, possivelmente num momento em que ele ainda não havia sido detido.
Na realidade, salvo melhor juízo, muito mais do que o escândalo financeiro, essas ameaças, no caso anterior dirigida a uma ex-empregada do banqueiro, foi o que levou o STF a decretar a sua prisão imediata. Aqui em Pernambuco, num estado forjado pelo poder político de velhas oligarquias familiares, isso sempre foi um grande problema, mesmo numa época em que gozávamos de maior liberdade de expressão. O homem público pernambucano, salvo raras exceções, considera a crítica legítima como ofensa e usa todos os dispositivos de Estado para perseguir seus críticos. Ele é o Estado ou o aparelho de Estado é uma extensão do seu quintal. É a cultura das capitanias hereditárias, do familismo amoral.
Muita gente aqui na província já foi vítima dessa sanha, que não conhece limites éticos e, na realidade, esconde interesse obscuros, capitaneados por essas lideranças políticas, traduzidos em nacos explorados na máquina pública, raramente de forma republicana ou para atender demandas coletivas. Este foi o grande problema encontrado na aldeia italiana estudada pelo cientista político americano Edward Banfield, em séculos passados, mas que continua atualíssima quando tomamos como referência o caso pernambucano. Temos em nosso poder cópia de um conjunto de correspondências trocadas entre um cidadão afilhado que desejava vender uma coleção pessoal e pedia a interferência de um ator político com forte capilaridade na esfera pública. Coisa para deixar Banfield, que foi ex-professor de Harvard, se revirando na tumba. Nossa solidariedade a jornalista Malu Gaspar.
Editorial: O maior adversário de Flávio Bolsonaro em 2026
Sugere-se, em princípio, que não seja, necessariamente Lula o maior adversário de Flávio Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais de outubro. Apenas no dia de ontem, dois fatos novos ocorreram. Um relacionado a um suposto vídeo das famosas festas da cueca realizadas por Daniel Vorcaro, em Trancoso, na Bahia, que teria sido obtido pelo ex-governador Anthony Garotinho, que confirma, também em vídeo, que teria sido acionado por pessoas ligadas à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O vídeo ficou nas "entrelinhas", no plano das ilações ou insinuações e foi retirado logo em seguida, traduzindo-se como uma espécie de "recado". Ontem mesmo o candidato teve que se contrapor a uma fala do blogueiro Paulo Figueiredo sobre o voto feminino, informando que o mesmo não integra a sua pré-campanha.
Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, é um bolsonarista raiz. Está sempre ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em suas articulações junto ao Governo Americano. A fala de Paulo Figueiredo pode fermentar a tese de misoginia que já se tenta creditar na conta dos bolsonaristas. A resiliência da polarização política entre nós coloca Flávio como o candidato mais competitivo para enfrentar o projeto de reeleição de Lula. Nem a sua associação ao pedido de apoio a Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse" produziu efeitos com o potencial de defenestrar esta condição. Pelas últimas sondagens de intenções de voto, Flávio continua competitivo, novamente em empate técnico com o presidente Lula num eventual - diríamos que inevitável - segundo turno.
Essas indisposições dentro do próprio clã familiar, no entanto, pode produzir efeitos mais danosos à sua pré-candidatura. O fogo amigo, como se diz na estratégia militar, pode ser realmente mais perigoso. Daí se entender a convocação de "bombeiros", a exemplo de Valdemar da Costa Neto e da senadora Damaris Alves, para serenar os ânimos na família Bolsonaro. Muito mais do que a mídia andou divulgado no dia de ontem, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tomou três decisões importantíssimas. Licenciou-se do PL Mulher para cuidar da filha e do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro; Talvez não dispute uma cadeira de senadora pelo Distrito Federal e, por último, mas não menos importante, rompeu seu apoio ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Editorial: "Operação Chiado" da PF em Pernambuco.
Ficamos por aqui a imaginar como o efetivo atual da Polícia Federal reunirá as condições de combater tantos escândalos de corrupção no país. É preciso que o Governo Lula 3 autorize novos concursos para os quadros efetivos da instituição. Hoje, primeiro, a Polícia Federal está em Pernambuco realizando operações de buscas e apreensões relacionadas à Operação Chiado, que trata de fraudes em concursos públicos. Mesmo com todos os mecanismos de segurança adotados, essas fraudes continuam, infelizmente, ocorrendo. Há indícios fortes de que o próprio concurso nacional unificado, apresentado pelo Ministério da Gestão como uma grande inovação no serviço público - e, de fato, foi - supostamente, poderia ter sido também fraudado, possivelmente talvez numa dimensão que não prejudicasse o seu resultado.
A "Operação Chiado" teria começado em 2014, quando alguns candidatos que concorriam a um concurso público foram presos usando aparelhos de comunicação. A PF, possivelmente numa outra operação, também atuou no estado de Alagoas, onde um agente público - que teria a obrigação funcional de coibir tal prática - estava envolvido e comandando essas maracutaias. Outro dia ficamos sabendo que o rapaz, depois que conheceu o "mecanismo", resolveu inscrever a sua esposa num desses concursos. Nós viramos um país de escândalos sucessivos de corrupção. Antes mesmo do trabalho realizado em relação ao Banco Master, já se sabia da possibilidade de o mesmo problema está ocorrendo em outras instituições bancárias.
Enquanto escrevemos este texto, a PF atua firmemente na região do Amazonas, combatendo vários tipos de ilícitos, como fraudes em licitações públicas municipais, garimpo ilegal, roubo de ouro, entre outros. No caso recente da apreensão de drogas no Ceará, a maior já realizada no estado, há grandes interrogações sobre os reais motivos da não incineração de uma grande quantidade de drogas, avaliadas em mais de 200 milhões de reais.
