pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Charge! Paixão! Gazete do Povo

Dilma Rousseff pede retratação pública de Gilberto Carvalho.

 

É preciso tomar muito cuidado com aqueles subordinados que querem agradar sempre seus chefes. Por vezes, eles formam um escudo em torno do mandatário, emprestando suas versões dos fatos, emitindo conceitos sobre outrem, desconstruindo imagens. Em outras palavras, querem ser mais reais do que o rei. Nessas ocasiões, o rei sempre está nu. Foi o que ocorreu mais recentemente com o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ou gilbertinho, como carinhosamente Dilma o trata. Ops! eu disse trata? não seria tratava? Pois bem. Gilberto Carvalho, num encontro mantido com representantes dos povos indígenas que estão em pé de guerra no Mato Grosso do Sul, teria informado, na boca do palco, que a presidente Dilma havia ademoestado o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre os mandados de reintegração de posse em fazendas daquele Estado, que resultaram na morte de um índio. À boca miúda, comenta-se Gilberto Carvalho teria recebido uma tremenda bronca da presidente Dilma Rousseff. Não fosse suficiente, pediu que ele se retratasse em público. Gilberto é um dos poucos lulistas que restaram no Governo. Entre outras funções, é uma espécie de "auditor" da gestão do Ministério do Trabalho, acompanhado as hienas que voltaram a controlar aquela pasta.

Planalto manobra contra candidatura do governador Eduardo Campos.




Ontem, por ocosião de inauguração da Adutora de Pesqueira, o Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seu padrinho político, mantiveram um encontro. Casos em que o protocolo exige a presença de ambos estão sendo respeitados, mas, quando há qualquer possibilidade de afrouxamento dessas formalidades, ambos fazem questão de não se encontrarem. Não existe o mesmo sincronismo de antes. Homem forte do Governo no enfrentamento dos problemas da estiagem na região e cogitado para ajudar montar o palanque de Dilma no Estado, caso Eduardo decida realmente candidatar-se, FBC passou a semear a discórdia no ninho socialista. Aqui e ali aparece alguém para hipotercar-lhes solidariedade na boca do palco, mas, nas coxias socialistas seu prestígio está mais baixo do que poleiro de pato. Circunstâncias imposta pelas nuvens políticas. Ambos não desejavam isso. Como a candidatura de Eduardo Campos criaria alguns embaraços para Dilma Rousseff na região, o Nordeste transformou-se numa rinha da disputa presidencial de 2014. Embora aliados de longa data, em cerimônias oficiais parecem dois inimigos. Eduardo escuta atentemente o seu discurso em favor das ações da Presidência da República para a região para, em seguida, contestá-lo através de um jogo de retórica, supostamente de natureza republicana, que vem se tornando comuns nessas ocasiões. A culuna do jornalista Cláudio Humberto, no dia de hoje, traz a informação de que o PMDB e o PTB estariam agindo em conjunto para ganhar mais espaço no Governo. A menina dos olhos é uma diretoria do Banco do Brasil. Essa articulação envolveria o nome do Ministro Fernando Bezerra Coelho para se aliar ao PTB no projeto urdido pelo Planalto para criar uma alternativa de enfrentamento ao candidato do governador Eduardo Campos em 2014.
 

Dilma teria confidenciado não ter mais estômago para o jogo pesado da política.


Um respeitado cronista da política brasileira, outro dia, comentou que a presidente Dilma teria confidenciado que já não teria mais "estômago" para o exercício de mais um mandato. Pode até haver algum exagero nessas afirmações, mas, que a presidente se sente profundamente incomadada com o assédio político por nacos do poder, isso ela se sente. O PMDB, um gigante do condomínio governista, continua dando dores de cabeça a presidente. Apenas cargos consegue acomodar o partido. A tropa está incontrolável. Até Michel Temer, antes um grande conciliador, demonstra tibieza na condição de líder maior da agremiação. Nas coxias do partido, Temer vem sendo acusado de ser alguém que apenas conduz as demandas do Governo para o partido, quando deveria ser o contrário: alguém que apresentaria a Dilma a fatura do partido. O quadro é relativamente preocupante, sobretudo se considerarmos as indisposições de ambas as partes. O diálogo está praticamente rompido entre Eduardo Cunha e Ideli Salvatti. Em solidariedade à sua ministra das Relações Institucionais, Dilma não suporta a idéia de sequer frequentar um ambiente onde Eduardo Cunha passe por perto. Isso ocorreu recentemente, num encontro entre os caciques da legenda, na Granja do Torto, residência oficial da vice-presidência. Convidada, Dilma não compareceu, colocando mais lenha na fogueira. O partido possui um apetite fisiológico visceral e um poder de barganha incomum, usado com frequência em nome dessa tal "governabilidade" ou do modelo de presidencialismo de coalizão, que deixa os presidentes reféns dessas manobras. No momento, segundo dizem, a briga de foice em Brasília é por uma diretoria do Banco do Brasil. Também se fala no Ministério do Turismo, mas esse não interessa tanto. Teve suas verbas reduzidas. O jornal O Globo, em sua edição de hoje, estampa uma foto da Dilma Rousseff, segundo legenda, lendo um desses pedidos por mais cargos. Impagável, como afirmaram os internautas.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Campos nega "recados" e pressão sobre o PSB


PE247 - O governador de Pernambuco e potencial candidato à Presidência da República pelo PSB em 2014, Eduardo Campos, negou ter enviado recados para o correligionário e ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), ou para a presidente Dilma Rousseff (PT), durante evento de assinatura da ordem de serviço para a construção da Adutora do Agreste, em Pesqueira, interior do Estado. Na ocasião, Eduardo e FBC trocaram farpas sobre os recursos federais destinado a Pernambuco.
“Eu não costumo mandar recado. Quando digo as coisas, digo com todos os pontos nos is, as virgulas, exclamações necessárias. Eu não faço uso desse expediente. Não faz parte do meu caráter, da minha formação”, afirmou Campos. O governador também negou a existência de atritos junto ao ministro, que tem defendido publicamente a manutenção da aliança entre PT e PSB e o apoio da legenda à reeleição da presidente Dilma.
“Fernando veio, almoçamos juntos, fomos juntos (ao evento em Pesqueira), conversamos o tempo todo sobre vários projetos. Não houve absolutamente isso (de racha). Quem estava lá não viu isso. Somos amigos, companheiros de muitos anos”, disse o gestor. Sobre o fato das especulações que apontam que FBC poderia deixar o PSB por outra legenda, Campos limitou-se a comentar que "vocês (jornalistas) sabem melhor do que eu. Eu sou suspeito para dizer".
Ao contrário do que havia dito nesta terça-feira, o governador comentou que não se sente pressionado por outras legendas.  "Não, por ninguém, só vocês (repórteres) mesmo", disse em tom de brincadeira aos jornalistas que cobriam o anúncio feito pelo governador na área de meio ambiente. Nesta terça-feira, Eduardo questionou a “truculência” com que alguns partidos vinham tratando as questões internas do PSB, entre elas o lançamento de uma candidatura própria à Presidência da República.
"Por que o PSB não tem o direito (de discutir candidatura própria)? Por que temos que definir amanhã? Por que essa truculência? Isso é um direito democrático. Podemos fazer esse debate e, no momento em que o PSB entender ser correto, vamos consultar os fóruns partidários e discutir", disse o gestor na ocasião. Campos também negou que a declaração também tenha sido um recado às demais legendas.

(Publicado originalmente no Jornal Pernambuco 247)

Padre Ton: Para o índio é pena de morte, para o capitalista, rdoa da fortuna.

