O título deste editorial poderia ser confundido perfeitamente com uma série da plataforma de streaming como a Netflix, mas, infelizmente, não é. Na semana passada fomos instigados a comentar por aqui uma reportagem do Programa Fantástico, da Rede Globo, sobre uma investigação da Polícia Civil da Paraíba, do Gaeco e do Ministério Público do Estado acerca de eventual envolvimento de policiais civis do estado com o crime organizado. São dois agentes e um delegado de Polícia Civil do Estado. Em respeito ao trabalho brilhante que vem sendo desenvolvido pelas polícias civil e militar do estado no enfrentamento ao crime organizado não comentamos o assunto. Na realidade, a PCEP vem realizando um trabalho hercúleo, num estado que hoje se encontra num estágio de vulnerabilidade bem próximo ao que já ocorre na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Norte. Dois atentados ocorridos na Grande João Pessoa recentemente é um prova cabal do que estamos falando.
Um deles ocorreu no bairro da comunidade de Paulo Afonso, no bairro de Jaguaribe, onde dois jovens foram mortos e três deles encontram-se internados no Hospital de Traumas de João Pessoa. Chacina, na realidade, se caracteriza quando há óbitos num total de, no mínimo, quatro pessoas. Ontem, uma nova tragédia, desta vez no bairro do Rangel, onde dois jovens foram mortos e dois deles se encontram também no Hospital de Traumas. O pavoroso neste caso é que os dois jovens mortos tinham apenas 16 anos de idade, não tinha nenhum envolvimento com entorpecentes e provavelmente foram mortos porque estavam pintando a rua com as cores da bandeira do Brasil, em função da Copa do Mundo, que começa daqui há dois dias. Sonhos desfeitos, para desespero de seus familiares.
Os dois jovens sonhavam em se tornarem jogadores de futebol profissional. É possível que a facção que controla o local tenha entendido que eles talvez estivessem apagando suas inscrições de domínio territorial ou colocando o nome de alguma outra fação. Essas coisas estão se tornando tão óbvias que nem precisa investigar. Repercute hoje no país uma matéria do jornal Folha de São Paulo, acerca dos infiltrados, ou seja, um chefe de investigação da Polícia Civil, um agente e um estagiário, tratados como "infiltrados" do PCC dentro da Polícia Civil de São Paulo, lotados em Campinas. Eles estariam envolvidos numa trama para matar um agente do GAECO. Tá feia a coisa.
