pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
Powered By Blogger

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Jarbas Vasconcelos não foi ao forró da Fazenda Macambira.

  
Muito antes dos calejados cronistas de política, já antenciávamos que a Fazenda Macambira, em Caruaru, de propriedade dos Lyras, transformara-se num verdadeiro termômetro político do Estado. Sem nenhum exagero, macielistas de carteirinha já dançaram forró no seu arraial e, depois das tradicionais iguarias de época ali servidas, saíram do ambiente professando sua fé eduardista. Fernando Lyra, quando vivo, saboreou grandes churrascos políticos naquele espaço particular da Princesa do Agreste. Sem qualquer exagero, dizia-se que o homem era capaz de dar nó em água nas articulações políticas. Dia 24, o candidato Aécio Neves deve chegar ao Recife para um almoço com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Não fosse o compromisso de Eduardo Campos com a Copa das Confederações, certamente, eles estariam juntos no rala-bucho de Caruaru. Se Lyra estivesse vivo, seria uma boa oportunidade de encontrarem aquele que já afirmou que os dois políticos formam as duas maiores lideranças surgidas no país nos útlimos anos. Em seus comentários políticos aqui na rede, no dia de hoje, a jornalista Ana Lúcia Andrade comentou sobre as ausências sentidas no Forró da Fazenda Macambira deste ano. Não marcaram presença nem o senador Jarbas Vasconcelos e nem o seu fiel escudeiro, Raul Henry. Mesmo diante da possibilidade de o partido lançar candidatura própria ao Governo do Estado, próceres peemedebistas já reafirmaram que a prioridade da agremiação no Estado é reconduzir Jarbas Vasconcelos ao Senado Federal. Caso se viabilizasse a candidatura presidencial de Eduardo Campos, tudo seria mais simples para acomodar Jarbas na vaga de senador. Ocorre, entretanto, que a candidatura de Eduardo à Presidência das República passa por tenebroso inverno, com resistências dentro das próprias hostes socialistas e sistematicamente afetada pelas manobras do Planalto. Em suposta confidência ao jornalista da Época - que recentemente assinou uma matéria sobre o esfriamento do entusiasmo de Eduardo Campos com a sua candidatura - Jarbas Vasconcelos teria afirmado que Eduardo havia acusado os reflexos do jogo duro infringido pelo PT. Diante do exposto, como diria os bacharéis sem registro na OAB, começaram as especulações em torno das alternativas que se apresentam para o governador Eduardo Campos. O Senado Federal seria uma delas, confrontando-se diretamente com os planos de Jarbas Vasconcelos, daí começarem as indigestões políticas entre ambos e os "compromissos familiares" que afastaram Jarbas do rala-bucho da Fazenda Macambira. Já dizia uma velha raposa da política mineira que política é como as nuvens...Quem, quando criança, costumava tentar decifrar as nuvens que se formavam no Céu sabe do que estamos falando.

domingo, 16 de junho de 2013

Afinal, a ABIN andou investigando o governador Eduardo Campos?

 

