pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Editorial: BTG/Nexus dá 48% para Flávio e 45% para Lula



Um especialista em pesquisas eleitorais, desses que se debruçam cotidianamente sobre os indicadores que os números revelam, afirmou, lá atrás, que, desde um certo tempo, o presidente Lula não consegue ultrapassar o teto dos 47%, ou seja, os índices variam entre 45% e 47%, nunca além disso. Esses escores recomendariam, segundo o especialista, a não tentativa do presidente em emplacar um quarto mandato. Ele advoga, inclusive, que Lula não teria, no seu entorno mais próximo, interlocutores com a franqueza de aconselhá-lo a não tentar um novo mandato. A pesquisa de hoje, 13, realizada pelo Instituto Nexus, com o patrocínio do Banco BTG, mostra o presidente Lula com 45% das intenções de voto, enquanto o candidato Flávio Bolsonaro aparece com 48%. 

Já perdemos a conta de quantas pesquisas foram publicadas desde o final do primeiro turno. Recentemente participamos de uma delas, cujos dados estão sendo coletando através das redes sociais. Num climão como este que estamos enfrentando, crescem as indisposições entre petistas e bolsonaristas, cada qual trocando acusações um contra o outro. A equipe de limpeza urbana do prefeito Ricardo Nunes está limpando a Av. Paulista, mas há queixas sobre a situação em que a avenida ficou depois da mobilização da militância petista. Uma perícia técnica realizada no canal "Exército de Lula", realizada pelo próprio TSE, não constatou nenhuma anormalidade com o canal, que fora acusado de disseminar eventuais fake news. 

O Globo traz uma matéria onde anuncia a ampliação do pacote de bondades do presidente Lula nesta reta final de campanha. Estamos diante de problemas que terão que ser enfrentados por qualquer um deles que seja eleito, com consequências que serão sentidas pela população. A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.002 eleitores entre os dias 10 e 12 de outubro, com índice de confiança da ordem de 95% e margem de erro de 2pp. Esta registrada no TSE sob o número: 07997/2026. Um dado que merece atenção nessa pesquisa e o número de indecisos de 2% quando, nos demais institutos esse escore não ultrapassava 1%. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Editorial: "Exército do Lula" continua mobilizado.


O político André Janones, filiado à Rede, começou esse projeto com apenas 50 mil seguidores. Em poucos dias, ele já contava com mais de 3 milhões de seguidores, uma mobilização que suscitou a reação do adversário Flávio Bolsonaro. A equipe do candidato acionou o TSE e o Ministro Cássio Nunes Marques, que preside o órgão, determinou a suspensão das atividades, desmobilizando a tropa que trabalhava em torno da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa outra medida mais recente, o Ministro Ricardo Villas Boas, da Corregedoria do órgão, revogou a decisão de Nunes Marques e o "Exército do Lula" continua mobilizado. O termo correto não é bem "revogar", mas uma suspensão temporária da decisão do Ministro Nunes Marques. 

A decisão do ministro corregedor é importante nesta discussão, sobretudo pelo que ela representa em termos de liberdade de atuação do magistrado no contexto de uma instância de "correção" ou "ponderação", a exemplo das diversas instâncias existentes em outras esferas públicas, a exemplo das controladorias, corregedorias, ouvidorias. A experiência do governo bolsonarista é um exemplo cabal do quanto essas instâncias foram fragilizadas em suas linhas de atuação junto aos órgãos públicos federais. A decisão é um "sopro de esperança" para as nossas instituições democráticas, dimensionado a importância da decisão pessoal que cada eleitor precisa tomar no próximo dia 25, por ocasião do segundo turno das eleições presidenciais. 

Não entramos aqui no mérito do que foi decidido. Por que o Ministro Nunes Marques determinou a suspensão das atividades? Por que o Ministro Ricardo a revogou? Vamos deixar essas questiúnculas jurídicas para os universitários de direito. O clima político, no entanto, está pegando fogo nas redes sociais. Num momento de extremada polarização política não haveria como ser diferente. A oposição está acusando o PT por eventuais depredações ocorridas no dia de ontem, por ocasião da passeata de Lula na Paulista. Lula, por sua vez, tem sido bastante contundente em seus pronunciamentos públicos. 

domingo, 11 de outubro de 2026

Editorial: O algoritmo bolsonarista?



Depois do incêndio num dos prédios da Universidade Federal de Pernambuco, agora é um incêndio na Bahia, que teria atingido vinte e cinco viaturas do SAMU, onde suspeita-se de uma eventual intencionalidade. Nada confirmado até o momento, o que sugere aguardar as conclusões da perícia técnica que está sendo realizada em ambos os casos. Entretanto, não deixa de ser curioso esses fatos, ocorridos justamente às vésperas da realização do segundo turno das eleições presidenciais.  Acessar as redes sociais neste momento, implica realizar uma clivagem rigorosa sobre os fatos reais e as fake news, que estão sendo disseminadas indiscriminadamente. 

Ontem, 10, por exemplo, acompanhamos um vídeo de uma respeitada intelectual brasileira afirmando que, se os bolsonaristas voltarem ao poder vamos ter a extinção do Pix. Nem os bolsonaristas ousariam tanto. Uma bobagem. Por outro lado, fiquemos atentos acerca dos pronunciamentos de pessoas sérias, intelectuais respeitados, a exemplo do filósofo Vladimir Safatle, sobretudo em relação aos cenários sombrios que ele antevê acerca de uma eventual volta da extrema direita ao poder, o que ele resume como um 1964 sem tanques. Convém fazer uma grande reflexão acerca do assunto, principalmente quando está em jogo um projeto de poder de longo prazo, arrocho econômico e o eventual recrudescimento de grupos paramilitares que atuam fora dos parâmetros da institucionalidade. 

