pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Camaragibe pode ter um "Novo Estelita"

Engenho e fábrica de Camaragibe, em Pernambuco, estão à mercê das construtoras, como ocorreu com o Cais José Estelita, no Recife

por Lucas Alves* — publicado 27/09/2014 07:46, última modificação 28/09/2014 16:53


Divulgação
Engenho e fábrica de Camaragibe
Fachada da antiga fábrica de tecidos no município pernambucano de Camaragibe
Pode não parecer, mas a imagem acima é de uma fábrica: a antiga fábrica de tecidos no município pernambucano de Camaragibe, onde um grupo de empresas, sob o nome Consórcio “Reserva Camará”, está implantando um grande empreendimento imobiliário. Sobre o terreno de 26 hectares em que está a fábrica do século XIX planejam fazer um megaprojeto de shopping center, estacionamento e vinte e tantos arranha-céus (22 residenciais, dois empresariais e um hotel) com muitas caixas de garagem. Um centro educacional em forma oval ocuparia o lugar da fábrica. Como de costume, o projeto é vendido como um grande presente para a cidade, uma promessa de modernidade que esconde sérios problemas.
A fábrica de tecidos foi construída nas terras do Engenho Camaragibe, que data de 1549. A casa grande do engenho, mais conhecida como Casa de Maria Amazonas, é o maior símbolo de Camaragibe, reconhecido como patrimônio histórico pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe e em processo de tombamento federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Se o projeto for levado adiante, sua paisagem será completamente descaracterizada.
O cotonifício é parte fundamental da história da cidade e um edifício marcante da arquitetura industrial. Com a implantação da fábrica, Camaragibe viria a se transformar em cidade, separando-se de São Lourenço da Mata e deixando de ser apenas parte da economia da cana-de-açúcar. Seus tijolos foram feitos em olaria própria, construída em 1890, da qual resta apenas a chaminé, destruída em uma das ampliações e hoje destinada a enfeitar um estacionamento.
A Companhia Industrial de Pernambuco criou, junto com a fábrica, uma das primeiras vilas operárias da América Latina. A Vila da Fábrica, planejada pela empresa, era um bairro residencial com os serviços urbanos essenciais: saneamento básico, abastecimento, saúde, serviço religioso e educacional. Tinha até um prédio para quem não era casado: a “República dos Solteiros”, que se mantém de pé até hoje. Foi a partir da fábrica que a cidade cresceu, trazendo a fundação de outros bairros, como o Alto da Boa Vista e a Vila Nova.
Camará Shopping
Sobre o terreno de 26 hectares em que está a fábrica do século XIX, planejam fazer um megaprojeto de shopping center, estacionamento e 22 prédios
A fábrica foi marcante também em sua organização e no legado social que deixou. Carlos Alberto de Menezes, primeiro diretor da fábrica, inscreveu no estatuto da companhia princípios de cunho cristão que conferiam benefícios aos operários e, segundo registros, teria estimulado a vinda de ordens religiosas da Europa (como os salesianos e os maristas) para capacitar operários e educar seus filhos. Promoveu a criação da Corporação Operária de Camaragibe, cujo pioneirismo no Brasil trouxe a visita do presidente Afonso Pena em 1905. Da organização operária iniciada na fábrica de Camaragibe surgiria a primeira legislação sindical urbana do Brasil, o decreto 1.637 de 1907.
Segundo Plano Diretor, a área do empreendimento está em Zona de Requalificação Urbana, que “compreende o Centro histórico-cultural do Município, e seu entorno, (...) apresentando características de degradação e risco de perda deste patrimônio”. Por isso, quase todas as diretrizes desta zona referem-se à preservação do patrimônio histórico-cultural, a saber: “a conservação integrada do patrimônio histórico-cultural incluindo ações específicas de proteção e preservação que compatibilizem uso e manutenção do acervo do patrimônio cultural municipal”; “o aproveitamento econômico sustentável do patrimônio cultural”; “a integração das ações públicas e privadas destinadas à proteção do patrimônio cultural existente”; “a sensibilização da comunidade local, dos proprietários e possuidores de bens de valor cultural, sobre a importância da conservação da identidade local para o desenvolvimento sustentável do município”; “a integração entre a educação pública municipal e as iniciativas de proteção ao patrimônio cultural".
Em vez de valorizar o patrimônio da cidade, como ordena o Plano Diretor, o Consórcio “Reserva Camará” quer cercar de altos prédios a fábrica, destruir sua planta original e deixar apenas duas fachadas, uma brincadeira de mau gosto com as boas práticas de preservação. Achando pouco, ainda inserem arranha-céus na paisagem mais emblemática de Camaragibe, a casa grande do Engenho Camaragibe, uma perspectiva que nunca é mostrada na propaganda do projeto.
Maquete do projeto do Consórcio “Reserva Camará”
Maquete do projeto “Reserva Camará” quer esconder casa grande do Engenho Camaragibe com altos prédios
Parte da esperança reside na Fundarpe, órgão no qual foi protocolado recentemente um pedido de tombamento da planta original da fábrica, com um polígono de preservação em seu entorno. A iniciativa é semelhante ao pedido do grupo Direitos Urbanos e de moradores do bairro da Torre, no Recife, que solicitaram ao órgão o tombamento do Cotonifício da Torre quando construtoras pretendiam ali construir mais de uma dúzia de torres e um shopping center. Nada impede, entretanto, que parta dos empreendedores e projetistas a iniciativa de fazer algo integrado à memória e às particularidades locais.
As cidades brasileiras, e em Pernambuco não é diferente, têm sido reféns de megaprojetos que prometem desenvolvimento atropelando a legislação urbanística e ambiental, esquivando-se da participação popular e da transparência, muitas vezes revelando arranjos público-privados nada impessoais. São projetos que geralmente ampliam a exclusão social, criando redutos de riqueza segregados do tecido urbano preexistente, e que se apoiam em paradigmas arcaicos de urbanismo, como o da mobilidade rodoviarista e carrocêntrica ou dos condomínios apartados do convívio social, cercados de desertos urbanos (ainda que “verdes”). Como no caso do projeto Novo Recife, no Cais José Estelita, grandes empresas se apropriam de espaços de interesse público e vendem privilégios que deveriam ser de usufruto comum, como as vistas para as belas paisagens de corpos d’água, áreas vegetadas e monumentos históricos.
Exemplos de aproveitamento comercial de instalações industriais preservadas não faltam: da LX Factory, em Lisboa, ao SESC Pompéia, em São Paulo, e à Fábrica Bhering, no Rio de Janeiro. Mesmo do ponto de vista imobiliário, é possível conciliar e até aumentar o lucro preservando o patrimônio histórico e ambiental. Para isso, é preciso que o poder público, a começar pela Prefeitura de Camaragibe, a Fundarpe e o IPHAN, assuma a responsabilidade pela resguardo da memória e pela gestão democrática das cidades.
*Lucas Alves é formado em Relações Internacionais e membro do grupo Direitos Urbanos Recife-PE