Ainda repercute a matéria da revista Veja sobre a prisão de agentes da ABIN, supostamente infiltrados entre os funcinários do Porto de SUAPE. O mais curioso é que as autoridades públicas, ao se pronunciarem sobre o assunto, produzem um enredo de intrigas e tergiversações que apenas apimentam, como num bom ramance policial, as especulações sobre o assunto. Mesmo sendo ademoestado a esse respeito, o general José Elito Siqueira, chefe do GSI, a quem a ABIN está subordinada, infelizmente, continua envolvendo, primariamente, a presidente Dilma Rousseff no episódio, esquecendo que o órgão não é do governante de plantão, mas sim do Estado Brasileiro. Deve cumprir suas prerrogativas constitucionais, mas imiscuir-se, tanto quanto possível, das picuinhas partidárias. Por outro lado, as ações da ABIN, neste caso específico, diplomaticamente, poderiam ser enquadradas como "rotineiras", sem maiores delongas, o que já seria suficiente para uma resposta não geradora de tanta polêmica. Nada mais polêmico do que as afirmaçãoes de que a ABIN trabalha para a presidente. O Governo do Estado, por sua vez, também não tem sido feliz em suas declarações sobre o episódio. Para não passar recibo de que, de fato, os objetivos da infiltração extrpolavam as atividades de "rotina" daquele órgão, o governador Eduardo Campos e a adminitração do Porto de SUAPE abusam dos eufemismos e da paciência dos cidadãos medianamente bem-informados. Afinal, tudo começou com as articulações do governador entre o governador e Paulinho da Força Sindical, por ocasião dos debates da famigerda Medida dos Portos, tendo como pano de fundo - que neste caso não é cueca -as pretensões presidenciais de Eduardo Campos.  Paulinho, que é filiado ao PDT, à época, solidarizou-se com o governador e, praticamente, assinou uma promissória política comprometendo-se em apoiá-lo caso ele, de fato, candidadar-se à Presidência da República. Esses pronunciamentos de Eduardo Campos saem na boca do palco. Nas coxias da realpolitik, a conversa é bem diferente, inclusive entre atores políticos que costumam ouvir as confissões do governador. Ele parece acreditar realmente que se trata de mais uma manobra do Planalto para prejudicá-lo. Evidente que o general  José Elito está subordinado a uma autoridade do Estado, especificamente, à Presidência da República. O que está em jogo, neste caso, é que se ABIN está realizando um trabalho de natureza republicana, tudo bem. Esses levantamentos de informações sobre as possíveis ações dos sindicatos e dos movimentos sociais encontra-se no escopo das atribuições do órgão. Imaginem quantos agentes a ABIN não teria despachado para acompanhar as mobilizações que estão ocorrendo em São Paulo. O que se critica é que a fala do ministro sugere dubiedades, o que pode ser entendido apenas como um deslize involutário. Por exemplo, não estaria entre as atribuições da ABIN investigar, sob o prisma político, os possíveis adversários da presidente Dilma Rousseff, pautando as manobras do Planalto para assegurar a renovação do contrato de locação da Presidência da República. No mínimo, o general José Elito precisaria tomar mais cuidados em suas afirmações. Nos Estados Unidos o FBI já foi utilizado para investigar adversários dos mandatários de plantão e isso causou uma enorme confusão, culminando com a renúncia de Nixon. É bom que se diga, inclusive, que a presidente Dilma já chamou sua atenção para esses escorregos linguísticos. Sinceramente, descarto a possibilidade de a presidente está envolvida nesse jogo. A ABIN, no entanto, precisa tomar mais cuidado com a sua comunicação.

sábado, 15 de junho de 2013

O jogo pesado da realpolitik




Em seu artigo de hoje, publicado no blog do Jamildo, o professor Michel Zaidan, depois de exortar a ausência de um ambiente saudável ao debate de idéias no Estado, observa que no jogo pesado da atual política brasileira, as eleições de 2014 deverão ser definidas pelo aliciamento e pela força. No plano nacional, uma ocorrência mais recente se coaduna com as observações do historiador: Recentemente, a presidente Dilma Rousseff recebeu em seu gabinete a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins. Controversa, mas representate de uma nucleação política ainda importante na capital cearense, a ex-prefeita teria sido sondada recentemente para ingressar no PSB do governador Eduardo Campos. Pois bem. Comenta-se que a presidente teria oferecido a ex-prefeita uma assessoria especial na Secretaria das Mulheres, algo que foi recusado em razão dos compromissos da ex-prefeita na capital. Disposta a não perder a ex-prefeita para as hostes socialistas, a presidente Dilma Rousseff, segundo matéria do Estadão, recomendou ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) que encontrasse uma alternativa mais adequada para acomodar a ex-prefeita.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Polícia ataca a imprensa em ato contra aumento das passagens em SP