Outro grande personagem que ressurge no contexto dessa fragilização institucional é este tal do algoritmo. Há queixas acerca de suas preferências "políticas", possivelmente através da entrega de conteúdo do tráfego pago. O caso está sendo examinado pela Justiça Eleitoral. Há algum tempo temos estudado bastante esses assuntos. O algoritmo do Google, por exemplo, tem pelo menos 500 maneiras ou critérios sobre como decidir se entrega um conteúdo ou recomenda algum site. E isso muda constantemente. Um blog como este, hospedado no plataforma do grupo, chega a atingir 5 mil acessos diários. Conteúdo original, atualização constante, boa experiência do visitante. Tudo isso é avaliado. Em breve, vamos lançar o www.contextopolitico.com.br, mas vamos manter blog hospedado aqui, pois estamos tratando de um valioso material sobre a política brasileira nos últimos 15 anos. Um grande ativo de repositório político de Pernambuco e do Brasil. 

Caso fique configurado que o algoritmo, de alguma plataforma, esteja usando clivagens políticas acerca da entrega de determinados conteúdos, isso se configura violação grave à Legislação Eleitoral, configurando-se até mesmo a possibilidade de cassação de candidatura. No domingo da eleição do primeiro turno um cidadão se queixou que sua foto fora censurada e retirada de uma plataforma por violar as chamadas regras da comunidade. A foto? uma imagem da praia de Manaíra, em João Pessoa, num dia ensolarado, sem qualquer referência às eleições. Depois de muito ponderar acerca das eventuais razões para a retirada da foto, o que se sugere é que, com a imagem, o cidadão poderia estar, mesmo que involuntariamente, estimulando a abstenção, que, por sinal, foi expressiva. 

sábado, 10 de outubro de 2026

Editorial: Quantos eleitores ainda têm no eito?

Crédito da Foto: Agência O Globo


O escritor paraibano José Lins do Rego compartilhou com o antropólogo Gilberto Freyre o sofrimento em razão da decadência dos engenhos da economia açucareira na região Nordeste. Ambos foram autênticos "meninos de engenho". José Lins compartilhou esse sofrimento com os leitores dos seus romances mais famosos sobre o Ciclo da Cana-de-Açúcar na região, cuja pena, segundo Manuel Bandeira, funcionava melhor do que em outros livros escritos pelo escritor. Em alguns dos seus textos, Gilberto critica os "descaminhos" dos jovens rebentos de famílias tradicionais nordestinas como responsáveis, em parte, por tal decadência da economia açucareira. Foram estudar direito, viver de boemia e esqueceram seus compromissos com  os negócios deixados por suas famílias. 

José Lins do Rego, em vários momentos de sua obra, faz remissão ao assunto. Em certo momento, se não nos falha a memória no romance Banguê, reflete sobre o futuro do Santa Rosa deitado numa rede. Num dos raros momentos em que tentou envolver-se com a rotina dos trabalhos do coronel José Paulino, que seria o famoso coronel "Bubu do Corredor", seu avô, ele sela o cavalo e vai fazer uma vistoria no eito. Quando regressa, todo eufórico com o feito, considerando que o coronel José Paulino iria aprovar a iniciativa, o velho faz uma única pergunta que desmonta toda a sua empolgação: Quantos homens haviam no eito? Ele, naturalmente, não soube responder. Então, José Paulino diz para ele: O Diário de Pernambuco já chegou. 

Essas remissões nos veio à mente ao refletir acerca de uma entrevista do marqueteiro Igor Paulin, que coordenou as campanhas vitoriosas de Raquel Lyra, em Pernambuco, e de João Henrique Caldas, em Alagoas, impondo duas derrotas acachapantes a duas famílias políticas muito ligadas ao petismo. Os Campos, em Pernambuco, e os Renan, em Alagoas. Igor concede uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo onde aponta os eventuais equívocos cometidos pelo PT na região Nordeste. Os casos do sucesso na Bahia e no Ceará podem ser creditado à máquina petista bem engrenada. É preciso considerar, segundo o marqueteiro, a cautela necessária sobre a tese de transferência de votos de Lula. 

Outro grande problema da campanha do petista diz respeito à linguagem desfocado da realidade do nordestino comum. A picanha poderia ter sido substituído, quem sabe, por uma vaca atolada, mas nunca por termos como terras raras ou soberania, terminologias desconhecidas pelo nordestino comum. Neste segundo turno a campanha acerta na convocação daqueles eleitores que deixaram de votar no primeiro turno, majoritariamente um eleitorado mais identificado com o petismo. Como temos insistindo por aqui, não se trata de uma vitória do bolsonarismo, mas uma derrota do petismo. O grau de insatisfação com a gestão, algo que Lula nunca conseguiu reverter, pode ser determinante no resultado dessas eleições presidenciais. O desempenho da oposição é um indicador dos mais evidentes. Quantos eleitores ainda têm no eito. Assim como José Lins do Rego, talvez o PT não saiba responder? 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Editorial: Três pesquisas apontam vantagem de Flávio sobre Lula no segundo turno


Depois da DataPoder veio a Datafolha e, hoje, 09, foi a vez da divulgação do levantamento realizado pelo Instituto Atlas\Intel, onde o candidato bolsonarista aparece com 52,8% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula pontua com 47,2%. Exceto pela Datafolha, os dois institutos sugerem uma ligeira vantagem acima da margem de erro para Flávio Bolsonaro. Flávio encontra-se numa espécie de céu de brigadeiro, enquanto Lula enfrenta seu inferno pessoal. Nada acontece de positivo para o petista a essa altura do campeonato eleitoral. O Ministro André Mendonça, do STF, mandou suspender um vídeo onde o petista questiona sobre onde a tesoura afiada dos R$ 250 bilhões iria cortar, sugerindo que áreas como saúde e educação seriam penalizadas. 