Começa hoje o Festival Caminhos do Frio no Brejo Paraibano
| "Quintal" do Engenho Laranjeira\Serraria |
Começa hoje, dia primeiro, o Festival Caminhos do Frio, na região do Brejo Paraibano. O festival começa em Areia e encerra na cidade de Alagoa Nova, passando ainda por Bananeiras, Pilões, Serraria, Martinha, Solânea, Borborema, Remígio, Alagoa Grande, a terra de Jackson do Pandeiro. Somos suspeitos para falarmos sobre o assunto, pois a região do Brejo Paraibano é uma festa para nos nossos olhos. Já produzimos inúmeras crônicas por aqui tratando daquela região. Sempre incorrendo na possibilidade de sermos repetitivos, optamos por reproduzir uma dessas crônicas antigas, publicadas por aqui, em anos anteriores.
Editorial: Os erros de comunicação de Elmano de Freitas
Esta grande apreensão de drogas realizadas recentemente no Ceará poderia ser um marco da gestão do governador Elmano de Freitas. Por alguns equívocos de comunicação ou mesmo eventuais falhas operacionais, no entanto, está se traduzindo como um grande trunfo para a oposição. Não apenas em razão da competência da comunicação da oposição, mas, sobretudo, em função da fragilidade da comunicação institucional do governo Elmano de Freitas. Ontem comentamos o assunto por aqui, sempre com os cuidados necessários para não cometermos injustiças, admitindo as falhas operacionais da ação policial, mas resguardando seus agentes. É um mérito que a Policia Civil tenha realizado a maior operação de apreensão de drogas já realizada no estado. O problema tem sido a gestão da operação, assim como, oficialmente, ela está sendo tratada pelo Governo do Estado que, além de não creditar na conta da gestão estadual os créditos da operação, ainda se atrapalhou bastante e pode transformar um ativo em passivo.
A oposição passou a pautar as ações do estado, o que se traduz como um erro primário de condução da crise. Elmano aparece em vídeo afirmando que interrompeu o momento de assistir o jogo do Brasil para se deslocar para Acopiara, com o objetivo de tomar as providências necessárias, ou seja, em síntese, responder a uma demanda da oposição. Já era tarde. Era melhor ter esperado terminar o jogo, onde, já no finalzinho, Gabriel Martinelli, fez aquele gol salvador. Este é apenas um dos inúmeros equívocos cometidos na condução da comunicação institucional do governo. Sobretudo em pleno projeto de reeleição, algo precisa ser feito e imediatamente.
Enquanto isso, aqui no estado, a comunicação institucional da governadora Raquel Lyra está nadando de braçadas. No dia do jogo, logo cedinho, ela aparece vestindo a camisa do Brasil, torcendo pelo selecionado brasileiro e entregando obras para a população. Os ajustes na comunicação institucional foi um dos fatores decisivos para a governadora virar o jogo na disputa deste ano para o Governo do Estado. Vamos deixar claro que estamos tratando aqui de um dos fatores, mas essencialmente importante.
terça-feira, 30 de junho de 2026
Editorial: Os eventuais equívocos em relação à droga encontrada em Acopiara
Ontem, 29, comentamos por aqui acerca de uma grande investida da Polícia Civil do Ceará, que encontrou uma fazenda na cidade de Acopiara, com 290 mil pés de maconha. É a maior operação de erradicação de drogas já realizada pelo Polícia Civil do estado. O caso está sendo muito explorado pela oposição, impondo-nos os cuidados necessários ao abordá-lo, principalmente neste momento pré-eleitoral, onde as narrativas são prolíferas. Hoje, 30, o governador Elmano de Freitas esteve no local, onde determinou providências e instaurou uma espécie de inquérito administrativo na Corregedoria da Polícia Civil com o propósito de apurar responsabilidades sobre eventuais falhas na condução da operação.
É como se a Polícia Civil, eventualmente, estivesse abandonado a operação antes da providências adotadas, neste caso, como a destruição da droga encontrada - uma grande quantidade foi mantida no local, armazenada em sacos para transporte - identificação dos proprietários da terra, indiciamentos, etc. Ao que sugere a oposição, supostamente, nada disso foi feito. A presença do governador ao local não se dá apenas pela quantidade de drogas encontradas. Há um indicador aqui de que, de fato, algumas falhas na condução desse processo poderiam ter sidos cometidas. Apontar responsabilidades e eventuais responsáveis é um trabalho do Ministério Público e da Corregedoria de Polícia do estado.
A cada momento que lemos alguma informação sobre o assunto, ele se torna mais confuso. Pela quantidade de drogas plantadas, o pessoal já operava no local há bastante tempo. Não se tratava apenas de plantação, mas de processamento de drogas, a julgar pela quantidade de entorpecentes ali encontrado, pronto para o consumo. Segundo se especula, a droga poderia ser transportada por helicópteros. O dono da propriedade seria uma pessoa com ligações políticas.
Editorial: O centrão sociológico de João Santana
Recentemente ocorreu no Rio Grande do Sul o Compol ( Congresso de Comunicação Política e Institucional), com a presença dos grandes nomes da comunicação política no Brasil, entre eles o marqueteiro João Santana, que já foi o responsável por campanhas de Lula e Dilma Rousseff, hoje o responsável pela campanha de ACM Neto, na Bahia, com chances de derrotar o PT na chamada República do Acarajé. Da fala de um profissional com um currículo tão expressivo, pode-se extrair muita coisa, mas chama a nossa atenção - e possivelmente chamou a atenção dos presentes ao evento - o que João classifica como uma grande miragem ou ilusão dos analistas políticos brasileiros, sempre batendo nesta tecla gasta da polarização ideológica.