domingo, 28 de setembro de 2014

O último perigo a ser vencido

28 de setembro de 2014 | 12:24 Autor: Miguel do Rosário

cardozo
A imprensa brasileira, como se sabe, jura imparcialidade até a morte.
Com exceção honrosa do Estadão, que sempre declara sua preferência pelo PSDB, os outros jornais agarram-se à lenda do apartidarismo com sofreguidão.
Os fatos, porém, sempre eles, desmentem diariamente a fantasia.
O caderno especial sobre eleições, da Folha de hoje, por exemplo, é integralmente voltado para atacar Dilma Rousseff.
E depois vem Marina de chororô contra “boatos” e “mentiras”.
Os “boatos” e “mentiras” da Folha são de alto nível profissional.
Jatinho fantasma? Aeroporto na fazenda do titio?
Nada disso importa mais.
Uma das principais colunistas políticas da Folha, Eliane Cantanhede, que anda desesperada há dias, hoje quase se desfaz em lágrimas de amargura diante da situação adversa enfrentada pela oposição.
“(…)e o medo vai vencendo a esperança.”
Medo vai vencendo a esperança?
Que esperança, Eliane?
A esperança de entregar as rédeas da economia em mãos de um punhado de banqueiros, especuladores internacionais, para não falar no Tio Sam?
A campanha deste ano, na verdade, está muito mais programática.
As pessoas estão discutindo economia, programas de governo, política, e não aborto, religião ou factoides da mídia.
Por isso, o desespero.
Daqui até as eleições, a mídia vai disparar uma bala de prata todo dia.
Factoide em cima de factoide.
Dois bandidos presos pela Polícia Federal de Dilma Rousseff agora são a única esperança da direita.
E a mídia faz isso enquanto simula um rostinho angelical e acusa as campanhas de “baixaria”.
Entretanto, há um perigo real ainda a ser vencido.
O último perigo.
Esse perigo se chama José Eduardo Cardoso, o ministro da Justiça.
Talvez pensando antes em sua nomeação para ministro do STF do que no interesse do próprio governo que representa, Cardoso aferra-se a um radicalismo republicano suicida.
Em plena campanha eleitoral, a Polícia Federal, a mesma que prendeu os dois bandidos, tornou-se a principal fonte da mídia.
É vazamento seletivo todo dia, só para Globo, Veja e Folha.
Ora, por que a Polícia Federal não vaza para os blogs o inquérito sobre a sonegação da Globo?
Por que a Polícia Federal não vaza o inquérito sobre os dois jatinhos (sim, são dois!) fantasmas de Marina Silva?
Por que a Polícia Federal não vaza inquéritos sobre o PSDB?
(Publicado originalmente no site Tijolaço)

Se tem cara de_________, jeito de_____________, logo é____________


Se tem cara de _______, jeito de _______, logo é __________


Nos dois últimos dias, o Correio Braziliense tem publicado matérias em que denuncia supostas ligações telefônicas entre o doleiro Alberto Yousseff e o ex-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco Jones Figueiredo.  O primeiro foi preso pela operação “Lava Jato”, suspeito de estar envolvido num esquema de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões.  Ambos teriam conversado nove vezes por telefone em 2010 de acordo com informações que a reportagem do Correio diz ter conseguido junto à CPI da Petrobrás.
Importante esclarecer que a reportagem do jornal de Brasília não acusa o magistrado pernambucano de crime algum, mas informa que suas ligações foram rastreadas por uma CPI de destaque no noticiário nacional. Figueiredo é o desembargador mais antigo do TJPE,  o que automaticamente torna a pauta de interesse local. Mas parece que os donos e editores de nossos veículos de comunicação discordam. As emissoras de tevê, por exemplo, silenciaram.
Até que o Blog de Jamildo publicou um pequeno post repercutindo a matéria. Mesmo assim, pouco tempo depois, o texto foi completamente apagado, podendo ser visto apenas no “cache”, onde fica “guardado” mesmo depois de excluído (veja aqui).
 O Diario de Pernambuco, porém, que pertence ao mesmo grupo que o periódico de Brasília (Condomínio Associado), teve acesso ao material do primeiro dia, mas preferiu não publicar. O jornal pernambucano “interessou-se” pela pauta apenas hoje, mas de uma forma, digamos, diferente. Publicou uma das retrancas da mesma matéria que falava de ligações do doleiro para a empresa de Eike Batista e para o irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Misteriosamente, porém, as linhas do texto que mencionavam o magistrado pernambucano sumiram. Veja a diferença entre o texto do Diario de Pernambuco (à esquerda) e a mesma matéria publicada no Correio Braziliense (à direita). O nome dessa prática tão antiga e longe de ser extinta, você sabe bem qual é.
foto (1)
Texto publicado no DP: Figueiredo tem o nome omitido
foto
Matéria do Correio lembra que o desembargador pernambucano também conversou com o doleiro preso
(Publicado originalmente pelo Centro Luiz Freire)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Em entrevista a blogueiros, Dilma ataca Marina e diz que Brasil está "maduro" para fazer regulação econômica da mídia.