Padre Ton: Para o índio é pena de morte, para o capitalista, roda da fortuna

publicado em 4 de junho de 2013 às 17:01
O terena Oziel Gabriel, 35 anos, assassinado na malfadada ação policial na fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS). Foto: Cimi
por Padre Ton, especial para o Viomundo

O índio é outsider. Seu mundo não é a aplicação cotidiana das regras de convivência do capitalismo, sistema em que tudo tem preço: pagou leva, não pagou nada tem.
O modo de viver, sentir e pensar de um índio está visceralmente ligado à natureza: tudo o que precisa está na floresta, na terra generosa capaz de suprir necessidades. É da natureza que o índio retira o alimento, agasalho e moradia.
Essa cultura da sabedoria e felicidade da sobrevivência praticada por meio da  simplicidade de costumes e tradições centenárias tem merecido agressão sistemática e preconceito nos tempos em que tudo é mercadoria. Para o capitalismo, é inaceitável um modo de vida em que se acessa um bem sem ter de pagar por ele.
Mesmo que os recursos naturais, dizimados por força de grandes projetos capitalistas, venham secularmente sendo protegidos pelas mais de 300 etnias indígenas do Brasil, uma garantia de que toda a sociedade possa deles usufruir, por decisão da União.
Esses recursos não são reserva a serviço de grandes fazendeiros e proprietários do agronegócio, como em Mato Grosso do Sul, que avançaram sobre terras dos povos indígenas da região. Vale dizer que não apenas eles, como demonstra o Relatório Figueiredo, produzido na Ditadura.
Impossível convencer graúdos e empedernidos homens de negócio de que as sociedades indígenas são regidas de outra maneira, o que deve ser respeitado. Está em nossa Constituição, no artigo 231: São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
Um empresário de peso da soja, da cana-de-açúcar e do gado que contribui para fazer de Mato Grosso do Sul campo permanente de guerra, contratando pistoleiros para eliminar lideranças, mulheres, crianças e jovens indígenas,  comete o crime impunemente. E, mais do que isso, lança o Brasil num embaraço internacional que se aproxima a galope, a julgar pelo rumo dos acontecimentos.
De outro lado, as forças policiais se preocupam mais com a proteção das propriedades em detrimento da segurança com as vidas envolvidas, e nem ao menos querem registrar ocorrências de agressão e morte feitas pelos indígenas. Testemunhei isso quando estive em Dourados, em missão da Câmara dos Deputados.
O assassinato do Terena Oziel Gabriel, de 35 anos, no feriado de Corpus Christi, e os sucessivos desdobramentos da malfadada ação policial na fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS), não irão arrefecer a resistência indígena, que há pelo menos dois anos indica ao governo a radicalidade de ações em razão da radicalidade da inércia, morosidade e omissão sobre litígios cruciais atinentes à demarcação de áreas no Estado.
Os povos indígenas de Mato Grosso do Sul não confiam mais no Estado brasileiro. Há mais de dois anos pedem audiência com a presidente Dilma Rousseff, lamentavelmente dada a preferência de encontros constantes e cada vez mais amigáveis apenas com setores do agronegócio.
Sucessivas cartas e documentos reclamam do tratamento dispensad, e registram descrença absoluta nas instituições públicas. A Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas fez inúmeros apelos à Presidente, em vão.
Da Justiça, a punhalada tem sido bem dolorida e criminosa, em razão da enorme morosidade: juízes federais embargam a simples intenção da Funai de realizar estudo técnico qualificado a respeito de área possível de demarcação, e farta literatura comprova que agem incondicionalmente, com as exceções de praxe, a favor do capital.
Como agora, por exemplo, em que o juiz decidiu anular nesta segunda-feira (3) a liminar que dava 48 horas para a retirada dos índios Terena da fazenda Buriti. Anulou porque descobriu não ter chamado a Funai e a União para audiência como determina o Estatuto do Índio.
O processo das terras reivindicadas pelos Terena, reconhecidas pela Funai, chegou ao STF depois de 13 anos de tramitação e ao alcançar a mais alta instância do Judiciário, com aprovação em plenário, com laudos e fartas provas, retornou à Justiça de Mato Grosso do Sul para novas perícias.
Por causa do determinismo de que a engrenagem capitalista é a única que deve interessar ao Brasil, inclusive às sociedades plurais existentes, em Mato Grosso do Sul a pena de morte é lei, impingida à numerosa família Guarani Kaiowá, aos Terena e outros povos, enquanto para os que se apropriaram de seus territórios com aval do Estado prevalece a roda da fortuna: ganham cada vez mais, têm crescimento financeiro e patrimonial, acesso a crédito das instituições financeiras federais e suporte político para deslegitimar e desqualificar os direitos indígenas.
Se os poderes da República não fizerem um pacto pela solução das demarcações litigiosas pendentes em Mato Grosso do Sul, considerando devidas indenizações e tolerância zero para a morosidade no julgamento de demandas judiciais, o Brasil em breve se enredará talvez na maior crise de direitos humanos da sua história.
Em tempo: a Funai acuada só colabora para manter a incúria que resulta em longo e penoso processo de humilhações, sofrimento, violação de direitos  e genocídio dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul.
Padre Ton é deputado federal pelo PT de Rondônia e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas

Charge!Paixão! Via Gazeta do Povo

Paixão

Política, em compasso de espera, artigo de Pedro Luiz Rodrigues

Por Pedro Luiz Rodrigues

A compreensão do mundo da Política não passa, nem de raspão, pelos preceitos da lógica cartesiana, que recorre ao raciocínio para decompor os fatos e reordená-los de forma a permitir que se alcance a verdade e o entendimento do todo.

Os movimentos nesse mundo são enviesados e fazem como as árvores e as folhagens de Manuel Bandeira: revoluteiam, contorcem-se, sacodem-se!

Outros identificarão a labuta dos políticos com o tricô, que era pacientemente trabalhado por nossas bisavós, onde o contínuo e agitado entrelaçamento de fios produziam a malha improvável e não o caos, provável.

Compartilham, a política e o tricô, o fato de serem técnicas e artes muito convenientes para se lidar com a necessidade da mudança constante. Ambas permitem o descampionamento, o jeito ligeiro de se desfazer, à la Penélope, o que se tecera ainda há pouco.

Tudo isso para dizer que não precisam se afligir aqueles que, como eu, não conseguem acompanhar o maçudo, massudo e maçante noticiário político do dia-a-dia, que costuma atribuir mais relevância aos ti-ti-tis declaratórios do que aos grandes lances em andamento. De minha parte, sempre prefiri as análises - como as do Carlos Chagas e, no passado, as do Carlos Castello Branco – do que ter de desvantar o que fica oculto na montanha das matérias factuais cotidianas.

Assim, em resumo, veríamos a situação política do Brasil de hoje da seguinte maneira: A Presidente da República – que continua a apresentar índices muito favoráveis de aceitação popular - daqui a um semestre entra no último ano de seu governo, sem ter logrado (até agora) os sucessos que aspirava em termos de crescimento e prosperidade do país. Internamente, o equilíbrio macroeconômico está sob pressão, e o governo está tendo de colocar de lado seu objetivo desenvolvimentista para priorizar o controle da inflação.  Do lado externo acabou-se o conforto: já há grandes e preocupantes goteiras nas  contas do balanço de pagamentos. As reservas externas dão-nos certa tranquilidade, mas à primeira gota de sangue as hienas saltarão sobre elas.

No âmbito dos partidos, o PT, que não consegue se renovar verdadeiramente, parece perder espaço e progatonismo no cenário político. Diferente é o que ocorre com o aliado PMDB, que comanda as duas Casas do Congresso e se mostra a cada dia mais confiante e desenvolto.  Se perceber que o PT ficou trôpego demais, poderá animar-se a buscar conversa mais íntima com o PSDB de Aécio Neves ou o PSB de Eduardo Campos.

