Acordamos hoje com a notícia da interdição da PB-008, realizada em função dos protestos de bugueiros, que foram impedidos de circular nas áreas turísticas de Barra de Gramame. A interdição foi promovida por índios Tabajaras, de um aldeia que fica próximo à localidade. Arrisco a dizer que Barra de Gramame é um das praias mais bonitas não apenas do Litoral Sul do estado, mas de toda o litoral paraibano. Gramame, na realidade, é um rio que separa os municípios de João Pessoa, capital, e o município do Conde. Quando o rio desagua no mar forma um espetáculo da natureza, capaz de encher os olhos de encantamento. As praias integram o roteiro dos turistas que procuram conhecer e desfrutar as belezas do Litoral Sul do estado. Por razões óbvias, não poderia ficar ausente deste roteiro.
O município do Conde tem uma longa história vinculada à ancestralidade, traduzida, em parte, na presença de comunidades quilombolas e indígenas. O Quilombo do Gurugi é uma comunidade quilombola reconhecida, que fica logo na entrada da cidade. Ali existe museu comunitário que ainda conserva as características seculares da ancestralidade, construído em taipa. A aldeias dos índios Tabajaras, eventualmente, realizam a apresentações no centro de Jacumã, distrito do Conde, um espetáculo acompanhado pelos turísticas locais. Foram muito felizes os artistas que produziram um painel para esta praia com temas relativos às tribos locais. Não conhecemos, em sua intereira, os argumentos dos índios para interditarem a presença de bugueiros no local, mas acreditamos que um consenso entre as partes, mediada pelo poder público municipal, possa ser construído. Do contrário, é preservação mesmo.
Jacumã, principal distrito do Conde, que serve de apoio aos turistas que visitam o Litoral Sul, em épocas passadas, era uma pacata vila de pescadores, que não contava nem com energia elétrica. Hoje, tornou-se uma reduto badalado, sobretudo em razão de suas belezas naturais, imperdíveis para os turistas que estão em João Pessoa. Com o progresso também vieram os problemas hoje recorrentes em todos os balneários brasileiros, como a presença de facções do crime organizado brigando por territórios e espalhando o terror. Este trecho que fica entre o Litoral Norte de Pernambuco e o Litoral Sul da Paraíba está se tornando bastante vulnerável. Há alguns anos atrás quem poderia imaginar que uma praia pacata como Pontas de Pedra pudesse ser alvo da cobiça do crime organizado?
