pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sábado, 29 de agosto de 2026

Editorial: Entrevistas da Globo: entre mentiras e cinismo



Ali pelas 20h30, início do Jornal Nacional, já estamos a postos para acompanhar as entrevistas dos candidatos que concorrem às eleições presidenciais deste ano. As entrevistas são realizadas logo após o jornal. Conforme comentamos por aqui, no dia de ontem, 28, as entrevistas da Globo, por sua importância, já assumiram um status próprio, com uma bancada exclusiva de entrevistadores: César Tralli e Renata Vasconcelos. Nessas ocasiões, seria bastante interessante conhecermos as propostas dos candidatos caso chegassem a tomar assento na cadeira do Palácio do Planalto. Infelizmente, não é bem isso o que está ocorrendo. No caso de Lula, seria mais para continuar esquentado essa cadeira por mais quatro anos. 

Pesquisa cujos dados estão sendo divulgados nas redes sociais - ainda precisamos checá-la - aponta que, entre os entrevistados até o momento, Renan Santos, do Missão, foi o candidato que menos mentiu. Na realidade, estamos diante de um grave problema quando chegamos a este patamar. A primeira constatação é a de que teremos uma eleição presidencial fragilizada, onde os principais postulantes ao cargo de presidente precisam mentir sobre assuntos sérios, negar fatos para, logo depois, serem desmentidos. É aquela eleição do "eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado". Isso aponta para um futuro repletos de incertezas ou certezas desagradáveis. 

Hoje, sábado, é a vez da entrevista com o candidato Augusto Cury, do Avante, onde talvez possamos nos concentrar em suas propostas. Numa das pesquisas mais recentes Augusto Cury aparece pontuando com 4% das intenções de voto, enquanto o candidato Ronaldo Caiado(PSD-GO) aparece com 5%. Ainda é cedo para concluir se estamos diante de uma reação da terceira via. É realmente uma pena que temas nevrálgicos como a corrupção ou suspeita de corrupção não sejam suficientes para furar a bolha da polarização política. Um alento para este editor é que, em algumas praças, o espírito público ainda é valorizado pelo eleitorado. Em Minas Gerais, o senador Carlos Viana(PSD-MG) aparece bem na disputa de uma das vagas para o Senado Federal. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Editorial: Lula não esteve bem na sabatina do Jornal Nacional


No dia de ontem, 27, antes da entrevista concedida à bancada do Jornal Nacional, da Rede Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou alguns compromissos para se dedicar unicamente à preparação sobre como deveria pronunciar-se acerca das inevitáveis perguntas cabulosas dos entrevistadores. Aliás, a entrevista que era ancorada no Jornal Nacional já está se tornando um programa com status próprio. Ontem, por exemplo, os jornalistas César Tralli e Renata Vasconcelos se dedicaram unicamente à entrevista. Mesmo com todo o prepara e com a prerrogativa de levar alguns papeis, Lula não esteve bem. Quando um indivíduo precisa se explicar bastante sobre alguma coisa, estando ele com razão ou não, as coisas já fugiram do controle e é sempre um problema. 

Quando tergiversou, como foi o caso em relação à senhora Roberta Luchsinger, aí então é que as coisas se complicam, pois a senhora está sendo investigada no escândalo de corrupção do INSS. O jornalista Josias de Souza cronometrou 25 minutos da entrevista apenas focado no assunto corrupção, um assunto em si nevrálgico. Hoje, 28, os jornais e as redes sociais estampam a intimidade da senhora junto às altas autoridades de Brasília, inclusive junto ao presidente Lula, que afirmou que não a conhecia, nunca tivera contato algum com ela. Roberta, segundo os jornalistas que entrevistaram Lula, teria afirmado que recebera uma proposta de trabalho no Governo. O que intriga é que, justamente a esta senhora o tal assessor foi pedir dinheiro emprestado, fazendo aqui um voto de boa fé. 

Logo mais teremos a entrevista com o senhor Flávio Bolsonaro. No sábado, é a vez do psiquiatra Augusto Cury, que, segundo dizem, começou a performar nas pesquisas de intenção de voto depois do último debate da Band. Já aparece com 4% das intenções de voto. Se Lula passou 25 minutos se debatendo sobre perguntas cabulosas sobre eventuais corrupção, quanto tempo Flávio Bolsonaro vai explicar sobre os financiamentos do filme Dark Horse? Segundo afirmaram as redes sociais ligadas ao bolsonarismo, no dia de ontem, ele afirmou que deverá declinar alguns nomes que poderão compor o seu futuro governo, caso seja eleito. Acreditamos que ele não terá muito tempo para isso. Vamos aguardar logo mais. 

Editorial: Cenas de guerra no Rio de Janeiro



35% da população do Rio de Janeiro já vive em território controlado pelo crime organizado. A ausência do aparelho de Estado é praticamente inexistente nessas áreas. Há um controle absoluto de facções do crime organizado, em alguns casos, lutando entre si para ampliarem os seus domínios, como o que está ocorrendo mais recentemente entre o CV e o TCP. Quando a Polícia age, as retaliações são imediatas, com medidas como o fechamento do comércio, sequestro de ônibus para barricadas, cenas de barbárie em tempo de paz. Ouro dia a Polícia encontrou um automóvel com artefatos explosivos quando tentou entrar numa área sob o controle do Terceiro Comando Puro. A ideia seria detonar o carro, provocando a morte dos policiais que tentavam entrar o domínio da facção, o Complexo de Israel. 

O que ocorre no Rio de Janeiro já é possível observar em outras praças do país, a exemplo da Bahia e do Ceará. Ontem mesmo, em razão da morte de um traficante de uma dessas facções, ocorreu um toque de recolher no comércio de Morrinhos, cidade do Litoral Norte cearense. Adesão total. Ninguém ousou contrariar as determinações do crime organizado, tampouco o Estado reuniu condições de garantir a ordem pública. No caso do Ceará, o que consideramos fora de propósito é que o atual governador, Elmano de Freitas(PT-CE), durante os debates com o candidato Ciro Gomes(PSDB-CE), insiste em discutir a filigrana acerca do momento exato em que a fação Comando Vermelho instaurou-se no estado. Isso é o menos importante. O que interessa, de fato, é que o aparelho de Estado falhou clamorosamente no enfrentamento do crime organizado. Nos debates, possivelmente orientado por marqueteiros, ele tem batido nessa tecla.

Hoje é o dia da sabatina do candidato Flávio Bolsonaro na Rede Globo. Ontem as redes sociais divulgaram que haveria uma possível alteração no horário previsto. Em todo caso, a entrevista ocorre logo após a edição do Jornal Nacional. Comenta-se que ele havia dito que poderá anunciar alguns nomes de um eventual futuro governo. Aqui para nós, se considerarmos a dinâmica da entrevista de ontem, com o presidente Lula, acreditamos que ele não terá muito tempo para isso. No caso de Lula, a metade da entrevista abordou o escândalo do INSS, respingando nas suspeitas que pesam contra nomes como Fábio Luís da Silva e Jaques Wagner.   

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Editorial: Sabatina com Lula no Jornal Nacional



Assim como os debates da Band, a sabatina da Rede Globo com os candidatos que concorrem à Presidência da República constitui-se em dois momentos importantes da eleição. A ausência dos dois principais protagonista das eleições de outubro próximo, Lula e Flávio Bolsonaro, esvaziaram o debate da Band. A sabatina da Globo, realizada durante o Jornal Nacional, como é individual, em tese, poderia deixar os candidatos mais à vontade para discutirem suas ideias e propostas. Por algum motivo, não é bem isso o que vem ocorrendo. Os candidatos estão se saindo muito mal naquela sabatina, a exemplo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Renan Santos, do Missão, até que não foi muito mal. 

