pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
Powered By Blogger

terça-feira, 2 de junho de 2026

Editorial: Cuide dos seus bolsonaristas que nós cuidamos dos nossos.


Combater o crime organizado através da formação de grupos paramilitares parece não ser um dilema moral para o bolsonarista raiz. Na condição de eleitores, sugere-se que eles não se importam com a origem dessa corrente política, mesmo tendo acesso a informações como as trazidas a público no livro A República das Milícias, do cientista político Bruno Paes Manso. Se assim o fosse, eles não estariam disputando voto a voto as próximas eleições presidenciais, inclusive num momento em que a população, desprotegida, acaba se inclinando a referendar propostas radicais, a exemplo do que vem ocorrendo na Colômbia, onde Espriella lidera a corrida presidencial, com grande chance de se tornar o próximo presidente daquele país.  

Antes mesmo da Justiça Eleitoral determinar os prazos regulamentares da disputa de 2026- estamos ainda na pré-campanha -  o combate ao crime organizado já vem ditando o ritmo daquelas eleições pelas redes sociais. ACM Neto, que concorre ao Palácio de Ondina,  esteve realizando sua tomadas num zona abandonado da periferia de Salvador, onde os criminosos expulsaram os moradores locais. O deputado federal André Fernandes(PL-CE), do Ceará, faz isso praticamente todos os dias, assim como uma série de candidatos que buscam o voto dos seus eleitores. No Ceará acontece uma coisa engraçada. O pai de André Fernandes, Alcides Fernandes(PL-CE), é candidato ao Senado Federal na chapa de Ciro Gomes(PSDB-CE), assim como ocorre com o capitão Wagner, hoje um grande aliado do antigo desafeto Ciro Gomes. 

Ambos são vinculados ao bolsonarismo no estado. Tão vinculados que antes até disputavam entre si quem teria a primazia de representar o bolsonarismo no estado. Ciro recebe muitas críticas em relação a este posicionamento, mas sempre responde que os seus bolsonaristas são fichas limpas. Ciro é vítima de uma contingência da correlação de forças políticas no estado. Para enfrentar a máquina petista em condições efetivas de competitividade não haveria outra saída que não uma aproximação com essas forças políticas conservadoras no estado. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Editorial: Ciro na festa do Pau de Santo Antônio.

 

Crédito da foto: Rede social do candidato


Há muitos vídeos sobre a presença do pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes, à festa do Pau de Santo Antônio, em Barbalha. Poucas são as imagens, daí optarmos por ilustrar esta matéria com a imagem acima, um pouco distorcida depois de ampliada. Órgãos de imprensa, aliás, estão dando divulgação às fotos da igreja onde foi celebrada a missa, quando Ciro Gomes e Roberto Cláudio aparecem numa ala, enquanto o pré-candidato Elmano de Freitas aparece ao lado do ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, na outra ala da igreja. Sobretudo nessas festas, o profano acaba superando o sagrado. Também é assim na Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, que costuma reunir uma multidão de pessoas na cidade de Barbalha, no Cariri, nesta época do ano. A rapaziada que faz o cortejo carregando o pau para servir de mastro na praça central, aliás, já chega lá literalmente "mamados". 

Depois da cerimônia religiosa, Ciro caiu na gandaia, em meio à multidão, testando sua popularidade. Na realidade, deu um banho de popularidade, superando seus oponentes, numa demonstração inequívoca de que é forte candidato a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição, a partir de 2027. Mesmo com a integração de Camilo Santana à campanha de Elmano de Freitas, algo sugere que os problemas não foram superados. Depois que Ciro assumiu a pré-candidatura e começou a pontuar as falhas da gestão do estado, Elmano passou a pautar a gestão com o anúncio de obras reclamadas, realização de concursos públicos para o preenchimento de vagas na área de segurança pública. O país não vai resolver o grave problema de segurança pública até as próximas eleições. O mesmo raciocínio se aplica aos entes federados. São problemas estruturais, com solução apenas a longo prazo. 

O próprio Ciro Gomes, se chegar a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição, terá enormes dificuldades para enfrentar o problema, uma vez que a população está no limite. O nível de exigência é enorme. O lado positivo é que Ciro está disposto a enfrentar o problema e é um cara aplicado nos estudos. Já declarou que está estudando a questão. Sempre tem dito que vai precisar de um esforço coletivo. É verdade. Quem poderia imaginar alguns anos atrás que uma cidade como Caucaia, onde fica a paradisíaca praia de Cumbuco, se transformaria numa das cidades mais violentas do país, conflagrada pela guerra entre facções do crime organizado?  Mais grave: como devolver a paz à população local, colocando seus atrativos naturais no roteiro dos turistas que chegam à Fortaleza?

Editorial: A banalização da corrupção no país.



Ao longo desses anos, acabamos por estabelecer algumas convicções acerca do problema estrutural da corrupção no país. Hoje, quando surge um novo escândalo de corrupção - o que, aliás, não é raro - já temos os parâmetros seguros para estabelecer se aquele escândalo tem a participação do crime organizado, por exemplo. Não erramos uma. Master, INSS, Rei do Lixo, entre outros. Alguém já disse que, se tivéssemos estabelecidos as clivagens corretas, Lula e Flávio Bolsonaro não estariam liderando as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República nas próximas eleições. Hoje, dia primeiro, o editorial do jornal O Estado de São Paulo é sobre o escândalo do Dark Horse, que, segundo o articulista, seria suficiente para sepultar a candidatura de Flávio Bolsonaro de uma vez por todas e isso não está ocorrendo. 

Os bolsonaristas vão dizer que o jornal agora é petista, assim como os petistas, em passado recente, já demonizaram o jornal, acusando-o de integrar uma conspiração antipetista. Eles já criaram couraça em relação ao assunto. O que não nos mata, nos fortalece, como diria o adágio popular, e isso vale até mesmo para os órgãos de comunicação. De fato o editorialista tem razão. Num país mais civilizado, onde os cidadãos fossem menos tolerantes à corrupção, isso seria suficiente para sepultar um candidato à Presidência da República. O problema é que estamos no Brasil. Dentro desta camisa de força imposta pela esgarçante polarização política isso já seria previsível. Estava dentro das possibilidades que os fatos talvez não produzissem prejuízos significativos ao candidato. As próximas pesquisas de intenção de voto podem confirmar, inclusive, que ele já reequilibrou o jogo.  

O que se diz é que se surgir um candidato capaz de furar esta bolha e chegar ao segundo turno, ele vence a eleição tanto disputando com Lula ou disputando com Flávio Bolsonaro. Mas quem seria este candidato? Renan Santos? Caiado? Zema? A rigor, se os bolsonaristas menos radicais lessem a República das Milícias, do cientista político Bruno Paes Manso, um dos livros eleitos pela Folha de São Paulo estre os melhores de não ficção, saberia melhor como foi feita esta transição entre Rio das Ostras e o Palácio do Planalto em passado recente. Não há inocentes por aqui.  

