A Medida Provisória dos Portos sempre gerou
muita polêmica, mas nada que se compare às últimas discussões na Câmara
Federal, durante sua votação, amplamente noticiada, onde a Casa
legislativa, literalmente, virou uma pocilga, uma vez que o deputado
Anthony Garotinho(PR), líder da bancada, taxou-a de "medida dos
porcos", em razão dos inúmeras emendas proposta pelo líder do PMDB,
Eduardo Cunha. A sessão foi encerrada em razão dos tumultos e troca de
acusaões. O clima esquentou bastante, deixando o ambiente irrespirável.
Garotinho pegou pesado, mas, segundo comenta-se, agradou em cheio ao
Palácio do Planalto. Dilma Rousseff não suportaria Eduardo Cunha.
Garotinho acusa Eduardo Cunha de estar a serviço do banqueiro Daniel
Dantas e dos seus lobistas. São acusações graves, que podem ser
investigadas, instigando o deputado Garotinho a ter que provar o que vem
afirmando. O presidente da Câmara, Eduardo Alves cogitou da
possibilidade de punir Garotinho. O PR também pensou em afastá-lo da
liderança. Por enquanto, as coisas estão em banho maria.
sábado, 11 de maio de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Salve-se quem puder, artigo de Marli Gonçalves
Salve-se quem puder!
Por Marli Gonçalves
Deseducação, deselegância, pouco caso, grosserias e
mentiras ditas e repetidas como mantras, acompanhadas de imagens
publicitárias, incentivos ao confronto como turbas enfurecidas. Será a
água que bebemos, o ar que respiramos? Ou é apenas o chão que pisamos,
território nacional?
Corre na internet uma velha piada, a de que as grávidas e os velhos
devem dar sono porque basta que se aproximem para que todas as pessoas
apareçam dormindo nos ônibus e transportes coletivos. Todos os dias
surgem nas redes sociais postagens muito reais e verdadeiras, várias
documentadas com fotos, com exemplos espantados de enfrentamentos ou de
situações verdadeiramente primitivas, e totalmente deselegantes,
como diria a Annenberg. Problema é que elas estão se avolumando de
forma assustadora, em todos os níveis, e nós não podemos continuar
considerando normal essa situação, porque já seria uma derrota geral.
Surgem imagens de carros parados em vagas exclusivas e seus donos jovens e fagueiros ou pomposas senhoras ligando os seus foderaizers particulares, dando de ombro, vários até bem ameaçadores. Surgem murmúrios, reclamações e constatações sobre pequenos encontros e esbarrões, e de tanto ouvi-los, chego à conclusão que infelizmente houve uma morte terrível e não anunciada: as desculpas, o pedido de desculpas. E sinto ainda informar que se encontram em estado grave as expressões "com licença", "obrigado", "por favor".
Como ninguém - eu disse ninguém - pode me chamar de careta, reacionária ou outros adjetivinhos em voga na boca da turba louca, me divirto muito, porque escrevo mesmo: estamos andando para trás, estamos regredindo, perdendo o sentido do social, que não é só o que os tais últimos dez anos de poder político apregoam. Social é convivência, cidadania, solidariedade, e não é bem o que a gente vê sendo incentivado, muito menos naquele Brasil engraçado ( que desconheço, assim como várias pessoas que consultei) que mostraram na tevê no horário político do PT essa semana. Como tão bem descreveu um amigo, ao ver a imagem do mapa do Brasil subindo, em relevo, da Terra, saindo para a órbita celestial, decolando, conforme diz o narrador: "Decolou mesmo. Está indo para o espaço!"
Pensando no assunto, do ponto de vista social, não político, percebi que apareceu uma nova e devastadora cultura, à qual chamarei provisoriamente de cultura BBB, reality show. Aquele bando de brucutus e brucutuas sem cérebro, querendo vencer a qualquer custo e ganhar uns trocados e alguns segundos de fama, moralistas, muitos homofóbicos, fazendo fofocas e intrigas, estabelecendo padrões angustiantes, tanto estéticos como morais. Nem a nudez mais é pura como devia ser. Nos vestiários femininos e masculinos de academias assistimos às mais novas acrobacias, de dar inveja aos contorcionistas! Outro dia me contaram rindo muito uma cena de um cara que, de tanto medo de ser, digamos, "comido com os olhos", se entortou todo para botar uma cueca mais rápido que a luz, depois de tirar aquela bermuda justinha que os lutadores usam nos treinos. E olha que estou falando de jovens, ok? Não há mais flor da pele, apenas nervos aparentes.
Falo de uma guerra urbana na qual vemos todos os dias nos noticiários os resultados e eles são a cada dia mais cruéis. Bicicletas esmagadas, bebês esmagados, mulheres esmagadas, animais esmagados. Não tem dia não tem noite não tem calmaria. Não tem lugar. Aumentam assassinatos, estupros, professores espancando alunos e vice-versa. Não tem idade, só brutalidade.
Tente sair com o espírito leve, solto, tralalá,tralálá. Só com sangue de barata conseguirá voltar para casa sem ter se irritado, sem ter sido maltratado, ou literalmente pisado pelos transeuntes que agora andam só de cabeça baixa teclando alucinados seus celulares e dando encontrões por aí.
Tente passar sozinho por um grupinho de celerados iguais, com seus risinhos irônicos e comentários entre dentes. Tente esperar que lhe deem passagem voluntariamente.
Pior, quando o caso requer, tente procurar autoridades para ajudar.
Viraremos todos mosqueteiros ao contrário. Ou empunhando espadas por aí.
