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| Crédito da Foto: Agência O Globo |
O escritor paraibano José Lins do Rego compartilhou com o antropólogo Gilberto Freyre o sofrimento em razão da decadência dos engenhos da economia açucareira na região Nordeste. Ambos foram autênticos "meninos de engenho". José Lins compartilhou esse sofrimento com os leitores dos seus romances mais famosos sobre o Ciclo da Cana-de-Açúcar na região, cuja pena, segundo Manuel Bandeira, funcionava melhor do que em outros livros escritos pelo escritor. Em alguns dos seus textos, Gilberto critica os "descaminhos" dos jovens rebentos de famílias tradicionais nordestinas como responsáveis, em parte, por tal decadência da economia açucareira. Foram estudar direito, viver de boemia e esqueceram seus compromissos com os negócios deixados por suas famílias.
José Lins do Rego, em vários momentos de sua obra, faz remissão ao assunto. Em certo momento, se não nos falha a memória no romance Banguê, reflete sobre o futuro do Santa Rosa deitado numa rede. Num dos raros momentos em que tentou envolver-se com a rotina dos trabalhos do coronel José Paulino, que seria o famoso coronel "Bubu do Corredor", seu avô, ele sela o cavalo e vai fazer uma vistoria no eito. Quando regressa, todo eufórico com o feito, considerando que o coronel José Paulino iria aprovar a iniciativa, o velho faz uma única pergunta que desmonta toda a sua empolgação: Quantos homens haviam no eito? Ele, naturalmente, não soube responder. Então, José Paulino diz para ele: O Diário de Pernambuco já chegou.
Essas remissões nos veio à mente ao refletir acerca de uma entrevista do marqueteiro Igor Paulin, que coordenou as campanhas vitoriosas de Raquel Lyra, em Pernambuco, e de João Henrique Caldas, em Alagoas, impondo duas derrotas acachapantes a duas famílias políticas muito ligadas ao petismo. Os Campos, em Pernambuco, e os Renan, em Alagoas. Igor concede uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo onde aponta os eventuais equívocos cometidos pelo PT na região Nordeste. Os casos do sucesso na Bahia e no Ceará podem ser creditado à máquina petista bem engrenada. É preciso considerar, segundo o marqueteiro, a cautela necessária sobre a tese de transferência de votos de Lula.
Outro grande problema da campanha do petista diz respeito à linguagem desfocado da realidade do nordestino comum. A picanha poderia ter sido substituído, quem sabe, por uma vaca atolada, mas nunca por termos como terras raras ou soberania, terminologias desconhecidas pelo nordestino comum. Neste segundo turno a campanha acerta na convocação daqueles eleitores que deixaram de votar no primeiro turno, majoritariamente um eleitorado mais identificado com o petismo. Como temos insistindo por aqui, não se trata de uma vitória do bolsonarismo, mas uma derrota do petismo. O grau de insatisfação com a gestão, algo que Lula nunca conseguiu reverter, pode ser determinante no resultado dessas eleições presidenciais. O desempenho da oposição é um indicador dos mais evidentes. Quantos eleitores ainda têm no eito. Assim como José Lins do Rego, talvez o PT não saiba responder?


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