pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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domingo, 28 de junho de 2026

Editorial: O atentado contra o tenente da Rota

 



Este não é um assunto que gostamos de tratar por aqui, mas, além da repercussão do caso, está ocorrendo uma grande comoção em relação ao estado de saúde do tenente Ronickson Pimentel Santos, que, segundo boletim emitido pelo hospital onde o Policial Militar está internado, é estável, mas gravíssimo. O policial da Rota foi vítima de uma tentativa de assassinato em São Paulo. Esta comoção talvez seja em razão da morte de sua irmã, Eloá Pimentel, uma irmã do tenente morta em cativeiro pelo namorado, em 2008. À época, o policial criticou a ação da polícia no episódio, que, segundo ele, teria demorado. As investigações iniciais, de imediato, descartaram  qualquer vinculação entre um caso e outro. 

O que chama a atenção neste caso - e igualmente preocupa - é a possibilidade real de o caso está relacionado a uma vingança do crime organizado contra ações da Rota na área onde o policial militar foi vítima do atentado. Esta é uma das linhas de investigações mais quentes. O grau de sofisticação dos preparativos sobre o atentado remetem, inexoravelmente, a um ritual identificado com atentados perpetrados pelo crime organizado. O policial foi monitorado sistematicamente enquanto estava numa academia, seguido e sofreu a tentativa de execução pelos seus algozes quando parou num sinal de trânsito, sem qualquer chance de reação, pois, certamente, não deve ter observado nada que suscitasse alguma precaução. Por falar em precaução, o pessoal do Raio, um batalhão motorizado do Ceará, fica de olho na retaguarda quando param num sinal de trânsito.  

Pelas informações da polícia, havia um homem a pé, um carro e uma moto que conduzia os dois motoqueiros que tentaram executar o tenente. A polícia agiu com celeridade e eficiência neste caso, identificando boa parte dos partícipes do crime, mas ainda mantém cautela acerca das reais motivações. Ficamos por aqui torcendo pelo restabelecimento de sua saúde. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: João Campos põe a segurança pública na agenda dos debates de 2026


Os analistas políticos sugerem que o medo pode ser um dos grandes eleitores das próximas eleições no país. Aliás, não só no país, se considerarmos, por exemplo, o que ocorreu recentemente na Colômbia, onde o candidato ultra-direitista Aberlardo de la Espriella foi eleito com uma plataforma concentrado basicamente no enfrentamento radical ao crime organizado no país. Economia, saúde, educação continuam como bons eleitores, mas não restam dúvidas de que a questão da segurança pública passa a ser crucial neste momento, inclusive como tema primordial entre alguns postulantes ao Palácio do Planalto, a exemplo de Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Novo. 

Contingenciado pelas circunstâncias, o Planalto se movimenta neste sentido ao lançar um plano de combate ao crime organizado, mas o plano tem algumas deficiências inerentes; conta a má vontade de setores da Oposição - principalmente quando o tema se torna bandeira de campanha - e não há tempo suficiente para o Planalto colher os resultados até o dia 04 de outubro, quando teremos o primeiro turno das eleições. Segurança Pública não pode ser tratada do dia para a noite. Exige ações sistemáticas, de longo prazo, bem articuladas. Principalmente no estágio em que nos encontramos, onde 40% dos cidadãos e cidadãs já convivem com o crime organizado - seja através de facções ou milícias - com ações em seus bairros. 

Trata-se de uma tarefa gigantesca, com alguns componentes delicadíssimo, como a "institucionalização" do crime organizado, ou seja, sua penetração crescente no aparelho de Estado, seja no âmbito municipal, estadual ou federal. Na semana passada tivemos um daqueles finais de semanas nebulosos no estado, marcado por aquele episódio da morte de uma adolescente e sua mãe, em Timbaúda, atentados com mortes no Curado, uma adolescente encontrada morta em Jaboatão e o episódio da morte de um jovem em plena Padre Lemos, em Casa Amarela, com características de uma execução muito bem planejada, homens encapuzados, usando roupas camufladas. 

Isso talvez explique porque o candidato ao Governo do Estado nas eleições de outubro, o ex-prefeito do Recife, João Campos(PSD-PE), passou a bater na tecla da segurança pública no estado. Pernambuco sempre ostentou a condição de um dos estados mais violentos do país. O ex-governador Eduardo Campos elegeu-se governador do estado com o compromisso de baixar esses índices de violência, sintetizados pela morte de dezenas de pessoas em apenas um final de semana, narrados pelo voz do repórter policial Gino Cézar, com audiência estrondosa nos bairros da periferia da cidade. Alguém lembra disso? Num único final de semana eram registrados algo em torno de 3o mortes. O ex-governador Eduardo Campos cumpriu fielmente com a palavra empenhada durante a campanha. 

Eduardo Campos participava integralmente das reuniões do Pacto pela Vida, premiava bons resultados, e cobrava, aos muros na mesa, as dificuldades no atingimento das metas estabelecidas. Um dos fatores para o êxito do programa foi exatamente esta integração efetiva do chefe do Executivo Estadual. O programa tornou-se referência internacional e criou escola como programa de segurança pública no país. Os governos socialistas que se seguiram ao do governador Eduardo Campos, convenhamos, não tiveram a mesma atenção ao programa, evidenciando aquilo que chamamos a atenção no início do texto, ou seja, em assuntos dessa natureza, a continuidade se impõe. Sobre como a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) está enfrentando essa questão e tema para um novo artigo. 

sábado, 27 de junho de 2026

Editorial: É possível levar a sério este país?



Hoje, 27, o editorial do jornal O Estado de São Paulo é sobre o racha no clã Bolsonaro, onde o editorialista sugere haver algo de podre naquele reino, que se sustenta, em certa medida, em razão do antipetismo da sociedade brasileira. Valdemar da Costa Neto, Presidente Nacional do PL, e a senadora Damaris Alves estão atuando como bombeiros para evitar maiores estrados à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Pernambuco produziu um grande folclorista, Mario Souto Maior, ex-Promotor Público, que trabalhava na Fundação Joaquim Nabuco, dirigindo um núcleo especifico destinado a pesquisas e estudos sobre este tema. Mário era um folclorista das antigas, a exemplo de Câmara Cascudo, um potiguar que, desencantado com a medicina, deixou um dos maiores legados de estudos e produção nesta área no país. 

Um dos livros mais famosos de Mário é sobre os Nomes Próprios Pouco Comuns, onde, através de uma vasta pesquisa em cartórios de todo o país, ele conseguiu reunir nomes muito engraçados e inusitados, a exemplo de: Um Dois Três de Oliveira Quatro, Restos Mortais de Catarina, Oceano Atlântico Linhares, Rolando Escadabaixo, Necrotério Pereira da Silva. Sempre que apareciam aqueles apelidos da famosa lista de propinas da Odebrecht, por algum motivo lembrávamos de Mario. Se ele ainda estivesse vivo, tínhamos aqui uma nova fonte de pesquisa interessante. Mas, na realidade, o assunto que provocou este editorial foi uma "justificativa" dada por cidadão encrencado no rolo de um recente escândalo de corrupção no país, onde ele advoga que pediu ao intermediário - segundo as apurações da Polícia Federal - para comprar um imóvel - que a PF acredita que tenha recebido como propina - para recomprá-lo depois. 