Não vamos entrar no mérito porque já há uma determinação judicial para não falar sobre o assunto, mas gostaríamos de lembrar que, no Governo Jair Bolsonaro, 95% das verbas de órgãos de fomento à pesquisa foram suspensas de uma canetada só. Alguém lembra disso? Hoje, 09, ouvimos uma entrevista do reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Gomes, onde ele informa que 200 teses de doutorado e dissertações de mestrado foram penalizadas com o incêndio ocorrido recentemente na instituição. Os órgãos federais estão se mobilizando para minimizar os danos, como a liberação de verbas para a reconstrução física do prédios e laboratórios e "prorrogando" as bolsas de pesquisas, numa demonstração inequívoca da importância do papel do aparelho de Estado nesses momentos. Essas questões não se pode perder de vista. 

No contexto das velas aos ventos, a matéria de Veja desta semana é sobre supostos diálogos cabulosos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e gente ligada ao presidente Lula, tratando de questões relativas a um patrocínio do banqueiro a um filme sobre a vida de Lula. Diálogos, conforme já afirmamos, onde, supostamente, haveria negociações de caráter pouco republicanas, onde o banqueiro, na condição de agente privado, poderia auferir vantagens indevidas sobre os fundos de pensão em troca de financiamentos do filme. A matéria de capa é aberta a não assinantes. Leiam e tirem suas conclusões. O Grupo Prerrogativas está acionando a Polícia Federal para investigar como a imprensa teve acesso a esses diálogos. Sugere-se que já entramos naquele terreno pantanoso e institucionalmente doentio. Isso, infelizmente, tende a agravar-se daqui para a frente. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Editorial: Em partido onde falta votos...


Todos brigam e ninguém tem razão, conforme um adágio popular. Foi esta a situação de uma reunião emergencial organizada pelo Planalto para se preparar para o segundo turno das eleições presidenciais, onde não faltaram acusações sobre os "culpados" pela derrota de Lula no primeiro turno. A vitória de Flávio Bolsonaro, se confirmada agora no segundo turno, deve ser atribuída aos percalços do terceiro mandato do presidente Lula. Com a sua envergadura de estadista e de pessoa preocupada com os rumos da democracia no país ele precisava ser mais consequente. Alguns analistas observaram que Lula parecia ter sido contaminado por uma empáfia, uma certeza na vitória, o que foi determinante para este resultado desfavorável no primeiro turno. 

Ontem falávamos aqui sobre os padrões de "insatisfações" dos brasileiros, que extrapolavam um descontentamento orgânico ou uma temeridade suscitada com a experiência do bolsonarismo no poder. Foi o desequilíbrio dessa "equação" que derrotou Lula no primeiro turno e acena para nuvens cinzentas para o dia 25 de outubro, quando da realização do segundo turno. Hoje, 08, saiu a primeira pesquisa de intenções de voto, numa iniciativa do  PoderData, onde o bolsonarista aparece com 53% das intenções de voto, enquanto o petista crava 47%. Uma diferença de 6%, um pouco acima da margem de erro. Logo mais deve sair a pesquisa do Datafolha, por vezes já no finalzinho da tarde. Pelo andar da carruagem, os bolsonaristas já agem ou tomam iniciativas como quem já estivesse liquidado a fatura, articulando novas alianças, adesões, eventuais ocupações de pastas e até sondagens acerca dos comandantes militares.

A essa altura do campeonato político, Flávio já não esconde suas intenções de mexer na Constituição, acenando para uma mudança no Judiciário, reforma política, extinção da reeleição e sabe-se lá o que mais. A tesoura promete cortar R$ 250 bilhões, possivelmente de áreas como saúde, educação e previdência. Dias difíceis pela frente, pois já assistimos a este filme. Com uma tesoura tão afiada, teme-se até mesmo pelo destino do maior e melhor sistema de saúde do mundo, o SUS. Acreditamos que o vice, Alfredo Gaspar, deva assumir a nevrálgica área de Justiça, se considerarmos a sua experiência como Promotor Público. Ronaldo Caiado já está sendo cotado para assumir uma pasta na área do agro, um setor que, mesmo depois de quatro anos, Lula não conseguiu demover as resistências ao seu nome.   

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Editorial: Chamem o João Santana, por favor.


Todos os dias surgem alguns fatos novos sobre as eleições deste ano. A teoria da conspiração anda solta, produzindo os seus estragos antecipados, como uma eventual interferência norte-americana nas eleições; a fala de um bolsonarista afirmando uma suposta fraude, a partir daquele momento em que os dados nacionais deixaram de ser, momentaneamente, divulgados; coisas assim. Tudo isso é reflexo do climão que passamos a viver no país, onde absurdos passaram a ser "normalizados". Sabe-se lá o que vem mais por aí. Lula se declara surpreso com o resultado das eleições, a despeito dos indicadores internos e os sinais emitidos pelos institutos de pesquisa apontarem, claramente, que o voto útil tendia a favorecer o seu oponente, Flávio Bolsonaro. 

Há duas falas que pretendo resgatar por aqui, como disse antes, comendo o mingau quente pelas beiradas para não se queimar. Infelizmente não nos recordamos o nome de um analista político que observou que as pesquisas qualitativas apontavam para uma insatisfação de parte do eleitorado antes do primeiro turno. Esta insatisfação, dizia ele, não estava apenas relacionada à herança maldita da experiência bolsonarista, mas relaciona-se, em parte, ao terceiro governo Lula. Hoje, 06, numa entrevista concedida pelo CNN, o cientista politico pernambucano, Antonio Lavareda aponta os problemas da condução da economia como determinante para o resultado desfavorável ao Governo Lula nesta eleição. Como a economia não muda radicalmente em apenas três semanas, isso corrobora com a tese das dificuldades do Planalto neste momento. 

