pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.

CONTEXTO POLÍTICO.

Análise e notícias atualizadas sobre a política de Pernambuco e do Brasil

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sábado, 5 de dezembro de 2015

O impeachment e a manipulação da crise

É necessário rechaçarmos o impeachment e a perpetuação da dominância financeira a favor dos mercados na gestão das contas nacionais.

Paulo Rubem Santiago (*)
reprodução
“A sociedade que elegeu Dilma não o fez para ser governada pela inércia dos números, por uma governabilidade encurralada pelo fisiologismo e pelos mercados, por ortodoxas metas de inflação anuais e seus juros cavalares, por câmbio flutuante e superávit primário pró-rentistas, muito menos pelas estruturas a favor dos movimentos especulativos. As alternativas econômicas e políticas existem, mas precisam agora, mais do que nunca, de liderança e vontade política para serem adotadas”

O Deputado Eduardo Cunha, Presidente da Câmara Federal, aceitou na última quarta-feira, 02 de dezembro, abrir o processo que poderá gerar o impeachment da Presidente Dilma. Acatando representação do Jurista Hélio Bicudo e outros, argumenta-se que o atual governo não segue a meta fiscal prevista na lei orçamentária e com isso descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal. No documento recebido por Cunha há também  argumentos quanto à prevaricação e à ausência de medidas preventivas de combate à corrupção. Quanto ao aspecto fiscal, o Congresso acaba de alterar a meta, algo legal e previsível. Quanto aos demais assuntos, há mais de um ano diversos orgãos da estrutura do estado, como Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário vem atuando em conjunto para investigar e combater os atos de corrupção denunciados nos contratos da PETROBRAS e outras empresas. A oposição, leia-se PSDB e DEM, faz duras críticas ao déficit público e à proposta enviada pela Presidente Dilma de assumir legal e transparentemente haver um déficit de mais de R$ 100 bilhões nas contas nacionais. Silêncio absoluto ou groseira manipulação de informações pairam, contudo, acerca das causas do déficit, dos contornos da atual política monetária, das altas taxas de juros e da explosão da dívida pública de curto prazo.E por que do déficit? Será culpa dos gastos exorbitantes com saúde, educação, segurança, previdência social, saneamento, habitação, PAC e bolsa-família? De jeito nenhum. Isso tudo e mais as despesas com a defesa e a ciência e tecnologia atingiram 4% do PIB em 2014. Já os gastos com juros da dívida pública, que sobe sempre que se eleva a taxa SELIC, a taxa de juros contra a inflação, chegaram a 6,2% do PIB. No primeiro bloco de despesas atendem-se 150 milhões de brasileiros. No segundo, de 25 a 30.000 CPFs e CNPJs de “investidores”. Entre setembro de 2014 e agosto de 2015 foram gastos com juros R$ 484 bilhões, quase cinco vezes mais que o orçamento da saúde no país. Se algum presidente pode e deve ser questionado não deve ser, na essência, pelas consequências, mas pelas causas do desequilíbrio das contas e da explosão da dívida pública. Nesse caso, teriam sido questionados FHC, Lula e até Dilma, mas também as Agências Reguladoras Internacionais de Avaliação de Risco, as empresas financeiras que alimentam a Pesquisa FOCUS, sobre as expectatiivas de inflação, feita desde 2001 pelo Banco Central, deve ser questionado seu Comitê de Política Monetária, o COPOM, que define a taxa SELIC, os analistas de mercado, muitos dos quais ex-presidentes e diretores do Banco Central e alguns "jornalistas" figurões do noticiário econômico. Por que? Porque se o governo adota tais medidas, todos eles defenderam e defendem as mesmas,  o aumento dos juros, que aumentam a dívida pública, provocam déficit, reduzem investimentos, puxam a queda do PIB, com brutal desvio de recursos da produção e do trabalho para a renda financeira. Nas entranhas, a tão falada Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo " desrespeito" agora é a âncora para o pedido de impeachment, apertou a relação receitas x despesas, mas liberou os gastos com a dívida pública. A Lei é de 2000, um ano após FHC assinar acordo com o FMI para sacar dólares, aceitando receitas amargas de condução da economia. Escancarou as portas do país ao capital externo, vendeu patrimônio, desamarrou salários da inflação passada mas manteve indexados a ela os contratos de áreas privatizadas ( energia e telecomunicações), jogou juros no espaço, quase triplicou a dívida pública. A crise de hoje é o preço pago pelo abandono de alternativas e das históricas bases sociais dos governos que sucederam FHC. Muito de nós, seus eleitores, avisamos sobre isso, cobramos, propusemos, fomos votos vencidos. Esse processo de impeachment é uma jogada golpista travestida de "responsabilidade fiscal". Com altos e até questionáveis sacrifícios à sociedade, Lula e Dilma baixaram a dívida pública líquida para 33,5% do PIB. FHC a recebeu em 24% e entregou em 60%. Ainda assim PSDB e DEM querem falar de responsabilidade fiscal. Cínicos e manipuladores. Ambos governaram com o mesmo PMDB de Cunha e Renan, como Collor e FHC. O que apuraram de seus prováveis maus costumes? Terão prevaricado também? Agora, quanto a isso, se houve, todos prevaricaram, inclusive a maioria do Congresso e sua Comissão Mista de Orçamento, Planos e Fiscalização, bem como as maiores bancadas, que decidem as matérias. Ou será que parte do Congresso prevaricou porque era financiada pelas empreiteiras? A superação dessa crise política, fiscal e econômica tem que vir por outros caminhos. É para cortar despesas? Cortem-se ou que sejam proteladas as que são improdutivas, que não geram mais infraestrutura, melhorias na condição de vida das pessoas, nem melhor gestão para o estado, cortem-se, por isso, as maiores parcelas, que sejam renegociadas, auditadas, como prevê a Constituição de 1988, em especial as que transferem receitas para os que vivem da remuneração de papéis públicos. Enfrentar a crise fiscal com mais desemprego, queda nos salários e aumento de lucros financeiros é um erro descomunal. Empresas não renegociam dívidas com bancos públicos? Não parcelam impostos sonegados junto à receita, por anos e anos ? Por que o estado não pode fazer o mesmo? A proposta de impeachment hoje, nesse contexto, é uma mistura de oportunismo com manipulação de desinformação fiscal para gerar crise política. O PT, embora sofrendo imenso desgaste, ainda tem bases sociais que querem outros rumos, embora sua cúpula não as ouça faz tempo. Outras bases sociais certamente apoiarão a mudança de rumos. Há propostas. A sociedade que elegeu Dilma não o fez para ser governada pela inércia dos números, por uma governabilidade encurralada pelo fisiologismo e pelos mercados, por ortodoxas metas de inflação anuais e seus juros cavalares, por câmbio flutuante e superávit primário pró-rentistas, muito menos pelas estruturas a favor dos movimentos especulativos. As alternativas econômicas e políticas existem, mas precisam agora, mais do que nunca, de liderança e vontade política para serem adotadas. Por isso é necessário rechaçarmos o impeachment e a perpetuação da dominância financeira a favor dos mercados na gestão das contas nacionais. Todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido.

(*) Professor da UFPE, Deputado Federal 2003-2014, foi Vice-Presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal, foi Titular da CPI da Dívida Pública
Autor do Requerimento de criação da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção (2004)
Foi Vice-Líder do PDT, atualmente é Membro da Executiva Nacional do PDT e Secretário Nacional de Assuntos Econômicos de Desenvolvimento do partido.
É Presidente da Fundação Joaquim Nabuco-FUNDAJ.


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Michel Zaidan Filho: O governador, o mosquito e o impeachment



 


A   imprensa chapa branca do Estado de Pernambuco (lembrar que o PSB comprou o Diário de Pernambuco) está lançando o nome do senhor Paulo Henrique Saraiva Câmara ao prêmio de “personalidade política do ano”. Se fosse de dono de jardim ou ajardinador de Gabinete, não tenho a menor dúvida de que seria um forte candidato. Mas, convenhamos, “personalidade política do ano”, é um pouco demais. Se estivéssemos na Primeira República e em meio a uma cruzada contra a febre amarela, talvez pudéssemos conferir ao senhor governador o prêmio Oswaldo cruz, em sua batalha encarniçada contra os mosquitos. Mas essa etapa (a” belle époque”) já se foi. O Brasil se civilizou, os turistas continuaram vindo ao nosso belo país, e as epidemias prosperaram. 

Se Oswaldo Cruz pudesse ressuscitar, constataria melancolicamente que a higiene pública fracassou no Brasil, apesar de sua heroica campanha, porque as políticas públicas e as campanhas de profilaxia que deveriam ser patrocinadas pelo Estado e que ganham materialidade através do tratamento de resíduos sólidos jogados nas redes de esgoto urbano, no calçamento das vias públicas, no tratamento da água potável, na educação ambiental, nos lixões e aterros sanitários etc., não são realizadas. Só quando um surto epidêmico desse ou daquele vírus ou bactéria toma as páginas dos jornais e as imagens da TV, corre o responsável pela administração pública para tomar “as devidas providências” de educação sanitária e de combate ao mosquito transmissor. Enquanto isso, as estatísticas da morbidez vão subindo assustadoramente e as campanhas do voluntariado (contra os mosquitos) tomam conta dos meios de comunicação.

Numa típica operação de inversão ou troca de responsabilidades o gestor vira herói e a população é responsabilizada pela propagação do vírus. A vítima torna-se réu, e o réu torna-se o “salvador da pátria”. É o caso de perguntar: qual é a parcela de responsabilidade do Poder Público no alastramento dessa epidemia? – Sobretudo, quando o secretario de Saúde é o Presidente do Conselho Diretor de uma Fundação Privada (o IMIPIP) que vem substituindo o velho e bom SUS na prestação dos serviços de Saúde em Pernambuco? – Os grandes cientistas e pesquisadores dessa fundação privada falam muito, mas ainda não conseguiram indicar conclusivamente as causas virais dessa atual epidemia de microcefalia em nosso Estado (ou seja, a relação do ZICA-VIRUS com a redução do perímetro cerebral dos nascituros e a relação dessa diminuição com a doença propriamente dita). 

Especula-se que estaria relacionada a um viríase chamada “ZICA-VIRUS” transmitida pelo multipropagador de doenças, o mosquito da Dengue! Esse inimigo público (não passível de processo judicial) do governador não é propriamente um desconhecido da população ou das autoridades sanitárias. Pelo contrário. É um velho conhecido que, vai-e-vem, volta a atacar e produzir estragos na população. Ora, qualquer médico sanitarista sabe que grande parte do problema está relacionado com o padrão da intervenção do Estado na criação de infraestrutura urbana adequada para que as condições higiológicas dos cidadãos sejam as melhores possíveis; sem o que correremos atrás dos prejuízos a vida inteira. 

Imagine o cenário de um Estado e uma metrópole, onde essa infraestrutura é extremamente precária, apesar da aglomeração urbana. O fornecimento da água é precário, a rede de esgotos tratados é mínima, como aliás revelou em entrevista ao Diário de Pernambuco a atual diretora da CPRH. A limpeza dos inúmeras canais que cortam o Recife não é feita ou demora muito a ser feita. A coleta e o armazenamento do lixo, deficitária (onde estão os aterros sanitários?). A poluição dos cursos d’água não é fiscalizada nem punida. E o sistema da saúde pública (já parcialmente privatizado) é uma calamidade.