E por aí vai. Um outro encontra uma justificativa para guardar em seu apartamento malas abarrotadas de dinheiro. Esconder dinheiro na cueca e coisas assim. É normal que um banqueiro envolvido até a medula em corrupção tenha financiado diárias caríssimas para um político que ocupa um dos cargos mais importantes da República? É a criatividade da malandragem brasileira imperando num país que realmente não pode ser levado muito a sério. 

Editorial: A super-representação de Pernambuco no Governo Lula.


A coluna Diário do Poder, no dia hoje, 27, traz algumas informações importantes acerca da sub-representação de algumas regiões do país no Governo Lula 3, assim como a super-representação de alguns entes federados, a exemplo de São Paulo e Pernambuco que, juntos, somam 17 ministros, quase a metade de todo o corpo ministerial. Esta desproporção, principalmente quando estamos tratando de representação parlamentar, constitui-se  num grave problema, cuja discussão demandaria um espaço maior do que um simples editorial. Vamos ficar no Executivo para não nos alongarmos. Existem algumas razões para Pernambuco ocupar este espaço no Governo Lula é isso não se resume ao fato de ser a terra do presidente Lula. 

A Bahia, conforme observa a coluna, mesmo dando a Lula 72% dos votos na última eleição presidencial, tem apenas quatro ministros no Governo. Recentemente, também perdeu o líder do Governo no Senado Federal, Jaques Wagner, defenestrado do cargo quando teve o seu nome associado a escândalos envolvendo o Banco Master. Sai um baiano da chamada "República do Acarajé" e entra a senadora pernambucana Tereza Leitão, mulher de partido, fiel escudeira do Governo Lula, ilustre representante da "República do Leão do Norte". O Ministro Sílvio Costa Filho, que deixou o Ministério da Pesca recentemente, era um dos mais elogiados por Lula. André de Paula, que assumiu o Ministério da Agricultura, na cota do PSD, é um rebento da escola de Marco Maciel. 

José Múcio Monteiro, Ministro da Defesa, é conhecido por sua habilidade na arte da conciliação, do apaziguamento. Lula não o dispensa, principalmente porque ele gerencia uma área das mais complexas, a militar, onde os reclames são grandes, principalmente em relação ao contingenciamento de verbas. Os pernambucanos são bons de conversas, articulações e até bons gestores. Isso explica, em parte, a ocupação de espaços relevantes no Executivo Federal. 

Charge! Borega via Bahia Notícias\perfil do autor no Instagram


 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Editorial: Alfredo Gaspar se consolida como favorito ao Senado Federal por Alagoas


Hoje, parte da crônica política nacional, por incrível que possa parecer, se dedicou a interpretar as mensagem subliminares contidas no vídeo de desabafo da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Alguém sugeriu que ela partiu para um enfrentamento mais ostensivo, indicando, talvez, que vem candidatura presidencial por aí. Consideramos precipitadas algumas dessas conclusões. A turma do PL tenta colocar panos mornos na fervura familiar, antevendo os eventuais estragos ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro. A crônica política pernambucana em particular envolveu-se numa discussão estéril sobre os eventuais apupos e xingamentos ao pré-candidato João Campos, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. Há rumores de que não tenham sido espontâneos, mas armados. Um internauta divulgou um vídeo de Gravatá, onde houve uma ocorrência semelhante. 

Já que estamos na região, vamos desembarcar na Terra dos Marechais, a Alagoas do escritor Graciliano Ramos, onde o deputado federal Alfredo Gaspar, de acordo com uma pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto TDL, liderada disparado a pesquisa para o Senado Federal. A pesquisa ouviu 1200 pessoas, entre os dias 20 e 22 de junho de 2026, com margem de erro de 2,7 pp e índice de confiabilidade de 95%. Mais importante, está registrada no TSE sob o número: AL-04608\2026. Neste pesquisa, Alfredo Gaspar aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Arthur Lyra pontua com 33.0%. Renan Calheiros crava 31.0  nesta mesma pesquisa. 

A liderança de Alfredo Gaspar é uma espécie de reconhecimento do eleitorado do estado a um cidadão íntegro, dotado de espírito público, que vem prestando relevantes serviços à população alagoana e do Brasil, seja na condição de promotor, de integrante do GAECO, de Secretário de Segurança Pública e, principalmente, como relator da extinta CPMI do INSS, uma das mais séries já criadas, que produziu uma trabalho de investigação primoroso, apontando como aposentados e pensionistas foram roubados por picaretas de dentro e de fora do serviço público. Aliás, esses agentes agiam em conluio visando lesar os velhinhos.  

Editorial: Ainda a polêmica das bets

Crédito da Foto: Chico Ferreira\PSB


As bets estão em todas. Das tradicionais festas juninas às transmissões da Copa do Mundo. A deputada federal, Tabata Amaral(PSB-SP), recentemente fez uma postagem nas redes sociais questionando a propaganda dessas bets, que hoje, conforme já expusemos, patrocinam um mundo de eventos. Por coincidência ou não, o "terrível" editorialista de O Estado de São Paulo, também envereda sobre o assunto, principalmente tocando no ponto nevrálgico, traduzido nos vícios em jogo e endividamento da população com essas práticas. Volta-se a bater na tecla da regulação. Houve uma época em que os beneficiários do Bolsa Família estavam estuporando o dinheirinho do benefício com esses jogos. Hoje parece existir algum controle por aqui. A própria banca inviabiliza as apostas dos beneficiários do programa. Ainda bem. Outra restrição diz respeito aos menores de 18 anos de idade. 

Salvo melhor juízo, houve até abertura de CPI para tratar deste assunto, mas não se sabe os resultados do seu relatório final. Ao contrário, ocorreram à época denúncias cabeludas de que, supostamente, parlamentar que fazia parte da comissão poderia ter recebido sugestões de propina para ajustar os entendimentos em favor dessas bets. Eduardo Moura(Novo-PE), vereador do Recife, que faz oposição ao prefeito João Campos(PSB-PE), também em vídeo, elencou uma série de atividades da Prefeitura do Recife que, supostamente, teriam recebido algum tipo de patrocínio dessas bets. E não são poucas, segundo o combativo vereador, que cumpre, com denodo, o seu papel de fiscalizar o Executivo Municipal a partir do seu gabinete na Casa de José Mariano. É o seu papel precípuo. 

Dentro de regras civilizadas, esses debates são sempre bem-vindos. Há um outro editorial do jornal paulista tecendo ponderações críticas a respeito de algumas falas do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, durante entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura

Editorial: Marília Campos recusa proposta do PT para o Governo de Minas Gerais.


Depois da recusa do senador Rodrigo Pacheco(PSD-MG) em concorrer ao Palácio Tiradentes com o apoio do PT, o partido ficou sem muitas alternativas nas alterosas. Já seria previsível que as sondagens recaíssem sobre o nome da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, uma liderança política em ascendência no estado. Psicóloga formada pela UFMG, Marília começou sua militância política atuando no Sindicato dos Bancários, foi vereadora e prefeita da cidade de Contagem por dois mandatos, onde construiu seu capital político, e, hoje, habilita-se, com créditos, para se tornar senadora pelo estado de Minas Gerais. Objetivamente, com a sua experiência, Marília entendeu que a proposta pode ser um equívoco crasso do partido. 