Para João, há, no universo de eleitores brasileiros, uma espécie de centrão sociológico - por favor não confundam com o Centrão de Brasília - que é quem na verdade define as eleições no país. Trata-se de um grupo não orientado ideologicamente, que pode defender pautas aparentemente contraditórias, consoante interesses corporativos específicos. O cara pode votar no PT, por exemplo, para preservar o SUS, embora se identifique com medidas duras contra o crime organizado. Ou seja, um candidato como Flávio pode acenar para este enfrentamento de forma mais contundente, mas este mesmo eleitor pode se preocupar com a tendência dos bolsonaristas em mexer na estrutura pública do SUS.
O que vai definir o voto desse eleitorado determinante são essas variáveis, onde, possivelmente, o homem de marketing político, através das pesquisas qualitativas, poderia identificar. Isso nos fez lembrar de estudos interessantíssimos realizados pelo cientista político polonês, Adam Przeworski, quando este procede estudos importantes sobre o que determina o voto do eleitor. Ele menciona alguns exemplos interessantíssimos, como de um cidadão evangélico, casado com uma micro empreendedora, com um filho gay, que terminou a faculdade recentemente, mas não encontra oportunidade de inserção no mercado de trabalho. O que vai determinar o voto deste cidadão? Suas crenças religiosas, um aceno de micro-crédito para a esposa? Uma oportunidade de trabalho para o filho?
Nas inserções do candidato ACM Neto ao Governo da Bahia já é possível observar as eventuais digitais da presença de Joao Santana na campanha. ACM Neto foca não em disputas ideológicas com o PT, mas na ineficiência da máquina pública estadual, traduzida nos altos índices de violência, em obras faraônicas que nunca saíram do papel, a exemplo da gigantesca ponte que irá ligar Salvador à Ilha de Itaparica. ACM Neto faz um confronto de gestão, levando o eleitorado a se remeter ao período em que esteve à frente da Prefeitura de Salvador. No momento, aparece à frente de Jerônimo Rodrigues.
Editorial: A boca do jacaré voltou a fechar
As últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente voltam a indicar que a boca do jacaré do gráfico da disputa presidencial das eleições de 2026 voltou a fechar, ou seja, os índices de intenção de voto dos principais candidatos indicam um empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva(PT) e Flávio Bolsonaro(PL). Pesquisa do Instituto Genial\Quaest aponta que os não polarizados são 27% dos eleitores brasileiros. A pesquisa que saiu no de ontem, 29, realizada pelo Nexus\BTG, aponta que 74% dos eleitores já decidiram o seu voto, enquanto 25% ainda admitem mudar de voto, o que significa dizer que os não polarizados ou independentes devem decidir as próximas eleições presidenciais. A questão agora é como conquistar esses independentes.
Lula passou a surfar nos bons resultados alcançados pelo programa de bondades - mesmo sem lastro - ancorados nos grandes investimentos em comunicação institucional. Conforme mostramos ontem por aqui, o Governo Lula tornou-se o maior cliente da Meta. Os escândalos acabam não definindo muita coisa uma vez que, quase sempre, enredam todo mundo. É o sujo falando do mal lavado, como se diz no adágio popular. Com o reequilíbrio na dinâmica da disputa, os maiores problemas de Flávio Bolsonaro hoje se concentram nas brigas intestinas do seu próprio clã familiar. Uns não estão dispostos a ajudá-lo e outros tentam ajudá-lo e acabam atrapalhando mais do que propriamente ajudando.
Tarefa inglória a de candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos que tentam quebrar esta dinâmica da disputa presidencial no país. Esses 27% do eleitorado, conforme uma pesquisa já comprovou, até gostariam de votar num nome novo para a ocupar a cadeira do Palácio do Planalto, mas acabam, no final, tragados pela centrífuga da polarização, que um marqueteiro experiente já disse ser apenas uma grande ilusão. Na realidade, se quisermos concordar com ele, esses "independentes" acabam definindo o jogo, mas sempre se inclinando por um dos lados dessa polarização entre petistas e bolsonaristas. É aqui que reside o problema.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o impasse na federação União Progressista
Num encontro realizado no dia de hoje, 29, com forte participação de apoiadores, o deputado federal Eduardo da Fonte foi homologado como representante da União Progressista como candidato ao Senado Federal. É preciso tomar muito cuidado aqui com os termos usados aqui, principalmente quando se sabe que a própria União Progressista esta dividida em relação ao assunto. Há o entendimento, principalmente da banda do PP nesta federação, de que quem tem maioria entre o PP e o União Brasil nas esferas estaduais devem comandar as articulações da federação. O presidente do PP a nível nacional, o senador Ciro Nogueira, fez questão de lançar uma nota em apoio ao nome do deputado como candidato ao Senado Federal, numa aliança já referendada com a governadora Raquel Lyra.
O imbróglio ou impasse se traduz numa composição com a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) onde o nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho(UB-PE) representante do União Brasil, também pleiteia a indicação do seu nome na chapa da governadora, tendo já avançado algumas casas em relação ao seu concorrente da União Progressista, Eduardo da Fonte. Logo após a nota de Ciro Nogueira, Antonio Rueda, que dirige nacionalmente a federação, afirmou que nada que não for decidido a nível da federação no plano nacional teria validade nas quadras estaduais. Por enquanto, consenso mesmo apenas em apoio ao projeto de reeleição de Raquel Lyra.
É uma espécie de contraofensiva do grupo da União Brasil comandado no estado por Miguel Coelho. A governadora Raquel Lyra, que esteve no dia de hoje em Caruaru, assistindo o jogo do Brasil, mas entregando moradias à população, tem um abacaxi tremendo para descascar. Raquel formou um núcleo de apoio expressivo e, sempre que essas placas tectônicas se movem, ela se sente contingenciada a proceder arranjos complexos em sua base. Quem será sacrificado desta vez? Ela não pode abdicar do apoio do União Progressista. Na outra margem do rio, o PL pressiona para que ela empreste apoio ao palanque de Flávio Bolsonaro no estado.