Só com o concurso de uma imprensa sempre disposta a promover as autoridades públicas ao prêmio Nobel de administração, é possível transformar a vítima em réu e o réu em vítima e transferir responsabilidades para as famílias, as comunidades e a sociedade de modo geral.  Talvez a bancada governista pudesse votar – em regime de urgência – uma lei proibindo as mulheres de ficarem grávidas em nosso Estado. Além do controle da natalidade, ajudariam muito ao governador não ter de lidar com o aumento espantoso de casos de microcefalia. Mas aí as Igrejas aliadas do Chefe do Executivo não iriam aprovar.

Enquanto no Brasil inteiro se discute a continuidade ou não do mandato da Presidência da República e suas graves consequências para a sociedade brasileira, em Pernambuco a discussão política é outra: o mosquito da dengue transmite ou não transmite o ZICA-VÍRUS,  a microcefalia é com 33 ou 32 centímetros, o micro cérebro de 32 centímetros é ou não sinal da doença?  E o responsável pela administração pública comanda a população para o combate ao mosquito. Viva Oswaldo Cruz e seus bravos soldados na luta contra as epidemias nacionais. Falta quem queira combater o vírus da incompetência e da demagogia!

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD-UFPE




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Dilma: entre o golpe do impeachment e o relançamento do governo

Dilma: entre o golpe do impeachment e o relançamento do governo

Para que o povo se jogue às ruas para defender a legitimidade do seu mandato contra o golpe, Dilma precisa executar o programa eleito em 2014.



Ichiro GuerraJeferson Miola

Está claro que Eduardo Cunha estava determinado a acolher qualquer que fosse o pedido de impeachment da presidente Dilma. Ele aguardava apenas uma nova oportunidade e um pretexto.
 
A nova oportunidade surgiu semana passada, com as prisões do empresário João Carlos Bumlai e do senador Delcídio do Amaral, que debilitaram o governo e recrudesceram o clima golpista do impeachment, arrefecido com a reforma ministerial de outubro.
 
Já o pretexto foi a divulgação da posição dos três deputados do PT na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, que observaram posição partidária, de votar pela apuração da quebra de decoro parlamentar de Eduardo Cunha, que mentiu a respeito de contas na Suíça abastecidas com dinheiro de origem suspeita. Cunha agiu com o fígado, em represália ao correto posicionamento dos deputados petistas.
 
O país está diante de duas situações absurdas. Primeiro, porque terá início um processo de impeachment cuja denúncia não tem base jurídico-legal, e não se ampara na comprovação fática da prática de crimes de responsabilidade cometidos pela Presidente da República.
 
Em segundo lugar, porque o patrocinador de tão grave procedimento, o Presidente da Câmara dos Deputados, resiste no cargo por meio de chantagem e coerção que exerce sobre colegas parlamentares. Um sujeito desqualificado e desmoralizado que, mais cedo que tarde, terá seu mandato cassado e deverá ter o mesmo destino dos demais envolvidos na Lava Jato: o cárcere.
 
O impeachment se converteu na palavra de ordem da oposição desde o primeiro dia da reeleição da presidente Dilma, em 26 de outubro de 2014. A derrubada de Dilma foi o plano A, B, C até Z da oposição, inconformada com a derrota eleitoral. Em nome dessa obsessão golpista, o Brasil passou a conviver com um novo padrão político, inspirado na postura fascista da oposição venezuelana.
 
Desde o primeiro instante, eles seguiram o mantra lacerdista de que “Dilma não poderia assumir e, se assumisse, não poderia governar”: primeiro, lançaram suspeitas sobre o resultado eleitoral e pediram a recontagem dos votos; depois, tentaram impedir a diplomação pelo TSE; e, mais uma vez fracassados, ingressaram então com um pedido de cassação da candidatura de Dilma por supostos problemas de financiamento eleitoral – coincidentemente, os mesmos que afetariam o PSDB.
 
A oposição foi reforçada na tônica golpista da mídia oposicionista, tendenciosa, e pelo avanço seletivo da Lava Jato, coordenada de maneira estratégica e seletiva para atingir o governo e o PT; ainda que a maioria dos implicados na corrupção pertençam aos demais partidos, inclusive ao PSDB e ao DEM. Enfim, o condomínio policial-jurídico-midiático conseguiu empreender uma inteligente operação de desestabilização de um governo eleito democraticamente.
 
Mas não foi só a selvageria oposicionista que gerou a situação atual. Se o governo quiser se armar adequadamente para a nova etapa que se anuncia, é fundamental reconhecer os erros cometidos, que permitiram essa evolução dramática da conjuntura.
 
Devido aos sucessivos erros, o governo foi perdendo legitimidade, ficou isolado e com dificuldades de converter a partilha de ministérios em base de sustentação congressual. Apesar de ter distribuído ministérios importantes para ter apoio de 324 deputados, o governo na verdade não tem assegurados 171 votos para barrar o impeachment. Ou seja, o pragmatismo da sustentação congressual não é, necessariamente, uma garantia de eficiência para a sustentação do governo.
 
Dilma está emparedada entre o golpe do impeachment e o relançamento do governo. A história pode estar sendo generosa, lhe oferecendo uma saída para recuperar o terreno perdido. Esta pode ser a última oportunidade para o governo e para a própria Dilma.
 
Para não desperdiçar esta oportunidade, entretanto, o governo terá de compensar os últimos 11 meses perdidos e recuperar os vocábulos do crescimento e da retomada do desenvolvimento; e a Presidente terá de superar-se e mostrar-se “A Líder” com capacidade de reerguer o país.
 
No próximo período, não estará em jogo apenas a continuidade do mandato da Presidente, mas a sobrevivência da democracia brasileira. Ao povo não interessa o retrocesso. Mas, para que o povo desenvolva uma consciência política elevada e se jogue às ruas para defender a democracia e a legitimidade do seu mandato contra o golpe do impeachment, Dilma precisa executar nesta próxima etapa do governo o programa eleito em outubro de 2014.
 
O programa econômico em andamento, conflitante com aquele sufragado nas urnas, enfraquece a legitimidade da Presidente, e diminui cada vez mais a sustentação popular e congressual do governo. As causas são óbvias: programas sociais reduzidos, desemprego ascendente, inflação em alta, juros estratosféricos, ameaça aos direitos previdenciários etc.
 
Para se defender do golpe do impeachment, é fundamental também mudar a política econômica ante a crise do capitalismo mundial, para proteger os direitos das maiorias oprimidas. Dilma pode iluminar seu verão com a recomposição da sua autoridade moral e sua legitimidade popular no contexto da disputa ética que está em curso no país.

(Publicado originalmente no portal Carta Maior)

Créditos da foto: Ichiro Guerra
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Carta pública ao sr. Ministro de Estado da Educação, Alozio Mercadante.

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Senhor Ministro:
Foi com espanto e indignação que a CNTE, entidade que congrega mais de 4 milhões de trabalhadores das escolas públicas no país, tomou conhecimento de sua declaração sobre a formação de professores no Brasil, concedida em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, em 28 de novembro de 2015.
Afirmar que “se o Brasil formasse médicos como professores, pacientes morreriam” é, no mínimo, ignorar que a formação daqueles profissionais é tão precária quanto à dos professores. Ou Vossa Excelência desconhece os resultados da avaliação do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, que reprova a grande maioria dos médicos recém-formados nas universidades do Estado? Este parâmetro decepcionante, por si só, aponta para a necessidade de profunda melhoria no ensino superior brasileiro, em todas as áreas e não apenas na dos profissionais da educação.
Por óbvio que sabemos dos problemas que envolvem a formação inicial e continuada dos professores, majoritariamente egressos de faculdades particulares, que contam com a ajuda de dezenas de bilhões de reais do Poder Público sem que ofereçam a contrapartida que se espera delas.
Pior: a fiscalização débil dos órgãos de controle do Estado sobre essas faculdades apenas fomenta a ciranda financeira e mercadológica que se tornou o ensino privado e de má qualidade no país. E o Ministério da Educação possui responsabilidade direta sobre o assunto, pois além de reconhecer inúmeros cursos de péssima qualidade, ainda os financia – para 2016 estão previstos o reconhecimento de cerca de 500 novos cursos em faculdades privadas (sendo 188 só para o Grupo Kroton, conforme anunciou o Jornal Folha de SP, Caderno Mercado, A16, de 1º/12/15) e o orçamento da União prevê mais de R$ 30 bilhões para instituições particulares na forma de empréstimos aos alunos (FIES) e de bolsas do Prouni e do Pronatec, o equivalente a um terço do orçamento do MEC!
A CNTE luta para que a formação dos professores e dos demais profissionais brasileiros, em nível superior, prime pela qualidade em instituições públicas e privadas – sobretudo nas que recebem recursos públicos. E isso requer mais políticas públicas, a começar pela Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação, prevista na meta 15 e na estratégia 15.11 do Plano Nacional de Educação, que está com prazo de implementação vencido sem que o MEC tenha publicado o Decreto posto em consulta pública nacional ainda na gestão do ministro Renato Janine Ribeiro.
Os/As trabalhadores/as em educação do Brasil exigem respeito e políticas eficazes para reverter a situação de penúria de sua formação inicial e continuada. E as metas do PNE são o primeiro passo a ser seguido, sem titubeios ou retrocessos.
Ademais, temos certeza que a educação publica em nosso país é construída com muita garra por aqueles e aquelas que não desistem da luta de sua qualidade socialmente referenciada, e que trabalham nas escolas com empenho e solidariedade, cotidianamente, não obstante as inúmeras adversidades.
Brasília, 1º de dezembro de 2015

Diretoria Executiva da CNTE
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Michel Zaidan Filho: Até quando?

O noticiário impresso e televisivo dá conta de uma celebração de acordo de leniência entre a Construtora Andrade Gutierrez e a Procuradoria Geral da República para o pagamento de uma multa de 1.000.000.000, por participação fraudulenta nas obras da Copa do Mundo, particularmente na construção de estádios. A empresa fez o acordo para continuar participando de processos licitatórios com a União. A questão que fica é quando a Norberto Odebrecht fará o mesmo, em relação à construção da Arena Pernambuco, operação fraudulenta já denunciada pela Polícia Federal, através  da Operação "Fair Play". A delação do alto executivo da Construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht - preso em uma cela no Paraná - iluminaria muito a forma como foram feitas as diversas desapropriações  de terrenos e imóveis e o privilégio de ter sido a única empreiteira que abocanhou os bilhões gastos com um monumento à inutilidade social.
Mas interessante e esclarecedor seria conhecer os agentes públicos municipais e estaduais envolvidos com a fraude, na época. Em toda  operação fraudulenta (com a venda subavaliada dos imóveis do Cais Estelita, que produziu um prejuízo de 10.000 milhões de reais aos cofres públicos) há duas pontas: o corruptor e o corrompido. A prisão e a denúncia daqueles ricos empreiteiros envolvidos nos escândalos da Operação Lava Jato e de outras grandes obras públicas no Brasil, deve levar à investigação de que agentes públicos se beneficiaram desse esquema e da sua responsabilidade criminal e civil.
Isto é tanto mais importante em razão das sérias e profundas implicações que podem ter para as eleições já do próximo ano. Alguns desses eventuais implicados, que hoje ocupam funções públicas, serão candidatos  e a apuração célere e oportuna desmascarariam essas criaturas diante do eleitorado, produzindo uma necessária depuração do processo político brasileiro. O não esclarecimentos dessas candentes perguntas e questões só contribuem para a impunidade e a sensação de que o crime compensa (e muito) se não for descoberto a tempo e não prescrever; permitindo assim que o meliante faça carreira na vida pública e escarneça dos ingentes esforços das instituições brasileiras no sentido de passar a limpo a roubalheira e punir seus responsáveis exemplarmente. 
0 exemplo de banqueiros, empresários, políticos e altos funcionários públicos sendo presos, investigados e punidos não pode servir de uma estranha "catarse" para a sanha de vingança da população brasileira contra os políticos e a política. A execração pública de algumas notoriedades sociais não deve servir de cortina para a impunidade de servidores públicos que se encontram, por enquanto, a salvo dos braços largos da Justiça.
O povo pernambucano aguarda com ansiedade que esses braços alcancem os criminosos do nosso Estado que, valendo-se da presunção de inimputabilidade, venderam  o que lhe restava de espírito cívico em troca de uns milhares de reais. 

