pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sábado, 11 de julho de 2026

Editorial: PF suspeita de Valdemar da Costa Neto na cogestão irregular de emendas parlamentares.



O inquérito corre no Supremo Tribunal Federal, com relatoria do Ministro Flávio Dino, que já determinou o bloqueio de bens no montante ao equivalente ao direcionamento supostamente irregular de emendas pelo senhor Valdemar da Costa Neto, Presidente Nacional do PL. A defesa do deputado já se manifestou a respeito, argumentando não haver irregularidades neste direcionamento das emendas, uma vez que se trata de negociações partidárias, consoante interesses ou prioridades específicas da legenda. Embora dirija um partido, Valdemar da Costa Neto não tem mandato parlamentar. Soubemos, igualmente, que a PGR não teria endossado a medida tomada pelo STF. 

O pré-candidato Flávio Bolsonaro já se pronunciou a respeito, alegando "perseguição" política por parte da Polícia Federal. Vamos deixar a poeira assentar para termos uma clareza sobre o que, de fato, está ocorrendo, sobretudo neste momento em que os ânimos políticos estão tão acirrados. Independentemente dos fatos narrados acima, o pavoroso é observar o pântano de corrupção que estão relacionados a essas emendas parlamentares. Cada dia aparece um expediente novo sobre como desviar essas emendas para interesses escusos que não a sua finalidade específica, ou seja, a de servir ao interesse público. 

Essa turma não toma emenda. A própria Polícia Federal já realizou inúmeras operações de buscas e apreensões envolvendo irregularidades no uso dessas emendas. O ministro Flávio Dino realiza um trabalho hercúleo para dar a essas emendas uma destinação correta, republicana, consoante a sua finalidade específica, a de atender às demandas dos pagadores de impostos. Ao tomar a medida de bloqueio de bens do senhor Valdemar da Costa Neto, certamente ele desconfia de eventuais irregularidades. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Paraná Pesquisas aponta liderança de Raquel Lyra.


Duas informações - talvez três - causaram um certo alvoroço no cenário político pernambucano. Uma delas dizia respeito a um provável acordo entre o Republicanos e o PL, no plano nacional, o que poderia produzir alguns reflexos nas alianças estaduais em Pernambuco, onde o Republicanos já fechou um acordo com o candidato João Campos, do PSB. Este assunto foi contornado com a indicação da direção do partido no sentido de respeitar os acordos regionais da legenda. Aqui o partido segue com os socialistas, ali o partido alia-se aos bolsonaristas e tudo bem. Uma outra informação, de certo modo surpreendente, é o pronunciamento de uma liderança do PT local dando conta de que o presidente Lula não estaria muito satisfeito com os acordos em relação ao apoio ao projeto João Campos no estado, indicando que, possivelmente, não subirá em seu palanque. 

A informação foi logo desmentido pelo senador Humberto Costa, reafirmando que as costuras políticas envolveram a direção da legenda, com a anuência do próprio Lula. Trata-se, portanto, de um acordo de alta cúpula. De fato esta informação precisa ser melhor avaliada, principalmente quando se sabe que estamos tratando aqui de um acordo de legendas, ou seja, uma aliança de longa data entre petistas e socialistas. Curiosas essas coisas da política. Túlio Gadelha, confirmado como candidato ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, havia observado que Lula gravara um vídeo de apoio ao candidato João Campos sem muito entusiasmo. 

A terceira informação saiu ontem, depois da divulgação da pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, que confirma a liderança da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) pela disputa do Palácio do Campo das Princesas, em 2026. Os dados ainda podem ser analisados como dentro da margem de erro do instituto, mas, ratifica uma tendência de liderança nas pesquisas de intenção de voto, conforme apontada antes por institutos como o Datafolha. Nesta pesquisa Raquel Lyra aparece com 46,8% das intenções de voto, enquanto João Campos crava 42,5%. O psolista Ivan Moraes pontua com 1,3% das intenções de voto. A pesquisa ouviu 1.500 eleitores nas diversas regiões do estado, entre os dias 7 e 9 de julho e está registrada no TSE sob o número: PE- 00478\2026. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Editorial: Os erros de comunicação dos bolsonaristas.


Alguns analistas políticos já consideram que acendeu a luz vermelha na comunicação de campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Já faz algum tempo que o problema existe, para sermos sinceros desde o início do lançamento do nome de Flávio Bolsonaro, mas sugere-se que estamos chegando a um limite. Depois do affair entre o próprio candidato e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, agora é a vez do embate entre bolsonaristas históricos, com direito à troca de farpas entre ele. Com tantos erros de comunicação, afinal, quem precisa de adversários? Com os nervos à flor da pele, acaba sobrando para pessoas como o senador Rogério Marinho, cidadão bastante equilibrado e ponderado. 

Seu nome está sendo envolvido de forma equivocado nessa engrenagem. O senador é o menos responsável pelos equívocos de comunicação da campanha, embora seja o coordenador da campanha do senhor Flávio Bolsonaro. Ontem estávamos lendo um texto dos mais lúcidos sobre o assunto. De fato, o que, no frigir dos ovos, está ocorrendo é uma espécie de "transtorno" de comportamento do próprio Flávio, tendo que acenar para os radicais bolsonaristas, de um lado, e, por outro, procurar a ponderação necessária para não afugentar os 27% do eleitorado infenso à polarização política, o grupo que, afinal, define as eleições presidenciais no país, de acordo com estudos. O centrão sociológico, segundo João Santana. 

Quem vai, por exemplo, controlar as falas e até mesmo as atitudes de Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos? Eles estão cometendo equívocos diuturnamente. Já existe uma opinião formada entre parte do eleitorado a respeito do tarifaço de Trump, que não é favorável ao candidato. Mesmo com esses problemas intestinais, o jogo continua equilibrado na disputa pela cadeira do Palácio do Planalto. A última pesquisa do Instituto GERP mostrou Flávio numericamente à frente de Lula. 45% a 42%. Na margem de erro, mas à frente. 

Editorial: Debate sobre o Governo do Ceará já tem data marcada.

 


A Rede Bandeirantes de Televisão, com uma larga expertise na realização de debates políticos, agendou para o dia 09 de agosto o primeiro debate entre os candidatos que concorrem ao Governo do Ceará, em 2026. Há uma grande expectativa em torno desse debate, por dois motivos. A campanha do Ceará está definitivamente nacionalizada. Não apenas pelo "gargalo" da segurança pública, mas por envolver uma rinha acirrada entre petistas e bolsonaristas. Naquela praça, uma praça estratégica para o partido, o PT aposta todas as suas fichas na reeleição do governador Elmano de Freitas(PT-CE). Por outro lado, talvez em razão de sua larga visão sobre o cenário nacional, Ciro Gomes(PSDB-CE), o candidato de oposição, faz questão de construir um discurso que extrapola as dimensões geográficas do estado. 

Ciro, um dos pivôs das indisposições entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, aliou-se à nata do bolsonarismo no estado, embora assegure que não pedirá votos para o candidato presidencial do bolsonarismo no estado. Trata-se de um acordo local. Estávamos lendo uma entrevista recente do governador Elmano de Freitas ao Blog do Magno, onde ele sugere que focará nos debates essa guinada dada pelo ex-ministro Ciro Gomes, que teria abandonado as forças de centro-esquerda de suas origens. Não sabemos quem está por traz de sua assessoria de comunicação, mas percebe que teremos por aqui um grande problema. 

A narrativa ideológica, muito possivelmente, não logrará bons resultado para o candidato Elmano de Freitas, principalmente quando se sabe que Ciro lidera as pesquisas de intenção de voto. Em última análise, isto quer dizer que o eleitor já assimilou essa condição do neo-tucano. Ciro é um cara muito bem-preparado. Daqueles que fazem o dever de casa. Vai trazer ao debate aspectos da gestão que ele conhece muito bem. Elmano deveria estar se preparando, aliás, para este embate técnico, algo que já vem sendo pincelado pelo tucano em suas falas nas redes sociais, como questões de saneamento básico, construção de novos hospitais, ausência de concursos públicos para a renovação dos quadros das polícias estaduais, entre outros. Nós já estamos aguardando o dia 09 de agosto como se fosse uma final de copa do mundo. 