Vamos usar o termo "equívoco" para não melindrarmos. Em sua resposta, Marília Campos sugere que não seria estratégico para o partido indicá-la como candidata ao Palácio Tiradentes, mantendo a sua disposição de disputar o Senado Federal pelo Estado. Na realidade, Pacheco nunca alimentou alguma expectativa em relação à disputa ao Governo de Minas Gerais. Esta é uma opinião pessoal, entendendo as disposições em contrário. Manteve esta possibilidade  aberta enquanto costurava sua indicação à vaga que se abriu no Supremo Tribunal Federal. Estava tudo azeitado, com o apoio do Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, assim como membros da própria Suprema Corte, já haviam dado declarações favoráveis ao seu nome. Não teria dificuldades na aprovação do seu nome. 

Mesmo diante do impasse com a sua não indicação por Lula para o STF, as conversas foram mantidas no sentido manter a expectativa em torno de uma disputa do aliado ao Governo de Minas Gerais. Algum tempo depois, Pacheco pôs uma pá de cal nessas articulações em torno do seu nome como candidato com o apoio do PT. Nos escaninhos de Brasília especula-se que o seu nome possa ser indicado para uma vaga aberta no Tribunal de Contas da União. Quanto a uma opção petista viável eleitoralmente em Minas Gerais... Vamos conversando!

  

Editorial: Vorcaro é transferido para a Papudinha


Por determinação do Ministro André Mendonça, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido da sede da Polícia Federal em Brasília, onde cumpria pena, para a Papudinha, onde já esteve preso o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há duas leituras aqui. A primeira é a de que as propostas de delação premiada malograram de vez. Tanto a de Daniel Vorcaro quanto a de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É comum o sentimento de que as propostas não avançam sobre o que a Polícia Federal já descobriu sobre esse esquema criminoso que vai muito além de uma fraude do sistema financeiro. Uma outra leitura é que o ex-banqueiro, por razões óbvias, não poderia cumprir pena em uma prisão comum, ora em razão da preservação de sua integridade física, ora em razão de eventuais contatos indesejados para o rumo das investigações. 

Numa das últimas sessões abertas do STF, o ministro André Mendonça comenta que teve acesso às cenas onde o ex-sicário, Luiz Phillipi Mourão cometeu suicídio. Enquanto isso, na sala da justiça, o rebuliço permanece em relação ao que já se sabe, onde próceres integrantes dos Três Poderes da República foram cooptados nesse esquema criminoso, de alguma forma. Seja em participação ativa, seja para pavimentar suas ações em suas áreas de influência, seja para proteger seus integrantes das eventuais consequências jurídicas de suas ilicitudes. Ontem mesmo foi anunciado pelo Planalto que o novo líder do Governo no Senado Federal é a senadora pernambucana Tereza Leitão, muito festejada pelos companheiros. 

Sobretudo neste momento onde as pesquisas de intenção de voto sugerem melhoria dos índices do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tudo o que o Planalto não desejava é que integrantes do Governo fossem arrolados como eventuais partícipes dos rolos do Banco Master. O que se comenta nos corredores da capital federal é que os homens escalados por Lula para funções específicas em relação às próximas eleições foram os maiores defensores do afastamento do senador Jaques Wagner da liderança do Governo no Senado Federal.  

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Crônicas do cotidiano: Robert Walser, o ajudante.



"Uma inocência fora de lugar" é assim que o colunista da Folha de São Paulo define a literatura do suíço Robert Walser, que o filósofo Walter Benjamim considerava um precursor de Franz Kafka. Aliás, conforme já informamos por aqui, Walser, na realidade, era o escritor preferido de Kafka. Assim como Kafka, do ponto de vista literário, viveu uma vida errática, com diversos manuscritos não publicados, internado em clínicas psiquiátricas, exercendo ofícios de pouca relevância social. Walser não suportava as rotinas de trabalho, tampouco se fixava numa residência por muito tempo. Trabalhou durante algum tempo como auxiliar de um engenheiro, de onde se inspirou para escrever O Ajudante, único dos seus livros traduzidos para o Brasil. 

Até no aspecto da desorganização pessoal, Walser e Kafka são parecidos. Mesmo diante das idas e vindas, Walser conseguiu publicar três romances que o fizeram ser aceito ou legitimado no topo do Everest literário. Escrevia bem em todos os gêneros, tornando-se uma espécie de escritor para escritores. Muitos dos textos de Kafka foram publicados mesmo que inacabados. Inclusive O Processo, talvez sua obra-prima, que precisou ser organizada por Max Brod, seu amigo, admirador, primeiro biógrafo e editor. Ainda bem que ficou bem organizado, não se perdendo o ritmo da narrativa, tampouco o resultado final. O que se sabe é que, originalmente, eram contos separados, assim como ocorreu com Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos, publicados como folhetim em jornais, num período de vacas magras para o escritor.  

Mesmo para os textos publicados em vida, Kafka sempre recorria a Brod para organizá-los. Era uma admiração desde os tempos em que ambos alisavam os bancos de uma universidade onde realizavam o curso de direito. Há muitas controvérsias em torno de Kafka, o que levaria muita tinta  para ser tratadas por aqui, como uma biografia mais recente, escrita pelo alemão Reiner Stach, onde ele questiona até mesmo o aspecto de uma personalidade retraída atribuída ap autor de A Metamorfose. Como poderia um vendedor de seguros ser uma pessoa retraída? Questiona Reiner. A crônica do cotidiano de hoje veio em razão dos acessos surpreendentes a uma crônica escrita há alguns anos atrás, onde fazíamos referência ao internamento de Walser numa clínica para tratamentos psicológicos. Recebemos, então, alguns pedidos de informação sobre as obras do autor publicadas no Brasil. Só existe o romance O Ajudante, obra esgotada.  

Editorial: A diplomacia de Caiado em sua visita ao Recife



No maior evento de comunicação política e institucional do país, ocorrido recentemente em Porto Alegre, o marqueteiro João Santana, durante a sua fala, diz ser um equívoco crasso ou ilusão a conclusão - quase generalizada - que o país vive sob a égide de uma esgarçante polarização política. A questão é polêmica e merece uma avaliação mais aprofundada, o que não seria possível num espaço tão curto como este. O fato é que, até o momento, nenhum dos postulantes à Presidência da República, pelo menos até o momento, conseguiu romper com a centrífuga que mói a disputa entre dois nomes. Um representante do petismo, Luiz Inácio Lula da Silva, e, do outro lado, Flávio Bolsonaro, o representante do bolsonarismo. De fato, quem deve decidir a eleição é aquele eleitorado de centro, menos orientado ideologicamente, que, aliás, pode estar se afastando de Flávio Bolsonaro depois do "Dark Horse" e melhorando os índices de Lula, conforme as últimas pesquisas de intenção de voto. 

