O grande filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, num dos seus textos mais emblemáticos, Para Além do Bem e da Mal, nos faz um alerta contundente acerca dos discursos. A verdadeira intenção de um discurso, segundo o filósofo, não está naquilo que ele revela, mas naquilo que ele esconde, que é a verdadeira essência de um discurso. O Governo de Cuba admite que 34 agentes que faziam a segurança do ex-presidente Nicolás Maduro - possivelmente agentes do Serviço Secreto de Cuba - foram mortos na operação realizada pelos Estados Unidos no último sábado. Esse número deve ser superior, uma vez que várias foram realizadas várias manobras de neutralização de forças militares que poderiam esboçar alguma reação ao ataque. Oficialmente, fala-se em 8o mortos. Pelo andar da carruagem, nem por aqui chegaremos a algum consenso.
O Governo dos Estados Unidos nunca esteve preocupado com a normalização da democracia naquele país. Parafraseando Nietzsche, trata-se da parte visível do discurso. Um bom exemplo disso é a notória indisposição de diálogo com Maria Corina Machado e com Edmund González, que, se as eleições foram realmente fraudadas, era quem de fato deveria assumir, democraticamente, o comando do país. Corina foi proibida de participar das eleições, momento em que Edmund González assumiu a candidatura. Depois das eleições, exilou-se no exterior. Se a questão em jogo fosse o respeito às regras democráticas, naturalmente, o diálogo estaria aberto com ambos. Donald Trump já sinalizou que não quer nem conversa com os dois, numa clara demonstração de que eles não são atores confiáveis aos projetos norte-americanos para o país.
Com a vice de Maduro, Delcy Rodrígues, teria havido um diálogo cabuloso meses antes do ocorrido. Ela teria se prontificado a permitir qualquer ingerência do Governo dos Estados Unidos no país. Por outro lado, para a claque chavista, o discurso é de soberania, de condenação veemente da operação americano no país. Dizem que ele seria de uma ala até mais radical do chavismo. Donald Trump já avisou que ela não deve encampar o processo de transição no país. Se insistir, as consequências poderão ser até mais traumáticas. No Brasil, sabe-se lá aconselhado por quem - certamente não teria sido por Celso Amorim - Lula passou a abrandar ou modular o discurso, evitando se indispor com os Estados Unidos.
Na realidade, estamos diante de um novo colonialismo. Tem muita gente mais interessados nas terras raras e nas reservas de petróleo de Essequibo. A Venezuela possuí as maiores reservas de petróleo do mundo, que serão agora exploradas por empresas petrolíferas americanas. No contexto das relações econômicas globais, isso poderia fragilizar a capacidade de investimentos militares em países como a Rússia, em razão da baixa do preço do combustíveis. Isso é estratégico para a manutenção da hegemonia militar dos Estados Unidos. As terras raras e os minerais valiosíssimos para a indústria bélica, encontrados com abundância em terras brasileiras, igualmente entram neste contexto, mas isso já é uma outra discussão.

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