Este problema vem se arrastando desde algum tempo, configurando-se nos índices de avaliação do Governo Lula 3, que nunca foram definitivamente favoráveis. Soubemos há pouco que alguns assessores do presidente Lula consideram, mais uma vez, creditar os percalços à área de comunicação. Isso é desde sempre. É injusto este diagnóstico. De qualquer maneira, já se pensa em convocar o marqueteiro João Santana para assumir a campanha no segundo turno. Tenho um profundo respeito pelo João Santana, mas não acreditamos em milagres. O curioso é que João vem de duas campanhas malsucedidas contra o PT. Na Bahia e no Ceará. Chama atenção como o PT conseguiu reverter duas situações sensivelmente desfavorável nesses dois estados. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Editorial: A "ressaca teórica" das eleições de 2026



Ontem, logo após a apuração dos votos do primeiro turno da eleição, tivemos uma edição especialíssima do programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes. Cientistas políticos, CEO de institutos de pesquisa foram instados pelo apresentador a apontarem o que mais o impressionaram nessas eleições de 2026. O que eles apontaram daria para produzir um grande tratado, algo bem superior a uma simples opinião de um blog de política. Estamos tratando aqui, como se diz no Nordeste, de um mingau quente que precisa ser comido pelas beiradas, onde não se corre o risco de uma queimadura ou de um engasgo. As discussões foram desde apontamentos teóricos até às questões pontuais, a exemplo do resultado surpreendente no Rio de Janeiro. Vamos por parte, mas já antecipando que não enxergamos um horizonte que indique que o PT possa reverter esta situação no segundo turno. É muito provável que tenhamos um retorno do bolsonarismo ao poder, com todas as consequências daí decorrentes, a começar por um programa de governo que sequer chegou a ser pactuado com o eleitorado, pois não tivemos debates. 

Vários fatores contribuíram para essa refrega do petismo, algo que não se limita apenas a essa onda de direita que varre o continente, onde o partido representava uma das poucas trincheiras ainda preservadas. Quem foi o grande eleitor desta eleição? O Medo? o Bolso? Talvez ambos, entendendo que o PT não conduziu ou gerenciou bem nenhum dos dois. Contas públicas à deriva, custo de vida diminuindo os itens da geladeira e um programa inconsistente de enfrentamento ao crime organizado.  Saiu atrasado na costura das alianças para a formação das chapas que concorreriam ao Senado Federal pelos estados, amargando um grande fiasco nas urnas. Apenas em Pernambuco o partido conseguiu eleger dois senadores genuinamente vermelhos: Marília Arraes e Humberto Costa. Somete o PL fez 28 senadores, a partir de um plano que prevê o controle da Casa Alta, onde se pretende a adoção de medidas que devem ampliar, ainda mais, as indisposições entre os Três Poderes da República. 

Segundo informações de bastidores, o nome do senador Rogério Matinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, já estaria sendo cotado para assumir a Presidência do Senado Federal, substituindo Davi Alcolumbre. A direita conseguiu a musculatura política necessária para assumir o controle da Casa. Na eventualidade ou não de Flávio ocupar a cadeira do Palácio do Planalto, a encrenca institucional já está instaurada. A direita tomou a bastilha. Vamos aguardar os próximos eventos, tratados aqui amiúdes, com a ponderação necessária, evitando incorrermos em equívocos de avaliações.  

sábado, 3 de outubro de 2026

Editorial: Uma decisão inédita na campanha política do Ceará


Logo mais, institutos como o Datafolha e o Paraná Pesquisas estão divulgado as últimas pesquisas de intenção de voto. Aqui em Pernambuco, sai uma Datafolha. Não temos certeza quanto ao Paraná Pesquisas. O Paraná Pesquisas, aliás, estava meio que ausente, reaparecendo no momento certo, na hora "H". O instituto tem no currículo um grande número de acertos de resultados eleitorais. No Ceará, ficamos sabendo que o PT entrou com uma representação tentando impedir a divulgação das pesquisas dos dois institutos, cuja programação da divulgação está prevista para hoje à tarde. Isso já está se tornando recorrente. Ocorreu em Pernambuco e também na Paraíba, onde coligações entraram na Justiça Eleitoral com ações para impedir a divulgação dos resultados de pesquisas de intenção de voto. 

O país entrou num enrosco complicado. Ontem assistíamos, durante o Jornal Nacional, uma matéria sobre o debate entre os candidatos que concorrem à Presidência da República, que acabou não ocorrendo, como se sabe. Realmente perdemos uma grande oportunidade de os pretendentes à cadeira do Palácio do Planalto apresentarem suas propostas sobre temas nevrálgicos para o país. É um apena que o debate não tenha ocorrido. Fez mal ao nosso processo democrático. Ainda dentro desse enrosco institucional que atravessamos, no Ceará, uma decisão inédita do STF determinou que a coligação do PT continuasse com a campanha eleitoral mesmo fora do prazo legal. Hoje e amanhã ainda teremos campanha da chapa do candidato Elmano de Freitas, que concorre à reeleição. 

O eleitorado precisa desse momento para uma reflexão mais consistente sobre o seu voto. Ainda ontem não havíamos definido em quem votaria para deputado federal e deputado estadual. Esta situação deve ocorrer com milhões de eleitores. É um momento de maturação. Não convém que este eleitorado continue sendo bombardeado com campanhas eleitorais. Não conhecemos o teor da decisão, mas ela causa estranheza. No Ceará, de acordo com os últimos levantamentos, a disputa pela cadeira do Palácio da Abolição será voto a voto. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Editorial: Clima tenso nas eleições deste ano.