publicado em 26 de setembro de 2014 às 18:15

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por Luiz Carlos Azenha
Em entrevista esta tarde a blogueiros, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff defendeu o cumprimento do parágrafo quinto do capítulo 220 da Constituição de 1988.
Ele diz: “§ 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.
“No Brasil se confunde regulação com controle de conteúdo, que é coisa de país ditatorial”, afirmou Dilma ao responder ao blogueiro Altamiro Borges.
Ela lembrou que a existência de oligopólio ou monopólio em qualquer setor da economia cria uma “assimetria” não só entre os cidadãos, mas entre as instituições. Disse também que estimula a “prepotência”.
A candidata à reeleição disse que a regulação econômica já existe em outras áreas fundamentais, como os portos, o setor elétrico e o do petróleo.
“Não há porque ser ser diferente. O Brasil tem de regular”, afirmou. Outros objetivos de um eventual segundo mandato serão o de promover a regionalização da produção de conteúdo e a diversidade cultural na mídia.
“Eu acho que está maduro para fazer a regulação econômica” da mídia, disse a presidente.
Em resposta à blogueira Conceição Lemes, editora do Viomundo, Dilma disse que pretende promover a integração dos sistemas público e privado de saúde para garantir o atendimento de especialistas a usuários do SUS, numa rede integrada por clínicas públicas, privadas e filantrópicas.
Lembrou que desde que a CPMF — o imposto do cheque que arrecadava dinheiro para a Saúde — foi derrubada por ação do PSDB no Congresso, com a ajuda de aliados, o governo federal deixou de arrecadar R$ 470 bilhões.
Ainda assim, segundo Dilma, não houve recuo nos investimentos federais na Saúde, como tem dito José Serra, candidato ao Senado pelo PSDB em São Paulo e ex-ministro da Saúde. Segundo a candidata, os números indicam aumento de 77,4% nos investimentos em Saúde desde o início do governo Lula, em 2002.
[Clique aqui para ver o que Serra tem dito na propaganda eleitoral]
Ao longo de duas horas de entrevista, a candidata petista usou suas respostas para alguns disparos contra adversários políticos e a própria mídia:
– “Meu discurso na ONU foi integralmente distorcido”, disse Dilma, sobre as acusações de que teria fraquejado no combate ao terrorismo. Segundo ela, os ataques ao Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria já demonstraram que a ação militar não é o caminho para resolver questões políticas. Dilma condenou as ações bárbaras do Estado Islâmico do Iraque, mas lembrou também que a fragilidade do governo iraquiano, dividido entre sunitas e xiitas, foi um dos fatores que determinaram o crescimento do Isis. A coalizão que governa o Iraque chegou ao poder depois da invasão promovida pelos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein.
[Clique aqui para ouvir a íntegra do discurso]
– Dilma definiu como “discussão estarrecedora” o embate que teve com a jornalista Miriam Leitão, durante entrevista ao Bom Dia Brasil, sobre o crescimento econômico da Alemanha. Na ocasião, a jornalista global disse que o Brasil crescia a taxa de 0,3%, contra 1,5% da Alemanha. “Não, a Alemanha não está crescendo 1,5%. A Alemanha está crescendo 0,8%, e há dúvidas a respeito da continuidade. Tanto é que o índice, aquele Zeus, que mede a confiança do empresariado na economia cai pelo nono mês consecutivo”, disse a presidente na ocasião.
– “Tem pessoa que gosta de aparecer como vítima, eu não. Eu não posso dar ao Brasil esta demonstração”, afirmou a petista, numa referência óbvia à candidata Marina Silva, que tem se queixado das críticas que recebe do PT ao longo da campanha.
– “Ninguém desmonta uma empresa como a Petrobras”, afirmou. Lembrou que a petrolífera brasileira, a sexta maior do mundo, valia R$ 15,5 bilhões em 2002 e hoje vale R$ 110 bilhões. A candidata afirmou que por trás dos ataques à empresa estão interesses dos que pretendem mudar o sistema de exploração para beneficiar empresas estrangeiras.
– Dilma disse que num eventual segundo mandato seu foco será em usar a renda do pré-sal para investimentos na educação. Seria um novo passo, depois da ênfase do ex-presidente Lula em programas sociais e em garantir renda e emprego para a maioria dos brasileiros. Também prometeu a expansão da rede de banda larga. Disse aos blogueiros que, ganhando a eleição, fará um segundo mandato politicamente “mais combativo” e que as entrevistas como a de hoje passarão a ser feitas “de forma sistemática”.

(Publicado originalmente no site Viomundo)

Marina, o Mata-Pau

25 de setembro de 2014 | 07:42 Autor: Fernando Brito

matapau
Poucas pessoas deixam tão evidentes, em tão pouco tempo, sua natureza desagregadora.
Em pouco mais de um mês desde que foi alçada, na prática, líder do PSB – porque sua candidata presidencial -, Marina Silva já se prepara para esmagar todos os setores do partido que não estejam completamente submetidos a seu comando total.
É algo que vai além de julgar se melhores ou piores as posições dos grupos se se alinham em torno de Roberto Amaral – o futuro morto – e de Beto Albuquerque, um homem que fez carreira política com o apoio dos petistas Olívio Dutra,Tarso Genro e Lula.
Trata-se de ver que Marina, incapaz de controlar o PV e de formar seu próprio partido, a Rede, firmou um pacto com o grupo familiar pernambucano e seu vice para assumir o controle total do PSB, esmagando qualquer diversidade que tenha a pretensão de sobreviver no partido.
A família Campos, com todo o respeito que se possa ter pela dor de sua perda, não se vexa em tratar o PSB como uma herdade, sobre a qual teria  o direito natural de manter o controle e fruir das vantagens políticas.
Roberto Amaral não é um louco e jogou a cartada da eleição partidária antes das eleições porque o frio da lâmina em seu pescoço era cada vez mais cortante.
E, quando Beto Albuquerque, candidato a vice e porta-voz de Marina e da família Campos nos “assuntos internos” do PSB anuncia de público que “apoiará uma candidatura de oposição” se  Amaral não desistir da votação marcada, está deixando claro que já recebeu a ordem do “cortem-lhe a cabeça” da nova  regente do PSB e do núcleo herdeiro.
Não é provável que Amaral consiga fazer a eleição interna ou, se a fizer, tenha de aceitar um acordo onde terá posição decorativa.
Vai ter o destino que Monteiro Lobeto, em seu antológico “O Mata-Pau”deu à pobre árvore que deu suporte “ao fiapo de planta”:
“Aquele fiapinho de planta, ali no gancho daquele cedro – continuou o cicerone, apontando com dedo e beiço uma parasita mesquinha grudada na forquilha de um galho, com dois filamentos escorridos para o solo. – Começa assinzinho, meia dúzia de folhas piquiras; bota p’ra baixo esse fio de barbante na tenção de pegar a terra. E vai indo, sempre naquilo, nem p’ra mais nem p’ra menos, até que o fio alcança o chão. E vai então o fio vira raiz e pega a beber a sustância da terra. A parasita cria fôlego e cresce que nem embaúva. O barbantinho engrossa todo dia, passa a cordel, passa a corda, passa a pau de caibro e acaba virando tronco de árvore e matando a mãe, como este guampudo aqui – concluiu, dando com o cabo do relho no meu mata-pau.”
Neste caso, o “fiapo de planta”, já vindo de outros troncos, foi turbinado pela fatalidade.
(Publicado originalmente no site Tijolaço)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Tijolinho do Jolugue: Grupo francês sugere ao blog mudança da foto de Jean-Charles Naouri.

