pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
Powered By Blogger

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Editorial: A diplomacia de Caiado em sua visita ao Recife



No maior evento de comunicação política e institucional do país, ocorrido recentemente em Porto Alegre, o marqueteiro João Santana, durante a sua fala, diz ser um equívoco crasso ou ilusão a conclusão - quase generalizada - que o país vive sob a égide de uma esgarçante polarização política. A questão é polêmica e merece uma avaliação mais aprofundada, o que não seria possível num espaço tão curto como este. O fato é que, até o momento, nenhum dos postulantes à Presidência da República, pelo menos até o momento, conseguiu romper com a centrífuga que mói a disputa entre dois nomes. Um representante do petismo, Luiz Inácio Lula da Silva, e, do outro lado, Flávio Bolsonaro, o representante do bolsonarismo. De fato, quem deve decidir a eleição é aquele eleitorado de centro, menos orientado ideologicamente, que, aliás, pode estar se afastando de Flávio Bolsonaro depois do "Dark Horse" e melhorando os índices de Lula, conforme as últimas pesquisas de intenção de voto. 

Em todo todo o caso, tal eleitorado acaba sendo "filtrado" por essas duas opções. Segundo pesquisa do Datafolha, ele até gostaria de votar num outro nome, mas sabe que tal nome não reúne as condições mínimas de superar essa barreira e se vê contingenciado a fazer uma opção entre um petista ou um bolsonarista. Um desses candidatos, Ronaldo Caiado(PSD-GO) não atinge sequer 5% das intenções de voto. Caiado esteve recentemente no Recife, onde assumiu uma postura de pré-candidato que não deseja arestas com possíveis ou eventuais aliados. Foi diplomático, elogiando a postura de independência da governadora Raquel Lyra(PSD-PE), que é do seu partido, mas assegura que terá palanque no estado. Raquel, por sua vez, retribuiu a gentileza, afirmando que tem admiração pelo ex-governador de Goiás. 

Há uma movimentação de lideranças do PL pernambucano no sentido de que a governadora assuma de uma vez o palanque de Flávio Bolsonaro no estado. O lobby é forte, inclusive com a ingerência do próprio presidente da legenda no estado, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, que gostaria de declarar oficialmente o apoio do partido à governadora mediante tal compromisso. O ex-Ministro do Turismo do Governo Bolsonaro, Gilson Machado, que hoje é filiado ao Podemos, também se posicionou favorável a um apoio da governadora à candidatura de Flávio Bolsonaro. 

Editorial: Racha na Família Bolsonaro?


Começando o dia agradecendo pelos leitores que nos acompanharam no dia de ontem, 24, precisamente 13.761. Hoje, 25, com a ajuda de vocês, pretendemos superar esse índice. Hoje também fomos surpreendido com um vídeo da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, onde ela tece algumas considerações críticas sobre como fora tratada pelo pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Numa avaliação mais ampla, o que sempre esteve em jogo ou em disputa é o espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A família não construiu um consenso em torno desse assunto. Uma candidatura presidencial da ex-primeira-dama nunca contou com o sinal verde dos filhos do ex-presidente e, eventualmente, talvez do próprio Bolsonaro. 

Aliás, uma "solução" fora do próprio clã-familiar talvez tivesse sido uma estratégia que poderia ter evitado esta fissura e se tornado mais viável eleitoralmente, a exemplo do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Existe uma birra entre ambos, Michelle e Flávio, acerca do posicionamento do PL no estado do Ceará, onde históricos bolsonaristas, a exemplo de André Fernandes e Capitão Wagner, hoje perfilam  ao lado do tucano Ciro Gomes. Mas isso é pontual, sobretudo se considerarmos que se trata de uma situação inusitado, uma vez que o próprio Ciro Gomes não se inclina a levantar o palanque de Flávio no estado. 

Depois dos vídeos que vieram a público, onde o senador Flávio Bolsonaro negocia com o banqueiro Daniel Vorcaro financiamento para o filme sobre o pai, "Dark Horse", o pré-candidato voltou a performar em termos de intenções de voto num universo considerado tradicionalmente bolsonarista raiz, perdendo eleitores no segmento dos eleitores independentes. Resta saber se esses fatos novos poderia produzir alguma ranhura neste eleitorado cativo do bolsonarismo. 

Editorial: Por onde anda Bebeto do Choró?

 


A Polícia Federal prendeu recentemente, em flagrante, o filho do ex-prefeito de Choró, o senhor Bebeto Queiroz, que, politicamente, ficou conhecido como Bebeto do Choró. Estima-se que, com a prisão do filho, as investigações avancem no sentido de esclarecer um suposto esquema nebuloso de corrupção montando naquela prefeitura,  envolvendo entes públicos e privados, altamente lesivos ao interesse público. A engenharia de corrupção, neste caso, é sensivelmente complexa, uma vez que, segundo apurações da Polícia Federal, envolveria fraudes em licitações, liberações de emendas irregulares, exploração de serviços na máquina municipal por facção do crime organizado e, também, financiamento de políticos "sensíveis" ao esquema montado por esses grupos faccionados dentro e fora da cidade. De quebra, ainda existe a questão da lavagem de dinheiro oriundo do crime organizado no esquema, sempre de acordo com as investigações da Polícia Federal, tornadas públicas.  

O que espanta neste caso são as recorrentes ocorrências de fatos semelhantes ao que já ocorre em outras praças do país, onde facções do crime organizado já operam dentro de instituições públicas abertamente, onde o caso mais emblemático é o Rio de Janeiro. Conforme comentávamos no dia de ontem, 24, cinco vereadores de Morada Nova, cidade localizada no Vale do Jaguaribe, foram presos porque tiveram suas campanhas financiadas por facções do crime organizado. Inclusive o presidente da Câmara Municipal. Se considerarmos a possibilidade de eventos semelhantes em outras cidades do estado, o que não seria improvável, estamos aqui diante de uma engenharia de corrupção muito bem azeitada. 

Há meses Bebeto do Choró está foragido, tornando-se um tema recorrente na pré-campanha para o Governo do Ceará. Este fato tem produzido um desgaste para a gestão do atual governador, Elmano de Freitas, naturalmente muito explorado pela oposição, hoje representada pelo ex-governador Ciro Gomes. Soubemos recentemente que Ciro Gomes foi vítima de um processo movido não sabemos se pelo PT, se pelo Governo do Estado ou se pelo próprio governador Elmano de Freitas. Supostamente, pode ter sido em razão de uma alegada ausência de empenho na captura do foragido.  

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Editorial: O que faz do Brasil, Brasil

Crédito da Foto: Marcelo Gomes\Acervo Trip


Este é o título de um dos textos mais emblemáticos do antropólogo Roberto DaMatta, onde, como sugere o título, ele tanta explicar o que faz do Brasil, Brasil. Por aqui ocorre algumas coisas curiosas, como uma análise que chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde um ministro cobra explicações da direção da Penitenciária da Papuda acerca de uma suposta pressão para que Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS" faça delação premiada. Ficamos sem entender. Aliás, o próprio Camilo Antunes, salvo melhor juízo, muito em função da prisão do seu filho, já teria manifestado interesse em entrar no programa de colaboração espontaneamente. 

Outro fato curioso é um processo, movido pelo Governo Elmano de Freitas - ou seria do PT cearense? ainda não temos certeza - contra o pré-candidato Ciro Gomes, que envolve a prisão de Bebeto do Choró, um ex-prefeito arrolado num processo que está relacionado às facções do crime organizado no estado, que se encontra foragido há alguns meses. Não vamos aqui entrar no "mérito" da questão, uma vez que este caso tomou repercussão nacional por envolver supostas relações de políticos eleitos com o crime organizado. É aquilo que tratamos aqui como a "institucionalização" do crime organizado. 

O Rio de Janeiro é o melhor exemplo, mas numa cidadezinha do próprio Ceará, praticamente uma penca inteira de vereadores foram presos por este motivo. Inclusive o presidente da Câmara Municipal. Ainda para hoje, um encontro entre o presidente Lula e o ainda líder do Governo no Senado Federal, o senador Jaques Wagner. É aquela conversa entre bons amigos, onde um fica insistindo para o outro desligar primeiro. Pessoalmente, Lula não gostaria de pedir o cargo a um amigo de décadas. Jaques Wagner também não gostaria de entregar o cargo, mas se sente contingenciado a fazê-lo. Aproveitamos para agradecer os leitores pelos 10 mil acessos ao blog até este momento. 