Hoje, 27, ele aparece em vídeo bastante ordeiro, calmo, convocando civilizadamente os candidatos para o debate do SBT. Afirma que irá se comportar durante o encontro, o que até Deus duvida. Em todo caso, fazemos coro com ele, uma vez que se trata de um grande desrespeito ao eleitor não comparecer a um debate público. Em épocas, passadas, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos dava uma dimensão gigantesca a esta sabatina. Não nos recordamos se ele chegou a ser entrevistado, mas dizia que, se conseguisse participar da sabatina seria o próximo presidente do país. Como se sabe, Eduardo Campos morreu num trágico acidente de avião. 

Hoje, 27, há uma grande expectativa acerca da entrevista que será concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde, muito provavelmente, ele será instado a se pronunciar sobre temas delicados. O que talvez ajude bastante é que ele passou por uma sabatina dias antes, na Record, onde certamente foi orientado sobre como se comportar diante das questões cabulosas. Pelo andar da carruagem, nossas eleições estão se tornando atípicas, com o desespero dos candidatos do segundo pelotão em furar a bolha da polarização - parece que a ansiedade já começa a tomar conta deles - e um vazio de propostas entre os dois principais concorrentes? Ela não é atípica se considerarmos que esta polarização não é de hoje, mas, por outro lado, está complicado esse "debate" sobre o rumo do país.  

Editorial: Indexa\Estadão: Lula lidera no segundo turno com 46%


Os petistas estão bastante animados com o resultado dessa pesquisa realizada pelo Instituto Indexa, em parceria com O Estado de São Paulo. O motivo é que a pesquisa é favorável a Lula num confronto de segundo turno com o candidato Flávio Bolsonaro. Se até o Estadão está dizendo, não há porque duvidar. A leitura dos petistas é que estamos lidando com um órgão de imprensa de perfil conservador. Vamos colocar um pouco de água fria nesta fervura. Não há como soltar rojões, num contexto em que, há poucos dias, outros institutos apontaram um rigoroso empate técnico entre os dois principais concorrentes à cadeira do Palácio do Planalto. Empate técnico pode significar, inclusive, a possibilidade de Flávio estar à frente de Lula. 

Existe uma "estabilidade" preocupante em relação a Lula desde o início, como um contingente expressivo de eleitores que não estão completamente convencidos de que ele merece um quarto mandato, assim como muitas insatisfações por parte de outro contingente - ou seria o mesmo? - que não aprova esse terceiro mandato à frente do Palácio do Planalto. Lula vem neste diapasão desde o início da jornada. Fadiga de material, ausência de projetos inovadores, irresponsabilidade fiscal que já começa a esboçar suas consequências. Se até as Casa Bahia estão pedido concordada, imagina como não está sendo o sacrifício do cidadão comum para garantis os mantimentos na geladeira. Os danoninhos dos meninos já devem ter sido riscados da lista. Picanha, então, quem sabe será novamente prometida pelo sucessor do morubixaba. 

A liderança de Lula, a rigor, ainda está dentro da margem de erro, ou seja, 46% a 41%. Em todo caso, é mais alvissareira do que os últimos índices, ou seja, 46% a 45%. Estamos tendo uma eleição presidencial marcada por uma profunda precariedade. Já tivemos dias melhores, onde nos concentrávamos em candidatos que propusessem mecanismos de como enfrentar os grandes problemas do país, estudassem o assunto como alunos aplicados. Hoje eles faltam aos debates públicos, estão enrolados em problemas. Estamos realmente vivendo um momento delicado, uma vez que, muitos jornalistas optaram por desqualificar o debate da Band como se a emissora fosse a responsável por aquele desastre. A emissora, como sempre, teve as melhores intenções.  

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Editorial: Quem tem moral em Pernambuco para criticar os gabinetes do ódio?

Gilberto Freyre 


Quando estivemos mais ativos aqui pelo blog fomos atacados por diferentes tribos políticas. A  pseudo esquerda, alguns deles até se protegendo, cinicamente, sob o escudo ético do educador Paulo Freire. Os laranjinhas do gabinete da sacanagem e, finalmente, os bolsonaristas. Desses, aparentemente, o mais óbvio, seria os bolsonaristas, que não gostaram de um artigo escrito sobre o seu grande líder, Jair Bolsonaro. Aqui em Pernambuco, no entanto, sinceramente, não sabemos quem são os mais venenosos. Veja-se, por exemplo, o que ocorreu contra a candidata ao Senado Federal, Marília Arraes, alguns anos atrás. Uma política difamatória vil e desumana, atacando a sua honra com inscrições apócrifas nos muros da cidade. 

Não gostaríamos de voltar a tratar desse tema - naturalmente pouco agradável - mas a imprensa e as redes sociais publicaram hoje uma série de ocorrência acerca deste assunto. O mais pedagógico aqui é que as pessoas estão provando do próprio veneno, ou seja, aqueles que antes apenas se preocupavam em disseminar mentiras com o propósito de "cancelamento" dos seus críticos a adversários estão sentindo, na própria pele, o que isso significa. É, quem sabe, o lado positivo desses eventos macabros, se é que podemos afirmar isso. Recentemente, escrevemos um roman à clef, como diriam os franceses, para tratar de um desses casos. Em Pernambuco, existem alguma particularidades. Como os escudos éticos usados por uma pseudo esquerda;  um estado onde o "gatilho" da inveja é disparado sistematicamente quando alguém se sobressai em alguma área; uma grande dificuldade dessas oligarquias políticas em lidar com os seus críticos. 

Eles exercem o poder de Estado como se estivessem em seus quintais, em suas propriedades privadas, em suas Sesmarias. Gilberto Freyre conheceu Oliveira Lima ainda adolescente, como estudante do Colégio Americano Batista. Quando esteve nos Estados Unidos, cumprindo temporada de estudos, aproveitou bem a biblioteca do diplomata, que trabalhava ali. Concluído seus estudos, consultou Oliveira Lima sobre a possibilidade de regressar ao Brasil. Foi desaconselhado. Oliveira Lima tinha sérias indisposições no Itamaraty com outro notório pernambucano. Quando morreu, entregou uma preciosa biblioteca sobre assuntos brasileiros a uma universidade americana, privando-nos de um precioso acervo, usado por Gilberto ainda na adolescência.  

Editorial: Quem vai decidir a eleição presidencial de 2026?


Numericamente, o jogo da disputa presidencial de 2026 está bastante equilibrado. Num eventual segundo, turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão praticamente empatados dentro da margem de erro. Lula parece ter encostado no teto, enquanto Flávio avança um pouco, talvez em função dos problemas relacionados às investigações que envolvem o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha". O próprio Lula manifesta uma grande preocupação em torno deste assunto. Pesquisas de intenção de foto dizem muitas coisas, mas ocultam algumas sutilezas fundamentais, apenas detectadas pelas pesquisas qualitativas. Uma tendência do comportamento do eleitorado aqui e ali pode ser determinante no resultado final do jogo. 

Fala-se muito em torno do comportamento daquele eleitorado independente, que, hoje, já não seria mais de 27%. Este número estaria diminuindo exatamente porque eles já não são tão independentes assim com a proximidade do pleito. Já fizeram suas opções e, pelo andar da carruagem - como, aliás, se previa - entre os principiais concorrentes. Uma outra "sutileza" levantada no dia de ontem por alguns analistas é que um pequeno núcleo de eleitores será determinante para a  definição do pleito. A sorte de Lula está nas mãos desses eleitores. Eles votaram em Lula em 2022 para um terceiro mandato e hoje têm dúvidas se devem conceder um quarto mandato ao petista. É este núcleo de eleitores que pode definir o pleito de 2026. 

Estamos, na realidade, todos exauridos por essa polarização política. A "qualidade" dos debates sobre o futuro do país caiu drasticamente nos últimos anos. Vejo que o time do segundo pelotão está cansado de tentar furar a bolha. O péssimo desempenho nos debates esvaziados ou nas sabatinas da Globo talvez já seja um reflexo disso. Zema foi "triturado" com perguntas cabulosas sobre  a dívida pública de Minas Gerais, as denúncias de corrupção e o aumento de mais de 300% d0 próprio salário, quando os servidores públicos estaduais não tiveram a mesmo tratamento.  