Ontem, o nosso blog recebeu uma mensagem da empresa que cuida da imagem pública de Jean-Charles Naouri. Naouri é presidente do Grupo Casino, grupo francês controlador da rede de supermercados Carrefour. A postagem dizia respeito às polêmicas negociações entre o grupo e o Pão de Açúcar, até então empresário Abílio Diniz. Ao tratar do assunto, escolhemos uma foto que, por alguma razão, não foi do agrado da empresa francesa que cuida de sua imagem. Entramos em entendimentos e estamos substituindo a foto por uma outra que eles nos recomendaram.


Bom dia Sr.

Eu estou entrando em contato com você em nome de Relações Públicas do Groupe Casino & Office Communications externo.
Meu nome é Raphael e eu sou um consultor Reputation Squad , uma agência de comunicação digital francesa com sede em Paris.
Esquadrão reputação foi convidado pelo Groupe Casino para monitorar sua imagem on-line CEO Jean-Charles Naouri .

Em julho de 2011, é publicado um artigo (por favor veja link aqui: http://blogdojolugue.blogspot.fr/2011/07/jean-charles-naouri-pede-ao-bndes-para.html

Eu gostaria de saber se poderia ser possível para você mudar a foto atual , para usar uma imagem proveniente Officiel Kit de imprensa do Casino.
Você poderia por favor seja gentil para usar uma das três fotos oficiais você encontrará anexados a este e-mail?

Por favor, não hesite em contactar- me se você quiser discutir esse assunto mais adiante.

Desculpe-me pelos erros, eu sou um novato em Português :)

Cumprimentos
Raphael
-- 

Tijolinho do Jolugue: Moniz Bandeira dá bronca em Roberto Amaral, Presidente Nacional do PSB.




Moniz Bandeira é um dos mais respeitados cientistas políticos do país. Alguns dos seus livros tornaram-se clássicos, como um que analisa o golpe Civil-Militar de 1964, leitura obrigatória dos cursos de Ciência Política. Ontem o nosso blog publicou uma carta que ele enviou para Roberto Amaral, Presidente Nacional do PSB, onde lamenta o processo de decomposição programática e histórica do partido, sobretudo em decorrência da capitulação da legenda em torno das injunções exercidas pelo grupo político ligada à candidata à Presidência da República, Marina Silva.De fato, as coisas não vão bem entre o PSB e a Rede. Aliás, nunca estiveram bem, mas a liderança do ex-governador Eduardo Campos - por imposição ou por negociação - mantinha a pressão sob controle. Seu estilo de liderança(?), centralizador e autoritário, galvanizava o grupo, aparando as arestas - aqui e ali - por vezes, de forma arbitrária. No contexto da aliança, exercia o papel de articulador político com outras forças, visando viabilizar-se como então candidato presidencial às eleições de 2014. Sua morte provocou uma espécie de "desarranjo político" dentro do próprio partido, na relação do partido com a Rede e, também, na correlação de forças neo-socialistas no Estado de Pernambuco, onde grupos se digladiam pela liderança do espólio do ex-governador. Na realidade, está em jogo um processo bastante complicado, de auto-fagia. Não vejo ninguém se propor a "apaziguar", "aglutinar", "recompor". No momento, nos parece, a intenção de um grupo é "engolir" ou "destruir" o outro. Roberto Amaral é um remanescente dos autênticos socialistas. Está entre aqueles que compunha o grupo ligado ao ex-governador Miguel Arraes. Mesmo com a liderança de Eduardo Campos, neto de Arraes, o partido já caminhava celeremente para uma decomposição programática, abraçando uma agenda que não tinha nada a ver com o ideário socialista. Uma agenda de corte neo-liberal, muito próximo à agenda tucana, daí a boa relação entre as duas legendas. Raposa velha na política, Roberto percebeu as manobras dos integrantes da Rede no sentido de tomar de assalto o comando neo-socialista. Convocou reuniões partidárias para antes mesmo das eleições de Outubro, suscitando um verdadeiro rebuliço entre os neo-socialistas tupiniquins, que também se sentiram ameaçados com a manobra. Quando vivo, Eduardo Campos mantinha o controle da legenda - exercendo sua liderança - além de colocar em postos chaves homens de sua estrita confiança. O que ocorre com os neo-socialistas pernambucanos é que eles se sentem na obrigação de continuarem com esse mesmo espaço de poder na legenda. Há quem informe que eles, inclusive, desejam que neo-socialistas do Estado possam apresentar candidatura para presidir a legenda. O nome mais cotado é o do prefeito do Recife, Geraldo Júlio, arestado com as lideranças nacionais da legenda desde o momento da escolha de Marina como cabeça de chapa. Como se vê, é briga de cachorro grande. Sinceramente, não vejo como esses ânimos possam ser apaziguados. Nos parece mesmo uma luta fratricida entre grupos, algo que não indica a construção de capilaridade coletiva.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Para Moniz, Marina Silva é responsável por jogar PSB no lixo

Para Moniz, Marina Silva é responsável por jogar PSB no lixo

setembro 24, 2014 16:15
Para Moniz, Marina Silva é responsável por jogar PSB no lixo