Lula, com seu prestígio preservado mas com a saúde sob vigilância, continua a ser o grande fiel da balança.

Por enquanto nada é claro, tudo é espera.

(Publicado originalmente na Coluna do Cláudio Humberto)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Armando Monteiro, Fernando Bezerra e João Paulo contra Eduardo Campos?



Com sempre, as nuvens estão promovendo grandes mudanças na política local e nacional. Muito bem colocado entre os postulantes ao Palácio do Campo das Princesas, com o beneplácito do governador Eduardo Campos, o senador Armando Monteiro acaba de ser informado que a direção nacional do PTB deve mesmo apoiar o projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Armando costurava, em Brasília, mas de olho nos arranjos políticos da província, um possível apoio da legenda ao projeto da candidatura presidencial do governador Eduardo Campos. Caso obtivesse êxito, certamente, aumentaria seu cacife para a corrida ao Governo do Estado, possivelmente como candidato oficial do governador. Evidentemente que isso não se daria automaticamente. Outras variáveis estariam em jogo, mas, de certo mesmo, ele pularia uma casa, se, efetivamente, fosse materializada a candidatuta de Eduardo Campos, com o apoio do seu PTB. Diante do exposto, já começaram as especulações na imprensa sobre um possível "realinhamento de forças", quiçá, envolvendo um triunvirato composto pelo senador Armando Monteiro, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e o ex-prefeito do Recife, João Paulo. A articulação impõe alguns "ajustes", mas não seria nada improvável, sobretudo se considerarmos que o senador deseja ser candidato de "qualquer jeito" - vem trabalhando bastante para isso -, o mal-estar criado para FBC nas hostes socialistas e a incapacidade dos petistas de reaglutinarem, sozinhos, uma correlação de forças que possam fazer frente ao governador, caso ele decida mesmo em candidatar-se, abrindo um cisma na base aliada. A Executiva Nacional da legenda já teria emitido o recado ao PT local no sentido de que eles usem todo o estoque que ainda resta de vaselina política para buscarem um entendimento. O senador Armando Monteiro tem um excelente trânsito junto a João Paulo. Indagado sobre o assunto, o cientista político Michel Zaidan informou não acreditar na capilaridade política do senador Armando Monteiro, mas o apoio de Lula e Dilma poderia transformá-lo num candidato competitivo.

Entidades que atuam em defesa de grupos indígenas indignadas com a proposta da ministra Gleise Hoffmann




O Governo Dilma Rousseff, realmente, vai muito mal de articulação. Dilma além de não gostar desse meio-de-campo, escolheu as pessoas erradas para assumirem essas funções. Apesar do alento do apoio do PP e do PTB, o PMDB, maior partido do condomínio governista, continua em pé de guerra, profundamente ressentido, com feridas de difícil cicratização. Na avaliação dos morubixabas da legenda, muito mais do que Gleise Hoffmann e Ideli Salvatti, Dilma Rousseff - sim, ela mesma - seria a maior responsável pelo estouro da boiada. Recentemente convidada pela bancada ruralista à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a Ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann, na tantativa de fazer média com os representantes dos latifundiários, tentou desqualificar os laudos antropológicos emitidos pela FUNAI como referências únicas para a demarcação de terras indígenas. Propôs que outros órgãos pudessem ser ouvidos, como a EMBRAPA, o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A fala da ministra soou como música sertaneja aos ouvidos dos ruralistas, mas criou um grave problema junto às entidades que atuam na defesa dos grupos indígenas, que qualificaram a proposta como um retorno ao Grupão do MIRAD, comandado pelo General Venturini, durante o regime militar, criado com o propósito de "disciplinar" a FUNAI e "avaliar" as demandas indígenas. De fato, um retrocesso.

sábado, 1 de junho de 2013

Jantar entre Ciro e Eduardo Campos. Cessar-fogo?




Discretamente, no último domingo, segundo a reportagem da Folha de São Paulo conseguiu apurar, Ciro Gomes teria jantado com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O objetivo do encontro seria selar a paz entre ambos, que divergem sobre o posicionamento do PSB para o pleito de 2014. Enquanto Ciro defende o apoio da legenda ao projeto de reeleição de Dilma Rousseff, Eduardo Campos parece decidido a candidatar-se à Presidência da República. Numa sequência de declarações pela imprensa, Ciro Gomes faz afirmações contudentes sobre o assunto, questionando a quilometragem do pernambucano, se ele iria pela direita, se teria algum projeto alternativo e, finalmente, questionou a decência de uma candidatura no interior da base aliada, quando o partido ocupa espaço no Governo. Nenhum dos dois teriam cedido, mas Eduardo teria convencido o cearense a iniciar um debate sobre economia nas hostes socialista. Acertaram que uma candidatura própria, se existir, apenas em 2014. Se bem amadurecida e decidida pela executiva da legenda, quem sabe, os Ferreira Gomes podem até reavaliá-la. Há uma grande expectativa em torno da próxima entrevista de Ciro Gomes, que não costuma ter papas na língua. Outro dia, acompanhado o que vem ocorrendo com a segurança pública no Estado do Ceará, não poupou impropérios a um Deputado suposto de liderar milícias. O jornal fala em armistício, cessar-fogo, trégua. Pouco provável. Ciro ainda não teria superado as manobras de Eduardo Campos para impedir sua candidatura presidencial em pleito passado.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Eduardo Campos x Planalto: Quem cede nesse cabo de guerra?



Já está se tornando um pouco cansativo esse cabo de guerra entre o Planalto e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Todos os dias a crônica política traz alguma "novidade" sobre o embate. E tome especulações: ele recua e volta a ocupar o seu espaço devido na base aliada, credenciando-se, quem sabe, para receber apoio dos aliados em 2018 ou, afasta-se de uma vez desse convívio e constrói uma carreira solo, apoiada, cada vez mais, por setores conservadores da política brasileira? Eduardo se queixa de que o PT o estaria jogando na cerca. As ações de alguns caciques da legenda no sentido de "minguar" sua virtual candidatura, longe de enfrequecê-lo, estaria dando as motivações pare que ele continuasse firme no propósito de candidatar-se e, pior, deslocar-se de vez da base aliada na eventualialidade de um segundo turno, conforme comenta o jornalista Josias de Souza, em sua coluna de hoje, publicada no Portal UOL. Os operadores da PT já teriam sido identificados: Rui Falcão, seu presidente nacional, o ministro da Educação, Aloízio Mercadante - Coordenador do Comitê de Reeleição - e, muito discretamente, foram identificadas as digitais de José Dirceu. Eduardo considera que essas manobras não seriam nada naturais. Ao contrário, adjetiva-as de antidemocráticas e já se armou para enfrentá-las. Afirma que irá arrebentar a cerca. O cerco envolve os governadores socialistas - contingenciado pela liberação de recursos federais -e os partidos que poderiam comopor com Eduardo, facultando uma maior exposição dele no horário eleitoral. O "Moleque" dos jardins da Fundação Joaquim Nabuco já demonstrou que é bom de briga. Vamos ver quem cede nesse cabo de guerra.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Campos inicia operação para acalmar clima no PSB