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Editorial: Notícias ruins para o PT



Já não fosse o suficiente as especulações envolvendo o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", o PT amanhece no dia de hoje diante de algumas condições preocupantes. As previsões pessimistas dos economistas sobre os rumos da nossa economia parece que estão se confirmando muito antes do esperado. Grandes marcas do mercado varejista estão pedindo falência, a exemplo da famosa Casas Bahia. E não é a única. Na corrida presidencial, os dados da última pesquisa de intenção de voto apontam para um rigoroso empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarista Flávio Bolsonaro. Na margem de erro, eventualmente, Flávio já pode ter ultrapassado Lula: 46 a 45. Em São Paulo, o colégio eleitoral mais disputado do país, as novas pesquisas apontam para uma eventual vitória do governador Tarcísio de Freitas ainda no primeiro turno. 

Na corrida pelas duas vagas ao Senado Federal, a situação, que antes favorecia os nomes de Simone Tebet e Marina Silva, agora favorece a oposição. Guilherme Derrite já assume a dianteira nas pesquisas para a Casa Alta. A eleição para o Senado em São Paulo era tido, até bem pouco tempo, como favas contadas para a direita bolsonarista. O outro nome que se previa que fosse lançado ali, além de Derrite, seria o do próprio Flávio Bolsonaro. Ontem líamos os nomes que estão na suplência de Simone Tebet e de Marina Silva. Uma verdadeira miscelânia ideológica, segundo dizem, considerando-se a p0ssibilidade de uma vitória de ambas e um eventual convite para assumir um ministério no Governo Lula 4. Muito difícil se contrapor a uma vitória de Derrite naquela praça, por inúmeras razões. Secretário de Segurança do Governo Tarcísio, ligado às forças de segurança do estado, militar da Rota, ancorado no "medo" do crime organizado sentido pela população.

Vamos em frente. Aguardemos as novas pesquisas para se saber, com mais convicção, quais os rumos que estão tomando aquelas eleições. No momento a tendência não é favorável. Se Tarcísio, por exemplo, liquidar a fatura no primeiro turno poder ser um desastre para o PT no maior colégio eleitoral do país. Em Minas, a situação também não é das melhores. Sabe-se das dificuldades do nome de Patrus Ananias na disputa. Muito bem posicionado nas pesquisas, Cleitinho já disse que o seu nome ao Planalto é o de Flávio Bolsonaro, independentemente do humor do dirigente nacional da legenda, o pastor Marcos Pereira. 

Editorial: O estouro da boiada no Ceará?


Recentemente, o Governo Lula destituiu o deputado federal Mauro Benevides Filho(UB-CE), que ocupava a função de vice-líder do Governo. Dizem que a determinação do presidente Lula se deu por influência do senador Camilo Santana(PT-CE). Mauro Filho seria o coordenador do programa de governo do candidato Ciro Gomes(PSDB), que concorre ao Governo do Ceará. Camilo Santana é hoje uma das maiores lideranças do PT, credenciando-se, inclusive, à condição de nova liderança da legenda quando Lula pendurar as chuteiras. Camilo enfrenta uma batalha de vida ou morte no Ceará. Caso seja derrotado no seu próprio estado por Ciro Gomes, certamente perde um pouco dessa ascendência sobre o líder petista, abrindo espaço para outros nomes. 

O danado é que a situação no estado não está nada boa para o seu afilhado, o governador Elmano de Freitas(PT-CE), que concorre à reeleição. Ontem começaram a circular a informação de que já estaria ocorrendo uma espécie de estouro da boiada, ou seja, partidários do grupo de Camilo Santana estariam aderindo à campanha do adversário Ciro Gomes. A expectativa é que isso pudesse ocorrer no início de setembro, mas, pelo andar da carruagem política, está ocorrendo bem antes. Pode ser que haja algum exagero por aqui, mas o fato é que o próprio Ciro Gomes já aparece ao lado de algumas dessas lideranças locais, festejando o ocorrido nas redes sociais. A pesquisa do Instituto Real Time Big Data apresentou um equilíbrio de forças entre ambos os concorrentes ao Palácio da Abolição, mas, um pouco antes, o Datafolha mostrou Ciro bem à frente do concorrente, com possibilidades de vencer no primeiro turno.  

Ainda repercute bastante nas redes sociais o debate organizado pela Rede Bandeirantes de Televisão entre os candidatos que concorrem à Presidência da República. Há gente avaliando que o debate foi um desastre, os candidatos não souberam explorar a ausência de Flávio e de Lula, que o evento foi transformado num picadeiro, que Lula fez muito bem em não comparecer, pois a audiência de sua entrevista, concedida à Rede Record, foi superior à audiência do debate. Em resumo, para o bem ou para o mal, independentemente de outras considerações, o que esvaziou o debate, constituindo-se num profundo desrespeito ao eleitorado, foi a ausência dois principais nomes da disputa. Que responsabilidade tem a Band sobre isso?   

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Editorial: Nova pesquisa sobre as eleições na Paraíba.


"Isso que você fala autores como Gilbert Durand chama de "Bacia Semântica". Estávamos acompanhando uma aula da professora Danielle de Perin Rocha Pitta, quando ela nos fez esta correção, a partir dos pressupostos do Imaginário Social, para identificar o processo onde grêmios partidários que nascem como afluentes, às margens do rio da democracia, acabam, no final, ingressando em suas águas, mesmo que turvas. O caso mais emblemático atualmente é a UP - Unidade Popular - que já aparece pontuando, mesmo que modestamente, em vários estados da federação. Chamamos atenção para este fenômeno até recentemente, num artigo sobre as eleições em Pernambuco. 

A UP tem candidato aos governos de  Pernambuco,  Paraíba,  Santa Catarina e, possivelmente, em outros estados da federação. Até partidos talvez ainda mais radicais, a exemplo da Causa Operária, já apresenta seus candidatos à disputa dos governos estaduais, adequando-se às regras impostas pelo rio da democracia representativa. Ao decidir participar dessa "correnteza", naturalmente, eles precisam fazer uma série de renúncias. O Imaginário Social era um disciplina abominada pelos alunos em nossa época de estudante, mas vejo hoje como ela faz falta para entendermos certos fenômenos. Os colegas diziam que era uma matéria de muitas abstrações. Sim. Era. Curioso que, até os 40 anos de idade, Gilbert Durand era um simples operário de uma padaria.  

Hoje, 24, saiu uma pesquisa do Real Time Big Data sobre a disputa pelo Palácio da Abolição - ou seria a Granja Santana? - na Paraíba. Não há muita novidade e esta tendência talvez se repita até o dia 04 de outubro. O jovem Lucas Ribeiro, do PP, lidera, seguido de Cícero Lucena, ex-prefeito da capital, do MDB,  seguido por  Efraim Filho(PL-PB). Lucas era uma espécie de super secretário de João Azevedo(PSB-PB), que o preparou exatamente para substitui-lo no Governo. Tem obras, tem a máquina, apoios nos mais diferentes rincões do estado. Cícero tem um perfil mais urbano. Para o Senado Federal, João Azevedo lidera, seguido por Veneziano Vital do Rego. TSE-PB- 07790-2016. 