O renomado cientista político e historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira escreve uma carta ao presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, expondo o que simboliza a candidatura de Marina Silva, representante da sigla, na disputa à Presidência da República
Reproduzido em Vermelho.org
“Estimado colega, Prof. Dr. Roberto Amaral
Presidente do PSB,
A Srª Marina Silva tinha um percentual de intenções de voto bem maior do que o do governador Eduardo Campos, mas não conseguiu registrar seu partido – Rede Sustentabilidade – e sair com sua própria candidatura à presidência da República.
O governador Eduardo Campos permitiu que ela entrasse no PSB e se tornasse candidata a vice na sua chapa. Imaginou que seu percentual de intenções de voto lhe seria transferido.
Nada lhe transferiu e ele não saiu de um percentual entre 8% e 10%. Trágico equívoco.
Para mim era evidente que Sra. Marina Silva não entrou no PSB, com maior percentual de intenções de voto que o candidato à presidência, para ser apenas vice.
A cabeça de chapa teria de ser ela própria. Era certamente seu objetivo e dos interesses que representa, como o demonstram as declarações que fez, contrárias às diretrizes ideológicas do PSB e às linhas da soberana política exterior do Brasil.
Agourei que algum revés poderia ocorrer e levá-la à cabeça da chapa, como candidata do PSB à Presidência.
Antes de que ela fosse admitida no PSB e se tornasse a candidata a vice, comentei essa premonição com grande advogado Durval de Noronha Goyos, meu querido amigo, e ele transmitiu ao governador Eduardo Campos minha advertência.
Seria um perigo se a Sra. Marina Silva, com percentual de intenções de voto bem maior do que o dele, fosse candidata a vice. Ela jamais se conformaria, nem os interesses que a produziram e lhe promoveram o nome, através da mídia, com uma posição subalterna, secundária, na chapa de um candidato com menor peso nas pesquisas.
O governador Eduardo Campos não acreditou. Mas infelizmente minha premonição se realizou, sob a forma de um desastre de avião. Pode, por favor, confirmar o que escrevo com o Dr. Durval de Noronha Goyos, que era amigo do governador Eduardo Campos.
Uma vez que há muitos anos estou a pesquisar sobre as shadow wars e seus métodos e técnicas de regime change, de nada duvido. E o fato foi que conveio um acidente e apagou a vida do governador Eduardo Campos. E assim se abriu o caminho para a Sra. Marina Silva tornar-se a candidata à presidência do Brasil.
Afigura-me bastante estranho que ela se recuse a revelar, como noticiou a Folha de S.Paulo, o nome das entidades que pagaram conferências, num total (que foi, declarado) de R$1,6 milhão (um milhão e seiscentos mil reais), desde 2011, durante três anos em que não trabalhou. Alegou a exigência de confidencialidade. Por que a confidencialidade? É compreensível porque talvez sejam fontes escusas. O segredo pode significar confirmação.
Fui membro do PSB, antes de 1964, ao tempo do notável jurista João Mangabeira. Porém, agora, é triste assistir que a Sra. Marina Silva joga e afunda na lixeira a tradicional sigla, cuja história escrevi tanto em um prólogo à 8ª edição do meu livro O Governo João Goulart, publicado pela Editora UNESP, quanto em O Ano Vermelho, a ser reeditado (4a edição), pela Civilização Brasileira, no próximo ano.
As declarações da Sra. Marina Silva contra o Mercosul, a favor do subordinação e alinhamento com os Estados Unidos, contra o direito de Cuba à autodeterminação, e outras, feitas em vários lugares e na entrevista ao Latin Post, de 18 de setembro, enxovalham ainda mais a sigla do PSB, um respeitado partido que foi, mas do qual, desastrosamente, agora ela é candidata à presidência do Brasil.
Lamento muitíssimo expressar-lhe, aberta e francamente, o que sinto e penso a respeito da posição do PSB, ao aceitar e manter a Sra. Marina Silva como candidata à Presidência do Brasil.
Aos 78 anos, não estou filiado ao PSB nem a qualquer outro partido. Sou apenas cientista político e historiador, um livre pensador, independente. Mas por ser o senhor um homem digno e honrado, e em função do respeito que lhe tenho, permita-me recomendar-lhe que renuncie à presidência do PSB, antes da reunião da Executiva, convocada para sexta-feira, 27 de setembro. Se não o fizer – mais uma vez, por favor, me perdoe dizer-lhe – estará imolando seu próprio nome juntamente com a sigla.
As declarações da Sra. Marina Silva são radicalmente incompatíveis com as linhas tradicionais do PSB. Revelam, desde já, que ela pretende voltar aos tempos da ditadura do general Humberto Castelo Branco e proclamar a dependência do Brasil, como o general Juracy Magalhães, embaixador em Washington, que declarou: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.”
Cordialmente,
Prof. Dr. Dres. h.c. Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira”
Che Guevara se reúne com Jânio Quadros; Moniz Bandeira acompanha a reunião de pé, ao fundo
Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, mais conhecido como Moniz Bandeira é professor universitário, cientista político e historiador, especialista em política exterior do Brasil e suas relações internacionais, principalmente com a Argentina e os Estados Unidos, sendo autor de várias obras.
No tempo da ditadura militar no Brasil, Moniz Bandeira foi filiado ao PSB, dentro do qual foi um dos organizadores da corrente denominada Política Operária (Polop), asilou-se no Uruguai, acompanhando o presidente João Goulart, em conseqüência do golpe militar no Brasil, em 1964.
Algum tempo depois, voltou clandestinamente ao Brasil e esteve dois anos (1969-1970 e 1973) como preso político, por ordem do Cenimar (Centro de Informações da Marinha). Mesmo perseguido pelo regime militar e na clandestinidade, Moniz Bandeira não cessou suas atividades literárias e de pesquisa. (Wikipédia)

Tijolinho do Jolugue: Vox Populi: Dilma abre 18 pontos de diferença sobre Marina. Isso chega a Pernambuco?