Editorial: Lula recusa apoio a Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta, na Paraíba.



Hoje, 10, a crônica política está recheada de notícias "quentes". Aqui na província, as dificuldades na relação entre a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) e a federação, União Progressista, depois que ela decidiu que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, do União Brasil, será o representante da federação em sua chapa para o Senado Federal. Setores da federação insistem no nome do deputado Eduardo da Fonte(PP-PE). Curioso que, lá atrás, a governadora já havia assegurada dois nomes da federação na composição da chapa. Eduardo da Fonte, no entanto, andou sondando eventuais negociações com o Palácio do Capibaribe, aborrecendo a governadora. 

Ainda no plano estadual, mas no estado vizinho da Paraíba, uma matéria da coluna Diário do Poder, onde informa-se que o presidente Lula teria batido o martelo em apoio aos nomes de João Azevedo(PSB-PB)e Veneziano Vital do Rego(MDB-PB) ao Senado Federal, deixando de apoiar o nome de Nabor Wanderley(Republicanos-PB), como desejava Hugo Motta, Presidente da Câmara Federal. O PT local até apoia o nome de Lucas Ribeiro(PP-PB) ao Governo do Estado, assim como os nomes de João Azevedo e Nabor Wanderley, que integram a sua chapa como concorrentes ao Senado Federal. Há dissidências, como no caso de Campina Grande, cujo diretório já disse que caminha ao lado do projeto de reeleição de Vital do Rego. O preocupante aqui seria Lula não apoiar o nome de Vital do Rego, um senador coerentemente governista em sua atuação no Senado Federal. 

O eventual acordo com Hugo Motta tinha relação direta com as negociações do Planalto com a Câmara dos Deputados, muito distante da dinâmica política estadual da Paraíba. Algo esquizofrênico, sem pé nem cabeça. Acabou dando com os burros n'água. Não pensem os senhores que o PT estadual apoia a composição da chapa de bom grado. Entra contingenciado pela aliança com os socialistas. Setores do partido desejavam até mesmo uma candidatura própria. No plano nacional, nova operação da Polícia Federal no contexto do escândalo do Banco Master, desta vez a partir das ameaças contra a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que já tratamos por aqui em duas ocasiões. A "Turma" se preocupava com os formadores de opinião, o que não se constitui nenhuma novidade. No final, nossos agradecimentos aos 20.703 leitores do nosso blog no dia de ontem. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Republicanos podem fechar acordo com o PL... em Brasília.


Tomamos conhecimento, através da coluna Cena Política, do Jornal do Commércio, que o Republicanos negocia o apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL. Isso muda o jogo a disputa no estado, onde o Republicano já está representado na chapa do candidato João Campos(PSB-PE) ao Governo do Estado? Sim e não. João perde em termos de narrativa discursiva, onde procurava manter-se fielmente ao campo de esquerda, empurrando à adversária Raquel Lyra(PSD-PE) um eventual flerte com a direita bolsonarista. Flerte aqui é apenas forma de expressão, principalmente quando se sabe que ele usa tal discurso como estratégia de campanha. 

O fato de ter, entre integrantes de sua chapa, um nome do Republicanos, o vice Carlos Costa, dilui em certa medida tal narrativa discursiva. Por outro lado, em se sabendo como se dão os arranjos regionais - que nem sempre correspondem ao que é celebrado nos escaninhos de Brasília - não haveria problema algum. Ademais, segundo anda a Coluna, o partido em Pernambuco teria que continuar assim mesmo, com o apoio ao nome de João Campos ao Governo do Estado. Muito provavelmente trata-se de um tema a ser explorado durante a campanha, principalmente por ocasião dos debates públicos, mas, até que ponto isso possa influenciar o comportamento do eleitorado, estamos aqui diante de uma longa distância, até porque, no plano nacional, os Costa sempre estiveram com Lula. 

Quando Sílvio Costa foi indicado ao cargo de Ministro de Portos e Aeroportos de Lula, desde aquela época já se especulava acerca de tal conveniência, uma vez que os Republicanos tinham o governador Tarcísio de Freitas como pré-candidato à Presidência da República. São coisas da nossa política. Sílvio Costa, aliás, salvo melhor juízo, não era considerado "cota" do partido Republicanos no Governo Lula. Por outro lado, há de se considerar a inegável lealdade de Sílvio Costa ao Governo Lula 3, o que minimiza as opiniões em contrário.  

Editorial: A breve passagem de Tereza Leitão pela liderança do Governo no Senado Federal.


A breve passagem da senadora Tereza Leitão(PT-PE) como líder do Governo Lula no Senado Federal talvez se enquadre dentro de um caso contado pelo dramaturgo Ariano Suassuna em suas famosas aulas-espetáculo. Ariano conta que recebeu em sua residência uma senhora que foi logo antecipando que teria algumas coisas para dizer que ele não iria gostar. Ora, se ela teria alguma coisa para dizer que ele não iria gostar- pergunta o dramaturgo dirigindo-se  a plateia - melhor então seria ela não dizê-lo. Por que o convite foi formulado à senadora Tereza Leitão, então, se o nome do senador Camilo Santana estava sendo pensado para o cargo?  Por que aceitá-lo se as condições políticas não seriam das melhores - a julgar pelo breve tempo que ela passou no cargo?

Tereza é uma mulher de partido. Talvez esta premissa tenha explicado o fato de ela ter aceito a incumbência ou missão. Tal convite possivelmente não tenha sido bem conduzido desde o início. O Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, chegou a elogiar sua escolha pelo Governo Lula. Com a saída de Tereza Leitão, assume o cargo o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, liderança ascendente da legenda, hoje o petista que reúne as melhores condições de habilitar-se a substituir o líder petista a partir de 2030. Camilo tem sido o homem das grandes missões. A relação do Governo Lula com o Senado Federal não é das melhores; há dificuldades em eleger Elmano de Freitas no Ceará; além do apoio ao projeto de reeleição de Lula, no qual ele também está empenhado.  

E, por falar no Ceará, hoje as redes sociais da oposição no estado estão inundadas de vídeos sobre uma cidade fantasma no estado, o distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova, onde facção do crime organizado expulsou os moradores do local. O governo, supostamente, divulgou um vídeo tratando do assunto, informando que teria retomado o local, com cenas de famílias comemorando, crianças brincando na praça. A oposição, através do deputado André Mendonça, divulgou um vídeo no local, argumentando que nada teria mudado. Uiraponga continua um distrito fantasma. Infelizmente, o termo "cidade fantasma" já se aplica a outras cidades do estado, com forte presença do crime organizado. 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Editorial: Nova pesquisa aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.



Temos lido muita coisa acerca do posicionamento do pré-candidato Flávio Bolsonaro em relação à questão do tarifaço do Governo dos Estados Unidos aos produtos de exportação brasileiros. Se o pessoal do PL está preocupado com as brigas intestinas do partido, deveriam igualmente ficarem atentos à repercussão negativa de algumas posições assumidas pelo candidato em relação a este assunto. Uma pesquisa publicada no dia de hoje, 08, realizado pelo Instituto GERP, aponta um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno. Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro crava 45% das intenções de voto, o que se caracteriza um empate técnico, uma vez que o instituto trabalha com 2,2 pontos percentuais de margem de erro. 

Na média das últimas pesquisas, conforme enfatizamos por aqui, a tendência é um novo fechamento da boca do jacaré, ou seja, Lula começou a abrir uma diferença razoável num determinado momento, mas a disputa voltou a configurar um empate técnico entre ambos. O que teria levado Flávio a recuperar o espaço de competitividade que estava perdendo, mesmo depois do affair familiar, o Dark Horse e o Tarifaço? Por vezes um candidato pode crescer em razão dos equívocos cometidos pelo adversário. Sabe-se, por exemplo, que Lula não navega em céu de brigadeiro em seu projeto de reeleição, amargando índices de aprovação inferiores aos de desaprovação, além das dificuldades produzidas pela condução da política econômica. 

