Acabou de sair - e está ainda quentinho- o levantamento realizado pelo Instituto Atlas\Boomberg sobre a corrida presidencial de 2026 ao Palácio do Planalto. A própria chamada do editorial sugere que estamos diante de dados que pudessem suscitar um debate mais aprofundado sobre o tema. Infelizmente não há nada de novo no front da disputa. Lula parece à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro e, no segundo, empata com o representante do bolsonarismo e com Romeu Zema, candidato do Novo, sempre dentro da margem erro do instituto, de 2.pp, sugerindo que o presidente pode perder a eleição. Acreditam os especialistas que a birra de Romeu Zema com o STF possa atrair a simpatia de alguns eleitores, embolando o meio de campo da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. As pesquisas de intenção de voto ainda não indicam isso. Zema já foi ameaçada até de prisão.
Ontem, 27, líamos um excelente artigo, onde a autora discute o esgotamento do modelo petista de atendimento a determinados extratos sociais, baseados no triplé: Bolsa Família, concessões de créditos consignados e aumento real do salário mínimo. O artigo foi interessante para entender um pouco porque o petismo está perdendo capilaridade entre eleitores, sobretudo entre os jovens, as mulheres, e os evangélicos. Na realidade, o brasileiro está à procura de "melhores oportunidades", conclui a autora, o que esses programas não asseguram. O Bolsa Família impede que o indivíduo possa trabalhar para aumentar seu perfil de renda; os créditos consignados deixaram 2 em cada 3 brasileiros endividados e o salário mínimo não permite uma boa relação com as gôndolas dos supermercados para abastecer a geladeira. Os jovens terminam seu curso superior, por vezes através de financiamento do Estado, mas acabam se tornando "entregadores".
Picanha? Nem pensar. Vamos mesmo de costela no bafo ou de um chambaril, que leva a vantagem do colágeno, com o caldo de osso no pirão. Um salário mínimo justo já estaria acima dos sete mil reais, conforme os cálculos do DIEESE. Por mais que ele seja aumentado acima dos índices inflacionários, ainda está muito longe de atingir os objetivos de atender dignamente uma família de quatro pessoas. O próprio Lula já entendeu que precisa apresentar algo "novo" para a sociedade brasileira. Algo que justifique um quarto mandato.