Por José Luiz Gomes

Não costumo brigar com os números, muito menos com os institutos de pesquisa. Notadamente na reta final das campanhas, a indisposição com números desfavoráveis e as dúvidas sobre a idoneidade de alguns institutos de pesquisas costumam ser frequentes. Há, na realidade, uma partidarização. Se os números de um determinado instituto de pesquisa são favoráveis ao meu candidato, então a pesquisa traduz a realidade das ruas e o instituto é confiável. Se os percentuais do nosso candidato não são favoráveis, então o instituto é inidôneo e tal pesquisa faz parte de uma grande urdidura armada com o propósito de distorcer ou influenciar os resultados das eleições. Quisera muito que as coisas ficassem por aqui e pudéssemos tratar este assunto apenas como reflexo de uma expectativa em torno de nosso candidato. Ocorre, porém, que os institutos, de fato, podem se equivocar em seus levantamentos; também não se descarta a possibilidade real de manipulação ou pesquisa encomendadas ao gosto do cliente. Essas duas situações são reais e não foram raros os momentos em que elas ocorreram. No Estado da Paraíba, conforme comentávamos ontem, várias pesquisas deixaram de ser veiculadas por conterem alguns erros metodológicos ou vieses intencionais ou não. Ali corre à boca miúda que não se compram pesquisas, mas os próprios institutos. O colega Roberto Numeriano, numa postagem recente, levanta alguns questionamentos sobre duas pesquisas do IPESPE, um dos primeiros institutos de pesquisa do Estado - se não o primeiro -, onde, num curto espaço de tempo, em relação às candidaturas de Paulo Câmara(PSB) e Armando Monteiro(PTB) apresentou uma discrepância significativa. Depois de um empate técnico entre ambos, Paulo Câmara(PSB) teria aberto uma diferença de 10 pontos sobre Armando Monteiro(PTB). Em sua opinião, poderia ter ocorrido algum erro metodológico ou algum viés. De fato, há uma intensa movimentação das hostes neo-socialista no Estado. Há quem antecipe com isso uma preocupação bastante acentuada com os rumos da campanha, quiçá, algum tracking que não corresponda a essa folgado dianteira. O envolvimento direto da família Campos na campanha também sugere outras tantas especulações. Dilma e Lula deverão voltar ao Estado para fortalecer o palanque de Armando e João Paulo. A cidade estratégica de Caruaru está no roteiro. Na reta final, a candidatura de Dilma avança como um trator sobre os adversários abrindo uma possibilidade concreta de vitória ainda no primeiro turno. Pela última pesquisa do Instituto Vox Populi, Dilma tem 40%, Marina 22 e Aécio 17%. Dilma abre 18 pontos sobre Marina e também a ultrapassa na eventualidade de um segundo turno: Dilma 46%, Marina 39%. À exceção do Sudeste, os avanços da candidatura Dilma são evidentes. Penso que o jogo não está definido em Pernambuco. Essa reta final da campanha pode apontar algumas surpresas. Se Dilma conseguir trazer essa sinergia para o Estado...

Márcio Santos fez pós-doutorado na França: O Brasil mudou, sim!


publicado em 23 de setembro de 2014 às 11:19
Marcio Campos
Acesso à Universidade em dois tempos: Dos anos 80 a 2014
por Márcio Santos
No início dos anos 80, ainda em plena ditadura militar, “vestibular” era uma palavra quase maldita. As pernas tremiam e o coração saltava só de olhar o número de concorrentes: eram dezenas e dezenas de candidatos para uma mísera vaga num dos cursos de graduação das universidades federais. Em Belo Horizonte, quem não conseguisse a façanha de entrar na UFMG tinha que contar com a família para custear os caros cursos da então “Universidade Católica”, hoje Pucminas. Ou, o que era largamente o mais comum, abandonar por completo o sonho de entrar no tal do “curso superior”.
Num dia entre o final de 79 e o início de 80, já não me lembro exatamente em que mês, acordo assustado com o chamado da minha mãe. Havia varado noites a fio nos estudos para as provas de vestibular e estava atrasado. Ela tirou algum dinheiro da bolsinha e disse “vá de táxi, meu filho, você vai perder a prova”. Recusei e atravessei correndo os quarteirões que me separavam do ponto de ônibus para a UFMG. Consegui chegar a tempo, afinal, para encarar a primeira de uma sucessão de provas eliminatórias e classificatórias aplicadas ao longo de já não me lembro mais quantas etapas de seleção.
O tal do “cursinho” era quase obrigatório. Promove e Pitágoras se revezavam na captura de adolescentes de classe média que lotavam as salas quentes. Os professores davam aulas para centenas de pessoas. Eu, que não pudera pagar um desses cursinhos, acabei por ler a notícia da aprovação para o curso de Economia num cartaz estampado no antigo Promove da Rua São Paulo, no centro da cidade. Sozinho, dei um pulo silencioso de alegria e fui para casa abraçar a minha mãe. Mais tarde teria a cabeça raspada, como era de praxe.
Um salto de 30 e alguns anos me leva ao início de 2013. Foi quando escrevi o projeto de pós-doutorado em História, apresentado ao CNPq, uma das duas agências federais de fomento à pesquisa. Alguns meses depois veio a resposta positiva para o pedido de bolsa de pós-doutorado na França, na prestigiosa École des hautes études en sciences sociales.
O Programa Ciência Sem Fronteiras, do governo federal, garantiria a minha permanência em Paris por sete valiosos meses. A verba incluía, além da bolsa de manutenção mensal, auxílio para as passagens aéreas e uma taxa extra de 400 euros mensais, por se tratar de cidade cara. A minha esposa, doutoranda em Linguística, conseguira bolsa semelhante para o chamado “doutorado sanduíche”. E assim pudemos ir em família, levando o filhinho de 8 anos. Graças a essas bolsas e às facilidades que encontramos na França, pudemos morar e estudar numa das cidades mais desejadas e encantadoras do mundo.
O Brasil mudou, sim. Nos anos 80 da minha juventude éramos desesperançados, atravessamos pessimistas a chamada “década perdida”. O Plano Real, que debelou a inflação, trouxe-nos algum alento, mas todos sabíamos que mexia-se na superfície financeira de uma sociedade em que crianças morriam diariamente de fome nas ruas das grandes cidades. País “subdesenvolvido”, de “Terceiro Mundo”, “atrasado”, eram os termos mais comuns para nos referimos ao Brasil.
Esse quadro desalentador foi sacudido nos últimos 12 anos. Felicito-me diariamente pela dificuldade em conseguir uma empregada doméstica, porque as jovens pobres das vizinhanças são vendedoras de lojas, cabeleireiras, cuidadoras de idosos ou, até mesmo, universitárias. A lavadora de roupas da nossa casa estraga e a nossa ajudante opina certeira sobre o problema, pois tem um equipamento igual ou melhor em casa. Recebe um salário mínimo e meio por 6 horas diárias de trabalho, apenas de segunda a sexta-feira, com carteira assinada e direitos trabalhistas, um padrão impensável há 20 ou 30 anos.
Quanto a mim, pude desfrutar de um curso de pós-doutorado num centro mundial de produção intelectual graças a um programa dos governos Lula e Dilma. Não foi “dádiva”: tive que batalhar duro para ter o projeto aprovado e, depois, prestar contas do resultado final da pesquisa realizada. Mas esse ambiente de múltiplas alternativas de estudo, pesquisa e aprimoramento intelectual só foi possível por meio das transformações operadas pelos últimos 3 governos.
Na França o meu supervisor de pesquisa dizia-se surpreendido com a oferta de bolsas de pós-graduação pelas universidades públicas brasileiras, segundo ele maior até mesmo do que nas escolas francesas. É isso: somos comparados à França. E a comparação não vem de algum “petista apaixonado”, mas de um acadêmico e intelectual francês, nada interessado nas nossas lides políticas e eleitorais.
Muito resta por se fazer. O relatório da ONU informa que o país reduziu em 50% o número de pessoas que passam fome. Estamos nos aproximando do sonho de Lula em 1989: que todo brasileiro coma 3 vezes por dia. Mas ainda nos resta um fundo terrível de desigualdade, violência, exclusão e corrupção. Mudanças históricas são lentas, a menos que sejam feitas por revoluções – e esse não foi o nosso caso. Mas, com os programas sociais dos últimos 12 anos, sabemos que estamos no caminho certo.