Em todo todo o caso, tal eleitorado acaba sendo "filtrado" por essas duas opções. Segundo pesquisa do Datafolha, ele até gostaria de votar num outro nome, mas sabe que tal nome não reúne as condições mínimas de superar essa barreira e se vê contingenciado a fazer uma opção entre um petista ou um bolsonarista. Um desses candidatos, Ronaldo Caiado(PSD-GO) não atinge sequer 5% das intenções de voto. Caiado esteve recentemente no Recife, onde assumiu uma postura de pré-candidato que não deseja arestas com possíveis ou eventuais aliados. Foi diplomático, elogiando a postura de independência da governadora Raquel Lyra(PSD-PE), que é do seu partido, mas assegura que terá palanque no estado. Raquel, por sua vez, retribuiu a gentileza, afirmando que tem admiração pelo ex-governador de Goiás. 

Há uma movimentação de lideranças do PL pernambucano no sentido de que a governadora assuma de uma vez o palanque de Flávio Bolsonaro no estado. O lobby é forte, inclusive com a ingerência do próprio presidente da legenda no estado, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, que gostaria de declarar oficialmente o apoio do partido à governadora mediante tal compromisso. O ex-Ministro do Turismo do Governo Bolsonaro, Gilson Machado, que hoje é filiado ao Podemos, também se posicionou favorável a um apoio da governadora à candidatura de Flávio Bolsonaro. 

Editorial: Racha na Família Bolsonaro?


Começando o dia agradecendo pelos leitores que nos acompanharam no dia de ontem, 24, precisamente 13.761. Hoje, 25, com a ajuda de vocês, pretendemos superar esse índice. Hoje também fomos surpreendido com um vídeo da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, onde ela tece algumas considerações críticas sobre como fora tratada pelo pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Numa avaliação mais ampla, o que sempre esteve em jogo ou em disputa é o espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A família não construiu um consenso em torno desse assunto. Uma candidatura presidencial da ex-primeira-dama nunca contou com o sinal verde dos filhos do ex-presidente e, eventualmente, talvez do próprio Bolsonaro. 

Aliás, uma "solução" fora do próprio clã-familiar talvez tivesse sido uma estratégia que poderia ter evitado esta fissura e se tornado mais viável eleitoralmente, a exemplo do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Existe uma birra entre ambos, Michelle e Flávio, acerca do posicionamento do PL no estado do Ceará, onde históricos bolsonaristas, a exemplo de André Fernandes e Capitão Wagner, hoje perfilam  ao lado do tucano Ciro Gomes. Mas isso é pontual, sobretudo se considerarmos que se trata de uma situação inusitado, uma vez que o próprio Ciro Gomes não se inclina a levantar o palanque de Flávio no estado. 

Depois dos vídeos que vieram a público, onde o senador Flávio Bolsonaro negocia com o banqueiro Daniel Vorcaro financiamento para o filme sobre o pai, "Dark Horse", o pré-candidato voltou a performar em termos de intenções de voto num universo considerado tradicionalmente bolsonarista raiz, perdendo eleitores no segmento dos eleitores independentes. Resta saber se esses fatos novos poderia produzir alguma ranhura neste eleitorado cativo do bolsonarismo. 

Editorial: Por onde anda Bebeto do Choró?

 


A Polícia Federal prendeu recentemente, em flagrante, o filho do ex-prefeito de Choró, o senhor Bebeto Queiroz, que, politicamente, ficou conhecido como Bebeto do Choró. Estima-se que, com a prisão do filho, as investigações avancem no sentido de esclarecer um suposto esquema nebuloso de corrupção montando naquela prefeitura,  envolvendo entes públicos e privados, altamente lesivos ao interesse público. A engenharia de corrupção, neste caso, é sensivelmente complexa, uma vez que, segundo apurações da Polícia Federal, envolveria fraudes em licitações, liberações de emendas irregulares, exploração de serviços na máquina municipal por facção do crime organizado e, também, financiamento de políticos "sensíveis" ao esquema montado por esses grupos faccionados dentro e fora da cidade. De quebra, ainda existe a questão da lavagem de dinheiro oriundo do crime organizado no esquema, sempre de acordo com as investigações da Polícia Federal, tornadas públicas.  

O que espanta neste caso são as recorrentes ocorrências de fatos semelhantes ao que já ocorre em outras praças do país, onde facções do crime organizado já operam dentro de instituições públicas abertamente, onde o caso mais emblemático é o Rio de Janeiro. Conforme comentávamos no dia de ontem, 24, cinco vereadores de Morada Nova, cidade localizada no Vale do Jaguaribe, foram presos porque tiveram suas campanhas financiadas por facções do crime organizado. Inclusive o presidente da Câmara Municipal. Se considerarmos a possibilidade de eventos semelhantes em outras cidades do estado, o que não seria improvável, estamos aqui diante de uma engenharia de corrupção muito bem azeitada. 

Há meses Bebeto do Choró está foragido, tornando-se um tema recorrente na pré-campanha para o Governo do Ceará. Este fato tem produzido um desgaste para a gestão do atual governador, Elmano de Freitas, naturalmente muito explorado pela oposição, hoje representada pelo ex-governador Ciro Gomes. Soubemos recentemente que Ciro Gomes foi vítima de um processo movido não sabemos se pelo PT, se pelo Governo do Estado ou se pelo próprio governador Elmano de Freitas. Supostamente, pode ter sido em razão de uma alegada ausência de empenho na captura do foragido.  

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Editorial: O que faz do Brasil, Brasil

Crédito da Foto: Marcelo Gomes\Acervo Trip


Este é o título de um dos textos mais emblemáticos do antropólogo Roberto DaMatta, onde, como sugere o título, ele tanta explicar o que faz do Brasil, Brasil. Por aqui ocorre algumas coisas curiosas, como uma análise que chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde um ministro cobra explicações da direção da Penitenciária da Papuda acerca de uma suposta pressão para que Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS" faça delação premiada. Ficamos sem entender. Aliás, o próprio Camilo Antunes, salvo melhor juízo, muito em função da prisão do seu filho, já teria manifestado interesse em entrar no programa de colaboração espontaneamente. 

Outro fato curioso é um processo, movido pelo Governo Elmano de Freitas - ou seria do PT cearense? ainda não temos certeza - contra o pré-candidato Ciro Gomes, que envolve a prisão de Bebeto do Choró, um ex-prefeito arrolado num processo que está relacionado às facções do crime organizado no estado, que se encontra foragido há alguns meses. Não vamos aqui entrar no "mérito" da questão, uma vez que este caso tomou repercussão nacional por envolver supostas relações de políticos eleitos com o crime organizado. É aquilo que tratamos aqui como a "institucionalização" do crime organizado. 

O Rio de Janeiro é o melhor exemplo, mas numa cidadezinha do próprio Ceará, praticamente uma penca inteira de vereadores foram presos por este motivo. Inclusive o presidente da Câmara Municipal. Ainda para hoje, um encontro entre o presidente Lula e o ainda líder do Governo no Senado Federal, o senador Jaques Wagner. É aquela conversa entre bons amigos, onde um fica insistindo para o outro desligar primeiro. Pessoalmente, Lula não gostaria de pedir o cargo a um amigo de décadas. Jaques Wagner também não gostaria de entregar o cargo, mas se sente contingenciado a fazê-lo. Aproveitamos para agradecer os leitores pelos 10 mil acessos ao blog até este momento. 