Editorial: A maior erradicação de drogas do Ceará
Em breve vamos ter que reavaliar as informações sobre a antiga região conhecida como "Polígono da Maconha", uma região de 13 municípios localizados nos estados de Pernambuco, Bahia e Piauí, irrigados pelo velho Chico, no alto Sertão, com solo propício ao cultivo da Cannabis. Temos por aqui acompanhado as incursões da Polícia Federal pela região do Sertão do Cariri Paraibano, onde hoje se realizam grandes erradicações de erva plantadas ali, em alguns casos envolvendo ex-gestores públicos municipais. Hoje, poderíamos tratar de uma situação até recorrente. Agora nos chega a notícia da maior erradicação de plantação de maconha já realizada pela Polícia Civil do Estado do Ceará, desta vez ocorrida na cidade de Acopiara, Centro-Sul do Estado, numa área extensão, equivalente a quatro campos de futebol, com algo calculado em 29o mil pés, num espaço com toda estrutura montada, com pessoal, sementes, equipamentos de processamento e toneladas de material já processados.
Na prática, poderíamos estarmos tratando aqui de uma espécie de acampamento do crime organizado. A droga já saía dali pronta para o consumo. O fato poderia ser festejado pelo Governo Elmano de Freitas, do PT, mas, há males que vem para pior, como diria o jornalista Josias de Souza. Elmano vem sendo criticado pela oposição como um gestor que poderia ser mais efetivo no combate ao crime organizado no estado do Ceará. Uma apreensão ou erradicação de drogas neste montante poderia produzir um crédito favorável à sua gestão, mas não é isso o que está ocorrendo. Hoje as redes sociais da oposição foram inundadas de falas contra o fato de apenas 20% dessas drogas terem sido destruídas.
Não há como deixar de registrar por aqui o êxito do trabalho da Polícia Civil daquele estado. Não há como deixar de reconhecer o excelente trabalho realizado. Erradicar uma plantação de drogas numa área de quatro campos de futebol também não deve ser algo muito simples. A oposição está no seu papel, mas vamos dá um tempo. Hoje estamos vivendo um momento de "narrativas" que acabam se consolidando, sejam verdadeiras ou não. Faz parte deste momento delicado que estamos vivendo. Pelo andar da carruagem política, Elmano perdeu mais uma dessas "narrativas".
Editorial: Queda do analfabetismo no país
Este tema daria uma extensa discussão por aqui, a começar pelos abolicionistas Joaquim Nabuco e André Rebouças, que figuraram numa estirpe de abolicionistas que manifestaram uma preocupação sobre como inserir os ex-escravizados, na condição de homens livres, na sociedade brasileira. Esses ex-escravos precisavam de terra, teto, trabalho e, principalmente, de um projeto que os alfabetizassem. Este continua sendo o nó górdio das imensas desigualdades sociais no país. Ainda hoje mantemos no país as escolas para os bem-nascidos, os rebentos da Casa Grande, e a escola para a Senzala, que atende deficitariamente às demandas de uma camada social menos favorecida.
Assim, o país continua ostentando um dos maiores índices de desigualdades do mundo, concorrendo com os países mais fragilizados socialmente do continente africano. Uma imensa desigualdade social, se considerarmos o nosso PIB. Esta renitente desigualdade social é também algo que atropela a consolidação de uma democracia política entre nós. Um fato curioso que descobrimos até recentemente é que a questão do analfabetismo no país também carrega uma nódoa de gênero, ou seja, em sua maioria são mulheres, negras, envelhecidas, residindo majoritariamente em região como o Norte e Nordeste. Mesmo com o dado alvissareiro da PNAD, apontando uma queda de analfabetismo, esta característica permanece.
Recomendaríamos aos leitores um artigo escrito pelo professor e ex-Secretário de Educação do Estado de Pernambuco, Mozart Neves Ramos, publicado hoje, 29, na edição do Jornal do Commércio, onde ele praticamente "comemora" a queda dos índices de analfabetismo no país junto à população maior de 15 anos de idade. É um fato realmente a ser comemorado, principalmente por alguém que, como ele, dedica uma vida à educação. Segundo Mozart este fato é resultado dos bons frutos colhidos por políticas como "Todos pela Educação", como pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada(CNCA), que assume o compromisso de que toda criança deve ser alfabetizada antes dos 07 anos de idade. A queda é de 4, 9% pela primeira vez na História.
Editorial: "Águas que correm para cima"
É um fato que o Governo Lula tem investido bastante em publicidade institucional. Acompanhamos algumas delas, como a peça sobre o combate ao crime organizado, o Programa Pé-de-meia, assim como as obras de transposição das águas do Rio São Francisco, de fato, um das maiores obras de segurança hídrica do mundo. Ocorreram muitas polêmicas em sua fase inicial, mas hoje o que importa mesmo são os benefícios atingidos, alcançando populações que antes apenas conheciam a estiagem, o carro pipa e, sobretudo, a lata d'água na cabeça. Num trecho da peça publicitária há uma expressão interessante com referência às águas que correm para cima, ou seja, águas impulsionadas pelas estações de bombeamento.