(Publicado originalmente na coluna do jornalista Cláudio Humberto)
Surgem imagens de carros parados em vagas exclusivas e seus donos jovens e fagueiros ou pomposas senhoras ligando os seus foderaizers particulares, dando de ombro, vários até bem ameaçadores. Surgem murmúrios, reclamações e constatações sobre pequenos encontros e esbarrões, e de tanto ouvi-los, chego à conclusão que infelizmente houve uma morte terrível e não anunciada: as desculpas, o pedido de desculpas. E sinto ainda informar que se encontram em estado grave as expressões "com licença", "obrigado", "por favor".
Como ninguém - eu disse ninguém - pode me chamar de careta, reacionária ou outros adjetivinhos em voga na boca da turba louca, me divirto muito, porque escrevo mesmo: estamos andando para trás, estamos regredindo, perdendo o sentido do social, que não é só o que os tais últimos dez anos de poder político apregoam. Social é convivência, cidadania, solidariedade, e não é bem o que a gente vê sendo incentivado, muito menos naquele Brasil engraçado ( que desconheço, assim como várias pessoas que consultei) que mostraram na tevê no horário político do PT essa semana. Como tão bem descreveu um amigo, ao ver a imagem do mapa do Brasil subindo, em relevo, da Terra, saindo para a órbita celestial, decolando, conforme diz o narrador: "Decolou mesmo. Está indo para o espaço!"
Pensando no assunto, do ponto de vista social, não político, percebi que apareceu uma nova e devastadora cultura, à qual chamarei provisoriamente de cultura BBB, reality show. Aquele bando de brucutus e brucutuas sem cérebro, querendo vencer a qualquer custo e ganhar uns trocados e alguns segundos de fama, moralistas, muitos homofóbicos, fazendo fofocas e intrigas, estabelecendo padrões angustiantes, tanto estéticos como morais. Nem a nudez mais é pura como devia ser. Nos vestiários femininos e masculinos de academias assistimos às mais novas acrobacias, de dar inveja aos contorcionistas! Outro dia me contaram rindo muito uma cena de um cara que, de tanto medo de ser, digamos, "comido com os olhos", se entortou todo para botar uma cueca mais rápido que a luz, depois de tirar aquela bermuda justinha que os lutadores usam nos treinos. E olha que estou falando de jovens, ok? Não há mais flor da pele, apenas nervos aparentes.
Falo de uma guerra urbana na qual vemos todos os dias nos noticiários os resultados e eles são a cada dia mais cruéis. Bicicletas esmagadas, bebês esmagados, mulheres esmagadas, animais esmagados. Não tem dia não tem noite não tem calmaria. Não tem lugar. Aumentam assassinatos, estupros, professores espancando alunos e vice-versa. Não tem idade, só brutalidade.
Tente sair com o espírito leve, solto, tralalá,tralálá. Só com sangue de barata conseguirá voltar para casa sem ter se irritado, sem ter sido maltratado, ou literalmente pisado pelos transeuntes que agora andam só de cabeça baixa teclando alucinados seus celulares e dando encontrões por aí.
Tente passar sozinho por um grupinho de celerados iguais, com seus risinhos irônicos e comentários entre dentes. Tente esperar que lhe deem passagem voluntariamente.
Pior, quando o caso requer, tente procurar autoridades para ajudar.
Viraremos todos mosqueteiros ao contrário. Ou empunhando espadas por aí.
(Publicado originalmente na coluna do jornalista Cláudio Humberto)
Lyra faz o dever de casa, mas seria o nome da preferência de Eduardo para sucedê-lo?
Seguindo os conselhos do ex-governador Joaquim Francisco, para quem cobra que não anda nãp engole sapo, o vice-governador, João Lyra, vem intensificando os seus cantotos políticos nos últimos dias. João Lyra é um dos nomes cotados para suceder Eduardo Campos no Palácio do Campo das Princesas, a partir de 2014. Caso se confirme a candidatura de Eduardo Campos, Lyra segura a caneta por aproximadamente um ano, na condição de governador, o que lhes permitirá uma situação privilegiada, mas, mesmo assim, incerta sobre as preferências do governador Eduardo Campos, sobretudo depois de confirmada suas movimentações nacionais. Alguém já andou afirmando que este,a aliás, é um dos poucos trunfos do governador. Deverá "negociar" bastante o Governo do Estado. A fila de possíveis sucessores é grande e está bastante dessarumada. No dia de hoje, Lyra encontoru-se com o senador do PMDB, Jarbas Vasconcelos, um ato político muito próximo de Eduardo Campos. Para dar um bom exemplo, uniu a província em torno do seu nome. Em Caruaru, José Queiroz e Tony Gel, dois desafetos, já declararam apoio ao vice-governador. Para limpar o meio de campo, também é tida como certa sua filiação ao PSB. Não se pode dizer que o caruaruense não vem fazendo o dever de casa.
Sob pressão, para onde vai o ministro FBC?
Sob pressão, para onde vai o ministro FBC?