Já tivemos eleições mais tranquilas, embora se entenda este tensionamento às vésperas do primeiro turno das eleições deste ano. Na Paraíba há um julgamento que pode interditar o ex-prefeito da capital, Cícero Lucena, de participar das eleições, motivadas por denúncias ainda relativas às eleições de 2020 e 2024. O entendimento de alguns dos desembargadores que julgam o caso é de que, embora os fatos  não tenham sido formalmente julgado, as denúncias ensejam motivo para impedir que ele concorra ao Palácio da Redenção. No Ceará, então, o clima é ainda mais tenso. A Policia Federal fez uma grande apreensão de dinheiro em espécie, algo em torno de dez milhões de reais, e, hoje, até bomba explodiu no estado, em frente de um estabelecimento comercial. Suspeita-se de ações de facções do crime organizado. 

Não faz muito tempo, numa operação também na Paraíba, a Polícia Federal descobriu algo curioso, mas muito preocupante, sobretudo se o precedente possa ser recorrente. Um cidadão com apenas um documento de identidade possuía várias títulos aptos a votar. O cidadão foi preso na ocasião. No Ceará, a folgado vantagem da candidatura de Ciro Gomes sobre o candidato Elmano de Freitas, que concorre à reeleição, diminuiu bastante nos últimos dias. O jogo está bastante equilibrado tanto para o Governo do Estado quanto para o Senado Federal. Vai ser voto a voto, assim como se sugere que possa ocorrer aqui em Pernambuco. A equipe jurídica da governadora Raquel Lyra, supostamente, teria entrado com uma ação para impedir a divulgação de uma pesquisa do Instituto Quaest, encomendada pela Rede Globo. Talvez saia hoje durante o Jornal Nacional. Caso a ação não seja acatada. 

Essas eleições serão marcadas por alguns fatos curiosos, como se já não fosse suficiente a crise institucional e de legitimidade - o que é ainda mais grave - em que o país está mergulhado até o pescoço. Nada aponta para uma boia de salvamento quando terminarmos o pleito. Corremos o risco de nos afogarmos. Talvez nunca tenhamos visto um pleito onde os institutos de pesquisas foram tão atacados e acionados na justiça. Todo mundo se transformou em especialistas em metodologias de pesquisas, apontando falhas neste ou naquele instituto, mediante conveniências específicas. Repete-se aquele axioma bastante antigo. Se a pesquisa for favorável, o instituto está certíssimo. Se for contra o meu candidato, há um complô. 

Editorial: Púlpito vazio



Lamentavelmente não tivemos a realização do debate que estava sendo programado pela Rede Globo no dia de ontem. Na realidade, a situação ideal era aquela onde Lula estaria presente e Renan Santos fosse convidado pela emissora. Renan não atende aos requisitos impostos pela própria Legislação Eleitoral, mas, afinal, algumas decisões precisam levar em conta outras questões. Nem sempre o que a legislação diz converge, necessariamente, com as melhores práticas democráticas. Depois da judicialização do debate, um puxa-encolhe entre os convidados, o evento acabou não ocorrendo, levando a emissora a transmitir sua programação normal durante o horário. 

Vamos ter um primeiro turno sem aquele encontro que poderia decidir o pleito. A Rede Globo, por uma decisão do Ministro Gilmar Mendes, do STF, teria que incluir o nome de Renan Santos, assim como não manter o púlpito vazio destinado ao presidente Lula. Já afirmamos isso por aqui numa outra ocasião, mas não custa repetir. Não sabemos o que Lula poderia temer depois de três mandados presidenciais. Flávio é um estagiário na frente de Lula. Um dos dados que fragiliza sua candidatura é exatamente essa falta de experiência administrativa, que poderia ser explorada por Lula durante o encontro. A decisão de não participar foi uma escolha pessoal de Lula. Seus assessores mais próximos propuseram que ele participasse do debate. 

Como o debate foi cancelado, Lula talvez não pague o ônus da ausência e do púlpito vazio. Nesta reta final de campanha, o que está entrando também em processo de judicialização são as pesquisas de intenção de voto. Na Paraíba, a equipe jurídica do candidato Efraim Filho(PL-PB) entrou com uma ação para a não publicação de uma pesquisa do Instituto Quaest. Hoje, 02, ficamos sabendo que o mesmo ocorreu em Pernambuco. A equipe da governadora pede que não seja divulgado o resultado de uma pesquisa do mesmo instituto. Ontem saiu a Datafolha, onde a governadora Raquel Lyra aparece bem, numericamente à frente do ex-prefeito João Campos, tanto no primeiro quanto num eventual segundo turno. A Quaest, possivelmente, poderia trazer outros números. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Editorial: O estranho olhar de Cleitinho



O debate da Rede Globo, programado para logo mais, fica sensivelmente prejudicado com a ausência do presidente Lula, já devidamente confirmada. Nos últimos dias, tivemos dois grandes debates entre os candidatos que concorrem ao governos estaduais. O de São Paulo, entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas, e o de ontem, também organizado pela emissora local da Rede Globo, entre os candidatos que concorrem ao Palácio Tiradentes, sede do Governo de Minas Gerais. Nas Alterosas, a situação está praticamente definida. O senador Cleitinho, do Progressistas, deve ser consagrado como o novo governador do estado. É possível que tenhamos um segundo turno, mas, mesmo assim, ele continua como franco favorito. 

O debate de São Paulo, conforme observou o jornalista Josias de Souza, do UOL, já teve um grande vencedor: sua excelência, o eleitor. É assim que o eleitor deve ser tratado nos debates. Quando um candidato, por algum motivo, se recusa a debater, em última análise, ele está manifestando um profundo desrespeito pelo seu eleitorado. Em Minas Gerais, ainda tivemos algumas trocas de farpas, pois o clima está acirrado. Mesmo assim, foi possível discutir o destino da polis. Tivemos candidatos que se preparam para o embate, construíram propostas, questionaram as alternativas dos seus oponentes para os graves problemas que o estado de Minas Gerais enfrenta neste momento. Muito proveitoso, permitindo ao eleitor fazer uma opção consciente na hora de votar. 

