A polêmica em torno do resultado das pesquisas de intenção de voto é algo perfeitamente normal. Há alguns institutos consolidados, com larga expertise em pesquisas, atuando no mercado há décadas, como é o caso do Datafolha, do IPESPE e do IPEC, que era o antigo IBOPE. O IPESPE, hoje com atuação nacional, começou aqui em Pernambuco. Ainda hoje esses institutos funcionam como uma espécie de síntese entre os demais institutos, ou seja, seus índices são sempre aguardados como um tira-teima entre os demais. Nas últimas eleições, porém, institutos relativamente novos, a exemplo do Quaest e do Paraná Pesquisas deram um verdadeiro banho de acertos, cravando números quase exatos ao resultado da eleição em alguns estados da federação e até nacionalmente. Aliás, foram esses dois institutos que mais se aproximaram do acerto dos resultados.
A maior preocupação desses institutos é exatamente em relação aos eventuais vieses dessas pesquisas de intenção de voto, o que poderia comprometer seus resultados. Os vieses são de toda a natureza. Se a pesquisa é aplicada pessoalmente; se as pessoas são ouvidas por telefone; se os dados populacionais são confiáveis para se determinar a amostragem correta, entre outros. Os dados do IBGE são confiáveis? Aqui em Pernambuco, por exemplo, são ouvidos um pouco mais de 2000 eleitores, distribuídos entre as mesorregiões do estado. Há de se tomar cuidados com a formação escolar do indivíduo, idade, o sexo, amostragem por região, entre outros, tudo isso para evitar os vieses. Se você aplica uma pesquisa em Porto de Galinhas sobre os problemas de Ipojuca, por exemplo, pode se deparar com a ouvida apenas dos turistas que visitam o balneário, aquela população flutuante que frequenta o local apenas em suas férias, não traduzindo os reais problemas da cidade, como a questão de infraestrutura habitacional, saneamento, violência, etc. Os pesquisadores precisam arregaçar as mangar da camisa e adentrar em Rurópolis, Salinas, nas zonas de ocupação vulnerável de Maracaípe.
No nosso tempo de estudante convencional - ainda continuamos estudando sempre para mantermos os neurônios ativos - embora não tivéssemos muita intimidade com os cálculos e os números das pesquisas - o que envolvia conhecimentos de matemática, com os quais nunca tivemos muita intimidade - considerávamos interessante uma termo usado n0 livro aplicado, denominado de variável interveniente, ou seja, uma variável que se joga na pesquisa realizada e, que, dependendo do resultado encontrado, pode comprometer as suas conclusões iniciais. Se você, por exemplo, tem uma avalição de um grupo de pessoas onde se conclui que os casados tem uma vida mais longa, quando se aplica à questão a prática do exercício físico, podemos chegar à conclusão de que aquele grupo não vivia mais por conta do casamento, mas em função do hábito regular do exercício físico. Há um cálculo para se concluir se essa variável interveniente é suficiente para comprometer os resultados inicialmente encontrados.
Numa das pesquisas aqui em Pernambuco estranhou-se, por exemplo, o fato de o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, pontuar como candidato ao Governo do Estado. Não há nada de estranho aqui, uma vez que o questionário era espontâneo e o ex-prefeito já havia sido candidato ao Governo do Estado em eleições anteriores. O Mesmo Instituto Veritá, que mostrou um empate técnico entre a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) e o candidato João Campos(PSB-PE), mudou completamente o cenário da disputa na Paraíba, apontando que o candidato Lucas Ribeiro(PP-PB), que seria uma espécie de candidato "oficial", apoiado pelo ex-governador João Azevedo, ocupa a primeira posição, seguido de Efraim Filho(PL-PB) e apenas na terceira posição aparece o nome do prefeito da capital Cícero Lucena(MDB-PB). Em todos os levantamentos anteriores Cícero aparecia em primeiro lugar na disputa pelo Palácio da Redenção.
Possivelmente tais resultados devem estar produzindo muita tinta entre os cronistas políticos do estado, assim como causando muita polêmica no meio político local, como ocorreu em Pernambuco, mas convém sempre ressaltar os trâmites legais e científicos seguidos pelo Instituto Veritá, com sua pesquisa seguindo os critérios técnicos de praxe, devidamente registrada no TSE. Não há nada a questionar por aqui, assim como ocorreu em relação ao Instituto Simplex, que também apontou um empate técnico entre os dois concorrentes ao Palácio do Campo das Princesas. Hoje, 09, um cientista político ouvido pelo Jornal do Commércio aponta a possibilidade, inclusive, de a governadora Raquel Lyra liquidar a fatura ainda no primeiro turno. Apesar dos números do Real Time Big Data, para apimentarmos a polêmica. Deixem suas considerações por aqui.
P.S.: A inclusão ou exclusão de um nome na lista pode mudar completamente os escores ou índices apresentados. Vamos imaginar que aqui em Pernambuco, a título de exemplo, que seja constituída uma chapa conservadora, formada entre o Novo e o PL, tendo em sua liderança o vereador Eduardo Moura(Novo) como candidato ao Governo do Estado, acompanhado dos nomes de Anderson Ferreira e Mendonça Filho como concorrentes ao Senado Federal. Isso poderia mudar o cenário. Eduardo Moura, por outro lado, nunca afirmou que seria candidato e sempre pontua bem com 5% a 7% das intenções de voto. Em Minas Gerais ocorre outro fenômeno curioso. O senador Cleitinho, que nunca admitiu que é candidato ao Palácio Tiradentes, lidera todas as pesquisas. Seu nome fora da lista dos institutos muda radicalmente o ambiente da disputa. Suponho que aqui em Pernambuco uma candidatura de Eduardo Moura possa prejudicar João Campos, principalmente na capital pernambucana, onde o candidato tem um melhor desempenho. Eduardo Moura vem se constituindo como um notório adversário do prefeito.