Estávamos lendo no dia de ontem, 31, uma matéria sobre a estratégia de comunicação do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Trata-se de uma estratégia centrada em alguns eixos eficientes ao ponto de torná-lo hoje um presidente pop star. Onde ele aparece, são multidões de jovens tentando tocá-lo, fotografá-lo, num frenesi típico do que ocorria no passado com os integrantes da banda The Beatles. Não é apenas a redução dos índices de violência no país, assim como a introdução do polêmico CECOT que produziram, sozinhos, essa reação. Há mais elementos em jogo. O CECOT, inclusive, é um modelo de prisão que viola os mais elementares direitos humanos, ancorada em ilegalidades, como julgamentos coletivos, prisões arbitrárias e até execuções, conforme se especula. Estamos diante de um estado de exceção.
Hoje, dia primeiro, o editorial do terrível editorialista do Estadão é sobre o fetiche que o modelo dessa prisão está exercendo sobre alguns dos candidatos presidenciais no país, a exemplo de Renan Santos, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro. Renan Santos, que teve sua candidatura suspensa recentemente, fez uma verdadeira cruzada pelo país com propostas que deixariam o próprio Bukele de queixo caído. Ele consegue ser mais radical do que o presidente de El Salvador. Flávio conversou recentemente com o secretário de segurança pública daquele país, onde teria deixado escapar para a imprensa que o Brasil prende pouco. Deveria ter consultado os seus assessores antes, porque somos a terceira população carcerária do mundo, mantendo preso em condições talvez até piores do que em El Salvador sob algumas circunstâncias.
No Paraná, o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, andou anunciando que, se eleito, irá construir um presídio de segurança máxima no país com o nome de El Salvador. Bukele, na realidade, vem fazendo escola por todo o continente. É o queridinho do presidente dos Estados Unidos no contexto da Operação Escudo das Américas. Prisões inspiradas em seu modelo do CECOT vem sendo construídas em alguns países do continente. A população brasileira está desesperada com esta situação do avanço do crime organizado. Realmente algo precisa ser feito e urgentemente, mas no escopo, como observa o editorialista, do respeito à Constituição.

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