A pesquisa do GERP ouviu 2000 entre os dias 3 e 7 de julho e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR- 03067\2026. Vamos aguardar os próximos levantamentos, que já devem estar no radar dos demais institutos, para confirmarmos ou não esta tendência que ora se apresenta, ou seja, se a boca do jacaré vai continuar fechada ou vai se abrir para devorar um dos dois competidores. São muitas emoções até 04 de outubro. 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Raquel, enfim, define sua chapa ao Senado Federal.

Crédito da Foto: Blog do Magno 


A governadora Raquel Lyra, enfim, definiu sua chapa ao Senado Federal, de acordo com matéria publicada no blog do Magno, no dia de ontem, 07. A chapa será composta pelo deputado federal Túlio Gadelha, do PSD, e pelo ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, da federação União Progressista. Pelo menos em relação ao nome de Miguel, a família Coelho alimentava a expectativa de que ele seria confirmado num evento de São João realizada naquela cidade, que contou com a governadora Raquel Lyra. Segundo a matéria, a governadora tratou de aparar as arestas junto à federação União Progressista, inclusive admitindo que, em momento anterior, havia pensado em reservar as duas vagas para a federação. A decisão foi oficializada junto à cúpula da federação União Progressista, ou seja, o senador Ciro Nogueira e Antônio Rueda. Na ocasião, elogiou a lealdade do ex-prefeito de Petrolina. 

A chagada de Túlio Gadelha ao grupo palaciano tinha como objetivo inicial manter as portas abertas a um eventual palanque duplo de Lula no estado, possibilidade cada vez mais remota. Não se pode servir bem a dois senhores, já recomendava as Sagradas Escrituras. Corria-se o risco de não servir nem a um nem ao outro, algo que deve ter sido ponderado pelo governadora, que consolidou sua aliança com os representantes da família Ferreira, um grupo político identificadíssimo com o bolsonarismo. Provavelmente, nem o Túlio aceitaria mais a árdua missão de representar o Planalto na chapa de Raquel. Seria um contorcionismo ideológico dos diabos. 

Por falar no Blog do Magno, recomendamos um podcast realizado com o governador do Ceará, Elmano de Freitas, que disputa a reeleição naquele estado. O Ceará promete uma disputa eleitoral das mais acirradas das próximas eleições. Por diversos motivos, a disputa está sendo nacionalizada, atraindo os olhares do país inteiro para o que ocorre naquela quadra política. Ciro Gomes nacionalizou o discurso e tornou-se o pivô das indisposições entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e  Flávio Bolsonaro. Michelle não concorda com o apoio dos bolsonaristas do estado nome de Ciro para o Palácio da Abolição. Naturalmente, a motivação das indisposições são maiores, mas este é um dos pontos. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

Editorial: Flávio adia visita ao estado de Pernambuco


Está tudo acordado entre os bolsonaristas e a governadora Raquel Lyra(PSD-PE). Flávio terá o seu palanque no estado, assim como os bolsonaristas devem pedir votos para o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Inclusive o candidato ao Senado Federal pelo PL, o vereador Sílvio Nascimento, é de Caruaru, reduto político de Raquel Lyra. Não temos uma ideia mais precisa sobre como está a geografia do voto bolsonarista no estado de Pernambuco, mas, presumivelmente, sugere-se que haja uma presença considerável na região do Agreste pernambucano. Recife, segundo cálculos dos próprios bolsonaristas,  possui um eleitorado da ordem de 30% de evangélicos, hoje um eleitorado mais afinado com o bolsonarismo. Grandes lideranças religiosas ligadas ao bolsonarismo estão afinados com o projeto de reeleição da governadora. 

Uma dor de cabeça a menos para Raquel Lyra, se entendermos o tamanha do abacaxi que ela teve que descascar com a ampliação do seu palanque no estado. Curioso que uma das habilidades do ex-líder comunista Luiz Carlos Prestes era a de descascar abacaxis, mas aqui estamos nos referindo à fruta. Ainda hoje não há uma definição acerca dos dois nomes que deverão compor sua chapa, concorrendo às duas vagas para o Senado Federal. O candidato Flávio Bolsonaro fica mais um pouco nos Estados Unidos, de preferência pedindo a assessores para revisar o teor de suas cartas ao presidente Donald Trump, que podem estar prejudicando sua campanha.  

Enquanto isso, na sala do PL, os bombeiros atuam energicamente para apagar o incêndio no clã familiar da família Bolsonaro. Ontem líamos um artigo que sugere que a briga é feia e que algumas medidas tomadas, a exemplo da extinção do PL Mulher, teria sido uma medida mais impositiva do que negociada. Na realidade, as indisposições estão relacionadas à herança do espólio político do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Editorial: O eleitor "pendular". Decifra-me ou te devoro.



Publicamos por aqui, não faz muito tempo, uma matéria sobre aquele eleitor mais independente, que não se inclina ou se identifica com a recalcitrante polarização política entre bolsonaristas e petistas. Quem alertou para este assunto foi o marqueteiro João Santana, que trata esses eleitores como integrantes de um grupo denominado por ele de centrão sociológico. Logo em seguida,  vieram as pesquisas de institutos como o Datafolha, apontando que, provavelmente, esse contingente soma 27% dos eleitores brasileiros. Publicamos um texto por aqui tratando deste assunto, que vem sendo muito acessado. Hoje, 07, tomamos conhecimento de um instituto que já vem realizando pesquisas qualitativas com tais eleitores, que já vem sendo tratados como eleitores pendulares. 

Trata-se de um contingente do eleitorado que decide a eleição, segundo avalia João Santana, e que não se move necessariamente contingenciado ideologicamente na definição do seu voto. No bojo dessa discussão, trouxemos aqui as referências dos estudos realizados pelo cientista político polonês Adam Przeworski, onde ele trabalha a questão da definição do voto pelo eleitor. O que leva um eleitor a votar neste ou naquele candidato. O que ele, de fato, considera na hora de depositar o seu voto na urna? Quais fatores ou interesses são determinantes nesta hora? Przeworski traz alguns exemplos interessantíssimos, conforme já expusemos ali, o que torna o estudo algo bastante motivador.

A disputa presidencial deste ano, segue polarizada entre petistas e bolsonaristas. Os bolsonaristas tentam estancar algumas fissuras internas neste momento, enquanto o Planalto tenta entender o que levou a boca do jacaré das pesquisas a voltar a se fechar novamente. Lula estava abrindo uma vantagem constante, mesmo que pequena, em relação ao adversário Flávio Bolsonaro. Ambos possuem um eleitorado consolidado. A grande batalha mesmo são esses 27% que decidem a eleição, conforme observa João Santana. Quem conquistá-los ganha a eleição.  


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Editorial: A falta de empenho do selecionado brasileiro



O Brasil já é um país com mais de 200 milhões de técnicos e não queremos engrossar esta fileira, mas o Brasil poderia ter vencido o time da Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Assusta a falta de empenho, a desmotivação ou mesmo o medo do selecionado brasileiro desde algum tempo. Muito mais do que um bom técnico, com um currículo impecável, a exemplo de Carlos Ancelotti, acreditamos mesmo que estamos precisando de outros profissionais na equipe da comissão técnica. Salvo melhor juízo, rotineiramente, isto está previsto, mas os resultados efetivos não aparecem. Conforme expusemos, este comportamento vem de algum tempo. Não se pode perder uma penalidade máxima numa partida decisiva, o que nos colocaria com chances efetivas de chegar às quartas de final. O jogo seria outro. 