Sobretudo neste momento que antecede às eleições de outubro - faltam apenas 100 dias - o Governo teria dado carta branca ao Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Institucional, o baiano Sidônio Palmeira. As peças as quais nos referimos aqui são veiculadas no YouTube, que é do Google, mas hoje, 29, a coluna Diário do Poder traz um levantamento interessante sobre a publicidade institucional que o Governo Lula faz em outra rede, a Meta, do Facebook e Instagram. O Governo se tornou o maior cliente das rede social de Mark Zuckerberg. São R$ 18,7 milhões investidos nos últimos três meses, de acordo com apuração da coluna. Coincidentemente, o segundo maior anunciante é o próprio partido dos trabalhadores, com R$ 2,7 milhões em três meses, ainda conforme a coluna.
Assim que assumiu a gestão da Secretaria de Comunicação Institucional, Sidônio Palmeira já antecipava as dificuldades de integrar a política de comunicação institucional do Governo Lula, assim como a "velocidade" das redes sociais, onde eventualmente fake news eram disseminadas por ali antes mesmo de o Governo anunciar suas realizações. A oposição ganhava de braçadas do Governo nas redes sociais. Isso talvez explique a preocupação do atual gestor da pasta em equilibrar este jogo por ali.
domingo, 28 de junho de 2026
Editorial: O atentado contra o tenente da Rota
Este não é um assunto que gostamos de tratar por aqui, mas, além da repercussão do caso, está ocorrendo uma grande comoção em relação ao estado de saúde do tenente Ronickson Pimentel Santos, que, segundo boletim emitido pelo hospital onde o Policial Militar está internado, é estável, mas gravíssimo. O policial da Rota foi vítima de uma tentativa de assassinato em São Paulo. Esta comoção talvez seja em razão da morte de sua irmã, Eloá Pimentel, uma irmã do tenente morta em cativeiro pelo namorado, em 2008. À época, o policial criticou a ação da polícia no episódio, que, segundo ele, teria demorado. As investigações iniciais, de imediato, descartaram qualquer vinculação entre um caso e outro.
O que chama a atenção neste caso - e igualmente preocupa - é a possibilidade real de o caso está relacionado a uma vingança do crime organizado contra ações da Rota na área onde o policial militar foi vítima do atentado. Esta é uma das linhas de investigações mais quentes. O grau de sofisticação dos preparativos sobre o atentado remetem, inexoravelmente, a um ritual identificado com atentados perpetrados pelo crime organizado. O policial foi monitorado sistematicamente enquanto estava numa academia, seguido e sofreu a tentativa de execução pelos seus algozes quando parou num sinal de trânsito, sem qualquer chance de reação, pois, certamente, não deve ter observado nada que suscitasse alguma precaução. Por falar em precaução, o pessoal do Raio, um batalhão motorizado do Ceará, fica de olho na retaguarda quando param num sinal de trânsito.
Pelas informações da polícia, havia um homem a pé, um carro e uma moto que conduzia os dois motoqueiros que tentaram executar o tenente. A polícia agiu com celeridade e eficiência neste caso, identificando boa parte dos partícipes do crime, mas ainda mantém cautela acerca das reais motivações. Ficamos por aqui torcendo pelo restabelecimento de sua saúde.
O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: João Campos põe a segurança pública na agenda dos debates de 2026
Os analistas políticos sugerem que o medo pode ser um dos grandes eleitores das próximas eleições no país. Aliás, não só no país, se considerarmos, por exemplo, o que ocorreu recentemente na Colômbia, onde o candidato ultra-direitista Aberlardo de la Espriella foi eleito com uma plataforma concentrado basicamente no enfrentamento radical ao crime organizado naquele país. Economia, saúde, educação continuam como bons eleitores, mas não restam dúvidas de que a questão da segurança pública passa a ser crucial neste momento, inclusive como tema primordial entre alguns postulantes ao Palácio do Planalto, a exemplo de Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Novo.
Contingenciado pelas circunstâncias, o Planalto se movimenta neste sentido ao lançar um plano de combate ao crime organizado, mas o plano tem algumas deficiências inerentes; conta com a má vontade de setores da Oposição - principalmente quando o tema se torna bandeira de campanha eleitoral - e não há tempo suficiente para o Planalto colher os resultados até o dia 04 de outubro, quando teremos o primeiro turno das eleições. Segurança Pública não pode ser tratada do dia para a noite. Exige ações sistemáticas, de longo prazo, bem articuladas. Principalmente no estágio em que nos encontramos, onde 40% dos cidadãos e cidadãs já convivem cotidianamente com o crime organizado - seja através de facções ou milícias - com ações em seus bairros.
Trata-se de uma tarefa gigantesca, com alguns componentes delicadíssimo, como a crescente "institucionalização" do crime organizado, ou seja, sua penetração no aparelho de Estado, seja no âmbito municipal, estadual ou federal. Na semana passada tivemos um daqueles finais de semanas nebulosos no estado, marcado por aquele episódio da morte de uma adolescente e sua mãe, em Timbaúba; atentados com mortes no Curado; uma adolescente encontrada morta em Jaboatão e o episódio da morte de um jovem, em plena Padre Lemos, em Casa Amarela, com características de uma execução muito bem planejada, realizada por homens encapuzados, usando roupas camufladas.
Isso talvez explique porque o candidato ao Governo do Estado nas eleições de outubro, o ex-prefeito do Recife, João Campos(PSD-PE), passou a bater na tecla da segurança pública. Pernambuco sempre ostentou a condição de um dos estados mais violentos do país. O ex-governador Eduardo Campos elegeu-se governador com o compromisso de baixar esses índices de violência, sintetizados pela morte de dezenas de pessoas em apenas um final de semana, narrados pela voz do repórter policial Gino César, com audiência estrondosa nos bairros da periferia da cidade. Alguém lembra disso? Num único final de semana eram registrados algo em torno de 30 mortes. O ex-governador Eduardo Campos cumpriu fielmente com a palavra empenhada durante a campanha.
