pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Após hiato de seis anos, Laerte retorna às origens em novo livro


“Modelo vivo” faz mergulho na obra da cartunista por meio de HQs clássicas, tiras e desenhos de nus humanos
Desenho de "Modelo Vivo" (Divulgação/Boitempo)
Desenho de “Modelo Vivo” (Divulgação/Boitempo)
Eric Campi
No ano de 1970, Laerte começava a apresentar suas personagens em tirinhas da revista SIBILA. Quarenta e seis anos depois, em 2016, a cartunista publica Modelo vivo como forma de se desprender dos padrões visuais que permearam sua obra até então. “Talvez seja só coisa minha – mas tenho tido cada vez menos prazer e mais dificuldade com o desenho”, confessa Laerte na apresentação do livro.
Para tentar resolver esse problema, a cartunista resolveu voltar aos procedimentos que utilizava antes de se tornar profissional. “De cara, abriu-se um campo de expressão muito mais vasto, trazendo um grau de liberdade tão grande quanto o volume de novos problemas a cada passo: gráficos, narrativos, conceituais etc. Dá muito mais trabalho”, afirma.
Além de tirinhas antigas – e uma inédita – a obra mergulha na ideia da quebra de padrões e traz desenhos de nus humanos que Laerte fez enquanto ministrava um curso livre em 2013 com seu filho Rafael Coutinho. “Além de um desenhista muito melhor que eu, é dono de uma cabeça organizadora que eu não tenho.”
O processo de rabiscar humanos, para ela, é uma das maneiras mais fecundas de fazer desenhos. “Nos usamos inteiramente na ação de desenhar”, explica. “Fiz isso menos do que gostaria, mas sempre foi renovador e sempre me reequilibrou”.
Apesar de não se enxergar como um modelo, “nem de mim própria”, Laerte protagonizou um ensaio nu, também como uma das formas de desconstrução que vinha buscando. As fotos, clicadas por Rafael Roncato, poderão ser conferidas a partir do dia 26 de novembro na loja Ugra – Quadrinhos & Contracultura.
Sobre o ensaio, a cartunista afirma ser algo que sempre quis fazer desde que se assumiu como transgênero. “É algo que eu queria ver feito: um olhar sobre o corpo nu sendo o meu próprio corpo o assunto. É muito diferente do que se ver no espelho, como todo mundo sabe. Lembrei um pouco do momento em que vi e senti pela primeira vez meu corpo depilado – a sensação de nudez, liberdade e transformação.”
Modelo-vivo_LaerteModelo vivoLaerte
Boitempo/Barricada
88 págs. – R$49

Sumário - Edição de novembro do Le Monde Diplomatique Brasil

O Le Monde Diplomatique Brasil deste mês destaca a PRIMAVERA SECUNDARISTA, a luta dos estudantes e a ofensiva privatizante e de sucateamento da educação pública
PRIMAVERA SECUNDARISTA
- As ocupações se espalham... e as estratégias repressivas também.
Por Antonia M. Campos, Jonas Medeiros e Márcio M. Ribeiro
-Trabalhadores em educação resistem. Por Roberto Franklin de Leão
- Uma etapa crucial da contrarreforma. Por Roberto Leher
- A MP n. 746 no contexto de privatização da educação regional e global. Por Camilla Croso
- Brasil: uma política educacional fundamentada em mitos?
Por Lighia B. Horodynski-Matsushigue, Marcelo T. Yamashita e Otaviano Helene
E mais ...
SELETIVIDADE, RACISMO E O PODER CONFIGURADOR DO SISTEMA PENAL
- É preciso falar de Rafael Braga Vieira
Por Rose Barboza e Viviane Resende
A PREVIDÊNCIA SOB ATAQUE
- Desoneração com Seguridade Social: uma política na contramão do trabalho. Por Juliano Giassi Goularti
A ESQUERDA NEOLIBERAL
- Masoquismo eleitoral. Por Serge Halimi
ISLÂNDIA, REENCANTAR A POLÍTICA PELO ESCÁRNIO
- Punk, anarquista e prefeito. Por Gérard Lemarquis
DESIGUALDADE DE GÊNERO
- Nem todas as mulheres dos Estados Unidos são Hillary Clinton... Por Florence Beaugé, enviada especial
DO TERREMOTO AO FURACÃO
- Haiti, o impasse humanitário. Por Frédéric Thomas, enviado especial
PRESIDENTE DEVE RENEGOCIAR COM AS FARC
- Por que os colombianos rejeitaram a paz. Por Gregory Wilpert
INTERNACIONALIZAÇÃO DAS GUERRAS NO ORIENTE MÉDIO
- Moscou entra na decisiva batalha por Alepo
Por Jacques Lévesque
- O quebra-cabeça norte-americano em Mossul
Por Akram Belkaïd
IMPOPULARIDADE DOS TRATATOS COM CANADÁ E ESTADOS UNIDOS
- A insurreição alemã contra o livre-comércio
Por Peter Wahl
CRESCIMENTO DAS POLARIZAÇÕES POLÍTICAS NA EUROPA
- A agonia do “extremo centro”
Por Miguel Urbán
A IGREJA CONTRA A ESCOLHA DAS MULHERES
- Aborto, o obscurantismo polonês
Por Audrey Lebel, enviada especial
DECIBÉIS E EXTREMA DIREITA NA HUNGRIA
- O belo Danúbio negro
Por Evelyne Pieller, enviada especial
MAGREB
- Entre o autoritarismo e a esperança democrática.
Por Moulay Hicham El-Alaoui
UNIVERSALIDADE
- O grande retorno da China-mundo
Por Anne Cheng
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Le Monde Diplomatique Brasil

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Editorial: Trump eleito: E agora? 666?

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Como já seria previsível, a hashtag #Trump ocupa o primeiríssimo lugar no Trand Tops do Microblog Twitter. Há, ali, muitas chacotas, brincadeiras, e até previsões catastróficas sobre uma possível eleição de um certo Jair Bolsonaro, aqui no Brasil, numa eventual eleição presidencial direta em 2018. Pavoroso é observar quantos jovens apoiam essa ideia. Se, lá nos Estados Unidos foi possível eleger um candidato com aquela plataforma, o que não se poderia esperar aqui no Brasil, no contexto de uma profunda crise institucional, política, econômica e jurídica, já então contaminado por uma espécie de "onda conservadora", que traz na sua esteira elementos que alimentam as práticas fascistas, como a homofobia, o machismo, o xenofobismo, o racismo entre outros. Entende-se agora a preocupação do editor do jornal Le Monde Diplomatique, ao afirmar que essas "ondas" podem conduzir os jovens ao sabor da vontade dos aventureiros de ocasião.  

Não sei qual seria o limite para esta sandice. Talvez uma terceira guerra mundial,já que os Estados Unidos andam tomando alguns atitudes, no contexto da geopolítica mundial, que estão deixando os russos bastante descontentes. Agora, então, com este cidadão ocupando a presidência do país mais poderoso do mundo, só mesmo Deus pode imaginar as consequências. Deus e os Simpsons, registre-se,já que eles acertaram a previsão de que Trump ainda seria presidente dos Estados Unidos. Outro dia, um pouco antes do segundo turno das eleições municipais aqui no Recife, um cidadão, sozinho, passou com uma bandeira do candidato Geraldo Júlio(PSB), proferindo uma série de impropérios e palavras de ordem contra o PT. Destilava ódio ao partido. Não existem mais divergentes, pessoas que pensam diferente, mas inimigos. Consolida-se a tolerância zero pelo mundo afora. Extrema-direita na Europa, um inconsequente como presidente dos EUA, avanço da direita religiosa no Brasil. E os que "pensam diferente", de preferência, devem ser eliminados. Retrocedemos ao estágio de barbárie ao qual se referia Thomas Hobbes.