Quando o Brasil perdeu aquele pênalti, logo no início do jogo, pessoalmente, sacramentamos a sua derrota e demos adeus ao sonho do hexa campeonato. A sequência foi a crônica de uma derrota anunciada. Tinha algum batedor de pênalti oficial no selecionado brasileiro naquele momento, alguém que não desperdiçasse aquela oportunidade única. Ancelotti interveio na decisão sobre quem bateria o pênalti? Por que Vini, que chegou a tomar a iniciativa, recuou? Ele está sendo muito cobrado em relação a esta atitude. Até em nosso time de várzea, o glorioso, Monte Castelo Futebol Clube, tínhamos os jogadores definidos para momentos assim, como um cobrador de faltas, um batedor de pênaltis. Em toda a trajetória do clube, ao que recordamos, o Nego Tom nunca perdeu uma penalidade máxima. 

Há uma crise instaurada no futebol brasileiro, algo que implicaria numa profunda discussão, impossível de se esgotar num espaço como este. Aqui vale considerar as ações dos chamados "cartolas", que agem movidos por interesses esquizofrênicos aos gramados. Isso para não melindrar. Os selecionados mais recentes parecem desconhecer a mística, a responsabilidade e, principalmente, o respeito e ao uniforme verde e amarelo usado no passado por Pelé, Garrincha, Tostão, Dirceu Lopes, Rivelino, Clodoaldo, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, entre outros grandes craques de futebol. Não se trata de um problema relacionado à ausência de talentos. Alguns jogadores citados acima eram diferenciados, mas, na média, bons jogadores até estão surgindo. O problema é outro. 

Editorial: E se Tarcísio vencer ainda no primeiro turno?



No último dia 04 saiu uma pesquisa de intenções de voto do Instituto Datafolha sobre a disputa no maior colégio eleitoral do país, São Paulo, colégio eleitoral estratégico para todo candidato a inquilino do Palácio do Planalto. Nesta pesquisa, o atual governador, Tarcísio de Freitas, aparece com 46% das intenções de voto no primeiro turno, conforme divulgamos ontem por aqui. Seu principal concorrente e "trunfo" do petismo naquela quadra, Fernando Haddad, pontua com 3o% das intenções de voto. Tarcísio abre, portanto, 16 pontos de diferença em relação ao petista, mostrando um crescimento de 2 pontos em relação ao último levantamento do próprio Datafolha

Hoje, 06, o jornalista Josias de Souza, em sua coluna do Portal Uol, levanta uma questão ao mesmo tempo que pertinente, preocupante para o Palácio do Planalto. Mantida as atuais tendências de intenções de voto, o Republicano Tarcísio de Freitas poderia liquidar a fatura da eleição ainda no primeiro turno, pondo uma pá de cal na estratégia montada por Lula para aquela quadra política. Se isso de fato ocorrer, estamos tratando aqui de um duro golpe para as pretensões de reeleição de Lula, em 2026. Há muitas variáveis em jogo, como uma reação de Fernando Haddad, por exemplo, o que se afina com a discussão de ontem, quando tratamos deste assunto, onde o papel exercido por Haddad ali nunca foi vencer as eleições, mas assegurar um percentual de votos ao presidente Lula no maior colégio eleitoral do país. 

Como, muito provavelmente, vamos ter uma eleição em dois turnos para a Presidência da República, é fundamentalmente importante que Haddad esteja no segundo turno daquelas eleições. Como há males que vem para pior, soma-se a esta pesquisa o enrosco que o PT enfrenta no segundo colégio eleitoral mais importante do país, Minas Gerais, onde nenhum nome aceitou até o momento a missão de assegurar o palanque de Lula naquele estado. As sondagens permanecem. 

domingo, 5 de julho de 2026

Editorial: Tarcísio amplia vantagem sobre Haddad segundo a nova Datafolha.


Fernando Haddad é um grande trunfo para a campanha presidencial de Lula em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O ex-Ministro da Fazenda vem cumprindo, com denodo, esta missão partidária. O que está em jogo, na realidade, é isso. Os escores de intenção de voto obtidos por Fernando Haddad, até o momento, salvo melhor juízo, estão dentro das expectativas do Palácio do Planalto. O governador Tarcísio de Freitas seria um candidato presidencial competitivo e, quando falamos de uma eventual reeleição, o que restou aliás, ele ainda é mais competitivo. Ameaçar este favoritismo de Tarcísio de Freitas seria uma missão muito difícil para Haddad e ele sabia disso quando decidiu entrar na disputa. 

As primeiras pesquisas de intenção de voto, aliás, surpreenderam, pois ele se mostrou até mais competitivo do que se previa. Este é o resumo da ópera. A ideia é ele conseguir um percentual de votos no maior colégio eleitoral do país,  suficiente para favorecer uma vitória de Lula no plano nacional, conforme ocorreu em 2022. A conta deixaria de fechar se, eventualmente, tal vantagem de Tarcísio se amplie sensivelmente até 04 de outubro. Aí sim estamos diante de um problema, assim como ocorre em Minas Gerais, outro colégio eleitoral importante, onde o PT, neste momento, enfrenta uma dificuldade maior do que em São Paulo. 

Em Minas Gerais, ninguém apareceu para assumir a missão e os arranjos locais estão cada vez mais complicados. A última cartada foi a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, que entendeu que seria insensato abandonar uma candidatura ao Senado Federal, com alguma chance, para embarcar numa grande incerteza da disputa pela cadeira do Palácio Tiradentes, onde a oposição tem chances efetivas de continuar ocupando. Num eventual segundo turno em São Paulo, Tarcísio de Freitas aparece com 46% das intenções de voto, quanto Fernando Haddad crava 30%. A pesquisa ouviu 1.608 eleitores e está registrada com o número: SP- 01703\2026 e BR- 06481\2026. 

Editorial: Indicação de Jorge Messias só no próximo ano.


A coluna Diário do Poder traz a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, finalmente, desistiu da ideia de fazer uma nova indicação do advogado Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. É uma posição das mais sensatas. Ficamos imaginando por aqui de onde Lula vinha fazendo os seus cálculos políticos em relação ao aliado. Desde o momento da primeira indicação, quando todos os indicadores apontavam para o risco de uma eventual refrega, ao momento mais recente, quando a imprensa divulgou que o petista voltaria a fazer uma nova indicação de Messias ao STF. Corria-se o risco de uma nova derrota, sem contar que o Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, já havia vaticinado que um novo nome para a Suprema Corte somente no próximo ano, depois das eleições de outubro. 

Como a sua relação com o Planalto não era das melhores, estima-se que Alcolumbre torcia, naquele momento, pela indicação de um novo nome por um novo governo. Vários fatores pesaram para a não aprovação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal federal. Alguns são conhecidos, outros integram os escaninhos ou as coxias da capital federal. Na média, conforme havíamos discutido por aqui, a dinâmica do pleito presidencial - a despeito do fogo amigo - continua equilibrada. A boca do jacaré voltou a se fechar, apresentando os dois principais concorrentes em situação de empate técnico, de acordo com a média da últimas pesquisas. Vamos aguardar. Dependendo do resultado do pleito, Messias volta a sonhar com uma cadeira na Suprema Corte ou não.  

O Senado Federal continua sendo um grande divisor de águas entre Governo e Oposição. Quem tomar aquela bastilha ditará os rumos políticos do país pelos próximos anos. Não à toa, mesmo doente e cumprindo prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a cobrar protagonismo na indicação dos nomes que devem representar seus interesses nos estados, de olho numa cadeira do Senado Federal. Aqui em Pernambuco, depois o anúncio da presença do pré-candidato presidencial, Flávio Bolsonaro, o PL anuncia um nome que deve disputar uma cadeira na Casa Alta, Sílvio Nascimento, contrariando as previsões sobre nomes mais consolidados. Sílvio é vereador de Caruaru. 

sábado, 4 de julho de 2026

Editorial: "A política ama a traição, mas odeia o traidor".