Paulo Emílio_PE247 - O governador de Pernambuco , Eduardo Campos (PSB) não anda articulando sua potencial candidatura somente junto a partidos que podem garantir o apoio necessário aos seus planos de concorrer ao Palácio do Planalto em 2014. As novas costuras visam a acalmar os ânimos internos da sua própria legenda de maneira a garantir que as suas movimentações transcorram de forma tranquila, sem que haja o risco de ser alvo frequente  do chamado fogo amigo. Nesta linha, Campos jantou esta semana com um dos maiores críticos aos seus planos majoritários, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE), e tem deixado o ministro da Integração Nacional (PSB-PE), Fernando Bezerra Coelho, à vontade para fazer demonstrações de apoio ao governo e ao projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).  Nesta direção, a engrenagem da estratégia para abafar o que pode virar uma crise interna de grandes proporções, o que inclui um racha no PSB, já está em movimento.
O  coro da contrariedade, iniciado por Ciro e pelo irmão e governador do Ceará, Cid Gomes, foi engrossado por FBC, que passou a defender abertamente  que o PSB permaneça na base de apoio do governo Dilma, bem como a reeleição da presidente.  Nas últimas semanas diversos governadores pessebistas também passaram a afirmar que o PSB deve apoiar a reeleição de Dilma e lançar um candidato próprio à Presidência somente em 2018. A mudança de postura dos governadores é atribuída às pressões que os gestores estariam sendo submetidos – o que incluiria dificuldade para firmar convênios e obter recursos federais – com o objetivo de fazer com que o PSB desista de seus planos nacionais.
O governador sabe que será o alvo da vez por parte dos petistas que já o acusam de traição por querer romper com uma aliança histórica entre as siglas. Tanto Dilma como o ex-presidente  Lula tem observado as movimentações de Campos sem tomar nenhuma decisão intempestiva, uma vez que isto poderia ser utilizado por Campos como o mote para sair da base governista como vítima de uma injustiça, já que o PSB permanece na base aliada e é uma peça importante nas votações de interesse do Governo no âmbito do Congresso. A opção escolhida foi tentar sangrar o PSB  por dentro, aproximando-se do clã Gomes no Ceará e acenando ao ministro FBC a possibilidade de disputar o governo de Pernambuco, por alguma outra sigla da base que não o PSB.
E é aí que a movimentação de Campos faz sentido. Ciro é uma das principais vozes contrárias á postulação do gestor pernambucano. O jantar que ambos tiveram no Rio de Janeiro no início desta semana teria o objetivo de tentar selar a paz entre eles, que se cutucam mutuamente há bastante tempo. Campos confirmou o encontro, mas limitou-se a dizer que  “o jantar foi muito bom, muito positivo… Falou sobre Brasil, sobre caminhadas , sobre a economia, sobre muitas coisas”.
O que Campos não deseja é dar motivos para o correligionário romper com o partido e ingressar em alguma outra legenda, o que enfraqueceria o seu palanque no Nordeste, em especial no Ceará, e fortaleceria o da presidente Dilma. É no Nordeste que tanto o PSB como o PT possuem o seu maior capital político e a influência de Ciro e Cid Gomes podem influir significativamente na balança eleitoral da Região.
Sobre FBC, tanto Campos quanto a direção do PSB têm observado de perto as movimentações do ministro que se aproxima cada vez mais do PT. Embora afirmem que o PSB é uma legenda democrática e que todos podem expressar suas opiniões, a saída do ministro já é tida quase como uma certeza por parte da cúpula socialista. FBC tem demonstrado sua insatisfação pelo fato de até agora Eduardo não ter feito nenhum gesto de que será ele o escolhido para disputar a sucessão estadual. E é esta insatisfação vem de longa data.
Quando Eduardo campos candidatou-se pela primeira vez ao Governo de Pernambuco, foi FBC quem articulou o apoio dos prefeitos do Sertão do Estado à sua postulação. Em troca esperava ser ungido ao Senado, mas acabou preterido quando  Eduardo optou por apoiar as candidaturas de Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB). Após a reeleição do gestor ao Palácio do Campo das Princesas, FBC depositou suas esperanças em ser o escolhido pelo governador para sucedê-lo, o que até agora não aconteceu.
Nesta linha, parte do PSB avalia que não existe ‘dívida de gratidão’ a ser quitada, uma vez que Campos levou FBC a se tornar ministro da Integração Nacional, uma pasta estratégica tanto pelo volume de recursos que possui como pela atuação no sertão Nordestino – com obras como a Ferrovia Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco. Como é no Sertão pernambucano que FBC concentra a sua força política, esta dívida já estaria mais do que bem paga, segundo alguns pessebistas.
E apesar dos constantes recados e sinais de insatisfação por parte do ministro, Campos tem optado por deixar FBC dizer o que pensa. Ao optar pelo silêncio em torno da sucessão estadual e afirmar que tanto esta decisão como a de que será ou não candidato ao Planalto somente será definida em 2014, Campos evita que FBC venha a sair como vítima de um processo de fritura interna.
Além deste ponto, a insatisfação de FBC encontra eco principalmente no Sertão pernambucano, enquanto a de Ciro costuma reverberar em nível nacional. Como Campos deseja concorrer ao Planalto, a prioridade é abafar a voz de maior alcance. Neste caso, o jantar entre Ciro e Eduardo é emblemático. Para a voz mais localizada de FBC, a opção foi adotar praticamente a mesma estratégia que o PT adotou com o PSB: não dar motivos para um rompimento de forma a ser acusado de vitimizar o ministro até a sua saída da legenda.
Mas se esta estratégia servirá para acalmar Ciro e Cid Gomes, segurar FBC no partido e minimizar o tom das críticas contra o projeto nacional do PSB, somente o tempo dirá. E o próprio Eduardo conta com o tempo para acalmar os ânimos internos e estabelecer o consenso em torno da sua postulação. “O partido vai ficar unido na hora que a decisão for tomada", disse.

Boatos e fuxicos, Roberto DaMatta.