(Conteúdo exclusivo, liberado apenas para os assinantes do blog)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Le Monde: O Brasil será o Paraná?



por Silvio Caccia Bava
É bom nos prepararmos para tempos mais turbulentos, em que o conflito social vai tomar as ruas, vai ocupar os prédios públicos, vai pressionar os parlamentos, vai tensionar nossa democracia. Com a aprovação da PEC n. 241, o corte no orçamento das políticas públicas e a redução nos programas de proteção social vão ser fundos e vão gerar uma enorme insatisfação popular. Isso ocorre num momento em que milhões de trabalhadores estão desempregados, que é quando mais se precisa dos equipamentos e das políticas públicas. Se essa insatisfação popular vai levar a um conflito maior ou se vai ficar latente, não sabemos.
O governo Temer tem a aprovação de apenas 14% dos brasileiros. É um governo fraco, sem legitimidade, com seus principais dirigentes acusados de corrupção e nitidamente comprometido com os interesses dos mais ricos. A Lava Jato paira sobre muitas cabeças coroadas do governo, com destaque para a do presidente. Já há quem aposte que ele não termina seu governo. Apenas estariam (o PSDB) esperando passar um ano de mandato para evitar a eleição direta e, depondo Temer, fazer a eleição indireta no Congresso Nacional, controlando assim a escolha do novo presidente, em 2018.
Em contraposição às políticas de ajuste realizadas e propostas pelo governo Temer, é visível a mobilização social na defesa de direitos. Greves, ocupações, marchas, passeatas, comícios, escrachos – são muitas as formas de expressão da indignação cidadã quando o governo golpista corta dinheiro da educação, da saúde, das políticas sociais, quando fere a democracia e a Constituição. A ocupação das escolas públicas pelos secundaristas é a melhor expressão da indignação cidadã e da defesa do que é público, isto é, para todos. As ocupações já ocorrem em dezenove estados e tendem a se ampliar.
A “Primavera Secundarista” não está só. Os sindicatos já se deram conta dos riscos que correm os direitos trabalhistas e começam a armar uma greve geral. As centrais sindicais estão se unindo em torno de uma agenda comum. Outros grupos sociais se mobilizam contra a violação dos direitos conquistados e as discriminações de que continuam sendo vítimas, como os negros, as mulheres, os homossexuais. A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo articulam a resistência e se somam contra a espoliação de direitos e o fundamentalismo conservador.

O Paraná merece atenção
O Paraná nos oferece um cenário que pode muito bem ser o cenário do Brasil amanhã. Um governo autoritário, intransigente, que promove o desmonte das políticas públicas para enfrentar seu déficit fiscal, encontra uma sociedade mobilizada, que se opõe a esse desmonte e sai para as ruas protestando, ocupando as escolas. Alunos secundaristas, funcionários públicos e professores se unem pela luta para garantir o ensino público. E contam com o apoio das famílias, da população. Os cortes orçamentários promovidos pelo governo do estado são um ensaio da PEC n. 241; as mobilizações sociais podem muito bem ser um ensaio também de como vai ficar o Brasil quando esses cortes se fizerem sentir.
Quando o governador Beto Richa (PSDB) assumiu seu novo mandato, uma de suas primeiras medidas foi fazer um ajuste nas contas públicas; em fevereiro de 2015, ele cortou R$ 400 milhões do orçamento anual da área da educação. Os mais castigados foram os professores, os salários e a Previdência.
Esse corte no orçamento da educação foi aprovado em lei, apesar de uma enorme resistência por parte dos professores, que se mobilizaram em grandes passeatas e manifestações e chegaram mesmo a ocupar a Assembleia Legislativa do Paraná.
A resposta do governo Richa a essa mobilização social foi demitir 30 mil professores que trabalhavam em regime precário. O governo impôs uma enorme derrota aos defensores do sistema público de educação e combateu fortemente os sindicatos e associações, enfim, as formas de representação coletiva dos professores. Os professores amargaram a derrota.
Isso foi em 2015. Agora, em novembro de 2016, mais de 850 escolas públicas estão ocupadas por seus estudantes no estado, e não faz muito tempo que professores e funcionários entraram em greve em solidariedade aos estudantes. Não é preciso dizer o impacto que isso tem na comunidade, no bairro, na vida coletiva local. Mas esse impacto não é só local, ele é também nacional. A fala da jovem Ana Júlia, de 16 anos, na Assembleia Legislativa do Paraná, amplamente difundida na internet, é emblemática de novos protagonismos no campo da luta social pela defesa de direitos.
As três bandeiras dessa mobilização em defesa da educação são: por uma reforma do ensino médio com ampla participação dos estudantes; contra a Escola Sem Partido; contra a PEC n. 241.
É interessante observar que os estudantes não se limitam ao tema da educação. Eles são contra a PEC n. 241, contra o fundamentalismo e as verdades da Escola Sem Partido. E declaram, nas palavras de Ana Júlia, seu compromisso com o futuro do Brasil.
A arena do conflito vai se reconfigurando. As manifestações se espraiam para outros estados, e vê-se que não há disposição de diálogo por parte do governo. Por onde vão irromper manifestações sociais que desestabilizem o governo, não se sabe. Não se sabe sequer se elas vão ocorrer. Há uma tensão crescente na sociedade que pode muito bem se exprimir como uma demanda por mais democracia, mas pode também se exprimir em defesa de um regime autoritário. Os caminhos do protesto social e da desobediência civil dependem das batalhas da comunicação, da guerra das ideias, dependem de os setores organizados da cidadania apresentarem para o conjunto da sociedade as saídas para a crise. Educação, sim! Juros, não!



Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O contexto da exoneração de Luciano Vasquez, vice-presidente estadual do PSB

Luciano Vasquez chama atenção para a atitude do governador que se resume a pedir cargos e não dialogar

As críticas do escritor Antonio Campos aos dirigentes do PSB estadual assumiram uma dimensão mais "institucional" depois da exoneração do Diretor de Relações Institucionais de SUAPE, Luciano Vasquez, ele mesmo um dos dirigentes do PSB local, como retaliação pelo seu apoio ao nome de Raquel Lyra(PSDB) na disputa pela prefeitura da cidade de Caruaru, quando o Palácio do Campo das Princesas apoiava o nome do deputado estadual Tony Gel. Agora estamos diante de dois atores políticos relevantes nos quadros da agremiação socialista, que se queixam de alguns procedimentos adotadas pelo grêmio partidário nas últimas eleições. No que concerne, por exemplo, ao fato de como o partido conduziu o processo político em Caruaru -apeando a família Lyra do processo - ambos convergem em em gênero, número e grau. Mas, esses casos pontuais - embora importantes - são apenas reflexos do "pêndulo" oligárquico-familiar que dá o norte das decisões dos dirigentes - e até dos governantes - do partido no Estado. Num contexto como este, a margem para o que é "justo", "coerente", "republicano" é muito pequena, meu caro Luciano Vasquez. Publicamos em seguida uma nota que ele distribuiu à imprensa depois dos fatos:


1 -Com a eleição de Eduardo, em 2006, pensávamos que havíamos vencido a velha política e as suas práticas mais nefastas, como a perseguição, a retaliação e o expurgo, mas estão vivas e ativas em Pernambuco.

2 - A inexperiência, o amadorismo, a inércia e a falta de diálogo são as marcas efervescentes desse tempo.

3- Recordo o que falou o ex-governador Miguel Arraes: "estão desmanchando com os pés, aquilo que o povo construiu com as mãos". Estão jogando fora, de forma inconsequente, toda a história e legado de Arraes e Eduardo.

4- Na eleição do segundo turno de Caruaru, fiz o que minha consciência determinava, ter lado! Porém antes, procurei o governador, a deputada Laura Gomes e o companheiro Jorge Gomes que tinham anunciado a neutralidade.

5- Fiz a opção pela coerência histórica e política da Frente Popular, e estava certo. A vitória de Raquel é o resultado do acerto de quem faz política sintonizado com a luta do povo!

6- Quando os governantes e os políticos erram, o povo conserta!

7- Sobre a minha saída, quem tem que falar é o governador. Ele é governador até 31 de dezembro de 2018 e está dentro das prerrogativas dele nomear e exonerar, não é assim? 

8- Anteriormente ele já havia pedido os cargos do PSDB e DEM, agora ele pede o cargo do vice-presidente do PSB. 

9- Um governante não pode ficar reduzido a imagem de um pedinte de cargos. É um ato pequeno e precário que está em desarmonia com as tradições de bravura e honra de quem já exerceu tão dignificante cargo, de Governador de Pernambuco.

10- A minha torcida e a dos pernambucanos é que o governo trabalhe e se ocupe para vencer a crise econômica e financeira, o desemprego, a falta de investimentos para infraestrutura, a falta de segurança, a crescente onda de violência, o sucateamento da saúde pública, enfim, se preocupe com a melhoria da qualidade de vida do nosso povo.