Editorial: O debate da Band


Há algum tempo o país entrou numa espiral preocupante. Uma polarização política esgarçante, onde se sobrepõem as indisposições entre "A" e "B", não se permitindo que os reais problemas do país sejam debatido e muito menos enfrentados com a seriedade devida; O crime organizado passou a dividir com o aparelho de Estado o controle dos territórios; a verdade foi relativizada, tornando-se apenas uma "narrativa"; as instituições se deterioram, tornando-se refém da vontade dos governantes de turno; a presunção de inocência cedeu lugar à presunção de culpa; a democracia foi ferida de morte. Todos esses temas, numa maior ou menor estridência, estiveram presentes no debate de ontem, 23, promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão

Aqui vão os nossos cumprimentos aos organizadores, toda a equipe que esteve envolvida na realização do programa. O jornalista Eduardo Oinegue dividiu a bancada dos apresentadores mesmo apresentando problemas com a voz. Estão de parabéns aqueles candidatos que honraram o compromisso com o eleitor e estiveram presentes ao encontro, a exemplo de Ronaldo Caiado, do PSD, Renan Santos, do Missão, e Augusto Cury, do Avante. Lamentamos profundamente a ausência dos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva - alguém com 12 anos de gestão da máquina não teria nada que justificasse a sua ausência - e a da Flávio Bolsonaro, o representante do bolsonarismo. Em termos de quem venceu o debate não há a menor dúvida de que a formação sólida do psiquiatra Augusto Cury fez a diferença. Augusto lida bem com essa questão da formação dos jovens, conhece a dinâmica de formação escolar da nossa juventude. Se saiu muito bem, inclusive quando fez referência à dopamina dos jogos de celulares em detrimento do hábito da leitura. 

É o que nós sempre afirmamos por aqui. Ser Presidente da República é um cargo de altíssima responsabilidade, não se admitindo aventureiros. Aliás, este era mais um item a ser mencionado no início deste editorial, ao nos referimos à espiral. Como sempre acontecem algumas situações inusitadas nesses encontros, registramos aqui o "sono" de Gilberto Kassab durante o encontro, assim como o rapaz que fazia a tradução da linguagem de libras, barbudo, muito parecido com Abelardo de la Espriella, atual presidente da Colômbia. Quando Renan Santos falava - com aquela estridência que o caracteriza-  aí sim é que a imagem se sobressaía. Estamos torcendo por aqui que os faltosos sejam punidos pelos eleitores. Seria interessante que tivéssemos algumas surpresas nas próximas pesquisas de intenção de voto, mudando sensivelmente a dinâmica competitiva do pleito.  

domingo, 23 de agosto de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Raquel Lyra lidera no Datafolha



No último dia 21 saiu uma nova pesquisa do Instituto Datafolha sobre as eleições estaduais de Pernambuco. Somente agora estamos comentando sobre o assunto, atropelados que fomos pelos acontecimentos mais recentes no cenário nacional, como o lançamento de uma nova candidatura à presidência da República - sempre marcada pela polêmica - além de um eventual novo escândalo gigantesco de corrupção, algo comparável ao Mensalão ou Petrolão. Isso a pouco mais de um mês das eleições. O assunto assumiu as primeiras páginas dos grandes jornais e outros órgãos de imprensa. Nas redes sociais, os acusados ou suspeitos já se tornaram culpados e condenados, conforme seus tribunais. Fala-se muito nos tribunais do crime organizado, mas temos outros tribunais até mesmo mais perigosos. O curioso é que essa tendência não se orienta por princípio, mas pela ideologia exclusivamente. ali nós temos a chamada presunção de culpa, o que, num passado bem distante, dava-se o nome de presunção de inocência. 

Mas, vamos ao que interessa. A pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha reveste-se de uma importância singular, uma vez que se trata da primeira pesquisa realizada após o lançamento oficial dos candidatos ao assento do Palácio do Campo das Princesas. Nesta pesquisa, ancorada em índices de aprovação alvissareiros, a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) abre 07 pontos de vantagem em relação ao candidato João Campos(PSB-PE), ex-prefeito do Recife. O curioso é que, no chamado segundo pelotão, aparecem uma série de candidatos pontuando com 1% do eleitorado, da ultra-direita à esquerda mais radical. A avalição, de alguns anos atrás,  observa que esses pequenos partidos radicais de esquerda, gradativamente, vão entrando na chamada bacia semântica, como diriam os estudiosos do imaginário social. 

Ampliam seus espaços de institucionalização, passam a lutar pelo voto e crescem a cada nova eleição. Outro dado a ser considerado é a disputa pelo Senado Federal, onde os quatro principais concorrentes aparecem embolados, num empate técnico. Marília Arraes(PDT-PE), que estava consolidada na primeira posição, depois de alguns reveses na sua base de apoio, aparece agora empatada tecnicamente, com 15% das intenções de voto. Há um dado que precisa ser considerado, como o crescimento efetivo de nomes conservadores, a exemplo de Mendonça Filho(PL-PE) e Eduardo da Fonte(PP-PE). Esse fenômeno já era esperado. Dois políticos experientes, com grande capilaridade política no estado, que fecharam alianças estratégicas com lideranças urbanas e interioranas. A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal promete. A pesquisa do Datafolha foi realizada entre os dias 18 e 20 de agosto, ouviu presencialmente 1.204 pessoas, com margem de erro de 3pp e escore de confiabilidade de 95% e está registrada no TSE-PE- 011528\2026. 

Primeiro turno: 

Raquel Lyra(PSD-PE)   47%

João Campos(PSB-PE) 40%

Editorial: Quem, afinal, vazou os dados do inquérito contra Lulinha?



Houve um tempo, não muito distante, onde as fontes dos jornalistas eram respeitadas constitucionalmente. Durante muitos anos, havia a suspeita de Mark Felt, era o "Garganta Profunda" do caso Watergate. Os dois jovens jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, que, com suas reportagens publicadas no The Washington Post, foram os responsáveis pela queda do presidente Richard Nixon, mantiveram o sigilo da fonte até o próprio Mark Felt admitir que fora ele quem havia passado as informações sobre o envolvimento do FBI na instalação de escutas ilegais na sede do Partido Democrata, que ficava do edifício Watergate. Este caso evidencia que a utilização do aparelho de Estado para investigar adversários não é algo tipicamente brasileiro. Já se faz há algum tempo. 

Ontem mesmo começaram, na tribuna das redes sociais, as especulações acerca da eventual fonte que poderia ter vazado o teor do inquérito que corre contra Luís Fábio da Silva, o "Lulinha", na Polícia Federal. Uma revista de circulação nacional teve acesso ao teor das investigações, publicizando-a em matéria de capa nesta semana. Como agora se fala numa eventual Polícia de "A" ou Polícia de "B", todas as possibilidades foram levantadas. Não vamos especular por aqui, até porque não temos condições de dar crédito a esta ou aquela informação, numa investigação que está sendo conduzida pela Polícia Federal. Na realidade, essa questão dos "vazamentos" se tornou rotineira no país. Somente agora é que começa a preocupar?

Logo mais, às 20h, teremos o primeiro debate entre os candidatos que concorrem à Presidência da República nas eleições de 2026. Será um debate esvaziado, infelizmente. Não contará com a presença dos dois principais nomes na disputa pela cadeira do Palácio do Planalto: Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, que concorre pelo PL. Vai ser muito difícil esses dois encontrarem as condições ideias para um debate. Pelo andar da carruagem, por algum motivo, eles não estão querendo participar. Ontem tivemos a oportunidade de acompanhar um desses debates, desta vez entre os candidatos que concorrem ao Governo de Santa Catarina. Sem a presença de Jorginho Melo, governador do estado, que concorre à reeleição. Um debate morno. 

sábado, 22 de agosto de 2026

Editorial: O que são musaranhos?

 



A curiosidade é uma grande fonte de aprendizagem. Hoje, 22, tivemos a oportunidade de ler a matéria da revista Veja acerca de um novo eventual escândalo de corrupção no país. Tomamos alguns cuidados por aqui, mas o assunto já e tratado como tal. A revista teve acesso ao inquérito instaurado pela Polícia Federal envolvendo o senhor Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Na realidade, já são três linhas de investigações abertas, que começaram a partir de eventuais articulações institucio0nais que poderiam beneficiar Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Agora, no entanto, no rastro do dinheiro, as investigações começam a atingir eventuais nomes ligados diretamente ao Palácio do Planalto. 