Eduardo Campos participava integralmente das reuniões do Pacto pela Vida, premiava bons resultados, e cobrava, aos muros na mesa, as dificuldades no atingimento das metas estabelecidas. Um dos fatores para o êxito do programa foi exatamente esta integração efetiva do chefe do Executivo Estadual. O programa tornou-se referência internacional e criou escola como programa de segurança pública no país. Os governos socialistas que se seguiram ao do governador Eduardo Campos, convenhamos, não tiveram a mesma atenção ao programa, evidenciando aquilo que chamamos a atenção no início do texto, ou seja, em assuntos dessa natureza, a continuidade se impõe. Sobre como a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) está enfrentando essa questão é tema para um novo artigo.
sábado, 27 de junho de 2026
Editorial: É possível levar a sério este país?
Hoje, 27, o editorial do jornal O Estado de São Paulo é sobre o racha no clã Bolsonaro, onde o editorialista sugere haver algo de podre naquele reino, que se sustenta, em certa medida, em razão do antipetismo da sociedade brasileira. Valdemar da Costa Neto, Presidente Nacional do PL, e a senadora Damaris Alves estão atuando como bombeiros para evitar maiores estrados à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Pernambuco produziu um grande folclorista, Mario Souto Maior, ex-Promotor Público, que trabalhava na Fundação Joaquim Nabuco, dirigindo um núcleo especifico destinado a pesquisas e estudos sobre este tema. Mário era um folclorista das antigas, a exemplo de Câmara Cascudo, um potiguar que, desencantado com a medicina, deixou um dos maiores legados de estudos e produção nesta área no país.
Um dos livros mais famosos de Mário é sobre os Nomes Próprios Pouco Comuns, onde, através de uma vasta pesquisa em cartórios de todo o país, ele conseguiu reunir nomes muito engraçados e inusitados, a exemplo de: Um Dois Três de Oliveira Quatro, Restos Mortais de Catarina, Oceano Atlântico Linhares, Rolando Escadabaixo, Necrotério Pereira da Silva. Sempre que apareciam aqueles apelidos da famosa lista de propinas da Odebrecht, por algum motivo lembrávamos de Mario. Se ele ainda estivesse vivo, tínhamos aqui uma nova fonte de pesquisa interessante. Mas, na realidade, o assunto que provocou este editorial foi uma "justificativa" dada por cidadão encrencado no rolo de um recente escândalo de corrupção no país, onde ele advoga que pediu ao intermediário - segundo as apurações da Polícia Federal - para comprar um imóvel - que a PF acredita que tenha recebido como propina - para recomprá-lo depois.
E por aí vai. Um outro encontra uma justificativa para guardar em seu apartamento malas abarrotadas de dinheiro. Esconder dinheiro na cueca e coisas assim. É normal que um banqueiro envolvido até a medula em corrupção tenha financiado diárias caríssimas para um político que ocupa um dos cargos mais importantes da República? É a criatividade da malandragem brasileira imperando num país que realmente não pode ser levado muito a sério.
Editorial: A super-representação de Pernambuco no Governo Lula.
A Bahia, conforme observa a coluna, mesmo dando a Lula 72% dos votos na última eleição presidencial, tem apenas quatro ministros no Governo. Recentemente, também perdeu o líder do Governo no Senado Federal, Jaques Wagner, defenestrado do cargo quando teve o seu nome associado a escândalos envolvendo o Banco Master. Sai um baiano da chamada "República do Acarajé" e entra a senadora pernambucana Tereza Leitão, mulher de partido, fiel escudeira do Governo Lula, ilustre representante da "República do Leão do Norte". O Ministro Sílvio Costa Filho, que deixou o Ministério da Pesca recentemente, era um dos mais elogiados por Lula. André de Paula, que assumiu o Ministério da Agricultura, na cota do PSD, é um rebento da escola de Marco Maciel.
José Múcio Monteiro, Ministro da Defesa, é conhecido por sua habilidade na arte da conciliação, do apaziguamento. Lula não o dispensa, principalmente porque ele gerencia uma área das mais complexas, a militar, onde os reclames são grandes, principalmente em relação ao contingenciamento de verbas. Os pernambucanos são bons de conversas, articulações e até bons gestores. Isso explica, em parte, a ocupação de espaços relevantes no Executivo Federal.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Editorial: Alfredo Gaspar se consolida como favorito ao Senado Federal por Alagoas
Hoje, parte da crônica política nacional, por incrível que possa parecer, se dedicou a interpretar as mensagem subliminares contidas no vídeo de desabafo da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Alguém sugeriu que ela partiu para um enfrentamento mais ostensivo, indicando, talvez, que vem candidatura presidencial por aí. Consideramos precipitadas algumas dessas conclusões. A turma do PL tenta colocar panos mornos na fervura familiar, antevendo os eventuais estragos ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro. A crônica política pernambucana em particular envolveu-se numa discussão estéril sobre os eventuais apupos e xingamentos ao pré-candidato João Campos, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Há rumores de que não tenham sido espontâneos, mas armados. Um internauta divulgou um vídeo de Gravatá, onde houve uma ocorrência semelhante.
Já que estamos na região, vamos desembarcar na Terra dos Marechais, a Alagoas do escritor Graciliano Ramos, onde o deputado federal Alfredo Gaspar, de acordo com uma pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto TDL, liderada disparado a pesquisa para o Senado Federal. A pesquisa ouviu 1200 pessoas, entre os dias 20 e 22 de junho de 2026, com margem de erro de 2,7 pp e índice de confiabilidade de 95%. Mais importante, está registrada no TSE sob o número: AL-04608\2026. Neste pesquisa, Alfredo Gaspar aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Arthur Lyra pontua com 33.0%. Renan Calheiros crava 31.0 nesta mesma pesquisa.