_______________



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557

domingo, 31 de maio de 2026

Crônicas do cotidiano: A Nova Califórnia



O jornal Folha de São Paulo reuniu especialistas que elegeram os melhores livros de não ficção do país. É curioso como não aparece na lista a obra Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, um dos melhores ensaios sobre a sociedade colonial brasileira, obra classificada no campo da sociologia, mas escrita com a liberdade permitida pela linguagem literária, bem ao estilo de Gilberto, que costumava subverter paradigmas metodológicos. Talvez seja exatamente por isso que o livro não esteja ali mencionado, ou seja, os jurados podem ter entendido que Casa Grande & Senzala seja uma obra de ficção, a partir da realidade observada pelo autor. Quando foi lançada, no início da década de trinta do século passado, o livro foi ali arrolado entre grandes obras da literatura lançadas no bojo do regionalismo, ao lado de Cacau, de Jorge Amado, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Menino de Engenho, de José Lins do Rego, e O Quinze, de Rachel de Queiroz. 

Estamos lendo alguns dos livros ali elencados que ainda não tínhamos lido, como a soberba biografia do país escrita pela acadêmica Lilia Schwarcz. Como, por hábito, costumamos "esgotar" as obras de um mesmo autor para conhecermos todas as "fases" de construção do seu pensamento, fomos reler uma biografia de Lima Barreto escrito pela autora. Um calhamaço de 1200 páginas, escrita que contextualiza todas as fases da vida do grande escritor brasileiro. Talvez a vida de Lima pudesse ser contada em bem menos páginas, mas Lia tem o hábito de sempre contextualizar, à exaustão, os diversos momentos da vida do biografado. Em muitos momentos, essas biografias acabam se constituindo, na realidade, em bibliografias. Este é um caso, embora a constatação aqui seja, na realidade, mais um dado de elogio ao trabalho da autora.  

Os romances e os contos escritos por Lima Barreto são esmiuçados pela autora, que leu todos os trabalhos publicados por Lima. Outro dado importante é que Lilia fez questão de conhecer toda a "geografia" do biografado, ou seja, visitou todos os lugares que mantiveram alguma relação efetiva ou afetiva com  Lima Barreto. Lima, que era negro, morreu ainda jovem, com 44 anos de idade, vítima das agruras impostas pela vida, como a doença e morte do seu pai, a esquizofrenia e o alcoolismo, que, neste caso, estão umbilicalmente associados. Os textos de Lima Barreto são à clef, indubitavelmente biográficos, o que nos deixou fascinados desde as primeiras leituras, como As Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Lima foi amanuense, ou seja, uma atividade existente à época, que consistia em copiar à mão documentos. Policarpo Quaresmo foi o seu pai.  

Este é um carma difícil de se separar. São textos de críticas sociais cáusticas, seja em relação à política da época, às instituições e até a personagens. Isso, naturalmente, nos deixou fascinados com a sua obra. Como romancista, até mesmo em relação aos pecados cometidos em função desses vieses, podemos fazer algumas considerações críticas sobre a qualidade dos seus trabalhos, assim como o fizeram os críticos literários à época, considerando-se a ausência de criatividade e eventuais "panfletagens".  Como contista, porém, Lima foi o  melhor entre todos contistas brasileiros. "A Nova Califórnia" é um dos melhores contos já escritos por um brasileiro. Concordam? 

Editorial: Espriella pode surpreender na Colômbia


As pesquisas indicam que o candidato Aberlado de la Espriella pode ir para o segundo turno nas eleições que se realizam na Colômbia neste domingo, 31, em primeiro turno. Espriella é um candidato de ultradireita, advogado e empresário que vem se destacando nas eleições daquele país. É jovem, lidera um partido recém-criado e vem com uma proposta de enfrentamento radical do crime organizado no país, o que deve estar sendo decisivo em relação à sua ascendência naquelas eleições. Pelo andar da carruagem política, o medo passou a ser o grande eleitor não apenas do Brasil, mas do continente. O crime organizado está pintando miséria em todo continente, ampliando sensivelmente o flerte de alguns candidatos com o modelo adotado em El Salvador por Nayib Bukele. Até no Brasil nós temos os nossos simpatizantes e até aspirantes declarados. 

E olha que, em princípio, Bukele não se elegeu com a plataforma política do CECOT. A adoção de medidas radicais contra as gangues só ocorreriam um pouco depois, quando ele já exercia o mandato, quando da decretação do regime especial de exceção. Ele tomou algumas medidas contra as gangues que atuavam no país e, no dia seguinte, El Salvador amanheceu contando os seus mortos nas ruas. Há uma série de questionamentos acerca do respeito aos direitos humanos quando se avalia as condições de confinamento ou de prisão adotadas no CECOT. Julgamentos coletivos, prisão perpétua, eventuais prisões arbitrárias - correndo-se o risco de prender inocentes - além das rígidas condições de cumprimentos das penas, como a ausência de proteínas nas refeições e colchões para as horas de sono. 

Mesmo com todas essas críticas ou ponderações, quando se observa a queda vertiginosa dos índices de violência no país - El Salvador tornou-se o país menos violento do continente - sugere-se que a população local apoie as medidas, se considerarmos os escores de avaliações positivas do presidente Nayib Bukele. Ele está fazendo escola por todo o continente, onde o modelo do CECOT já vem sendo implementado. Circunstâncias impostas por este momento difícil que enfrentamos, onde o crime organizado está assumindo o papel que deveria ser exercido pelo Estado. 

__________________ 



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557




Editorial: Rodrigo Pacheco dá nó-cego no PT em Minas Gerais.



O PT precisa desatar um nó-cego em Minas Gerais, estado estratégico para a assegurar a reeleição de Lula em 2026. A cadeira do Palácio do Planalto passa, necessariamente, pela performance do candidato em Minas Gerais. O histórico eleitoral do próprio Lula indica isso. Quando esteve bem no estado, foi eleito. Quando encontrou dificuldades em Minas, perdeu a eleição. Minas guarda um pedacinho de todo o país. Tem opulência e riquezas, os sabores da Serra da Canastra, a beleza das cidades históricas, mas tem também a pobreza do Vale do Jequitinhonha, um emblema de nossas históricas desigualdades sociais. Tem cachoeiras e parques estonteantes, mas também entra no polígono da seca no planejamento da SUDENE. O estado reflete um pedacinho de todo o país, daí sua importância numa eleição presidencial.  

Lula se empenhou pessoalmente para transformar o senador Rodrigo Pacheco como candidato apoiado pelo PT ao governo de Minas Gerais. Esta equação, desde o início, tornou-se uma equação de solução difícil, a começar pelos próprios planos do senador, que se confirmam agora com sua desistência de disputar uma nova eleição. Pacheco teria duas opções menos traumáticas, como uma vaga e aposentadoria vitalícia ocupando uma das vagas no Supremo Tribunal Federal ou no Tribunal de Contas da União. As melhores opções para ele. Amigos como Davi Alcolumbre tentaram interceder em favor de sua indicação para o STF, mas Lula tinha outros planos para a vaga. Lula jogou mal aqui. Perdeu com a indicação com Jorge Messias e meteu-se numa enrascada eleitoral dos diabos em Minas Gerais, estado onde a direita anda muito bem das pernas, seja a direita mais independente, seja a direita bolsonarista. 