Editorial: 59% dos brasileiros concordam em classificar PCC e CV como organizações terroristas



O advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi eleito no último domingo, 21, o novo presidente da Colômbia, ancorado numa plataforma política de enfrentamento radical aos narcotraficantes do país, acenando para a construção de unidades prisionais à semelhança do CECOT de El Salvador e a presença efetiva de forças militares americanas no país. Embora o resultado tenha sido apertado - Espriella venceu com a diferença de apenas 1% dos votos - a sua vitória é uma evidência de que a população colombiana apoia suas propostas. O resultado está sendo contestado, mas ele já instigou as Forças Armadas do país a confirmarem o resultado das urnas. Ele deve ser mesmo confirmado como o próximo presidente do país. 

Este prólogo é em função de uma pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo, cuja temática está relacionada à posição da população brasileira em razão da decisão do Governo dos Estados Unidos em classificarem organizações como o PCC e o CV como organizações terroristas. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de junho, com pessoas entre 16 anos ou mais, num universo de 136 municípios brasileiros. Os dados levam à conclusão de que 59% dos brasileiros são a favor de classificar PCC e CV como organizações terroristas. Por outro lado, 74% não concordam com algum tipo de intervenção dos Estados Unidos no país, um dado que talvez nos diferencie dos colombianos e sirva de alerta ao candidato Flávio Bolsonaro, que tem demonstrado muito entusiasmo com as medidas adotadas pelos americanos. 

Com a vitória de Espriella na Colômbia, passou a circular nas redes sociais avaliações acerca da influência que o Governo dos Estados Unidos estão exercendo nos diversos pleitos de países da região, inclusive no Brasil, onde o apoio e afinidades ficam evidentes com um dos lados. Lula, inclusive, reforça uma narrativa de contraposição, ancorado nos bons resultados de um soberanês sem sotaque. Há cem dias das eleições, embora os escândalos de corrupção continuem produzindo seus estragos, ainda defendemos a tese de que o "medo" será o grande eleitor de 2026.  

Editorial: Os rolos da República do Acarajé

Crédito da foto: PT da Bahia


Nas eleições de 2022 os baianos deram 72% dos votos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula obteve uma votação expressiva no 4º maior colégio eleitoral do país, graças ao apoio efetivo de nomes como os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, que também conseguiram eleger Jerônimo Rodrigues governador, a despeito das dificuldades iniciais. Os baianos chegaram a capital federal com o prestígio nas alturas, dispostos a ocuparem os espaços de poder convergentes com os votos transferidos ao presidente. Rui Costa foi indicado para o estratégico Ministério da Casa Civil, assim como Jaques Wagner assumiu a liderança do Governo Lula no Senado Federal. Ao longo do tempo, jornalistas que cobrem  os bastidores da capital federal concluíram que ambos se tornaram interlocutores privilegiados junto ao presidente Lula. 

Com o seu nome envolvido em supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master, conforme investigações da Polícia Federal tornadas públicas, Jaques Wagner deve deixar a liderança do Governo no Senado nos próximos dias, consoante o que se especula. Ele, pessoalmente, talvez não desejasse, mas pessoas ligadas ao presidente afirmam que isso seria fundamental para livrar o Governo de uma encrenca maior há cem dias das eleições de outubro. O pior ainda não é isso. Segundo também se especula, outro amigo da República do Acarajé pode ser arrolado nas mesmas investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

O curioso neste enredo é que um dos principais interlocutores junto ao presidente Lula sobre a tese de se manter o máximo possível distante dos rolos da República do Acarajé também é baiano e os leitores já podem imaginar de quem estamos falando. Lula enfrenta um momento de menos alvoroço em relação às pesquisas de intenção de voto, justamente quando se presume que os eleitores mais independentes possam ter abandonado o barco do candidato Flávio Bolsonaro, depois do "Dark Horse". O que Lula menos desejaria neste momento é um escândalo sendo jogado no colo do Palácio do Planalto.  

terça-feira, 23 de junho de 2026

Editorial: Gilmar Mendes no Roda Viva


O Roda Viva, um programa tradicional da TV Cultura, não é mais aquele Roda Viva de antes, onde entrevistas históricas ficaram consagradas. Durante um certo tempo, acompanhávamos o programa com uma grande expectativa acerca do próximo entrevistado. Ao longo do tempo, perdemos um pouco este hábito. Ontem, segunda-feira, no entanto, a bancada de entrevistadores questionaram o decano da Suprema Corte, o ministro Gilmar Mendes. Durante a entrevista, o ministro fez duas ponderações das mais relevantes, talvez por isso mesmo elas estejam repercutindo tanto nas redes sociais. Num determinado momento, ele remonta a um diálogo mantido com o ministro André Mendonça, durante uma sessão aberta do Supremo Tribunal Federal, onde o relator do inquérito do Banco Master confidenciou que havia recebido e recusado uma proposta delação premiada "seletiva", formulada por advogado do banqueiro Daniel Vorcaro. 

Durante a entrevista, Gilmar apontou aqui um eventual equívoco, uma vez que não seria de competência do ministro André Mendonça  a recusa de tal delação, algo afeito, tão somente, à Policia Federal, o Ministério Público e os próprios advogados constituídos pelo réu. Num outro momento de sua fala, uma decisão do ministro Nunes Marques, Presidente do TSE, que proibiu a divulgação de dados de uma pesquisa do Instituto Atlas\Intel. Gilmar acredita que, uma vez recorrido, tal medida não teria chances de ser referendada num colegiado da Suprema Corte, em nome de decisões já tomadas em relação à liberdade de expressão.  

Em alguns momentos, há uma polêmica sadia entre os ministros da Suprema Corte e isso nos ensina muito sobre algumas dessas decisões. Não é de nossa competência ou alvitre julgar quem tem razão nessas contendas. Hoje tomamos conhecimento de que o ministro Edson Fachin deve distribuir outro inquérito polêmico, o do "Dark Horse", ao ministro André Mendonça. Tema polêmico, uma vez que o ministro foi indicado ao STF pelas mãos do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Editorial: Operação Miragem da Polícia Federal



Acordamos hoje com mais uma operação da Polícia Federal, desta vez contra eventuais fraudes no sistema financeiro, algo, em tese, bastante parecido com o que ocorreu com o Banco Master. Quando estourou o escândalo do Banco Master, aliás, analistas do mercado já haviam observado que algo semelhante poderia ocorrer com o Banco Digimais, uma instituição bancário pertencente ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal. As operações se realizam em São Paulo, a partir da constatação de que operadores do banco teriam, supostamente, fraudados balanços financeiros para apresentar uma situação de solvência inexistente nas operações da instituição bancária. De imediato, foram bloqueados o montante de 670 milhões em bens. 

O pior é que não seria improvável que outras instituições bancárias possam estar utilizando desses mesmos expedientes lesivos aos cofres públicos e aos seus clientes. Outra fonte de preocupação são os famigerados empréstimos consignados, em alguns casos, realizados sem autorização de aposentados e pensionistas, que, com dificuldades, acabam gastando o dinheiro "extra" que entram em suas contas, assumindo dívidas que passam a comprometer os benefícios nas rodadas seguintes, engordando os bolsos dos tubarões do sistema financeiro. As investigações conduzidas pela CPMI do INSS estavam mostrando o modus operandi dessas instituições bancárias, no momento em que os trabalhos foram encerrados.  

Vamos aguardar novos desdobramentos dessas investigações durante o dia de hoje. Por enquanto, é isso o que se sabe. É o que temos informados por aqui. No Brasil, a gente fica sempre esperando o próximo escândalo, algo que já nem causa mais espanto aos cidadãos e cidadãs. Vamos em frente, manter a programação da festa junina, que é uma maneira de conviver de forma menos estressante num ambiente onde os escândalos são recorrentes. 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Editorial: Jaques Wagner deve licenciar-se da liderança do Governo no Senado Federal.