Ambiente político abafado, Michel Zaidan Filho


Postado às 20:19 em 11 de junho de 2013
Por Michael Zaidan
 
O professor  Marco Mondaini, da Pós-graduação de Direitos Humanos (UFPE), me escreveu falando da atmosfera política "asfixiante" que domina o estado de Pernambuco. Segundo ele, regridimos de Gramsci a Althusser, ou seja, dos aparelhos privados de hegemonia para os aparelhos ideológicos de estado. Só conseguiu publicar sua análise sobre o "neo-socialismo" do governador no portal da Carta Maior. Ainda bem! Depois que o nosso mandatário se tornar presidente da República, nem nesse portal ele vai poder publicar nada. Mas o alerta do professor Mondaini é que o arremedo de nossa sociedade civil foi inteiramente absorvida pelo Estado, com o consentimento tácito dos atores (incluindo aí a mídia) da própria sociedade civil.
É a servidão voluntária, de que fala La Boetie. Num estado, onde prevalece uma política do amigo e do inimigo seria demais esperar um movimento político organizado de resistência ao rolo compressor do Palácio das Princesas. Enquanto a famosa Copa das Confederações não passar, ninguém vai prestar atenção aos imensos buracos submersos dessa administração. Mesmo com os carros caindo nesses buracos, as estações de metro alagadas, a dificuldade de acesso à tal "arena" de Pernambuco, os graves problemas de mobilidade na cidade, sobretudo em dias de chuva....Pior é usar uma empresa calamitosa como a COMPESA para fazer propaganda da gestão. Exatamente a empresa responsável pelos inúmeros buracos, tubulações rompidas, asfalto liquifeito etc. Como é possível transformar uma anti-empresa desta em modelo de eficiência de prestação de serviço ao cidadão?

Enquanto isso, o "príncipe" sequer consegue unir o seu próprio partido em torno de sua candidatura. Não consegue convencer o seu ministro da viabilidade política de seu nome, nem dissuadir o senador petebista de buscar o apoio do PT para disputar o governo de Pernambuco. Seria o caso de perguntar se um político que mal consegue persuadir seus comandados a lhe prestarem apoio, pode amealhar o apoio de outros partidos e coligações.
Deveria ele saber que o mesmo método que utiliza - na falta da hegemonia propriamente dita - para cooptar, seduzir, arrastar é o que o governo federal fará, com muito mais poder de fogo, para ganhar as eleições do ano vindouro. Não haverá, certamente, uma disputa  de hegemonia, de idéias, projetos ou coisas assim. A disputa será de força, de recursos, de cargos, indicações e benesses. E aí, quem ganha?

Não sabe o professor Modaini que o baixo grau de socialização política, num ambiente político secularmente polarizado como o nosso, os argumentos são dois: a força e o aliciamento. Não há espaço para disputas saudáveis de idéias generosas em prol do bem público. O debate será substituído pela pirotecnia dos publicitários, os sofismas dos marqueteiros de plantão, das falsas estatísticas, e da exposição de modelos mirabolantes das avenidas do futuro.
É um luxo pedir a esse tipo de políticos que arregace as mangas para demonstrar pelo empenho, a capacidade, o denodo e a dedicação demonstrados durante a gestão, que merecem a confiança do eleitor. Não. Basta o clima de ufanismo ocasional dos eventos preparados para este ano e o próximo, e tudo se arruma, tudo se arranja, se a cidade não afundar numa enorme cratera moral submersa pelas chuvas.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Tempero demais na cozinha, artigo de José Carlos Xavier