O interesse do ministro da Integração Nacional
(PSB) em disputar o Governo de Pernambuco já lhe teria rendido convites
para ingressar em outras legendas; as primeiras especulações apontavam
que o PT, desejoso por enfraquecer os planos nacionais do governador
Eduardo Campos (PSB), estaria disposto a apoiar o ministro caso ele
abandone a sigla socialista; entre as opções estão ingressar no próprio
PT, PMDB, PSD ou ainda o PP; e se os interessados são muitos os
problemas também são e caso venha a se desfiliar do PSB, Bezerra
enfrentaria problemas em qualquer uma das legendas visadas; para o PSB,
porém, o ministro está firme e o burburinho em torno da sua saída é mera
especulação
10 de Maio de 2013 às 18:10
Paulo Emílio_PE247 - O interesse do ministro da
Integração Nacional (PSB) em disputar o Governo de Pernambuco já lhe
teria rendido convites para ingressar em outras legendas. As primeiras
especulações apontavam que o PT, desejoso por enfraquecer os planos
nacionais do governador Eduardo Campos (PSB), estaria disposto a apoiar a
postulação do ministro dsede que ele abandone a sigla socialista. Neste
ponto, ele poderia ir para o próprio PT, o PMDB ,o PSD do ex-prefeito
de Gilberto Kassab, ou ainda o PP. Mas caso venha a se desfilar do PSB,
Bezerra enfrentaria problemas em qualquer das legendas visadas. Para o
PSB, porém, o ministro está firme junto ao partido e o burburinho em
torno da sua saída é mera especulação.
A sinalização para a saída de FBC da legenda socialista, teria
partido próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo uma
fonte do jornal Folha de Pernambuco, FBC teria participado de uma
reunião com Lula, na última quarta-feira, em Brasília, onde este teria
garantido o apoio do PT em torno da sua candidatura. Ainda segundo o
jornal, Lula teria assinalado que esperava que Eduardo saísse candidato
apenas em 2018, quando teria o seu apoio.
“Eduardo queria ser candidato a presidente com o apoio de Lula, mas
isso não vai ocorrer. Fernando Bezerra Coelho queria ser candidato a
governador com apoio de Eduardo, mas isso também não vai ocorrer. Mas o
ministro será candidato com o apoio de Lula”, teria dito a fonte. Caso a
situação se confirme, FBC seria praticamente empurrado para o PMDB, uma
vez que setores do PT possuem uma série de reservas quanto ao seu nome.
Mas mesmo contando com um possível empurrão de Lula e da presidente
Dilma Rousseff (PT), o ingresso do ministro no PMDB é visto como um
possível foco de problemas. “O PMDB pernambucano é majoritariamente
inclinado a apoiar a candidatura de Eduardo. O fim da verticalização
partidária, onde pode haver palanques estaduais não alinhados com o
posicionamento nacional do partido, permite esta possibilidade. Resta
saber se o PMDB vai promover
uma intervenção no diretório estadual ou mudar o estatuto, proibindo
alianças desalinhadas da direção nacional, somente por conta de
Pernambuco? Se fizer intervenção, também terá que fazer na Bahia e no
Mato Grosso, por exemplo, onde em nível estadual o PMDB também não tem
interesse em apoiar o palanque do PT”, analisa em reserva um
peemedebista. Neste caso, haveria uma briga jurídica que acabaria por
minar as chances de FBC concorrer ao palácio do Campo das Princesas pelo
PMDB.
Uma outra alternativa oferecida ao ministro seria ingressar nos
quadro do PSD. Neste ponto, o presidente nacional da legenda, Gilberto
Kassab, que tem interesse em ampliar com candidaturas competitivas a sua
esfera de influência, já teria colocado o partido disposição de FBC.
Apesar do presidente estadual do partido, André de Paula, já ter
manifestado que a legenda pretende apoiar uma possível candidatura
socialista, Bezerra conta com a pressão da executiva nacional e também
por parte do PT para reverter esta posição.
Restaria o PP, cujo presidente em Pernambuco, deputado federal
Eduardo da Fonte, já afirmou que o partido irá “reivindicar espaço na
chapa majoritária”, independente do campo político que venha a apoiar.
Nas últimas eleições, o PP integrou a Frente Popular de Pernambuco,
aliança de partidos encabeçada pelo PSB de Eduardo Campos. Apesar de
possuir a quinta maior bancada da Câmara Federal – atrás do PT, PMDB,
PSDB e PSD – o PP não possui grande expressão em nível estadual, o que
poderia ser um empecilho aos planos de FBC frente a outros potenciais
pré-candidatos.
Assim como Bezerra, o senador Armando Monteiro (PTB) é outro que
espera ser o ungido por Campos para sucedê-lo. Caso ele não conte com o
apoio do PSB, deverá tentar um voo solo rumo ao Palácio do Campos das
Princesas. Por outro lado, o vice-governador, João Lyra Neto (PDT),
também estaria negociando o seu ingresso na legenda socialista, o que
torna ainda mais complicada a possibilidade que FBC saia do partido sem
ter um palanque forte para apoiá-lo no pleito eleitoral.
Apesar das movimentações e dos rumores, FBC tem afirmado que
permanecerá integrado aos quadros do PSB . Para a cúpula da legenda, as
especulações em torno da saída do ministro visando concorrer ao Governo
do Estado por outro partido é algo que parece fora de cogitação. “O
Fernando goza de total confiança dentro do PSB. Ele sempre demonstrou
lealdade e está plenamente integrado ao PSB. Não temos razão para
acreditar neste tipo de burburinho”, diz o líder do PSB na Câmara e um
dos principais interlocutores de Campos no Congresso, deputado Beto
Albuquerque.
Lula, o africano, artigo de Pedro Luiz Rodrigues
Por Pedro Luiz Rodrigues
A África parece ter conquistado lugar definitivo na agenda de interesses do Brasil e isso se deve, em grande medida, não há como negar, à firme determinação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde que assumiu a Presidência, em 2003, Lula priorizou (e modernizou) nossas relações com a África e os países africanos. Deixamos de percebê-los pela ótima exclusiva do espelho-retrovisor e passamos a nos entender como companheiros de jornada.
