Hoje, 20, o prefeito do Recife, João Campos, em cerimônia programada para o Hotel Luzeiros, na Zona Sul do Recife, deve anunciar sua candidatura ao Governo do Estado, nas eleições de 2026. Isso não chega a ser uma novidade, uma vez que os pernambucanos já sabiam, desde algum tempo, que o filho do ex-governador Eduardo Campos, herdeiro do espólio politico do pai, almeja chegar ao Palácio do Campo das Princesas. É um projeto familiar. O lado bom é que, João, jogado nesta arena circunstancialmente, logo após a morte do pai, tomou gosto pela atividade política. Possivelmente colocou como compromisso pessoal cumprir a trajetória que o "Moleque dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco", por uma fatalidade, deixou de realizar. Por este prisma, o garoto está apenas no meio do caminho, pois o objetivo final será o Palácio do Planalto.
O termo "Moleque dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco" era uma referência nossa ao ex-governador Eduardo Campos. Filho do escritor Maximiano Campos, segundo diziam os colegas, Eduardo Campos, ainda menino, costumava ser visto circulando pelos jardins da instituição criada por Gilberto Freyre. O termo é uma licença poética. Era um termo carinhoso. Escrevemos vários artigos sobre o jovem político, quase sempre favoráveis. Nossas ponderações críticas ao pai de João começaram em razão do seu afastamento do PT, quando estrava em curso o seu projeto presidencial e o seu feeling político chegara à conclusão que o caminho, naquele momento, seria construir uma aliança conservadora, mantendo uma equidistância necessária em relação ao PT.
Ontem, alguns leitores - e nos agradecemos sempre as considerações dos nossos leitores - nos questionaram sobre o potencial eleitoral da chapa formada pelo prefeito João Campos. Poderíamos aqui sair pela tangente, a exemplo de um cientista político pernambucano, parafraseando o filósofo, e responder que tudo seria possível, inclusive nada. Mas isso não é do nosso perfil. Corremos os riscos dos eventuais equívocos. Ontem mesmo líamos alguns oráculos afirmando que a chapa de João, por ser ideologicamente mais orientada à esquerda, poderia afugentar os eleitores conservadores. Sim e não. A tendência é que haja uma convergência de votos para o governador e para os senadores da chapa. É isso, inclusive, que preocupa setores do PT com a inclusão ou confirmação de Marília na chapa. Há uma leitura onde se pressupõe que os eleitores teriam uma tendência a votar num candidato mais conservador e num outro de perfil mais à esquerda. Marília, inclusive, bebe na mesa "fonte" de Humberto Costa.
Por outro lado, há de se entender que, mesmo construindo uma carreira política dentro das hostes progressistas, João sempre teve votos em segmentos conservadores. Já foi eleit0, inclusive, com uma narrativa antipetista, possivelmente com apoio do voto bolsonarista. Neste aspecto, de alguma forma, a governadora Raquel Lyra talvez não tivesse qualquer aresta em receber esse voto conservador, calculado hoje em 30% entre os eleitores do estado. Pelo andar da carruagem política, Raquel deve compor sua chapa com três troncos familiares tradicionais do estado. Os Ferreira, os Mendonça e os Coelho. Se entrar Anderson Ferreira, ainda incorpora o voto religioso, hoje importantíssimo, logo mais determinante numa eleição. Raquel está muito bem avaliada e fecha o Triângulo das Bermudas das eleições pernambucanas, algo que não pode ser desprezado.
Para variar, ainda há muita confusão na montagem de sua chapa. Esta uma bagunça generalizada essa formação da federação União Progressista. Mendonça Filho, ao lado de Miguel Coelho e Antonio Rueda, que preside o União Brasil, asseguram o apoio ao projeto de reeleição de Raquel Lyra. Na outra margem do Rio, Ciro Nogueira reafirma que quem manda na federação em Pernambuco é o deputado Eduardo da Fonte, que, aliás, já teria afirmado que acompanharia Raquel com o seu grupo político, mas teria sido sondado até mesmo pelo PT, que desejava que Humberto disputasse o Senado Federal ao lado de alguém com um perfil mais conservador. Se o eleitor optar em votar em Marília e escolher outro candidato de perfil mais conservador, Humberto Costa pode não se reeleger. Este é o frisson que poderia estar provocando ranhuras na composição da chapa, segundo especula a crônica política pernambucana no dia de hoje. Dizem que o PT não confirma a chapa oficialmente, embora ela tenha sido referendada pelo próprio Lula.