A liderança de Alfredo Gaspar é uma espécie de reconhecimento do eleitorado do estado a um cidadão íntegro, dotado de espírito público, que vem prestando relevantes serviços à população alagoana e do Brasil, seja na condição de promotor, de integrante do GAECO, de Secretário de Segurança Pública e, principalmente, como relator da extinta CPMI do INSS, uma das mais séries já criadas, que produziu uma trabalho de investigação primoroso, apontando como aposentados e pensionistas foram roubados por picaretas de dentro e de fora do serviço público. Aliás, esses agentes agiam em conluio visando lesar os velhinhos.
Editorial: Ainda a polêmica das bets
| Crédito da Foto: Chico Ferreira\PSB |
As bets estão em todas. Das tradicionais festas juninas às transmissões da Copa do Mundo. A deputada federal, Tabata Amaral(PSB-SP), recentemente fez uma postagem nas redes sociais questionando a propaganda dessas bets, que hoje, conforme já expusemos, patrocinam um mundo de eventos. Por coincidência ou não, o "terrível" editorialista de O Estado de São Paulo, também envereda sobre o assunto, principalmente tocando no ponto nevrálgico, traduzido nos vícios em jogo e endividamento da população com essas práticas. Volta-se a bater na tecla da regulação. Houve uma época em que os beneficiários do Bolsa Família estavam estuporando o dinheirinho do benefício com esses jogos. Hoje parece existir algum controle por aqui. A própria banca inviabiliza as apostas dos beneficiários do programa. Ainda bem. Outra restrição diz respeito aos menores de 18 anos de idade.
Salvo melhor juízo, houve até abertura de CPI para tratar deste assunto, mas não se sabe os resultados do seu relatório final. Ao contrário, ocorreram à época denúncias cabeludas de que, supostamente, parlamentar que fazia parte da comissão poderia ter recebido sugestões de propina para ajustar os entendimentos em favor dessas bets. Eduardo Moura(Novo-PE), vereador do Recife, que faz oposição ao prefeito João Campos(PSB-PE), também em vídeo, elencou uma série de atividades da Prefeitura do Recife que, supostamente, teriam recebido algum tipo de patrocínio dessas bets. E não são poucas, segundo o combativo vereador, que cumpre, com denodo, o seu papel de fiscalizar o Executivo Municipal a partir do seu gabinete na Casa de José Mariano. É o seu papel precípuo.
Dentro de regras civilizadas, esses debates são sempre bem-vindos. Há um outro editorial do jornal paulista tecendo ponderações críticas a respeito de algumas falas do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, durante entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Editorial: Marília Campos recusa proposta do PT para o Governo de Minas Gerais.
Depois da recusa do senador Rodrigo Pacheco(PSD-MG) em concorrer ao Palácio Tiradentes com o apoio do PT, o partido ficou sem muitas alternativas nas alterosas. Já seria previsível que as sondagens recaíssem sobre o nome da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, uma liderança política em ascendência no estado. Psicóloga formada pela UFMG, Marília começou sua militância política atuando no Sindicato dos Bancários, foi vereadora e prefeita da cidade de Contagem por dois mandatos, onde construiu seu capital político, e, hoje, habilita-se, com créditos, para se tornar senadora pelo estado de Minas Gerais. Objetivamente, com a sua experiência, Marília entendeu que a proposta pode ser um equívoco crasso do partido.
Vamos usar o termo "equívoco" para não melindrarmos. Em sua resposta, Marília Campos sugere que não seria estratégico para o partido indicá-la como candidata ao Palácio Tiradentes, mantendo a sua disposição de disputar o Senado Federal pelo Estado. Na realidade, Pacheco nunca alimentou alguma expectativa em relação à disputa ao Governo de Minas Gerais. Esta é uma opinião pessoal, entendendo as disposições em contrário. Manteve esta possibilidade aberta enquanto costurava sua indicação à vaga que se abriu no Supremo Tribunal Federal. Estava tudo azeitado, com o apoio do Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, assim como membros da própria Suprema Corte, já haviam dado declarações favoráveis ao seu nome. Não teria dificuldades na aprovação do seu nome.
Mesmo diante do impasse com a sua não indicação por Lula para o STF, as conversas foram mantidas no sentido manter a expectativa em torno de uma disputa do aliado ao Governo de Minas Gerais. Algum tempo depois, Pacheco pôs uma pá de cal nessas articulações em torno do seu nome como candidato com o apoio do PT. Nos escaninhos de Brasília especula-se que o seu nome possa ser indicado para uma vaga aberta no Tribunal de Contas da União. Quanto a uma opção petista viável eleitoralmente em Minas Gerais... Vamos conversando!
Editorial: Vorcaro é transferido para a Papudinha
Por determinação do Ministro André Mendonça, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido da sede da Polícia Federal em Brasília, onde cumpria pena, para a Papudinha, onde já esteve preso o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há duas leituras aqui. A primeira é a de que as propostas de delação premiada malograram de vez. Tanto a de Daniel Vorcaro quanto a de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É comum o sentimento de que as propostas não avançam sobre o que a Polícia Federal já descobriu sobre esse esquema criminoso que vai muito além de uma fraude do sistema financeiro. Uma outra leitura é que o ex-banqueiro, por razões óbvias, não poderia cumprir pena em uma prisão comum, ora em razão da preservação de sua integridade física, ora em razão de eventuais contatos indesejados para o rumo das investigações.
Numa das últimas sessões abertas do STF, o ministro André Mendonça comenta que teve acesso às cenas onde o ex-sicário, Luiz Phillipi Mourão cometeu suicídio. Enquanto isso, na sala da justiça, o rebuliço permanece em relação ao que já se sabe, onde próceres integrantes dos Três Poderes da República foram cooptados nesse esquema criminoso, de alguma forma. Seja em participação ativa, seja para pavimentar suas ações em suas áreas de influência, seja para proteger seus integrantes das eventuais consequências jurídicas de suas ilicitudes. Ontem mesmo foi anunciado pelo Planalto que o novo líder do Governo no Senado Federal é a senadora pernambucana Tereza Leitão, muito festejada pelos companheiros.