A informação está publicada no coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A despeito da resistência inicial, informa o jornalista, os companheiros convenceram o senador Jaques Wagner a licenciar-se da liderança do Governo no Senado Federal, evitando, assim, um desgaste maior do Governo Lula neste momento. As investigações da Policia Federal avançam no sentido de apurar se, de fato, há algum envolvimento irregular do senador com as conhecidas maracutaias do Banco Master. Há alguns indícios. Não fosse assim, as operações de buscas e apreensões determinadas pelo STF não teriam sido autorizadas. Os governistas operavam, até então, com o escândalo do suposto financiamento do filme "Dark Horse", que acabou dando nome ao escândalo. 

Ainda hoje, 22, também na coluna do Lauro Jardim, há a informação de que teria ocorrido mais um encontro entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. É aquilo que informamos no dia de ontem. Um escândalo desta natureza não passa pelo crivo ideológico. Principalmente num país onde ditos esquerdistas adoram apartamento de cobertura de frente para o mar, como qualquer burguês de bom pedigree. De preferência com píer e teleférico. A dinâmica da política é bastante interessante. De Espriella foi eleito ontem presidente da Colômbia, ancorado numa plataforma política radical, identificada com a extrema-direita, propondo "soluções" para o gravíssimo problema de segurança pública no continente. 

Outros fatos podem ser tornar mais relevantes daqui para frente, antes do 04 de outubro. Facções do crime organizado estão executando até bebês, como ocorreu recentemente na Bahia. A eleição de Espriella na Colômbia reforça a tese de que o "medo" realmente seja o grande eleitor das próximas eleições. Pelo andar da carruagem, sugere-se que não apenas no Brasil, mas no continente, uma vez que essas facções passaram a operar de forma continental. 

Editorial: Prefeitura de São Paulo contrata escola de "Casa Grande" para alunos de escolas de "Senzala".


Há poucos dias concluímos um romance sobre um personagem ancestral das matas do Litoral Norte de Pernambuco, líder do Quilombo do Catucá, conhecido como Malunguinho. No mês de agosto nas matas do Engenho Pitanga, em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, há uma grande festa em sua homenagem, reunindo integrantes de religiões afro-brasileiras, notadamente os praticantes da Jurema Sagrada. Tombada recentemente como patrimônio imaterial do estado, a festa é uma das mais pungentes dos povos de religiões afro-brasileiras. Tivemos que remontar toda a história desse líder quilombola, que se transformou em entidade depois de morto, cultuado pela Jurema Sagrada, o Candomblé e a Umbanda. 

Sempre auxiliado pelo professor Marcus Carvalho, da UFPE, profundo conhecedor deste tema, assim como pelo antropólogo argentino Néstor Garcia Canclini, o texto ficou demasiadamente denso, talvez mais próximo de um ensaio do que um romance, algo que precisamos rever no sentido de não prejudicar os elementos de narrativa inerentes a um texto com as característica de romance. Num determinado momento, fazermos referência ao abolicionista pernambucano, Joaquim Nabuco, que integrava um estirpe de abolicionistas preocupados com a construção de um projeto para os negros recém-libertos da escravidão, assim como o engenheiro de Cachoeira, André Rebouças. 

Muito afinados com esses autores, um outro pernambucano, Cristóvam Buarque, observa que, no Brasil, ainda existem escolas para alunos da Casa Grande e escolas para os alunos da Senzala. Isto nos veio à mente quando líamos recentemente que a Prefeitura de São Paulo, quando soube que uma escola tradicional mantida por instituição religiosa, que funcionava junto à Cracolândia, iria fechar, propôs que eles se mantivessem em atividade, mas passassem a receber os alunos da rede pública municipal. Assim foi feito, segundo dizem,  com excelentes resultados.  A escola é o Liceu Coração de Jesus, com 137 anos de existência, conhecida por formar boa parte da elite do estado de São Paulo. 

De família humilde, mas bancado por um padrinho, Lima Barreto foi aluno da mesma Politécnica onde se formou André Rebouças. Era um grande desejo do pai que ele se formasse na Politécnica, mas ele não conseguiu chegar ao final do curso, exatamente em função dos problemas enfrentados pela família. André Rebouças talvez se configurasse naquela biotipo tratado pelo antropólogo Gilberto Freyre dos mulatos embranquecidos em razão de sua ascensão social. Ele tomava essas referências para concluir que, no Brasil, não haveria um preconceito de raça, mas de condição social do indivíduo. Esta digressão aqui, leitores, é apenas porque líamos recentemente uma biografia de Lima Barreto onde há várias referências a André Rebouças. Não tem uma relação direta com o episódio do Liceu Coração de Jesus.   

Editorial: De La Espriella vence eleição na Colômbia


Uma onda de extrema-direita varre a América Latina, onde políticos com este perfil estão sendo conduzidos à presidência de países do continente nas últimas eleições, a exemplo da Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Paraguai, Peru e, mais recentemente, a Colômbia. Abelardo de La Espriella, foi eleito no último domingo, 21, em segundo turno, o novo presidente colombiano. Suas chances de chegar ao poder foram antecipadas por este editor logo depois do final do primeiro turno daquelas eleições, onde ele ficou à frente do concorrente, Ivan Cepada, apoiado pelo atual presidente do país, Gustavo Petro, embora com uma margem apertada de votos, apenas 1%, o que levou os governistas a contestarem o resultado. 

Há algumas teorias construídas em torno deste assunto, principalmente por setores mais à esquerda do espectro político, sobre as quais poderíamos nos debruçar, mas, de concreto, o que parece estar em jogo mesmo é a incapacidade desses países em lidarem com o avanço do crime organizado com os instrumentos convencionais até então utilizados. No Brasil entes federados estão entrando em colapso, a exemplo de estados como o Ceará, a Bahia, o Rio Grande do Norte. Na Colômbia é um país inteiro. A plataforma política de Espriella é de enfrentamento radical, com a utilização das Forças Armadas e construção de presídios ao estilo do CECOT de Nayib Bukele, de El Salvador, um dos seus inspiradores. 

A esquerda adora neologismo. Terá que lidar agora com um novo neologismo, ou seja, a bukelização do continente latino-americano. Já existem outros CECOT's em construção e "missões" estrangeiras estão sendo encaminhadas a El Salvador para estudarem o modelo adotado naquele país no enfrentamento das gangues que ali atuavam. Um dos nossos principais concorrentes à Presidência da República já esteve ali, acompanhado de outros parlamentares e se mostra simpático à propostas como o "Escudo das Américas", proposição do Governo Norte-Americano. Um outsider, o Renan Santos, com chances de surpreender nas eleições, é francamente favorável à adoção de medidas radicais no enfrentamento do crime organizado. 

domingo, 21 de junho de 2026

Editorial: Amizades tóxicas


Pelo andar da carruagem política, o que determina que a delação do ex-banqueiro se proponha "seletiva", na realidade, não seria para preservar alguns amigos do peito, mas por temor dos desdobramentos caso alguns nomes sejam elencados. Hoje, 21, uma jornalista se reporta à observação do ministro André Mendonça, numa sessão aberta do STF, onde o magistrado faz referência a uma proposta de delação "seletiva" recebida. A jornalista utiliza outro neologismo, mas, no fundo, tem o mesmo significado de "seletiva". O caldeirão político está em plena fervura na capital federal. Até os desdobramentos das operações - com temor de eventuais vazamentos ou mesmo sabotagens - estão sendo mantidas sob sigilo, o que dá a dimensão da fervura. Vamos aguardar os próximos lances. 

Um escândalo com as dimensões do Master não poderia ter ocorrido sob a clivagem de ideologia A ou B. O mesmo se aplica ao escândalo do INSS. Faz parte do jogo cada lado tentar jogar no colo do outro as responsabilidades, sobretudo num momento de pré-eleição. Quantas prefeituras dos mais distantes rincões do país adquiriram os papéis podres do Master? De que partidos políticos? Os operadores do esquema teriam algum pudor em se orientarem por critérios ideológicos? A vaselina aqui é outra. E o que significa isso hoje no Brasil, principalmente quando estamos tratando de gestores municipais? Nas eleições de 2016, por exemplo, dirigentes do PT constataram que havia petista apoiando bolsonatistas para o executivo municipal em alguns entes federados. 