Editorial: 59% dos brasileiros concordam em classificar PCC e CV como organizações terroristas



O advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi eleito no último domingo, 21, o novo presidente da Colômbia, ancorado numa plataforma política de enfrentamento radical aos narcotraficantes do país, acenando para a construção de unidades prisionais à semelhança do CECOT de El Salvador e a presença efetiva de forças militares americanas no país. Embora o resultado tenha sido apertado - Espriella venceu com a diferença de apenas 1% dos votos - a sua vitória é uma evidência de que a população colombiana apoia suas propostas. O resultado está sendo contestado, mas ele já instigou as Forças Armadas do país a confirmarem o resultado das urnas. Ele deve ser mesmo confirmado como o próximo presidente do país. 

Este prólogo é em função de uma pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo, cuja temática está relacionada à posição da população brasileira em razão da decisão do Governo dos Estados Unidos em classificarem organizações como o PCC e o CV como organizações terroristas. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de junho, com pessoas entre 16 anos ou mais, num universo de 136 municípios brasileiros. Os dados levam à conclusão de que 59% dos brasileiros são a favor de classificar PCC e CV como organizações terroristas. Por outro lado, 74% não concordam com algum tipo de intervenção dos Estados Unidos no país, um dado que talvez nos diferencie dos colombianos e sirva de alerta ao candidato Flávio Bolsonaro, que tem demonstrado muito entusiasmo com as medidas adotadas pelos americanos. 

Com a vitória de Espriella na Colômbia, passou a circular nas redes sociais avaliações acerca da influência que o Governo dos Estados Unidos estão exercendo nos diversos pleitos de países da região, inclusive no Brasil, onde o apoio e afinidades ficam evidentes com um dos lados. Lula, inclusive, reforça uma narrativa de contraposição, ancorado nos bons resultados de um soberanês sem sotaque. Há cem dias das eleições, embora os escândalos de corrupção continuem produzindo seus estragos, ainda defendemos a tese de que o "medo" será o grande eleitor de 2026.  

Editorial: Os rolos da República do Acarajé

Crédito da foto: PT da Bahia


Nas eleições de 2022 os baianos deram 72% dos votos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula obteve uma votação expressiva no 4º maior colégio eleitoral do país, graças ao apoio efetivo de nomes como os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, que também conseguiram eleger Jerônimo Rodrigues governador, a despeito das dificuldades iniciais. Os baianos chegaram a capital federal com o prestígio nas alturas, dispostos a ocuparem os espaços de poder convergentes com os votos transferidos ao presidente. Rui Costa foi indicado para o estratégico Ministério da Casa Civil, assim como Jaques Wagner assumiu a liderança do Governo Lula no Senado Federal. Ao longo do tempo, jornalistas que cobrem  os bastidores da capital federal concluíram que ambos se tornaram interlocutores privilegiados junto ao presidente Lula. 

Com o seu nome envolvido em supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master, conforme investigações da Polícia Federal tornadas públicas, Jaques Wagner deve deixar a liderança do Governo no Senado nos próximos dias, consoante o que se especula. Ele, pessoalmente, talvez não desejasse, mas pessoas ligadas ao presidente afirmam que isso seria fundamental para livrar o Governo de uma encrenca maior há cem dias das eleições de outubro. O pior ainda não é isso. Segundo também se especula, outro amigo da República do Acarajé pode ser arrolado nas mesmas investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

O curioso neste enredo é que um dos principais interlocutores junto ao presidente Lula sobre a tese de se manter o máximo possível distante dos rolos da República do Acarajé também é baiano e os leitores já podem imaginar de quem estamos falando. Lula enfrenta um momento de menos alvoroço em relação às pesquisas de intenção de voto, justamente quando se presume que os eleitores mais independentes possam ter abandonado o barco do candidato Flávio Bolsonaro, depois do "Dark Horse". O que Lula menos desejaria neste momento é um escândalo sendo jogado no colo do Palácio do Planalto.  

terça-feira, 23 de junho de 2026

Editorial: Gilmar Mendes no Roda Viva


O Roda Viva, um programa tradicional da TV Cultura, não é mais aquele Roda Viva de antes, onde entrevistas históricas ficaram consagradas. Durante um certo tempo, acompanhávamos o programa com uma grande expectativa acerca do próximo entrevistado. Ao longo do tempo, perdemos um pouco este hábito. Ontem, segunda-feira, no entanto, a bancada de entrevistadores questionaram o decano da Suprema Corte, o ministro Gilmar Mendes. Durante a entrevista, o ministro fez duas ponderações das mais relevantes, talvez por isso mesmo elas estejam repercutindo tanto nas redes sociais. Num determinado momento, ele remonta a um diálogo mantido com o ministro André Mendonça, durante uma sessão aberta do Supremo Tribunal Federal, onde o relator do inquérito do Banco Master confidenciou que havia recebido e recusado uma proposta delação premiada "seletiva", formulada por advogado do banqueiro Daniel Vorcaro. 

Durante a entrevista, Gilmar apontou aqui um eventual equívoco, uma vez que não seria de competência do ministro André Mendonça  a recusa de tal delação, algo afeito, tão somente, à Policia Federal, o Ministério Público e os próprios advogados constituídos pelo réu. Num outro momento de sua fala, uma decisão do ministro Nunes Marques, Presidente do TSE, que proibiu a divulgação de dados de uma pesquisa do Instituto Atlas\Intel. Gilmar acredita que, uma vez recorrido, tal medida não teria chances de ser referendada num colegiado da Suprema Corte, em nome de decisões já tomadas em relação à liberdade de expressão.  

Em alguns momentos, há uma polêmica sadia entre os ministros da Suprema Corte e isso nos ensina muito sobre algumas dessas decisões. Não é de nossa competência ou alvitre julgar quem tem razão nessas contendas. Hoje tomamos conhecimento de que o ministro Edson Fachin deve distribuir outro inquérito polêmico, o do "Dark Horse", ao ministro André Mendonça. Tema polêmico, uma vez que o ministro foi indicado ao STF pelas mãos do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Editorial: Operação Miragem da Polícia Federal



Acordamos hoje com mais uma operação da Polícia Federal, desta vez contra eventuais fraudes no sistema financeiro, algo, em tese, bastante parecido com o que ocorreu com o Banco Master. Quando estourou o escândalo do Banco Master, aliás, analistas do mercado já haviam observado que algo semelhante poderia ocorrer com o Banco Digimais, uma instituição bancário pertencente ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal. As operações se realizam em São Paulo, a partir da constatação de que operadores do banco teriam, supostamente, fraudados balanços financeiros para apresentar uma situação de solvência inexistente nas operações da instituição bancária. De imediato, foram bloqueados o montante de 670 milhões em bens. 

O pior é que não seria improvável que outras instituições bancárias possam estar utilizando desses mesmos expedientes lesivos aos cofres públicos e aos seus clientes. Outra fonte de preocupação são os famigerados empréstimos consignados, em alguns casos, realizados sem autorização de aposentados e pensionistas, que, com dificuldades, acabam gastando o dinheiro "extra" que entram em suas contas, assumindo dívidas que passam a comprometer os benefícios nas rodadas seguintes, engordando os bolsos dos tubarões do sistema financeiro. As investigações conduzidas pela CPMI do INSS estavam mostrando o modus operandi dessas instituições bancárias, no momento em que os trabalhos foram encerrados.  