Boatos e fuxicos

ROBERTO DAMATTA - O Estado de S.Paulo

Minha experiência de vida foi marcada por fuxicos e boatos. Mais velho, aprendi que o escândalo e o fuxico são poderosos instrumentos de controle social. Cada qual sintoniza a seu modo coisas a serem evitadas ou desejos ocultos e reprimidos. Seu denominador comum, porém, como acentuaram Gordon W. Allport e Leo Postman num livro pioneiro, denominado The Psychology of Rumor (A psicologia do boato) de 1947, é uma notória e excepcional ausência de informação entre o poder público e o cidadão.
Ao lado da praga dos fuxicos e boatos, há as cartas anônimas - essas irmãs daquilo que circula pelo mundo sem autoria. Tal como acontece com as anedotas. Estas, porém, têm um desfecho ao passo que os boatos e fuxicos ficam em suspenso até serem apurados e a ambiguidade neles contida, desfeita pela informação aberta ou o pedido de desculpas. No nazismo e no comunismo, pessoas foram punidas por contarem anedotas sobre Hitler, ou Lenin. O único modo seguro de controlar a circulação de notícias é pela censura. Não é por acaso que projetos de censura estão sempre no ar e há um grande jornal debaixo de censura.
Não é agradável ouvir más notícias ou mentiras clamorosas sem autoria. Sobretudo quando essas informações são negativas e colocam em causa o que tomamos como sério e o que deve ser protegido ou honrado como um país em guerra, um povo amordaçado por um regime autoritário, ou um programa de governo tomado como vital pelos administradores públicos.
Eu fui envolvido em boatos, fuxicos e uma vez recebi uma desconcertante carta anônima. Estava num restaurante e, atendendo a um encontro marcado com o cretino que queria me envenenar, dele recebi a carta escrita em letra de forma e com muitos erros crassos de português o que me conduziu imediatamente à suspeita de que o mensageiro era o autor da mensagem. Numa página e meia, a epístola destruía a reputação de uma moça. Lembro-me da revolta que senti ao ler as calúnias arroladas por um suposto ex-namorado da jovem o qual, com o intuito sagrado de proteger a minha inocência, era obrigado a denunciar a vida sexual nada casta da minha querida amiga.
Após verificar o tamanho da falsidade e aquilatar a maldade do documento, descobrindo pela primeira vez na vida todo o mal que existe no fundo das almas humanas, não hesitei. Olhei nos olhos do autor-mensageiro e disse: "Você sabe o que a gente faz com isso?". Em seguida, risquei um fósforo. A chama fez a carta infame virar uma tira negra de cinzas. O olhar desapontado do mensageiro confirmou minhas suspeitas. Saí do encontro confiante na minha coragem de acreditar em mim mesmo.
Não sei por que você está falando em carta anônima quando não se escrevem mais cartas, diria um leitor desavisado. Ao que eu responderia, sem medo de errar: é justamente pelo fato de trocarmos mensagens instantâneas em casa, pela internet, que uma carta anônima teria hoje um peso ainda maior. Justo porque ela seria da mesma ordem de gravidade de uma notificação legal. O ato solene e mentiroso ("alguém me passou isso para você na rodoviária"...) quando da entrega do envelope fechado, já assinala o peso da mensagem. Quem vai se dar ao trabalho de escrever e postar uma carta, senão para comunicar algo grave?
Essa combinação de moralidade e de denúncia, ao lado do anonimato que aponta a má-fé, são o denominador comum de boatos e fuxicos. Essas novidades que surgem nas entrelinhas do "real", mas que se ancoram na plausibilidade. A ausência de autores - o sumiço de quem fez ou mandou; ou a atribuição a uma instituição ou a um inimigo satanizado, tipificam essas mensagens sem donos, mas - dependendo da reação - com temíveis consequências. A mensagem é transmitida como um "ouviu dizer" e nessa antiautoria jaz a sua autoridade. Pois, pelas regras da comunicação humana, quanto mais séria a mensagem, mais demandamos saber a sua origem. Quem foi que disse? Quem escreveu? Quem deu a ordem?
O boato e o fuxico, como já revelava o conto Quem Conta Um Conto (de 1873!), de Machado de Assis, ficam no ar até que alguém resolva descobrir quem os originou. E, na origem, podemos ser surpreendidos ao descobrir que autor e o receptor do fuxico, do conto, da anedota ou do boato, são a mesma pessoa!
A lição a ser discutida e aprendida é que o boato tem a mesma natureza incontrolável da moda, do sucesso, do frouxo de riso e do gol. Ele nos escapa e some como um relâmpago. Resta apenas o significado fulgurante e este depende - como no caso em pauta do boato da suspensão do Bolsa-Família e da doação de um bônus pelo Dia das Mães - de nossa imaginação a qual, por seu turno, está ligada a esse contexto eleitoral antecipado que tem tudo a ver com o caráter inseguro e controlador dos governantes; o que nos remete, de volta, a aspectos estruturais de nossa história e sociologia política que revela o infinito turbilhão humano com seus planos racionais e seus desejos ocultos.
Quem conta um conto...

Oscar Barreto: O PT não é barriga de aluguel



Uma das lideranças do PT no Estado, Oscar Barreto, afirmou recentemente que o partido não é barriga de aluguel, informando que a agramiação tem uma história de luta que não pode ser abandonada. As declarações vieram na esteira das especulações em torno de uma possível filiação do Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, à legenda, habilitando-se a concorrer ao Governo do Estado pelo partido em 2014. Setores do partido rejeitam a idéia de ter em seus quadros alguém com o perfil de Fernando Bezerra Coelho, que já esteve filiado a partidos que deram sustentação ao Regime Militar. Em alguns Estados da federação, pontualmente, ainda se estabelecem esses embates ideológicos, sobretudo se o partido ainda não perdeu seus laços orgânico com os movimentos sociais ou as correntes tidas como "radicais" ainda consigam fazer algum barulho. Tem sido assim sobretudo no Maranhão onde, nas eleições passadas, as decisões do diretório estadual da legenda foram grotescamente desrespeitadas pela Executiva Nacional, que impôs ao partido o apoio ao nome de Roseana Sarney ao Governo do Estado, quando a tendência seria o partido apoiar o nome do candidato do PCdoB, Flávio Dino. A quadra do Maranhão, aliás, tem sido um dos maiores problemas da coalizão PTxPMDB. O PT tem sido um dos maiores opositores dos Sarney no Estado, arranhando a aliança estabelecida no plano nacional. Aqui em Pernambuco, por uma série de circunstâncias, o PT já não reúne as condições efetivas de apostar na tese do ideologicamente orientado ou advogar 'questões de princípios', seja lá o que isso signifique para uma legenda que, na bacia semântica de Gilbert Durand, já foi incorporado pelo status quo da sociedade brasileira com todas as suas consequências.

PT e PMDB em pé de guerra



Já perdi a conta dos Estados da federação onde a aliança entre PT e PMDB está ameaçada. Pernambuco é um dos Estados que estão sendo citados, mas os problemas da legenda na província, como admite os próprios caciques do partido, é mais fácil de ser contornado do que em outras praças, como Rio e Maranhão, por exemplo. Aqui, Jarbas sempre foi muito independente e, caso seja confirmada a candidatura de Eduardo Campos, o seu grupo deve apoiá-la. Tiveram o cuidado de, antes, deixar a cúpula da legenda muito à vontade para costurar uma candidatura própria, possivelmente o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio. O posicionamento do PT local sobre esses rearranjos é uma incógnita, mas isso não chega a ser uma novidade. Não tem quadros, não tem tesão e anda a reboque dos humores e conveniências do governador Eduardo Campos. Na quadra nacional, hoje, se o partido viesse a se reunir para deliberar sobre o assunto, a aliança seria rompida. Temer tem se esforçado bastante para contornar os problemas, mas não está fácil cicratizar as feridas abertas entre as duas legendas. Houve muita inabilidade do Governo no trato de algumas questões relativas à medida dos Portos e isso deixou sequelas. Assim, com a licença poética do poema do Carlos Drumond de Andrade, Garotinho que não amava Eduardo Cunha, Eduardo Cunha que não amava Ideli Salvatti, Ideli Salvatti que não amava ninguém. Eduardo Cunha abriu um cisma difícil de ser contornado. Conta com apoiadores e vem peitando seus desafetos na legenda e no Governo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Eduardo Campos: Um caminho sem volta?

De temperamento forte, segundo dizem, a presidente Dilma Rousseff já teria lavado as mãos em torno do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, emborá lá no fundo, bem no fundo, Lula ainda alimente uma ligeira possibilidade de convencer o amigo a voltar ao aconchego da base aliada. Depois da repercussão das informações que davam conta de que ele estaria tirando o pé do acelerador, mais recentemente, outras informações da crônica política não apenas indicam que ele voltou a empurrar o pé para derrubar a cerca, como também atingiu um ponto sem retorno. Como diria Leonel Brizola, se vivo fosse, não haveria mais combustível suficiente para a aeronave socialista retornar ao porto seguro da base aliada. Se não, vejamos: mimado pelo Planalto, o Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, assume claramente uma postura governista, contrariando, no interior da agremiação, as expectativas em torno de uma candidatura presidencial do seu padrinho político. Durante a inauguração de obras do Governo Federal no Estado, tomou a liberdade de se contrapor ao slogan que vem sendo utilizado por Eduardo Campos, aludindo que é possível fazer mais, melhor e bem feito. Apesar de uma defesa pública do prefeito Geraldo Júlio, raposa velha na política, o ministro sabe de suas dificuldades com o PSB local. O cardápio do Palácio do Campo da Princesas para 2014, certamente, será bode frito. Ops! Eu disse bode? Não seria coelho? O jornalista Jota Nogueira, do Diário de Pernambuco, em seu blog, no dia de hoje, informa que caciques petistas, acostumados a interpretar as fumaças que saem da cozinha do Campo das Princesas, também já teriam perdido as esperanças de tê-lo de volta. Em encontro recente, Eduardo Campos fez duras críticas ao Programa Bolsa Família, o carro-chefe da campanha à reeleição de Dilma Rousseff. Ainda não é suficiente? Eduardo Campos não tem esboçado nenhuma reação à aproximação dos urubus voando de costa. A fauna cresce a cada dia. O mais recente integrante é o ex-ministro de FHC, Jorge Bornhausen, um conservador assumido. Dr. Miguel Arraes, lá onde ele se encontra, deve estar profundamente magoado com os caminhos que o neto vem trilhando.