Hoje, 31, a coluna Diário do Poder traz a informação dando conta que as articulações sobre a indicação de Rodrigo Pacheco para o TCU continuam ativas. Outra confusão dos diabos é o PT de Minas Gerais que, não raro, costuma arrumar mais problemas do que soluções para o Palácio do Planalto. Vamos aguardar o andar da carruagem política, temos alguns meses ainda até 04 de outubro, mas al sugere que o PT não encontrará uma solução para o impasse criado com a desistência de Rodrigo Pacheco em disputar a cadeira do Palácio Tiradentes, assim como se sugere que ele não terá dificuldades em sua indicação para o TCU. Seia o melhor para ele.  

_______________


A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557

sábado, 30 de maio de 2026

Editorial: Quem cuida dos "nossos bandidos"?



A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos em classificar organizações criminosas como PCC e CV como organizações narcoterroristas condicionou os formadores de opinião a assumirem um posicionamento correto em relação  a um  assunto tão complexo, sob pena de perderem o bonde desse debate. Em período eleitoral, quando tenta uma reeleição, a Oposição pode atirar no colo do Governo Lula uma bomba de efeitos dantescos, que, se bem trabalhada, pode custar até a sua reeleição. Há uma profusão de fatos que podem provocar um climão de grande comoção pública, a exemplo daquele enterro na Bahia, que foi interrompido a tiros pelos marginais. Segundo um levantamentos do Datafolha, 41% da população brasileira já é refém de, alguma forma, das práticas delituosas desses facções do crime organizado em seus bairros. 

O medo da violência está superando o medo até do bolso, que, segundo o economista Roberto Campos, era, até então, a nossa parte mais sensível. Um expressão de Lula sobre o episódio, logo após a classificação dessas organizações como organizações terroristas pelo Governo dos Estados, já atiçou as redes sociais. O presidente Lula, em sua fala, utilizou a expressão: "nossos criminosos", numa referência ao fato de que competia ao Governo brasileiro cuidar deste assunto. Organizações como o PCC e o CV mantém uma espécie de centrais de gestões dos seus negócios, que hoje estão espalhadas pelo mundo todo, envolvendo inúmeras atividades. São transnacionais. Não fosse as ações de governos como o da Bolívia, aquele país estava se transformando num reduto seguro para o esconderijo dos chefões do tráfico. 

São necessárias ações integradas dentro e fora do país. Cidades como Cabedelo, aqui na Paraíba, eram controladas diretamente do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Policias da Bahia, de Pernambuco, da Paraíba precisam cumprir mandados em favelas tradicionais do Rio de Janeiro, onde os chefões que controlam o tráfico nesses estados estão escondidos.  São locais relativamente "seguros", onde a polícia encontra enormes dificuldades de chegar. E, quando estão próximos, os procurados são avisados antes por sua rede de informantes. Já enaltecemos por aqui as ações exitosas de alguns entes federados no enfrentamento dessa questão, mas, numa análise mais objetiva, sem ainda entrarmos no mérito dos eventuais equívocos, o Governo brasileiro parece ter perdido esta guerra contra o crime organizado.

Por falar nessas ações dos entes federados, as Polícias Civil e Militar de Pernambuco, juntamente com forças federais, realizam uma mega operação na Ilha do Bananal, no bairro de Iputinga, no Recife, local utilizado pelas facções como uma espécie de centro logístico de distribuição de armas e entorpecentes para várias regiões das cidades Olinda e Recife. Como reação, os controladores do território decretaram um toque de recolher na comunidade, ordenando o fechamento do comércio no bairro e incendiaram ônibus do transporte coletivo que circulam no local. A comunidade do bairro vive um momento de pânico, numa evidente constatação que tal situação é "insustentável". Vários estados brasileiros estão na iminência de um colapso na área de segurança pública.


________________

 

A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Editorial: Governo dos Estados Unidos classifica PCC e CV como organizações terroristas


Por essa nem o Flávio Bolsonaro esperava que ocorresse em tão pouco tempo, trazendo enormes preocupação ao Governo Lula, já próximo às eleições de outubro. A atitude do Departamento de Estado do Governo dos Estados Unidos em classificar organizações como o PCC e o CV como organizações narcoterroristas já era esperada, mas ninguém imaginaria que ocorresse em tão pouco tempo. A diplomacia brasileira tem feito gestões em sentido contrário, Lula pessoalmente se empenhou em dialogar com Donald Trump no sentido de demovê-lo dessa posição, mas se sabia que todo o empenho do Governo brasileiro seria inútil. Trump, inclusive, deu a Lula a chance de antecipar-se aos fatos. Flávio Bolsonaro recebe todos os créditos, algo que ele pretende utilizar durante a campanha. 

A portaria assinada por Marco Rubio saiu logo após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. A grande preocupação hoje é se saber o que vem por aí, uma vez que o reconhecimento dessas organizações como organizações terroristas vêm acompanhada de inúmeras implicações, como sanções no campo financeiro, atingindo o nosso sistema bancário e empresas brasileiras, com reflexos diretos sobre a economia, que já não anda bem das pernas. Isso para começo de conversa. Uma outra preocupação do Governo Lula é como se portar diante desses fatos, assumindo uma posição que não seja lida como em defesa dessas organizações, o que pode corroer suas pretensões eleitorais. 

A males que vêm para o pior, como diria o jornalista Josias de Souza, subvertendo uma máxima popular. É este o caso do reconhecimento dessas organizações criminosas como terroristas. Os Estados Unidos já definiram sua geopolítica para o continente e não medirão esforços em materializá-la. A experiência histórica mostra que eles não voltarão atrás. O Governo Lula, por outro lado, encontra-se num dilema de posicionamento complicado, uma vez que a Oposição já trabalha há algum tempo com a narrativa de que o Governo defende essas facções.  


____________________A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.

E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557



Editorial: Ciro nos festejos do Pau da Bandeira de Barbalha



Em meio a este turbilhão político provocado em torno da determinação do Governo dos Estados em declarar como organizações terroristas o PCC e o CV - que voltaremos a discutir mais tarde - vamos até Barbalha, no Cariri cearense, onde se realiza o tradicional festejo do "Pau da Bandeira de Santo Antônio", uma festa de inspiração portuguesa que se realiza naquela cidade, todos os anos, atraindo milhares de pessoas, entre habitantes locais e turistas. A festa tem um ritual profano, religioso e folclórico. Há uma missa em homenagem ao padroeiro Santo Antônio, o santo casamenteiro, há um carregamento de um grande mastro de madeira - que, logo em seguida, é exposto em praça pública - além da crença de que as mulheres que passarem no pau acabam encontrando um casamento. 

Há quase um século o ritual é realizado. Barbalha é o reduto político do ex-governador e ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, que, possivelmente deve comparecer ao avento. O mais curioso é que Ciro Gomes já agendou presença aos festejos em homenagem ao santo. Camilo se envolve diretamente em favor do projeto de reeleição de Elmano de Freitas ao Governo do Ceará, que deverá ter uma eleição das mais disputadas ao Palácio da Abolição. Ciro ainda acha que Camilo poderá substituir Elmano na disputa, principalmente se Elmano não reagir nas pesquisas de intenção de voto. Ele licenciou-se do Ministério da Educação em tempo hábil, aumentando as especulações em torno do assunto. 