Novembro azul: Sesi/PE realiza 2 mil exames gratuitos de prevenção ao câncer de próstata



O Serviço Social da Indústria de Pernambuco (Sesi/PE) reforça a campanha Novembro Azul, de prevenção ao câncer de próstata. A entidade oferece, a partir desta terça-feira (8), 2 mil exames gratuitos para diagnosticar a doença entre a população da Região Metropolitana do Recife. Até 17 de novembro, a Unidade Móvel da instituição estará na quadra do Quartel do Derby, das 8h às 13h, realizando os exames de ultrassonografia e PSA, exame de sangue que complementa o diagnóstico do câncer de próstata.
Podem realizar os exames homens a partir de 40 anos, que estiverem em jejum e levarem CPF e carteira de identidade. Pessoas com menos de 40 anos poderão realizar o exame, desde que possua encaminhamento médico. Os interessados devem comparecer ao local, a partir das 8h, para pegar uma das 150 fichas distribuídas diariamente para o atendimento. Mais informações pelo telefone (81) 3412.8330, pelo e-mail relacionamento@pe.sesi.org.br ou pelo WhatsApp (81) 9.8829.3330. Esses atendimentos no Derby são uma parceria entre o Sesi/PE e a Polícia Militar de Pernambuco.
Com esses exames de próstata, o Sesi/PE encerra seu programa de prevenção aos cânceres de mama e próstata, que ao longo deste ano beneficiará 32 mil pessoas com exames gratuitos, sendo 16 mil de cada. “Esse programa faz parte do compromisso social do Sesi em promover a qualidade de vida da população, especialmente do trabalhador da indústria. Por isso, temos atuado firmemente em facilitar o acesso de homens e mulheres aos exames necessários para obter um diagnóstico precoce do câncer de próstata e mama, que aumenta as chances de cura em 90% e reduz as sequelas do tratamento”, afirma o superintendente da entidade, Nilo Simões.
Ação educativa - Outra ação do Sesi/PE no Novembro Azul, é a realização de palestras educativas nas empresas para sensibilizar a população masculina sobre o câncer de próstata, que poderá fazer 61 mil novos casos este ano, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Serviço:
2 mil exames gratuitos para prevenir o câncer de próstata
Quando: 8 a 17/11 (exceto o feriado do dia 15/11), das 8h às 13h
Onde: Quadra do Quartel do Derby
Como: 150 exames diários, precisa pegar ficha a partir das 8h
Mais informações: (81) 3412.8330, relacionamento@pe.sesi.org.br ou (81) 9.8829.3330 (zap).
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domingo, 6 de novembro de 2016

Charge!Laerte!

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Artigo: A política energética "genocida" imposta aos países da América Central.




No ano de 2007, estivemos no Estado do Maranhão, com o objetivo de manter alguns contatos com as federações congregadoras das comunidades quilombolas daquele Estado. Num desses momentos, visitamos as comunidades quilombolas da cidade de Alcântara, assim como as famosas "agrovilas" construídas pelo Governo Federal, para abrigar as comunidades remanescentes de quilombos que foram retiradas de suas terras de origem, para a construção da famosa base de lançamento de foguetes da Aeronáutica. Conhecemos as lideranças do MABE - Movimento dos Atingidos pela Base de Alcântara - com as quais mantemos contato até hoje. 

Mas, o mais importante mesmo foram as entrevistas gravadas com líderes quilombolas da região, que nos forneceram informações importantíssimas sobre o longo processo de negociações com a Aeronáutica, assim como suas impressões acerca dos problemas enfrentados por aquelas comunidades em função da diáspora de suas terras originais. Por aquela época ainda eram exigidos os tais laudos antropológicos - abolidos nos governos da coalizão petista - para a concessão do título de posse de terra de quilombos. Era visível o descontentamento nas agrovilas. Alguns líderes nos relataram, por exemplo, que, não raro, era preciso percorrer quilômetros de extensão para se ter acesso ao pescado, o que provocava o seu estrago antes mesmo de se chegar ao destino. Para se ter acesso aos recolhimento dos cocos da palmeira babaçu, apenas em horas marcadas e com a autorização do pessoal da Aeronáutica. (...)

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Editorial: As condições "ideais" para o desmonte dos direitos dos trabalhadores.


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Já fazia algum tempo que não mantínhamos qualquer tipo de contato com o professor Ricardo Antunes, decano da prestigiada Universidade de Campinas, em São Paulo. No campo acadêmico, Ricardo foi, durante anos, considerado o maior especialista brasileiro nas relações de trabalho. Para mim, ele ainda não perdeu esse status. Nossos contatos foram mais estreitos, quando, na década de 90, éramos um abnegado estudioso do Partido dos Trabalhadores, e, quando tratávamos da composição social dos grupos que formaram aquela agremiação dos "trabalhadores", ele insistia em se contrapor, informando que estratos de intelectuais de classe média estiveram presentes na famosa reunião do Colégio Sion, em 10 de fevereiro de 1980, assim como membros de uma espécie de "elite" sindical, formada por integrantes do Novo Sindicalismo.

Agora o professor Ricardo Antunes nos brinda com um excelente artigo, publicado na edição de outubro do jornal Le Monde Diplomatique, onde discute as condições políticas, econômicas e sociais "ideais" para o desmonte dos direitos e garantias constitucionais (leia-se CLT) dos trabalhadores nas relações de trabalho: Governo de Exceção, parlamento submisso, judiciário de conluio e uma baita crise econômica, geradora de desemprego. (...)

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sábado, 5 de novembro de 2016

Artigo: PSB: um candidato presidencial para chamar de seu. Mesmo que este homem seja Alckmin.


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Em política, é fundamentalmente importante observar os movimentos do adversário. Aqui na província, apenas observando os movimentos, ninguém pode negar os projetos majoritários de atores políticos como o senador Armando Monteiro(PTB), o ministro Bruno Araújo(PSDB) e o também senador Fernando Bezerra Coelho(PSB). No plano nacional, em certa medida, já existe uma aliança entre socialistas e o PSDB, a julgar pelos movimentos das pombinhas e tucanos nessas eleições municipais de 2016. Geraldo Alckmin montou uma espécie de "cinturão presidencial paulista", contando, inclusive com o PSB, que segurou as pontas em cidades como Guarulhos e Campinas, ambas com mais de um milhão de eleitores. Os movimentos de Alckmin, aliás, foram muito além dos seus domínios paulistas, com a presença até mesmo aqui na província. 

A impressão que temos é que esse esboço de uma possível candidatura própria dos socialistas, tese levantada pelo prefeito eleito Geraldo Júlio e endossada pelo Deputado Federal Danilo Cabral, até onde se sabe, trata-se, tão somente, de afirma-se no contexto de uma possível aliança com os tucanos. Não há nome socialista com o capital político e eleitoral de um Geraldo Alckmin nas hostes socialistas (...)

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P.S.:Do Realpolitik: Somados os eleitores dessas duas cidades, de fato, chegamos a uma média de um milhão e trezentos mil eleitores. Isoladamente, elas não chegam  a um milhão de eleitores, conforme informamos no post. Erramos. Mesmo assim, trata-se de um contingente eleitoral nada desprezível numa corrida presidencial.  

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Editorial: A criminalização dos movimentos sociais


Há pouco tempo recebemos uma nota do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, MST, denunciado a invasão da Escola Florestan Fernandes, localizada em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. A invasão foi realizada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, em parceria com a Polícia Civil do Paraná, com o propósito de cumprir um mandado de prisão contra uma senhora que, supostamente, se encontrava na escola. Até aqui, nenhuma novidade. Os mandados de prisão expedidos pela justiça nem sempre são cumpridos de forma consensual entre as partes, não raro, exigindo o emprego de alguma força. O problema, nesta caso em particular, é o "simbologismo" da invasão de uma escola, que pertence ao MST, de forma truculenta, com emprego excessivo de força, cujo mandado foi apresentado apenas pelo celular de um dos policiais, caracterizando-se como uma medida arbitrária, típicas de Estado de Exceção, como bem disse o ator Wagner Moura ao comentar o assunto. (...)

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Em nota, o MST critica a "criminalização" dos movimentos sociais.