Em Paulista, por exemplo, uma cidade que recebeu a visita da Polícia Federal recentemente, no curso das operações envolvendo investimentos de fundos de pensão em papéis podres do Banco Master, ideologias passam ao largo dos debates públicos. A cidade foi forjada sob o jugo de uma ferrenha oligarquia industrial, que deixou suas marcas até hoje no município, traduzidas, em parte, na enorme dificuldade de republicanização da gestão pública, o mesmo fenômeno que ocorre no estado, para sermos mais precisos, concebido como uma capitania hereditária de 1526 anos. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Ciro Gomes nas páginas amarela de Veja

 

Crédito da foto: Jarbas Oliveira\Veja

A entrevista da revista Veja desta semana é com o ex-Ministro da Integração e atual pré-candidato ao Governo do Estado do Ceará, Ciro Gomes(PSDB-CE). É lamentável que Ciro Gomes tenha tentado por quatro eleições ocupar a cadeira do Palácio do Planalto sem sucesso. Instado a habilitar-se a mais uma candidatura, o cearense declinou do convite por um motivo preocupante: o país caminha para um desastre, onde não se vislumbra uma solução no horizonte. Preocupante porque devemos pagar o ônus de sucessivas irresponsabilidades cometidas com as contas públicas, assim como sabermos que, de alguma forma, fomos também responsáveis por este desastre que poderia ter sido evitado. Não foi por falta de avisos. 

Os avisos vieram de um cidadão íntegro, de conduta pública irrepreensível, dotado de espírito público e que sempre fez o dever de casa. De sua fala podemos concluir que ainda resta alguma esperança para o seu estado, o Ceará, que enfrenta sérios problemas de condução da máquina, assim como sofre o efeito do avanço do crime organizado, traduzido nos índices de violência, ocupação de territórios, chacinas, entre outras mazelas. Ali também existe a possibilidade de uma "institucionalização" do crime organizado, ou seja, a infiltração de organizações criminosas na máquina pública, algo que está se tornando até recorrente no país, tendo o Rio de Janeiro como o caso mais emblemático. 

Dado o volume de recursos financeiros hoje movimentado, assim como a  capilaridade assumida hoje pelo crime organizado, este enfrentamento torna-se sensivelmente complicado. Ciro, inclusive, aponta que um dos reflexos da resistência de setores do país à classificação de organizações criminosas como PCC e CV como organizações narcoterroristas é exatamente a eventual asfixia financeira imposta pelo Governo dos Estados Unidos. Neste sentido Ciro Gomes argumenta que poderá recorrer ao Estado de Israel, como já fez no passado, possivelmente em termos de apoio de inteligência. Como se isso já não fosse o bastante, o estado do Ceará também enfrenta problemas de infraestrutura, na saúde e na educação, elementos com o quais o cearense terá que lidar. 

Embora tenha fechado uma aliança com o PL local - vale dizer os bolsonaristas locais, como André Fernandes e o Capitão Wagner - Ciro descarta completamente a possibilidade de montagem de um palanque de Flávio Bolsonaro no estado. Neste momento, Ciro menciona as dificuldades de constituição de palanques estaduais que traduzam, organicamente, as alianças celebradas no plano nacional. Para usarmos uma expressão muito popular na região, no entender do cearense, Flávio e Lula, do ponto de vista da condução da economia, são farinhas do mesmo saco. 

sábado, 20 de junho de 2026

Editorial: Nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial de 2026.


No dia de ontem, 19, divulgamos por aqui o resultado de duas pesquisas, realizadas por institutos distintos, onde o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, passa a "ignorar" o candidato Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Petistas renhidos, órgãos de imprensa favoráveis ao Governo olham para os números conforme as conveniências. Os dados onde Lula distancia-se de Flávio Bolsonaro corresponde ao primeiro turno das eleições, onde, de fato, a distância entre os principais concorrentes ampliam-se, favorecendo Lula. Numa dessas pesquisas, Lula abre 13 pontos, na outra 09. Hoje, 20, uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, desta vez realizada pelo Instituto Datafolha

O instituto, de alguma forma, confirma as pesquisas anteriores, mas apenas em relação ao primeiro turno. Em relação ao segundo turno, embora o petista continue na frente, o jogo ainda não estão definido. Lula crava  47% das intenções de voto, enquanto Flávio pontua com 43%, repetindo os escores da pesquisa anterior realizada pelo instituto. Este jogo já esteve melhor para o candidato Flávio Bolsonaro que já atingiu um empate técnico com o atual presidente Lula. Empate técnico significa que ele poderia estar acima do presidente na corrida pela cadeira do Palácio do Planalto. Se considerarmos os escores obtidos por Lula nas últimas pesquisas de intenção de voto, o petista voltou a sonhar com a renovação do seu contrato de locação com o Palácio do Alvorada. 

Se o "Dark Horse" não foi suficiente para desmontar as pretensões presidenciais do representante do bolsonarismo, por outro lado, a estratégia de responsabilizá-lo pelas mazelas que vem do Norte podem estar surtindo algum efeito. A pesquisa do Datafolha ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 19 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95%. BR-09956\2026. 

Editorial: Os infiltrados II


A delação premiada oferecida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não tem chances de prosperar. Trata-se de uma delação, como se diz no popular, do tipo meia-boca, ou seja, inconsistente. A PF é categórica em afirmar que ele sabe muito mais do que está propondo entregar sobre suas transações nebulosas, que já extrapolaram o perfil de um mero escândalo do sistema financeiro. Numa sessão recente do STF, o ministro relator do caso, André Mendonça, que vem realizando um trabalho digno de todo o respeito na condução do processo, declarou já ter recebido propostas indecentes por parte de advogados do ex-banqueiro, que propuseram uma delação "seletiva". 

Estima-se que o ex-banqueiro, mesmo diante das circunstâncias sensivelmente adversas, deseja poupar alguns amigos do infortúnio. Quem sabe aquele amigo que aparece com ele sorrindo, durante as férias de inverno na França. Sugere-se que alguns mensaleiros gozavam de sua efetiva amizade. E, por falar em mensaleiros, hoje, 20, o jornal Folha de São Paulo traz uma matéria sobre os infiltrados do ex-banqueiro na Polícia Federal. Salvo melhor juízo, uma delegada e um agente. O jornal faz referência, a partir de informações obtidas junto à própria Polícia Federal, que tal mesada poderia chegar ao montante de R$ 400 mil reis por mês. 

O agente infiltrado ficaria encarregado de repassar informações sobre o andamento de investigações sigilosas da corporação ao ex-banqueiro. Um agente da PF começa ganhando aproximadamente R$ 15 mil e pode chegar a R$ 25 mil reais depois de alguns anos na corporação, incorporando ao salário alguns benefícios. Um outro agente, este da Polícia Civil, também infiltrado, num outro caso que não tem relação com este, numa gravação obtida pelos investigadores do caso, aparece tratando o salário recebido como uma "merreca". Merreca diante dessas propostas indecorosas, ofertadas mediante o roubo descarado de pessoas comuns, aposentados, pensionistas. Era isso que estava em jogo. 


  

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o posicionamento de João Campos em relação a Lula


Em política, posicionamento é algo importante e igualmente arriscado. Aqui se aplica a máxima do grande Ulisses Guimarães, que afirmava que o político não poderia se aproximar demais ao ponto de não poder afastar-se, assim como distanciar-se demasiadamente, o que tornaria improvável uma reaproximação. Quando foi pré-candidato ao Planalto, um projeto que o animava desde os tempos de universitário, o ex-governador Eduardo Campos adotou uma posição marcadamente antipetista, se aproximando de grupos políticos de centro e centro-direita. Naquele momento, tal posicionamento poderia ser lido como de ingratidão, uma vez que o Governo Federal, através de programas federais como o PAC, destinava vultosas obras no estado. Pernambuco chegou a abocanhar 25% de todos os recursos do PAC à época, salvo melhor juízo. Se estivermos errados, já antecipamos nossas desculpas por aqui. 