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD-UFPE.




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Tijolinho do Jolugue: Cunha empareda o PT. É hoje!





Há muito tempo que a imagem do Partido dos Trabalhadores vem sofrendo um profundo desgaste junto a alguns setores da opinião pública. Vários fatores contribuíram, de forma conjugada, para essa erosão de imagem, a começar pelo fracasso da tese de conduzir os negócios públicos dentro daquela ética republicana, à qual eles se aferravam, tempos atrás. Não foi o PT quem inventou a corrupção e, de fato, nunca se investigou e puniu tanto quanto nos governos da coalizão petista. Até recentemente, foi a Procuradoria-Geral da União que pediu a prisão do senador Delcídio Amaral, líder do Governo no Senado Federal, numa demonstração de independência de suas ações, algo que não se via nos governos tucanos. Ponto para Dilma Rousseff. Melhorou bastante a intenção de punir os malfeitos, assim como houve um incremento das ações dos órgãos de controle das contas públicas. 

Mas isso parece que não sensibiliza o cidadão comum, tampouco os coxinhas da classe média que, movidos, na realidade, por outras motivações, atiram contra o Governo todos os dias. Nosso quadro político é caótico, sem perspectivas de que hajam mudanças a curto prazo. Não com esses atores que aí estão. Os petistas estão sendo hostilizados em praça pública. Não podem almoçar em restaurantes, comprar livros, viajar de avião ou coisas do gênero. Mas, sempre há um fundo do poço. Talvez o fundo do poço do PT seja definido na tarde de hoje, com a votação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que definirá o destino do atual presidente daquela Casa, o Deputado Federal Eduardo Cunha(PMDB). 

O PT tem três votos no Conselho e o Cunha já avisou que, caso eles votem a favor do seu afastamento, ele acatará os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. É chantagem de baixo nível. O destino do PT - ou aquilo que resta dele - está nas mãos desses três deputados. Se eles se deixarem capitular pelas chantagens de Eduardo Cunha, então, estarão dando o golpe de misericórdia na agremiação. A presidente Dilma Rousseff já afirmou que paga para ver.
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Mais uma chacina cometida pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Até quando?

  Foto de rede social, tirada horas antes do fuzilamento (GuadalupeNews)

Os problemas de nossa Polícia, particularmente a Polícia Militar, são estruturais. Eles decorrem de inúmeros fatores, como a incapacidade de lidar com os padrões de precarização social de segmentos expressivos de nossa sociedade; a sua origem, bastante alinhada com os períodos de ruptura política vividos pelo país; Deficiências ainda muito graves no seu processo de formação. Possivelmente, se procurássemos, encontraríamos outras razões pelas quais poderíamos entender porque a nossa Polícia Militar é a que mais mata no mundo. Mas isso a gente deixa para os especialistas no assunto. 

De há muito se cogita a possibilidade de sua extinção, proposta sempre adiada, em razão do forte lobby político daquela corporação militar. Todos os dias, no entanto - e por todo o país - são registrados casos de operações equivocadas, ocultação de provas, chacinas, adulteração de cenas de crime, envolvendo a Polícia Militar. A última chacina ocorreu na Zona Norte do Rio de Janeiro, quando cinco jovens, amigos de infância, foram executados por três policiais militares. O jornalista Geneton Moraes Neto​, relata que se trata de um caso emblemático, quiçá um divisor de águas para que a sociedade possa repensar a atuação da PM. Aliás, pelo andar da carruagem política, repensar a sua própria existência. Não sei, Geneton. Na realidade, Essas operações, no jargão da própria polícia, tornaram-se o "padrão". Infelizmente.   

Se o critério for "casos emblemáticos", infelizmente, eles ocorrem todos os dias. De fato, a tragédia envolvendo a morte desses cinco jovens é algo chocante. Eles haviam saído para comprarem uns sanduíches, depois, de comemorarem juntos o recebimento do primeiro salário de um deles. Embora a Polícia Civil tenha informado que dois deles já tinham passagem pela polícia, no momento da chacina, eles não estavam cometendo nenhum delito, tampouco reagiram à abordagem policial. Aliás, suspeita-se de que tenha havido alguma abordagem. 

O que, de fato, ocorreu foi mesmo uma execução. Foram disparados 50 tiros. Os quatro policiais militares estão presos e responderão aos inquéritos militares e na justiça comum. Estão sendo acusados de homicídio doloso, assim como de adulteração da cena do crime, uma vez que tentaram "forjar" que os jovens haviam reagido. Um dos jovens ainda estava agonizando quando os parentes chegaram, mas foram impedidos de socorrê-lo. Não sei como me expressar para descrever tamanha crueldade. Externo meus sentimentos naquela lágrima que escorre do rosto de um pai enlutado, como na foto acima. Os jovens mortos foram: Roberto de Souza, 16 anos; Carlos Eduardo, 16 anos; Cleiton Correia de Souza, 18 anos; Wesley Castro, 20 anos; Wilton Esteves Domingos, 20 anos. 

Logo após esse episódio, li algumas coisas a respeito. Alguns textos pecam pelo preciosismo em tentar explicar, cientificamente, o comportamento da polícia numa sociedade como a nossa. Teorias existem muitas, assinadas por nomes credenciados do campo acadêmico. Mas, não raro, a prosa livre traduz de maneira mais didática aquilo que os teóricos tentam explicar. Num desses textos, sem aqueles clichês da academia, li o seguinte: Se você é pobre, se você é preto e se você é periférico, a polícia te matou ontem. Bem assim.
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domingo, 29 de novembro de 2015

Editorial: Para não dizer que não falei das flores.






Se o folclorista da Fundação Joaquim Nabuco, Mário Souto Maior, ainda estivesse vivo, iríamos fazer a ele uma sugestão: que ele ficasse atento às licitações em torno das compras realizadas para os palácios dos governadores. Há, ali, além das irregularidades e irresponsabilidades com o gasto do dinheiro público, algo que beira o folclore, daí o fato dessas licitações talvez interessar ao nosso folclorista. Mas esse não é o maior problema. Seria apenas uma sugestão, quiçá, para as suas pesquisas. 

O grande problema mesmo são os efeitos nocivos desses atos no que concerne ao interesse público, numa demonstração cabal da ausência de austeridade dos nossos governantes no uso do dinheiro público, conforme informou o cientista político Michel Zaidan, em artigo publicado no dia de ontem, aqui no blog. Já houve um tempo em que nos interessava mais este assunto. O descaramento é tão grande que nós desistimos de comentá-los. Neste quesito, não há racionalidade republicana no emprego de recursos públicos. A caneta corre solta. Afinal, como recomenda os bons costumes patrimonialistas, convém receber bem os convidados. 

Depois, essas políticas de austeridades só se aplicam mesmo aos súditos. A elite tem um estômago muito sensível. As listas são surpreendentes. Há alguns anos atrás, morava na Granja Santana, em João Pessoa - segunda residência dos governadores do Estado da Paraíba - uma jornalista um tanto quanto excêntrica. Madame elaborou uma lista com as despesas da Granja. Entre os itens licitados - além dos tradicionais camarões vila franca, calda de lagosta, carne de siri de primeira - a compra de 460 latas de farinha Lá
ctea, com previsão de consumo para 30 dias. Haja mingau.

Numa lista do Estado do Ceará, aparecia até o filé do Serigado, um peixe ameaçado de extinção.Nem o cuidado com o meio ambiente eles tiveram. Aqui em Pernambuco, não é a primeira vez que isso ocorre. O blog do Jamildo anunciou uma licitação que previa o gasto de R$ 90.000,00 em compra de flores para o Palácio do Campo das Princesas. Um escárnio. Da primeira vez, segundo fomos informados, a licitação teria sido cancelada. Esperamos que o bom senso prevaleça desta vez e eles voltem atrás nessa insensatez, com uma boa admoestação aos responsáveis por esses atos que depõem contra o interesse público. 
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sábado, 28 de novembro de 2015

Michel Zaidan Filho: Flores para o senhor Paulo Câmara




Um verdadeiro escárnio a notícia que circulou, ontem, no Blog do Jamildo, sobre um processo licitatório para comprar 90.000, 00 de coroas e arranjos florais para o Gabinete do senhor Paulo Henrique Saraiva Câmara. A princípio, pensei que podia haver alguma relação entre as coroas e os arranjos florais e os “anjinhos” que morreriam em razão da Chikungunya, da Microcefalia ou das outras moléstias transmitidas pelo mosquito da Dengue. Ou para as novas vítimas de homicídio que morram na cidade do Recife, ou ainda, para serem oferecidas como pedido de desculpas às inúmeras pessoas que são vítimas de arrastões nos pontos de Ônibus ou estações de Metrô, na capital pernambucana.

Num momento de tanta dificuldade financeira, com vários prestadores de serviço da Saúde sem receberem seus salários atrasados, com hospitais fechando por falta de dinheiro, escolas sem merenda ou sem poderem pagar o aluguel de seus prédios, aumento de impostos sobre os mais pobres, perda de emprego e redução da massa salarial dos trabalhadores, o senhor governador do Estado se preocupa em ornamentar seu Gabinete com um verdadeiro jardim de coroas e arranjos florais que custará aos cofres públicos a bagatela de 90.000,00.  Será que o senhor Câmara não tem mais com que gastar o dinheiro público, confiscado de seus concidadãos que andam de cinquentinha e usam telefone celular?

Depois, vem a proposta genial: fazer um mutirão com a população do Recife para caçar o mosquito da Dengue, transmissor das moléstias (ainda sem causa determinada) que colocam em risco a vida de mais de 400 crianças em Pernambuco. E onde se encaixa a Vigilância Sanitária, a Secretaria de Saúde, a Compesa(r), a Emlurb, o serviço da coleta de lixo, os médicos da família? – Só na propaganda cara e enganosa da televisão? – A Saúde Pública é dever e competência do senhor governador do Estado. Se ele não oferece adequadamente os serviços de limpeza pública, coleta de lixo, tratamento de esgoto, água tratada, vias públicas em perfeito estado de conservação, para que pagar impostos ou a conta da água (que não chega)? – Transferir a responsabilidade da limpeza e Saúde Pública para a população é um descaramento sem limites! (Nenhum população será educada o suficiente, se seus governantes não dão exemplo de austeridade e eficiência no trato do dinheiro público).

Pior é ver a cara(lisa) dos seus secretários e ajudantes: o distinto secretário de saúde, que administra o seu próprio negócio (o IMIP) no exercício do cargo. O que este cidadão tem a dizer sobre a Saúde Pública de Pernambuco? – Já a do IMIP vai bem muito obrigado!Será que não resta um pingo de interesse público nessa administração, para além das falácias da propaganda institucional da educação boa, da saúde boa, do voluntariado bom e do governo maravilhoso que nós temos?


P.S.: Pelo menos, lembre-se de enviar algumas dessas coroas para as famílias enlutadas com as doenças transmitidas pelo mosquito impatriótico da Dengue e das vítimas de homicídios e assaltos no estado de Pernambuco.

