Geralmente, alguns meses antes das eleições presidenciais, volta a circular a teoria da terceira via, ou seja, um espaço alternativo à polarização renitente da política brasileira, representada pelo bolsonarismo, de um lado, e pelo petismo, do outro. Hoje, uma alternativa è reeleição de Lula ou eleição de Flávio Bolsonaro. Há vários argumentos que embasam esta teoria, mas todos convergem para uma saturação do eleitorado em relação a essas duas alternativas. Esta onda geralmente acaba na medida em que se aproxima o dia 04 de outubro. A tendência, no geral, é que isso também se repita este ano. Não faz muito tempo, o deputado federal Aécio Neves, juntamente com o sanador Tasso Jereissati, estiveram em Fortaleza para um encontro reservado com Ciro Gomes, que deve disputar o Governo do Estado nas próximas eleições, ancorado num conjunto de forças que fazem oposição ao Governo de Elmano de Freitas.
Segundo vazou para a imprensa - é sempre prudente tomar cuidados com tais vazamentos e com os powerpoints - Ciro teria sido sondado para uma eventual disputa ao Palácio do Planalto. Aconselharíamos ao Ciro não cair neste canto da sereia. Ele vai muito bem no Ceará, onde lidera a corrida pelo Palácio da Abolição, segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha, onde pontua com 47 das intenções de voto contra 32 de Elmano de Freitas. Dizem que a projeto insere-se numa espécie de arma de vingança de Aécio Neves contra o PT. Está parecendo aquela música do cantor brega Carlos Alexandre. Se for caso, deixa essa vingança do Aécio para o divã. A nível nacional, Ciro já fez o impossível para viabilizar-se como esta terceira alternativa a um projeto já desgastado do PT, assim como a ausência programática do bolsonarismo. Flávio faz uma contraposição ao PT sem apresentar propostas para o país. Nós não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos.
Hoje, 24, o presidente Lula anunciou que o Ministro da Educação, Camilo Santana está deixando o cargo para participar da campanha eleitoral. Em tese, Camilo ajudaria em todo o Brasil, mas sabe-se que o seu objetivo maior é engajar-se na campanha de Elmano de Freitas, no Ceará. Ciro Gomes tem reafirmado que deverá enfrentar, na realidade, o ex-Ministro da Educação do Governo Lula e não Elamano de Freitas. Se Ciro estiver correto, parece não haver chegado ainda o momento do anúncio. Segundo dizem, o PT pode atropelar o projeto de reeleição de Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia, estados onde o partido enfrentar grandes dificuldades. São colégios eleitorais importantes - a Bahia, por exemplo, é o quarto colégio eleitoral do pais - e, pelo andar da carruagem política, o PT corre o risco de não repetir o desempenho de eleições anteriores.
O PT precisa fechar uma equação onde se recupere os votos obtidos no Nordeste em eleições anteriores, assim como equilibre a disputa no Triângulo das Bermudas, ou seja, nos estados da Região Sudeste, Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Inclusive precisa ter um desempenho maior nesses estados do Sudeste, uma vez que começa a perder capilaridade em seu reduto tradicional, o Nordeste, que já foi bem mais sensível aos apelos da legenda. O desempenho do PT nesses estados era tão bom que se dizia que o eleitorado estava disposto a votar no partido a despeito dos problemas. Fala-se aqui, principalmente na Bahia, num voto identitário. O cidadão se identifica com o PT e pronto. É como as torcidas organizadas.

