O advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi eleito no último domingo, 21, o novo presidente da Colômbia, ancorado numa plataforma política de enfrentamento radical aos narcotraficantes do país, acenando para a construção de unidades prisionais à semelhança do CECOT de El Salvador e a presença efetiva de forças militares americanas no país. Embora o resultado tenha sido apertado - Espriella venceu com a diferença de apenas 1% dos votos - a sua vitória é uma evidência de que a população colombiana apoia suas propostas. O resultado está sendo contestado, mas ele já instigou as Forças Armadas do país a confirmarem o resultado das urnas. Ele deve ser mesmo confirmado como o próximo presidente do país.
Este prólogo é em função de uma pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo, cuja temática está relacionada à posição da população brasileira em razão da decisão do Governo dos Estados Unidos em classificarem organizações como o PCC e o CV como organizações terroristas. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de junho, com pessoas entre 16 anos ou mais, num universo de 136 municípios brasileiros. Os dados levam à conclusão de que 59% dos brasileiros são a favor de classificar PCC e CV como organizações terroristas. Por outro lado, 74% não concordam com algum tipo de intervenção dos Estados Unidos no país, um dado que talvez nos diferencie dos colombianos e sirva de alerta ao candidato Flávio Bolsonaro, que tem demonstrado muito entusiasmo com as medidas adotadas pelos americanos.
Com a vitória de Espriella na Colômbia, passou a circular nas redes sociais avaliações acerca da influência que o Governo dos Estados Unidos estão exercendo nos diversos pleitos de países da região, inclusive no Brasil, onde o apoio e afinidades ficam evidentes com um dos lados. Lula, inclusive, reforça uma narrativa de contraposição, ancorado nos bons resultados de um soberanês sem sotaque. Há cem dias das eleições, embora os escândalos de corrupção continuem produzindo seus estragos, ainda defendemos a tese de que o "medo" será o grande eleitor de 2026.