Os vínculos seculares com a África e seus povos estão indelevelmente marcados na fisionomia e no temperamento dos brasileiros e brasileiras. Nossa herança africana não se limitou ao aspecto mais superficial da epiderme, mas, muito mais ampla e profunda, açambarcou nossa alma, nossos valores. Somos trabalhadores, somos musicais, sabemos rir, temos ainda um resquício de banzo, essa “nostalgia, como os negros da Costa quando vinham para cá, e ainda depois de cá estarem”.
Em suas primeiras viagens ao continente, Lula visitou algumas das muitas portas pelas quais milhões saíram da África, forçadamente, para o Brasil e as Américas. No Benin, à beira-mar, esteve na Porta do Não-Retorno. Em Gana, esteve com os tabons (ex-escravos retornados) e visitou o forte de Elmina (São Jorge da Mina). Visitou, também, no Senegal, a ilha de Gorée. Sua proposta não era apenas a de registrar o testemunho do passado e “pedir perdão pelo que fizemos aos negros”, mas a de olhar para frente, e na medida do possível, participar da construção de um futuro comum.
De fato, desde que assumiu a Presidência, em 2003, Lula preocupou-se em promover uma mudança qualitativa de nossos vínculos com os países africanos. Pela primeira vez na história, perderam sua conotação exótica ou periférica, para assumir posição de relevo, com o estabelecimento de iniciativas concretas para cimentar a aproximação, em particular na esfera da cooperação.
Esse trabalho começou cedo. No mesmo ano em que tomou posse, o Presidente Lula fez seu primeiro tour africano, visitando São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Namíbia e África do Sul. No ano seguinte voltou a São Tomé (para reunião da CPLP) e visitou o Gabão e Cabo Verde. Em 2005, Lula visitou cinco países africanos: o Camerún, a Nigéria, Gana, Guiné-Bissau e Senegal. Em 2006, Lula visitou o Benin, a Argélia, Botsuana, a África do Sul e a Nigéria ( onde foi para participar da I Cúpula África-América do Sul, realizada em Abuja, onde tive a oportunidade de recebê-lo). Em 2007 realizou visitas de Estado a Angola, ao Congo (Brazzaville) e a Burkina Faso, além de participar, em Johanesburgo, de reunião multilateral. Em 2008, visitou Moçambique e esteve em Gana (reunião multilateral), em 2009 visitou a Líbia. Seu último ano de governo foi também o mais intenso em termos africanos, tendo visitado seis países: Cabo Verde, Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul.
Quantidade, obviamente, não é tudo. Mas o número de visitas é importante para indicar a prioridade atribuída ao continente africano pelo governo brasileiro. Nessas viagens não somente foram assinadas declarações de amizade, mas foram estabelecidas, também, pontes sólidas para um relacionamento mais diversificado e profundo entre o Brasil e seus vizinhos do outro lado do Atlântico,
Pretendo, ao longo do tempo, ir escrevendo sobre como andam as relações do Brasil com cada um dos países africanos.
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País sem ideologia, artigo de Carlos Chagas.
Por Carlos Chagas
A posse do
novo ministro Guilherme Afif, ontem, serviu para embaralhar mais uma
vez o debate ideológico no país. Ou a ausência dele, porque ideologia
não há mais. Como definir o governo Dilma Rousseff? Voltado para o
mercado e aberto à ampla liberdade de ação dos agentes econômicos? Ou
empenhado em reforçar os controles do poder público em favor dos menos
favorecidos?
Não dá para
permanecer por mais tempo com um pé em cada margem da corrente. Afif é
representante das elites. Para cuidar das micro e pequenas empresas, a
presidente Dilma escolheu quem tradicionalmente representou e defendeu
os interesses das grandes empresas. Sete milhões e quatrocentos mil
pequenos negócios continuam subordinados e girando em torno daqueles
que dirigem os grandes negócios. Com a diferença de que estão, os
pequenos, algemados à burocracia estatal e obrigados a carrear seus
recursos para enfrentar inutilmente o mutirão de impostos e taxas que
os grandes protelam e até ignoram.
“A força está
nos pequenos”, disse o novo ministro, mas só um milagre inverterá a
equação de subserviência deles diante de instituições dos poderosos, a
começar pelos bancos.
Dilma
referiu-se ao “custo Brasil”, eterno pretexto dos grandes para exigir
que o estado trabalhe
por eles, com eles ignorando o estado. Defendeu que a estrutura dos
portos venha a ser aberta ao setor privado. Nada a opor, caso o setor
privado contribua de forma efetiva para desafogar e estimular a
produção. Tudo são dúvidas, num país sem ideologia.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
1.600,000 pessoas pediram para sair do Bolsa-Família
Quando o Programa Bolsa-Família foi lançado, gerou muitas polêmicas.
Todos os "ismos" foram invocados para criticar o Programa. Pontualmente,
algumas questões foram postas, como a "dependência"
desse contingente beneficiado - em número cada vez mais expressivo - do
Estado. Haveria, portanto, a necessidade de se criarem mecanismos de
facilitassem a migração desse grupo para uma situação de geração de
renda, inserção produtiva, autonomia. Em relação às exigências das
famílias manterem os filhos na escola, por exemplo, os críticos sugeriam
que fossem cobrados, igualmente, bom desempenho. Os anos se passaram e
agora o Programa apresenta seus resultados, contribuindo para tirar
milhões de brasileiros da situação de extrema pobreza, transferir renda,
inserir-se no contexto de política regional - sua atuação é maior em
regiões como o Norte e Nordeste - e, para surpresa de muita gente, a
gurizado não apenas continuou seus estudos, como também melhorou seu
aproveitamente em relação aos não assistidos pelo Programa. Essas
críticas contribuíram para que o Programa fosse aperfeiçoado ao longo
dos anos, como uma preocupação com a geração de renda, capacitação
profissional, acesso ao crédito etc. O que ninguém poderia prevê -
lembro-me que quando Patrus Ananias falava sobre o assunto era taxado de
ingênuo - é que, expontaneamente, as pessoas que ultrapasassem os
limites de renda exigido para continuarem no programa pedissem para
sair. Os dados do Governo apontam que 1.600,000 pessoas pediram
desligamento do Programa. Entusiasta do Programa, para mim, esse fato
não deixa de se constituir como uma grata surpresa.
