Os bolsonaristas são fortes em Pernambuco. A demonstração de força deste grupo político de direita já ficou evidente em inúmeros eventos no estado. Raquel Lyra foi eleita governadora do Estado de Pernambuco com o apoio expressivo dos bolsonaristas, assim como o candidato João Campos, eleito pela primeira vez prefeito do Recife com um discurso acentuadamente anti-petista. Num estado "lulista" por natureza, hoje, tanto Raquel quanto João Campos evitam assumir posições que possam melindrar ou afugentar o eleitorado identificado com Lula no estado. Os bolsonaristas são até bem-vindo, desde que isso não signifique perder completamente o eleitorado que se identifica com o presidente Lula. Daí a preocupação com a formação de dois palanques lulistas no estado.
Tanto João Campos quanto Raquel Lyra moveram moinhos neste sentido, tendo sido mais fácil ao prefeito fazer este trânsito. Raquel era do PSDB, partido de rusgas antigas com o PT. Hoje filiada ao PSD, o partido tem um candidato de perfil da direita bolsonarista autêntica ao Palácio do Planalto, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Gilberto Kassab teria deixado ela livre, mas não como não ser cobrada em relação a isso, principalmente pelo pessoal da campanha de João Campos? E, por falar em bolsonarismo, por onde anda os bolsonaristas do estado? Em sua maioria, eles estão hoje orbitando em torno do Palácio do Campo das Princesas, a exemplo de Anderson Ferreira e Mendonça Filho, que ontem deixou o União Brasil e filiou-se ao PL, possivelmente com o sinal verde do candidato Flávio Bolsonaro.
Não se sabe ainda como esse grupo será acomodado na chapa da governadora Raquel Lyra. Ambos estavam nas anotações deixadas pelo candidato Flávio Bolsonaro como eventuais nomes que se candidatariam ao Senado no Estado. Em princípio, não há nenhum candidato do partido ao Governo do Estado. Ou há e nós não sabemos? Mendonça já declarou que está "fechado" com a reeleição de Raquel Lyra. Hoje, primeiro de abril, a crônica política local traz a informação dando conta da desfiliação do deputado federal Túlio Gadelha, da Rede, e filiação ao PSD, partido da governadora. O objetivo seria a sua candidatura ao Senado Federal na chapa da governadora. Não podemos confirmar se procede, uma vez que seu nome ainda não foi confirmado. Seria uma manobra da governadora para "diluir" o perfil de direita de sua chapa.
Um fato, porém, preocupa. As vagas ao Senado Federal do Campo das Princesas estão literalmente "congestionadas". Como a governadora irá se arranjar para assegurar espaço para tantos pretendentes à disputa ao Senado Federal? São candidatos para a formação de três chapas. Ela tem trabalhado em silêncio, o que é prudente. Voltemos a repetir O Sagrado Evangelho de Mateus, principalmente nesta Semana Santa: Muitos são os chamados e poucos os escolhidos. A questão aqui é como aplacar a ira dos não escolhidos. Vejam os leitores, por exemplo, a reação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, depois que foi preterido na indicação do PSD à Presidência da República.