Estava escrevendo o presente artigo quando li labor semelhante da lavra do culto e dileto amigo Pedro Dutra, inserto no “Jornal O Globo”, sob o título “A Nova Cozinha Brasileira”. Confesso que de pronto me predispus a abortar a minha escrita, ante a excelência dos trabalhos do ilustre advogado. Entretanto, me aprofundando na leitura, percebi que o conteúdo da minha inspiração era diverso e abrangia outros aspectos sobre o tema em estudo. O erudito causídico, em abreviada síntese histórica, de forma singular, citando San Tiago Dantas, obtempera como fora introduzida entre nós a Consolidação das Leis do Trabalho, calcada que fora na “Carta del Lavoro” italiana, ao passo que a minha fala volta sua ótica para a importância da regulamentação da matéria em comento, embora, admite-se, enalteça o inquestionável avanço isonômico da Emenda Constitucional 72, que instituiu livro de ponto, 44 horas semanais de trabalho doméstico, intervalo para almoço e descanso, contrato padronizado de trabalho, que a tanto equivale a acordo coletivo, hora extra, fundo de garantia, multa fundiária de 40% em razão de dispensa sem justa causa, como também seguro desemprego.
Registre-se que embora tardio o novo regramento, muita vez, no afã salutar de legislar da melhor forma possível, se criam normas que, na prática, podem inviabilizar, seja para os empregados, seja para o empregador, a aplicação da legislação em testilha, tendo em vista as características do trabalho doméstico, de molde a impedir que “o tiro saia pela culatra”.
É bem de ver que muitas famílias vivem do rendimento do trabalho doméstico, daí por que se deve buscar o melhor entendimento nessa relação trabalhista, a fim de se evitar dispensas açodadas (estima-se que, na primeira hora, possam ocorrer cerca de aproximadamente 1 milhão de demissões de empregados domésticos). Na primeira hora ouviu-se dizer: vou trocar minha empregada doméstica por 3 diaristas diferentes, assim consigo burlar a lei.
Ledo engano!
Ora, há de ser considerada a questão da confiança recíproca entre os envolvidos, o conhecimento dos costumes de ambas as partes, circunstâncias essas que advêm com o tempo, razão pela qual não podem ser, de uma hora para outra, sob esse pífio argumento, jogadas pela janela. Ademais, o empregado doméstico possui características diferentes do trabalhador comum, no sentido de que, não raro, dorme no seu trabalho, não tem gastos e tampouco estresse com transporte que o conduz ao seu serviço (greves, manifestações, atraso do transporte coletivo etc), alimenta-se, por vezes, gratuitamente da mesma maneira, ou seja, sem desgaste físico ou mental, assiste televisão, escuta rádio, enquanto exerce seu mister etc.
Não é descabido dizer que o serviço doméstico é um trabalho sui generis e, como tal, deve ser tratado, a ponto de que com o passar o tempo, o trabalhador doméstico é tratado como se fosse da família do empregador.
Assim, o bom senso indica que a Casa de Leis, no caso o Congresso Nacional, sugira medidas que possam viabilizar o trabalho doméstico e não emperrá-lo. Nesse passo, seria de bom alvitre a criação de banco de horas, regime especial para cuidadores de idosos, recém-nascidos e infantes. De outro lado, seria recomendável que a Justiça laboral, ao interpretar a lei, admitisse que em processos que tais, patrões e empregados, possam firmar acordos individuais, que se traduzem em verdadeira vontade das partes. A uma para que o empregado, não perca o seu emprego; a duas, para que o patrão, muitas vezes um operário de parco recurso, não fique sem o empregado, em razão da ausência de alguém que cuide da prole daquele.
Ponto finalizando, ressalte-se a necessidade que se encontre um consenso no que tange ao percentual sobre a multa do Fundo de Garantia, bem como o “quantum” da contribuição do empregador ao Instituto Nacional de Seguro Social, vulgarmente chamado INSS (Brasil país das siglas), que hoje é de 12%, encontrando-se patamar adequado para tal contribuição, porquanto as famílias não se consubstanciam em pessoa física ou jurídica com fins lucrativos. Poder-se-ia pensar, através de uma sugestão mais ousada, destinada para arraia miúda, que precisa do empregado doméstico por imperiosa necessidade, a possibilidade de descontos desses encargos no imposto sobre a renda. Se assim não for, forçoso convir que se corre o risco de colocar muito dendê no tempero da cozinha, cuja a consequência funesta, como é cediço, para alguns, será inevitável.
JOSÉ CARLOS G. XAVIER DE AQUINO É DESEMBARGADOR DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

Tal qual um filho pródigo, se voltar à base aliada Eduardo Campos ainda terá o vitelo cevado?


