A edição do Jornal do Commércio de hoje, 04, é quase totalmente dedicada ao que ocorre na Venezuela. Do editorial à charge de Thiago Lucas. O mesmo deve ter ocorrido com outros jornais pelo país afora. O assunto é realmente bastante preocupante, com inúmeros desdobramentos, desde a implantação de um governo de transição naquele país, assim como em relação à exploração das jazidas de petróleo venezuelanos por empresas norte-americanas. Na realidade, a principal motivação da invasão, o que deve representar uma encrenca gigantesca para todo o continente, principalmente depois da descoberta de novas fontes em país vizinho à Venezuela.
Há ainda poucas informações acerca da operação realizada no território venezuelano pelos Estados Unidos. Sabe-se, no entanto, segundo informações do jornal The New York Times, que havia um informante da CIA monitorando todos os passos do presidente venezuelano. Momentos antes da captura, ele ainda tentou se esconder num bunker, mas não logrou êxito. Uma cápsula de aço à prova de tudo. Donald Trump deu vários declarações sobre o assunto, cada uma delas mais preocupantes do que a outra. Há inúmeras divergências, por exemplo, sobre como seria este governo de transição até as coisas se normalizarem. As coisas só vão se normalizarem, entende-se, consoante os interesses do Governo Trump e das petrolíferas norte-americanas. Não mais no campo diplomático, mas militar. A soberania venezuelana foi para o espaço.
Talvez seja por isso que Trump já deu declarações indicando que uma solução que passasse por Maria Corina Machado não seria bem-vinda. Muito menos ainda pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que a justiça do país já determinou que deve assumir o cargo. O destino de Maduro é tão previsível quanto complicado. Vai a julgamento já preventivamente condenado, tratado como um narcoterrorista. Não nos surpreenderia que ele tenha o mesmo destino de Joaquín Gusmán, o El Chapo, mantido numa prisão de segurança máxima, passando por sérios problemas psicológicos. Por falar neste assunto, Nicolás Maduro chegou meio grogue em território norte-americano, desejando feliz ano novo aos agentes do FBI.
Donald Trump orgulha-se de ter acompanhado todo o desenrolar da operação liderada pela equipe de forças especiais do Exército Norte-Americano, a Força Delta. Era como quem assiste a um filme, segundo ele. Sua assessoria militar informou que apenas um país teria as condições de realizar uma operação tão complexa como aquela. Há um equívoco aqui. As forças especiais de Israel, com o suporte do MOSSAD, já demonstraram que são capazes de realizá-las, como ocorreu em Entebbe, Uganda, quando vários tripulantes israelenses sequestrados em um avião foram resgatados. Encrenca pesada para o continente. Salvo melhor juízo, numa dessas declarações, o presidente Donald Trump teria sugerido que o episódio é um recado para quem questiona a hegemonia norte-americana no continente.

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