A segurança pública será um dos grandes temas das próximas eleições. Possivelmente o mais importante, quem sabe determinante. Duas cidades pernambucanas já entram no ranking das 10 mais perigosas do país, Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata. O cinturão da Região Metropolitina do Recife vai se tornando um dos ambientes sociais mais vulneráveis ao aumento dos índices de violência, sobretudo em razão da presença efetiva e da atuação de facções do crime organizado. Pelo andar da carruagem política, aqui e alhures, não vamos resolver o grave problema desses índices negativos até as eleições de outubro. Um dos motivos é a ausência de consensos mínimos entre a União e os entes federados, assim como uma necessária reestruturação das polícias estaduais. Essa "reestruturação das polícias estaduais" talvez pudesse evitar, por exemplo, o surgimento de denúncias de supostas investigações ilegais de adversários políticos. Mas este é um assunto polêmico e não vamos enveredar por esta seara.
Aqui na província, conforme afirmamos no dia de ontem, essas práticas são recorrentes, datadas desde 1500. Há aqui expedientes que extrapolam as investigações irregulares - sem o aval do Poder Judiciário, o que já seria algo abominável - e descampam para outras práticas abjetas, tudo com o propósito de cancelar adversários dessas oligarquias familiares, que não admitem ou convivem bem com o exercício da crítica republicana, focada na defesa do interesse público. Enquanto a questão da violência neste cinturão não for enfrentado de forma efetiva, vamos ficar naquela ladainha de comemorarmos, circunstancialmente, a baixa momentânea desses índices, mantendo o problema estrutural sem alteração. Os gestores públicos precisam tomar muito cuidado com este cinturão da Região Metropolitana do Recife, abarcando aqui, sobretudo as zonas litorâneas. Estados como Ceará e Bahia já estão entrando numa fase de colapso.
Problema semelhante ocorre na Região Metropolitana de João Pessoa, em cidades como Conde, Cabedelo e Bayeux. Bayeux sobretudo em razão do tráfico de drogas a partir do aeroporto estadual. Há alguns dias ficamos sabendo que a Guarda Municipal do Recife passou a usar armas no seu cotidiano de trabalho. Sabe-se lá se esses homens e mulheres foram capacitados, efetivamente, para esse tipo de trabalho. Em breve saberemos. Na gestão da máquina, o ônus pela violência no estado será creditado a governadora Raquel Lyra. É inevitável. Trata-se de mais um desgaste para a gestora e um trunfo em favor do prefeito João Campos, que sempre aparece na dianteira das pesquisas de intenção de voto pelo Palácio do Campo das Princesas.
Raquel Lyra talvez viva o seu inferno astral como governadora do estado. Uma tempestade perfeita de problemas na gestão da máquina, capaz de diminuir sensivelmente suas expectativas em torno da renovação do mandato. O Governo tem entregue obras, ela tem trabalhado bastante, mas tudo isso é ofuscado, a cada dia, pelo surgimento de um novo escândalo. É difícil dizer se ela reunirá as condições de reagir até outubro. No próximo dia 05 deverá ser divulgada uma pesquisa de intenção de voto no estado, realizada pelo Instituto Datafolha. O Instituto pesquisou a tendência de voto para a Presidência da República e para o Governo do Estado. O Datafolha é sempre o Datafolha, algo que funciona como uma síntese em termos de pesquisas de intenção de voto. É a média ponderada.
Lula deve c0mparecer ao desfile do tradicional bloco Galo da Madrugada, atendendo a um convite pessoal do prefeito João Campos. Antes, experimenta o repasto da culinária pernambucana na casa da família Campos. Desta vez sem a presença do escritor Ariano Suassuna, como ocorria quando o seu pai, Eduardo Campos, ainda era vivo. Hoje, pelo andar da carruagem política, fica descartada a possibilidade de palanque duplo no estado, principalmente em razão dos arranjos encetados por Gilberto Kassab, Presidente Nacional do PSD, que conta com uma penca de nomes do seu partido de olho no Palácio do Planalto. Já havíamos dito antes que João, praticamente, fechou as portas do PT a Raquel Lyra.

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