"Mais uma vez o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é vítima da criminalização por parte do aparato repressor do Estado Paranaense. A ação violenta batizada de “Castra” aconteceu na nessa sexta-feira (04/11/2016), no Paraná, em Quedas do Iguaçu; Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul; também em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
O objetivo da operação é prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná. Até o momento foram presos seis lideranças e estão a caça de outros trabalhadores, sob diversas acusações, inclusive organização criminosa.
Desde maio de 2014 aproximadamente 3 mil famílias acampadas, ocupam áreas griladas pela empresa Araupel. Essas áreas foram griladas e por isso declaradas pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à União que devem ser destinadas para a Reforma Agrária.
A empresa Araupel que se constitui em um poderoso império econômico e político, utilizando da grilagem de terras públicas, do uso constante da violência contra trabalhadores rurais e posseiros, muitas vezes atua em conluio com o aparato policial civil e militar, e tendo inclusive financiado campanhas políticas de autoridades públicas, tal como o chefe da Casa Civil do Governo Beto Richa, Valdir Rossoni.
Lembramos que essa ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários Estados e no Paraná. No dia 07 de abril de 2016, nas terras griladas pela Araupel, as famílias organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno foram vítimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar e por seguranças contratados pela Araupel. No ataque, onde foram disparados mais de 120 tiros, ocorreu a execução de Vilmar Bordim e Leomar Orback, e inúmeros feridos a bala. Nesse mesmo latifúndio em 1997 pistoleiros da Araupel assassinaram em outra embosca dois trabalhadores Sem Terra. Ambos os casos permanecem impunes.
Denunciamos a escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção.
Lembramos que sempre atuamos de forma organizada e pacifica para que a Reforma Agrária avance. Reivindicamos que a terra cumpra a sua função social e que seja destinada para o assentamento das 10 mil famílias acampadas no Paraná.
Seguimos lutando pelos nossos direitos e nos somamos aos que lutam por educação, saúde, moradia, e mais direitos e mais democracia."

Le Monde: Desafios da reorganização da esquerda brasileira


Com um resultado eleitoral perto do catastrófico, esquerda brasileira precisa se reinventar a partir de três tarefas: balanço crítico, renovação programática e promessa para o futuro
por Juliano Medeiros

O resultado das eleições municipais deste ano ensejou, nos últimos dias, diversas análises sobre os rumos da esquerda. De todos os lados, analistas buscam compreender as razões que levaram à acachapante vitória eleitoral dos partidos associados ao golpe que conduziu Michel Temer à Presidência da República. A ideia de que o terreno perdido nos últimos meses exigirá uma necessária reconfiguração das forças progressistas parece encontrar eco em muitas vozes. No entanto, a “reorganização da esquerda” pode ter distintos significados a depender de como se interpreta a derrota que o impeachment e as eleições municipais deste ano representaram.
Parece consenso que é chegada a hora de um profundo ajuste de contas na esquerda brasileira. O fim do ciclo do PT – que se anunciava desde junho de 2013 e se concretizou tragicamente com o impeachment de Dilma Rousseff – abriu um período de definições estratégicas para as forças populares. Um claro processo de reconfiguração da esquerda está em curso, dentro e fora das organizações tradicionais como partidos, sindicatos e entidades estudantis. No âmbito das organizações partidárias esse movimento é mais nítido. No PT, o movimento “Muda PT” representa para seus integrantes a derradeira batalha para salvar o simbolismo e a representatividade que o partido ainda detém entre parcela cada vez menor dos trabalhadores. Na Rede Sustentabilidade, as divisões internas chegaram a um limite insuportável, opondo lideranças de esquerda ao indecifrável projeto de Marina Silva. No PSOL, o crescimento do partido, que ocupou parte do espaço deixado pelo PT nas eleições municipais deste ano, exige definições sobre seu papel no novo ciclo que se abre para a esquerda brasileira. E até o pequeno e monolítico PSTU sofreu os efeitos da pressão em favor da reorganização: uma dissidência de centenas militantes deixou a legenda, rejeitando a tática do “fora todos” levada a cabo pelo partido durante o impeachment.
Mas esse processo de reconfiguração da esquerda não se resume aos partidos. Aliás, é possível afirmar que é precisamente fora da vida partidária que essa reconfiguração se processa de forma mais dinâmica. O esgotamento do ciclo do PT – que nada mais é que o esgotamento de uma tática que envolveu centenas de organizações políticas e sociais em favor do chamado “pacto de classes” – já se nota no âmbito dos movimentos sociais há algum tempo. O surgimento de novas lutas, sobretudo nas grandes cidades, novos ativismos e formas de intervenção política, expressam também um novo momento para a esquerda social. Movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento Passe Livre (MPL), as ocupações de escolas em todo o país, o fortalecimento do movimento de mulheres contra o machismo e a violência, os novos movimentos de contracultura e o ativismo digital de coletivos como o Mídia Ninja, marcam o início de um novo ciclo na política brasileira. Isso não significa, é claro, que as formas “tradicionais” de organização política, como sindicatos, organizações de bairro ou entidades estudantis estão superadas. Significa apenas que esses instrumentos terão de ceder espaço a novas formas de ação política surgidas das transformações que o Brasil e o mundo vivenciaram nos últimos vinte anos, reinventando suas práticas e formas de organização para recuperar a legitimidade perdida.

O impeachment como fim de um ciclo
Afirmamos que o impeachment de Dilma marca o fim de um ciclo. Mas poderíamos ir além. Na verdade, o golpe que levou Michel Temer à presidência representa ao mesmo tempo o fim de dois ciclos. O primeiro é um ciclo mais geral da política brasileira, que começa com a Constituição de 1988. O golpe representa a ruptura do pacto que permitiu, ao longo de quase trinta anos, algum nível de estabilidade política e a garantia mínima da progressiva ampliação das políticas sociais. Mesmo no auge do neoliberalismo dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) direitos foram ampliados, apesar do retrocesso representado pela reforma do Estado promovida naquele período. Apesar de favorável às forças do conservadorismo, esse pacto permitiu o fortalecimento político e social do campo democrático-popular durante os anos 1990, a livre organização dos movimentos sociais e a vitória eleitoral da esquerda em 2002, mesmo que sob circunstâncias que se mostrariam fatais anos depois. Ao congelar os investimentos públicos por 20 anos, destruir o já insuficiente sistema que regulava a exploração do petróleo e retomar um agressivo ajuste no sistema de previdência, Temer implode o pacto que garantiu a estabilidade ao regime político brasileiro nas últimas duas décadas e encerra o clico instituído pela Constituição de 1988, abrindo um período de luta aberta pelos rumos do Estado.
Por outro lado, na esquerda também se encerra um ciclo. A hegemonia do PT e do bloco histórico que o sustentou desde os anos 1980 chegou definitivamente ao fim. O historiador Lincoln Secco, em livro sobre a história do PT,1 afirma que o partido viveu três momentos em sua história. O primeiro foi marcado por um partido radical que liderava a oposição social à ditadura militar. O segundo momento é aquele em que o PT se consolida como oposição parlamentar ao neoliberalismo, quando o partido se institucionaliza e passa a viver a experiência de governar importantes municípios. O terceiro momento, que se inicia com a vitória de Lula em 2002, é aquele caracterizado pela ascensão do PT à condição de “partido de governo”. Nessa terceira e última etapa do processo de aggiornamento2 do partido à dinâmica do sistema político brasileiro, o PT incorpora plenamente a estratégia do pacto de classes, isto é, de uma aliança reformista assentada no crescimento econômico com distribuição de “dividendos” para todas as classes. Com o processo de impeachment e a implosão do pacto que o PT mantinha com diferentes frações da burguesia brasileira, o partido e seu campo de aliados tende a perder definitivamente a hegemonia sobre a esquerda brasileira. É o fim desse outro ciclo que exige definições urgentes sobre os rumos da reorganização das forças populares.