Prefeitura do Recife: Acusações também sobre a merenda



Publicação: 29/05/2013 03:00
Dois dias depois de o Diario ter publicado com exclusividade a denúncia de superfaturamento na aquisição do kit escolar pela Prefeitura do Recife entre 2009 e 2012, outra “bomba” da gestão do ex-prefeito João da Costa está prestes a estourar. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai julgar, no mês de junho, o processo de fornecimento de merenda escolar às 321 escolas públicas do Recife. Além de analisar o motivo pelo qual a prefeitura ter feito apenas uma única licitação com as empresas (SP Alimentação e Serviços Ltda e Geraldo J. Cohan) que forneceram ininterruptamente a merenda durante sete anos (2005 a 2012), o TCE vai decidir sobre a legalidade do aditamento do contrato, em dezembro de 2012.

Coincidentemente, esse aditamento ocorreu no apagar das luzes da administração de João da Costa, a exemplo do processo de compra do material escolar, que teve o contrato com as empresas fornecedoras dos produtos aditadas em outubro do ano passado. Tanto em um caso quanto no outro, houve um acréscimo de 25% em relação à quantidade de itens estabelecida no contrato original. No caso do kit escolar, a prefeitura já havia excedido em até 56% o quantitativo original para a aquisição dos produtos, mesmo com o Tribunal de Contas da União só permitindo o aditamento de 25%.

Na publicação do Diário Oficial em 8 de dezembro de 2012, a prefeitura alega que o aditivo de 25% no contrato com a empresa SP Alimentação para fornecimento de merenda é decorrente de uma “necessidade excepcional”, que seria a não interrupção do fornecimento da merenda aos alunos. Os seis meses de vigência se encerram agora, no mês de junho, o que forçará o prefeito Geraldo Julio não só a efetuar o pagamento da fatura deixada por João da Costa (R$ 5,3 milhões), bem como regularizar a situação do fornecimento, que desde a segunda gestão de João Paulo (2005-2008) é realizado por duas únicas empresas, uma das quais com suspeitas de fraudes em diversos estados no Brasil (SP Alimentação).

O assunto foi mais uma vez motivo de debate entre oposição e governo na Câmara do Recife, ontem. A oposicionista Priscila Krause (DEM) questionou o porquê de mais um aditivo com a mesma empresa e cobrou eficiência da nova gestão. “Não houve tempo hábil para realizar nova licitação? Cinco meses? Nada justifica essa postura opaca e turva da atual gestão”, criticou. A prefeitura, por meio da assessoria da Secretaria de Educação, se defendeu informando que está prevista para a primeira quinzena de junho uma nova ata de registro de preço para fornecimento merenda escolar. O governista André Ferreira (PMDB) anunciou, da tribuna, que o projeto da prefeitura é de, a partir do segundo semestre, as merendas serem produzidas nas próprias escolas.
(DIARIO DE PERNAMBUCO)

O "alemão" prepara o terreno de Eduardo Campos em Santa Catarina


247 – O ex-ministro Jorge Bornhausen declarou oficialmente seu apoio ao PSB de Eduardo Campos na corrida pela Presidência em 2014. Articula até sua abertura na região sul. Leia o artigo de Rosângela Bittar, chefe da Redação, em Brasília, do Valor:
Uma ponte para o Sul
É público que Jorge Bornhausen, ex-ministro, ex-senador, ex-embaixador, ex-governador, atualmente sem filiação partidária, investiu uns 15 anos de sua vida política na carreira de Gilberto Kassab, o ex-prefeito de São Paulo que abrigou no PFL, vindo do PL, e apoiou na difícil tarefa de criar um novo partido, o PSD, quando ambos se apartaram do DEM. É uma cacofonia de siglas, mas todas guardando uma certa coerência política. Esta semana, deu-se uma nova virada nos rumos da política que Bornhausen pratica. Reuniu-se com Kassab para uma conversa que não chegou a ser de despedida, porque são e continuarão amigos, mas para troca de impressões sobre os caminhos agora opostos que trilharão.
Bornhausen, mesmo sem filiação partidária e sem candidatura, estará sempre do lado oposto ao do PT na política. Kassab agora é aliado do PT, vai apoiar Dilma Rousseff em sua campanha de reeleição, seu partido integra o Ministério do governo petista.
Bornhausen recusa a ideia corrente no DEM de que ele foi o criador de Kassab. "Quando ele veio para o PFL já era deputado pelo PL. Já tinha uma posição de destaque, veio a meu convite para ajudar a formar o PFL de São Paulo, o que ele fez muito bem. Depois foi eleito deputado federal, foi vice-prefeito, prefeito, é meu amigo, gosto muito dele".
O líder catarinense também não se acha decisivo na formação do PSD, mesmo que tenham aderido ao novo partido um governador e um senador do seu grupo, Raimundo Colombo e Kátia Abreu, além de seu filho Paulo Bornhausen.
"Eu apenas aconselhei os que me procuraram a examinar bem suas convicções, suas questões, mais nada. A decisão de Santa Catarina foi tomada em Santa Catarina, não foi por minha causa".
Há muitos anos Jorge Bornhausen traçou uma linha de separação dos campos políticos para não haver hipótese de tangenciar o PT, e com ela foi coerente, sempre. O PSD está com o PT, portanto dele se afastou, politicamente, pois já não é filiado.
Na verdade, desde que se desfiliou do DEM, Bornhausen não ingressou em nenhum outro partido. Por que não ir com o PSD às eleições presidenciais?
"O PT de Santa Catarina sempre fez suas ações contra a minha pessoa. Tudo foi sempre pessoal. É uma questão de dignidade eu não votar nem apoiar qualquer candidato do PT", afirma Bornhausen.
Quem acompanha sua trajetória lembra-se da indignação que lhe provocaram os cartazes, elaborados e distribuídos pelo PT, anos atrás, com seu rosto colocado no corpo de Hittler. "Manifestações daquela natureza continuam até hoje", cita Bornhausen.
É também público que o ex-senador, ex-ministro, ex-governador, ex-embaixador, o líder político de Santa Catarina, está apoiando a candidatura presidencial de Eduardo Campos, o governador de Pernambuco, do PSB. Bornhausen virou socialista? Ele ri e afirma: "Eu votarei nele se vier a ser candidato e tudo indica que sim".
Definindo o que o ajuda a manter a coerência, afirma: "Eu acho que, em política, o mais importante não é a popularidade, é a credibilidade. Ao me manifestar em favor da candidatura do Eduardo Campos, eu me mantenho dentro da linha de credibilidade na minha vida política. Jamais poderia apoiar aqueles de quem sempre divergi, que eram os integrantes do PT", comenta.
Bornhausen declarou voto em Eduardo, e com ele já participou de algumas reuniões. O governador pernambucano convidou Paulo Bornhausen para filiar-se ao PSB, mas o deputado ainda não se decidiu. "Ele tem muito tempo, só precisa responder em setembro".
A opção por Eduardo Campos é uma guinada política na sua vida? Bornhausen se mostra impressionado com a atuação do governador: "Não, não é nenhuma guinada. Ele é um administrador moderno, vem executando suas tarefas tendo sempre em vista o desenvolvimento, o crescimento do seu Estado, utiliza-se de todos os meios modernos de administração, fazendo com que a meritocracia seja um critério integrante do sistema na educação, na saúde, na segurança, admiro seu trabalho. Dai porque, pessoalmente, já fiz a minha opção de voto".
O que vai acontecer com seu grupo, Bornhausen não arrisca prever, ainda. "Cabe ao deputado Paulo Bornhausen escolher o seu caminho. Ele já disse que também não acompanha a candidatura da Dilma. Quanto ao ingresso no PSB, ele recebeu um convite público do governador Eduardo Campos e está examinando, com outros companheiros, essa possibilidade".
O partido de Eduardo Campos tem uma comissão provisória em Santa Catarina, presidida pelo ex-senador Geraldo Althoff.
Se houver filiação de parlamentares, caso do Paulinho Bornhausen, por exemplo, deverá haver alguma alteração. Mas a presidência, na avaliação do líder catarinense, deve continuar com quem está. "Althoff é um homem íntegro, da melhor qualidade". Se Paulo Bornhausen vai para o PSB ou não, até setembro todos saberão. Se não for, sua alternativa é ficar numa situação de dissidente no PSD que, segundo Bornhausen, " tudo indica", vai apoiar a Presidente da República.
Foi mais ou menos esse o fio da meada da conversa que Bornhausen e Kassab mantiveram esta semana. "Absolutamente, minha relação de amizade com ele não tem porta para qualquer despedida. Eu coloquei a situação, evidentemente minha, e a decisão que Paulinho tomará, de acordo com o que ele achar melhor para o futuro dele. Mas jamais fazer uma despedida de uma amizade que é, para mim, muito importante, sobretudo é afetiva".
Jorge Bornhausen mantém a decisão de não se filiar a nenhum partido e a tomar suas decisões "conforme convicções". No momento, tudo isto converge para a candidatura de Eduardo Campos. E já conversaram, inclusive, sobre a montagem do partido em Santa Catarina, ponto estratégico no crescimento do PSB e da candidatura do governador na região sul. "Ele vai formar o partido em Santa Catarina, necessário para a candidatura dele. O Paulo deverá tomar as posições que facilitem, ajudem a candidatura do Eduardo Campos no Estado".
(Publicado originalmente no jornal Brasil 247)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Eduardo Campos pisa na bola ao criticar o Bolsa Família.