 
 
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, vem fazendo uma ginástica linguística medonha para disfarçar o choque sentido com as manobras do PT para enfraquecer sua candidatura. Em entrevista recente, publicada no nosso blog, ele faz analogia aos ditados nordestinos, afirmando que "cabrito bom não berra", um simples jogo de retórica, uma vez que até recentemente ele berrava bastante. Interlocutores próximos ao governador ja admitem, em reserva, de acordo com matéria da Época dessa semana, que ele acusou os efeitos das manobras. Tal qual aquele filho pródigo, interlocutores petistas, nos últimos momentos antes do aperto do torniquete, prometeram ao governador um vitelo cevado, como nos bons tempos das orgias gastronômicas na sua residência no Bairro de Dois Irmãos. Pragmaticamente, do pornto de vista da realpolitik, a proposta é interessante: teria uma dor de cabeça a menos, seria recebido de volta com todas as pompas, ampliaria o naco de poder socialista na Esplanada dos Ministérios e "poderia" ser o nome da base aliada para 2018, num consenso difícil de ser construído em qualquer circunstância. De quebra, arrumaria a situação dos governadores socialistas que tentarão a reeleição em 2014. Se persistir com essa idéia fixa de uma candidatura presidencial ainda em 2014,quem sabe, nem o vitelo gordo ele terá assegurado.

domingo, 9 de junho de 2013

O inverno de Eduardo Campos


ALBERTO BOMBIG
|
Eduardo Campos (PSB) (Foto: Fabio Pozzebom / Abr)

Após um animado verão, a pré-candidatura a presidente do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está hibernada para enfrentar um inverno que pode ser longo e tenebroso. Até os maiores entusiastas da empreitada, como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e os deputados federais Márcio França (PSB-SP) e Beto Albuquerque (PSB-RS), têm se mostrado, em conversas reservadas, preocupados com o recuo tático de Campos.
 
Nas palavras de um importante senador que conversou recentemente com Jarbas, “Eduardo Campos sentiu os efeitos da realpolitik do PT”. Segundo esse mesmo senador, Jarbas teria dito que, neste momento, Campos está mais propenso a não se candidatar. 
Ainda de acordo com esse relato de Jarbas, Campos vem sendo muito pressionado pelos petistas e por parte de seus colegas de partido a abrir mão da candidatura em 2014 para não “enfraquecer o projeto político do PSB”. Segundo a coluna de Felipe Patury, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o principal arquiteto da estratégia para sufocar o projeto eleitoral do governador.
A lógica propalada pelo ex-presidente para dividir os socialistas é simples: se a aliança PT-PSB for desfeita (os dois partidos estão juntos no governo Dilma assim como estiveram na eleição de 2010) a bancada do PSB irá diminuir de maneira drástica, o que deixaria muitos dos atuais parlamentares socialistas sem carga a partir de 2015.
Esse mesmo discurso encontra eco em governadores do PSB, como Cid Gomes (CE), e no ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), que recentemente defendeu em evento público a reeleição de Dilma e a manutenção da aliança. No flanco administrativo, o governado federal ameaça cortar verbas de Pernambuco e reduzir a importância e a quantidade de cargos dos socialistas na máquina federal.
Sem esses apoios e essa estrutura, fundamental para a montagem de alianças regionais, Campos teria de enfrentar a base de seu próprio partido para lançar sua candidatura, o que, no jargão da política, o transformaria em “candidato dele mesmo”, não de um grupo ou de um projeto político.
Conforme os cálculos do governo e da oposição, a candidatura de Campos teria peso decisivo para levar a eleição para um segundo turno, já que, segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto, a presidente Dilma Rousseff (PT) segue tranquila na liderança. Primeiro porque Campos e o PSB orbitam o mesmo espectro político-eleitoral de Dilma e do PT. Depois, porque os cálculos levam em consideração o eleitorado do Nordeste e, mais especificamente, de Pernambuco, onde Dilma teve ótima votação em 2010: se Campos “roubar” votos da presidente na região, aumentam as chances de um segundo turno.
O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB e virtual pré-candidato ao Planalto, é hoje o mais interessado na viabilização da candidatura Campos. Aécio, em entrevista exclusiva à ÉPOCA, disse que “para o quadro político brasileiro, seria muito bom se ele (Campos) fosse candidato”.
O tucano, porém, diz que o PSDB terá candidato a presidente em 2014 mesmo se o processo de hibernação de Eduardo Campos terminar apenas em 2018.