As coisas estão se complicando, justamente na iminência do 04 de outubro, primeiro turno das eleições de 2026. Hoje, 22, a imprensa traz novas informações acerca de eventuais viagens bancadas para o exterior, incluindo o continente europeu e africano, com direito aos safaris. Há também referências a um grupo privado de WhatsApp com um nome curioso: musaranhos, que se trata de mamíferos roedores comuns em diversos continentes, exceto na Austrália. Na África, o musaranho-elefante, o da foto acima, reapareceu depois de 50 anos dado como extinto. A natureza apresenta fenômenos assim, coisas difíceis de explicar. São até recorrentes, inclusive no Brasil. Ou eles nunca estiveram extintos, ou, por algum motivo desconhecido, reapareceram. 

O que não desaparece mesmo no país é a danada da corrupção. Esta não tem chance de ser extinta. Nem se fala mais no escândalo do Banco Master. Ficou no passado. Logo saberemos de novos casos de corrupção. Hoje já se fala na instauração de uma CPMI do Lulinha, pois existe a suspeita de as articulações atingirem esferas diretamente ligadas a outros ministérios do Governo. Inicialmente, as suspeitas se relacionavam apenas ao Ministério da Saúde, onde, eventualmente, foram abertas negociações para a compra de cannabis medicinal, que seria fornecida por uma empresa criada por Camilo Antunes.  

Editorial: Lula resistirá às intempéries?


Ontem, 21, foi um daqueles dias de notícias ruins para o Planalto. Matéria de capa da revista Veja desta semana, o filho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva, o "Lulinha"  se encontra cada vez mais encrencado em relação às investigações que correm contra ele na PF. A revista teve acesso ao inquérito da Polícia Federal, onde há supostos diálogos cabulosos entre o filho do presidente e a lobista. A decisão do Ministro André Mendonça em manter as investigações sob o controle do STF pode ser um indicador de que as negociações de caráter não republicanos possam ter atingido outras esferas da administração pública. A Oposição já acredita que possamos estar diante de mais um daqueles escândalos de proporções gigantescas, exigindo-se numa nova CPMI. 

Numa audiência de três horas, segundo a imprensa, os advogados do filho do presidente se queixaram sobre eventuais vazamentos dessas investigações. Ontem também saiu uma nova pesquisa do Instituto Datafolha sobre a avaliação do Governo Lula e as intenções de voto para a Presidência da República. Na avaliação do Governo, Lula oscilou negativamente de 41% para 38%. Os escores estão dentro da margem de erro, mas não deixam de ser preocupantes, sobretudo se considerarmos que estamos a 40 dias das eleições. Amanhã, 23, ocorrerá o primeiro debate entre os postulantes à Presidência a República, infelizmente, sem a presença dos principais nomes na disputa. Lula diz que não vai porque serão todos contra ele. Flávio, por sua vez, reafirma o mesmo argumento. Vamos ter um debate apenas com o segundo pelotão: Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. 

Por falar em debates, ontem tivemos a oportunidade de acompanhar o debate transmitido pela TV Pampa com os candidatos que concorrem ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul. O páreo será difícil entre Oposição e Governo, isso sem considerarmos aqui os chamados azarões. Temos um batalhão de candidatos concorrendo a duas vagas. Lideram a disputa a candidata do PSOL, Manuela d'Ávila, com 33,6% das intenções de voto, seguida por Marcel van Hattem, do partido Novo, com 26,9%. Ainda com alguma chance, Rigotto, do MDB, com 24,5% e Pimenta, do PT, com 22,5%. Curioso é que, em alguns praças do país, o eleitorado apresenta a tendência de eleger um nome da Oposição e um nome ligado ao Governo. Como Pimenta e Marcel van Hattem travaram embates duros durante os trabalhos da CPMI do INSS, em alguns momentos parecia que estávamos numa daquelas sessões. Os dados acima são de uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas.  

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Editorial: O "medo" é o maior eleitor das eleições de 2026.



O bolso é, disparado, o maior eleitor de uma eleição, conforme observava o economista Roberto Campos, no passado, quando dizia que ali encontrava-se a nossa parte mais sensível. Sobretudo se considerarmos os atropelos de nossa economia, não resta dúvida de que o bolso continuará influenciando o humor dos eleitores nesta e nas próximas eleições, sobretudo se forem confirmadas as previsões catastróficas em razão do descontrole das contas públicas. Não é simples retirar este ou aquela item da lista, trocar os biscoitos dos adolescentes por um mais barato, substituir a picanha por um peito com osso. No entanto, conforme já havíamos antecipado por aqui em outras ocasiões, desta vez não há como superar o "medo" que o brasileiro está sentindo, cada vez mais refém do avanço do crime organizado no país. 

Estima-se que mais de 40% dos brasileiros já convivem em áreas sob algum tipo de influência de facções do crime organizado, que, aliás, ampliam seus tentáculos sobre o próprio processo eleitoral, impondo o voto neste ou naquele candidato, consoante os acordos de políticos corruptos com essas facções, como evidenciou-se recentemente durante a Operação Ormetá, realizada na cidade de Sobral, no Ceará. O caso de Sobral, infelizmente, não é um caso isolado. Situações semelhantes já são observadas em todo país há algum tempo. Trata-se de mais uma forma de negócio explorado pelo crime organizado. Nas eleições passadas, somente candidato "X" podia fazer comícios ou pedir votos em determinadas áreas controladas por facções em João Pessoa, num desmonte do edifício democrático, uma vez que, em tais circunstâncias,  corrompe-se a livre expressão do eleitorado.

A Paraíba, infelizmente, a despeito do trabalho primoroso das forças de segurança do Estado, em particular a DRACO ( Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), começa entrar no radar de zonas perigosamente sob forte influência de facções do crime organizado, a exemplo de estados como o Ceará, a Bahia e o Rio Grande do Norte. Segundo um levantamento dos institutos Update e Fogo Cruzado, publicado no dia de hoje, 21, na coluna Diário do Poder, para 93% da população a questão da segurança será decisiva na eleição de outubro. É a eleição do eleitor "medo". Mesmo em tais circunstâncias, no dia 23 vamos ter um debate esvaziado entre os concorrentes ao Palácio do Planalto. Possivelmente sem a presença de Lula e Flávio Bolsonaro. 

Editorial: Elmano e Ciro rigorosamente empatados no Ceará



Segundo a crônica política do Ceará, o fantasma da substituição teria voltado a assombrar o Palácio da Abolição. Não estaria completamente descartada a possibilidade de uma eventual substituição do nome do governador Elmano de Freitas(PT-CE), que concorre à reeleição. O nome mais cotado para substituí-lo seria, obviamente, o do senador Camilo Santana(PT-CE). Essas mesmas fontes observam que o prazo fatídico serio o início de setembro. Uma pesquisa do Datafolha, publicada recentemente, mostrou uma diferença considerável em relação aos dois nomes que disputam o Governo do Estado, Ciro Gomes e Elmano de Freitas. O Datafolha aponta, inclusive, a possibilidade de a fatura ser liquidada ainda no primeiro turno, em favor do candidato Ciro Gomes. 

Por outro lado, uma pesquisa publicada na tarde de ontem, realizada pelo Instituto Real Time Big data, injetou um novo alento no staff de campanha do petista. Nesta pesquisa, ambos os candidatos aparecem rigorosamente empatados tecnicamente, tanto no primeiro quanto no segundo turno, mostrando um equilíbrio de forças ainda não detectado pelos demais institutos. Não sabemos quem está por trás desses ranqueamentos dos institutos, mas, coincidência ou não, passou a circular a informação que, no que concerne aos acertos de escores sobre aquelas eleições, que três institutos gozam de maior acertividade: o Datafolha, O Quaest e o AtlasIntel. Curioso que o Paraná Pesquisas, um dos institutos com maiores índices de acertos nas eleições passadas, está de fora desse ranqueamento.  