Mais do que isso. Havia uma relação histórica, política e afetiva entre o presidente Lula e o seu avô, Dr. Miguel Arraes. Quando todos abandonaram Lula como um cão sarnento durante o escândalo do Mensalão, Dr. Arraes deixou o Palácio do Campo das Princesas e foi solidarizar-se com o amigo. Em sua primeira candidatura à Prefeitura do Recife, João Campos considerou que, naquele momento, era importante manter uma distância regulamentar do PT. Regulamentar aqui é um eufemismo para evitar os melindres nesses tempos de nervos aflorados. Na realidade, naquele momento, possivelmente aconselhado por seus assessores de comunicação, João considerou que afastar-se do PT poderia representar uma chance efetiva de vitória nas eleições. E foi assim mesmo. João tornou-se prefeito do Recife, antecipando que não admitiria petistas em sua gestão. 

Não há dúvida que, com tal narrativa, naquele momento, o prefeito tenha recebido apoios de eleitores vinculados ao centro e à direita do espectro político, o que hoje se complica um pouco em relação ao seu realinhamento ao petista. Possivelmente grupos políticos simpáticos à candidatura da governadora Raquel Lyra estão explorando esses dois momentos do João. É preciso considerar se essa contradição seria suficiente para produzir danos consideráveis à sua candidatura. Na outra margem do Capibaribe, na Praça do Campo das Princesas, depois do vídeo gravado por Lula em apoio ao nome de João Campos, a governadora Raquel Lyra pode apostar tudo numa estratégia marcadamente conservadora, sem o menor flerte com os petistas. 

Hoje, 19, já começou a se especular sobre a sorte de Túlio Gadelha em sua chapa para o Senado Federal, assim como Miguel Coelho, que, supostamente, não contaria com o aval da federação União Progressista chancelando sua candidatura. Por outro lado, já ouvimos fontes afirmando que, durante o São João dos Coelho, em Petrolina, seu nome pode ser confirmado. Aumentam as apostas em torno de nomes como Eduardo da Fonte, do PP, assim como em relação ao nome de Mendonça Filho(PL-PE), que, embora não tenha anunciado sua pré-candidatura, passou a pontuar bem nas pesquisas de intenção de voto para a Casa Alta.  

Editorial: Obrigado, leitores!


Entre os dias 16 e 19 do corrente, tivemos uma média de 25 mil visualizações do blog, o que é um número expressivo para um blog como este, com produção própria, sem reproduzir qualquer conteúdo de fora - sem ajuda das IA's - feito do próprio punho, comentando sobre política, literatura, sociologia, antropologia, entre outros temas. Os acessos do blog, conforme já enfatizamos num outro momento, são majoritariamente do exterior. Dos números acima, apenas 5000 acessos de brasileiros e brasileiras que confiam em nosso trabalho e têm nos apoiados por aqui. Sempre que alcançamos esses números expressivos surgem postagens antigas, que, geralmente, submetemos a algum tipo de correção, evitando os erros de posicionamento e linguagem que permitimos passar naquele momento. Pedimos perdão aos diletos leitores se tais equívocos não forem devidamente corrigidos. 

Isso nos conduz a uma outra conclusão, a que já tivemos melhor liberdade de expressão no país em passado recente. Este editor se sentia bem mais à vontade em seus escritos. Hoje temos que evitar alguns temas, abusarmos de expressão como supostamente, eventualmente, e assim por diante, sempre com o propósito de não nos comprometermos. Nomes próprios apenas como referência inevitável - em função do cargo público ocupado - ou para fazermos elogios. O artigo sobre a alavancagem da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) foi escrito ainda no domingo e mantido em stand by. Não por considerarmos as pesquisas mais recentes de intenção de voto - que, aliás, como afirmamos ali - ficam distante de se igualarem aos escores obtidas pela gestora no Datafolha. Os dados do Datafolha se constituíram num divisor águas na dinâmica competitiva da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas nessas eleições. O jogo está, no mínimo, equilibrado. O motivo de mantermos o artigo em stand by foi com o propósito de checarmos a informação sobre os investimentos em publicidade da Prefeitura do Recife. Outro dado que não pode deixar de ser considerado são os  índices de avaliação de gestão da governadora, escores que recomendam a sua permanência na cadeira do Palácio do Campo das Princesas. 

Houve um tempo em o blog tinha enorme dificuldade de acessos no continente africano e asiático, além dos países de língua espanhola. É coisa do passado. Hoje o mundo lê o blog Contexto Político. Penetramos nos rincões empobrecidos da África, da Ásia, em cidades\estados como Hong Kong, Singapura, nos países conflagrados do continente latino-americano, assim como na terra do Tio Sam, onde a nossa audiência é recorrente, da mesma forma em Barcelona, Paris ou nas velhas repúblicas do socialismo real do Leste Europeu. Passamos por aqui para agradecer aos diletos leitores e leitoras, ensejando que o espaço está aberto aos comentários, observações e críticas de cada um de vocês. 

Crônica do cotidiano: Chega nego


Tivemos algumas experiências interessantes na Bahia, seja quanto viajamos a trabalho ou mesmo a passeio com a família. Uma das mais significativas e gratificantes foi o deslocamento de Salvador à cidade de Cachoeira, na região do Recôncavo Baiano.  Ainda guardamos no paladar os sabores da culinária local, apreciadas aos finais de tarde, sob o por do sol, às margens do Rio Paraguaçu. Esta cidade está cercada por um conjunto de emblemas históricos e arquitetônicos do estado, alguns dos quais já tratados por aqui em momentos anteriores. Nossa passagem por ali foi retratada numa novela concluída recentemente, onde nos reportamos aos diálogos com o pessoal da Irmandade da Boa Morte e ao Coco de Roda de Dona Dalva, doutora Honoris Causa pela Universidade do Recôncavo Baiano. Dona Dalva também integra a Irmandade da Boa Morte. 

No afã de remontar toda a origem da Irmandade da Boa Morte, O texto ficou demasiadamente ensaístico, o que nos contingenciou aos reparos necessários. Ao romancear alguns fatos históricos, não raro nos empolgamos com as remissões  históricas, sociológicas  e antropológicas e isso pode comprometer os aspectos determinantes de um romance ou de uma novela. Romance é preciso ter ritmo, cadência. Caso contrário, podemos perder os leitores e leitoras. Ele pode simplesmente não se interessar em conhecer a História da Irmandade da Boa Morte e abandonar o texto. Trata-se de uma armadilha da qual raramente conseguimos escapar. Ainda em Salvador, conhecemos o CEAO ( Centro de Estudos Afro-Orientais), tudo dentro de nossa perspectiva de pesquisa, onde mantivemos alguns contatos com pesquisadores do centro. 

Um deles usou a expressão "chega nego" muito comum no estado, utilizada em diversos ambientes sociais da capital baiana, seja um bar, um ponte de encontro, uma praia, um sítio histórico. Mas, neste caso, o pesquisador a utilizou como um eventual ponto de desembarque de negros escravizados que chegavam à capital, possivelmente na cidade baixa, próximo onde hoje fica o Mercado Central. A cidade de Salvador sofreu várias intervenções urbanística ao longo dos anos não sendo possível precisar se, de fato ali, funcionava o local de desembarque de negros trazidos do continente africano. Um local conhecido como Porto da Misericórdia é mais utilizado pelos pesquisadores como ponto de referência neste sentido. O "Chega Nego" oficial. 

Ainda por exigências impostas pela pesquisa, tivemos que subir ao ponto mais alto e luxuoso da cidade, o chamado Corredor da Vitória, onde reside a nata da burguesia baiana. Nosso objetivo era conhecer uma instituição museológica local, detentora de um acervo importante para o nosso trabalho. Hoje, 19, uma referência na coluna Diário do Poder nos remeteu a tais lembranças. Segundo a coluna, para alguém que se espantou com a kitnet de milhões, é ali que reside o tal senador encrencado, num belo apartamento avaliado em 200 milhões, com píer e acesso de teleférico à Baía de Todos-os- Santos e, parafraseando um poema de Gilberto Freyre, de quase todos os pecados. 