(Publicado na Revista Época)

sábado, 8 de junho de 2013

Gabriela Leite: "Prostitua é mulher e não tem doenaç só da cintura para baixo"

Gabriela Leite:”Prostituta é mulher e não tem doença só da cintura para baixo”

publicado em 7 de junho de 2013 às 11:00
Gabriela Leite: Não aceitaremos financiamento do Ministério da Saúde enquanto for só para aids e nos vir apenas da cintura pra baixo

por Conceição Lemes

No último domingo, 2 de junho, celebrou-se o Dia Internacional das Prostitutas. Daí a campanha “Sem vergonha de usar camisinha”, lançada nesse final de semana pelo Ministério da Saúde, depois vetada.
O dia comemora o 2 de junho de 1975 quando 150 prostitutas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França.
Elas protestavam contra contra a perseguição policial, cobrança de multas, detenções e assassinatos.
O ato terminou com uma violenta repressão da polícia. A coragem de romper o silêncio e  denunciar o preconceito, a discriminação e as arbitrariedades fez com que as prostitutas de Lyon entrassem para a história.
Por isso, o 2 de junho foi declarado, pelo movimento organizado, como o Dia Internacional das Prostitutas.
“Nesta semana, pude assistir um vídeo maravilhoso com depoimentos de Gabriela Leite, a prostituta que primeiro mostrou a cara e iniciou o movimento organizado para pleitear direitos da categoria”, deu-me  a dica Anália Feijó Köhler, aqui, em comentários. ”É fantástico ouvi-la dizer que o movimento não vai aceitar mais nenhum centavo do Ministério da Saúde nem vai participar de licitações enquanto a pasta não passar a ver a prostituta como uma mulher por inteiro. Recomendo!!!!”
São três vídeos. Gabriela Silva Leite tem 62 anos, nasceu em São Paulo, é prostituta aposentada.  Tem duas filhas, uma neta e ajudou a criar o filho do marido, o jornalista Flávio Lens.
Em seu livro  Filha, mãe, avó e puta: a história da mulher que decidiu ser prostituta, fala sobre sua vida.
Filha de uma dona de casa conservadora e de um crupiê, Gabriela, no final da década de 1960, estudava Sociologia na USP, trabalhava num escritório e frequentava círculos da boemia intelectual paulistana.
Decidiu largar tudo, menos a noite, e começou a trabalhar como prostituta. Primeiro, em São Paulo, depois,  em Belo Horizonte, até se radicar no Rio de Janeiro.
Em 1987, ajudou a organizar o Primeiro Encontro Nacional de Prostitutas. Hoje se dedica à defesa da categoria e à  regulamentação da profissão.
É criadora da grife Daspu e diretora da ONG Davida, que fundou em 1991. A Davida  não tem a intenção de tirar as prostitutas da rua. O objetivo é promover a cidadania das mulheres com ações nas áreas de educação, saúde, comunicação e cultura.
No seu blog, em Papos da Gabi, ela publica a seguinte nota sobre a campanha censurada:
As peças que você vê aqui são da campanha ‘Sem vergonha de usar camisinha’, lançada e logo após censurada e tirada do ar pelo Ministério da Saúde do Brasil. A maior parte delas foi elaborada em oficina de comunicação e saúde promovida pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais com prostitutas de diversos estados, em março. A peça com o texto “Eu sou feliz sendo prostituta” e a imagem da prostituta Nilce, de Porto Alegre, foi o mote do governo Dilma para iniciar um escândalo político de consequências imprevisíveis.
Primeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mandou tirar essa peça do ar – ou seja, do site do Departamento de AIDS – e ameaçou demitir a equipe de comunicação do órgão. Depois, demitiu o próprio diretor, Dirceu Greco, e censurou todas as outras peças da campanha.
Aqui, porém, você vê tudo o que o governo Dilma tem medo de mostrar, por causa de alianças com fundamentalistas. E pode celebrar conosco esse histórico Dia Internacional das Prostitutas, lembrando que liberdade e felicidade são, sim, parceiras da prevenção em saúde. E que censura, estigma e discriminação são os piores adversários.