No Ceará, Ciro lidera todas as pesquisas de intenção de voto até este momento, mas quando o nome de Camilo Santana é testado o jogo fica equilibrado, quase que numa disputa voto a voto. Camilo Santana fez dois governos muito bem avaliados pela população do estado. Aqui em Pernambuco, onde as pesquisas de intenção de voto divulgadas ontem produziram uma espécie de tsunami político, a governadora Raquel Lyra ultrapassou João Campos na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. A pesquisa do Datafolha aponta que ela ostenta 67% de aprovação e isso iria acabar se refletindo, em algum momento, nas intenções de voto. Simples assim.


_______________




A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557


quinta-feira, 28 de maio de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Raquel ultrapassa João no Datafolha

 


A chapa completa da governadora Raquel Lyra ao Governo do Estado ainda não foi anunciada, provocando algumas inquietações no seu grupo político e até esboço de defecções ou candidaturas avulsas ao Senado Federal, conforme se presume pelas movimentações de Eduardo da Fonte(PP-PE) e Miguel Coelho(UB-PE), ambos integrantes da poderosa federação União Progressista. Nas coxias se diz que a governadora Raquel Lyra já teria batido o martelo em torno dos nomes de Túlio Gadelha(PSD) e Fernando Dueire(PSD). Suas movimentações pelo estado ao lado principalmente de Fernando Dueire sugere que os prognósticos podem se confirmar. 

Hoje, 28, no entanto vamos ter uma pausa para tentar interpretar o que pode estar se passando na dinâmica competitiva do estado em relação às eleições de 2026, sobretudo depois dos números divulgados pela pesquisa do Instituto Datafolha, que já aponta a liderança da governadora na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Na realidade, Raquel Lyra está tentando a reeleição.  Os dados poderiam surpreender até os mais otimistas analistas políticos, aqueles que advogavam, desde sempre, uma eventual reação da governadora, embora isso tenha ocorrido num intervalo de tempo relativamente curto. Ela, que vinha amargando índices inferiores ao seu principal concorrente, o ex-prefeito do Recife, João Campos, aparece nesta pesquisa liderando a competição tanto no primeiro quanto no segundo turno. 

A candidatura de João tem algumas inconsistência, mas não vamos aqui descer às minúcias, para não atiçar os grupos de whatsapp do candidato, sempre que se sentem criticados pela imprensa. Quanto à governadora Raquel Lyra ela tem bons índices de aprovação, pouca rejeição e vem trabalhando muito, entregando obras por todo o estado. Além, claro, de uma boa assessoria de comunicação institucional, algo em que seu opositor investiu mais do que em obras para a cidade, um ponto nevrálgico onde ele tem sido duramente atingido. Se Lula, com menos de 40% de aprovação do seu Governo, movido pela polarização política renitente, consegue liderar as pesquisas de intenção de voto. Raquel aparece com 67% de aprovação, escore suficiente para preparar o contrato de renovação do aluguel do Palácio do Campo das Princesas. 

Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões definitivas sobre a dinâmica competitiva do pleito no estado. Temos muito chão pela frente, seja no Agreste, no Sertão, na Zona da Mata, ou Região Metropolitana. Os dados do Datafolha, no entanto, chega num bom momento ao Palácio do Campo das Princesas, assim como dever ser motivo de reuniões entre os socialistas locais. O que precisa mudar? Onde João está errando? Uma outra pesquisa, desta vez realizada pelo Instituto Múltipla, confirma o Datafolha e também aponta a liderança da gestora.  A pesquisa do Datafolha foi encomendada pela TV Tribuna, ouviu em entrevistas 1.022 pessoas, entre os dias 25 a 27, o índice de confiança é de 95% e está registrada no TSE -PE -07888\2026 e BR-04242\2026. 

Primeiro turno: 

Raquel Lyra(PSD)        48%

João Campos(PSB)       43%

Ivan Moraes(PSOL)      2%

Segundo turno: 

Raquel Lyra(PSD)         51%

João Campos(PSB)       44% 

_____________________



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.

E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557



Editorial: "O mordomo da Casa Branca"



Como estamos numa fase de pré-campanha eleitoral, não seria de se estranhar que os especialistas - e não necessariamente apenas eles - começassem a fazer análises acerca das narrativas dos pré-candidatos e até mesmo sobre suas posturas corporais em público. Embora tenha cometido alguns equívocos em termos de narrativas, a campanha de Flávio Bolsonaro parece ter sobrevivido aos últimos solavancos. Tal hipótese já era prevista, sobretudo neste climão de polarização política, onde os fiéis eleitores preferem desconhecer os pecados dos seus candidatos, assim como suas irresponsabilidades com o  zelo em relação às contas públicas. Já se sabe aonde isso irá nos conduzir, mas infelizmente é isso. As alternativas viáveis dentro dessa camisa de força não são, necessariamente, as melhores para o país. 

Hoje, 28, já se fala numa eventual fusão de chapas, ou seja, uma entabulação de conversas que estariam existindo entre os candidatos Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais. O embate aqui é saber quem irá liderar a chapa, se Caiado ou Zema. Também hoje o jornal O Estado de São Paulo dedica seu editorial a uma análise da visita do pré-candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca, criticando o fato de ele se parecer como alguém absolutamente subserviente ao presidente americano, algo que sinaliza sobre como seria um eventual governo do bolsonarista. Acreditamos que ninguém tem dúvidas sobre tal comportamento de Flávio Bolsonaro caso ele chegue à cadeira do Palácio do Planalto. Isso já está claro há um bom tempo, inclusive a partir da gestão do seu pai, Jair Bolsonaro, favorável a abertura de exploração das reservas do subsolo da Amazônia, gestão da Base de Lançamento de Alcântara, etc. 

Salvo melhor juízo, ele já deixou claro a anuência de classificar as facções que atuam no país como narcotraficantes. O que fica claro na doutrina Trump é que ele deseja governos afinados com as políticas emanadas da Casa Branca para todo o continente, em parte traduzida no Escudo das Américas. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, por exemplo, criou uma espécie de força tarefa para localizar, até debaixo d'água, traficantes que haviam escolhido o país como um esconderijo inalcansável. Um casal de traficantes brasileiros foi preso recentemente no país, morando numa mansão avaliada em R$ 6 milhões de reais. Já existem presos condenados nos Estados Unidos "hospedados" na masmorra do CECOT, criada por Nayib Bukele. Por falar em postura, alguém já observou o esforço que Donald Trump faz para "parecer" sorrindo?

____________________

A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557 

Editorial: O fim da escala 6X1



Comissão da Câmara dos Deputados aprovou o fim da escala 6X1, algo que vem repercutindo bastante no noticiário político no dia de hoje, 28. Nesta queda de braço entre capital e trabalho, assim como entre Governo e Oposição, as opiniões se dividem. O Governo Lula 3 está festejando bastante a medida, uma vez que ela ocorre num momento importante, há alguns meses da eleição, onde Lula disputa um quarto mandato. Os meios de comunicação estão inundados com propaganda institucional do Governo defendendo o fim dessa escala 6X1. Por sinal, são campanhas institucionais muito bem elaboradas, creditando ao Governo a defesa dos trabalhadores e apelando para o emocional. Não vamos aqui entrar nessa bola dividida, mas vamos relatar para vocês um pouco dessa queda de braço entre capital e trabalho ao longo do tempo, tomando como referência alguns episódios dessas árduas conquistas históricas e como elas foram tratadas ao longo da História. 