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPED-UFPE

Leia também:

Editorial: Para não dizer que não falei das flores
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O xadrez político das eleições municipais do Recife, em 2016: Há até um pedido de orações para que as eleições tenham um segundo turno.


José Luiz Gomes

Há algumas semanas onde nada acontece de muito importante no que se refere às próximas eleições municipais do Recife. Esta última semana, no entanto, foi uma semana um tanto quanto folclórica, se considerarmos alguns fatos. O ex-prefeito do Recife, João Paulo, que hoje ocupa a presidência da SUDENE, gravou um vídeo onde aparece dançando e cantando um frevo pernambucano em homenagem à semana dedicada ao combate à violência contra as mulheres. Até aqui tudo bem. A causa é nobre e merece todo o nosso respeito. O cantor e o dançarino é que não se saíram muito bem. Algumas pessoas o consideraram ridículo e apelativo. 

Ainda é muito cedo para se fazer qualquer previsão sobre o comportamento do PT nas próximas eleições municipais do Recife. Por várias razões, algumas óbvias, integrantes da legenda asseguram que o partido terá candidato próprio em 2016. Entre os postulantes, igualmente por razões óbvias, o nome de João Paulo sempre aparece na bolsa de apostas. Há alguns dias, o Deputado Federal Daniel Coelho, ao comentar sobre a possibilidade de uma eventual candidatura de João Paulo, teria formulado a seguinte hipótese: seria uma jogada de muito risco.Caso fosse mais uma vez derrotado, ele entraria no ponto de corte, ou seja, acumulando derrotas sucessivas, sua carreira política chegaria ao fim. 

Isso o levaria a ponderar bastante sobre mais uma postulação ao Palácio Antonio Farias. Faz algum sentido as considerações do tucano. Aliás, por falar em tucano, o próprio Daniel Coelho alimenta a possibilidade do lançamento do seu nome como representante do ninho para as próximas eleições municipais. Há uma briga de foice ali dentro. Nem eles mesmo se entendem. Integram o Governo de Geraldo Júlio(PSB), mas exercem uma ferrenha oposição ao prefeito na Casa de José Mariano. Um dos principais artífices dessa linha oposicionista é o vereador André Régis(PSDB). 

Vire e mexe, a também vereadora Aline Mariano é instigada a entregar a Secretaria de Combate ao Crack e Outra Drogas. O raciocínio dos socialistas é o de que, num contexto mais amplo, há uma possibilidade concreta dos dois partidos unirem forças nas próximas eleições municipais o que, em tese, provocaria um freio de arrumação nos projetos da legenda em relação ao Recife. Salvo algum acordo de bastidores, os tucanos, pelo menos aparentemente, estão dispostos a lançarem uma candidatura a prefeito no Recife. Até mesmo em documentos oficiais eles já explicitaram esse "desejo". Melhor seria "resolução". 

Ancorados no projeto eleitoral do partido para 2018, a ideia é lançar candidatos em todas as cidades com população acima de 200 mil eleitores. A questão é que, em política, tudo se resolve. Os socialistas tupiniquins apostam nessa hipótese.Esta semana o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, rejeitou uma proposta que previa a eleição direta de diretores de escolas de tempo integral. Atualmente a rede comporta poucas escolas com este perfil, mas o presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Paulo Rubem Santiago, observou, em sua página na rede Facebook, que logo esse número seria sensivelmente ampliado, permitindo ao prefeito as barganhas políticas inerentes à nomeação desses cargos de confiança. 

De bobo, ele não tem nada. Outro dia, responsabilizou o Governo Federal por todas as mazelas da gestão municipal. Logo após o "cozidão" de Jarbas, onde comentávamos sobre a desenvoltura do Deputado Federal Sílvio Costa, um blog local trouxe uma postagem sobre as costuras de bastidores envolvendo o nome do seu filho, o Deputado Estadual pelo PTB, Sílvio Costa Filho. Segundo a matéria, elas vão de vento em popa. Nós já suspeitávamos disso. Vamos aguardar um pouco mais, uma vez que o rapaz já andou retirando a candidatura em outras ocasiões. 

Correndo numa outra raia, hoje nos deparamos com um pedido de oração - e olha que estamos precisando de orações. Mas, este pedido de oração é, no mínimo, inusitado. O Deputado Estadual, pastor Cleiton Collins(PP) afirmou que iria pedir em orações que as eleições do Recife vá para um segundo turno. Penso que nessas orações ele deve incluir o nome da esposa, a vereadora Michele Collins(PP).  

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O roteiro do suicídio político do PT, que vai custar caro à esquerda.

publicado em 26 de novembro de 2015 às 11:26
haddad joao pedro1
Um vai em 2016, o outro em seguida…
por Luiz Carlos Azenha
Como escrevemos anteriormente, aqui e no Facebook, o mar de lama da Samarco teve também uma dimensão simbólica.
Explicitou que a captura das instituições públicas brasileiras pelo poder econômico é absoluta.
A Samarco disse que a lama não era tóxica, que estava “monitorando” a enxurrada, etc. etc.
A empresa e uma de suas controladoras, a Vale, assumiram papeis que cabiam ao Estado, dentre os quais distribuir água.
Das autoridades não saiu um pio, a não ser pelo anúncio de multas milionárias que afinal não serão pagas.
O governo de Minas cassou a licença para a Samarco operar em Mariana, como se ela ainda fosse capaz de fazê-lo.
Duas decisões judiciais tomadas no caso favoreceram a empresa: uma rapidíssima liminar para desbloquear a ferrovia por onde passa minério e o habeas corpus preventivo que impede a prisão do presidente da Samarco.
Toda uma bacia hidrográfica destruída, praias e oceano poluídos…uma verdadeira catástrofe.
Enquanto isso, quatro jovens foram presos por “crime ambiental”: sujaram de lama um corredor do Congresso.
É óbvio que esta múltipla falência de órgãos engloba o PT e o governo Dilma.
Um breve roteiro do suicídio político, incluindo apenas fatos recentes:
1. Ganhar uma eleição e governar com o programa econômico alheio;
2. Colocar toda a conta da austeridade nas costas dos trabalhadores;
3. Propor uma lei antiterrorista que, lá adiante, em 2018, servirá para a direita demolir os movimentos sociais, permitindo a ela aprofundar ainda mais, se necessário, a depressão econômica do Levy.
Para completar, Delcídio Amaral, denunciado aqui e aqui como homem que articulava barbaridades contra o Brasil e os movimentos sociais, é flagrado em conluio com um banqueiro para evitar uma delação premiada.
Por mais que seja um petista de DNA tucano, é o líder do governo Dilma no Senado!
A partir dos depoimentos, a mídia fará, obviamente, o que sempre fez: criminalizar alguns e poupar os seus.
Mas o suicídio político é do PT. Por exemplo, ao sugerir que sua bancada votasse pela soltura de Delcídio.
Para todos os efeitos, 25 de novembro é o dia em que o PT se afogou em público, sob os olhares dos 300 picaretas do Congresso.
O que virá? A delação do Cerveró, possivelmente do próprio Delcídio, do banqueiro Esteves… um efeito em cascata que vai arrastar gente graúda, com o efeito prático de paralisar o governo Dilma.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, um quadro de primeira qualidade, acusou o baque numa entrevista ao Estadão:
“Quando você tem um sonho de transformar a sociedade em favor da igualdade e você se desvia para se apropriar de recursos ou para beneficiar quem quer que seja, você está cometendo dois crimes: o primeiro é colocar a mão em recurso público, o segundo, você está matando um projeto político”.
Uma delicada nota de falecimento.
Quanto à esquerda que sobreviver ao PT, tem encontro marcado com a lei antiterrorismo logo ali adiante. A não ser que, como o PT, priorize os gabinetes.

(Publicado originalmente no site Viomundo)
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Tijolinho do Jolugue: A prisão do senador Delcídio Amaral.

 

A capital federal, nesta quarta-feira, dia 25, amanheceu em polvorosa, com a prisão do senador Delcídio Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul, numa operação realizada pela Polícia Federal, que também prendeu o banqueiro André Esteves, do Banco Pactual, assim como o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. Não se sabe o que virá em seguida, mas os ventos sopram em favor das instituições, dos mais legítimos interesses republicanos. 

A prisão foi pedida pela Procuradoria Geral da República e acatada, por unanimidade, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Nossas instituições republicanas estão bastante fragilizadas, mas, aqui e ali, há alguns lampejos de lucidez, como na decretação dessa prisão. Há provas materiais de um senador da República, líder do Governo, numa manobra para obstruir as investigações da Operação Lava Jato. 

Delcídio Amaral é um petista de linhagem tucana. Um petista do bico fino, talvez. E, a julgar pelo andar da carruagem política, ele já estaria envolvido nessas falcatruas desde os tempos em que se aninhava no ninho tucano, protegido pelo senhor Fernando Henrique Cardoso. Durante o Governo FHC, ocupou uma das diretorias da Petrobras. Seus diálogos - devidamente gravados - com Nestor Cerveró, outro ex-diretor da Petrobras que aderiu à delação premiada, previa que Cerveró não citasse seu nome no rumoroso caso da Refinaria de Pasadena, onde era acusado de receber propina.

O fato mostra que, mesmo diante desse pandemônio em que se transformaram os poderes Executivo e Legislativo, a Procuradoria da República mostrou autonomia e independência suficientes para pedir a prisão do líder do Governo no Senado Federal. Um fato, em si, alvissareiro, que abre um precedente para o pedido de prisão do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, mais sujo do que pau de galinheiro. Quando o assunto é falcatruas com o dinheiro público, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é campeoníssimo. Razões não faltam para ele ser afastado do cargo que ocupa, perder o mandato e ser encaminhado direto para a Papuda. Mas, por uma dessas circunstâncias da política, ele tripudia sobre os poderes da nossa combalida república, desafia a justiça, achincalha a Casa, ameaça opositores e conta, ainda, com o beneplácito de setores do PT, que temem pelo mandato da presidente Dilma Rousseff. 

Vejo aqui pelas redes sociais que os petistas estão "enfezados" com a "seletividade" de nossa justiça que, digamos assim, manda diretamente para a prisão preventiva um senador do Partido dos Trabalhadores e é incapaz de punir com o mesmo rigor o presidente da Câmara dos Deputados ou os corruptos de alta plumagem do ninho tucano. Mais uma vez vem à tona a figura do juiz Moro, uma personalidade emblemática e contraditória. Aprendi um pouco tarde que esta polarização não ajuda muito a entender alguns fatos. Ficam muitas coisas importantes nos intervalos. O raciocínio do brasileiro vai muito nesta linha. É bastante dicotômico, o que explica, em tese, nossa mania de apenas ver os defeitos do outro lado. 


Também não vejo muito como salutar tentar defender Delcídio, apontando o dedo contra Cunha. A rigor, o senador Delcídio Amaral é indefensável. Há provas materiais de suas conversas com Nestor Cerveró, oferecendo uma mesada para que ele não entrasse na delação premiada, assim como oferendo uma rota de fuga para que ele fugisse do país. Por unanimidade, os ministros da STF decidiram decretar sua prisão. Há provas de seu envolvimento no que diz respeito à obstrução da justiça, na operação Lava Jato. A mesada oferecida a Cerveró seria de R$ 50.000,00 mensais. Quem fez a gravação foi o próprio filho de Cerveró.