Fernando Bezerra de malas prontas para deixar o PSB. Mas para onde?
Bastante curiosa a situação do Ministro Fernando Bezerra Coelho. Prestigiado no Planalto como um contraponto às movimentações de Eduardo Campos, virtual candidato à Presidência da República, é quase certo que o ministro abandone as hostes socialistas. Há várias razões para isso, entre as quais as chances remotas de ser o nome ungido pelo governador para sucedê-lo. Como não entra em bola dividida, FBC pediu garantias ao Planalto de que o seu nome seria homologado como candidato ao Governo em qualquer circunstância - mesmo diante de um recuo improvável de Eduardo Campos - e o PT local estenderia um tapete vermelho para recebê-lo. Oriundo de um clã tradicional da política pernambucana, que já esteve ligado a partidos que deram sustentação à ditadura militar, setores do PT estadual não digerem muito bem seu ingresso na agremiação. Por outro lado, ontem, em carta ao blog do Magno, o presidente estadual do PMDB, Dorany Sampaio, confirmou uma versão que circulou nos bastidores informando uma tomada de posição do prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, sobre as sondagens de uma possível filiação de FBC ao PMDB: ele entra por uma porta e eu saiu pela outra.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
O "novo" racismo brasileiro.
ESTÁ EM CURSO no Brasil um revival do sentimento mais primordial da
nossa nacionalidade: o ódio ao índio. Uma investida sem precedentes nos
últimos 40 anos sobre as terras indígenas se avizinha, agora que a
bancada ruralista passou com louvor e distinção no crucial teste de
forças do Código Florestal. Porém, se contra o código o latifúndio
investiu sozinho, contra os povos indígenas ele se volta em aliança com
os interesses minerários e o nacional-desenvolvimentismo estatal. Todas
essas forças se apressam em clamar pela “segurança nacional” e denunciar
os interesses das “ONGs estrangeiras”, mas não se acanham em fazer-se
acompanhar de traders do agronegócio, do capital minerário transnacional
e de investidores estrangeiros. Nada contra dinheiro de fora, veja bem; só peço coerência no discurso.
A guerra ao índio é assustadora por dois motivos: primeiro, ela
funciona mais ou menos na mesma lógica da Doutrina Bush, a do ataque
preventivo. Ora, cento e tantas etnias detêm 13% do território
amazônico, portanto, estão quase por default ocupando terras que são ou
serão de interesse da agropecuária, da mineração e da expansão do nosso
parque hidrelétrico (consta que o setor elétrico tem uma proposta em
fermentação de criar “reservas de potenciais hídricos”, uma espécie de
contraponto às reservas indígenas). Cabe, portanto, fazer o que for
possível para garantir que os silvícolas não ampliem seus reclames
territoriais. Ou, para usar a buzzword, é preciso garantir a “segurança
jurídica”.
A segunda coisa que torna a guerra ao índio insidiosa é o fato de o
lado agressor usar o recurso mais comum em qualquer guerra: desumanizar
seu oponente. Já vimos isso antes aqui mesmo: na conquista, quando os
portugueses justificaram o extermínio dos tupinambás pelo fato de sua
língua não ter os fonemas f, l e r (“não têm Fé, nem Lei, nem Rei”); nas
querelas metafísicas sobre se os índios possuíam ou não alma, o que
justificaria moralmente sua escravidão (a Santa Madre Igreja em
determinado momento resolveu que tinham, passando a bola para os
africanos – infelizmente era tarde demais para os tupis da costa); e na
imagem sedimentada ate hoje na fronteira de “índio preguiçoso”, “índio
libidinoso”, “índio cachaceiro”.
Hoje, o racismo antiindígena se manifesta principal e
convenientemente na negação do direito do índio à terra. Tenho ouvido de
gente do “setor público” e do “setor produtivo” argumentos na seguinte
linha: “Mas índio só quer tênis Nike e caminhonete último tipo! Como
quer ser índio assim?” ou “Mas eles querem que construam casas de
alvenaria nas aldeias [como compensação por hidrelétricas]!” ou, o mais
canalha, que eu ouvi de gente do próprio Ibama em Mato Grosso uns anos
atrás: “Mas a Funai plotou esses isolados aí!”
Acho que foi a Eliane Brum que colocou, brilhantemente, que esse tipo
de argumento pressupõe uma linha sem gradações entre a pedra lascada e o
iPad. Como se os produtos do desenvolvimento capitalista só pudessem
ser entregues a nações indígenas em troca de sua indianidade – e de seu
território. Como se populações rurais vulneráveis não pudessem ter
acesso a carro,
televisão, computador, posto de saúde e escola E AO MESMO TEMPO
reservarem-se o direito de continuar sendo populações rurais. Mais do
que isso, manter sua língua, seus costumes e sua religião. Ninguém está
falando aqui de um idílio alencariano, do índio pelado e pintado de
verde vivendo “na mais perfeita harmonia com a natureza”. Mas daí não
decorre logicamente que a alternativa seja a assimilação e a
destituição. Facilita se pensarmos os índios como agricultures
familiares que calham de falar outras línguas.
