Há muita coisa a ser devidamente esclarecida no que concerne à medida tomada pelo Governo dos Estados Unidos em relação ao descredenciamento de um delegado da Polícia Federal que atuava naquele país, envolvendo o episódio da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Algum tempo depois Ramagem foi solto e o ICE informou que ele pode aguardar a análise do pedido de extradição em liberdade. Assim que tomou conhecimento da medida, o presidente Lula informou que iria analisar a situação e que, se percebesse que se tratava de algum exagero, medidas de retaliação poderiam ser tomadas pelo Governo brasileiro. Ontem foi anunciado que um agente americano que trabalha no Brasil perdeu suas credenciais.
O presidente Lula fez questão de elogiar a medida tomada pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Os jornais de hoje também informa o presidente teria autorizado a contração de novos policiais federais, dentro de um esforço para o enfrentamento do crime organizado no país. Sabe-se, entretanto, que não se trata apenas de aumento de contingente. As indisposições entre os dois países permanece, sem que se vislumbre, a curto prazo, alguma solução no campo diplomático. Há rumores de que os Estados Unidos, independentemente do desejo do Governo brasileiro, possa decretar como organizações narcoterroristas facções como o PCC e o Comando Vermelho, outro fator de estremecimento da relação entre os dois países.
Uma das primeiras lições de Sun Tzu, no texto clássico A Arte da Guerra, livro muito utilizado no mundo corporativo, é sobre a necessidade de conhecermos bem o adversário. Hoje, no continente, os Estados Unidos tem se comportando como uma nação que praticamente ignora as negociações diplomáticas e passam por cima da soberania dos países quando está em jogo seus interesses estratégicos. É muito complicada esta situação. Como critica Lula, tem que ser o que eles querem.
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