De imediato, sua prisão amplia o processo de erosão de imagem a que o Governo estava submetido. Num segundo momento, o partido terá que tomar uma decisão radical sobre a sua permanência nos quadros da agremiação. Um outro grave problema é que, diante de sua prisão - que poderá prolongar-se - vai que ele resolve entrar nessa tal de delação premiada, comprometendo ainda mais os já frágeis alicerces do governo de coalizão petista. É encrenca para todos os lados. Quando Dilma Rousseff parecia tomar fôlego, eis que é decretada a prisão do senador Delcídio Amaral, um arquivo vivo das ambientes pantanosos dos negócios públicos. 


 
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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A prisão do senador Delcídio Amaral. A República suspira.

A prisão do senador Delcídio Amaral. A República suspira. Culpa dos tucanos e de FHC

Publicado em 25/11/2015 às 15:30 por jamildo em Notícias
Por José Luiz Gomes da Silva
Cientista Político
A capital federal, nesta quarta-feira, dia 25, amanheceu em polvorosa, com a prisão do senador Delcídio Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul, numa operação realizada pela Polícia Federal, que também prendeu o banqueiro André Esteves, do Banco Pactual, assim como o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. Não se sabe o que virá em seguida, mas os ventos sopram em favor das instituições, dos mais legítimos interesses republicanos.
A prisão foi pedida pela Procuradoria Geral da República e acatada, por unanimidade, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Nossas instituições republicanas estão bastante fragilizadas, mas, aqui e ali, há alguns lampejos de lucidez, como na decretação dessa prisão. Há provas materiais de um senador da República, líder do Governo, numa manobra para obstruir as investigações da Operação Lava Jato.
Delcídio Amaral é um petista de linhagem tucana. Um petista do bico fino, talvez. E, a julgar pelo andar da carruagem política, ele já estaria envolvido nessas falcatruas desde os tempos em que se aninhava no ninho tucano, protegido pelo senhor Fernando Henrique Cardoso. Durante o Governo FHC, ocupou uma das diretorias da Petrobras. Seus diálogos – devidamente gravados – com Nestor Cerveró, outro ex-diretor da Petrobras que aderiu à delação premiada, previa que Cerveró não citasse seu nome no rumoroso caso da Refinaria de Pasadena, onde era acusado de receber propina.
O fato mostra que, mesmo diante desse pandemônio em que se transformaram os poderes Executivo e Legislativo, a Procuradoria da República mostrou autonomia e independência suficientes para pedir a prisão do líder do Governo no Senado Federal. Um fato, em si, alvissareiro, que abre um precedente para o pedido de prisão do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, mais sujo do que pau de galinheiro. Quando o assunto é falcatruas com o dinheiro público, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é campeoníssimo. Razões não faltam para ele ser afastado do cargo que ocupa, perder o mandato e ser encaminhado direto para a Papuda. Mas, por uma dessas circunstâncias da política, ele tripudia sobre os poderes da nossa combalida república, desafia a justiça, achincalha a Casa, ameaça opositores e conta, ainda, com o beneplácito de setores do PT, que temem pelo mandato da presidente Dilma Rousseff.
Vejo aqui pelas redes sociais que os petistas estão “enfezados” com a “seletividade” de nossa justiça que, digamos assim, manda diretamente para a prisão preventiva um senador do Partido dos Trabalhadores e é incapaz de punir com o mesmo rigor o presidente da Câmara dos Deputados ou os corruptos de alta plumagem do ninho tucano. Mais uma vez vem à tona a figura do juiz Moro, uma personalidade emblemática e contraditória. Aprendi um pouco tarde que esta polarização não ajuda muito a entender alguns fatos. Ficam muitas coisas importantes nos intervalos. O raciocínio do brasileiro vai muito nesta linha. É bastante dicotômico, o que explica, em tese, nossa mania de apenas ver os defeitos do outro lado.
Também não vejo muito como salutar tentar defender Delcídio, apontando o dedo contra Cunha. A rigor, o senador Delcídio Amaral é indefensável. Há provas materiais de suas conversas com Nestor Cerveró, oferecendo uma mesada para que ele não entrasse na delação premiada, assim como oferendo uma rota de fuga para que ele fugisse do país. Por unanimidade, os ministros da STF decidiram decretar sua prisão. Há provas de seu envolvimento no que diz respeito à obstrução da justiça, na operação Lava Jato. A mesada oferecida a Cerveró seria de R$ 50.000,00 mensais. Quem fez a gravação foi o próprio filho de Cerveró.
De imediato, sua prisão amplia o processo de erosão de imagem a que o Governo estava submetido. Num segundo momento, o partido terá que tomar uma decisão radical sobre a sua permanência nos quadros da agremiação. Um outro grave problema é que, diante de sua prisão – que poderá prolongar-se – vai que ele resolve entrar nessa tal de delação premiada, comprometendo ainda mais os já frágeis alicerces do governo de coalizão petista. É encrenca para todos os lados. Quando Dilma Rousseff parecia tomar fôlego, eis que é decretada a prisão do senador Delcídio Amaral, um arquivo vivo dos ambientes pantanosos dos negócios públicos.
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Crônicas do cotidiano: Ainda o Panopticum da cidade universitária.






José Luiz Gomes



Num dos seus livros, uma espécie de oficina para novos autores, o escritor Raimundo Carrero​ fala sobre uma voz que acompanha os escritores, sempre que eles estão envolvidos na produção de um novo livro. Quando atingimos um certo padrão de envolvimento com a escrita, de fato, essa voz passa a nos acompanhar a todo momento, ao ponto de acordarmos, à noite, sobressaltado pelos pensamentos. Por vezes, também ficamos absortos durante o dia. Se a literatura é uma espécie de loucura,certamente, esse é um dos fatores que nos enlouquecem.Ficamos ansiosos para reproduzir essa voz no papel, porque parece alguém ditando para a gente, algo que já tenha sido revisto, lá por cima, por Flaubert, Joyce, Kafka e Graciliano Ramos. Já vem pronto.

O poeta Marcus Accioly nos falava, em suas aulas, sobre os hábitos esquisitos de alguns escritores, como aquele - não sei se o autor de Madame Bovary - que costumava se inspirar no cheiro de maçãs podres na gaveta de sua escrivaninha. Ao falar ou escrever sobre determinados assuntos, costumamos nos emocionar bastante. Uma desta vez, ao encerrar uma fala, alguém observou que havíamos falando com o coração. As maçãs podres estão por todas as partes, não necessariamente inspirando grandes obras da literatura. 


Esse preâmbulo, vem a propósito de um dos últimos artigos escritos pelo professor Michel Zaidan Filho, intitulado " O Panopticum da cidade universitária", sobretudo quando ele manifesta suas preocupações sobre o que vem ocorrendo na Universidade Federal de Pernambuco, algo, que, de certa forma, se aplica a uma boa parte de nossas instituições federais de ensino superior. Pior: uma metástase que já atingiu outras instituições de pesquisa. 


Ao falar neste assunto, parecia que dava para ouvir a voz do mestre, numa das suas aulas, palestras ou bate-papo informal. Reparem que aquilo não está escrito. É, muito mais, uma fala, um desabafo com o propósito de atingir os ouvidos mais sensíveis. Desabafo de alguém que dedicou uma vida ao ensino superior, construiu uma sólida carreira acadêmica, orientado por posturas e princípios que lhes custaram muito caro. Praticamente, nunca se afastou do circuito acadêmico.


Há muito tempo que se fala de uma suposta crise no "campo acadêmico", para usarmos um conceito do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Seja nos seus ritos - direcionados a "pulsão de morte' da produção taylorista de artigos -, seja nos seus processos "seletivos" de novos atores - procedimentos profundamente marcados por "critérios" que amarram interesses escusos; seja nas suas finalidades, orientadas por motivações individualistas, de vaidades pessoais, bem distante do interesse público. O artigo de Michel Zaidan é um artigo para ser lido com muito carinho, pois trás reflexões importantes sobre os rumos - ou desacertos - da academia. 


Existem problemas de financiamentos, mas aqui invocamos uma crise eminentemente moral. Ética. Uma crise de princípios, onde seus membros estão sendo submetidos a uma centrífuga de interesses mesquinhos, personalistas, tacanhos, corporativos. Uma engrenagem perversa, que incorpora os piores expedientes do campo político, como a cooptação, a corrupção, as negociatas, os acordos espúrios, a subserviência, a observância rígida às "regras do jogo". Daquele jogo. Num campo contaminado como este, como observa o professor Zaidan, era de esperar que, quando a instituição fosse instigada a pronunciar-se sobre a perseguição a um dos seus membros, por delito de opinião; na defesa das liberdades públicas; abrir-se às legítimas reivindicações de sua comunidade; respondesse com a "omissão", com as práticas persecutórias, ou com a "convocação" de tropas policiais para invadirem o campus.


P.S.: Cumpre esclarecer que nem todos se deixaram comprometer por este processo. Aqui e alhures existem honrosas exceções.



Não deixe de ler também:


O Panopticum da cidade universitária
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Há alguns anos, quando ainda estávamos no batente de sala de aula, fomos conhecer uma experiência inovadora em educação pública municipal desenvolvida numa cidade do litoral cearense. Fomos com um grupo de quarenta alunos, num programa de uma disciplina da universidade, sob nossa coordenação. A proposta surgiu em sala de aula, quando discutíamos exatamente tal experiência, algo que motivou grande interesse da turma. Fizemos o contato com o prefeito da cidade e a recepção da proposta foi a melhor possível, com a prefeitura local se propondo a atender todas as nossas necessidades de logística, alimentação e acomodação. Sair um pouco do conforto da sala de aula para expor o alunado a situações reais enfrentadas no cotidiano de experiências concretas fora sempre uma tônica do nosso trabalho. Nem sempre nos deparávamos com situações agradáveis, mas sempre era algo que agregava valor à formação do alunado. Nessas pesquisas, encontramos algumas experiências curiosas, como um projeto desenvolvido no município de Jaboatão dos Guararapes, por um prefeito do MDB, na década de 80, surpreendentemente inspirado no modelo de educação implantado em Cuba após a Revolução. Ao longo das décadas seguintes, percebemos existir ali no município um ambiente favorável às políticas educacionais inovadoras, independentemente das questiúnculas políticas ou ideológica, o que se traduz em algo alvissareiro. Em outros momentos, por exemplo, conhecemos a realidade menos turísticas da cidade de Gravatá, que, em sua periferia, concentra localidades habitadas por pessoas empobrecidas que enfrentam grandes dificuldades sociais, assistidas por ONGs, cujos membros eram nossos alunos. À exceção de experiências positivas como a desta cidade do Ceará, nos deparávamos com alguns contextos preocupantes, como o caso de uma cidade do interior do estado de Pernambuco, onde havia uma grande exploração da mão de obra infantil e as crianças da cidade, ao invés de brincarem e atenderem às exigências da frequência à escola, eram submetidas ao trabalho de descascar as castanhas de caju, atividades que corrompiam sua digitais físicas e humanas. A seiva da castanha apagava as digitais dos seus dedos. Hoje, já não acompanhamos o que ocorre em termos de políticas educacionais na cidade do Ceará, Aracati, mas aquela experiência passada nos deixaram boas lembranças até hoje. Ainda somos daqueles que ficam felizes com a felicidade dos outros, e neste, caso, os nossos alunos e alunas ficaram muito felizes com a experiência. Para completar esta felicidade, que também ninguém é de ferro, ainda existia o atrativo da antiga Vila de Pescadores de Canoa Quebrada, uma das praias mais belas do litoral brasileiro. Desde então, estabelecer este link entre a teoria de sala de aula com as experiências reais desenvolvidas nas comunidades tornou-se um marca de nosso trabalho. Quando líamos uma matéria, publicada por uma revista de circulação nacional aqui em Pernambuco, mas precisamente na cidade de Goiana, cidade da Zona da Mata Norte do Estado, não tivemos qualquer dúvida de que estávamos diante de uma realidade que precisávamos conhecer. O que deu ensejo à matéria, realizada por duas abnegadas jornalistas, foi o relançamento das obras do sociólogo Pernambucano, Josué de Castro, por ocasião do primeiro Governo Lula. A motivação da matéria era a de identificar quem seriam esses homens caranguejos da atualidade, como eles viviam, em que condições se encontravam tantos anos depois da publicação dos textos do sociólogo. Ali encontraram o Seu Jipe, ou José do Nascimento, um cidadão dedicado à captura do caranguejo Uçá. As repórteres fizeram uma verdadeira imersão na comunidade, onde passaram uma semana, relatando aquela realidade, de homens e mulheres sofridas, numa cadeia produtiva mantida exclusivamente pela pesca, captura de crustáceos e retirada de mariscos, esta última atividade mais afeita às mulheres. A conclusão da matéria é que, passado tantos anos da publicação da obra Geografia da Fome, os problemas enfrentados pelos moradores da comunidade de São Lourenço não eram distintos daqueles descritos pelo sociólogo pernambucano. Outro dia discutíamos aqui um elenco de livros que todos os brasileiros precisavam ler, independentemente de sua formação acadêmica. A Geografia da Fome é um deles, pois diz muito sobre as nossas seculares desigualdades sociais, principalmente sobre o seu componente político subjacente, víscera exposta no livro, conforme apontava o professor Manuel Correia de Andrade. Desde então, nossas frequências à comunidade se tornaram recorrentes, a cada semestre letivo. Criava-se uma grande expectativa sobre essa aula entre os alunos novatos da Instituição. Até mesmo alunos e alunas de outros cursos demonstravam interesse em acompanhamos no nosso trabalho. Fazíamos uma campanha de donativos para a comunidade, de crianças criadas com leite de caranguejo, nos mesmos moldes descritos pelo poema Homens e Caranguejos, concebido por Josué de Castro, ao observar as precárias condições de vida das comunidades ribeirinhas dos bairro alagados do Recife. Outro dia, curiosamente, encontramos uma dissertação de mestrado acerca da experiência do sociólogo com a literatura. Preferimos o sociólogo. Fizemos grandes amigos na comunidade, a exemplo da professora Carminha, Serginho da Burra, o seu Jipe, ou José do Nascimento, Dona Sebastiana, Dona Lourdes, entre outros tantos. A lista é enorme. Os problemas da comunidade quilombola ainda permanecem. Mesmo obtendo o reconhecimento como uma comunidade quilombola, ainda se mantém os problemas relativos à inserção produtiva dos moradores locais, os problemas ambientais - em razão dos projetos de criação de camarão em cativeiro - problemas relativos à intolerância religiosa entre evangélicos e praticantes de religiões de matriz africana - organização e empoderamento das marisqueiras locais. Consideramos pertinentes deixar essas questões registradas em algum local, até mesmo como homenagem aos moradores locais. Passamos a estudar a formação daquela comunidade e descobrimos coisas interessantes. Num passado remoto, ali ficava o epicentro do Quilombo do Catucá, que foi um dos maiores quilombos do Brasil, ficando abaixo apenas do localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, que recebia o nome de Palmares. Era um quilombo gigantesco, seja em número de pessoas, seja no que concerne à extensão geográfica, pois incorporava parte do Recife, e algumas cidades da Região Metropolitana , como Paulista, Abreu e Lima, Itamaracá e Goiana. Segundo os estudos do historiador Marcus Carvalho o Quilombo do Catucá era um quilombo móvel e tinha a sua origem numa região conhecida hoje como Cova da Onça, no Curado. Na cidade de Goiana, o quilombo ficaria localizado entre os distrito de São Lourenço e Tejucupapo. O quilombo foi liderado por Malunguinho, que se tornou uma entidade dos cultos de Jurema Sagrada, sempre muito festejado numa determinada época do ano, nas Matas do Catucá, na cidade e Abreu e Lima. Na realidade, Malunguinho, como afirmamos no romance, na Mata é Rei. Trata-se de uma entidade venerada por todos os cultos de religiões de matriz africana da localidade. É o grande protetor daquelas matas. Há um fato curioso de ancestralidade, ou seja, como essa entidade sagrada interferiu diretamente sobre um grande problema que a comunidade enfrentou, quando da instalação de uma fazenda de criação de camarão em cativeiro nos manguezais locais, mas deixamos tal desfecho para a leitura dos nossos leitores. Segundo o professor Marcus Carvalho, haveria controvérsias sobre o próprio nome ou a entidade Malunguinho. O nome poderia ter origem na forma como os negros que vinham do continente africano para serem escravizados no país tratavam os companheiros, todos conhecidos como malungos. Por outro lado, existem registros, passíveis de comprovação, de recompensas oferecidas pela sua captura no estado. Imagina-se, igualmente, tratamos aqui de uma hipótese, que o quilombo poderia ser dirigido por um colegiado de líderes, todos conhecidos como Maluguinhos. Escritos nos estertores da experiência autoritária que o país quase sucumbiu recentemente, com seus reflexos nas instituições públicas, resolvemos emprestar ao romance este ambiente institucionalmente turvo, emprestando ao romance - com o perdão pela pretensão - um espírito kafkiano, marcado pelos assédios institucionais, pela aplicação dos torniquetes que se tornaram rotineiros entre as instituições públicas brasileiras que se dedicavam ao trabalho, às investigações e ao desenvolvimento de políticas públicas que não se coadunavam com as perspectivas políticas que se tentou imprimir ao país naquele momento, a exemplo das comunidades quilombolas, indígenas, minorias LGBTQIA+, além de uma tendência misógina observada na gestão pública desde 2016. O país vive, desde o processo de colonização portuguesa, tão admirado por aquele sociólogo, sob um encilhamento caracterizado pelo racismo estrutural, pele desigualdade social e pelo flerte autoritário. Há uma grande permeabilidade a essas práticas no país. O livro já está disponível em nosso perfil da plataforma da Amazon, podendo ser acessado pelo link que aparece na foto.

Romance Tramas do Silêncio

Romance Tramas do Silêncio
O romance reconstitui, historicamente, a decadência da industrialização têxtil no país, a partir de uma experiência observada na cidade-fábrica de Paulista, localizada na região Metropolitana do Recife, em Pernambuco. Durante o seu apogeu, o município ostentou a condição de maior polo têxtil da América Latina, situação que o coloca como um indicador seguro para entendermos como este ciclo de industrialização se deu em todo o Brasil, pois as indústrias do Grupo Lundgren, em Paulista, se constituíam numa espécie de termômetro ou parâmetro seguro para avaliarmos o que ocorria neste setor da economia no país como um todo. Este é o terceiro dos romances tratando deste assunto, abarcando o ciclo da industrialização têxtil no município desde às suas origens, com o romance Menino de Vila Operária; apogeu, com o romance Memórias de uma Cidade Tecida; e, finalmente, Tramas do Silêncio. Além de abordar o processo de decadência da indústria têxtil no município, o romance envereda pelas consequências daí decorrentes, uma vez que tudo, absolutamente tudo no município girava em torno dessa indústria, a Companhia de Tecidos Paulista. Como ficaria a cidade com o encerramento de suas atividades? O que fazer com o espólio de construções históricas do período? Qual a memória a ser preservada? A da oligarquia industrial – representada pelo clã da família Lundgren - ou a memória da luta dos trabalhadores e trabalhadoras por sua emancipação? A indústria fechou suas portas na década de 80 do século passado, mas, já na década de 60, refletia a crise no setor têxtil que se observava no plano nacional, de onde não haveria mais retorno, exceto pelo interregno da fase do Milagre Econômico Brasileiro, decorrente da fase inicial desenvolvimentista da ditadura militar implantada no país com o Golpe Civil-Militar de 1964. Milagre que durou muito pouco, pois o santo era de barro. O que perdurou por longos 21 anos foram os danos políticos e institucionais daí decorrentes, como a supressão de direitos, liberdades civis e a perseguição aos adversários, com seus reflexos no município, elementos que são, igualmente, tratados no romance. O texto está dividido em três partes. Na primeira parte abordamos os problemas enfrentados pela indústria têxtil naquele período histórico específico, envolvendo, inclusive as sucessivas greves ali verificadas, aguçando, até o limite do possível, o conflito entre capital e trabalho. A greve de 1962 é a mais emblemática entre elas, pois ocorre num ambiente político extremamente favorável à classe trabalhadora, significando conquistas importantes, embora não duradouras, pois, logo em seguida, dois anos depois, ocorreu o Golpe Civil-Militar de 1964. Naquela oportunidade perdida para que o país pudesse encontrar o seu verdadeiro rumo, tínhamos na Presidência da República João Goulart e no Ministério do Trabalho, Almino Afonso. No Governo do Estado de Pernambuco, Dr. Miguel Arraes, que proibiu a sua Polícia Militar de reprimir as manifestações legítimas dos trabalhadores. A segunda parte enfoca as consequências da queda das atividades da indústria têxtil no município, pois existia um padrão de interdependência bastante acentuado entre esta indústria e os moradores locais, uma relação que extrapolava o caráter estritamente produtivo, atingido outras esferas, como a moradia - existia uma vila operária – assim como os roçados da companhia, que produziam alimentos para a população local. Naquele momento histórico específico, o município entrou numa fase de orfandade produtiva, talvez uma anomia social daí decorrente, pois a cadeia produtiva havia sido rompida. No seu período áureo, estima-se que a indústria têxtil do município chegou a empegar 20 mil trabalhadores em suas duas fábricas de tecido. O cinema, o Clube dos "assustados", os festejos tradicionais, a exemplo do Natal, período em que as chaminés ficavam iluminada e com uma grande estrela, algo que permaneceu na memória durante décadas. Há uma discussão bastante interessante no texto sobre o papel das mulheres em todos os movimentos de contraposição entre capital e trabalho no município. Curiosíssimo este aspecto, uma vez que, ouvida pelo antropólogo José Sérgio Leite Lopes, uma fiandeira daquele período explica essa movimentação mais ativa das mulheres por uma razão aparentemente numérica. Afirma que sempre as mulheres foram maioria entre os empregados da companhia, uma explicação que não nos convenceu totalmente, principalmente quando se sabe que, mesmo o sindicato local sob intervenção, elas se dirigiam ao sindicato da Várzea para acompanharem as movimentações da categoria. Há até um fato emblemático aqui. Elas peitaram os coronéis para a liberação de uma hora nos seus turnos aos sábados para realizarem a feira. Na terceira e última parte, abordamos o quadro de ebulição política que exista no país naquele momento, no início da década de 60, de muita agitação política, sindical e estudantil, em torno das reformas de base que país reclamava, que envolvia questões relativas à reforma agraria, educação de adultos, entre outras, e como tal momento se refletia no município. Historicamente, como se sabe, tais reformas foram abortadas pelo golpe de classe articulado pelas forças conservadoras consorciadas com os militares, produzindo longos dias de trevas para o país. Como esses acontecimentos se refletiram entre os moradores do município, que registra casos de torturados, mortos e desaparecidos no período? Um dos casos mais emblemáticos neste aspecto é o que ficaria conhecido como o Massacre da Granja São Bento, onde seis guerrilheiros da VPR foram mortos, entre eles a paraguaia Soledad Barrett, de quem reproduzimos no texto seu último poema, que ela dedicou a sua mãe. O livro já está disponível na plataforma da Amazon. Acesse pelo link que aparece clicando na capa.