Esta máxima política foi dita pelo ex-governador Leonel de Moura Brizola. Ali pela década de 80, quando o PT estava em processo de formação, o general Golbery do Couto e Silva alertou aos militares que não haveria nada a temer em relação ao metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Ministro-Chefe da Casa Civil, Golbery era uma espécie de estrategista político do regime militar. A abertura dada ao PT, naquele momento, segundo avaliam alguns analistas políticos, seria uma maneira de evitar "um mal maior", isolando aquele político que, de fato, poderia representar um enfrentamento do status quo: Leonel de Moura Brizola. 

Tantos anos depois, até recentemente, com um microfone aberto que ele não sabia que estava aberto, Lula acabou dando razão ao bruxo do regime militar, ao admitir que nunca fora de esquerda, mas um político de centro. Mas não precisávamos ir tão longe, conforme evidenciamos em nossa dissertação de mestrado, quando citamos um trecho de uma declaração de Lula, ainda na década de 80, quando ele adverte aos "companheiros" que "Não importava a cor do voto se ele cai na urna". Depois das décadas de experiência com o ser humano, hoje estamos diluindo um pouco o radicalismo de outrora. Lamentamos até hoje nunca ter dado um voto de confiança ao senhor Leonel Brizola, imbuído, naquele momento, pela esperança representada pelo metalúrgico. Pessoas de minha geração podem ter sidos igualmente embevecidos da mesma maneira. 

Era Brizola quem teria coragem para fazer as mudanças que o país sempre reclamou. Brizola dizia que a traição no meio politico é até recorrente. Faz parte do jogo. A questão é o traidor que, em algum momento, pode ser apeado do sistema político. Este editorial surgiu em função de uma traição recente ocorrida na política pernambucana, envolvendo o nome do ex-ministro de Portos e Aeroportos, apunhalado pelas costas por um prefeito que recebeu todo o seu apoio. Deve ter sido bastante traumático tal processo, pois estamos tratando aqui de um político cuja lealdade é inquebrantável, mesmo atuando em posições distintas a este editor. Há muitas injustiças. Esta foi uma delas. Não temos nenhuma relação política ou pessoal com o senhor Sílvio Costa Filho, mas acompanhamos - por dever de ofício - sua atuação política no estado, sempre marcada pela coerência e posicionamentos corretos, como ocorreu nas eleições municipais de 2024, onde, mesmo trabalhando com a eventualidade de uma candidatura ao Senado Federal, ele não se afastou um milímetro do conjunto de forças aliadas ao Palácio do Planalto. 

Editorial: Lula "perde" a Festa da Independência na Bahia


Quando um cidadão de outro estado chega na Bahia, se não estiver bem-informado a respeito, fica um pouco confuso acerca acerca das comemorações da Independência no Brasil. É que lá a comemoração se dá - com toda a pompa, registre-se - no dia 02 de junho, quando os portugueses foram dali expulsos, significando, de fato, a nossa independência da Coroa Portuguesa. Nos últimos anos, diante do índices de popularidade que ostenta na terra de Jorge Amado, Lula não perdeu nenhuma dessas comemorações. Este ano, por motivos oficiais - que, como se sabe, podem ser apenas motivos oficiais - o presidente não compareceu à Festa da Independência. Por falar na independência, a aprazível cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, teve uma participação decisiva nesta luta pela independência. Mas, voltemos ao nosso presidente Lula. 

O Planalto alegou que Lula não pode comparecer porque tinha agenda cheia dentro da data limite estipulada pela Legislação Eleitoral. Especula-se, de fato, se este seria o real motivo da ausência do morubixaba petista àquela festa tradicional baiana. Num evento recente, numa cidade o interior baiano, o senador Jaques Wagner chegou a ser vaiado durante um evento, em razão de sua associação ao escândalo do Banco Master. Wagner se licenciou da condição de líder do Governo Lula no Senado Federal, mas continua com o seu projeto de reeleição. Ontem, sexta-feira, a revista Veja trouxe uma pesquisa onde aponta uma ligeira queda das intenções de voto de Jerônimo Rodrigues ao Governo do Estado. 

Ficamos sabendo que quem irá coordenar a campanha de ACM Neto, supostamente, é o marqueteiro João Santana, que já esteve muito próximo dos petistas. Pelo andar da carruagem da comunicação, a questão ideológica não será a tônica. A crítica ao PT vem sempre acompanhada das realizações de ACM Neto quando ocupou a Prefeitura de Salvador, dentro da raciocínio do marqueteiro de que, ao final e ao cabo, não seria o eleitor ideologicamente orientado quem acaba decidindo o pleito. Uma obra muito polêmica no estado é a famosa construção da ponte que liga Salvador à Ilha de Itaparica. Está dando o que falar porque nunca saiu do papel. Esta se arrastando há anos. 

Editorial: PL Homem X PL Mulher

 


Não deixa de ser interessante essas indisposições entre o que a imprensa já está tratando como PL Homem X PL Mulher. Depois de alguns aborrecimentos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro parece um pouco desencantada com a política. Está deixando o PL Mulher, há grandes dúvidas se deve se engajar na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e talvez não seja ela mesma candidata a uma vaga ao Senado Federal pelos distrito federal, conforme vinha sendo especulado. Segundo foi divulgado pela imprensa, o Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, já teria dado aviso prévio aos integrantes da equipe que trabalhava junto à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, no núcleo feminino da legenda.

Pelo andar da carruagem política, é pouco provável que Michelle Bolsonaro se envolva com a campanha de Flávio Bolsonaro. Ele tem muito a perder. Desde de longas datas acompanhamos a performance da ex-primeira-dama nas pesquisas de intenção de voto e ela, a despeito das resistências da família, sempre esteve muito bem. O PL Mulher, por outro lado, ampliava a participação bolsonarista junto ao público feminino e evangélico, dois nichos eleitorais importantes, onde, inclusive, o petismo enfrentar algumas dificuldades. Não há dúvidas de que ela somaria. Sobretudo depois de algumas falas infelizes de aliados, o bolsonarismo corre o sério risco de ser identificado como um agrupamento político de orientação misógina. 

Comunicação em política é algo que não se pode menosprezar. E hoje, para complicar, ainda estamos enfrentado o problema das "narrativas" que, quando bem( ou mal?) conduzidas, podem se tornar "verdades absolutas". É assim que as coisas funcionam hoje. Paulo Figueiredo é uma pessoa muito identificada com o bolsonarismo. De pouco adianta o Flávio Bolsonaro informar que o cidadão não integra a sua pré-campanha. Por outro lado, a extinção do PL Mulher pode não ter sido uma medida das mais acertadas. 


Editorial: Sanções dos Estados Unidos a empresários ligados ao PCC


Até recentemente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu um operador financeiro da facção criminosa venezuelana, Tren de Aragua, que também atua no Brasil, a partir de Roraima, junto ao PCC e o CV. O Governo dos Estados Unidos sancionou dois empresários que mantinham atividades ilícitas ligadas ao PCC, principalmente no que concerne à lavagem de dinheiro. Estamos tratando aqui de medidas efetivas de combate ao crime organizado, o que impõe ações dessa natureza, de caráter cooperativo entre as nações, sem que isso possa ser interpretado como violações de soberania. O Diretor-Geral da Polícia Federal, o delegado Andrei Rodrigues, afirmou que as sanções impostas acabaram por atrapalhar as investigações da própria PF, que já estavam monitorando a empresa do empresário, suspeita de lavar dinheiro para o PCC. A partir das sanções adotadas pelos Estados Unidos, o empresário se encontra hoje foragido. Pontualmente, é possível que isso tenha ocorrido, mas, no geral, essa cooperação é sempre bem-vinda. 

Várias ações conjuntas entre as polícias do Brasil e do Governo da Bolívia foram exitosas no sentido de capturar foragidos ligados a fações criminosas que atuam no país. Existe há suspeita de que criminosas que figuram na lista dos mais procurados do país possam estar escondidos na Bolívia, que passou a ser uma espécie de esconderijo utilizado pelos faccionados. Quando hoje falamos em cooperação no combate ao crime organizado, é claro que estamos diante de ações bem mais amplas e efetivas do que as já existentes entre as polícias de diversos países, em certa medida traduzidas nas ações da Interpol. O quadro hoje é mais preocupante. 