Ah!, dirá Kátia Abreu, mas agricultor familiar não tem esse tantão de
terra que os índios têm! Em seu artigo na Folha no último sábado, a
senadora faz uma conta aparentemente indignada: 107,7 milhões de
hectares para 517 mil índios, o que sá 206 hectares por índio, mais ou
menos. Como não sei quantos hectares a senadora e seus filhos possuem,
vou usar como indexador a área de uma única fazenda do meu amigo senador
Blairo Maggi (PR-MT), que (vai soar estranho, mas é verdade) é uma
liderança ruralista moderna e bastante progressista. Nada pessoal,
senador. Mas uma única fazenda do empresário e parlamentar no nordeste
de Mato Grosso tem 80 MIL hectares. Usemos esse exemplo extremo para
criar um índice de latifúndio (chamemo-lo provisoriamente de
“Indimaggi”). Os caiapós, que são um grupo bem fornido de terras, ocupam
uma área equivalente à da Áustria entre Mato Grosso e Pará. Seu
território é dividido entre 8.000 almas, o que lhes dá um Indimaggi de
apenas 0,017. Ou seja, cada caiapó teria “para si”, se fosse um
fazendeiro, menos de dois centésimos do que Blairo Maggi possui em uma
única propriedade. Só para colocar as coisas em perspectiva.
Enfim, o assunto não se esgota aqui. Ao contrário, a guerra está
apenas começando: tudo indica que amanhã, quarta-feira, o STF julgará os
famosos embargos de declaração, ou seja, ações contrárias, à
homologação da terra indígena Raposa-Serra do Sol. Trata-se de um ponto
precioso à agenda ruralista, com garantia de barulho qualquer que seja o
resultado. Prometo encontrar tempo para voltar ao assunto em outro
post.
PS (02/11): Só para colocar as coisas mais em perspectiva ainda, os
206 hectares que nós assumiremos aqui serem a parte que cabe a cada
índio no latifúndio Brasil equivalem a menos de dois módulos fiscais,
considerando a medida máxima do módulo fiscal em municípios da Amazônia
(110 ha). Estendendo esse raciocínio distributivo ao absurdo, se cada
índio fosse um proprietário de terras, ele seria considerado um pequeno proprietário, não um latifundiário. Faria até jus às dispensas de reserva legal e recomposição de APP do Código Florestal.
Eduardo Campos desdenhou dos "conselhos" de Jaques Wagner
Política é sempre assim. Depois de observarmos bastante as nuvens, elas
vão apresentando os seus contornos, criando formas. Faz algum tempo que
o governador da Bahia, Jaques Wagner(PT),
teria mantido alguns encontros com o governador de Pernambuco, Eduardo
Campos. Muita coisa se especulou sobre o que eles teriam conversado.
Agora, em entrevista concedida ao jornal Brasil 247, Wagner disseca o
teor dessas conversas. O baiano "aconselhou" Eduardo Campos a construir
uma alternativa "por dentro" da base de sustentação de Dilma Rousseff,
engajando-se em seu projeto de reeleição, esperando sua vez para 2018,
onde poderia contar com o apoio do PT. Eduardo desdenhou e,pelo andar de
sua carruagem política, Wagner está cada vez mais convencido de que sua
candidatura é um caminho sem volta. A candidatura de Eduardo Campos
precisa transpor aquilo que chamamos de triângulo das bermudas, onde um
dos obstáculos seria superar essa polarização entre PT e PSDB, criando
uma terceira via. Caciques petistas estão convencidos de que ele não
conseguirá transpor essa barreira. Essa tese passou a ser repetida como
um mantra entre os petistas. O primeiro a utilizá-la foi o governador do
Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Depois, veio o Presidente Nacional da
Legenda, Rui Falcão. Agora, o governador da Bahia, Jaques Wagner, bate
na mesma tecla. Além de possível coordenador da campanha de reeleição de
Dilma Rousseff, Wagner se coloca entre as alternativas do PT para 2018.
Eduardo Campos deve ter sentido o cheiro de armação.
Os três candidatos à Presidência da República enfrentam dificuldades na montagem dos palanques regionais.
Pelo andar da carruagem política, a montagem dos palanques regionais
estão complicadas para os três candidatos à Presidência da República.
O PSDB convive com os eternos problemas das divisãos internas em
Estados importantes da federação, como São Paulo; Dilma Rousseff amarga
as dificuldades de gestões petistas mal avaliadas em Estados governados
pela legenda, o PSB, partido tradicionalmente nordestino, encontra
dificuldades inerentes em se afirmar em outras praças. No caso do PSB
até se entende, trata-se de um problema estrutural. O caso mais grave é o
PSDB, que deve homologar, no próximo dia 18, o nome do senador Aécio
Neves como Presidente Nacional da legenda e candidato do partido à
Presidência da República. Todavia, entretanto, as coisas estão muito
longe de se arrumarem entre os morubixabas tucanos. Não há acordo com
José Serra que, dizem, estaria de malas prontas para desembarcar no
Mobilização Democrática, mas apenas para causar danos aos antigos
companheiros, a exemplo das mulheres ressentidas, numa praça vital para
os planos da legenda: São Paulo. Nada consegue dissipar as mágoas de
Serra, que gostaria, na realidade, do apoio da legenda para uma terceira
tentativa de concorrer à Presidência da República.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Direção Nacional do PMDB enquadrará a "turma do cozido"?