O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre os dias 15 e 19 de agosto. O nível de confiabilidade da pesquisa é de 95% e margem de erro de 2.pp. A pesquisa está registrada no TSE-CE- 08223\2026. No primeiro turno, ambos os candidatos aparecem com 44% das intenções de voto. No segundo turno, Elmano de Freitas Pontua com 46% e Ciro Gomes como 45%. Como pesquisa é uma fotografia do momento, parafraseando os especialistas no assunto, convém não soltar os rojões ainda, mas, de alguma forma, os dados podem servir para tranquilizar o comitê de campanha governista. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Editorial: Ministério Público Eleitoral pede ao TSE impugnação da candidatura de Pablo Marçal



Essa questão da candidatura do empresário e influencer Pablo Marçal à Presidência da República está se tornando, sob alguns aspectos, um assunto mais da alçada jurídica do que política. Se é jurídica, convém consultarmos a banca. O que se sabe é que Pablo Marçal teve seus direitos políticos cassados por instâncias da Justiça Eleitoral estadual de São Paulo. Ele encontrou uma brecha aqui para lançar-se como candidato à Presidência da República, desconsiderando a determinação que valeria, em tese, para barrar sua concorrência a algum cargo público pelo estado de São Paulo. Sua candidatura foi lançada ao apagar das luzes do prazo final e, a partir de então, começaram as polêmicas políticas e jurídicas em torno do assunto. 

A quem interessa tal candidatura? A primeira conclusão é que ele deseja atrapalhar uma eventual vitória de Lula no primeiro turno, conforme ele mesmo admitiu. Trata-se de um candidato declaradamente antipetista, de onde se conclui que o seu objetivo seja exatamente este, ou seja, atrapalhar o projeto de reeleição de Lula. O MPE está bastante ativo, atuante, o que é muito bom para o andamento do pleito com a observância rigorosa do que determina a legislação eleitoral. Até recentemente, o Ministério Público Eleitoral da Paraíba pediu a impugnação da candidatura do ex-prefeito da capital paraibana, Cícero Lucena, do MDB, por problemas enfrentados quando ele era ainda prefeito da capital. Não sabemos qual será o desfecho, uma vez que seus advogados alegam o que eles chamam de presunção de culpa. 

Por falar na Paraíba, circula nas redes sociais um vídeo com uma verdadeira bomba, onde pseudos agentes públicos estariam articulando, junto a gestores estaduais, a indicação de um nome estratégico, para assumir uma função pública, com o propósito de facilitar suas ações ilegais dentro da máquina. Se verdadeiro, indica o potencial de ramificação do crime organizado no aparelho de Estado, principalmente numa área nevrálgica, a segurança pública.  

  

Editorial: PGR pede que inquéritos conta Lulinha desça para a primeira instância.



A defesa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, já havia observado que, na realidade, não haveria razão para justificar que os inquéritos que estão sendo movidos contra ele estivessem sendo avaliados pelo Supremo Tribunal Federal. Afinal, nenhum dos envolvidos possuem foro privilegiado. Hoje, 20, os jornais trazem a informação de que a própria PGF estaria pedindo ao STF que os inquéritos sejam avaliados pela primeira instância. A cada dia surge uma novidade envolvendo este caso, como eventuais lobbies junto a assessores do Palácio do Planalto para a negociação das cannabis medicinais que seriam produzidas pela empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". O Ministério da Saúde, supostamente, poderia adquirir o produto caso as negociações avançassem. 

Nas coxias, a informação é que o presidente Lula estaria bastante irritado com essas notícias sobre o caso, distribuídas a conta-gotas, tanto pelos órgãos de investigações, quanto pelos órgãos de imprensa. Faz todo sentido se entendermos que estamos a praticamente um mês das eleições de outubro. Na nossa opinião, o pleito da PGR tem pouca chance de ser atendido. Vamos aguardar. Até recentemente, ao que se sabe, a própria PF já sinalizou com a possibilidade de ouvir o filho do presidente Lula. Como este país tem alguns nuances difíceis de explicar, assessores diretos do presidente Lula consideram que o avanço das investigações podem ser positivos, um indicador de que Lula não estaria interferindo no trabalho da PF,  possibilitando alguns créditos junto ao eleitorado. 

E, por falar em eleições, o midiático Pablo Marçal continua com a sua cruzada, utilizando as redes sociais com a maestria conhecida. Dizem que a sua candidatura é fogo de palha, mas a palha e existe e ele está disposto a acender o isqueiro enquanto isso for possível. Confirma sua presença no debate da Band, próximo dia 23, onde, na ausência de Lula e Flávio, o que se espera mesmo é um embate com o candidato do Missão, Renan Santos que, possivelmente, daria preferência a outros adversários menos estridentes. É quase certo que Lula não irá comparecer ao debate, o mesmo ocorrendo com o bolsonarista Flávio Bolsonaro. Hoje, 20, também haveria um debate na Bahia, mas foi cancelado, em razão da ausência de Jerônimo Rodrigues(PT-BA), que concorre à reeleição. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Editorial: A "estranha" candidatura de Pablo Marçal



O que há de "estranho" na candidatura do empresário Pablo Marçal à Presidência da República? Na realidade, sob certos aspectos, nada. Ele é um cidadão de direita, que sempre procurou ampliar seus espaços das redes sociais. Atua como influencer e empresário. Pode ajudar a candidatura de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo. Pode prejudicar a candidatura de Lula, a quem detesta. Em suas entrevistas, no bojo dessas especulações, tem dito que um dos seus objetivos é justamente impedir uma vitória do petista ainda no primeiro turno. Hoje ele afirmou que pretende angariar o apoio dos 27% dos eleitores independentes, esquecendo de um detalhe crucial: boa parte desse eleitorado, se considerarmos o resultado das últimas pesquisas de intenção de voto, já começa a se definir por um dos principais nomes da disputa. 

Embora isso não queira dizer que eles não possam mudar de voto, caso encontre um candidato com potencial de furar a bolha da polarização. A campanha, como se sabe, já está nas ruas. Ontem alguém voltou a especular em torno de uma eventual mudança de candidato governista no Ceará, uma vez que o atual governador, Elmano de Freitas(PT-CE), não apresenta as condições ideais de competitividade em relação ao oponente Ciro Gomes. Pelo Brasil afora, Lula apresenta seus candidatos. Já apareceu ao lado de Renan Calheiros, em Alagoas, e ao lado de João Campos, no Recife. Salvo o segundo pelotão ou os azarões, nenhum dos candidatos com chances reais de vitória se propuseram a comparecer ao debate da Band no próximo dia 23, o que se traduz, voltamos a repetir, num profundo desrespeito ao eleitorado.

Enquanto isso, na sala de justiça, sugere-se que a Polícia Federal possa convocar Lulinha para depor, em função das investigações do escândalo do roubo dos aposentados e pensionistas. Por aqui torcendo que o mandato do senador Carlos Viana(Podemos-MG) seja renovado, num reconhecimento ao seu trabalho no Senado Federal, em particular na CPMI do INSS. Não será fácil, em razão do nome de Aécio Neves na disputa, pelo PSDB, além da liderança jovem da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, pelo PT. Marília chegou a ser sondada pela legenda como candidata ao Governo de Minas, mas declinou, uma vez que tem praticamente assegurada a sua vaga ao Senado Federal. Política tem algumas coisas curiosas. O PT não vai bem no estado, mas Marília consegue uma performance surpreendente. É o voto na candidata.   