(Publicado originalmente no blob Viomundo)

Demarcação Já


A demarcação das áreas indígenas está expressamente prevista na Constituição e já foram há muito tempo estabelecidas as regras legais que devem ser observadas para esse fim.
A demarcação é extremamente importante para a efetivação da garantia dos direitos decorrentes da ocupação tradicional das terras pelos índios. Ela foi determinada pela Constituição de 1988, no artigo 67, no qual se diz que "a União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição". E pelo artigo 20, inciso XI, ficou estabelecido que são bens da União "as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios".
Assim, pois, considerando que a demarcação das áreas federais é função de caráter administrativo, inerente, portanto, às atribuições do Poder Executivo, é este que tem o poder e o dever de proceder à demarcação das áreas indígenas.
O procedimento para demarcação das áreas indígenas foi expressamente regulado pelo decreto nº 1.175 de 1996, não havendo necessidade de modificação dos critérios ali estabelecidos. Talvez sejam convenientes algumas mudanças sugeridas pela experiência, mas as atribuições fundamentais das demarcações devem ser mantidas, concentrando-se na Fundação Nacional do Índio (Funai) o comando dos processos demarcatórios.
São absurdas e contrárias à Constituição algumas tentativas de entregar a demarcação a órgãos constitucionalmente incompetentes e a outros absolutamente despreparados para a demarcação honesta.
Assim, por exemplo, está em curso no Congresso Nacional uma proposta de emenda constitucional, a PEC 215, que, contrariando a Constituição e com evidente má-fé, pretende transferir para o Legislativo a função de demarcar as áreas indígenas.
É evidente o absurdo dessa proposição: um órgão do Poder Legislativo teria a incumbência de executar uma tarefa que é, obviamente, de natureza administrativa e que, evidentemente, está incluída nos encargos que a Constituição atribuiu ao Poder Executivo.
A par disso, assinale-se que a demarcação é um procedimento técnico, que no tocante às áreas indígenas exige conhecimentos especializados e, em alguns casos, equipamento tecnológico sofisticado.
Com efeito, a par das dificuldades que muitas vezes são encontradas por causa das peculiaridades dos locais a serem percorridos pelos demarcadores, existe a necessidade de conhecimentos especializados sobre os índios.
Diz a Constituição, no artigo 231, parágrafo 1º, que os índios ocuparão as terras para vários fins, incluindo as atividades produtivas e as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários à reprodução física e cultural da comunidade indígena, "segundo seus usos, costumes e tradições".
Com base nessas diretrizes, é feito, primeiro, o reconhecimento da ocupação da área pelos índios, o que implica, entre outros aspectos, a constatação dos limites da ocupação. Em seguida, com fundamento nesses dados, é feita a demarcação.
Assim, pois, é inaceitável a pretensão de entregar a demarcação ao Poder Legislativo ou a órgãos do Executivo absolutamente despreparados, que não têm familiaridade com as peculiaridades e tradições das comunidades indígenas e suas formas de ocupação das terras para satisfação de suas necessidades.
Não existe qualquer motivo sério e respeitável para tirar da Funai um encargo que é inerente às razões de sua existência, sob o pretexto de melhorar a regulamentação. O que falta é dar à Funai os recursos necessários para que ela possa cumprir sua tarefa. E nada impede que os legítimos interessados participem do processo de demarcação, que é público e aberto a colaborações de boa-fé e bem fundamentadas.
 
DALMO DE ABREU DALLARI, 81, é professor emérito da Faculdade de Direito da USP
(Folha Opinião)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tubarão faz primeira vítima fatal deste ano


PE247 - O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) confirmou a primeira morte deste ano em decorrência de um ataque de tubarão no litoral pernambucano. Com esse incidente sobe para 58 o número de ocorrências registradas em Pernambuco desde 1992, quando o acompanhamento dos acidentes do gênero começou a ser feito.
Segundo a coordenadora do Cemit, Rosângela Lessa, o corpo de José Rogério Tavares da Silva, 41, foi localizado na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife (RMR). Ele havia desaparecido três dias antes, quando entrou no mar da orla da praia de Enseada dos Corais.
A perícia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que José Rogério teria morrido em função de hemorragia provocada pelas mordidas de um animal de grande porte.