Editorial: Lula passa a "ignorar" Flávio na corrida pelo Palácio do Planalto.


Em princípio, o suposto financiamento do ex-banqueiro  Daniel Vorcaro aos produtores do filme Dark Horse não teria causado um grande estrago à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Pelo menos era isso o que mostravam as pesquisas de intenção de voto divulgadas logo após o episódio. Passada a tormenta, as últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas mais recentemente mostram um distanciamento crescente entre os índices do presidente Lula e os escores obtidos pelo bolsonarista. Não é possível afirmar, categoricamente, que isso é um reflexo retardado do "Dark Horse" ou se isso ocorre em função de outros fatores. Fatores é o que não faltam, a começar pela estratégia do Planalto em jogar no colo do candidato de oposição a responsabilização pelas medidas amargas adotadas pelo Governo Norte-Americano. 

Algo está dando certo para Lula, depois de um longo e tenebroso inverno, onde seus assessores de comunicação não conseguiam identificar onde estava o problema. Mesmo nas redes sociais, habitat natural do bolsonarismo, o Planalto conseguiu alguns êxitos consideráveis no calor da crise do assédio ao nosso Pix. Compete aos seus marqueteiros e homens de comunicação identificarem o que exatamente está ocorrendo. Na pesquisa do CNT\MDA Lula abre 13 pontos de diferença em relação ao oponente Flávio Bolsonaro, ao passo que na pesquisa Nexus o morubixaba chega a abrir 9 pontos de diferença. Pesquisas qualitativas, com grupos fechados, poderiam ajudar bastante. 

A pesquisa da CNT\MDA ouviu, através de entrevistas presenciais, 20002 eleitores entre os dias 10 e 14 de junho e está registrada no TSE sob o número BR- 04256\2026. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 p.p e índice de confiabilidade de 95%. 

Primeiro Turno: 

Lula(PT)         41,8%

Flávio(PL)      28,2% 

Editorial: Jaques Wagner afirma que continuará no Governo


Mesmo diante da repercussão negativa da nona fase da Operação Compliance Zero, realizada no dia de ontem, 18, que realizou buscas e apreensões em endereços do senador Jaques Wagner e pessoas ligadas a ele, a informação é que ele deverá mesmo permanecer no cargo de líder do Governo Lula no Senado Federal. O senador teria mantido um diálogo amistoso com o morubixaba petista, onde a hipótese de deixar o cargo foi descartada. Ontem passamos o dia acompanhando a repercussão dos desdobramento desta nova fase da Operação Compliance pelas redes sociais. A relação duvidosa entre entes públicos e privados envolve, inicialmente, a negociação da compra, realizada por um operador do Banco Master, de uma rede de supermercados estatal pertencente ao Governo da Bahia, o Cesta do Povo, que vendia produtos subsidiados aos servidores públicos do estado. A rede pertencia à Empresa Baiana de Abastecimento(EBAL).  

Com a aquisição da rede de supermercados estatais, o senhor Augusto Lima, segundo apurou a Polícia Federal, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu o sinal verde para a criação de um cartão de crédito denominado Credcesta, que operava com empréstimos consignados e créditos com descontos em folha dos servidores. É aqui que começam os problemas para os cidadãos e cidadãs comuns, simples servidores públicos do estado, em atividade e ou aposentados, e, acreditam os investigadores, os "subsídios" indevidos às autoridades públicas que estiveram diretamente relacionadas à facilitação dessas transações, arrolados aqui uma kitnet avaliada em 2,5 milhões num dos bairros mais caros de Salvador, o Horto Florestal.  

Mexer com este jogo espúrio de interesses é a pior atividade existente. Isso vale para uma simples milícia que opera numa favela e obriga os comerciante locais a adquirem a farinha de trigo de péssima qualidade comercializada por eles, até às decisões que são tomadas por membros da mais alta corte de justiça do país, o Supremo Tribunal Federal. Recentemente um comerciante foi morto por se recusar a adquirir o produto oferecido pela milícia local, no Rio de Janeiro. Os milicianos resolveram diversificar os seus negócios e hoje investem até no pãozinho francês. Nem ele escapa desta sanha. O ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master, numa sessão recente do STF, fez revelações preocupantes, como uma proposta de delação seletiva encaminhada por um dos escritórios de advocacia do banqueiro Daniel Vorcaro, assim como sugere possíveis ameaças veladas já recebidas. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Editorial: Ações coordenadas contra o crime organizado


Há um adágio aqui na região onde se afirma que dois bicudos não se beijam. Lula sabe da importância de manter um diálogo permanente com o presidente americano Donald Trump, mais, internamente, faz questão de alfinetá-lo com as bravatas do soberanês, uma narrativa que pode até dá certo como estratégia de reeleição. Por outro lado, plantado no território do inimigo, interferindo diretamente nesse padrão de relação entre os dois presidentes, uma família, com acesso direto ao próprio Trump ou aos seus assessores diretos. Apesar de tratá-los como traidores entre nós, do ponto de vista estritamente estratégico da relação entre os dois países, a conta não fecha. 

Independentemente da vontade do Governo Lula, o Departamento de Estado acabou mesmo classificando organizações como o PCC e o CV como organizações narcoterroristas. Até recentemente, numa operação de forças militares americanas dentro do território da Venezuela, o que já não é mais alguma novidade, os americanos destruíram o que seria um acampamento da facção Tren de Aragua, matando Niño Guerrero, o chefão do cartel. Para que tenhamos uma ideia sobre como essas ações contra o crime organizado precisa de uma coordenação de inteligência e ações conjuntas, ontem, 18, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, numa operação realizada no Aeroporto do Galeão, prendou o operador financeiro desta facção venezuelana, numa ação que confiscou 300 milhões de dólares e um automóvel Porsche. 

Esta organização criminosa já opera no Brasil há algum tempo, assim como facções brasileiras atuam em diversos ramos ilegais no exterior. No Brasil, sequer existe uma integração efetiva dessas ações envolvendo a União e os entes federados. A proposta do Governo Lula até acena para esta necessidade, mas, a rigor, sabemos que ela funciona bem apenas em relação há alguns entes federados, uma vez que os estados sob o controle da oposição, deliberadamente, evitam estabelecer esta parceria. Na região, observamos o estado da Paraíba como uma honrosa exceção. Gaeco, Ficco, Ministério Público, PRF, polícias militar e civil realizam várias operações conjuntas contra o crime organizado. Não sabemos se este padrão de articulação já é suficiente, mas, sim, é alvissareiro. 


Editorial: Nova fase da Operação Compliance Zero na Bahia.


Numa fala que veio a público durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal, o Ministro André Mendonça, fez várias afirmações importantes, mas destacamos três delas. Num determinado momento ele afirmou que não mandava prender para arrancar delações premiadas, o que significa entender que a delação proposta pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não assumiria uma importância capital no rumo das investigações sob a relatoria do ministro. Talvez exatamente por isso, por não "abrir" o jogo de elementos novos, tenha sido rejeitada.  Num outro momento, o magistrado observa que o escândalo do Banco Master é muito mais do que uma fraude do nosso sistema financeiro, com ramificações junto ao modus operandi da máfia e do crime organizado. 

Num outro momento, ele assegura que cumprirá seu dever de ofício de conduzir as investigações de forma republicana, não poupando nenhum dos envolvidos no caso. É de bom mister contar com servidores públicos investidos deste propósito e postura na condução dos trabalhos sobre esta que se acredita ser a maior fraude do sistema financeiro no mundo, mostrando, mais uma vez, que o Brasil não é para amadores. Hoje, 18, a Polícia Federal, por determinação do ministro, cumpre mais uma fase da Operação Compliance Zero, desta vez na Bahia, onde se especula que possa ter sido o "berço" das transações nebulosas e pouco republicanas das operações do Banco Master. Pelo menos no que concerne a esta promiscuidade entre fundos públicos e entes privados. O enredo da Bahia é, de fato, nebuloso, envolvendo autoridade da República que, supostamente, teria sido beneficiado através de parentes. 

Estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. A condução dos trabalhos é republicana, dentro do estrito cumprimento da lei e não se trata, em nenhuma hipótese, de perseguição política, como os adversários do ministro deverão tentar insinuar. Há uma robustês de evidências de maracutaias que deverão ser apurados e os responsáveis punidos. Embora a nova proposta de Vorcaro tenha sido mais uma vez recusada, como sempre ocorre, a imprensa divulgou alguns drops do seu conteúdo, evidenciando como atores dos Três Poderes da República estavam, de alguma forma, mancomunados com o ex-banqueiro. Gente de altíssima esfera, ocupando cargos de comando. Um deles considerou não haver nada demais o banqueiro ter financiado sua hospedagem em hotel de luxo em Portugal, com diárias nas nuvens. É lixo só. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Crônicas do cotidiano: Os hábitos "esquisitos" dos escritores


O suíço Robert Walser era uma espécie de escritor para escritores. Dominava, com maestria, todos os gêneros e tornou-se o escritor preferido do tcheco Franz Kafka. Internado a contragosto numa clínica psiquiatra, depois de enfrentar alguns problemas psicológicos, dos médicos aos profissionais de saúde que o acompanhavam imploravam que ele continuasse escrevendo, ao que ele sempre respondia: "Eu vim aqui para ser louco. Não para escrever." Esta expressão nos deixou tão impressionados que costumamos repeti-la com frequência nos nossos textos literários. Para que os leitores tenham uma vaga ideia sobre a importância deste "ambiente" de escrita, mencionaríamos, igualmente, uma outra referência, desta vez alagoana, numa alusão ao escritor Graciliano Ramos. 

Um crítico literário teve a preocupação de comparar seus escritos, quando ele gozava de sua liberdade, dos escritos do período em que ele esteve preso durante a Ditadura de Getúlio Vargas, por suas atividades no Partido Comunista Brasileiro. O crítico concluiu que seus melhores momentos de criatividade estavam relacionados ao tempo em que o escritor se recolhia à sua escrivaninha, acompanhado de uma garrafa de cachaça, um pedaço de rapadura e os inseparáveis fumo de rolo. Assim, o velho Graça produziu um dos melhores acervos da literatura brasileira. Memórias do Cárcere já não reservaria o melhor de sua produção literária, exatamente porque longe do seu habitat natural de criação.

Ontem, 16, faleceu no Recife, vítima de um câncer terminal, o escritor pernambucano Raimundo Carrero. Noticiando o evento, o Blog do Magno, em matéria escrita pelo próprio jornalista Magno Martins, há referência a um diálogo entre ele e o escritor Raimundo Carrero, quando este se refere ao seu momento de criação, sob intenso suor do Sertão, acompanhado de uma cachaça. Desde de ontem essa imagem  não nos sai da cabeça. O que impressiona é que, talvez sob um friozinho de ar-condicionado, um cafezinho quente, uma mesa bem arrumada, bolachinhas de coco,  não tivéssemos produzido um escritor da envergadura de um Raimundo Carrero. 

Quando alisávamos os bancos do CAC, da UFPE, nas aulas de Teoria Literária, tínhamos o privilégio de a disciplina ser ministrada por alguém do "ofício", o poeta Marcus Accioly. Marcus tinha uma metodologia que animava os alunos de sua disciplina, ao mencionar suas experiências como escritor, levar os companheiros de escrita para os bate-papos em sala de aulas, coisas assim. Salas sempre repletas de alunos, ansiosos por sua experiências. Produzimos uma resenha de um dos seus livros, muito elogiada pelo autor, que fez questão de enfatizar, em sala de aula, que nenhum crítico literário havia produzido as observações que apresentávamos no texto. 

Sobre os hábitos curiosos de alguns deles, Marcus fazia referência a Friedrich Schiller, que sempre guardava maças pobres na gaveta de sua escrivaninha para se inspirar. Somente assim ele conseguia escrever. Kafka escrevia nu, noite adentro, compulsivamente. Dormia muito pouco. Truman Capote tinha uma cor de papel para cada gênero. Uma cor para romance, outra para o conto e assim por diante. Quando, por algum motivo, não dispunha desses papéis na cor específica do gênero, considerava que sua  produção já não era a mesma. Hemingway escrevia apenas pela manhã. Das 100 páginas escritas, confessaria, uma era uma obra-prima. 99 delas jogava no lixo. Sobre os tomadores de whiskies, deixemos para um outro momento. A lista é grande. 

Editorial: Elmano perde a compostura em evento e se aborrece durante entrevista.


Quando o indivíduo entra na vida pública deve estar ciente de algumas condições a ela inerente, como o fato de ser criticado pelos órgãos de comunicação, profissionais do ramo, analistas sociais, opositores e até o mais humilde pagador de impostos. Aqui em Pernambuco, terra das velhas oligarquias carcomidas da política que estão no poder desde 1500, isso se traduz num grandiosíssimo problema, por vez traduzido em perseguições sórdidas, utilização do aparato de Estado com propósito nada republicano ou legal, abertura de processos judiciais. Com o advento das tecnologias, hoje o indivíduo pode ser "cancelado" até pelas redes sociais, através dos criminosos disparos de WhatsApp, formado por grupos corporativos. 

Dizem que isso tem a ver com o nosso processo de formação histórica, na condição de capitania açucareira bem-sucedida. A patologia social  produzido pelo familismo amoral foi tão gritante que este processo acabou sendo reproduzido nas instituições do Estado, com a formação de núcleos feudais e microcapitanias hereditárias. O uso da máquina do Estado para atender às demandas de núcleos familiares e seu apaniguados levam esses senhores a desconsiderarem os menores princípios éticos ou cristãos em seus métodos e práticas persecutórias contra os desafetos. Nem precisa necessariamente ser um desafeto. Basta apenas criticá-los. Eles atropelam tudo em nome da preservação de tais interesses.  

O Governo do Ceará reunia recentemente em evento gestores municipais do estado. O evento, ao que se sugere, não foi bem-sucedido ou não atendeu às expectativas dos organizadores. O fato é que, alguns jornalistas após o encontro, formularam algumas questões delicadas ao governador Elmano de Freitas, que ficou aborrecido ao ser indagado por um deles, possivelmente um crítico de sua gestão, o jornalista João Mota, do site O Otimista.  Quando indagado pelo jornalista acerca dos altos índices de insegurança pública no estado e sobre o famigerado caso do "sumiço" do político conhecido como Bebeto do Choró, que teria supostamente, ligações com o crime organizado, Elmano foi taxativo: "Não lhe respeito".  

terça-feira, 16 de junho de 2026

Crônicas do Cotidiano: A morte de Raimundo Carrero



Assim como ocorre com outros escritores, tínhamos uma curiosidade enorme em conhecer as primeiras novelas escritas pelo pernambucano de Salgueiro, o escritor Raimundo Carrero, que faleceu na manhã de hoje, aos 78 anos de idade. Essa curiosidade é absolutamente natural, pois sempre aprendemos muito com os grandes mestres. O propósito em relação ao trabalho do escritor Raimundo Carreiro estava relacionado a conhecermos um pouco o seu estilo literário ainda jovem e o seu processo de aprimoramento ao longo do tempo. A nossa conclusão à época é que Raimundo sempre foi de boa lavra, sugerindo-se uma grande vocação para a literatura desde cedo. Entre seus grandes tutores literários, podemos citar o escritor Ariano Suassuna e o antropólogo Gilberto Freyre, de quem foi assessor de imprensa. O regionalismo de Gilberto é forte em sua produção literária. 

Além de escritor,  Carrero trabalhou no Diário de Pernambuco, onde atuava como jornalista, e na Fundação Joaquim Nabuco, onde exerceu o cargo de assessor de imprensa. Acreditamos que a sua cumplicidade com Ariano tenha sido maior, uma vez que, na década de 70, Raimundo integrou o Movimento Armorial e chegou a produzir um texto literário em conjunto - o que não é comum - com o autor do Auto da Compadecida. Tratamos Gilberto aqui como antropólogo, mas todos sabem que o que ele desejava mesmo era ser tratado como escritor. Maria Lúcia Pallares Burke, que escreveu a melhor biografia intelectual sobre o mestre de Apipucos descobriu essas pistas ao esmiuçar sua biblioteca, repleto de textos literários de grandes escritores da época. 

