Num momento de intensa polarização política e torcidas organizadas, não surpreende as narrativas em torno desta última pesquisa do Instituto Datafolha sobre as próximas eleições no estado, extraindo dela apenas os elementos favoráveis de lado a lado, sem um esmiuçamento mais consistente. Como se trata de uma pesquisa recente, talvez possamos, ao longo do dia de hoje, encontrarmos análises mais isentas sobre os dados apresentados. Segundo alguns órgãos de imprensa, a pesquisa foi divulgada somente na madrugada de hoje. O levantamento estava previsto para ser divulgado no dia 05, ontem, portanto. Divulgamos este calendário por aqui, temendo a possibilidade de termos embarcado numa barriga, ou seja, numa informação improcedente. Mas, a conta que interessa não é esta. O mais importante é entendermos as sinalizações dos números apresentados sobre a corrida sucessória ao Palácio do Campo das Princesas, em 2026. Mais que isso, destrincharmos sua dinâmica, cotejados com outros números - como os de avaliação positiva e rejeição - tendências e indicadores de uma campanha política.
Quando analisamos os números da corrida presidencial, por exemplo, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva briga com os números de desaprovação do seu Governo - sempre superiores aos de aprovação - o que, certamente, se refletem nos seus índices de intenção de voto. Por outro lado, mesmo enfrentando uma indisfarçável divisão dentro da direita, desde que lançou sua pré-candidatura à Presidência da República, o nome do senador Flávio Bolsonaro tem crescido continuamente nas pesquisas de intenção de voto, um dado alvissareiro, inclusive, para aplainar as divisões internas. Flávio Bolsonaro está se tornando um candidato competitivo. É com tais indicadores que o seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho, irá tentar atrair setores do Centrão ainda reticentes à sua candidatura.
Mas vamos voltar à província, para não nos perdermos nas divagações nacionais. Sileno Guedes, Presidente Estadual do PSB, reafirmou recentemente que a candidatura de João Campos é irreversível. De fato sim, já sabíamos disso há um bom tempo. Essa questão hoje não passa apenas por uma decisão pessoal do jovem prefeito, assim como ocorreu quando ele entrou na vida pública, logo depois do acidente que vitimou o seu pai, o governador Eduardo Campos. João Campos, aliás, integra hoje um projeto estratégico das forças do campo progressista. As circunstâncias políticas determinadas, colocando-o na condição de um grande trunfo deste campo político, aumenta sensivelmente a sua responsabilidade com sua candidatura ao Governo do Estado. Em tese, coadunando-se com todo este elenco de variáveis, ele não pode ser derrotado.
Mas tudo isso precisa ser combinado com o eleitorado. A quadra política do estado sempre foi marcada por muitas escaramuças, mas, nos últimos meses essas escaramuças estão atingindo níveis acima de um padrão minimamente republicano. Se continuarmos neste diapasão, teremos uma campanha política de baixo nível, com trocas de farpas de lado a lado, sem um debate consistente sobre a condução dos negócios de Estado a partir de 2026. Aquele tipo de campanha que dá mais trabalho à assessoria jurídica do que aos planejadores. Passamos alguns meses sem comentarmos os fatos ocorridos aqui, uma vez que os assuntos políticos poderiam ser tratados, sem nenhum exagero, na editoria de polícia.
Foram episódios que desgastaram tanto a imagem da administração municipal do Recife, assim como a imagem da gestão do Palácio do Campo das Princesas, como uma suposta investigação irregular de auxiliares da Prefeitura do Recife, que o Ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que fossem encerradas. Os números apresentados pela pesquisa do Datafolha são favoráveis ao prefeito João Campos, assim como uma série de pesquisas que foram realizadas por outros institutos, com o mesmo propósito. No início, o gestor do Palácio Capibaribe abria uma diferença bastante significativa, indicando uma vitória ainda no primeiro turno. Ao longo do tempo, observa-se uma reação paulatina da governadora Raquel Lyra, indicando que, até outubro, possivelmente teremos um equilíbrio de forças na disputa pelo Governo do Estado. João chegou a pontuar com quase 70% das intenções de voto.
Esta é uma previsão a partir dos olhares que lançamos sobre os números apresentados pelo Instituto Datafolha, que, por sua credibilidade e expertise, tornou-se uma espécie de "síntese" entre os demais institutos do ramo. Uma fonte confiável havia nos antecipado que a governadora Raquel Lyra teria números favoráveis neste pesquisa do Instituto. Ela tem motivos para comemorar os resultado dos últimos números do Instituto, onde aparece com 35% das intenções de voto, tirando, literalmente, 5% dos votos do seu principal oponente, o prefeito do Recife, João Campos, que crava 47% das intenções de voto. Raquel está na dela, ditando o ritmo de campanha a partir deste momento, comendo o mingau quente devagarzinho, pelas beiradas, de gole em gole, como se diz lá para as bandas de Caruaru, mantendo os socialistas na retaguarda, apesar de ainda lideraram as intenções de voto.
O Instituto Datafolha realizou a pesquisa ouvindo 1.022 pessoas, entre os dias 2 e 4, pesquisa realizada sob encomenda da CBN, com margem de erro de 3% e escore de confiabilidade de 95%. Os vereadores Eduardo Moura(NOVO-PE) pontua com 5% das intenções de voto, enquanto o psolista Ivan Moraes crava 1% das intenções de voto. O Instituto também ouviu os eleitores pernambucanos sobre a tendência de voto para o Senado Federal. Os eleitores desejam que a deputada federal Marília Arraes seja a nossa representante no Senado Federal. E agora? O senador Humberto Costa aparece em segundo lugar. Humberto deverá integrar a chapa encabeçada pelo prefeito João Campos, que anda numa indecisão danada em relação ao segundo concorrente. Há uma penca de nomes na disputa.

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