Salvo melhor juízo, num gesto de descompressão em relação a esta discussão sobre ingerência em soberania alheia, o Governo Trump soltou uma notinha informando que as ações contra empresários e empresas brasileiras não podem ser interpretadas como ações que interfiram no respeito à soberania do país. O Governo Lula tem criticado bastante as atitudes do pré-candidato Flávio Bolsonaro, que, segundo especulou-se, supostamente, poderia ter oferecido, caso eleito, a indicação do gabinete de transição ao Governo dos Estados Unidos. Aí sim nossa soberania estaria irremediavelmente comprometida.  

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Charge! Borega via perfil do autor no Instagram

 


Editorial: Atlas\Intel\Bloomberg sobre a percepção da população sobre o suposto envolvimento de Jaques Wagner com o escândalo do Banco Master



O pessoal de O Estado de São Paulo realizou um trabalho interessante acerca do envolvimento de atores e partidos políticos em relação às maracutaias do Banco Master. Num infográfico, com direito ao registro de porcentagens, eles relacionam os partidos que foram cooptados no esquema de corrupção do banco. Como já havíamos antecipados por aqui, a "clivagem" ideológica passou longe das preocupações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quase todas as tribos políticas estão integradas no esquema, sendo o MDB, PP e o PL aquelas agremiações onde existem mais nomes enrolados. Mais do que nunca, nesses tempos bicudos, as "narrativas", se correspondem à realidade dos fatos ou não, quando bem trabalhadas, acabam se consolidando. 

Ativos políticos podem ser transformados em passivos por equívocos operacionais, por exemplo. A maior apreensão de drogas já realizada no estado do Ceará, pela Polícia Civil daquele estado, deixou de ser capitalizada pelo governo Elmano de Freitas(PT-CE) e tornou-se um trunfo para a oposição. A droga não foi incinerada de imediato, suscitando uma polêmica dos diabos. Quando o governador Elmano de Freitas interrompeu o jogo do Brasil para acompanhar as providências do caso, o estrago já estava feito. A pesquisa realizada pelo Instituto Atlas\Intel, divulgada no dia de ontem, 02, aponta que, entre as pessoas que conhecem a Operação Compliance Zero, 74,3% acreditam que o senador Jaques Wagner poderia ter recebido vantagens indevidas do dono do Banco Master. Apenas 9,4% acreditam em sua inocência.  

O estrago já está feito, principalmente se considerarmos as eleições vindouras, onde o senador disputa a renovação do seu mandato. 35,6% dos entrevistados envolvem o Governo Lula, apontando, como se diz popularmente, que o Governo poderia ter culpa no cartório. A pesquisa foi realizada com eleitores de todo o país, não sendo possível analisar a situação do caso do estado da Bahia, onde o senador disputa a renovação do mandato. A coluna Diário do Poder, no dia de hoje, no entanto, traz a informação de que o senador teria sido vaiado num evento na cidade de Lapinhas, interior do estado. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Operação "Puro Suco do Rio de Janeiro"


A Polícia Federal desencadeou mais uma operação no Rio de Janeiro, desta vez traduzindo perfeitamente no seu título, o que ocorre, de fato, na quadra política daquele estado, onde a corrupção já penetrou em todas as entranhas do aparelho de Estado. A operação leva o curioso, mas emblemático nome de "Puro Suco do Rio de Janeiro", onde ex-presidente da ALERJ, bicheiro, facionados, filho de ex-governador e pastor evangélico vendedor de cigarros estão envolvidos. Nenhuma surpresa por aqui. Em Rio das Pedras, onde se formou o primeiro núcleo miliciano do estado, a partir das inocentes associações de moradores, em princípio, os ditos milicianos combatiam os narcotraficantes que atuavam naquela área. 

Iniciava-se um processo de execuções, extorsões a comerciantes e exploração de alguns negócios, como aluguéis, vendas de gás, transporte coletivo local e afins. Esses grupos contavam com a participação de pseudos agentes de Estado. Com o tempo, os traficantes perceberam que seria um bom negócio ampliar sua carteira de ofertas e passaram a explorar os mesmos nichos de mercado das milícias, que também passaram a estabelecer parcerias com grupos faccionados nesses empreendimentos. Hoje é difícil precisar onde há territórios genuinamente controlados por facções ou por milícias. Com o tempo, tantos as facções quanto as milícias perceberam que os templos evangélicos poderiam ser uma boa fonte de lavagem de dinheiro e passaram a investir nesses templos, sem qualquer pudor movido pelos princípios inerentes às Sagradas Escrituras. 

Hoje, o termo narcotraficante evangélico, por paradoxal que possa parecer, não se constitui surpresa. Nesses termos, um pastor evangélico vendedor de cigarros é "fichinha". Isso se constitui num gravíssimo problema, pois, com o Estado ausente, esses grupos passaram a interferir também na orientação religiosa dos territórios sob o seu domínio. Territórios controlados pelo TCP (Terceiro Comando Puro), por exemplo, estão sendo proibidas as missas católicas e reuniões de religiões de matriz-africana. Já existe algumas boas obras no mercado tratando desses assuntos, algumas delas esclarecendo como os fuzis se juntaram às Bíblias. 

O Rio de Janeiro já é um narcoestado e, infelizmente, o modelo vem se alastrando por outros entes federados, na iminência de colapsarem. Houve um tempo em que se dizia que as facções estariam financiando estudantes  de direito com o intuito de constituíram a defesa dos seus interesses futuramente. Hoje eles operam não apenas dentro dos Executivos - em todos os níveis - mas no financiamento de parlamentares para as câmaras municipais, estaduais e federal. Não precisa fazer grandes esforços para encontrá-los. Numa operação da Polícia Civil do Ceará, salvo melhor juízo, foram presos cinco advogados que estavam transmitindo recados dos detentos faccionados presos aos chefes faccionados livres. 

Editorial: "É preciso calar esta mulher" . As ameaças a jornalista Malu Gaspar


A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, vem realizando um trabalho verdadeiramente jornalístico, dentro daquela concepção orwelliana, que define a atividade onde se diz tudo o que algumas pessoas não gostariam que fosse dito. O mais é publicidade, segundo o autor de 1984.  Essas pessoas incomodadas com o que a jornalista anda afirmando ou escrevendo estão nos altos escalões do nosso Executivo, do Legislativo ou do Judiciário ou até mesmo na esfera empresarial\financeira, a exemplo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Certamente, vem colecionado indisposições com esses senhores. A Polícia Federal teria encontrado, nas conversas do ex-banqueiro com um publicitário, falas comprometedoras que podem ate ser traduzidas como ameaças dirigidas a jornalista, possivelmente num momento em que ele ainda não havia sido detido. 

Na realidade, salvo melhor juízo, muito mais do que o escândalo financeiro, essas ameaças, no caso anterior dirigidas a uma ex-empregada do banqueiro, foi o que levou o STF a decretar a sua prisão imediata. Aqui em Pernambuco, num estado forjado pelo poder político de velhas oligarquias familiares, isso sempre foi um grande problema, mesmo numa época em que gozávamos de maior liberdade de expressão. O homem público pernambucano, salvo raras exceções, considera a crítica legítima como ofensa e usa todos os dispositivos de Estado para perseguir seus críticos. Ele é o Estado ou o aparelho de Estado é uma extensão do seu quintal. É a cultura das capitanias hereditárias, do familismo amoral

Muita gente aqui na província já foi vítima dessa sanha, que não conhece limites éticos e, na realidade, esconde interesse obscuros, capitaneados por essas lideranças políticas, traduzidos em nacos explorados na máquina pública, raramente de forma republicana ou para atender demandas coletivas. Este foi o grande problema encontrado na aldeia italiana estudada pelo cientista político americano Edward Banfield, em séculos passados, mas que continua atualíssima quando tomamos como referência o caso pernambucano. Temos em nosso poder cópia de um conjunto de correspondências trocadas entre um cidadão afilhado que desejava vender uma coleção pessoal e pedia a interferência de um ator político com forte capilaridade na esfera pública. Coisa para deixar Banfield, que foi ex-professor de Harvard, se revirando na tumba. Nossa solidariedade a jornalista Malu Gaspar. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Editorial: "Operação Chiado" da PF em Pernambuco.