Conhecemos Raimundo Carrero em suas oficinas literárias na Fundação Joaquim Nabuco, sempre auxiliado por uma companheira de trabalho, que tinha por ele um carinho enorme. Sobre a análise da obra de Gilberto Freyre do ponto de vista ensaístico e literário daria um grande ensaio, mas não deixa de ser curiosa a sua ascendência sobre escritores como José Lins do Rego e Raimundo Carrero, de alguma forma, ter sido agraciado, mais de uma vez, com os melhores prêmios literários brasileiros e ter, ao mesmo tempo, sua obra não legitimada no campo literário. Os paraibanos não gostam muito dessa referência à ascendência literária de Gilberto sobre José Lins do Rego, mas foi o próprio escritor paraibano quem declarou que devia a Gilberto os seus romances. 

Há um relato do jovem Raimundo Carrero, contando a alegria de ter agendado um encontro com o antropólogo\escritor em sua residência de Apipucos, onde chegou com grandes expectativas acerca da avaliação que Gilberto havia feito em relação a um dos seus textos. Sugere-se que tal encontro tenha ocorrido quando Raimundo estava no início de sua carreira de escritor.  Quando foi acometido por um AVC, o escritor pernambucano, Raimundo Carrero revelou o que ele mais temeu naquele momento, como consequência da enfermidade: perder a capacidade de imaginar, condição fundamental para o exercício do seu oficio: escrever. 

Carrero continuou escrevendo e publicando livros, num dos casos, relatando sua experiência com a doença. Lembramos deste episódio ao ler, até recentemente, um texto da professora Eliana Robert Moraes, analisando o lugar da literatura na obra do filósofo francês, Michel Foucault. Como tudo que se refere a Foucault, trata-se de uma grande viagem, uma viagem para ser feita, preferencialmente de barco, o lugar da "heterotopia", ou seja, um espaço, que mesmo sendo localizável, se configura como um lugar à parte, constituindo uma espécie de contestação ao mesmo tempo mítica e real do espaço em que vivemos, consoante com Eliana Robert. A literatura de Carrero foi um pouco isso nos seus últimos anos no plano terrestre, ao se preocupar com a morte dos nossos meninos. 

Charge! Borega via Tribuna Feirense

 


Editorial: PGR rejeita nova delação de Daniel Vorcaro


Deu o esperado, conforme já havíamos previsto por aqui. A Procuradoria-Geral da República rejeitou a nova proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quem tem a última palavra sobre o assunto é o Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, mas a tendência natural é que ele acompanhe a posição da PF e da PGR. A PGR também rejeitou o pedido de prisão domiciliar encaminhado pelos advogados do ex-banqueiro, o que representa mais um grave problema para Vorcaro, uma vez que a PF já recomendou sua transferência da sala especial em Brasília, mas o STF não considera prudente encaminhá-lo para uma prisão comum. Por outro lado, a prerrogativa de cumprimento de pena na sede da Polícia Federal depende dos acertos na condução da proposta de delação premiada, que acaba de ser rejeitada pela segunda vez.  

Parece enredo de novela mexicana, onde os capítulos vão se arrastando indefinidamente, quando o essencial já foi dito. Neste caso, talvez não tenha sido dito, gerando enormes especulações pela imprensa em torno do assunto. Alguém já sugeriu que o ex-banqueiro está jogando bem, ou seja, mantém a proposta em aberto - usufruindo dos seus benefícios antecipados - ao mesmo tempo em que preserva alguns bons amigos dos tempos áureos, das viagens de contos de fadas, das degustações de whiskies caríssimos. Tudo é possível. Vorcaro não suportou apenas alguns dias preso numa cela comum de penitenciária. Ele sabe muito bem o que significa isso. 

Vamos aguardar os próximos capítulos ou o próximo escândalo que seja capaz de assumir protagonismo suficiente para ofuscar as manchetes em torno do escândalo do Master. Coisa de país como o nosso, que já aprendeu a "conviver" com essas maracutaias envolvendo entes públicos e privados. No Governo de Jair Bolsonaro ocorreram várias denúncias de eventuais irregularidades no uso dos cartões corporativos. Para fazer a coisa certa, o Governo Lula 3 jamais poderia permitir que o cidadão pagador de impostos ficasse privado do conhecimento sobre como tais recursos públicos estão sendo utilizados. Pois bem. Também decretou sigilo sobre o uso desses cartões. 

domingo, 14 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Por que Raquel virou o jogo?


Já antecipamos que não somos nenhum especialista em comunicação política. O pouco que sabemos sobre o assunto são ensinamentos observados no cotidiano ou através dos grandes mestres neste campo do conhecimento. Embora, como advoga a oposição, haja uma destinação substantiva para investimentos em comunicação institucional, não procede a informação de que a Prefeitura da Cidade do Recife, durante a gestão de João Campos, investiu mais em comunicação do que em obras na cidade. Ficar de olho na aplicação dos impostos recolhidos pelo ente público é obrigação de qualquer munícipe. A informação poderia ter sido obra de um equívoco cometido por parlamentares que elegeram a fiscalização da gestão municipal como plataforma dos seus mandatos, o que seria bastante natural. É esta a função ou atribuição principal do Legislativo Municipal. O "natural" aqui se refere à fiscalização e não à desinformação. 

O cidadão comum dificilmente reservaria algumas horas do seu dia para acompanhar os "balanços" de prestação de conta do município. Por que, então, João Campos é apresentado como aquele que faz, aquele que realiza, aquele que entrega, levando-o a assumir, durante meses, a liderança nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado? Esta pergunta foi respondida pelos estrategistas de comunicação da governadora Raquel Lyra, que acaba de, não apenas virar o jogo, mais abrir uma diferença razoável na disputa pela reeleição ao Governo de Pernambuco. Conforme enfatizamos durante essas nossas discussões acerca da disputa política no estado, não há um único fator que, isoladamente, explique essa virada, mas múltiplos fatores que, agregados e agindo em sintonia, são os responsáveis por tal mudança de cenário na disputa.  

Há pouco dias reportamos por aqui a presença da governadora Raquel Lyra anunciando, em suas redes sociais, as obras do Arco Metropolitano, que se estendiam pela madrugada adentro. Ela não apenas anuncia a obra, mas põe a mão na massa, conversa com os operários e, principalmente, se envolve diretamente com os beneficiários desses empreendimentos, mostrando o que pode mudar na vida dessas pessoas. Se é uma creche, ela aparece abraçando as crianças; se é uma obra para as mulheres, ela faz uma live com as companheiras; se é para alunos da rede pública, ela aparece em sala de aulas abraçando os alunos, se é uma obra com os peladeiros de várzea, ela ensaia alguns toques na bola. Por sinal, a governadora está até em boa forma. Pena que não encontramos nenhuma foto específica, porque os vídeos curtos são os preferidos de sua equipe.  

Isso fica mais registrado na mente dos eleitores. É muito mais do que simplesmente anunciar uma obra. É o emocional que está sendo trabalhado, o que tem um peso muito maior na hora de definição do voto. Sua equipe de comunicação institucional está no caminho certo. João, apesar de jovem e bem-avaliado como prefeito do Recife, carrega o ônus pesado dos 16 anos em que o seu partido, o PSB, manteve-se à frente do Palácio do Campo das Princesas, um inquilinato que os eleitores pernambucanos já haviam emitido uma ordem de despejo ao eleger Raquel Lyra pela primeira vez. Havia uma inevitável "fadiga de material" socialista. Será que ele terá as "credenciais" necessárias para comunicar os eleitores que faria diferente?  

Este texto foi produzido por ocasião da publicação da pesquisa do Instituto Datafolha, aquela que apontava a virada de mesa da governadora. Logo em seguida, vieram outras pesquisas apontando um reequilíbrio na disputa entre João Campos(PSB-PE) e a governadora Raquel Lyra(PSD). Difícil dizer "o que" e "se houve" essa mudança tão significativa desde a divulgação da pesquisa do Datafolha. A verdade é que Raquel ter superado João de forma tão significativa é o grande "divisor de águas" na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.