Nos últimos anos, a "turma do cozido", um grupo que se reúne em torno
do senador Jarbas Vasconcelos, vem crescendo bastante, inclusive
agregando atores das hostes arraesistas, que, antes,
ironizavam esses encontros de orgias gastronômicas - e políticas -
sempre realizados na residência que o senador mantém no bairro do Janga,
em Paulista. Comentam os convivas que o cardápio gastronômico é
impecável, mas nos parece que, do ponto de vista político, esses
encontros podem trazer algumas indigestões, sobretudo se considerarmos a
situação do PMDB local, que segue a orientação de Jarbas Vasconcelos,
salvo algumas honrosas exceções, como o prefeito de Petrolina, Júlio
Lóssio. Jarbas está fechado com a candidatura presidencial do governador
Eduardo Campos, que entrou para a turma recentemente. Uma federação de
interesses regionais, com morubixabas em cada região, a Direção Nacional
do PMDB, quase sempre, tem respeitado essa característica, evitando um
conflito aberto com os seus "dissidentes". Há algum tempo, com a
conivência do próprio Jarbas, a Direção Nacional da legenda vem
melhorando o diálogo com os representantes do partido no Estado. O
objetivo seria a montagem de um palanque para Dilma Rousseff no Estado. O
processo é intrincado, uma vez que, além dos problemas com a "turma do
cozido", a montagem prevê o estreitamento da relação com o PT e algumas
rodadas de negociações no "Bodódromo", envolvendo o senador Humberto
Costa, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho - de
namoro com a legenda -, e o deputado Odacy Amorim(PT), responsável por
um affair, muito comentado nas eleições do ano passado, ao trocar o PSB
pelo PT. Valdir Raupp, que responde pelo comando nacional da legenda,
convidou os representantes estaduais para um encontro em Brasília. O
palanque de Dilma Rousseff deve mesmo sair. Reproduzindo o que ocorre
nacionalmente, o PMDB, em Pernambuco, deverá marchar desunido nas
eleições de 2014. Uma ala seguirá a orientação do senador Jarbas
Vasconcelos e a outra ala apostará suas fichas na candidatura de...
façam as suas apostas.
Paulista entra na era da pós-modernidade?
Estudar o imaginário - que na minha época de pós-graduação ainda gozava
de uma grande resistência nos meios acadêmicos - tem sido muito
importante na medida em que agrega novos elementos para a compreensão
da realidade. Ajuda a entender, por exemplo, porque numa casa de taipa,
no interior do Estado, onde falta o que comer, você observa uma antena
parabólica. A necessidade de comunicar-se e de "sonhar' é tão importante
ou até mais importante do que comer. Talvez por esse ângulo possamos
entender como o Secretário de Educação de Paulista, que pega um quadro
caótico, parque escolar deteriorado, desempenho acachapante no IDEB,
professores desmotivados, convoque uma seresta para o dia das mães.
tenho profundo respeito pelas mães, elas merecem muito mais do que uma
seresta, mas penso que o momento exije mais austeridade, trabalho e
compromisso em tirar o município do atoleiro em que foi jogado pelas
duas gestões socialista, incapaz de criar um único programa educacional
estruturante. Quero dizer que gosto muito do cantor Augusto César, com
quem tive o prazer de estudar no Colégio Áurea de Moura Cavalcanti.
Certamente ele fará uma boa seresta e as mães sairão felizes da vida.
Talvez eu precise mudar os conceitos e entrar de sola na
pós-modernidade. Afinal, como diria Michel Maffesoli, o Brasil sempre
foi pós-moderno.
Lyra, o grande arquiteto da redemocratização do país.
Bastante comovente os depoimentos em homenagem ao ex-ministro da Justiça, Fernando Lyra, no dia de ontem. O senador Pedro Simon inalteceu suas qualidades como articulador da transição democrática no Brasil, apontando-o como o arquiteto e edificador da redemocratização do país, após o período de ditadura militar. De fato, foi Lyra quem teceu a embricada rede de apoio ao nome de Tancredo Neves, que sagrou-se vitorioso no Colégio Eleitoral, expediente que encerrou o ciclo da ditadura militar. Como ministro da Justiça, uma de suas missões foi remover os entulhos autoritários que impediam que o país voltasse à normalidade democrática. Surpreendeu a todos o discurso do deputado federal pelo PT, José Genoíno, um ex-guirrilheiro da Guerrilha do Araguaia, um foco de luta armada dizimado pelos militares. Lyra teria mantido várias conversas com Genoíno tentanto convencê-lo, sem sucesso, sobre a necessidade de viabilizar a redemocratização através da via institucional. À época, Genoíno, considerava que o único caminho possível seria a luta armanda. Em seu depoimento reconhece que Lyra tinha razão.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Eduardo Campos vai responder à sabatina de Ciro Gomes?
Ciro Gomes parace mesmo disposto a sabatinar o governador de
Pernambuco, Eduardo Campos, sobre o seu projeto de candidatar-se à
Presidência da República em 2014. Qual, afinal, a motivação do ex-governador
cearense ao dirigir suas críticas a Eduardo Campos? Seria apenas o
ressentimento de ter sido preterido do mesmo projeto quando Dilma
Rousseff, como ele mesmo afirma, era apenas uma ilustre desconhecida?