MENINO DE VILA OPERÁRIA.

MENINO DE VILA OPERÁRIA.
O romance Menino de Vila Operária recebeu o sinal verde de três editoras antes de vencer o nosso primeiro Concurso Literário, em 2022. A primeira edição impressa está completamente esgotada. Até recentemente, fizemos algumas mudanças pontuais no texto original, mas nada que alterasse seu sentido mais amplo. Coisa de quem escreve, que nunca fica plenamente satisfeito com o resultado do trabalho. Sempre há a possibilidade de um enxugamento, de uma lipoaspiração. No texto original, aquele que foi publicado, tivemos que fazer uma ginástica tamanha para incluir, já no final do texto, um episódio abjeto que ocorrera na Comunidade Quilombola de Cuieira, onde um delegado de polícia, a serviço da ditadura do Estado Novo, promoveu um verdadeiro massacre na comunidade, derrubando barracos, espancando mulheres e crianças. Tivemos que arranjar, de última hora, um jogo do nosso time de várzea, o glorioso Monte Castelo Futebol Clube, onde, na comunidade, o líder quilombola local faz uma explanação sobre aqueles episódios repugnantes, movidos pela intolerância religiosa. Segundo Graciliano Ramos, precisamos submeter o texto a um processo de lavagem, enxágue e enxugamento, preferencialmente sob um sol de 40 graus, como fazem as lavadeiras do litoral alagoano, até ficarem convencidas de que as peças de roupa estão pronta para a exposição nos varais da secagem. O velho Graça era tão exigente no processo de escrita que nunca ficou satisfeito com o texto de Caetés, seu primeiro romance publicado. Nem mesmo quando críticos literários do porte de um Antonio Candido apontaram qualidades no livro. Humilde, recebia as ponderações positivas, mas sempre emendava, ranzinza, que o livro não prestava. Em relação a Vidas Secas, foram tantas as reconsiderações e cortes procedidos pelo autor, que sua esposa, em determinado momento, teria comentado que, caso ele continuasse os cortes não ira sobrar mais nada. O lançamento do seu primeiro livro também enfrentou inúmeras dificuldades. Até o original que fora encaminhado ao editor chegou a ser extraviado. Coube a Jorge Amado e Rachel de Queiroz juntar os papéis perdidos, em sua casa de Alagoas, com a ajuda de sua esposa, para reenviá-lo ao editor Augusto Frederico Schmidt. Graciliano, depois de tantos aborrecimentos, havia desistido da publicação, que não saía há três anos, jogando suas anotações fora. Começara a ponderar se tal publicação não saía em razão da pouca qualidade do texto. Na realidade, o mercado editorial, já naquela época, enfrentava algumas dificuldades. Hoje se sabe que, na verdade, Frederico Schmidit havia perdido os originais que lhes fora enviado, ficando constrangido em admitir este fato ao escritor alagoano. Cumprida essa etapa, onde acaba passando algo que talvez nos arrependêssemos depois, a grande expectativa que se forma é em razão da recepção do público e da crítica. Para nossa felicidade, o texto foi muito bem recebido pelo público, o que, afinal, é o mais importante. Ainda apresenta algumas falhas - que poderiam ter sido evitadas - mas isso faz parte do aprimoramento do processo de escrita. Ernest Hemingway escrevia 100 páginas, para afirmar, no final, que apenas cinco delas prestavam. Isso não quer dizer que desprezamos as considerações da crítica, sejam de caráter positivas ou negativas. Assim, também ficamos felizes com tais ponderações, que já começam chegar, através de pareceres dos editores que aprovaram a publicação do livro. "A obra é uma narrativa poética sobre a vida de um menino de classe trabalhadora, que vive numa vila operária. O conteúdo se destaca pela profundidade emocional e pelas descrições vividas, que nos permitem mergulhar na história do personagem. Além disso, o autor demonstra uma capacidade de expressão notável ao abordar os mais variados temas e sentimentos como a solidão, desigualdade social e luta pela emancipação. Portanto, acredito que este livro tem potencial para tocar os corações, tendo em vista a força de sua narrativa e qualidade de sua escrita. Sem dúvida será um sucesso de vendas" Prof. Dr. Rafael Ferreira. Na condição de professor universitário, cientista político e pesquisador, textos científicos, ensaios, relatórios de pesquisa nos são familiares. Neste caso, entretanto, procuramos usar uma linguagem mais prosaica para tratar de um assunto bastante sério: o processo de industrialização têxtil na cidade-fábrica de Paulista, localizada na Região Metropolitana do Recife, que, a rigor, se confunde com o processo de industrialização têxtil do Nordeste brasileiro, quiçá do país, uma vez que as indústrias têxteis do grupo Lundgren, ali instaladas, no período do seu apogeu, transformar-se-iam nas maiores do Brasil. O Parque Têxtil de Paulista, igualmente neste período, chegou a ser considerado o maior da América Latina. Entremeado a esse processo de industrialização, seus reflexos na vida cotidiana dos trabalhadores e trabalhadoras, o que implicou em inúmeras inferências – não menos importantes – sobre aspectos relativos à organização econômica, social, cultural e política da cidade, a partir da relação estabelecida entre a companhia e os seus operários, abrigados na vila operária. “Menino de Vila Operária”, trata-se, portanto, de um romance histórico, memorialista, regionalista, com traços autobiográficos. O primeiro de uma série, uma vez que estamos escrevendo outros dois romances sobre o mesmo tema, abarcando, não apenas o momento de surgimento - tratado neste primeiro tomo - mas, igualmente, os momentos subsequentes, de apogeu e declínio da industrialização têxtil naquele município. O livro está dividido em três partes: Na primeira parte, fazemos um retrospecto histórico, que vai desde a chegada do comendador Herman Theodor Lundgren ao Recife até o momento dos seus investimentos no distrito, quando a cidade é transformada numa espécie de feudo, em razão do controle econômico, político e social ali imposto pela família, transformando a região numa cidade-fábrica. A família tornou-se dona de tudo - parafraseando o sociólogo Gilberto Freyre numa referência ao domínio absoluto dos senhores de engenhos na Zona Canavieira do Estado de Pernambuco - das terras, das matas, das águas, da vila operária, das fábricas, das máquinas, do porto, da ferrovia, do campo de aviação. O mais curioso é que o monopólio do uso da força era exercido por eles através de uma milícia armada que impunha o temor para assegurar os interesses da família. Sobretudo na primeira parte do romance tratamos dessas questões, o que, como disse antes, reconstitui este recorte importante da História Regional. Na segunda parte, a partir de uma experiência pessoal e familiar, reconstituímos como era a vida na Vila Operária, uma das maiores da América Latina, chegando a ter, no seu apogeu, mais de seis mil habitantes. Aqui, de fato, entramos nos aspectos mais "romanceados" ou ficcionais do romance, embora muito marcado pelas memórias reais da infância do autor. Importante ressaltar, neste segundo momento, os elementos do padrão de relações estabelecidas entre a oligarquia industrial e os operários que residiam na Vila Operária. Embora marcadamente biográfica, esta segunda parte é mais solta, inventiva, ficcional em alguns momentos. A terceira parte é uma continuação da segunda, pois aborda o processo de fundação do nosso clube de várzea, o Monte Castelo Futebol Clube, time representante da Vila Operária em competições locais. Ao longo do texto, várias questões importantes vão sendo postas, tratadas amiúdes, como as atrocidades cometidas por essa milícia armada, que agia à revelia da lei, sem a interdição do aparelho de Estado; o já incipiente processo de degradação ambiental do município; a hegemonia econômica e política do Grupo Lundgren sobre a cidade e seus moradores; a luta sindical dos operários, assim como as dificuldades de o Grupo Lundgren admitir a possibilidade de organização sindical ou sujeitar-se à legislação trabalhista incipiente, que começa a entrar em vigor na vigência da ditadura do Estado Novo; as indisposições políticas do grupo com a interventoria do Estado Novo, representada por Agamenon Magalhães, amigo pessoal de Getúlio Vargas e um dos atores mais representativos do regime; uma eventual- e não menos polêmica - simpatia da família Lundgren pelo regime nazista; entre outros temas não menos importantes. No seu diário Tempo Morto & Outros Tempos, o sociólogo Gilberto Freyre deixa escapar, entre outras inconfidências, que gostaria de escrever uma história dos meninos no Brasil. Amigo fraternal de José Lins do Rego, alguns estudos chegam a sugerir que o paraibano poderia ter se inspirado nesta proposta para escrever o seu Menino de Engenho. É igualmente suspeita a proximidade de publicação de Casa Grande & Senzala(em 1933) e Menino de Engenho( em 1932). É como se eles houvessem combinado algo. Em última análise, Gilberto também escreveu um texto tratando dos meninos, se considerarmos que Casa Grande & Senzala é sobre um Brasil menino, pois trata de nossa origem colonial. Lemos Menino de Engenho mais de uma dezena de vezes, sempre com o mesmo encantamento. Neste aspecto, este editor foi até mais sortudo do que o escritor paraibano. Menino de Engenho foi recusado por três editoras e o autor teve que bancar a primeira edição, com tiragem de dois mil exemplares, vendidas rapidamente. O nosso “Menino” foi premiado em concurso e publicado por uma grande editora. O historiador Durval Muniz de Albuquerque, fez uma ponderação importante, durante uma palestra na Fundação Joaquim Nabuco, sobre essa questão do resgate histórico. Há algumas memórias que precisam ser esquecidas. Quem tem fixação por resgate é o Corpo de Bombeiros e o SAMU. No nosso terceiro romance sobre o processo de industrialização no município, em seus capítulos finais, fazemos algumas considerações sobre este assunto. Qual é a memória que, de fato, precisa ser resgatada no município? Na nossa opinião é a memória dos trabalhadores e trabalhadoras, não alfabetizados ou semialfabetizados, deslocados de zonas do interior de estados como Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que chagam à cidade no afã de encontrarem torneiras que, invés de água, jorravam leite; paredes de rapadura e montanhas de cuscuz. O que encontravam, na realidade, era um grande sofrimento, submetidos a turnos de até 12 horas de trabalho, dependentes de um emprego que pagava baixos salários e reféns da moradia no Vila Operária. Ao perderem o emprego, também perdiam suas casas. Essa História, a História dos trabalhadores e trabalhadoras está resgatada em nossos três romances sobre o tema. Uma pena que alguns desses personagens já não estejam entre nós, como meus pais; os melhores amigos de infância, como Dunda, Larry e Gera; o sapateiro Cícero; o barbeiro Português; Dona Tile e Biu Boião; Tonha da Porca; Biu Doceiro; o alfaiate Borba; Mané-Vê-Dois; Severino Bucho-Azul e Totonho Papa-Figo, a quem dedicamos dois livros infanto-juvenil. A versão digital do texto já se encontra disponível em nosso perfil da Amazon, podendo ser acessado no link disponibilizado na capa. É só clicar. Boa leitura.