Um fato que chamou atenção dos telespectadores foi o olhar estranho do candidato Cleitinho diante das câmaras da emissora. Passou a hipótese de ele estar olhando para um vazio, desfocado da câmara. Ficava estranho. Seus assessores devem ter observado e alertado o candidato sobre o assunto. Depois de um certo tempo, o problema foi corrigido. Nessas horas, todo o cuidado ainda é pouco. Num debate no Ceará, Ciro Gomes levantou o dedo no rosto de Elmano de Freitas. Se ele fosse um pouco mais além disso poderia dá adeus ao seu projeto de voltar a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição.  

Editorial: Lula não irá ao debate da Globo


O presidente Lula já avisou que não irá comparecer ao debate promovido pela Rede Globo, programado para o dia de hoje. Informações de bastidores apontam que se trata de uma decisão pessoal, uma vez que seu núcleo duro de campanha teria aconselhado ao presidente o comparecimento ao encontro. Assim como ocorreu anteriormente em relação ao debate organizado pela Rede Bandeirantes, Lula optou por conceder uma entrevista no mesmo momento do debate. Público controlado, sem os inevitáveis questionamentos a que ele seria submetido durante o encontro da Globo. O jogo está bastante equilibrado, mas existe algumas circunstâncias que podem prejudicar Lula neste momento. O experiente jornalista Fernando Mitre costuma enfatizar que uma cadeira vazia sempre produz alguns efeitos, não necessariamente positivos. 

Existem algumas nuances nessas eleições, como uma espécie de "desencanto" que tomou conta do eleitorado, possivelmente em razão das circunstâncias em que estamos indo as urnas, em meio a uma crise institucional sem precedentes. Não seria surpresa um contingente expressivo de abstenções neste pleito, geralmente liderado por um núcleo de eleitores de menor formação, exatamente aquele eleitor que se identifica mais com o petismo. Lula lidera apenas "numericamente" o pleito, o que não inspira grande confiança no resultado do jogo. Ainda existem alguns eleitores indecisos ou que talvez possam mudar de voto. Em circunstâncias assim, a prudência é a melhor conselheira.  

Hoje, dia primeiro, também será realizado um debate decisivo aqui no estado. O grupo Jornal do Commércio promove um debate entre os candidatos ao Governo do Estado, onde, possivelmente, alguns temas nevrálgicos deverão voltar à discussão, sobretudo quando se percebe que tais temas podem estar influenciando a opinião e o voto dos eleitores. O bom seria que os candidatos se concentrassem apenas nos temas que interessam para a gestão da máquina estadual, como ocorreu no debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo e ao Governo de Minas Gerais. Ontem tivemos verdadeiras aulas sobre os problemas das estradas do Sul de Minas, a poluição de sua bacia hidrográfica e a famigerada dívida pública do estado com a União. É isso que a gente precisa ouvir. Esse negócio de laqueadura eu nunca entendi muito bem. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Editorial: "Amas a incerteza e serás um democrata"


A incerteza sobre o resultado do jogo é inerente ao processo democrático. A frase está inscrita num artigo famoso do cientista político polonês, professor da Universidade de Chicago, Adam Przeworski, "Amas a incerteza e serás um democrata". Na reta final do primeiro turno das eleições deste ano, que já ocorre no próximo domingo, 04, temos pensado bastante sobre este assunto. Estamos mergulhado numa torrentes de incertezas que não se esgotam apenas nas eleições, mas, e talvez principalmente, sobre o que vem a seguir, posto que estamos mergulhados numa crise institucional sem precedentes no país. Os dois principais concorrentes, guardam relações com esta crise institucional, como se sabe. 

Em determinado momento se pensou, por exemplo, que Lula poderia perder as eleições em função dessa questão nevrálgica. Neste momento, no entanto, o jogo eleitoral envolvendo os dois principais concorrentes está incerto. As últimas pesquisas de intenção de voto apontam isso. Aqui no estado de Pernambuco foram divulgadas duas pesquisas recentes, uma do Instituto Quaest e a outra do Instituto Paraná Pesquisas. Em ambas, um rigoroso empate técnico, dentro da margem de erro, entre os candidatos João Campo e Raquel Lyra. Tivemos o debate da Rede Globo, na terça, e já se anuncia o debate da TV Jornal para a quinta-feira. Num momento crucial da pesquisa, surgiu o vídeo sobre uma fala infeliz da governadora Raquel Lyra, que está sendo muito explorado pelo seu adversário, João Campos. 

A equipe de comunicação da governadora Raquel Lyra, que estava tão bem, precisou pedir o VAR e isso não é bom, mesmo quando se encontra a melhor maneira de encarar a situação. Essa coisa de comunicação de massa é algo extremamente sensível e complicado. À época em que foi divulgado um vídeo onde um pastor ensinava aos seus auxiliares como arrancar dinheiro do "rebanho", os pastores da igreja conseguiram convencer os fiéis a não acreditarem no que eles "estavam vendo". Aqui em Pernambuco, até hoje as pessoas acreditam numa tal de "Perna Cabeluda", personagem inventada por um profissional de imprensa que não tinha "pauta" para entrar no ar ao vivo numa emissora de rádio. Em décadas passadas, numa eleição apertada, os adversários plantaram a desinformação de que o então candidato ao Governo do Estado do Maranhão,  Epitácio Cafeteira, havia cometido um homicídio. Até hoje ele tenta se explicar.  