Vamos aguardar novos desdobramentos dessas investigações durante o dia de hoje. Por enquanto, é isso o que se sabe. É o que temos informados por aqui. No Brasil, a gente fica sempre esperando o próximo escândalo, algo que já nem causa mais espanto aos cidadãos e cidadãs. Vamos em frente, manter a programação da festa junina, que é uma maneira de conviver de forma menos estressante num ambiente onde os escândalos são recorrentes. 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Editorial: Jaques Wagner deve licenciar-se da liderança do Governo no Senado Federal.



A informação está publicada no coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A despeito da resistência inicial, informa o jornalista, os companheiros convenceram o senador Jaques Wagner a licenciar-se da liderança do Governo no Senado Federal, evitando, assim, um desgaste maior do Governo Lula neste momento. As investigações da Policia Federal avançam no sentido de apurar se, de fato, há algum envolvimento irregular do senador com as conhecidas maracutaias do Banco Master. Há alguns indícios. Não fosse assim, as operações de buscas e apreensões determinadas pelo STF não teriam sido autorizadas. Os governistas operavam, até então, com o escândalo do suposto financiamento do filme "Dark Horse", que acabou dando nome ao escândalo. 

Ainda hoje, 22, também na coluna do Lauro Jardim, há a informação de que teria ocorrido mais um encontro entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. É aquilo que informamos no dia de ontem. Um escândalo desta natureza não passa pelo crivo ideológico. Principalmente num país onde ditos esquerdistas adoram apartamento de cobertura de frente para o mar, como qualquer burguês de bom pedigree. De preferência com píer e teleférico. A dinâmica da política é bastante interessante. De Espriella foi eleito ontem presidente da Colômbia, ancorado numa plataforma política radical, identificada com a extrema-direita, propondo "soluções" para o gravíssimo problema de segurança pública no continente. 

Outros fatos podem ser tornar mais relevantes daqui para frente, antes do 04 de outubro. Facções do crime organizado estão executando até bebês, como ocorreu recentemente na Bahia. A eleição de Espriella na Colômbia reforça a tese de que o "medo" realmente seja o grande eleitor das próximas eleições. Pelo andar da carruagem, sugere-se que não apenas no Brasil, mas no continente, uma vez que essas facções passaram a operar de forma continental. 

Editorial: Prefeitura de São Paulo contrata escola de "Casa Grande" para alunos de escolas de "Senzala".


Há poucos dias concluímos um romance sobre um personagem ancestral das matas do Litoral Norte de Pernambuco, líder do Quilombo do Catucá, conhecido como Malunguinho. No mês de agosto nas matas do Engenho Pitanga, em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, há uma grande festa em sua homenagem, reunindo integrantes de religiões afro-brasileiras, notadamente os praticantes da Jurema Sagrada. Tombada recentemente como patrimônio imaterial do estado, a festa é uma das mais pungentes dos povos de religiões afro-brasileiras. Tivemos que remontar toda a história desse líder quilombola, que se transformou em entidade depois de morto, cultuado pela Jurema Sagrada, o Candomblé e a Umbanda. 

Sempre auxiliado pelo professor Marcus Carvalho, da UFPE, profundo conhecedor deste tema, assim como pelo antropólogo argentino Néstor Garcia Canclini, o texto ficou demasiadamente denso, talvez mais próximo de um ensaio do que um romance, algo que precisamos rever no sentido de não prejudicar os elementos de narrativa inerentes a um texto com as característica de romance. Num determinado momento, fazermos referência ao abolicionista pernambucano, Joaquim Nabuco, que integrava um estirpe de abolicionistas preocupados com a construção de um projeto para os negros recém-libertos da escravidão, assim como o engenheiro de Cachoeira, André Rebouças. 

Muito afinados com esses autores, um outro pernambucano, Cristóvam Buarque, observa que, no Brasil, ainda existem escolas para alunos da Casa Grande e escolas para os alunos da Senzala. Isto nos veio à mente quando líamos recentemente que a Prefeitura de São Paulo, quando soube que uma escola tradicional mantida por instituição religiosa, que funcionava junto à Cracolândia, iria fechar, propôs que eles se mantivessem em atividade, mas passassem a receber os alunos da rede pública municipal. Assim foi feito, segundo dizem,  com excelentes resultados.  A escola é o Liceu Coração de Jesus, com 137 anos de existência, conhecida por formar boa parte da elite do estado de São Paulo. 

De família humilde, mas bancado por um padrinho, Lima Barreto foi aluno da mesma Politécnica onde se formou André Rebouças. Era um grande desejo do pai que ele se formasse na Politécnica, mas ele não conseguiu chegar ao final do curso, exatamente em função dos problemas enfrentados pela família. André Rebouças talvez se configurasse naquela biotipo tratado pelo antropólogo Gilberto Freyre dos mulatos embranquecidos em razão de sua ascensão social. Ele tomava essas referências para concluir que, no Brasil, não haveria um preconceito de raça, mas de condição social do indivíduo. Esta digressão aqui, leitores, é apenas porque líamos recentemente uma biografia de Lima Barreto onde há várias referências a André Rebouças. Não tem uma relação direta com o episódio do Liceu Coração de Jesus.   

Editorial: De La Espriella vence eleição na Colômbia


Uma onda de extrema-direita varre a América Latina, onde políticos com este perfil estão sendo conduzidos à presidência de países do continente nas últimas eleições, a exemplo da Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Paraguai, Peru e, mais recentemente, a Colômbia. Abelardo de La Espriella, foi eleito no último domingo, 21, em segundo turno, o novo presidente colombiano. Suas chances de chegar ao poder foram antecipadas por este editor logo depois do final do primeiro turno daquelas eleições, onde ele ficou à frente do concorrente, Ivan Cepada, apoiado pelo atual presidente do país, Gustavo Petro, embora com uma margem apertada de votos, apenas 1%, o que levou os governistas a contestarem o resultado. 

Há algumas teorias construídas em torno deste assunto, principalmente por setores mais à esquerda do espectro político, sobre as quais poderíamos nos debruçar, mas, de concreto, o que parece estar em jogo mesmo é a incapacidade desses países em lidarem com o avanço do crime organizado com os instrumentos convencionais até então utilizados. No Brasil entes federados estão entrando em colapso, a exemplo de estados como o Ceará, a Bahia, o Rio Grande do Norte. Na Colômbia é um país inteiro. A plataforma política de Espriella é de enfrentamento radical, com a utilização das Forças Armadas e construção de presídios ao estilo do CECOT de Nayib Bukele, de El Salvador, um dos seus inspiradores. 

