Em algum momento saberemos de quem se trata. Inquirido a este respeito, o oficial optou por não declinar o nome do suposto "amigo". Nenhum possibilidade a este respeito está sendo descartada. Em que circunstâncias o áudio foi gravado? Haveria autorização do ofical para a sua gravação e posterior divulgação? Como a revista teve acesso ao material? Mauro teria sido vítima de uma armação, com propósitos explícitos de tumultuar o andamento das investigações sobre a tentativa de golpe do 08 de janeiro, possivelmente a hipótese mais provável? Neste caso, quem teria "plantado" o áudio com tal objetivo? Civis? militares?
Assim como ocorreu em inúmeros episódios surreais que envolveram a tessitura da tentativa de golpe do 08 de janeiro, sugere-se que estamos diante de mais um deles. Neste caso, mais uma vez, o tiro saiu pela culatra, prejudicando sensivelmente a situaçaõ já complicada do militar Mauro Cid, que voltou à prisão e corre o risco de ter o seu acordo de colaboração premiada anulado. A gravação, a divulgação ou o teor do áudio, feriu frontalmente os termos dos acordos celebrados entre o oficial e a Polícia Federal. Durante o depoimento do dia de ontem, 22, no STF, Mauro Cid confirmou o conteúdo do áudio, com críticas à Polícia Federal.
O áudio, no entanto, não alterará em nada a linha de condução das investigações que estão sendo procedidas pela Polícia Federal, em comum acordo com o Supremo Tribunal Federal. Temos a convicção de que não haverá condescendência com os conspiradores da tentativa de golpe de Estado. Os atores políticos e civis que tramaram contra as nossas instituições democráticas arcarão com as consequências de seus atos. Nas coxias, sugere-se que os bolsonaristas teriam comemorado o episódio, que poderia produzir uma narrativa contra a condução dos trabalhos de investigação, que poderia favorecer a defesa de outros implicados. O tiro saiu pela culatra.
No mesmo momento em que era decretada a prisão do militar, agentes da Polícia Federal saía às ruas à procura do possível interlocutor do ex-ajudante de ordens da Presidência da República. Buscas foram realizadas em sua residência e o telefone de sua esposa foi apreendido. Com uma eventual extinção do acordo de delação premiada, sua família, que estava protegida pelos termos do acordo, teme por possíveis novas consequências.