Ficamos por aqui a imaginar como o efetivo atual da Polícia Federal reunirá as condições de combater tantos escândalos de corrupção no país. É preciso que o Governo Lula 3 autorize novos concursos para os quadros efetivos da instituição. Hoje, primeiro, a Polícia Federal está em Pernambuco realizando operações de buscas e apreensões relacionadas à Operação Chiado, que trata de fraudes em concursos públicos. Mesmo com todos os mecanismos de segurança adotados, essas fraudes continuam, infelizmente, ocorrendo. Há indícios fortes de que o próprio concurso nacional unificado, apresentado pelo Ministério da Gestão como uma grande inovação no serviço público - e, de fato, foi - supostamente, poderia ter sido também fraudado, possivelmente talvez numa dimensão que não prejudicasse o seu resultado. 

A "Operação Chiado" teria começado em 2014, quando alguns candidatos que concorriam a um concurso público foram presos usando aparelhos de comunicação. A PF, possivelmente numa outra operação, também atuou no estado de Alagoas, onde um agente público - que teria a obrigação funcional de coibir tal prática - estava envolvido e comandando essas maracutaias. Outro dia ficamos sabendo que o rapaz, depois que conheceu o "mecanismo", resolveu inscrever a sua esposa num desses concursos. Nós viramos um país de escândalos sucessivos de corrupção. Antes mesmo do trabalho realizado em relação ao Banco Master, já se sabia da possibilidade de o mesmo problema está ocorrendo em outras instituições bancárias. 

Enquanto escrevemos este texto, a PF atua firmemente na região do Amazonas, combatendo vários tipos de ilícitos, como fraudes em licitações públicas municipais, garimpo ilegal, roubo de ouro, entre outros. No caso recente da apreensão de drogas no Ceará, a maior já realizada no estado, há grandes interrogações sobre os reais motivos da não incineração de uma grande quantidade de drogas, avaliadas em mais de 200 milhões de reais. 

Começa hoje o Festival Caminhos do Frio no Brejo Paraibano


"Quintal" do Engenho Laranjeira\Serraria


Começa hoje, dia primeiro, o Festival Caminhos do Frio, na região do Brejo Paraibano. O festival começa em Areia e  encerra na cidade de Alagoa Nova, passando ainda por Bananeiras, Pilões, Serraria, Martinha, Solânea, Borborema, Remígio, Alagoa Grande, a terra de Jackson do Pandeiro. Somos suspeitos para falarmos sobre o assunto, pois a região do Brejo Paraibano é uma festa para nos nossos olhos. Já produzimos inúmeras crônicas por aqui tratando daquela região. Sempre incorrendo na possibilidade de sermos repetitivos, optamos por reproduzir uma dessas crônicas antigas, publicadas por aqui, em anos anteriores. 


Nos festivais de inverno "Caminhos do Frio", frequentemente, circulamos pela cidade de Areia, na microrregião do Brejo Paraibano. Esta belíssima região da Paraíba é composta de umas poucas cidades, todas muito próximas, facilitando bastante a vida dos visitantes. O trajeto de Areia para Bananeiras, por exemplo, é feito de carro, em 15 minutos. Bananeiras ainda possui as melhores condições de hospedagem entre as cidades do Brejo. Em muitas ocasiões, como nesses festivais ou na Rota dos Engenhos, os visitantes costumam ficar hospedados em Bananeiras e, de carro, se dirigem as outras cidades do circuito do festival. Mas não é apenas essa facilidade geográfica que atraem milhares de pessoas, todos os anos, para curtirem aquela região. 

Há muitos outros atrativos, como as manifestações culturais e religiosas, os monumentos históricos, a gastronomia, as atividades esportivas, as rotas pelas matas e cachoeiras, além, claro, daquele friozinho gostoso que entra pelas fendas das paredes, nos finais de tarde, uivando bastante, mesmo antes de agosto chegar, sem os temidos presságios. Em alguns momentos, logo cedinho, a cidade amanhece com uma neblina densa, que deixa os corpos encolhidos nos agasalhos de frio. É a hora de um chocolate quente ou de uma pinga de aguardente, entre as inúmeras opções existentes. Naquela região, hoje, são fabricadas as melhores cachaças brancas do Brasil, superando, inclusive, as concorrentes mineiras. 

Um dos momentos que mais apreciamos são as visitas aos tradicionais engenhos da região. Aliás, bem próximo a Areia, já em Serraria, é possível se hospedar num dos antigos engenhos do apogeu do Ciclo da Cana-de-Açúcar na região, o Engenho Laranjeiras. Há alguns anos atrás, a notícia de que poderíamos nos hospedar num antigo engenho do século XVI, do período do apogeu do ciclo econômico abordados nos textos do escritor José Lins do Rego,  causou-nos um grande entusiasmo. O antigo engenho proporciona tudo o que a vida no campo oferece: riachos para pescaria; piscinas naturais; gastronomia regional feita no fogão à lenha; trilhas pelas matas; o canto dos galos de campina, rouxinóis, canários da terra, logo cedinho; belíssimos jardins para se namorar; o friozinho da Serra da Borborema. 

Por vezes, penso que nós precisamos um pouco desse sossego. Um pouco é pouco. Precisamos muito. Outro dia, líamos nas redes sociais os posts de dois colegas professores sobre as agruras da vida nas metrópoles. Um deles é pernambucano, aqui de Olinda, e o outro é da Paraíba, precisamente do Bairro de Cabo Branco, em João Pessoa, cidade que no último dia 05 completou 430 anos. Um deles desabafou que dirigir no Recife estava se tornando um negócio para corno, após constatar que, em certos momentos, o indivíduo ficava "retido" nos automóveis. O outro, inconformado, alegava que estava sendo "interditado" de chegar à sua residência, todas as vezes em que ocorriam eventos no Bairro de Cabo Branco. O sossego e a tranquilidade de João Pessoa, por razões conhecidas, estão com os dias contados. 

Ao se despedir temporariamente do Facebook, o jornalista Roberto Numeriano escreveu uma bela crônica sobre os contatos estéreis proporcionados pelos celulares. As pessoas se sentam na mesa de um bar, dizia ele, mas cada qual com seus equipamentos, pareciam desprovidas de afeto, jogando ou falando constantemente com pessoas longe daquele círculo restrito. Estavam naquele espaço apenas fisicamente, mas absortos. Pois bem. Outro dia, examinando os comentários das pessoas sobre as avaliações de hotéis - a pesquisa foi num desses sites de viagem conhecido - observei uma coisa curiosa. Um bom sinal de Wi-Fi, hoje, pode ser mais importante na avaliação da hospedagem do que uma cama confortável, uma ducha quente que funcione, a limpeza dos quartos, a troca das toalhas, o atendimento na recepção, se o ar-condicionado funciona, se é possível dormir sem os incômodos barulhos. 

Essa fixação nesses aparelhinhos está virando uma verdadeira paranoia, comprometendo alguns aspectos importantes da vida. Essa pousada, até recentemente, não possuía sequer televisão nos quartos. Frequentamos-a quando ela ainda era virgem. Não sabemos se os proprietários já cederam às imposições da vida moderna. A pousada Engenho Laranjeiras fica na cidade de Serraria, na microrregião do Brejo Paraibano. É um equipamento completo, sem os luxos das terras civilizadas, como diz o cancioneiro popular. Já estamos com saudade, e, essa saudade, ontem foi atiçada pela chegada do livro da economista Zélia Almeida, sobre os tempos de ouro da cidade de Areia.