São episódios pontuais, mas dão a dimensão de como os trabalhadores foram ultrajados pelo interesse do capital ao longo do tempo, inclusive no país e, em particular, tomando como parâmetro o caso que vamos relatar: Em 1900 um oligarca sueco comprou glebas de terra na região metropolitana do Recife, assim como uma antiga fábrica de sacarias para armazenagem de açúcar, em processo falimentar. Começaram explorando alguns negócios, a exemplo de uma usina de açúcar, mas resolveram se concentrar na indústria têxtil, transformando aquela fábrica falida num colosso parque têxtil, que chegou a ser o maior da América Latina.  Ao longo do tempo, além de expandirem a produção com a abertura de duas novas indústrias, expandiram os negócios para o varejo de tecidos. 

O grupo mantinha uma relação complicada com os operários e operárias, a ponto de, em determinado momento, foram tratados pelo oligarca, em seu diário, como unidades produtivas. Algumas décadas depois foram iniciados os primeiros conflitos entre capital e trabalho. Havia jornadas de 12 horas de trabalho, com o emprego de mão-de-obra feminina. As mulheres, aliás, enfrentariam os primeiros conflitos de posicionamento contra tal exploração. Foram elas, igualmente, - por alguma razão não bem aprofundada até hoje - que estiveram sempre na liderança desses movimentos de enfrentamento contra aquelas condições de trabalho. Mas, vamos por parte. O primeiro desse movimento ocorreu em razão de um pleito dessas mulheres por uma hora semanal para realizarem suas feiras, também organizado pelos donos da companhia de tecidos, que mantinham roçados produtivos naquela cidade-fábrica. 

A concessão do descanso semanal remunerado provocou um grande alvoroço na indústria, que não desejava permitir esse direito aos operários e operários. Se submeteram à legislação que entrava em vigor, mas passaram a adotar uma contrapartida rigorosa, como a não concessão do direito a quem se atrasasse, por menor que fosse este atraso, assim como reduziu o tempo de banho dos caldeireiros de 15 para 1o minutos, sob os olhos atentos de sua milícia, que também atuava no interior das fabricas. Os caldeireiros precisavam desse tempo para um banho, uma vez que trabalhavam sob altas temperaturas. O tempo era concedido entre os turnos de trabalho. Ocorreram vários relatos de apontamentos equivocados em relação às horas trabalhadas, através de um mecanismo contábil dúbio, que poderiam ter prejudicado os operários e operárias. 

Quando, a partir do Governo de Getúlio Vargas, começaram o surgimentos dos primeiros sindicados pelo país, com incentivo do aparelho de Estado, comenta-se que um dos herdeiros do grupo convidou os operários e operárias para uma reunião onde teria afirmado que os que fossem a favor ficassem de um lado e os que fossem contra ficassem do outro. Quem ficou a favor da criação do sindicato foi sumariamente demitidos. Ele afirmava que o sindicato era ele mesmo. Quando o salário mínimo foi regulamentado, tivemos episódios dantescos, semelhantes aos aqui relatados, mas deixemos essa discussão para um outro momento para não nos alongarmos demais. Na foto acima, Friedrich Engels, responsável pela conversão de Marx ao comunismo, ao relatar para o amigo as agruras que passavam os trabalhadores e trabalhadoras ingleses, numa indústria têxtil, durante a Revolução Industrial. 

_________________

A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Charge! Borega via Tribuna Feirense

 


Editorial: Renan Santos já está na Bahia


O pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, já se encontra na Bahia denunciando em seus vídeos os horrores que o crime organizado anda cometendo naquele estado. Agora mesmo acompanhei um desses vídeos, realizadas na Praia da Gamboa, um território controlado por uma facção do crime organizado, o Comando Vermelho. Um turista, infelizmente desaviado, esteve frequentando esta praia com uma camisa da Adidas, com aquele símbolo característico, marcado em três, sendo o suficiente para o pessoal que comanda o território entender nisto uma apologia ao PCC, o que determinou a sua morte. Renan já mostrou outros fatos, como o episódio de uma interrupção de enterro, onde o caixão do defunto foi metralhado, assim como a morte de três técnicos de internet. 

Existem três estados no Nordeste que estão na iminência de entrar num colapso em relação à segurança pública: Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. A Paraíba está bem próxima deste estágio. Medidas estruturais precisam ser tomadas e rapidamente. O PT governa esses três estados e a Bahia não foi escolhida por acaso pelo candidato do Missão, que disputa espaço entre os dois principais concorrentes ao Palácio Planalto, não poupando nenhum deles. O Flávio Bolsonaro já teria dito que não irá a debates com a presença de Renan Santos. Renan, em algumas sondagens de intenção de voto, já aparece ocupando a terceira posição, à frente de gente de peso, a exemplo de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mas a calcificação da político brasileira talvez não permita que ele avance acima desses níveis. 

Em todo caso, ele está vendendo bem o seu peixe, aparece muito bem nas redes sociais e deve incomodar os principais postulantes até às eleições de outubro, principalmente se continuar trabalhando com o "medo", que deve ser mesmo o grande eleitor das próximas eleições. Renan tem sido radical em suas propostas de enfrentamento ao crime organizado, em certa medida tendo como referência o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que encarcerou no CECOT todas as gangues de criminosos que operavam ali, tornando o país o mais seguro do continente. Esta praia da Camboa fica no Morro de São Paulo e se trata de uma praia belíssima, mas, infelizmente, encontra-se nesta situação em razão de se constituírem em fonte de comércio varejista de entorpecentes. 

P.S.: Contexto Político: Esta informação sobre o assassinato de um turista pelas razões alegadas no vídeo do candidato ainda carece de confirmações oficiais. No entanto, nada se tornou absurdo nessas práticas entre esses grupos rivais. Outro dia fomos informados que, na mesma Bahia, trabalhadores da construção civil foram assassinados simplesmente porque, em estando em serviço, se recusaram a baixar a cabeça para integrantes de uma facção que transitava no local e que, provavelmente, controlavam aquele território. Este ato de "referência" passou a ser exigido pelos chefes do tráfico do local. 

Editorial: Nova fase da Operação Sem Desconto em Pernambuco


Amanhecemos esta manhã chuvosa do dia 27 com a realização de uma nova fase da Operação Sem Desconto em Pernambuco, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal, onde, por determinação do Supremo Tribunal Federal, mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, além de outras medidas, como cautelares de monitoramento, que acreditamos que seja um termo técnico para o uso de tornozeleira eletrônica. Até recentemente, numa entrevista, uma alta autoridade do INSS afirmou que o escândalo seria algo do passado, uma página virada. Contestamos por aqui, afirmando que o escândalo bilionário do roubo de aposentados e pensionistas, ao contrário, seria algo do futuro, ou seja, uma oportunidade para criar mecanismos que blindassem a autarquia das novas investidas dos gatunos do erário. 