A esquerda adora neologismo. Terá que lidar agora com um novo neologismo, ou seja, a bukelização do continente latino-americano. Já existem outros CECOT's em construção e "missões" estrangeiras estão sendo encaminhadas a El Salvador para estudarem o modelo adotado naquele país no enfrentamento das gangues que ali atuavam. Um dos nossos principais concorrentes à Presidência da República já esteve ali, acompanhado de outros parlamentares e se mostra simpático à propostas como o "Escudo das Américas", proposição do Governo Norte-Americano. Um outsider, o Renan Santos, com chances de surpreender nas eleições, é francamente favorável à adoção de medidas radicais no enfrentamento do crime organizado. 

domingo, 21 de junho de 2026

Editorial: Amizades tóxicas


Pelo andar da carruagem política, o que determina que a delação do ex-banqueiro se proponha "seletiva", na realidade, não seria para preservar alguns amigos do peito, mas por temor dos desdobramentos caso alguns nomes sejam elencados. Hoje, 21, uma jornalista se reporta à observação do ministro André Mendonça, numa sessão aberta do STF, onde o magistrado faz referência a uma proposta de delação "seletiva" recebida. A jornalista utiliza outro neologismo, mas, no fundo, tem o mesmo significado de "seletiva". O caldeirão político está em plena fervura na capital federal. Até os desdobramentos das operações - com temor de eventuais vazamentos ou mesmo sabotagens - estão sendo mantidas sob sigilo, o que dá a dimensão da fervura. Vamos aguardar os próximos lances. 

Um escândalo com as dimensões do Master não poderia ter ocorrido sob a clivagem de ideologia A ou B. O mesmo se aplica ao escândalo do INSS. Faz parte do jogo cada lado tentar jogar no colo do outro as responsabilidades, sobretudo num momento de pré-eleição. Quantas prefeituras dos mais distantes rincões do país adquiriram os papéis podres do Master? De que partidos políticos? Os operadores do esquema teriam algum pudor em se orientarem por critérios ideológicos? A vaselina aqui é outra. E o que significa isso hoje no Brasil, principalmente quando estamos tratando de gestores municipais? Nas eleições de 2016, por exemplo, dirigentes do PT constataram que havia petista apoiando bolsonatistas para o executivo municipal em alguns entes federados. 

Em Paulista, por exemplo, uma cidade que recebeu a visita da Polícia Federal recentemente, no curso das operações envolvendo investimentos de fundos de pensão em papéis podres do Banco Master, ideologias passam ao largo dos debates públicos. A cidade foi forjada sob o jugo de uma ferrenha oligarquia industrial, que deixou suas marcas até hoje no município, traduzidas, em parte, na enorme dificuldade de republicanização da gestão pública, o mesmo fenômeno que ocorre no estado, para sermos mais precisos, concebido como uma capitania hereditária de 1526 anos. 

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Ciro Gomes nas páginas amarela de Veja

 

Crédito da foto: Jarbas Oliveira\Veja

A entrevista da revista Veja desta semana é com o ex-Ministro da Integração e atual pré-candidato ao Governo do Estado do Ceará, Ciro Gomes(PSDB-CE). É lamentável que Ciro Gomes tenha tentado por quatro eleições ocupar a cadeira do Palácio do Planalto sem sucesso. Instado a habilitar-se a mais uma candidatura, o cearense declinou do convite por um motivo preocupante: o país caminha para um desastre, onde não se vislumbra uma solução no horizonte. Preocupante porque devemos pagar o ônus de sucessivas irresponsabilidades cometidas com as contas públicas, assim como sabermos que, de alguma forma, fomos também responsáveis por este desastre que poderia ter sido evitado. Não foi por falta de avisos. 

Os avisos vieram de um cidadão íntegro, de conduta pública irrepreensível, dotado de espírito público e que sempre fez o dever de casa. De sua fala podemos concluir que ainda resta alguma esperança para o seu estado, o Ceará, que enfrenta sérios problemas de condução da máquina, assim como sofre o efeito do avanço do crime organizado, traduzido nos índices de violência, ocupação de territórios, chacinas, entre outras mazelas. Ali também existe a possibilidade de uma "institucionalização" do crime organizado, ou seja, a infiltração de organizações criminosas na máquina pública, algo que está se tornando até recorrente no país, tendo o Rio de Janeiro como o caso mais emblemático. 

Dado o volume de recursos financeiros hoje movimentado, assim como a  capilaridade assumida hoje pelo crime organizado, este enfrentamento torna-se sensivelmente complicado. Ciro, inclusive, aponta que um dos reflexos da resistência de setores do país à classificação de organizações criminosas como PCC e CV como organizações narcoterroristas é exatamente a eventual asfixia financeira imposta pelo Governo dos Estados Unidos. Neste sentido Ciro Gomes argumenta que poderá recorrer ao Estado de Israel, como já fez no passado, possivelmente em termos de apoio de inteligência. Como se isso já não fosse o bastante, o estado do Ceará também enfrenta problemas de infraestrutura, na saúde e na educação, elementos com o quais o cearense terá que lidar. 

Embora tenha fechado uma aliança com o PL local - vale dizer os bolsonaristas locais, como André Fernandes e o Capitão Wagner - Ciro descarta completamente a possibilidade de montagem de um palanque de Flávio Bolsonaro no estado. Neste momento, Ciro menciona as dificuldades de constituição de palanques estaduais que traduzam, organicamente, as alianças celebradas no plano nacional. Para usarmos uma expressão muito popular na região, no entender do cearense, Flávio e Lula, do ponto de vista da condução da economia, são farinhas do mesmo saco. 

sábado, 20 de junho de 2026

Editorial: Nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial de 2026.


No dia de ontem, 19, divulgamos por aqui o resultado de duas pesquisas, realizadas por institutos distintos, onde o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, passa a "ignorar" o candidato Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Petistas renhidos, órgãos de imprensa favoráveis ao Governo olham para os números conforme as conveniências. Os dados onde Lula distancia-se de Flávio Bolsonaro corresponde ao primeiro turno das eleições, onde, de fato, a distância entre os principais concorrentes ampliam-se, favorecendo Lula. Numa dessas pesquisas, Lula abre 13 pontos, na outra 09. Hoje, 20, uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, desta vez realizada pelo Instituto Datafolha

O instituto, de alguma forma, confirma as pesquisas anteriores, mas apenas em relação ao primeiro turno. Em relação ao segundo turno, embora o petista continue na frente, o jogo ainda não estão definido. Lula crava  47% das intenções de voto, enquanto Flávio pontua com 43%, repetindo os escores da pesquisa anterior realizada pelo instituto. Este jogo já esteve melhor para o candidato Flávio Bolsonaro que já atingiu um empate técnico com o atual presidente Lula. Empate técnico significa que ele poderia estar acima do presidente na corrida pela cadeira do Palácio do Planalto. Se considerarmos os escores obtidos por Lula nas últimas pesquisas de intenção de voto, o petista voltou a sonhar com a renovação do seu contrato de locação com o Palácio do Alvorada. 

Se o "Dark Horse" não foi suficiente para desmontar as pretensões presidenciais do representante do bolsonarismo, por outro lado, a estratégia de responsabilizá-lo pelas mazelas que vem do Norte podem estar surtindo algum efeito. A pesquisa do Datafolha ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 19 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95%. BR-09956\2026. 

Editorial: Os infiltrados II


A delação premiada oferecida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não tem chances de prosperar. Trata-se de uma delação, como se diz no popular, do tipo meia-boca, ou seja, inconsistente. A PF é categórica em afirmar que ele sabe muito mais do que está propondo entregar sobre suas transações nebulosas, que já extrapolaram o perfil de um mero escândalo do sistema financeiro. Numa sessão recente do STF, o ministro relator do caso, André Mendonça, que vem realizando um trabalho digno de todo o respeito na condução do processo, declarou já ter recebido propostas indecentes por parte de advogados do ex-banqueiro, que propuseram uma delação "seletiva". 