Três tarefas urgentes para a reorganização da esquerda no Brasil
Nossa situação política é inédita. Diferente de outros momentos da história, quando a esquerda foi coagida fisicamente pelas forças do conservadorismo e da reação, o que vemos hoje é um processo de “demonização” das organizações de esquerda que alcançou níveis inéditos desde a redemocratização. Combinando o desgaste promovido pela crise econômica e seus efeitos sobre os mais pobres com as denúncias de corrupção envolvendo altos dirigentes do governo e do PT, a mídia monopolista construiu com relativo sucesso uma associação quase automática entre “esquerda” e “corrupção/ineficiência”. Os partidos que compuseram o governo, como PT e PCdoB, sentiram mais fortemente os efeitos dessa narrativa no recente processo eleitoral. Mas ela não poupou nem aqueles partidos que jamais mantiveram qualquer envolvimento com atos de corrupção e nunca compuseram o governo Dilma, como o PSOL. A luta que se trava em torno das responsabilidades sobre a recessão econômica e a corrupção atingiu em cheio a esquerda.
Quais seriam, então, as tarefas para contornar essa situação? Evidentemente, não há um “manual de reorganização da esquerda brasileira”. Mas há alguns elementos indispensáveis para enfrentar esse gigantesco desafio, que podemos sintetizar no tripé balanço / renovação programática / promessa. Vejamos como se apresentam cada uma dessas tarefas:
a) Balanço:A mais urgente das tarefas para a reorganização da esquerda brasileira refere-se ao balanço da experiência dos governos petistas. Por mais de uma década, a esquerda brasileira se dividiu entre aqueles que apoiavam ou não o projeto liderado por Lula e Dilma. Por vezes, essa divisão tomava formas absurdas, onde uns se tornavam incapazes de ver os flagrantes limites dos governos de conciliação, enquanto outros fechavam os olhos para os inegáveis avanços que foram promovidos na expansão de alguns direitos sociais. Com o fim do ciclo do PT à frente do governo federal, torna-se possível desenvolver um balanço crítico e honesto dos avanços e limites que os governos petistas produziram. Exemplos não faltarão. Se por um lado é evidente que o crescimento econômico de quase uma década proporcionou uma melhoria nas condições de vida de parte expressiva da população mais pobre, com acesso a crédito, aumento real do salário mínimo e mais políticas sociais, por outro, não se pode esconder que a natureza do projeto de conciliação de classes não permitiu avanços mais profundos, manteve o país vulnerável à dinâmica do capital financeiro, fortaleceu o agronegócio predatório e deixou intocado o controle da informação nas mãos da mídia monopolista. Além disso, o mito conservador da “governabilidade” se impôs de tal forma sobre as iniciativas de participação direta da população sobre a política, favorecendo o fisiologismo e as alianças pragmáticas, que muitos terão dificuldades em admitir que o governo foi enredado em acordos que jamais deveria ter firmado. Por isso um balanço crítico e desapaixonado é indispensável para extrair as lições dos limites da conciliação de classes. Sem isso será impossível pensar um novo projeto político independente e comprometido com os interesses populares.
b) Renovação programática:O bloco histórico surgido com o PT na luta contra a ditadura militar representou uma grande novidade na cena política brasileira. Aquela esquerda, renovada pelos novos atores políticos que entraram em cena no final dos anos 1970, construiu um programa ao mesmo tempo radical e inovador para enfrentar os séculos de atraso e exploração que marcavam nossa formação social. Ele estava muito à frente do reformismo que caracterizava, já naquela época, os partidos comunistas no Brasil. O chamado “Programa Democrático-Popular”, aprovado no 5º Encontro Nacional do PT, em 1987, reunia um conjunto de tarefas anti-monopolistas, anti-imperialistas e anti-latifundiárias que conferiam à estratégia do partido um caráter profundamente anti-capitalista e radicalmente democrático. Esse programa, rompendo com a tradição que fora hegemônica na esquerda até então, apresentava uma nova interpretação do estágio de desenvolvimento do capitalismo no Brasil e preconizava uma tática de fortalecimento das organizações de base do campo popular, rechaçando a conciliação de classes em favor da independência política dos trabalhadores e trabalhadoras. O abandono desse programa por parte do PT e sua relativa desatualização deixaram a esquerda brasileira, no século XXI, com um enorme “déficit programático”. Ao mesmo tempo em que foram incorporadas novas demandas à agenda política da esquerda nos últimos anos, especialmente no campo dos direitos civis, pouco se avançou na correta interpretação das mudanças que o Brasil viveu durante as últimas três décadas. A consolidação do processo de urbanização do capital e suas contradições trouxeram novas formas de dominação política e econômica que ainda precisam ser incorporadas à análise da esquerda. Essa renovação programática – econômica, política, social, cultural, ideológica – é uma condição indispensável para “reconectar” a esquerda ao Brasil real.
c) Promessa: Os efeitos da derrocada do PT terão efeitos de longo prazo. Uma geração inteira de militantes, desiludida com as inaceitáveis concessões feitas pelo partido ao longo de quase catorze anos, já não acredita que outro instrumento partidário possa responder à tarefa histórica de liderar a reorganização da esquerda brasileira. Isso é natural. A decepção é profunda, tanto quanto a indignação pelos erros cometidos – em especial em relação à corrupção e à retirada de direitos dos mais pobres, marca do último ano de governo Dilma. Por isso, além de realizar um balanço crítico da experiência petista no governo federal e promover uma profunda atualização programática, a esquerda deverá lançar mão de uma promessa: a de que é possível construir um caminho diferente no futuro. Numa de suas principais obras,3 Hannah Arendt afirma que é a promessa que valida o perdão; isto é, apenas o compromisso de que algo novo está sendo construído no lugar do velho é que permite expiar os pecados do passado. Mesmo aqueles que nada tiveram a ver com os erros cometidos terão de consignar seu compromisso com a promessa de que nada será como antes. O perdão, que exime a esquerda das consequências dos erros cometidos, só pode ser validado pela promessa do novo. E esse novo que é reclamado pela nova geração de lutadores e lutadoras que está nas ruas não pode ser nada menos que uma esquerda horizontal, pluralista, radicalmente democrática e profundamente comprometida com os interesses dos explorados e oprimidos. Uma esquerda anticapitalista, socialista e classista, mas também feminista, negra, jovem, disposta a combater qualquer tipo de opressão. Perdão e promessa: eis o binômio do qual a reorganização da esquerda não pode fugir.

Os atores da reorganização
Consideramos que as tarefas que mencionamos – balanço / renovação programática / afirmação do novo – não poderão ser bem-sucedidas sem atores dispostos a encará-las como indispensáveis à reorganização da esquerda brasileira. Para isso será necessário um amplo processo de diálogo entre aqueles dispostos a enfrentar o momento de defensiva estratégica que os setores populares vivem e dar um novo sentido à luta em favor de um amplo instrumento político que unifique os que lutam contra a opressão e a exploração.
Mesmo que os efeitos da ofensiva conservadora tenham sido devastadores, há diversos atores discutindo os rumos da reorganização da esquerda brasileira. No PT e na Rede Sustentabilidade há setores dispostos a debater a construção de uma nova síntese política “pós-PT”. Outras organizações políticas não partidárias também iniciam essa discussão. No âmbito dos movimentos sociais, novos atores já se apresentam como expressão concreta de um novo ciclo político que rechaça como limitadas as promessas do lulismo.4 Há ainda uma grande quantidade de intelectuais críticos que reivindicam uma profunda reflexão sobre os rumos do campo popular e democrático no Brasil, em favor de uma “nova esquerda” que se apresente como tal já a partir das eleições presidenciais de 2018. No meio desse turbilhão está o PSOL.
O PSOL é hoje o polo mais dinâmico da reorganização da esquerda brasileira e o partido mais bem localizado politicamente para enfrentar esse desafio. Isso se deve a algumas razões específicas que garantem a ele uma posição privilegiada nesse processo. O primeiro e mais evidente é o fato do partido ter mantido, ao longo de seus onze anos de vida institucional, uma profunda crítica à estratégia de conciliação de classes levada a cabo pelo PT. Por essa razão o PSOL é visto como um partido coerente, capaz de arcar com as pesadas consequências de ser oposição de esquerda aos governos petistas para conservar suas posições. Além disso, a tática que o partido assumiu durante o impeachment, quando sua militância e suas figuras públicas se engajaram plenamente na luta contra o golpe, permitiu ao PSOL conectar-se com o mais importante movimento de massas ocorrido no país desde junho de 2013. Para os milhares de lutadores e lutadoras que tomaram as ruas contra o golpe, o PSOL foi visto como um partido capaz de deixar as diferenças de lado para unir forças em favor de um objetivo maior: a defesa da democracia. Por fim, vivendo toda a sua existência fora da dinâmica do Estado, o partido compreende melhor os novos atores sociais que emergiram na última década. Esses lutadores e lutadoras têm uma forte empatia com o partido e muitos concorreram pelo PSOL nas eleições deste ano. Portanto, se o partido tiver a sabedoria política necessária para se colocar à altura do momento histórico, ele pode se tornar a expressão “natural” de uma nova síntese política para essa nova esquerda que está se formando no Brasil. Mas para isso, será necessário responder às inadiáveis tarefas que mencionamos neste ensaio.