Este enredo é nebuloso e, à medida em que as investigações avançam, pelo menos no caso do Banco Master, existe a possibilidade de uma eventual integração de facção do crime organizado ao esquema. Não é improvável, se consideramos as cifras estratosféricas que estão sempre envolvidas nas maracutaias atribuídas aos papéis podres do banco, como este último, onde os fundos da RioPrevi foram aplicados, depois de manobras ardilosas para afastar diretores que não concordavam com as operações, assim como ignorar pareceres técnicos que também não as recomendavam. Ontem, 26, comentamos sobre algo em torno de um bilhão de reais. Hoje já se sabe que o montante é bem superior, atingindo 3,7 bilhões de reais. Importante neste caso é a preocupação da PF em identificar e aplicar as penalidade legais previstas a esses "facilitadores". 

A Operação Compliance Zero já evidenciou uma provável articulação entre as operações do Banco Master e fação do crime organizado. No caso do INSS, o que estamos discutindo aqui são os chamados empréstimos consignados do banco, que esteve na iminência de ser investigado pela extinta CPMI do INSS. Não temos dados mais concretos sobre este assunto - daí a possibilidade de cometermos alguma injustiça - mas consideramos a possibilidade de Pernambuco ter sido um dos estados mais atingidos pelos fraudes do INSS, aqui avaliando não apenas o número de pessoas lesadas, mas, e principalmente, os fraudadores.  

terça-feira, 26 de maio de 2026

Editorial: Bolívia, país esconderijo


A incansável Polícia Federal fez mais uma busca e apreensão em residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, desta vez em razão de aplicação de quase um bilhão de reais dos fundos previdenciários de servidores estaduais no Banco Master. Os investigadores estão entrando numa seara das mais interessantes, uma vez que estão buscando a responsabilização de agentes públicos, talvez até mesmo do quadro efetivo, que estão autorizando esses investimentos. Isso ocorreu em todo o Brasil. São inúmeras prefeituras municipais que aplicaram recursos dos servidores em fundos do banco, talvez mesmo sabendo que se tratava de algo temerário, inseguro. Por que fizeram isso? É uma boa pergunta. Auferiram alguma vantagem? A conta, no final, quebrou para os servidores públicos estaduais ou municipais, que agora aguardam o ressarcimento do erário através do FGC. Este é um assunto que iremos aprofundar mais tarde. 

Hoje, 26, foi preso na Bolívia o senhor Gerson Palermo, que estava foragido há mais de seis anos, acusado de supostas ligações com o PCC. Palermo cumpria pena no Brasil e fugiu em condições pouco esclarecidas até hoje. Mas isso não é o mais importante. O importante mesmo é a condição de um país como a Bolívia, que hoje se transformou numa espécie de porto seguro para faccionados brasileiros encrencados com a justiça. Uma espécie de país esconderijo. São recorrentes os casos de procurados pela justiça brasileira e de outros países que estão sendo capturados na Bolívia. Em tese isso já seria reflexo da integração do presidente daquele país, Rodrigo Paz, à operação Escudo das Américas, voltada para o enfrentamento do crime organizado no continente. Depois da reunião com Trump, a chapa esquentou para os traficantes escondidos no país. 

Soubemos há pouco que o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, já se encontra a caminho da Casa Branca para uma conversa com o presidente americano, Donald Trump. Há muita gente interessada nesta agenda, sobretudo se considerarmos a questão da geopolítica definida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, que também pode ser classificada como doutrina Trump. Enquanto o Governo Lula tem reticências a tal doutrina, a afinidade de uma candidatura como a de Flávio Bolsonaro são evidentes. 



Editorial: A gestão da crise do "Dark Horse"


Não há dúvidas de que o pré-candidato Flávio Bolsonaro geriu mal a crise do "Dark Horse", quando ele foi enredado em diálogos e uma visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, quando este já estava usando tornozeleira eletrônica. Também não se pode culpar sua assessoria de marketing político em razão de suas atitudes, se entendermos que, possivelmente, não foram eles não o aconselharam a mentir. Em todo caso, bastante pressionado - até pelas pesquisas, que mostram um relativo declínio de suas intenções de voto - ele resolveu mudar sua equipe de marqueteiros e está em visita aos Estados Unidos, onde deve manter um encontro com o presidente Donald Trump. Este encontro será marcado por simbolismos políticos que os petistas não estão nenhum pouco satisfeitos. 

Teme-se até um eventual apoio explícito de Donald Trump ao candidato, o que não seria de todo improvável diante da conjuntura continental do Escudo das Américas, onde o Governo dos Estados Unidos tenta ajustar os mandatários dos países do continente aos seus objetivos geopolíticos. Até recentemente, Lula esteve com o presidente Donald Trump, mas, a despeito das boas conversas, sabe-se que o presidente americano não abre em relação a algumas questões. Uma delas e classificar como narcoterroristas organizações do crime organizado que atuam no país. Aqui estão envolvidos interesses geopolíticos gigantescos e não é a posição que Lula apoia sobre o assunto que será determinante. 

Neste tabuleiro, por exemplo, existe a China, que mantém um expressivo comércio com o país e que o Tio Sam não gosta nenhum pouco dessas intimidades, assim como ocorreu na Venezuela. Declarar as nossas facções como organizações terroristas daria uma liberdade de ação dos Estados Unidos inclusive em nosso território, possivelmente trazendo prejuízos para o comércio entre os brasileiros e os chineses. Os Estados Unidos estão adotando essa política do torniquete até o sujeito sangrar, como ocorreu com Nicolás Maduro. Cuba é a bola da vez. Na foto acima, Eduardo Fischer, novo marqueteiro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.  

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Editorial: A CIA em Havana



O diretor da Agencia Americana de Inteligência(CIA) John Ratcliffe está em Havana, a capital de Cuba. Com o indiciamento do ex-presidente Raul Castro, tudo leva a crer que Cuba será a próxima pedra a cair no tabuleiro da geopolítica americana para o continente, assim como ocorreu a com a Venezuela. Possivelmente não estaríamos lendo esta notícia nos tempos áureos da Revolução Cubana. O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos acabou com a ilha caribenha. Soma-se a isso o corte de combustível e a parceria econômica que era mantida com a Venezuela até bem pouco tempo. Cuba está vivendo o seu pior momento. Acreditamos que nem na época da sanguinário ditadura de Fulgêncio Batista as coisas chegaram a este nível. Os Estados Unidos pressionam a ilha política e militarmente. Ajuda apenas se eles cederem. 

Em 2023 escrevemos um longo conto sobre as condições da ilha a partir de um suposto diálogo com um assessor de Tomás Gutierréz Alea, então dirigente do ICAIC( Instituto Cubano del Arte e Indústria Cinematográfica). O ICAIC foi uma das maiores escolas de cinema da América Latina. Durante a narrativa, invocamos as impressões de um visitante estrangeiro à ilha, cruzando becos e viela de Havana, convivendo com pessoas, observando o cotidiano da ilha, relatando seus problemas. Memórias do Subdesenvolvimento foi um dos melhores filmes realizados por Alea. O mais emblemático no filme são as impressões de um cidadão que, logo após o êxito da Revolução Cubana, resolve permanecer no país para observar como seria o governo revolucionário. Alea foi o grande cineasta da Revolução Cubana. 