MEMÓRIAS DE UMA CIDADE TECIDA(ROMANCE)

MEMÓRIAS DE UMA CIDADE TECIDA(ROMANCE)
APRESENTAÇÃO: Corre-se sempre um risco, ao prefaciar um romance, em incorrermos na perspectiva de eleger, consoante nossos critérios e não de acordo com os critérios do autor do texto, aqueles aspectos que consideramos os mais importantes e relevantes na obra. Mas, afinal, aprendemos logo cedo que o texto, sobretudo o texto literário, possui características específicas, entre as quais a subjetividade, que permitem ao leitor extrair a sua própria percepção sobre a narrativa, nem sempre coincidentes com as do autor – tampouco do prefaciador - preferencialmente não coincidentes. Mesmo num romance histórico e memorialista, com traços autobiográficos, como é o caso de Memórias de uma Cidade Tecida, situarmos o livro no contexto da época pode não ser suficiente para informar ao leitor o que, de fato, ele encontrará na leitura do texto. Estaríamos dando conta apenas da primeira parte do livro quando, logo em seguida, há dois outros momentos da narrativa igualmente cativantes aos leitores. Mas, se ainda nos limitarmos apenas aos aspectos históricos, o romance traz um conjunto de informações das mais importantes sobre as relações sociais e políticas estabelecidas entre uma oligarquia industrial e os operários de uma vila operária localizada numa cidade-fábrica da Região Metropolitana do Recife. Paulista, na realidade, podia perfeitamente ser considerada à época como uma grande fazenda controlada, em todos os aspectos, pela família Lundgren, que, assim como afirmava Gilberto Freyre, numa alusão à hegemonia absoluta da aristocracia açucareira nordestina na Zona da Mata, era dona das matas, das águas, das terras, das máquinas, das fábricas, do porto, do aeroporto, da vila onde residiam os operários e operárias. Para exercer esse controle absoluto sobre a cidade, o grupo contava com uma milícia armada, disposta a impor à força a vontade do clã familiar sobre os moradores locais, domínio que se estendia para muito além dos limites das fábricas de tecidos, alcançando as dimensões social, religiosa, política e cultural dos moradores locais. Sugere-se que os próprios locais escolhidos para a instalação dessas indústrias tenham sido astuciosamente pensados para manter esses operários menos suscetíveis às influências das metrópoles. Tal situação foi mantida desde o início do século passado até meados da década de 60, quando ocorre um declínio da indústria têxtil no país inteiro, com seus reflexos sobre o que ocorria naquela cidade. Somente pelo apanhado dos aspectos históricos, embasados em trabalhos acadêmicos e na História Oral, já recomendaríamos a leitura do texto. Mas, as qualidades do romance não se encerram apenas no que concerne à abordagem dos aspectos dos padrões de relações estabelecidos entre os operários e os donos da fábrica de tecidos, ao longo de décadas, onde pode-se observar, inclusive, uma microfísica da resistência das mais relevantes e exitosas, em alguns casos, encabeçadas pelas mulheres. Curioso que as mulheres operárias iriam exercer um papel determinante no que concerne às maiores conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras da companhia. O romance também é um romance de costumes, que faz uma análise do ambiente doméstico para uma avaliação de relações sociais mais amplas, como os hábitos sexuais dos moradores locais, numa época em que a virgindade feminina ainda era um tabu, meu caro Michel Foucault. Podemos assegurar que há relatos interessantíssimos por aqui, numa verdadeira reconstrução da arqueologia sexual dos moradores locais. Nessa história do cotidiano dos operários e operárias podem ser encontrados os elementos que nos permitem analisar, de forma mais complexa, a sociedade semifeudal que se tornou aquela cidade, onde, diferente das cumplicidades entre colonizadores e escravizados da sociedade colonial, conforme ainda sugeria o antropólogo Gilberto Freyre, o exercício do poder da oligarquia industrial era imposto, nada minimamente consensual ou consentido, sustentado numa relação de extrema dependência, ora do emprego, ora de uma autorização para residir numa das casas da Vila Operária mantida pelo grupo. Quando partimos para a análise sobre a vida dos meninos da Vila, aí entramos numa parte extremamente gostosa da narrativa, que nos permitem uma leitura prazerosa, capaz de nos fazer recordar de nossas mais tenra infância, das peladas na chuva, banhos de bica, as brincadeiras de burrica, corrida no saco, subida no pau de sebo, empinar pipas ao vento, encher-se de contentamento com a invernada e a revoada das tanajuras, as corridas de patinetes que desciam desembestados pelas ladeiras locais, as pescarias e os banhos de riachos, onde se podia dá uma de jia nos açudes, contemplando as cambalhotas dos pássaros tizius ou o festival de cores das saíras-sete-cores. Com sorte, a saíra-pintor também marcava presença junto às nascentes do Balde da Levada, repletos de bambuzeiros. Como afirma o autor, a Vila era marcada por muitas adversidades – todas magistralmente resgatadas durante o texto, seja no seu aspecto cotidiano das famílias, seja no desequilíbrio de forças exercido entre a companhia e os operários - mas também era uma festa, o que ensejava momentos de grandes gestos de solidariedade e irmandade entre os moradores, que davam sempre um jeito de se divertirem. Nos capítulos finais, cenas tristes do estigma ou preconceito existente à época sobre os portadores de hanseníase que residiam num hospital colônia instalado próximo à Vila Operária. Na década de 20\30 pouco se sabia sobre o tratamento dos doentes e a solução encontrada foi a de isolá-lo de suas famílias, criando verdadeiras cidades destinadas aos portadores da doença. Emocionante o drama de uma criança infectada pelo bacilo, que descreve o processo de estigma social que passou a ser submetido pelos antigos colegas que o acompanhava nas sessões de cinema de sua cidade natal. Isolado na cidade do medo, o autor escreveu dois livros tratando deste assunto, com relatos chocantes sobre o drama vivido por ele e pelos moradores do local. Parte dessa narrativa está resgatada no romance Memórias de uma Cidade Tecida. A cidade de Paulista, onde foi ambientando o romance, rigorosamente, em todos os aspectos, foi uma cidade tecida. A família do comendador Herman Theodor Lundgren chegou ao município no início do século passado, adquirindo uma modesta fábrica de sacarias para armazenar açúcar, transformando-a, anos depois, num dos mais pungentes parques têxteis da América Latina. Os fios desse novelo, por outro lado, foram tecidos a um custo muito alto pelos trabalhadores e trabalhadoras locais, aspectos argutamente resgatados pelo autor, que teve a acuidade de observar em sua narrativa como aqueles pedais foram movidos. Como diria um nordestino raiz, a cidade jamais escapou dessa sina ao longo de sua existência. Há, na realidade, uma grande curiosidade e inquietação entre pessoas comuns e entre estudos acadêmicos em se saber como, de fato, se davam esse padrão de relação entre a oligarquia industrial e os moradores da Vila Operária. Há alguns bons trabalhos acadêmicos produzidos sobre o tema, mas nenhum deles desce às minúcias do cotidiano como este romance escrito por José Luiz Gomes da Silva, relatando os acontecimentos com a autenticidade de quem conviveu com eles, seja em seus momentos bons, seja em seus momentos difíceis, trocando ideias com Seu Pedro, um pescador que residia na Vila mesmo antes da implantação da fábrica de tecidos. Bons papos aqueles, sob o sombreiro das enormes castanholas do quintal. Seu Pedro acompanha o autor nos três romances escritos sobre o ciclo da industrialização têxtil no município. A experiência acadêmica do autor, por outro lado, estabelece uma conexão entre a teoria acadêmica e os conflitos ocorridos entre o capital e o trabalho naquela cidade, recorrendo-se ao sociólogo francês Pierre Bourdieu para observar a teatralização da dominação; ao filósofo Michel Foucault quando da abordagem sobre a microfísica da resistência; aos historiadores Engels e Edward Thompson, quando trata das discussões de ambos os autores sobre as condições de vida e de trabalho dos operários têxteis ingleses no século XIX; ao canadense Erving Goffman, ao se debruçar sobre o problema do estigma e do preconceito contra os portadores de letra à época; a Foucault, mais uma vez e de forma divertida, quando da discussão sobre a história da sexualidade e da loucura na Vila Operária. Não é pouca teoria, quando se sabe, por exemplo, que Karl Marx, que se encontrava na França à época, tornou-se comunista depois de tomar conhecimento dos relatos chocantes de Engels sobre como era a vida dos operários e operárias na fábrica que a família mantinha na Inglaterra. Curioso que a fonte privilegiada de Engels foi uma operária com quem ele manteve um relacionamento. Não é nada simples a tarefa de conceber e conduzir um romance, talvez ensaístico, sem perder o foco de uma narrativa com todas as características de um romance literário, como um conflito que se esboça, com letras amargas, desde o início do texto, estabelecido entre os operários, representado pela família do narrador, e o capital, representado pela indústria têxtil. Como o autor escreveu não um, mas três romances sobre o tema, no último deles há uma abordagem sobre a decadência da indústria têxtil local, provocada por inúmeros fatores, o que poderia ser entendido como um desfecho do enredo. Neste caso, aconselhamos a leitura não de um, mas dos três romances escritos com essa temática, desde as suas origens, Menino de Vila Operária, ao seu apogeu, Memórias de uma Cidade Tecida, e, finalmente, Tramas do Silêncio, sobre a fase de decadência da indústria têxtil no município e suas consequências para a população local. O livro pode ser adquirido na plataforma da Amazon, através do link https://a.co/d/6LEmxsf .











O ano de 2021 foi um ano bastante ativo em termos de produção literária para este editor. Participamos de alguns concursos e tivemos a satisfação de ver nosso trabalho reconhecido por alguns gentis examinadores, seja no gênero romance – já selecionado e em processo de produção pela editora– no gênero crônicas, onde tivemos premiada uma coletânea de crônicas literárias, em concurso na terra das Alterosas, Minas Gerais, e, igualmente no tocante ao conto, tivemos a honra de ver um deles selecionado pela Academia Penedense de Letras, Artes, Cultura e Ciência, APLACC. O gênero conto, conforme observava Machado de Assis, é um dos gêneros literários mais difíceis. Exige muita concisão e enxugamento, para usarmos uma expressão do grande escritor alagoano, Graciliano Ramos, que comparava o ofício de escrever ao das lavadeiras, que batem as roupas até elas perderem toda a gordura e sujeiras. Graciliano foi, entre os nossos homens de letras, certamente, o mais “enxuto”. Morreu insatisfeito com os resultados do seu primeiro romance, Caetés, mesmo depois dos elogios de Antonio Candido. Possivelmente, o mais importante nesses concursos seja a possibilidade de acompanharmos o nosso aprimoramento no ofício de escrever. É uma oportunidade de avaliarmos o nosso trabalho. José Lins do Rêgo tinha uma grande amizade, fruto de uma verdadeira veneração pelo sociólogo e amigo Gilberto Freyre, uma espécie de mentor literário do paraibano. Somente mais recentemente tomamos conhecimento de que praticamente toda a sua produção literária era, antes, submetida ao crivo do sociólogo, que fazia observações, considerações e sugestões, numa estratégia da consagração conveniente a ambos. Sabe-se lá se o paraibano seguia à risca todas as recomendações do sociólogo, mas nunca deixou de ouvir o amigo. O conto deste editor, selecionado pela Academia de Letras da Cidade de Penedo, cidade do estado de Alagoas, é um conto simples, singelo, inspirado em experiências da infância. Severino Bucho-Azul foi um personagem que habitou nosso imaginário desde a mais tenra infância. Adulto, resolvemos homenageá-lo através deste conto. Numa autocrítica, depois de uma leitura menos apaixonada, não ficamos satisfeito com o seu final, mas ele cumpre, rigorosamente, toda a estrutura exigida por este gênero literário, o que, certamente, levou os avaliadores a selecioná-lo. Esta indagação sobre a estrutura de um conto é um dos momentos mais delicados desse gênero literário. Há enormes controvérsias em relação ao assunto. Nos micro contos, por exemplo, toda essa "estrutura" fica creditada à imaginação do leitor, o que é algo muito subjetivo.


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José Luiz Gomes: Cientista Político, Professor Universitário, Romancista, Cronista, Contista, Ensaista, Articulista.

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