Juliano Medeiros
Presidente da Fundação Lauro Campos e membro da Executiva Nacional do PSOL.


Ilustração: Daniel Kondo

1 Lincoln Secco. História do PT – 1978-2010. Cotia: Ateliê Editorial, 2011.
2 Termo em italiano que signfica atualização ou adaptação.
3 Hannah Arendt. A condição humana. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 2000.
4 Para saber mais sobre o lulismo como expressão da política de pacto de classes nos governos petistas ver André Singer. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
04 de Novembro de 2016
Palavras chave: Esquerdacrise na esquerdaciclo da esquerdapartidosmovimentos sociaisnova esquerdaPTPSOL

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Le Monde: Direito à cidade e desigualdades regionais


Na conjuntura favorável dos governos Lula, uma nova orientação foi dada à política de desenvolvimento regional visando à redução das desigualdades não só entre as regiões, mas, também, dentro de cada região
por Jan Bitoun e Lívia Miranda

Ficaremos mais distantes de um desenvolvimento socialmente equilibrado, ambientalmente sustentável e politicamente participativo para os municípios brasileiros (Crédito: Klaus Balzano)
A leitura das desigualdades regionais se deu desde meados do século passado comparando indicadores econômicos e sociais das cinco grandes regiões do país: Sudeste, Sul, Centro Oeste, Nordeste e Norte. Consolidou-se no senso comum uma representação de um Brasil desenvolvido cujo núcleo está no Sudeste e no Sul e de um Brasil subdesenvolvido, nas demais grandes regiões. Com efeito, a concentração no Sudeste e no Sul de uma estrutura industrial diversificada em especial nas metrópoles e nas suas proximidades foi se configurando durante o processo veloz de industrialização tardia do país, acelerado dos anos 1940 a 1970.
O direito à cidade em tempos de crise
A série “O direito à cidade em tempos de crise” é uma parceria do Le Monde Diplomatique Brasilcom o INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) Observatório das Metrópoles. A série tem como objetivo suscitar a reflexão e monitorar os avanços e conquistas na afirmação do direito à cidade no Brasil, denunciar retrocessos e apontar tendências para o futuro das cidades brasileiras.
A cidade transformou-se, em pleno século XXI, no palco principal das lutas políticas e sociais. A reprodução da vida, individual e coletiva, biológica e social, depende cada vez mais da qualidade do meio urbano construído que se expressa na forma social que chamamos de cidade, mas que também se expressa na sociedade urbana global.
Ao mesmo tempo, a atual crise do capitalismo tornou a cidade uma nova fronteira de escoamento do capital sobre acumulado e financeirizado. Estes dois movimentos tornaram a cidade palco e objeto das lutas contemporâneas de classes, opondo a razão da reprodução da vida à razão da reprodução do capital. Esta contradição global está também cada vez mais presente no Brasil.
Com efeito, ingressamos na sociedade urbana com legado de cidades historicamente precárias, nas quais estão presente dois projetos antagônicos em disputa. De um lado, o representado pelos ideais, princípios e mecanismos da reforma urbana que obteve alguns avanços na afirmação do direito à cidade, no período 2003-2013. De outro lado, o projeto representado pela ideologia neoliberal que, em nome do empreendedorismo urbano, tem incentivado a adoção de políticas urbanas habilitadoras das forças mercantilizadoras do solo urbano, da moradia, privatização dos serviços coletivos, entre outros.
Mas qual desses projeto irá predominar diante do atual quadro de crise político-econômica de longa duração no país? Se caso a saída para a crise for conservadora e ultra liberal, isso representará um provável retrocesso das conquistas do direito à cidade no Brasil. E é esse um dos principais campos em disputa.
No início do século XXI, essa representação começa a se desfazer: o Centro Oeste transformou-se no celeiro da agropecuária de exportação; o Norte e suas populações, culturalmente diversas, é percebido pela ciência e pela mídia com um novo olhar graças à centralidade que têm hoje no mundo a biodiversidade e a sustentabilidade (Becker, 1999). As populações do Nordeste, especialmente as famílias em condição de pobreza ou de baixa renda, experimentaram nos últimos governos inovações importantes: universalização da energia elétrica, oportunidades educacionais, melhor proteção social, pequeno aumento da renda que permitiu ampliar o consumo, atraindo empresas de distribuição de bens e serviços. Um novo quadro foi se esboçando atestado por um novo padrão dos fluxos migratórios, reduzindo-se a migração para o Sudeste, e, frente à atual seca severa e prolongada, pela ausência dos saques e fluxos de retirantes que eram comuns em episódios anteriores. O gostinho da mudança foi vivenciado por segmentos numerosos na região: empregadas domésticas cuja profissão foi regulamentada, mulheres enfrentando o machismo, afro-brasileiros cujos ancestrais foram objetos do tráfego negreiro no Atlântico Sul, trabalhadores que em sua grande maioria ganham o salário mínimo que seguiu, durante alguns anos, uma trajetória de aumento diferenciado.
A crise atual é mais um espasmo de alta intensidade no cenário instável comandado, desde os anos 1990 pela acumulação financeira, cujo ritmo, nas palavras de Cláudio Egler, “está determinado pela capacidade de conquistar fundos privados, seja no mercado doméstico, seja no mundial, viabilizada, em grande parte, pelas políticas cambiais e monetárias do Estado-nação, que passa a cooperar e/ou a competir com outros Estados-nações pela captura desses fundos privados” (Ipea, 2002, p.85-86).
As instabilidades decorrentes das práticas especulativas dos setores rentistas movimentando seus ativos financeiros em escala global, as políticas de desenvolvimento regional, que visam fortalecer a coesão territorial e reduzir as desigualdades entre as regiões de um país, sofrem descontinuidades. Em conjunturas favoráveis, quando os Estados-nações conseguem capturar esses fundos, ganham importância. Quando as capacidades financeiras dos Estados-nações se reduzem, a ênfase passa a ser dada às poucas regiões e cidades competitivas com capital e infraestruturas já consolidados e bem articulados em cenários continental e global.
No Brasil, após a interrupção das políticas de desenvolvimento regional nos anos 1980 e a desativação das superintendências regionais, houve uma lenta retomada já na segunda metade dos anos 1990, definindo eixos de desenvolvimento inseridos no Plano Brasil em ação do governo de Fernando Henrique Cardoso, com ênfase dada em cada grande região a segmentos e áreas que receberam recursos para completar ou acelerar sua integração competitiva no ambiente continental e global. Muitos dos investimentos do PAC nos governos posteriores deram continuidade a essa orientação. Mas, na conjuntura favorável dos governos Lula, uma nova orientação foi dada à política de desenvolvimento regional visando à redução das desigualdades não só entre as regiões, mas, também, dentro de cada região; concebeu-se o Plano Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), que objetivava carrear recursos e projetos para as áreas economicamente menos dinâmicas e com grande incidência de pobreza. A tensão gerada entre essas duas orientações de políticas de desenvolvimento em cada região demandava uma nova leitura das desigualdades regionais em escalas mais finas que aquela consagrada das cinco grandes regiões.
Tânia Bacelar de Araújo, explica no texto Nordeste, Nordestes: Que Nordestes? (2000) que se buscou “avançar na percepção das diferenciações existentes dentro da própria região Nordeste, destacando-se os novos subespaços dinâmicos, as diferentes trajetórias estaduais e metropolitanas, e os focos de resistência a mudanças”. Essa nova leitura, ressaltando a heterogeneidade e a complexidade das dinâmicas em curso nas regiões do país guiou a proposta da política urbano-regional policêntrica elaborada, sob a coordenação do professor Clélio Campolina Diniz, pelo Centro de Estudos e Gestão Estratégica, para subsidiar a concepção da dimensão territorial do desenvolvimento nacional no Plano Plurianual PPA 2008-2011 e no planejamento governamental de longo prazo (CGEE, 2007). Nessa proposta, ressaltava-se, ao lado da já reconhecida importância dos espaços metropolitanos, a relevância das cidades médias e das suas inserções regionais, próximas ou mais distantes a depender das dinâmicas territoriais que vivenciavam.