Há muitos anos atrás, quando ele era o dirigente do ICAIC, a censura a um documentário sobre o cotidiano de Havana produziu um frisson no campo da esquerda. O documentário tratava exatamente dos problemas enfrentados por habitantes da periferia de Havana, dos becos, vielas, gente desocupada, bêbados, prostitutas, drogados. À época, os produtores foram acusados de contrarrevolucionários, uma contradição no contexto do que representava o ICAIC para o cinema não apenas de Cuba, mas da América Latina. O conto foi selecionado para sair numa coletânea. Pelo menos no conto, ainda tivemos a oportunidade de tomar um daikiri cinematográfico no cais de Havana. Antes da chagada dos Yankees, naturalmente.  

Editorial: Um escândalo para não ser esquecido



Há muita coisa ainda a ser investigada acerca do escândalo do INSS, principalmente quando se descobre que "novos" escândalos estão a ele associados, como é o caso do escândalo do Banco Master, que teria arrecado bilhões dos aposentados através dos famigerados empréstimos consignados. A CPMI do INSS caminhava, inclusive, para desvendar vínculos perniciosos desse esquema com o crime organizado. Infelizmente a CPMI foi interrompida antes que o seu trabalho pudesse ter sido concluído a contento. Até o seu relatório deixou de ser aprovado, mesmo com a precisão dos trabalhos realizados pelo seu relator, o deputado federal alagoano, Alfredo Gaspar. Atores importantes envolvidos neste enredo deixaram de ser ouvidos e, portanto, responsabilizados pelos seus atos. 

Outros tantos envolvidos, figuras de proa, aliás,  já demonstraram a intenção de integrar programa de delação premiada. O órgão precisa ser republicanizado, blindado de forma segura para evitar novas investidas dos gatunos. Esteve bastante vulnerável, permitindo que os segurados fossem submetidos a todo tipo de achaques. A avaliação de órgãos de controle, a exemplo do TCU, ao recomendar cautela em relação à novos empréstimos, conforme assegura o editorial do Estadão do dia de hoje, 25, a partir de uma entrevista com Wolney Queiroz, Ministro da Previdência, é uma evidência da possibilidade de possíveis vulnerabilidades. O escândalo do INSS não é uma coisa do passado, mas do futuro. 

É curioso como, neste momento, os maiores escândalos de corrupção do país passaram a ter um modus operandi comum, quase sempre envolvendo altas autoridades com o crime organizado, culminando com recursos escondidos em paraísos fiscais e aquisições de mansões através de laranjas nos Estados Unidos. Em certa medida, alguns órgãos públicos brasileiros se tornaram tão vulneráveis que podem ser comparados a uma tábua de pirulitos, como se diz aqui no Nordeste. Entende-se, em grande medida, uma preocupação premente do órgão em encerrar as gigantescas filas, mas é preciso aprimorar os mecanismos de proteção desses novos segurados. 

domingo, 24 de maio de 2026

Editorial: As supostas mansões de Vorcaro nos Estados Unidos.


Hoje, 24, as redes sociais estão repletas de informações acerca da localização de eventuais mansões atribuídas como sendo de propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Naturalmente que existe aí um mecanismo já conhecido para adquirir esses bens em nomes de terceiros, não se identificando o dono legítimo dos imóveis. Por outro lado, antes de uma comprovação legal, a partir dos órgãos competentes, tudo fica apenas no terreno das suposições. São mansões caríssimas, cinematográficas, de tirar o fôlego, localizado em endereços privilegiadíssimos dos Estados Unidos. A CPMI do INSS foi interrompida no momento em que avançava sobre as investigações acerca dos famigerados empréstimos consignados de pensionistas e aposentado concedidos pelo Banco Master. 

Como não se avançou suficientemente nessas investigações, por razões conhecidas, não dá para afirmar, categoricamente, sobre as cifras movimentadas, mas já se sabia que a quantia envolvida era vultosa. O paradoxo disso tudo é que os pobres velhinhos, sem dinheiro até para adquirir os remédios para assegurar um pouco de paz em suas doenças crônicas, podem ter contribuído para bancar a luxúria de políticos, empresários e banqueiros pelo mundo afora. Conforme informamos no editorial anterior, a delação premiada do banqueiro não vai muito bem. Sem nenhuma outra alternativa, ele vai acabar revelando nuances dessa engrenagem, onde se presume que ele não seja, necessariamente, o cabeça. Vamos aguardar os próximos lances desse jogo nefasto. 

Nas redes sociais também circula um vídeo do pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, como se diz popularmente, metendo o sarrafo numa oligarquia política pernambucana. Renan pretende percorrer a Bahia, produzindo vídeos para  divulgação nas rede sociais, com críticas duras ao Governo do PT no estado. Segundo as avaliações do pré-candidato, a Bahia é um retrato do que pode virá o Brasil se o partido for mantido no governo. Renan toma como referência o episódio onde traficantes de uma facção invadiram um cemitério para metralhar o caixão de um desafeto que estava sendo enterrado. Um simbolismo para deixar claro quem era dono do território, mas que chocou um país católico, onde nem o momento de dor de uma família foi respeitado. Este episódio está sendo muito "explorado" e ainda pode produzir muitos danos políticos. 

sábado, 23 de maio de 2026

Editorial: Por que a delação de Daniel Vorcaro não está dando certo?


Eis aqui uma boa pergunta, em meio a tantas especulações a respeito. Por recomendação da PGR, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou à cela que ocupava na sede da Polícia Federal, em Brasília. A argumentação da PGR é que, numa cela de prisão comum, ele poderia manter contato com pessoas ligadas ao esquema do Master. Na realidade, aos "esquemas", uma vez que o enredo é carregado de ilicitudes, algo que deverá comprometer sensivelmente a vida do ex-banqueiro. Dizem que seu pai, inclusive, enfrenta hoje problemas psicológicos em relação à prisão. A primeira especulação que começou a surgir dava conta de que a transferência do cumprimento de pena significa novas negociações em relação ao processo de delação premiada. 

Para não entender assim, temos dois argumentos fortes: o da PGR, ao recomentar a sua transferência, prontamente aceita pelo Ministro André Mendonça; e a destituição dos seus advogados, grupo liderado por José Luís de Oliveira Lima, talvez o maior especialista brasileiro nesses acordos de delação premiada. Vorcado está contratando outra banca de advogados. Se, de fato, as negociações estão avançando em termos de ajustes desse acordo, por que razão ele se desligou de sua banca de advogados original? A nova banca contratada trabalha com esses processos? Hoje, 23, passou a circular a informação de que ele teria aumentado o montante a ser devolvido ao erário. Antes eram R$ 40 bilhões. Passou para R$ 60 bilhões. 

O que temos de concreto mesmo é que a consolidação do processo de delação premiada está se tornando cada vez mais difícil, uma vez que ele poderia entregar muito mais do que a Polícia Federal já sabe, facilitando o trabalho dos investigadores, uma vez que não tem outra saída. E, por falar em Vorcaro, produtores do filme "Dark Horse" afirmam que não receberam nenhum centavo dos R$ 60 milhões supostamente liberados pelo ex-banqueiro.  Aonde foi parar esses R$ 60 milhões? 