(Publicado originalmente no Viomundo)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Tijolinho do Jolugue: O Brasil, de fato, não é um país sério.

O Brasil, realmente, não é um país para amadores. No Estado da Paraíba corre uma grande polêmica em torno do salário de um candidato ao Governo do Estado, hoje superior a 51 mil reais, bem acima, portanto, do que recebe um ministro do STF, um pouco mais de 29 mil reais. O candidato acumula o salário de senador da República com a pensão relativa ao período em que ocupou o Palácio Redenção, sede do Governo do Estado. A pensão é legal, constitucional. O problema não é este. Ele apenas não poderia acumular as duas remunerações, elevando seu salário para um teto superior ao permitido. A grande questão seria saber como ele se comportaria diante dessas denúncias apresentadas, sobretudo na condição de candidato que lidera todas as pesquisas até o momento. No mínimo deveria prevalecer o bom-senso ou uma certa preocupação sobre os efeitos disso em relação à sua campanha. Parece-nos que nem uma coisa nem outra. Durante um debate recente, quando questionado sobre o assunto, ele informou que deixou um apartamento e a tal pensão para sua ex-esposa. Na concepção dele, muito justo.Justíssimo. Afinal, ele não poderia deixar aquela mulher "desamparada". Percebe-se que, além de não tomar uma atitude republicana, condizente com a situação, o que candidato, na realidade, deseja é sair-se de "bonzinho", com cara de bom marido, aquele não deixa suas ex-esposas ao relento. Uma jogada astuciosa, sobretudo quando se considera o nível de sensibilidade do eleitorado feminino, possivelmente susceptível a esse tipo de apelo.

Tijolinho do Jolugue: O que estaria ocorrendo com o IPESPE




Recentemente, o Diário de Pernambuco contratou o IPESPE para a realização de uma determinada pesquisa e isso causou muita polêmica. Não vou entrar no mérito dessas polêmicas porque o concorrente também mantém uma relação siamesa com outro instituto de pesquisa do Estado, possivelmente o que hoje aponta um empate entre os candidatos João Paulo(PT) e Fernando Bezerra Coelho(PSB) na corrida pela o Senado Federal. Quanto ao IPESPE, de fato, algumas de suas pesquisas realizadas na Paraíba não puderam ser divulgadas em função de apresentarem irregularidades constatadas pela Justiça Eleitoral. Não compreendo o que está ocorrendo no Estado da Paraíba. Ali, informam os amigos, não apenas pesquisas, mas os institutos inteiros são comprados por candidatos. Outro grave problema é a terceirização. Grandes institutos - com atuação nacional - terceirizam seus serviços com pequenos institutos locais, constituídos por profissionais sem a experiência necessária e os resultados ficam comprometidos. Não sei em que situação se poderia enquadrar os problemas do IPESPE, um Instituto com uma larga experiência de atuação no mercado. Escuto falar do IPESPE desde os momentos das calças curtas do CFCH. 

Tijolinho do Jolugue: Os militares já admitem que ocorreram excessos.


 

Não lembro de ter lido nada sobre o assunto até recentemente, mas uma charge do Renato Aroeira, publicada no Jornal O Dia, do Rio de Janeiro, sugere que os militares admitem que podem ter ocorridos excessos nos quartéis, durante o regime militar instaurado no país com o Golpe-Civil Militar de 1964. Recentemente houve uma polêmica aqui no Estado sobre onde seria uma tal "Casa da Morte", localizada em Olinda, para onde eram levados alguns detidos pelos militares para os famosos interrogatórios. Segundo alguns historiadores, a "Casa da Morte" era localizada onde hoje está sendo construído um shopping center, mas antes funcionou um quartel do Exército, aqui no Bairro Novo. O Brasil tem uma enorme dificuldade de lidar com essa questão. Nem os civis peitam os militares, nem os militares admitem que, de fato, ocorreram tortura nos quartéis. Até as palavras são rigorosamente escolhidas para evitar maiores polêmicas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Maranhão: O dia em que o comunista derrotou a oligarquia.





