pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : junho 2026
Powered By Blogger

terça-feira, 2 de junho de 2026

Editorial: Cuide dos seus bolsonaristas que nós cuidamos dos nossos.


Combater o crime organizado através da formação de grupos paramilitares parece não ser um dilema moral para o bolsonarista raiz. Na condição de eleitores, sugere-se que eles não se importam com a origem dessa corrente política, mesmo tendo acesso a informações como as trazidas a público no livro A República das Milícias, do cientista político Bruno Paes Manso. Se assim o fosse, eles não estariam disputando voto a voto as próximas eleições presidenciais, inclusive num momento em que a população, desprotegida, acaba se inclinando a referendar propostas radicais, a exemplo do que vem ocorrendo na Colômbia, onde Espriella lidera a corrida presidencial, com grande chance de se tornar o próximo presidente daquele país.  

Antes mesmo da Justiça Eleitoral determinar os prazos regulamentares da disputa de 2026- estamos ainda na pré-campanha -  o combate ao crime organizado já vem ditando o ritmo daquelas eleições pelas redes sociais. ACM Neto, que concorre ao Palácio de Ondina,  esteve realizando sua tomadas num zona abandonado da periferia de Salvador, onde os criminosos expulsaram os moradores locais. O deputado federal André Fernandes(PL-CE), do Ceará, faz isso praticamente todos os dias, assim como uma série de candidatos que buscam o voto dos seus eleitores. No Ceará acontece uma coisa engraçada. O pai de André Fernandes, Alcides Fernandes(PL-CE), é candidato ao Senado Federal na chapa de Ciro Gomes(PSDB-CE), assim como ocorre com o capitão Wagner, hoje um grande aliado do antigo desafeto Ciro Gomes. 

Ambos são vinculados ao bolsonarismo no estado. Tão vinculados que antes até disputavam entre si quem teria a primazia de representar o bolsonarismo no estado. Ciro recebe muitas críticas em relação a este posicionamento, mas sempre responde que os seus bolsonaristas são fichas limpas. Ciro é vítima de uma contingência da correlação de forças políticas no estado. Para enfrentar a máquina petista em condições efetivas de competitividade não haveria outra saída que não uma aproximação com essas forças políticas conservadoras no estado. 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Editorial: Ciro na festa do Pau de Santo Antônio.

 

Crédito da foto: Rede social do candidato


Há muitos vídeos sobre a presença do pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes, à festa do Pau de Santo Antônio, em Barbalha. Poucas são as imagens, daí optarmos por ilustrar esta matéria com a imagem acima, um pouco distorcida depois de ampliada. Órgãos de imprensa, aliás, estão dando divulgação às fotos da igreja onde foi celebrada a missa, quando Ciro Gomes e Roberto Cláudio aparecem numa ala, enquanto o pré-candidato Elmano de Freitas aparece ao lado do ex-Ministro da Educação, Camilo Santana, na outra ala da igreja. Sobretudo nessas festas, o profano acaba superando o sagrado. Também é assim na Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, que costuma reunir uma multidão de pessoas na cidade de Barbalha, no Cariri, nesta época do ano. A rapaziada que faz o cortejo carregando o pau para servir de mastro na praça central, aliás, já chega lá literalmente "mamados". 

Depois da cerimônia religiosa, Ciro caiu na gandaia, em meio à multidão, testando sua popularidade. Na realidade, deu um banho de popularidade, superando seus oponentes, numa demonstração inequívoca de que é forte candidato a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição, a partir de 2027. Mesmo com a integração de Camilo Santana à campanha de Elmano de Freitas, algo sugere que os problemas não foram superados. Depois que Ciro assumiu a pré-candidatura e começou a pontuar as falhas da gestão do estado, Elmano passou a pautar a gestão com o anúncio de obras reclamadas, realização de concursos públicos para o preenchimento de vagas na área de segurança pública. O país não vai resolver o grave problema de segurança pública até as próximas eleições. O mesmo raciocínio se aplica aos entes federados. São problemas estruturais, com solução apenas a longo prazo. 

O próprio Ciro Gomes, se chegar a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição, terá enormes dificuldades para enfrentar o problema, uma vez que a população está no limite. O nível de exigência é enorme. O lado positivo é que Ciro está disposto a enfrentar o problema e é um cara aplicado nos estudos. Já declarou que está estudando a questão. Sempre tem dito que vai precisar de um esforço coletivo. É verdade. Quem poderia imaginar alguns anos atrás que uma cidade como Caucaia, onde fica a paradisíaca praia de Cumbuco, se transformaria numa das cidades mais violentas do país, conflagrada pela guerra entre facções do crime organizado?  Mais grave: como devolver a paz à população local, colocando seus atrativos naturais no roteiro dos turistas que chegam à Fortaleza?

Editorial: A banalização da corrupção no país.



Ao longo desses anos, acabamos por estabelecer algumas convicções acerca do problema estrutural da corrupção no país. Hoje, quando surge um novo escândalo de corrupção - o que, aliás, não é raro - já temos os parâmetros seguros para estabelecer se aquele escândalo tem a participação do crime organizado, por exemplo. Não erramos uma. Master, INSS, Rei do Lixo, entre outros. Alguém já disse que, se tivéssemos estabelecidos as clivagens corretas, Lula e Flávio Bolsonaro não estariam liderando as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República nas próximas eleições. Hoje, dia primeiro, o editorial do jornal O Estado de São Paulo é sobre o escândalo do Dark Horse, que, segundo o articulista, seria suficiente para sepultar a candidatura de Flávio Bolsonaro de uma vez por todas e isso não está ocorrendo. 

Os bolsonaristas vão dizer que o jornal agora é petista, assim como os petistas, em passado recente, já demonizaram o jornal, acusando-o de integrar uma conspiração antipetista. Eles já criaram couraça em relação ao assunto. O que não nos mata, nos fortalece, como diria o adágio popular, e isso vale até mesmo para os órgãos de comunicação. De fato o editorialista tem razão. Num país mais civilizado, onde os cidadãos fossem menos tolerantes à corrupção, isso seria suficiente para sepultar um candidato à Presidência da República. O problema é que estamos no Brasil. Dentro desta camisa de força imposta pela esgarçante polarização política isso já seria previsível. Estava dentro das possibilidades que os fatos talvez não produzissem prejuízos significativos ao candidato. As próximas pesquisas de intenção de voto podem confirmar, inclusive, que ele já reequilibrou o jogo.  

O que se diz é que se surgir um candidato capaz de furar esta bolha e chegar ao segundo turno, ele vence a eleição tanto disputando com Lula ou disputando com Flávio Bolsonaro. Mas quem seria este candidato? Renan Santos? Caiado? Zema? A rigor, se os bolsonaristas menos radicais lessem a República das Milícias, do cientista político Bruno Paes Manso, um dos livros eleitos pela Folha de São Paulo estre os melhores de não ficção, saberia melhor como foi feita esta transição entre Rio das Ostras e o Palácio do Planalto em passado recente. Não há inocentes por aqui.  

_______________



A sua opinião faz diferença. Cada comentário enriquece o debate, amplia perspectivas e transforma este espaço em algo maior do que um simples canal de leitura: uma comunidade ativa, crítica e consciente.
E se você acredita nesse propósito, considere dar um passo além. Sua contribuição, por menor que pareça, é o que mantém este projeto independente, relevante e em constante crescimento. Não há grandes patrocinadores por trás — há pessoas como você, que entendem o valor de uma voz livre.

Participe. Comente. E, se puder, apoie.

Porque informação de qualidade não é um custo — é um investimento coletivo.

Chave PIX: 81 986844557