Até recentemente, a deputada estadual Cida Ramos(PT-PB), Presidente Estadual do PT da Paraíba, declarou que o partido apoiará o candidato Lucas Ribeiro(PP-PB), que concorre ao Governo do Estado com o apoio do ex-governador João Azevedo(PSB-PB), candidato a uma das vagas para o Senado Federal. Chegar a esta deliberação não foi tão simples, uma vez que o atual prefeito da capital, Cícero Lucena(MDB-PB), que também concorre ao Governo do Estado, havia proposto uma aliança com o PT, algo que chegou a ser negociado nos corredores de Brasília, com o Presidente Nacional da legenda, Edinho Silva. Cícero chegou ao oferecer partido, inclusive, uma das vagas ao Senado na sua chapa. As negociações não avançaram e o partido vai mesmo caminhar ao lado de Lucas Ribeiro. Como Lucas Ribeiro era o vice-governador que hoje comanda o Governo do Estado, o PT já negocia a participação na máquina estadual. O surpreendente dentro dos quadros do PT estadual foi o desligamento da legenda do deputado estadual Luciano Cartaxo, hoje no Republicanos, que defendia que o partido tivesse um nome próprio para a disputa.
Cícero Lucena, o político mais manhoso do estado, não via problema algum em montar um outro palanque de Lula no estado. Acreditamos que ainda mantenha esta posição. Este prólogo é para entrar na seara complicada que está se tornando esta eleição em Pernambuco. Há dois fatos curiosos no dia de hoje. A governadora Raquel Lyra anda mantendo uma agenda inusitada no Sertão do São Francisco, mais precisamente em Petrolina, tradicional reduto da família Coelho. Antes disso, quando questionada acerca da definição de sua chapa ao Senado Federal, sugeriu que ficássemos atentos aos "sinais". Ela daria essas sinalizações. À medida em que estreitou os laços com os Coelho, manteve uma distância regulamentar do grupo da federação ligado ao deputado federal Eduardo da Fonte, afastando, inclusive, o diretor da CEASA, provocando uma verdadeira faísca na relação entre ambos, tendo como resultado a rebeldia dos deputados da federação na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco. Segundo o próprio Eduardo da Fonte, o episódio não pode ser traduzido como uma ruptura com o Palácio do Campo das Princesas.
O impasse permanece, uma vez que o União Brasil está dentro, mas o PP continua nas cercanias, embora suas lideranças continuem acenando para a governadora. Hoje, 15, há uma entrevista com o Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Segundo o ministro, não há nada fechado em relação à possibilidade de construção de um palanque duplo de Lula no estado. Lula não deverá recusar apoios e a governadora é sensível a este apoio. A decisão sobre o assunto deve ficar com Lula, segundo Boulos. Não é possível que Boulos desconheça a composição da base de apoio ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra, que conta com políticos do núcleo duro do bolsonarismo no estado.
Como conciliar? Como estamos discutindo sempre por aqui, palanques estaduais é isso mesmo. Na Paraíba os socialistas estão com os progressistas. Eleitor que votar em João e Lula ou em Raquel e Lula serão sempre bem-vindos. Lula irá precisar de cada voto para se contrapor à candidatura que representa o bolsonarismo. Salvo melhor juízo, essa foi uma das conclusões tiradas na última plenária do PT no estado. O Planalto está bastante preocupado com o avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro neste momento. Lula precisa reverter seus índices de rejeição se deseja continuar como inquilino do Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos.