Sobretudo neste momento onde as pesquisas de intenção de voto sugerem melhoria dos índices do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tudo o que o Planalto não desejava é que integrantes do Governo fossem arrolados como eventuais partícipes dos rolos do Banco Master. O que se comenta nos corredores da capital federal é que os homens escalados por Lula para funções específicas em relação às próximas eleições foram os maiores defensores do afastamento do senador Jaques Wagner da liderança do Governo no Senado Federal.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Crônicas do cotidiano: Robert Walser, o ajudante.
"Uma inocência fora de lugar" é assim que o colunista da Folha de São Paulo define a literatura do suíço Robert Walser, que o filósofo Walter Benjamim considerava um precursor de Franz Kafka. Aliás, conforme já informamos por aqui, Walser, na realidade, era o escritor preferido de Kafka. Assim como Kafka, do ponto de vista literário, viveu uma vida errática, com diversos manuscritos não publicados, internado em clínicas psiquiátricas, exercendo ofícios de pouca relevância social. Walser não suportava as rotinas de trabalho, tampouco se fixava numa residência por muito tempo. Trabalhou durante algum tempo como auxiliar de um engenheiro, de onde se inspirou para escrever O Ajudante, único dos seus livros traduzidos para o Brasil.
Até no aspecto da desorganização pessoal, Walser e Kafka são parecidos. Mesmo diante das idas e vindas, Walser conseguiu publicar três romances que o fizeram ser aceito ou legitimado no topo do Everest literário. Escrevia bem em todos os gêneros, tornando-se uma espécie de escritor para escritores. Muitos dos textos de Kafka foram publicados mesmo que inacabados. Inclusive O Processo, talvez sua obra-prima, que precisou ser organizada por Max Brod, seu amigo, admirador, primeiro biógrafo e editor. Ainda bem que ficou bem organizado, não se perdendo o ritmo da narrativa, tampouco o resultado final. O que se sabe é que, originalmente, eram contos separados, assim como ocorreu com Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos, publicados como folhetim em jornais, num período de vacas magras para o escritor.
Mesmo para os textos publicados em vida, Kafka sempre recorria a Brod para organizá-los. Era uma admiração desde os tempos em que ambos alisavam os bancos de uma universidade onde realizavam o curso de direito. Há muitas controvérsias em torno de Kafka, o que levaria muita tinta para ser tratadas por aqui, como uma biografia mais recente, escrita pelo alemão Reiner Stach, onde ele questiona até mesmo o aspecto de uma personalidade retraída atribuída ap autor de A Metamorfose. Como poderia um vendedor de seguros ser uma pessoa retraída? Questiona Reiner. A crônica do cotidiano de hoje veio em razão dos acessos surpreendentes a uma crônica escrita há alguns anos atrás, onde fazíamos referência ao internamento de Walser numa clínica para tratamentos psicológicos. Recebemos, então, alguns pedidos de informação sobre as obras do autor publicadas no Brasil. Só existe o romance O Ajudante, obra esgotada.
Editorial: A diplomacia de Caiado em sua visita ao Recife
No maior evento de comunicação política e institucional do país, ocorrido recentemente em Porto Alegre, o marqueteiro João Santana, durante a sua fala, diz ser um equívoco crasso ou ilusão a conclusão - quase generalizada - que o país vive sob a égide de uma esgarçante polarização política. A questão é polêmica e merece uma avaliação mais aprofundada, o que não seria possível num espaço tão curto como este. O fato é que, até o momento, nenhum dos postulantes à Presidência da República, pelo menos até o momento, conseguiu romper com a centrífuga que mói a disputa entre dois nomes. Um representante do petismo, Luiz Inácio Lula da Silva, e, do outro lado, Flávio Bolsonaro, o representante do bolsonarismo. De fato, quem deve decidir a eleição é aquele eleitorado de centro, menos orientado ideologicamente, que, aliás, pode estar se afastando de Flávio Bolsonaro depois do "Dark Horse" e melhorando os índices de Lula, conforme as últimas pesquisas de intenção de voto.
Em todo todo o caso, tal eleitorado acaba sendo "filtrado" por essas duas opções. Segundo pesquisa do Datafolha, ele até gostaria de votar num outro nome, mas sabe que tal nome não reúne as condições mínimas de superar essa barreira e se vê contingenciado a fazer uma opção entre um petista ou um bolsonarista. Um desses candidatos, Ronaldo Caiado(PSD-GO) não atinge sequer 5% das intenções de voto. Caiado esteve recentemente no Recife, onde assumiu uma postura de pré-candidato que não deseja arestas com possíveis ou eventuais aliados. Foi diplomático, elogiando a postura de independência da governadora Raquel Lyra(PSD-PE), que é do seu partido, mas assegura que terá palanque no estado. Raquel, por sua vez, retribuiu a gentileza, afirmando que tem admiração pelo ex-governador de Goiás.
Há uma movimentação de lideranças do PL pernambucano no sentido de que a governadora assuma de uma vez o palanque de Flávio Bolsonaro no estado. O lobby é forte, inclusive com a ingerência do próprio presidente da legenda no estado, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, que gostaria de declarar oficialmente o apoio do partido à governadora mediante tal compromisso. O ex-Ministro do Turismo do Governo Bolsonaro, Gilson Machado, que hoje é filiado ao Podemos, também se posicionou favorável a um apoio da governadora à candidatura de Flávio Bolsonaro.