Drops Político: A sabatina com Ivan Moraes


O Sistema Jornal do Commécio está promovendo uma série de sabatinas com os candidatos que concorrerem ao Governo do Estado, nesta eleição. Repercutiu bastante, dentro do próprio órgão de imprensa, a sabatina com o candidato do PSOL, Ivan Moraes, jornalista de formação, com uma extensa lista de trabalhos realizadas em prol da sociedade civil pernambucana, sobretudo através da tribuna da Casa de José Mariano. Ivan Moraes atua num ambiente de constrangimentos impostos apenas pelos movimentos sociais, políticos e entidades de defesa do cidadão. Num determinado momento da sabatina, ele mesmo admite que, quem conhece tal ambiente é ele e não dos demais concorrentes. Os demais candidatos estão comprometidos com toda ordem de interesses, de onde se entende essa luta ferrenha para manter ou reconquistar o controle da máquina. Tal motivação chegou ao estágio de se fazer gestões para a retirada da candidatura de Ivan Moraes.  

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Charge! Borega via perfil do artista no Instagram


 

Editorial: Ministério Público Eleitoral pede impugnação da candidatura de Cícero Lucena na Paraíba.



O Ministério Público Eleitoral da Paraíba pediu a impugnação da candidatura de Cícero Lucena ao Governo do Estado da Paraíba. Cícero, ex-prefeito de João Pessoa, é filiado ao MDB e um forte aspirante à cadeira do Palácio da Redenção nas eleições deste ano. Possivelmente isso seria algo relacionado às ações da Polícia Federal, em anos anteriores, onde, eventualmente, há suspeitas de eventuais atos irregulares envolvendo relações das facções que atuam na capital com o poder público. Isso está sendo julgado e, antes de transitado,  o candidato tem o direito da presunção de inocência, como argumenta seus advogados. O que se presume, através de suas falas neste momento, é que o ato do Ministério Público Eleitoral, na realidade, pode ser traduzido como uma presunção de culpa. 

Vamos aguardar uma decisão definitiva sobre o assunto, até porque esta não é a nossa seara. Do ponto de vista político, Cícero é um sujeito hábil. Mesmo enfrentando a máquina, representada pela candidatura de Lucas Ribeiro(Progressistas), não se pode desprezar o capital político do ex-prefeito de João Pessoa que, inclusive, aparece muito bem nas pesquisas de intenção de voto. Os fatos que agora estão aflorando, surgiram num momento crucial das eleições municipais passadas e, mesmo diante das adversidades, com cobranças sistemáticas dos adversários durante os debates,  Cícero Lucena conseguiu atravessar a tempestade e se eleger prefeito da capital. 

Lucas Ribeiro é do grupo do ex-governador João Azevedo(PSB-PB), um núcleo político forjado ainda na gestão de Ricardo Coutinho(PT-PB). João Azevedo, embora ungido por Ricardo como seu sucessor no Palácio da Redenção, acabou rompendo com Ricardo, que concorre a uma vaga de deputado federal pelo estado. Pela longa experiência na gestão da máquina, o grupo conseguiu uma grande capilaridade junto aos grotões do estado, onde Cícero Lucena encontra algumas dificuldades. Por essas razões, hoje Lucas Ribeiro é tido como favorito naquelas eleições. 

Editorial: O que esperar do debate da Band no próximo dia 23?

Fernando Mitre


Consideramos um profundo desrespeito ao eleitorado a ausência de um candidato num debate político. A atitude também depõe contra os princípios elementares da democracia, negando ao eleitorado a possibilidade de conhecer as propostas daqueles que se propõem a gerir os destinos do país. Na realidade, esses políticos fazem um cálculo canhestro sobre a sua participação nesses eventos. Uma cadeira vazia é sempre uma situação difícil de explicar à população, conforme observa o jornalista Fernando Mitre, diretor de Jornalismo do Grupo Bandeirantes, com uma forte tradição na realização desses encontros. A cadeira vazia é uma simbologia danosa em termos de comunicação política. É desrespeitosa. 

Num desses debates mais recentes, realizado pela Band de Minas Gerais, constatou-se a ausência do candidato do PT ao Palácio Tiradentes, Patrus Ananias. Hoje, 18, ficamos sabendo que talvez não possamos contar com a presença dos dois nomes que lideram a corrida pelo Palácio do Planalto: Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL. Lula argumentou que seria ele contra todos os demais, pois só haveria um nome como representante da esquerda. Flávio, por sua vez, parece não se sentir muito à vontade nos debates, se considerarmos situações anteriores. Vamos ter Renan Santos, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, e, talvez, o Pablo Marçal, que, segundo dizem, passou a ser candidato ao Palácio do Planalto, depois de uma liminar concedida. 

Enquanto isso, na sala de justiça, a Polícia Federal continua com o seu trabalho incansável de desvendar a trama que roubou bilhões dos aposentados e pensionistas do INSS. Uma figura de proa dessa engrenagem foi preso recentemente e, hoje, parte das investigações chegam à antessala do Palácio do Planalto, com eventuais beneficiários ligados ao Governo Lula. Isso é nitroglicerina pura num ano eleitoral. Nem a localização de petróleo pela Petrobras no Amapá será suficiente para aplainar esse escândalo. Por falar no Amapá, o Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, voltou a fazer as pazes com o presidente Lula, prometendo destravar pautas de interesse do Governo. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Editorial: A picanha do Lula

Crédito da Foto: Agora Alagoas. 


Repercute bastante nas redes sociais um vídeo onde o deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, aparece comentando uma cena, num supermercado, onde o centro das atenções é uma peça de picanha. Todo o cenário e as falas fazem alguma referência às promessas de Lula, desde as eleições de 2022, quando disputou o terceiro mandato, afirmando que a tão sonhada picanha iria voltar ao prato dos brasileiros. Definitivamente, não voltou. O corte da carne bovina continua muito distante da mesa dos brasileiros comuns, exceto, talvez, para um grupo minoritário, protegido das oscilações da economia. Mas as promessas de Lula foram dirigidas àquele eleitor de baixa renda, um grupo que sempre sufragou seu nome nas campanhas eleitorais. 

Ainda hoje é onde se situa o grande contingente eleitoral do petista, a despeito de algumas oscilações. Acreditamos que a picanha não deve entrar no cardápio dessas eleições. Ficaria muito complicado para Lula prometê-la de novo. Não como promessa de campanha. No que se refere à peça de crítica ao presidente Lula, que concorre à reeleição, no entanto, estima-se que o vídeo possa ser muito bem explorado, causando algum estrago à imagem do petista. A picanha é a estrela principal do vídeo, mas há referências ao custo de vida do período de governo, onde se pergunta o que poderíamos comprar hoje com R$ 100 reais. Em termos de proteínas, talvez dois quilos de osso do patinho e os ingredientes para se fazer uma sopa. Pelo menos o intestino agradeceria o reforço de colágeno.  

O vídeo de Nikolas Ferreira, como sempre, já alcançou milhões de visualizações. Os caras que trabalham com esta estratégia de comunicação são muito bons. Sugere-se que o perfil do parlamentar tenha "caído" ou saído do ar alguns dias antes do lançamento do vídeo, exatamente para ampliar o seu alcance. É tudo muito bem pensado. Uma verdadeira peça de picanha, temperada com sal grosso, assada na brasa, envolvida na farinha de mandioca e servida ao algoritmo numa bandeja, que trata logo de viralizar o vídeo, entregando-o a milhões de internautas. Há bolsonaristas afirmando que isso poderá produzir danos irreparáveis à campanha do petistas. Como se trata de parte interessado, convém esperarmos mais um pouco. 

Editorial: Começa a campanha eleitoral



Oficialmente, ontem foi dada a largada para a campanha eleitoral deste ano. Uma festa da democracia, marcada por alguns fatos desagradáveis, a exemplo da antecipada recusa de Lula em participar do primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Planalto, programado para o dia 23, pela Rede Bandeirantes de Televisão. Depois do exercício de três mandatos presidenciais, fica muito difícil para o petista justificar a sua ausência num debate. Desta vez saíram com o "argumento" de que ele se encontra em desvantagem, uma vez que é o único candidato de esquerda. Não seria improvável que Flávio Bolsonaro também deixe de comparecer, desta vez  alegando que não gostaria de debater com um candidato de extrema-direita, o Renan Santos, do Missão. E o eleitorado, como fica?  