Mesmo longe do apogeu de outrora, Areia ainda é a cidade mais bem equipada culturalmente da região. Há equipamentos museológicos; o casario antigo, que se parece muito com Olinda ou Ouro Preto, referências importantes na artes e na literatura; antigos engenhos de fogo morto ainda em funcionamento, produzindo cachaças e rapaduras; e o inegável charme de cidadezinha do interior, para se curtir com a pessoa amada, no finalzinho de tarde. É o torrão natal do pintor Pedro Américo, dos famosos quadros sobre a Independência e a Inconfidência Mineira, e do escritor José Américo de Almeida, da Bagaceira.

O livro de Zélia explica, em linhas gerais, como a cidade se transformou numa das mais prósperas do estado. Teria contribuído para isso, o apogeu da economia da cana-de-açúcar; a tradicional escola de agronomia - a única que não perdeu status, mantendo-se, ainda hoje, como referência nas ciências agrárias; o tradicional colégio fundado pelas carmelitas, uma grande referência de ensino, o que levava as famílias tradicionais do estado a enviarem seus filhos para estudarem na cidade. Enfim, esse conjunto de fatores favoráveis carreavam investimentos na cidade. A decadência veio em razão do próprio declínio do apogeu do ciclo econômico concentrado nos engenhos.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Editorial: O centrão sociológico de João Santana


Recentemente ocorreu no Rio Grande do Sul o Compol ( Congresso de Comunicação Política e Institucional), com a presença dos grandes nomes da comunicação política no Brasil, entre eles o marqueteiro João Santana, que já foi o responsável por campanhas de Lula e Dilma Rousseff, hoje o responsável pela campanha de ACM Neto, na Bahia, com chances de derrotar o PT na chamada República do Acarajé. Da fala de um profissional com um currículo tão expressivo, pode-se extrair muita coisa, mas chama a nossa atenção - e possivelmente chamou a atenção dos presentes ao evento - o que João classifica como uma grande miragem ou ilusão dos analistas políticos brasileiros, sempre batendo nesta tecla gasta da polarização ideológica. 

Para João, há, no universo de eleitores brasileiros, uma espécie de centrão sociológico - por favor não confundam com o Centrão de Brasília - que é quem na verdade define as eleições no país. Trata-se de um grupo não orientado ideologicamente, que pode defender pautas aparentemente contraditórias, consoante interesses corporativos específicos. O cara pode votar no PT, por exemplo, para preservar o SUS, embora se identifique com medidas duras contra o crime organizado. Ou seja, um candidato como Flávio pode acenar para este enfrentamento de forma mais contundente, mas este mesmo eleitor pode se preocupar com a tendência dos bolsonaristas em mexer na estrutura pública do SUS. 

O que vai definir o voto desse eleitorado determinante são essas variáveis, onde, possivelmente, o homem de marketing político, através das pesquisas qualitativas, poderia identificar.  Isso nos fez lembrar de estudos interessantíssimos realizados pelo cientista político polonês, Adam Przeworski, quando este procede estudos importantes sobre o que determina o voto do eleitor. Ele menciona alguns exemplos interessantíssimos, como de um cidadão evangélico, casado com uma micro empreendedora, com um filho gay, que terminou a faculdade recentemente, mas não encontra oportunidade de inserção no mercado de trabalho. O que vai determinar o voto deste cidadão? Suas crenças religiosas, um aceno de micro-crédito para a esposa? Uma oportunidade de trabalho para o filho?

Nas inserções do candidato ACM Neto ao Governo da Bahia já é possível observar as eventuais digitais da presença de Joao Santana na campanha. ACM Neto foca não em disputas ideológicas com o PT, mas na ineficiência da máquina pública estadual, traduzida nos altos índices de violência, em obras faraônicas que nunca saíram do papel, a exemplo da gigantesca ponte que irá ligar Salvador à Ilha de Itaparica. ACM Neto faz um confronto de gestão, levando o eleitorado a se remeter ao período em que esteve à frente da Prefeitura de Salvador. No momento, aparece à frente de Jerônimo Rodrigues.  

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: A boca do jacaré voltou a fechar


As últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente voltam a indicar que a boca do jacaré do gráfico da disputa presidencial das eleições de 2026 voltou a fechar, ou seja, os índices de intenção de voto dos principais candidatos indicam um empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva(PT) e  Flávio Bolsonaro(PL). Pesquisa do Instituto Genial\Quaest aponta que os não polarizados são 27% dos eleitores brasileiros. A pesquisa que saiu no de ontem, 29, realizada pelo Nexus\BTG, aponta que 74% dos eleitores já decidiram o seu voto, enquanto 25% ainda admitem mudar de voto, o que significa dizer que os não polarizados ou independentes devem decidir as próximas eleições presidenciais. A questão agora é como conquistar esses independentes. 

Lula passou a surfar nos bons resultados alcançados pelo programa de bondades - mesmo sem lastro - ancorados nos grandes investimentos em comunicação institucional.  Conforme mostramos ontem por aqui, o Governo Lula tornou-se o maior cliente da Meta. Os escândalos acabam não definindo muita coisa uma vez que, quase sempre, enredam todo mundo. É o sujo falando do mal lavado, como se diz no adágio popular. Com o reequilíbrio na dinâmica da disputa, os maiores problemas de Flávio Bolsonaro hoje se concentram nas brigas intestinas do seu próprio clã familiar. Uns não estão dispostos a ajudá-lo e outros tentam ajudá-lo e acabam atrapalhando mais do que propriamente ajudando.  

Tarefa inglória a de candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos que tentam quebrar esta dinâmica da disputa presidencial no país. Esses 27% do eleitorado, conforme uma pesquisa já comprovou, até gostariam de votar num nome novo para a ocupar a cadeira do Palácio do Planalto, mas acabam, no final, tragados pela centrífuga da polarização, que um marqueteiro experiente já disse ser apenas uma grande ilusão. Na realidade, se quisermos concordar com ele, esses "independentes" acabam definindo o jogo, mas sempre se inclinando por um dos lados dessa polarização entre petistas e bolsonaristas. É aqui que reside o problema.  

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o impasse na federação União Progressista


Num encontro realizado no dia de hoje, 29, com forte participação de apoiadores, o deputado federal Eduardo da Fonte foi homologado como representante da União Progressista como candidato ao Senado Federal. É preciso tomar muito cuidado aqui com os termos usados aqui, principalmente quando se sabe que a própria União Progressista esta dividida em relação ao assunto. Há o entendimento, principalmente da banda do PP nesta federação, de que quem tem maioria entre o PP e o União Brasil nas esferas estaduais devem comandar as articulações da federação. O presidente do PP a nível nacional, o senador Ciro Nogueira, fez questão de lançar uma nota em apoio ao nome do deputado como candidato ao Senado Federal, numa aliança já referendada com a governadora Raquel Lyra. 

O imbróglio ou impasse se traduz numa composição com a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) onde o nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho(UB-PE) representante do União Brasil, também pleiteia a indicação do seu nome na chapa da governadora, tendo já avançado algumas casas em relação ao seu concorrente da União Progressista, Eduardo da Fonte. Logo após a nota de Ciro Nogueira, Antonio Rueda, que dirige nacionalmente a federação, afirmou que nada que não for decidido a nível da federação no plano nacional  teria validade nas quadras estaduais. Por enquanto, consenso mesmo apenas em apoio ao projeto de reeleição de Raquel Lyra. 

É uma espécie de contraofensiva do grupo da União Brasil comandado no estado por Miguel Coelho. A governadora Raquel Lyra, que esteve no dia de hoje em Caruaru, assistindo o jogo do Brasil, mas entregando moradias à população, tem um abacaxi tremendo para descascar.  Raquel formou um núcleo de apoio expressivo e, sempre que essas placas tectônicas se movem, ela se sente contingenciada a proceder arranjos complexos em sua base. Quem será sacrificado desta vez? Ela não pode abdicar do apoio do União Progressista. Na outra margem do rio, o PL pressiona para que ela empreste apoio ao palanque de Flávio Bolsonaro no estado.