Na província, no aconchego do ninho socialista, entre vereadores e lideranças do partido, o governador Eduardo Campos criticou o Bolsa Família, verdadeira vitrine do acerto das políticas de inclusão social do Partido dos Trabalhadores. As críticas dirigidas ao programa convergem para grandes obviedades e tautologias, como a necessidade de políticas estruturadoras que indiquem a porta da saída do programa. Ou, para usar um termo mais preciso, políticas sociais de 3ª geração. Todas essas questões são do conhecimento do Governo e, mesmo que incipientemente, começam a ganhar esboço de políticas públicas, como uma preocupação com a formação técnica desse contingente, políticas de concessão de créditos para a abertura de pequenos negócios etc. Intencionalmente, dependendo de quem o observe, há muitos vieses em relação ao Bolsa Família. Vieses ou, no íntimo, um pouco de má vontade. Em artigo recente publicado na revista Carta Capital, o Cientista Político Marcos Coimbra, afirmou que a elite brasileira não gosta dele. A elite intelectual, então, em dois dedos de prosa, não resiste em soltar seus cachorros em relação ao Programa, hoje copiado por países pobres e ricos e, certamente, o maior programa de transferência de renda do mundo, capaz de erradicar milhões de braisileiros da extrema pobreza. Outro equívoco foi afirmar que as possoas ficariam reféns do Programa. 1.600 mil pessoas "pediram para sair" expontaneamente, numa atitude que prova que o povo brasileiro é gente boa. Apesar de herdar o DNA do avô, o governadador de Pernambuco parece passar por um processo de tucanização. Muito cuidado, governador. O povo tem a dimensão exata do que significa esse Programa. Esse seu discurso, afinal, é dirigido a quem? a elite brasileira? aos empresários? aos acadêmicos envernizados nas universidades americanas que voltam ao país com nojo da "inhaca"? Duvido muito que o seu avô, Dr. Miguel Arraes, de saudosa memória, se colocasse contra um programa dessa natureza.

Fernando Bezerra Coelho: "É possível fazer mais, melhor e bem feito".





Já aclamado como candidato entre os seus pares - caso da reunião com os vereadores socialistas ocorrida recentemente - o governador Eduardo Campos esforça-se para construir um discurso que concilie a sua participação no grande legado de políticas sociais de transferência de renda da Era Lula/Dilma - não se deslocando da base aliada - mas propondo "fazer mais e melhor". Recentemente, concedi uma entrevista onde o repórter questionou-me sobre essa guerra de slogans. No caso de Eduardo Campos, parece-nos óbvio que o slogan foi pensado diante de uma série de circunstâncias e, possivelmente, subsidiado junto à pesquisas realizadas com eleitores, quem sabe, a partir das primeiras fornalhas do Antonio Lavareda. No caso das "respostas" do Planalto, isso parece ocorrer apenas como figura de retórica. "É possível fazer mais", "É possível fazer mais e melhor" e, finalmente, "É possível fazer mais, melhor e bem feito", esse último utilizado pelo Ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, já então falando, certamente, muito mais em sintonia com o Planalto, ontem, durante inauguração de obras do Governo Federal na região, firme na sua carreira solo. A antecipação do processo sucessório contribuiu, igualmente, para antecipar uma possível guerra de slogan, mais, nesse, caso, apenas como retórica produzida por algum Ghost Writer de plantão. Não acreditamos que o Planalto tenha consultado João Santana para responder ao marqueteiro de Eduardo Campos. Não ainda.

Os crimes contra a humanidade e os direitos humanos são imprescritíveis.

 

POSTADO ÀS 14:00 EM 27 DE Maio DE 2013
Por Michel Zaidan

O famoso ensaista e historiador Paulo Mercadante escreveu que a marca registrada da história brasileira é a conciliação ou a "história incruenta", como dizia o saudoso José Honório Rodrigues. No Brasil, tudo se resolve com um tapinha nas costas ou um aperto de mão. Numa mesa farta, poderiamos acrescentar. Esse comentário vem a propósito da discussão no interior da Comissão da Justiça e da Verdade, sobre a reabertura ou não da Lei da Anistia. Comparado com a Argentina e o Uruguai - e mesmo o Chile de Pinochet - o nosso país é um paraíso para torturadores, assassinos, ladrões, contrabandistas etc. Nada acontece com eles.

Até porque existe um famoso advogado, ex-ministro da Justiça, especializado em defender essas criaturas das garras da lei, pela módica importância de (a partir) 150.000,00. País da impunidade, esse nosso.

O processo da transição democrática e do restabelecimento do Estado de Direito no Brasil deixou um enorme passivo para a sociedade brasileira e as famílias dos chamados "desaparecidos políticos", cuja indenização monetária não resolve. Tanto as famílias que perderam seus entes queridos ( e que não eram torturadores, assassinos nem contrabandistas) como o povo brasileira têm o direito líquido e certo não só de enterrarem condignamente seus mortos, mas de saber cabalmente o que aconteceu um dia nesse país!

