Mafalda Anjos
Se sobrevivermos à tempestade institucional que o país enfrenta neste momento, talvez tenhamos uma reforma do judiciário nos próximos anos. Não é possível que as coisas continuem como estão. Hoje, 20, este é o assunto principal dos principais veículos da chamada "Grande Imprensa", a exemplo de O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e O Globo, o jornal da família Marinho. Como sai na sexta-feira, a revista Veja antecipou o debate, trazendo uma grande reportagem sobre o assunto em sua matéria de capa. São editoriais, reportagens densas, algumas delas buscando inspirações até entre os filósofos gregos. Afinal, quem guarda os guardiões, quem vigia os vigilantes? Muito interessante o vídeo da jornalista Mafalda Anjos, correspondente da Folha em Portugal, que traça um panorama completo acerca do perfil e da dinâmica da Suprema Corte brasileira, com as suas peculiaridades que a distingue das demais supremas cortes pelo mundo.
Em países como Portugal, por exemplo, as pessoas sequer conhecem quem são os juízes que integram a suprema corte do país. Na condição de professor, em se tratando da suprema corte americana, a único caso que nos chamou atenção foi a indicação, por parte do ex-presidente George Bush, de um negro conservador para integrar aquela corte, mencionado num dos livros do sociólogo jamaicano Stuart Hall. Segundo Stuart, George Bush tentou medir a reação da sociedade americana e obter dividendos políticos com a indicação. Ele fez um jogo interessantíssimo, minuciosamente analisado pelo sociólogo, pois o negro indicado tinha posições conservadoras, arestas com grupos feministas. É interessante observar, neste caso, os "cálculos políticos" do ex-presidente americano, daí nos referirmos ao assunto durante algumas aulas.
No caso do Brasil, a situação é sensivelmente complicada, uma vez que este enredo que preocupa vem de alguns anos. Lula está tão encaracolado com o STF que isso passou a ser um dos motivos de apreensões de seus assessores de campanha, a exemplo do Presidente Nacional do PT, Edinho Silva, que admitiu recentemente que a crise no judiciário pode prejudicar Lula. Do outro lado, com chances, um candidato enredado em indisposições com o STF, como é o caso do bolsonarista Flávio Bolsonaro. Ou seja, seria o continuísmo de uma relação que precisa ser, necessariamente, repensada ou um eventual acirramento das tensões. Que situação, caro leitores!Um bom domingo a todos.