 
É muito grave o que vem ocorrendo no Estado do Maranhão. Depois de 50 anos de controle da máquina pública pela oligarquia Sarney, fica evidente o descaso com as demandas socias da população, além dos métodos utilizados pela oligarquia para se perpetuar no poder durante essas últimas cinco décadas. Qualquer que seja o indicador social que tormarmos como referência, certamente, o Estado ocupará um espaço privilegiado nesse ranking. Pior IDH do país; um milhão de analfabetos; um dos mais baixos índices de saneamento. Um milhão e meio de pessoas sem água tratada ou esgoto; déficit habitacional; uma posição sofrível no IDEB. O oligarquia Sarney enfrenta um desgaste que seria até natural.Há problemas até mesmo dentro da própria nucleação familiar. Nessas últimas eleições, por exemplo, Roseana não poderia candidatar-se; o chefe do clã, José Sarney já sente o peso da idade; Zequinha segue numa faixa própria. O que mais nos preocupam, no entanto, são os "métodos' utilizados por uma oligarquia em decadência para não perder o controle político do Estado. O candidato do partido comunista, Flávio Dino, lidera todas as pesquisas até o momento. Esse talvez seja o momento político mais favorável para derrotar a aligarquia. Mas não pensem que eles vão entregar o poder facilmente. Os ardis para desmoralizar o candidato da oposição estão sendo milimetricamente pensados nas coxias e colocados na boca do palco, numa manobra que não conhece princípios ou escrúpulos, transformando aquelas eleições numa verdadeira batalha campal.  Conhecedores dos inimigos, a coordenação de campanha de Flávio Dino já anda veiculando uma espécie de vídeo "preventivo", com o propósito de antecipar-se ao que pode ocorrer até o dia 05 de Outubro. Em se tratando do que ocorre naquele Estado, não seria nenhum exagero. Só Deus sabe o que pode ocontecer até lá. O que não é capaz de fazer uma oligarquia acuada? Eles são capazes de tudo. Tudo mesmo. Começaram por retomar os tempos da Guerra Fria, assustando os eleitores sobre o perigo de uma república comunista maranhense. Tentaram insinuar, por todos os meios possíveis, que Flávio Dino teria essa sandice na cabeça. Numa entrevista na TV Mirante, do clã, Flávio Dino foi submetido a uma verdadeira inquisição, algo orquestrado, com perguntas sobre suas convições religiosas e coisas do gênero. Ainda bem que ele já sabia da arapuca. Se saiu muito bem. A "entrevista" como bem observou Renato Rovai, da Fórum, foi "bizarra". Flávio, no entanto, manteve-se muito sereno. Logo em seguida, em discurso, "Lobinho" chegou a insinuar que o candidato do PCdoB "comia criancinhas'. Essa manobra no sentido de desestabilizar Flávio Dino vem de longas datas.Flávio é hoje o maior inimigo da oligarquia no Estado. Por ironia do destino, segundo fui informado, o pai de Flávio já teria trabalhado para os Sarney, o que permitu que Flávio tivesse uma ótima educação formal. O PT deixou de apoiar Flávio nas eleições passadas, mas Dilma - talvez por desencargo de consciência - o convidou para trabalhar em Brasília, entregando-lhes a presidência da Embratur. As investidas da oligarquia contra o comunista começaram por aí. Mexeram os pauzinhos em Brasília e promoveram uma verdadeira devassa na prestação de contas da empresa, com o propósito de prejudicá-lo. Não encontraram nada que comprometesse a gestão de Flávio. A rigor, quem anda com as mãos sujas, a julgar pelas denúncias de Paulo Roberto, é o Lobo pai e o Lobo filho. São eles que têm que se explicar  sobre as denúncias de recebimento de propinas em transações da estatal. Flávio perdeu um filho com 13 anos de idade, de forma trágica. Marcelo Dino era o nome dele. À época postamos algumas matérias no blog sobre o assunto. O adoslescente foi acometido de uma crise de asma, socorrido ao hospital, não resistiu. Segundo verificou-se mais tarde, teria ocorrido uma negligência médica em relação ao caso. O hospital, inclusive, foi penalisado. Pois muito bem. No último dia dos pais, seus adversários políticos espalharam pelas redes sociais a informação de que Flávio Dino seria o responsável pela morte do garoto. Há limites? Não há. A última(?) diz respeito à crise instaurada no sistema carcerário do Estado, sobretudo a partir dos presídios de Predinhas. A situação ali é caótica, obrigando até mesmo organismos internacionais a exigirem providências do Governo de Roseana Sarney. O quadro fugiu totalmente ao controle do aparelho de Estado. O Governo Federal já enviou tropas para ajudar no combate à violência, mas os chefes de facções espalham o terror e o pânico pelo Maranhão, através de rebeliões, assassinatos, incêndios de ônibus etc. Segundo a governadora, a violência cresceu porque o Estado ficou rico. Rico de miséria, segundo um amigo nosso que reside na região.Mas isso já daria panos suficentes para nossa discussão. São os chefes de facções quem, na realidade, dão as cartas, transformando o sistema carcerário num verdadeiro caos. Ordenam assassinatos, espacam, matam, degolam. Alguém precisa avisar a essa senhora para ela parar de fazer elocubrações e tomar consciência de que o Estado é responsável pela integridade física dos indivíduos que cumprem pena. A questão seria saber o que estaria por trás desse "desgoverno", dessa situação de crise institucional. A princípio pensou-se que a monobra seria alegar que o Estado não teria condições de realizar as eleições de Outubro próximo. Talvez desse mais tempo ao clã de reagimentar-se. Agora, no entanto, torna-se mais nítida a manobra, ou seja, tantar impingir ao Flávio Dino a responsabilização pelos caos que se instalou no Estado. Ora, Flávio Dino nunca foi governo. No entanto, num Estado com um milhão e meio de analfabetos, com a licença poética aos nossos leitores, se espalharem a notícia de que o Flávio tem duas bilolas não duvido nada que a população saia espalhando essa fantasia sem sequer ter dormido com o caboclo. Apesar da brincadeira, o problema, de fato, é muito sério. Hoje, 21, em razão da violência, os ônibus devem parar a partir das 15:00 horas. Em meio ao caos, um alento, pelo último IBOPE, Flávio 42%, Lobão 27%.