Estávamos realizando um levantamento acerca dos textos publicados sobre as eleições de 2022 no estado. Dá um bom livro sobre o assunto, mas conforme já expusemos em outro momento, pouca gente se interessa sobre as eleições passadas, exceto, talvez, estudiosos do assunto e marqueteiros. Como Marília Arraes aparece por ali! Bem próximo ao final das eleições publicamos um longo texto explicando as razões pelas quais ela havia perdido aquelas eleições. Um erro de posicionamento em relação aos socialistas locais, um grupo que o eleitor pernambucano já decidira que seria o momento de deixar o Palácio do Campo das Princesas. Lembramos de um case de negócios famoso, transformado em livro, onde um executivo da Coca-Cola, por um motivo estranhíssimo, resolveu mudar a fórmula do produto.
O erro estratégico, muito bem explorado pelos executivos da Pepsi-Cola, permitiu a esta empresa o ganho de fatias consideráveis do mercado americano de refrigerantes. Pouco tempo tempo depois, um marqueteiro envolvido na campanha, acabou concordando com nossa análise, em artigo publicado num blog local. Embora apontasse outros equívocos da candidata durante a campanha, considerou ter sido determinante a sua decisão de reaproximar-se dos socialistas. Este blog tem uma dívida de gratidão com Marília Arraes. Na condição de vereadora do Recife à época, ela foi a única voz que se levantou na Casa de José Mariano, propondo uma moção de desagravo a um processo movido pelo Governo do Estado contra o professor Michel Zaidan Filho. É uma dívida impagável, como diria, com o seu senso de humor, o próprio mestre. É um fato inegável que o eleitor pernambucano deseja ver a militante como a nossa representante na Casa Alta, assim como é irreversível a sua decisão de candidatar-se ao Senado Federal. Está se filiando ao PDT, com o aval de Carlos Lupi, e, pelo menos publicamente, o objetivo é este.
Nos últimos dias tem sido intensa as movimentações no tabuleiro da politica pernambucana. Está em jogo, sobretudo, a definição dos nomes que disputarão o Senado Federal pelo Estado. Política é como as nuvens. Mudam constantemente, conforme ensinava uma velha raposa mineira. João já foi eleito na esteira de um discurso antipetista, mas hoje é o principal aliado de Lula no estado. Embora não haja nenhuma pesquisa qualificada acerca de quem seja este eleitor de Marília Arraes, supõe-se que ele seja majoritariamente petista, o que pode ser realmente bem provável. Neste caso, ele estaria disposto a acompanhar a candidata numa chapa com a governadora Raquel Lyra? Ou migraria para um outro concorrente à Casa Alta. Numa conversa com a candidata, a experiente senadora Tereza Leitão teria alertado para o problema, insinuando que ela poderia passar a campanha tentando se explicar, o que, convenhamos, não se recomenda muito bem.
O caminho "natural" de Marília seria integrar-se ao projeto de João Campos ao Palácio do Campo das Princesas. A questão que se coloca é como acomodá-la na chapa? Muitos são os chamados e poucos os escolhidos, conforme o Evangelho de Mateus. Ontem, 11, um anúncio oficioso sobre a eventual composição da sua chapa já provocou um verdadeiro tsunami no cenário político local. Essas coisas são tão curiosas que o PDT, até o momento, não faz qualquer sinalização ao Palácio do Campo das Princesas, embora se diga que Raquel Já teria convidado Marília para concorrer ao Senado Federal na sua chapa.