Estamos tendo agora acesso aos programas de governo dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto, mas, mesmo assim, já é possível pontuar as fragilidades desses programas, concebidos apenas para dar conta das exigências da legislação eleitoral. Já houve um tempo em que os candidatos a cargos públicos tiveram maior respeito por esses programas. No debate de ontem, transmitido pela Band, com os candidatos ao Governo de Minas Gerais, louve-se a atitude do candidato do MDB, Gabriel Azevedo, que alegou ter lido todos os programas de governo dos seus concorrentes. Ele esteve muito bem no debate, talvez exatamente por ter feito o dever de casa. Ao passo que o candidato do PT, Patrus Ananias, sequer compareceu. Alexandre Kalil, do PDT, confessou que não leu nem o seu próprio programa de governo. 

Aconteceram alguns fatos preocupantes no dia de ontem, 16, dia da abertura da campanha, como uma cena que já está se tornando recorrente. Durante uma missa, numa localidade de Salvador, enquanto o padre rezava a missa, os bandidos trocavam tiros na rua. Numa cidade do Ceará, circulou a informação de que um prefeito foi ameaçado de morte apenas por ter recebido Ciro Gomes(PSDB-CE), que estava em campanha na cidade. Aqui em Pernambuco, uma movimentação estranha para a retirada da candidatura do candidato do PSOL, o jornalista Ivan Moraes, que deve continuar no páreo.   

domingo, 16 de agosto de 2026

Charge! Borega via perfil do Instagram.


 

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: PSOL mantém candidatura



Nas últimas horas comentou-se bastante acerca de uma eventual movimentação dos socialistas locais no sentido de forçar uma retirada da candidatura do jornalista Ivan Moraes, que concorre ao Governo do Estado pelo PSOL. Na realidade, o que se diz é que o próprio João Campos(PSB-PE) teria feito gestões neste sentido. Ontem, 15, numa coletiva de imprensa - ou reunião partidária - onde confirmou sua candidatura, o jornalista se perguntou acerca da motivação do candidato João Campos em vê-lo fora da disputa. É uma boa pergunta do jornalista. Considera que o percentual de votos obtidos pelo psolista poderia fazer a diferença em sua contenda com a governadora Raquel Lyra? Receio de um enfrentamento num debate? 

João sabe que enfrenta uma disputa acirrada e hoje encontra-se, numericamente, em desvantagem em relação aos índices de intenção de votos obtidos pela governadora Raquel Lyra, que conta com percentuais de aprovação robustos junto ao eleitorado. Os percentuais de aprovação da governadora a credencia a continuar como inquilina do Palácio do Campo das Princesas por mais quatro anos. O PSOL é daquele núcleo duro ideológico articulado com o PT, assim como o PCdoB. O curioso é que não se sabe de alguma movimentação do PSB anterior no sentido de se contrapor à tal candidatura, ali quando ela começou a ser gestada, o que se entenderia em razão da histórica aliança entre as duas legendas. 

Naquele momento, isso poderia ser entendido como uma movimentação natural. Agora, não. Ivan Moraes está com a sua chapa completa, conversando com as suas bases, dialogando com a sociedade civil, movimentos sociais. Como desistir agora? Seria deselegante com seus eleitores e  contraditório com o perfil do candidato. Firme, rapaz. Não tem nada que retirar candidatura. A manobra, em última análise, depõe contra os princípios republicanos e democráticos, principalmente quando se trata de um partido como o PSOL, grêmio partidário que ocupa um espaço necessário no debate sobre os rumos do estado e do país. 

sábado, 15 de agosto de 2026

Editorial: O "rebuliço" na política alagoana



O escritor Graciliano Ramos foi prefeito de Palmeira dos Índios durante dois anos. Renunciou ao cargo antes de completar o mandato, possivelmente em razão de sua não adequação àquele ambiente. No período em que foi gestor público, deu provas inquebrantáveis de espírito e zelo pela coisa pública. Recusou a admissão de duas de suas irmãs na instrução pública porque elas não haviam prestado concurso. Mandou multar o próprio pai, por manter animais soltos nas ruas, quando havia uma determinação da Prefeitura Municipal em contrário. Quando indagado a esse respeito por um acanhado fiscal municipal, afirmou: - prefeito não tem pai. Mande lavrar a multa. 

Este introito é para falar do grande rebuliço da política alagoana nos últimos dias. Primeiro foi o caso do deputado federal Alfredo Gaspar, pinçado de uma disputa ao Senado Federal pelo estado, para assumir a condição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Ontem, 14, ficamos sabendo de um eventual encontro fora da agenda entre o presidente Lula e o ex-prefeito da capital alagoana, JHC (João Henrique Caldas), um jovem com futuro promissor na terra dos marechais. Faz algum tempo que se falou numa eventual aproximação entre João Henrique Caldas e Lula, envolvendo, igualmente, uma eventual participação de João Campos(PSB-PE) nas negociações. Ontem mesmo começaram a circular a informação de que JHC desistiria de sua candidatura ao Governo do Estado para se candidatar ao Senado Federal.  

A mudança de rumo de JHC está produzindo alguns arranjos inusitados na composição da disputa, o que favoreceria os Renan, tanto no que concerne à disputa pela cadeira do Palácio Zumbi dos Palmares, quanto em relação às duas vagas ao Senador Federal, prejudicando os projetos de Arthur Lira, antes um aliado de JHC. JHC deixou a Prefeitura de Maceió com altos índices de aprovação, o que poderia, de alguma forma, ameaçar o projeto de reeleição de Renan Filho. Quanto à reeleição do pai, Renan Calheiros, tudo indica que uma das vagas pode ser dele, se considerarmos as últimas pesquisas de intenção de voto para a Casa Alta. A questão agora é a segunda vaga. 

Editorial: A profecia do bruxo



Existem três atores políticos no Brasil que impõem ficarmos atentos às suas falas. Um desses nomes é o do Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab. Além de muito hábil politicamente, o ex-prefeito de São Paulo transita pelas tribos mais estratégicas do país, aquelas que, na realidade, definem o resultado do jogo. Tal condição dá a ele uma capacidade ímpar de chegar a determinadas conclusões muito antes do que os pobres mortais. Sua fala recente, afirmando que o candidato Flávio Bolsonaro teria "chance zero" de vencer as próximas eleições presidenciais precisam ser analisadas com a ponderação devida. Nesta mesma afirmação, Kassab sugeriu que a propalada reticência ou neutralidade do Centrão, na realidade, pode ser traduzida como apoio ao projeto de reeleição do presidente Lula. 

Há de se considerar aqui, no entanto, a jogada do bruxo em relação ao candidato do seu partido, o PSD, Ronaldo Caiado. Kassab é vice de Caiado. Na eventualidade de um segundo turno, algumas pesquisas mostram um equilíbrio de forças entre o ex-governador goiano e o petista. Na contingência de uma inviabilidade de Flávio, quem poderia ocupar esse espaço? A fala causou uma repercussão interessante, inclusive em hostes bolsonaristas. Ontem líamos a informação de que aquele pastor conhecido por sua identificação com o bolsonarismo talvez não participe das movimentações programadas para o 07 de setembro. Sinalizações assim não são frutos do acaso. Sempre indicam expectativas. Neste caso, de poder.

A campanha já está nas ruas. Vamos ver como o eleitorado se comporta a partir de agora. O que muda? Em matéria de escândalos, o jogo está praticamente empatado. O PT moveu moinhos de ventos para blindar Lulinha das investigações do CPMI do INSS, mas ele encontra-se enredado por três investigações encetadas pela Polícia Federal. O que muda na campanha de Lula com a saída de Sidônio Palmeira? Vamos acompanhar como esses atores se movimentarão daqui para a frente e, principalmente, como o eleitorado reagirá.