Por mais hedionda e revoltante que tenha sido essa guerra suja da Ditadura Militar contra militantes da esquerda e dos movimentos sociais no Brasil, temos hoje a possibilidade pelo trabalho da Comissão de interrogar os agentes públicos envolvidas nela, dar a conhecer à sociedade o que realmente se passou e responsabilizar penalmente os autores materiais e intelectuais desse crim es.

Alegar que essas bárbaras ações cometidas em nome da "Segurança Nacional", por servidores públicos, a mando de seus superiores, estão prescritas ou perdoadas em função da Lei da Anistia, é um escárnio diante do sofrimento e o direito sagrado dos familiares de apurar até o fim o que aconteceu com os seus parentes. Muitos vão dizer que é melhor colocar uma pedra sobre isso.

Que este foi preço a pagar pela transição "indolor" para a democracia e que é melhor não despertar a fúria dos militares, sob o pretexto de revanchismo, retaliação, vigança etc. De toda maneira essa "via brasileira" para resolver conflitos internos não contribui nem para a história nem para a justiça, estimulando a impunidade, nivelando as pretensões de validade ética dos agressores e agredidos e relativizando a idéia de Justiça e de Verdade. Para fazer o trabalho pela metade, para não desagrad ar os militares, era melhor nem ter começado. É como se a questão militar no Brasil nunca tivesse sido constitucionalizada. Permanece acima da Constituição. Continuamos refém das forças de segurança. A nossa transição não foi pactuada, foi tutelada pelos militares, com a conivência dos que atuaram no Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves.

E hoje, nós temos o triste espetáculo de conviver cara-a-cara com os nossos perseguidores, torturadores, nos corredores das insitiuições públicas e, em alguns casos, no interior das Comissões da J e V, em razão dos compromissos e interesses eleitoreiros dos governantes.

Gostaria de reafirmar que não existe anistia, nem perdão, nem esquecimento para os crimes cometidos contra a Humanidade. Como disse um filósofo alemão: não do que um dia aconteceu, está perdido para a História. E que se nós, historiadores e juristas ou cidadãos, não formos capazes de resgatar a memória das lutas e sofrimentos das gerações passadas, os criminosos e torturadores continuarão a vencer, e nem os mortos estarão em segurança! E a obra ignominiosa e execrável desses criminosos e torturadores continua impune, como se nada tivesse acontecido!

Boaventura de Sousa Santos: Sobre o austeritarismo alemão


publicado em 27 de maio de 2013 às 20:54
Estudantes alemães desconhecem Hitler, diz pesquisa
O diktat alemão
Na reunião de 9 de Abril entre o secretário do Tesouro norteamericano e o superministro alemão Wolfgang Schäuble ficou provado que o fundamentalismo neoliberal domina hoje mais na Europa que nos EUA.
À recomendação feita por Jacob Lew de que a Europa atenue a ênfase na austeridade e promova o crescimento económico, respondeu desabridamente o ministro alemão que “na Europa ninguém vê uma contradição entre consolidação fiscal e crescimento” e que “devemos parar com este debate que nos diz que temos de optar entre austeridade e crescimento”.
Provar que há alternativas ao diktat alemão do nacional-austeritarismo e que elas são politicamente viáveis é o maior desafio que as sociedades europeias, a portuguesa incluída, hoje defrontam.
O desafio é comum, ainda que a sua concretização varie de país para país. A história europeia mostra de maneira muito trágica que não é um desafio fácil. A razão alemã tem um lastro de predestinação divina que o filósofo Fichte definiu bem em 1807, quando contrapôs o alemão ao estrangeiro desta forma: o alemão está para o estrangeiro como o espírito está para a matéria, como o bem está para o mal.
Perante isto, qualquer transigência é sinal de fraqueza e de inferioridade. O próprio direito tem de ceder à força para que esta não enfraqueça.
Quando, no começo da Primeira Guerra Mundial, há quase um século, a Alemanha invadiu e destruiu a Bélgica, sob o pretexto falso de se defender da França, violou todos os tratados internacionais, dada a neutralidade daquele pequeno país (as agressões alemãs tendem historicamente a tomar como alvo inicial os países mais fracos).
Sem qualquer escrúpulo, o chanceler alemão declarou no Parlamento: “A ilegalidade que praticámos havemos de procurar reparar logo que tivermos atingido o nosso escopo militar. Quando se é ameaçado e se luta por um bem supremo, cada qual governa-se como pode”.
Esta arrogância não exclui alguma magnanimidade, desde que as vítimas se portem bem. Da nota que a chancelaria alemã enviou à chancelaria belga em 2 de Agosto de 1914 – um documento que ficará na história como um monumento de mentira e felonia internacionais – constam as condições 3. e 4. que rezam assim:
“3. Se a Bélgica observar uma atitude benévola, a Alemanha obriga-se, de acordo com as autoridades do Governo belga, a comprar contra dinheiro contado tudo quanto for necessário às suas tropas e a indemnizar quaisquer danos causados na Bélgica pelas tropas alemãs. 4. Se a Bélgica se comportar de um modo hostil às tropas alemãs e se, especialmente, levantar dificuldades à sua marcha… a Alemanha será obrigada, com grande desgosto seu, a reputar a Bélgica como inimiga”.
Ou seja, se, como diríamos hoje, os belgas fossem bons alunos e se deixassem instrumentalizar pelos interesses alemães, o seu sacrifício, se bem que injusto, receberia uma hipotética recompensa.
Caso contrário, sofreriam sem dó nem piedade. Como sabemos, a Bélgica, inspirada pelo Rei Alberto, decidiu não ser boa aluna e pagou por isso o elevado preço da destruição e dos massacres, uma agressão tão vil que ficou conhecida como a “violação da Bélgica”.
Dada esta superioridade über alles, humilhar a arrogância alemã tem sempre envolvido muita destruição material e humana, tanto dos povos vítimas dessa arrogância como do povo alemão. Claro que a história nunca se repete e que a Alemanha é hoje um país sem poder militar e governado por uma vibrante democracia.
Mas três factos perturbadores obrigam os restantes países europeus a tomar em conta a história. Em primeiro lugar, é perturbador verificar que o poder económico alemão está hoje convertido em fonte de uma ortodoxia europeia que beneficia unilateralmente a Alemanha, ao contrário do que esta quer fazer crer. Também em 1914 o Governo imperial pretendia convencer os belgas de que a invasão alemã do seu país era para seu bem, “um dever imperioso de conservação”, e que “o Governo alemão sentiria vivamente que a Bélgica reputasse [a invasão] como um acto de hostilidade”, como se escreve na infame declaração já referida.
Em segundo lugar, são perturbadoras as manifestações de preconceito racial em relação aos países latinos na opinião pública alemã. Vem à memória o antropólogo racista alemão, Ludwig Woltmann (1871-1907) que, inconformado com a genialidade de alguns latinos (Dante, Da Vinci, Galileu, etc.), procurou germanizá-los. Conta-se, por exemplo, que escreveu a Benedetto Croce para lhe perguntar se o grande Gianbattista Vico era alto e de olhos azuis. Perante a resposta negativa, não se desconcertou e replicou: “Seja como for, Vico deriva evidentemente do alemão Wieck”.
Tudo isto parece hoje ridículo, mas vem à memória sobretudo tendo em mente o terceiro facto perturbador. Um inquérito realizado há pouco mais de um ano aos alunos das escolas secundárias alemãs (entre 14 e 16 anos de idade) revelou que um terço não sabia quem fora Hitler e que 40% estavam convencidos de que os direitos humanos tinham sido sempre respeitados pelos Governos alemães desde 1933.
*Director do Centro de Estudos Sociais, Laboratório Associado, da Universidade de Coimbra