Pouco importa. O fato é que, apesar de representarem apenas dois votos
na Executiva Nacional do PSB, os irmãos Ferreira Gomes vem provocando
uma dor de cabeça para a legenda. Ambos estão numa saia justíssima. Cid
está comprometido até o pescoço com o Planalto. Não apenas com o
Planalto. Uma mudança de posição, neste momento, também provocaria um
desarranjo em sua base de sustentação política no Ceará. A alternativa
de mudança de legenda já foi aventada - Cid chegou a conversar com
Kassab - mas ambos já reafirmaram que pretendem continuar no PSB. Com
uma verve ácida, uma espécie de Carlos Lacerda cearense, desta vez, Ciro
voltou ao melho estilo Ciro, afirmando que o PT e o PMDB realizam um
banquete fisiológico, onde o PSB come acocorado, debaixo da mesa, sem
emitir opinião sobre o tempero, mas come, o que constitui-se uma
contradição uma candidatura própria. Ciro deseja que Eduardo responda
por quê e para quê é candidato. Como ele mesmo já afirmou, essa história
de "fazer mais" é coisa de marqueteiro. De qual marqueteiro? Pelo
visto, de ambos, uma vez que Dilma passou a usar "posso fazer muito
mais", num jogo de retórica, que nos leva a concluir que o cearense
tenha mesmo razão.
domingo, 5 de maio de 2013
Repercutiu nas redes: Josué de Castro.
"Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça,
quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça."
Chico Science - Da lama ao caos
Chico Science e Josué de Castro (vídeo) - http://migre.me/eoak6
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- Jadson O Birosca, Fábio Henrique e outras 2 pessoas curtiram isso.
- José Luiz Silva De fato, pernambucano de nascimento, natural de Água Preta, Mata Sul do Estado, Josué emprestou à discussão sobre a fome um "status" político. Tinha uma frase quq se tornou célebre: "Nordeste, estrutura fundiária que tritura cana e homens, transformando tudo em bagaço".
- Fábio Henrique Ele descreveu a fome dentro de um contexto politico e social, alertando sobre os efeitos nocivos desse mal,E isso é visível quando se vir o aumento excessivo da criminalidade devido a esse fator.Ele sem duvida previu o futuro e expôs a solução mas infelizmente não puseram em prática as suas idéias.
- José Luiz Silva Boa noite, Fábio. Sem sombra de dúvida, ele foi um dos maiores intérpretes do Brasil. Quando o Brasil iniciou o processo de industrialização, sabiamente, ele comentou que o país precisava fazer uma opção entre aço ou fome. Nos tornamos uma das miaores economias industrializadas do mundo, mas com bolsões de miséria capazes de fazer inveja aos países africanos. Um forte abraço!
- José Luiz Silva Desenvolvo com meus alunos um trabalho bem interessante na comunidade quilombola de São Lourenço, Goiana, uma comunidade que sobrevive exclusivamente da captura do caranguejo uçá, ameaçado de extinção. Os livros de Josué de Castro estão em nosso bibliografia recomendada.
- Fábio Henrique obrigado meu amigo,espero que um dia possamos debater mais sobre Josué de Castro pessoalmente,um grande abraço,felicidades.
- José Luiz Silva Obrigado, Fábio. Foi um grande prazer. Josué de Castro morreu na França depois de implorar para voltar ao Brasil, particularmente o Recife, para voltar a fazer uma das coisas que mais gostava: percorrer os manguezais da cidade e conversar com os "homens caranguejos". Num dos vídeos sobre sua vida, em depoimento, o antropólogo Darci Ribeiro afirma que, entre os tantos crimes cometidos pela didatura militar, relegar ao exílio um homem como Josué de Castro foi o maior deles. Felicidades. Um bom domingo para você.
- Nota do editor: Na realidade, a frase correta é: "Nordeste, estrutura fundiária que tritura não apenas cana, mas homens, transformando tudo em bagaço."
Governador, não esqueça da província.
O senador Armando Monteiro(PTB), que trabalha como um leão e não
esconde de ninguém sua candidatura ao Governo do Estado, segundo dizem,
estaria olhando com uma lupa as gestões petebistas em cidades
estratégicas, como Garanhuns, Gravatá, Goiana e Igarassu, verdadeiras
vitrines de seus projetos. Nas eleições passadas, o governador Eduardo
Campos também apostou algumas fichas, emprestando seu prestígio pessoal
para eleger alguns prefeitos da Região Metropolitana do Recife, como a
cidade de Paulista, por exemplo, onde foi eleito Júnior Matuto, um jovem
militante socialista. À época, comentou-se até mesmo que o Palácio do
Campo das Princesas daria uma especial atenção a esses gestores,
inclusive repassando tecnologia de gestão. A julgar pelo andar da
carruagem política na cidade das chaminés, lamentavelmente, isso não vem
ocorrendo. Ao colocar em sua sala no Palácio do Campo das Princesas o
mapa do Brasil, o governador não deveria ter retirado o mapa do Estado
de Pernambuco.
Os Arraes tomam gosto pela política.
Quando o saudoso Dr. Arraes estava em plena atividade política,
falava-se muito na ausência de seus herdeiros políticos. Nenhum dos seus
filhos seguiu carreira política. Durante muito tempo, o único herdeiro
do espólio político arraesista foi o hoje governador do Estado, já em
seu segundo mandato, Eduardo Campos, que é neto de Arraes. Depois que
Eduardo Campos assumiu o governo, abriu-se a porteira política entre os
Arraes. Já entraram para a política partidária Marília Arraes, Ana
Arraes. Em matéria publicada no dia de hoje, a Folha de São Paulo
informa que uma possível candidatura de Renata, esposa do governador,
estaria sendo preparada na cozinha do Palácio do Campo das Princesas.
Renata seria candidata à Câmara. Especula-se, também os nome de Antônio
Campos, irmão do governador, e, quem sabe, o filho mais velho do
governador, segundo a matéria.
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