______________




A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.

E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557

Editorial: Aécio Neves candidato à Presidência da República?



É o que sugere a coluna Radar, da revista Veja, assinada pelo jornalista Robson Bonin. Segundo o jornalista, o deputado federal Aécio Neves, hoje dirigente do PSDB, pretende lançar sua pré-candidatura à Presidência da República e já recebeu o sinal verde do Cidadania, que pretende formalizar uma federação com os tucanos. Uma coisa que não se pode dizer sobre ele, neste momento, é que ele está sendo egoísta, uma vez que, até recentemente, fez gestões para que o ex-ministro Ciro Gomes aceitasse a missão de assumir uma nova candidatura ao Planalto. Aécio Neves vê uma possibilidade que, de fato, existe. A superação da calcificação da política brasileira, hoje traduzida nesta polarização entre petistas e bolsonaristas. Duas propostas superadas. A questão é levar o eleitorado a fazer esta reflexão. 

Aécio, neste momento, age muito mais como homem de partido, motivado em reaver os bons tempos dos tucanos na política brasileira. Ele faz previsões otimistas sobre a bancada de parlamentares que o partido pode compor, assim como conta com o bom desempenho de nomes que disputam o executivo estadual na região Nordeste, a exemplo de Ciro Gomes, no Ceará, e JHC, em Alagoas. É curioso que um partido que tinha o seu ninho mais emplumado em estados da região Sudeste tente essa retomada à ribalta pelo Nordeste, um reduto histórico do PT. Em São Paulo sugere-se que tenha entrado cuco no ninho, uma vez que o partido nunca mais conseguiu acertar o passo. 

Uma vez consolidada a pré-candidatura, Aécio Neves seria mais um a tentar furar a bolha da calcificação. Salvo melhor juízo, ele aparece bem nas pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal, em Minas Gerais. Em Alagoas, o jogo político tornou-se tão intrincado que despertou no nosso interesse em acompanhar. Dizem que JHC respirou aliviado quando soube que Ciro Gomes não seria mais pré-candidato à Presidência da República, uma vez que ele não deseja assumir compromisso cm nenhum palanque para a Presidência da República. Confirmada a candidatura de Aécio Neves mantém-se tal postura? 

________________



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.

E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557


Editorial: Datafolha confirma "erosão" da candidatura de Flávio Bolsonaro


Em certa medida, ao confirmar os números apresentados por uma pesquisa anterior do Instituto Atlas\Intel, a pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no dia de ontem, 22, sobre a corrida presidencial de 2026, evidencia os danos produzidos sobre a campanha do senador Flávio Bolsonaro depois da divulgação dos áudios do site Intercept. Na pesquisa divulgada ontem, num eventual segundo turno, Lula abre 4% pontos percentuais de diferença sobre o oponente, num certame que aparecia, até então, equilibradíssimo, por vezes o Flávio aparecendo à frente de Lula numericamente. Há várias leituras que se possa fazer dos números divulgados pelo Datafolha. Nenhum candidato na disputa consegue amealhar vantagem deste momento de dificuldade encontrado por Flávio Bolsonaro, ou seja, os votos que ele está perdendo não estão migrando para nenhum candidato, como reflexo da dinâmica da disputa. 

Flávio ainda está no páreo, a despeito das dificuldades. Isso talvez explique o fato de ele ter trocado seu marqueteiro de campanha recentemente, possivelmente em razão da gestão de crise. Como reage o eleitorado a determinadas narrativas é algo que ainda merece muitas avaliações. Mesmo em se tratando de questões éticas, o eleitorado pode simplesmente relevá-las em razão de sua identificação com o candidato. Pesquisas do mesmo Datafolha mostram contingentes de eleitores que sequer tomaram conhecimento sobre a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, assim como sobre o "Dark Horse". O jornal O Estado de São Paulo, órgão bastante influente no mercado, publicou um editorial "definitivo" sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Alguém leu? 

Não vamos aqui entrar nas nuances para não melindrar os bolsonaristas, mas, estamos tratando de uma candidatura que já nasce sob o signo de problemas. Setores importantes do PF, inclusive, desejavam que o candidato fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O capitão é que não abriu mão de ter um herdeiro legítimo disputando seus votos na eleição. Vamos aguardar os próximos lances da disputa, quando se sabe que o novo marqueteiro deve utilizar uma nova estratégia para o enfrentamento da crise, mesmo se sabendo que os equívocos cometidos não podem ser creditados na conta do marqueteiro anterior. 



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.

E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557










sexta-feira, 22 de maio de 2026

Editorial: A interiorização do crime organizado


Comentar sobre a "interiorização" do crime organizado, quando que sabe que organizações como o PCC já atuam em diversos países do mundo, constituindo-se numa espécie de multinacional, pode parecer até algo desatualizado. A verdade é que eles estão em todas. Do tráfico de drogas para a Itália até aos garimpos ilegais dos rincões da Amazônia, alguns em terras indígenas, com prejuízos ambientais e humanos colossais. Atuam no parlamento, no judiciário, no executivo em todos os níveis, até de forma "legal" vencendo licitações públicas, utilizando-se de CNPJ. É assim de São Paulo até Cabedelo. O termo "interiorização" aqui é apenas para fazer alusão às recentes operações policiais realizadas entre os estados que hoje apresentam os índices mais críticos da presença do crime organizado, entre eles a Paraíba. 

São cada vez mais recorrentes as incursões de operações do crime organizado em cidadezinhas antes pacatas, do interior, com registro, inclusive, de mortes violentas e brigas entre facções. O fenômeno se constitui apenas numa capacidade do crime organizado adaptar-se a inúmeras realidades, bem como se contrapor às investidas das operações policiais nos grandes centros urbanos ou metropolitanos. Quem imaginaria, há alguns anos atrás, a presença ostensiva de facções do crime organizado com atuações efetivas em regiões como Tejucupapo, São Lourenço, Pontas de Pedra, na região de Goiana, Litoral Norte do Estado? 

Regiões históricas, com a presença forte, como é o caso de São Lourenço, de comunidades quilombolas. Escrevemos até um romance sobre a Comunidade Quilombola de São Lourenço, que costumávamos visitar, com regularidade, com os nossos alunos e alunas. Bons tempos aqueles, cuja única preocupação era com a caldeirada da Irene ou  com a comida de santo, gentilmente servida pelas religiões de matriz africana da localidade. Três fatores explicam essa presença do crime organizado em cidades interioranos. Se pudéssemos resumi-los: ausência do Poder de Estado. Estruturas policiais frágeis; menor capacidade de investigação; presença reduzida do aparelho de Estado. 

Na ilustração acima, a Comunidade Quilombola de São Lourenço, com destaque para a igrejinha onde começamos a nossa preleção com a turma. Exatamente com o propósito de descontruir essa questão do preconceito religioso, não paramos por aí. Depois vamos visitar um assento de Jurema Sagrada, almoçamos num terreiro de umbanda e, já no finalzinho da tarde, ainda acompanhamos um culto evangélico.



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.

E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557