Como bem ressaltou Fernandes (2008), pensar o urbano na sua dimensão regional significa compreender a cidade como um fator de distribuição de infraestruturas, serviços públicos, qualidade de vida e oportunidades para a população no território. Nessa perspectiva, o direito à cidade não pode estar restrito ao acesso a políticas bens e serviços, deve estar articulado a uma visão mais ampla: a do direito a uma cidadania plena que se materializa quando todas as pessoas, vivendo em zonas urbanas ou rurais, tiverem acesso a uma vida com qualidade, acesso à moradia digna, à terra urbanizada e ao saneamento ambiental, ao transporte público e à mobilidade, à alimentação, à cultura e ao lazer, à participação.
Considerando a grande diversidade de municípios brasileiros, é preciso reconhecer a inseparabilidade do urbano e do rural, não somente nos traços da economia urbana, mas também no cotidiano da cidade. Favareto e Wanderley (2013, p.441) alertam que o processo de urbanização brasileiro alcançará efeitos diferenciados, mais inclusivo ou excludente, em função das opções estratégicas escolhidas para o desenvolvimento rural:
“[...] assumirá significados distintos, se em sua incidência sobre o mundo rural reforçar um ou outro desses projetos: a imposição, em nome da modernização da agricultura, dos padrões dominantes de trabalho, produção e consumo, que reitera a grande propriedade como o modelo ideal de empresa rural ou, inversamente, a implantação de uma modernização rural, pela qual os habitantes do campo tenham assegurado o acesso aos bens e serviços socialmente necessários e possam participar como protagonistas da gestão desse mesmo acesso”.
Nos médios e pequenos municípios a vida está imbricada de ruralidades. Em função disso, a garantia do acesso às condições de produção; o fortalecimento do cooperativismo, da agricultura familiar, do uso de tecnologias agroecológicas, da autonomia econômica, social e política das mulheres também são essenciais para que as pessoas que vivem da terra tenham efetivamente seus direitos de cidadania reconhecidos e o acesso equânime igualitário às políticas públicas. Nessa direção, o Plano Diretor, na esfera municipal, poderia ser o instrumento integrador das políticas territoriais, tanto urbanas quanto rurais, como define o Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/01), no seu Art. 40, § 2°: “O plano diretor deverá englobar o território do município como um todo”, no entanto tal determinação esbarra na sobreposição de competências federativas (principalmente sobre a gestão do território rural) e na generalizada fragmentação das esferas de planejamento das políticas públicas no território.
No que concerne à dinâmica política dos movimentos sociais essa fragmentação é evidente. A agenda da reforma urbana foi construída nas metrópoles e dificilmente se transferirá para as médias e pequenas cidades. A agenda da reforma agrária, construída no campo, dificilmente transfere-se para as cidades. Tal fragmentação dificulta a construção de uma agenda comum de caráter territorial que privilegie a qualidade das infraestruturas para a promoção do desenvolvimento econômico e do bem-estar urbano ou rural: a conquista da segurança hídrica e a difusão de tecnologias adequadas de saneamento e conservação das águas; a conquista da segurança no acesso à terra seja para trabalhar, seja para morar; a conquista da inserção em cadeias produtivas curtas e longas seja para gerar riquezas, seja para se alimentar de modo mais saudável, respeitando e valorizando a diversidade cultural. Para isso, o acesso ao crédito e às tecnologias adequadas para empreender precisam ser mais difundidos e baseados sobre a confiança nos saberes que os produtores acumularam nas suas vivências com os seus lugares de vida. Para isso, precisa romper com a arrogância tecnoburocrática que caracteriza muitos aparelhos do Estado brasileiro (Bresser-Pereira, 1972).
Ainda na esfera das dinâmicas políticas dos movimentos sociais e urbanos é preciso ampliar as capacidades para identificar potencialidades e bloqueios que permitam a inclusão ou alheamento de políticas públicas no território: saúde, educação, habitabilidade, combate à pobreza extrema e iniciativas de fortalecimento cultural. Como define o IICA (2013): “Há capacidades fundamentais (aquelas que envolvem as privações básicas, como acesso à educação e a condições mínimas de vida e de saúde), capacidades instrumentais (as que incluem habilidades para a produção, a gestão e o desenvolvimento de atividades ou dimensões específicas da vida econômica, política e social) e capacidades institucionais (aquelas que repercutem sobre grupos sociais ou segmentos inteiros da população das áreas onde se concentra a pobreza)”.
O modelo de desenvolvimento econômico que se pretende, na base da PEC 241, parece fundado na alta remuneração dos setores rentistas, na continuidade do consumo de uma minoria abastada e na arrogância tecnoburocrática, reforçado pela expressão do ódio e da ignorância de segmentos sociais em relação àqueles que mal ergueram a cabeça no período recente, ignora a diversidade e voltará a concentrar investimentos em parcelas do território nacional, onde já estão concentrados.
Na cidade a previsão é de acirramento dos embates que ocorrem em escalas locais entre a concepção de planos estratégicos de City Marketing, envolvendo a realização de grandes eventos e de grandes projetos urbanos, tais como os Waterfront, de um lado, e, do outro, as tentativas de recuperação dos investimentos públicos por meio de instrumentos de gestão urbana e de introduçãode um modelo de desenvolvimento urbano mais inclusivo para a maior parte da população (habitação, mobilidade e saneamento).
No campo, o desmonte do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) certamente compromete fortemente o desenvolvimento de políticas territoriais (Territórios da Cidadania) cujo objetivo principal era fortalecer a agricultura familiar e colocar em prática os direitos à terra dos assentados, indígenas, quilombolas, de modo a valorizar a diversidade cultural do país e a difusão de uma “alimentação adequada e saudável que valorize a sociobiodiversidade e as culturas alimentares”de cuja existência esses segmentos sociais são portadores (Maluf, 2015).
A capacidade de inovação instituída, o investimento e a população mais qualificada também está concentrada, principalmente, nos níveis mais elevados da rede urbana, as metrópoles, e nos demais pontos vantajosos do território por terem recursos minerais, florestais e produções do agronegócio, para a maximização do lucro e do crescimento. Essa tendência ao desequilíbrio da rede urbana e ao acirramento das desigualdades regionais é tanto maior quanto menos desenvolvida for a região e a cidade que a polariza justo porque a menor renda média e pouca importância atribuída às competências inovativas da população reforçam a concentração ainda maior dos investimentos e serviços nos poucos núcleos superiores da rede urbana (Fernandes In: Bitoun; Miranda, 2008)
As transformações econômicas recentes vão impactar fortemente o formato de desenvolvimento agropecuário, industrial e de serviços. Evidencia-se nessa perspectiva a necessidade de valorização das cidades intermediárias localizadas principalmente no interior do país. Nelas os poucos equipamentos existentes, imprescindíveis ao desenvolvimento econômico e social, estarão ainda mais sobrecarregados com o evidente distanciamento de uma plataforma de expansão das políticas sociais de proteção e redistributivas. Dessa forma ficaremos mais distantes de um desenvolvimento socialmente equilibrado, ambientalmente sustentável e politicamente participativo para os municípios brasileiros.
Em um país de dimensões continentais e de exuberante diversidade territorial, é preciso ampliar e fortalecer uma agenda ampla pelo direito à cidade, capaz de reconhecer resistências e contraposições em que se inserem os pequenos e médios municípios. As principais iniciativas de políticas territoriais, de caráter limitado mesmo se às vezes bastantes inovador, resultam da ação dos entes infranacionais, estados e municípios, destacando-se os últimos por estarem mais diretamente influenciados pela qualidade da sociedade civil. Houve então um número significativo de experiências inovadoras em municípios brasileiros, sem que isso compensasse o caráter instável e descoordenado de políticas territoriais nacionais de desenvolvimento regional em múltiplas escalas.

Jan Bitoun e Lívia Miranda
Jan Bitoun é professor de Geografia da Universidade Federal de Pernambuco e integrante da rede de pesquisa INCT Observatório das Metrópoles e da Rede de Pesquisas sobre Cidades Médias – ReCiMe.
Lívia Miranda, doutora em Desenvolvimento Urbano e pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles, é professora-adjunta na Universidade Federal de Campina Grande.