Editorial: Pedágio eleitoral na Paraíba


Até domingo, dia 04, primeiro turno das eleições deste ano, muita coisa pode acontecer. Nesses últimos dias, na ânsia de se elegerem, muitos candidatos abdicam do respeito aos princípios republicanos de uma eleição; falam demais, como o presidente Lula recentemente; desrespeitam as regras estipuladas pela Legislação Eleitoral e até compram os votos dos eleitores, reproduzindo, para o perímetro urbano, aquilo que, no passado, denominávamos de currais eleitorais, traduzidos no belo texto de Coronelismo, Enxada e Voto, de Victor Nunes Leal. No dia de ontem, 29, mais uma operação da Polícia Federal, no Paraíba, no curso de operações que já vinham sendo implementadas, visando coibir a prática do que se convencionou chamar de "Pedágio Eleitoral", ou seja, controlando territórios específico, facções do crime organizado passaram a cobrar dinheiro dos candidatos para a realização de atividades políticas em seus territórios, subvertendo alguns princípios elementares da democracia representativa. 

Mancomunados com os políticos que se sujeitam ao processo, os faccionados passam a pressionarem a população desses territórios a votarem nos nomes que estão sendo indicados por eles. Em estados como o Rio de Janeiro, onde 33% do território já está sob o controle das milícias e de facções, a gente vê isso na prática. Uma penca de políticos comprometidos com tais esquemas, mantendo relações promíscuas com esses criminosos até mesmo durante a sua atuação parlamentar, o que significa concluir que o mecanismo passou a ser utilizado pelas facções com objetivos bem mais audaciosos, como a participação em licitações, emprego na máquina, além, muito provavelmente, de outras práticas ilícitas. 

O dano maior para as nossas instituições democráticas é que a prática já começa a se disseminar pelo país afora, em estados como o Ceará e a Paraíba. Não é nada improvável que tenhamos outras situações do gênero entre os demais entes federados, principalmente aqueles onde a atuação de facções são mais evidentes. Em maior ou menor proporção, na realidade, eles atuam em todo o país. Ainda ontem, durante um debate entre os candidatos ao Governo do Estado de Pernambuco, o candidato João Campos, do PSB, reforçou o alerta acerca do avanço do crime organizado em Pernambuco, onde, em algumas comunidades, já poderia estar ocorrendo os chamados "toque de recolher".   

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Editorial: Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no momento mais importante da eleição


No próximo domingo, 04, teremos o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Estamos, portanto, num momento crucial do pleito. Num momento definitivo, duas pesquisas de intenções de voto, divulgadas hoje, 28, mostram a ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Na média, 5% na Nexus e na Quaest. O chamado centrão sociológico ainda não se definiu completamente, mas, gradativamente, este contingente também vai diminuindo à medida em que o pleito se aproxima do primeiro turno. Salvo melhor juízo, hoje Lula deve arrastar uma multidão calculada em mais de um milhão de pessoas na Barra, em Salvador, reduto tradicional do petismo. ACM Neto, herdeiro do Carlismo, que mantinha uma tendência de vitória desde o início da campanha, percebe que Jerônimo Rodrigues, com a força da militância do PT baiano, já funga em seu cangote. 

Estão praticamente empatados, sendo, neste momento, improvável fazer qualquer previsão. O PT, de um modo geral, parece ter dado uma arrancada nesta reta final da campanha, quando se sugere que as medidas adotadas pelo Planalto recentemente estão trazendo alguns dividendos políticos, como o aumento do Bolsa Família, a proibição das Bet's. Flávio já havia encostado no teto e Lula encontrado o seu piso. A terceira via encontra-se, como sugere o escritor José Adalberto Ribeiro, em sua crônica política de hoje, num verdadeiro pau de sebo, impossível de ser vencido. Zema não consegue a simpatia e o apoio nem do eleitor de Minas Gerais, onde foi governador. É uma luta inglória a da terceira via.

São muitas as emoções até o dia 04 de outubro. A militância petista está nas ruas, os artistas estão pedindo votos para a Lula em suas redes sociais, a exemplo do cantor Djavan. Não sabemos se outros artistas engrossaram essa fileira, mas não seria improvável. Lula esteve recentemente na casa do cantor Caetano Veloso, no Rio de Janeiro. Do Ceará vem a informação que, assim como ocorre na Bahia, o governador Elmano de Freitas, que concorre à reeleição, aparece bem posicionado contra Ciro Gomes nas últimas pesquisas.  

Editorial: O debate da Rede Globo


Aqui na província pernambucana, na reta final da campanha, um verdadeiro massacre promovido pelos blogs de política "comprometidos" com o candidato socialista contra a governadora Raquel Lyra(PSD-PE). O massacre é tão asqueroso que deixamos de comentar o tema em nossas postagens de cobertura específica sobre as eleições. Já faz algum tempo que não publicamos o nosso "O xadrez político das eleições estaduais de 2026". Lula, da última vez que esteve por aqui, teria aconselhado aos seus apoiadores que não atacassem a governadora. No plano nacional, recrudesce as indisposições entre os ministros da Suprema Corte, um derrubando as medidas tomadas pelo outro. Haja antiácido para poupar-nos de uma indigestão política. Em meio a tal turbilhão, especula-se sobre um possível debate, promovido pela Rede Globo, entre os candidatos que concorrem ao Palácio do Planalto. 

O debate está programado para o dia primeiro, três dias antes das eleições de outubro. Debates políticos para este editor são sempre bem-vindos. Trata-se de uma oportunidade rara de conhecermos a realidade de todos os nossos entes federados. Ontem, por exemplo, acompanhamos um debate entre os candidatos quem concorrem ao Governo do Piauí, onde os problemas relacionados às intervenções no meio ambiente, os recursos hídricos e os problemas habitacionais deram a tônica do encontro. O Piauí sugere que seja mais um caso onde a privatização da companhia de água e saneamento está produzindo efeitos danosas à população. Sinceramente, não conhecemos um único caso onde as concessões ou privatizações dos serviços de água e esgoto deram certo. Em São Paulo a Sabesp, a maior empresa de saneamento básica do continente, foi privatizada mesmo dando lucro. Vamos dar uma de ingênuo por aqui e fazermos de conta de que não entendemos essa lógica. 