Estima-se que o ex-banqueiro, mesmo diante das circunstâncias sensivelmente adversas, deseja poupar alguns amigos do infortúnio. Quem sabe aquele amigo que aparece com ele sorrindo, durante as férias de inverno na França. Sugere-se que alguns mensaleiros gozavam de sua efetiva amizade. E, por falar em mensaleiros, hoje, 20, o jornal Folha de São Paulo traz uma matéria sobre os infiltrados do ex-banqueiro na Polícia Federal. Salvo melhor juízo, uma delegada e um agente. O jornal faz referência, a partir de informações obtidas junto à própria Polícia Federal, que tal mesada poderia chegar ao montante de R$ 400 mil reis por mês. 

O agente infiltrado ficaria encarregado de repassar informações sobre o andamento de investigações sigilosas da corporação ao ex-banqueiro. Um agente da PF começa ganhando aproximadamente R$ 15 mil e pode chegar a R$ 25 mil reais depois de alguns anos na corporação, incorporando ao salário alguns benefícios. Um outro agente, este da Polícia Civil, também infiltrado, num outro caso que não tem relação com este, numa gravação obtida pelos investigadores do caso, aparece tratando o salário recebido como uma "merreca". Merreca diante dessas propostas indecorosas, ofertadas mediante o roubo descarado de pessoas comuns, aposentados, pensionistas. Era isso que estava em jogo. 


  

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o posicionamento de João Campos em relação a Lula


Em política, posicionamento é algo importante e igualmente arriscado. Aqui se aplica a máxima do grande Ulisses Guimarães, que afirmava que o político não poderia se aproximar demais ao ponto de não poder afastar-se, assim como distanciar-se demasiadamente, o que tornaria improvável uma reaproximação. Quando foi pré-candidato ao Planalto, um projeto que o animava desde os tempos de universitário, o ex-governador Eduardo Campos adotou uma posição marcadamente antipetista, se aproximando de grupos políticos de centro e centro-direita. Naquele momento, tal posicionamento poderia ser lido como de ingratidão, uma vez que o Governo Federal, através de programas federais como o PAC, destinava vultosas obras no estado. Pernambuco chegou a abocanhar 25% de todos os recursos do PAC à época, salvo melhor juízo. Se estivermos errados, já antecipamos nossas desculpas por aqui. 

Mais do que isso. Havia uma relação histórica, política e afetiva entre o presidente Lula e o seu avô, Dr. Miguel Arraes. Quando todos abandonaram Lula como um cão sarnento durante o escândalo do Mensalão, Dr. Arraes deixou o Palácio do Campo das Princesas e foi solidarizar-se com o amigo. Em sua primeira candidatura à Prefeitura do Recife, João Campos considerou que, naquele momento, era importante manter uma distância regulamentar do PT. Regulamentar aqui é um eufemismo para evitar os melindres nesses tempos de nervos aflorados. Na realidade, naquele momento, possivelmente aconselhado por seus assessores de comunicação, João considerou que afastar-se do PT poderia representar uma chance efetiva de vitória nas eleições. E foi assim mesmo. João tornou-se prefeito do Recife, antecipando que não admitiria petistas em sua gestão. 

Não há dúvida que, com tal narrativa, naquele momento, o prefeito tenha recebido apoios de eleitores vinculados ao centro e à direita do espectro político, o que hoje se complica um pouco em relação ao seu realinhamento ao petista. Possivelmente grupos políticos simpáticos à candidatura da governadora Raquel Lyra estão explorando esses dois momentos do João. É preciso considerar se essa contradição seria suficiente para produzir danos consideráveis à sua candidatura. Na outra margem do Capibaribe, na Praça do Campo das Princesas, depois do vídeo gravado por Lula em apoio ao nome de João Campos, a governadora Raquel Lyra pode apostar tudo numa estratégia marcadamente conservadora, sem o menor flerte com os petistas. 

Hoje, 19, já começou a se especular sobre a sorte de Túlio Gadelha em sua chapa para o Senado Federal, assim como Miguel Coelho, que, supostamente, não contaria com o aval da federação União Progressista chancelando sua candidatura. Por outro lado, já ouvimos fontes afirmando que, durante o São João dos Coelho, em Petrolina, seu nome pode ser confirmado. Aumentam as apostas em torno de nomes como Eduardo da Fonte, do PP, assim como em relação ao nome de Mendonça Filho(PL-PE), que, embora não tenha anunciado sua pré-candidatura, passou a pontuar bem nas pesquisas de intenção de voto para a Casa Alta.  

Editorial: Obrigado, leitores!


Entre os dias 16 e 19 do corrente, tivemos uma média de 25 mil visualizações do blog, o que é um número expressivo para um blog como este, com produção própria, sem reproduzir qualquer conteúdo de fora - sem ajuda das IA's - feito do próprio punho, comentando sobre política, literatura, sociologia, antropologia, entre outros temas. Os acessos do blog, conforme já enfatizamos num outro momento, são majoritariamente do exterior. Dos números acima, apenas 5000 acessos de brasileiros e brasileiras que confiam em nosso trabalho e têm nos apoiados por aqui. Sempre que alcançamos esses números expressivos surgem postagens antigas, que, geralmente, submetemos a algum tipo de correção, evitando os erros de posicionamento e linguagem que permitimos passar naquele momento. Pedimos perdão aos diletos leitores se tais equívocos não forem devidamente corrigidos. 

Isso nos conduz a uma outra conclusão, a que já tivemos melhor liberdade de expressão no país em passado recente. Este editor se sentia bem mais à vontade em seus escritos. Hoje temos que evitar alguns temas, abusarmos de expressão como supostamente, eventualmente, e assim por diante, sempre com o propósito de não nos comprometermos. Nomes próprios apenas como referência inevitável - em função do cargo público ocupado - ou para fazermos elogios. O artigo sobre a alavancagem da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) foi escrito ainda no domingo e mantido em stand by. Não por considerarmos as pesquisas mais recentes de intenção de voto - que, aliás, como afirmamos ali - ficam distante de se igualarem aos escores obtidas pela gestora no Datafolha. Os dados do Datafolha se constituíram num divisor águas na dinâmica competitiva da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas nessas eleições. O jogo está, no mínimo, equilibrado. O motivo de mantermos o artigo em stand by foi com o propósito de checarmos a informação sobre os investimentos em publicidade da Prefeitura do Recife. Outro dado que não pode deixar de ser considerado são os  índices de avaliação de gestão da governadora, escores que recomendam a sua permanência na cadeira do Palácio do Campo das Princesas. 

Houve um tempo em o blog tinha enorme dificuldade de acessos no continente africano e asiático, além dos países de língua espanhola. É coisa do passado. Hoje o mundo lê o blog Contexto Político. Penetramos nos rincões empobrecidos da África, da Ásia, em cidades\estados como Hong Kong, Singapura, nos países conflagrados do continente latino-americano, assim como na terra do Tio Sam, onde a nossa audiência é recorrente, da mesma forma em Barcelona, Paris ou nas velhas repúblicas do socialismo real do Leste Europeu. Passamos por aqui para agradecer aos diletos leitores e leitoras, ensejando que o espaço está aberto aos comentários, observações e críticas de cada um de vocês.