Nas eleições passadas, no estado da Paraíba, facções do crime organizado ameaçaram um candidato que iria fazer um comício numa determinada comunidade. Ali só seria permitida a presença de candidatos que tivessem celebrado algum tipo de acordo com esses grupos faccionados. À época, o candidato passou a contar com a segurança da Polícia Federal em seus deslocamentos. Logo em seguida, para complicar ainda mais o enredo, a própria PF detectou essas eventuais ligações cabulosas entre políticos locais e essas facções. Nessas eleições, em razão da profusão de ocorrências, o termo ganhou o status de "Pedágio Eleitoral". Em estados como o Ceará, a prática é recorrente desde eleições passadas. Em Sobral, por exemplo, vereadores já eleitos foram presos em operação da PF.
Nas eleições deste ano, a prática está assumindo contornos preocupantes. Como o candidato Ciro Gomes, do PSDB, tem prometido uma luta sem trégua contra as fações, em algumas regiões seu grupo político está sendo ameaçado de fazer campanha. A prática é a mesma. Só entra na região controlada pelas facções aqueles candidatos que pagarem o tal pedágio, algo que depõe sensivelmente contra o modelo de democracia representativa do país. O eleitor deixa de ter a liberdade de fazer suas escolhas. Convém ficar atentos aos sinais. Aqui em Pernambuco, na comunidade do Iputinga, mais precisamente na Ilha do Bananal, depois de uma operação exitosa das polícias civil e militar, em conjunto com força tarefa da PF - em razão da participação do GAECO - as forças de segurança desmontaram um verdadeiro depósito de drogas e armamentos que atendiam ao interesse de inúmeras grupos faccionados que atuavam no estado. Era uma espécie de almoxarifado do crime.
Logo em seguida, outra operação da Polícia Civil desmontou um esquema de serviços de internet que era operado pela facção. Hoje, 02, motoristas fazem protestos em razão da morte de um companheiro que teve seu ônibus sequestrado e incendiado, em razão da luta de facções que ocorre em região de Olinda, o que se constitui num estágio de avanço das ações desses grupos no estado. São sinais preocupantes. Alguns desses indicadores apontam que o crime organizado avançou uma casa sobre a ação do aparelho de Estado.

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