Referências bibliográficas
ARAUJO, T. B. Nordeste, Nordestes: que Nordeste? In: Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro: heranças e urgências. Rio de Janeiro: Revan: Observatório das Metrópoles, 2000.
Becker, B. K. Brasil - Tordesilhas, ano 2000. Revista Território, Rio de Janeiro, ano IV. n° 7, p. 7-23. jul./dez, 1999
Bresser-Pereira L. C.. Tecnoburocracia e Contestação. Petrópolis: Editora Vozes, 1972.
Bresser-Pereira, L. C. http://www.conversaafiada.com.br/brasil/bresser-pereira-perdemos-a-ideia-de-nacao
Bitoun, J.; Miranda, L. Desenvolvimento e cidades no Brasil: Contribuição para o Debate sobre as Políticas Territoriais. Recife: Observatório das Metrópoles, FASE, 2008.
CGEE. Regionalização para o Plano Plurianual PPA – Final Proposta para um Brasil Policêntrico. Brasília, 2007.
IPEA. Caracterização e tendências da rede urbana do Brasil: configurações atuais e tendências da rede urbana / IPEA, IBGE, UNICAMP. Brasília: IPEA, 2001. pp.85-86.
IICA, 2013. Práticas de desenvolvimento no Nordeste do Brasil: experiências dos projetos apoiados pelo FIDA. Brasília: IICA, 2013.
MALUF, R. Prefácio In GRISA, C.; SCHNEIDER, S. (Orgs.) Políticas públicas de desenvolvimento rural no Brasil. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2015.
THERY Herve; MELLO, N. A. Disparidades e dinâmicas territoriais no Brasil. Revista do Departamento de Geografia – USP, Volume Especial 30 Anos (2012), p. 68-91
WANDERLEY, M. N. B.; FAVARETO, A. A singularidade do rural brasileiro: implicações para as tipologias territoriais e a elaboração de políticas públicas. In MIRANDA, C., SILVA, H. (Orgs.). Concepções da ruralidade contemporânea: as singularidades brasileiras. Brasília: IICA, 2013. (Série Desenvolvimento Rural Sustentável; v.21), p. 413-472.
03 de Novembro de 2016
Palavras chave: Série especialDireito à cidadedesigualdadedesigualdades regionais

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Falta diversidade nas feiras literárias brasileiras, diz criador da FLUPP


Écio Salles, criador da Festa Literária das Periferias, critica falta de “insistência” em garantir a representatividade em eventos literários no país
A FLUPP acontece entre 8 e 13 de novembro, na Cidade de Deus (Foto: Divulgação)
A FLUPP acontece entre 8 e 13 de novembro, na Cidade de Deus (Foto: Divulgação)
Paulo Henrique Pompermaier
Desde 2012, quando foi criada no Rio de Janeiro, a Festa Literária das Periferias (FLUPP) já passou pelo Morro dos Prazeres, pela Babilônia, Mangueira e por Vigário Geral. Neste ano, em sua quinta edição, chega à Cidade de Deus a partir da próxima terça (8). “A gente percebia uma demanda por algum festival literário com envergadura na cidade que pensasse essa diversidade de territórios, que não excluísse a favela. E percebia também que tinha uma juventude que, a despeito dos dados sobre leitura no país, não só liam como gostavam de escrever. E a gente queria criar um canal para gerar oportunidades para esses jovens”, conta um dos criadores da FLUPP, Écio Salles.
Na programação deste ano há nomes como a dramaturga transgênero Jo Clifford, o rapper Mano Brown, a escritora negra Conceição Evaristo e o ensaísta alemão Hans-Ulrich Treichel. Para Salles, a diversidade – que na FLUPP aparece como uma “preocupação central” da curadoria – não é priorizada na maior parte dos grandes eventos literários do país. “As pessoas prestam muita atenção nas coisas feitas só por negros, mas ninguém se importa se um festival brasileiro, com artistas brasileiros, tem apenas brancos. Acham isso normal, acham que raça não existe”, critica.
Criada para ser um espaço de formação de novos autores e leitores nas periferias das grandes cidades, a FLUPP revelou nomes como Jessé Andarilho, publicado pela Objetiva em 2014, e Julio Pecly, que no ano passado lançou Cidade de Deus Z, pela Leya. Dez livros foram publicados desde o início das oficinas de formação, em 2012, e mais de cem nomes foram revelados. Em entrevista ao site da CULT, Écio Salles fala sobre a edição deste ano da feira e critica a falta de diversidade dos grandes eventos literários do país.
CULT – Falta representatividade e diversidades nos grandes eventos literários do Brasil?
Écio Salles – Eu acho que sim. Foi publicado nos jornais no ano passado a polêmica em torno da edição da FLIP sem autores negros e sem nenhum negro na curadoria. É claro, a gente conhece o Paulo Werneck, sabemos que não houve motivações racistas, mas por outro lado não há uma insistência em garantir a representatividade de diversidade brasileira nos grandes festivais, algo que para nós, na FLUPP, está sempre presente. Temos autores independentes de cor, raça, sexo, credo, mas sabemos que é muito importante existir também uma representatividade identitária, primeiro porque o país tem que se expressar em cor. Quando o Jailson de Souza, diretor do Observatório de Favelas, viu o público em uma edição da “FLUPP Pensa”, comentou comigo: “Puxa vida, isso aqui é o Brasil”. Porque tinha ali uma representatividade muito significativa, de pessoas de diferentes territórios cariocas, do Rio, muita gente da Baixada Fluminense participando, por exemplo, e gente de todas as cores e orientações sexuais, cada uma com as suas propostas e um diálogo que para nós é muito importante. Sabemos que o Brasil se formou de maneira que não favorece a preocupação com a inclusão e a diversidade, mas para nós é importante que isso exista, até para mostrar que, apesar de tudo, existem grandes autores negros, eles não são todos brancos. Se eles não estão presentes [nos grandes eventos literários] não é por falta, inexistência de bons escritores negros. Na nossa curadoria, sempre nos preocupamos em ter um equilíbrio entre autores homens e mulheres, de todo espectro de raça ou cor que existe e que, na verdade, resume o que é o Brasil. Nunca perdemos isso de vista, diferente dos grandes festivais, que não têm essa como uma preocupação central.
Uma festa literária como FLUPP mantém essa importância então, de garantir a diversidade?
Um dos aspectos que percebemos na forma como se organiza o Brasil, é que às vezes os considerados brancos não percebem os seus privilégios. E um dos privilégios que eles têm é justamente esse. As pessoas prestam muita atenção nas coisas feitas só por negros, mas ninguém se importa se um festival brasileiro, com artistas brasileiros, tem apenas brancos. Acham isso normal, acham que raça não existe. A gente procura, no nosso festival, incentivar essa diversidade e enfatizar esse aspecto, porque é importante dar visibilidade a escritores negros ou de periferia que têm um trabalho maravilhoso sendo realizado, até para que eles possam, também, se apresentar em outros festivais.
A FLUPP foi criada em 2012. Desde então, há uma projeção maior desses autores que participam do evento, e que estão fora dos eixos consolidados?
Historicamente a literatura brasileira tem algumas omissões muito importantes nesse campo. Por exemplo, o Lima Barreto foi marginalizado durante muitos anos e hoje parece inclusive que vai ser homenageado pela própria FLIP, o que é de uma importância histórica. O Lima foi o primeiro autor homenageado pela FLUPP. A gente dá muita atenção ao fato de termos homenageado o Lima Barreto, mas o festival era recém-nascido, então nosso impacto era pequeno na época. Mesmo assim foi importante. Uma autora como Maria Firmina dos Reis [considerada a primeira mulher a ser publicada no Brasil], por exemplo, que escreveu um romance incrível, é pouquíssimo citada por acadêmicos ou na própria história da literatura. Porém, uma geração mais recente, como Conceição Evaristo, para falar de uma escritora negra, e o Ferréz, pra falar de um escritor da periferia de São Paulo, têm ocupado um lugar cada vez mais destacado, então sem dúvida nenhuma que isso está melhorando. A gente só não pode achar que o fato de estar melhorando signifique que está resolvido, que os problemas acabaram. Ainda falta um longo caminho a ser trilhado, mas já avançou muito. A polêmica em torno da FLIP ano passado foi importante, mostrou que, pelo menos, não há mais silêncio sobre essas questões. As redes sociais colaboraram muito nesse sentido para que, pelo menos, possa haver alguma reflexão em torno dessas ausências, quando elas acontecem.
FLUPP 2016Quando: 8/11 a 13/11
Onde: Praça da Cidade de Deus (Praça Padre Júlio Groten) – R. Edgar Werneck, 1565 – Jacarépaguá
Quanto: Grátis
(Publicado originalmente no site da Revista Cult)