O debate que será promovido pela Rede Globo, já no finalzinho do primeiro turno, pode contar com os faltosos dos debates anteriores e os mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O grande problema é que, para assegurar a presença de Lula e Flávio, a emissora dos Marinhos resolveu não convidar o candidato do Renan Santos, do Missão, que, em tese e do ponto de vista legal, atende os requisitos para ser convidado. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro não teriam interesse em participar de um debate com Renan Santos. Hoje o candidato aparece nas redes sociais afirmando que iria se comportar, evitar os eventuais excessos,  enfatizando que seria bem-vindo que a emissora o convidasse. Seria bom mesmo. 

sábado, 26 de setembro de 2026

Editorial: Festival Gastronômico IgaraMangue


Crédito da Foto: Blog Dellas, de Terezinha Nunes


Recentemente concluímos mais um texto literário abordando uma temática da Região da Mata Norte do estado, o romance Nas Marés de Malunguinho. Não é a primeira vez que nos debruçamos sobre o assunto. No nosso primeiro romance, vencedor do Prêmio José Lins do Rego de Literatura, tínhamos como um dos propósitos abordar um fato abominável ocorrido na Comunidade Quilombola de Cuieira, em Igarassu, na década de 40, durante a vigência da ditadura do Estado Novo, onde ocorreu um verdadeiro massacre atingindo os moradores locais, identificados com as religiões de matriz africana, que tiveram suas casas invadidas, foram espancados e mortos por forças policiais. Por algum motivo, esquecemos de abordar o tema, impondo-nos a necessidade de proceder alguns ajustes no texto apenas para inserir tal discussão e chamar atenção do público sobre o episódio repulsivo ali ocorrido. 

Afinal de contas, estamos tratando de um cientista político que resolveu fazer literatura. Não tem sido fácil conciliar essas duas condições, pois os nossos textos acabam ficando ensaísticos demais, disputando com a narrativa strictu sensu literária. O mesmo ocorre com o romance Nas Marés de Maluguinho, onde a História do Quilombo do Catucá assume uma dimensão gigantesca no livro. Bom para os historiadores, antropólogos, sociólogos mas talvez menos interessante para os leitores mais identificados com a trama da narrativa literária propriamente dita. Existe uma regra para isso, mas, quase sempre, não a respeitamos. Mais de quatro páginas de descrições pode cansar os leitores. Hoje nos dedicamos à revisão de um texto sobre as Heroínas de Tejucupapo, que também trata de uma temática relativa às Comunidades Quilombolas de Tejucupapo e São Lourenço. 

Hoje, ao abrir as páginas do nosso Jornal do Commércio, deu água na boca as menções às iguarias gastronômicas que estão sendo servidas e avaliadas no Festival Gastronômico de IgaraMangue. Em nossas andanças por aquelas bandas do nosso litoral, já experimentamos de muita coisa, como uma linguiça de peixe servida na praia de Pontas de Pedra, os Guaiamuns do Buraco da Gia, a Comida de Santo, no terreiro de Umbanda de mãe Nininha, assim como a mariscada, que era o prato preferido de João Ubaldo Ribeiro, em sua Itaparica. Essas comidas, quase sempre preparadas com algum fruto do mar, são realmente uma delícia. Em Maceió é servido um sururu de capote que fazia a alegria de Jorge Amado quando estava por aquelas bandas. Neste rol, podemos incluir, certamente, a fritada de aratu, de Patrícia Maria, que participa do festival. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Editorial: Lula no Recife


Na última quinta-feira foram publicados os índices de intenção de voto para o Governo de Pernambuco, numa pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha. Os números, mesmo se considerarmos o empate técnico, ainda são favoráveis à governadora Raquel Lyra, que disputa a reeleição. A presença de Lula no Recife, segundo analistas, é a última cartada dos socialistas para virarem o jogo em favor do candidato João Campos(PSB-PE). Sabe-se lá quais seriam as prioridades de campanha do presidente Lula neste momento crucial da campanha. Aqui em Pernambuco a sua situação é razoavelmente até confortável, pois detém o dobro das intenções de voto do seu adversário, Flávio Bolsonaro. Há outros entes federados onde a situação é bem mais complicada neste momento e cruciais para a definição do pleito. Mesmo assim, Lula veio ao Recife. 

Um colunista da revista Veja recentemente utilizou a imagem do piso e do teto para ilustrar este momento das pesquisas de intenção de voto, ou seja, Lula encontrou o seu piso e Flávio atingiu o teto. Os bolsonaristas estavam otimistas com a arrancada de Flávio nas últimas pesquisas de intenção de voto, mas o fôlego, como sugere o colunista da revista, parece estar se exaurindo. Mais um pouco ele morre afogado. Num eventual segundo turno, Lula aparece à frente do bolsonarista, de acordo com a última Datafolha. A vantagem não é confiável e muito menos confortável, mas o fato, em si, deixa os petistas menos desesperados. Pelo andar da carruagem política, nobre e estimado leitor, vamos ter uma disputa equilibradíssima. Voto a voto. 

Há um índice de indecisos que giram em torno de 5% a 8% do eleitorado. Eles serão decisivos na definição do pleito. Não são petistas nem bolsonaristas, mas órfãos de opção, encurralados pela polarização esgarçante. Integram aquele contingente que o marqueteiro João Santana classifica como "centrão sociológico". Quando ele afirma que é este o grupo de eleitores que definem o jogo ele está certo. É preciso discutir, no entanto, essa orfandade de opção. Não votam num programa, não votam por identificação, talvez optem pelo menos ruim. O mais preocupante é que, em qualquer dos casos, a crise institucional em que o país está mergulhado não sinaliza para uma solução.