Ontem, logo após a apuração dos votos do primeiro turno da eleição, tivemos uma edição especialíssima do programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes. Cientistas políticos, CEO de institutos de pesquisa foram instados pelo apresentador a apontarem o que mais o impressionaram nessas eleições de 2026. O que eles apontaram daria para produzir um grande tratado, algo bem superior a uma simples opinião de um blog de política. Estamos tratando aqui, como se diz no Nordeste, de um mingau quente que precisa ser comido pelas beiradas, onde não se corre o risco de uma queimadura ou de um engasgo. As discussões foram desde apontamentos teóricos até às questões pontuais, a exemplo do resultado surpreendente no Rio de Janeiro. Vamos por parte, mas já antecipando que não enxergamos um horizonte que indique que o PT possa reverter esta situação no segundo turno. É muito provável que tenhamos um retorno do bolsonarismo ao poder, com todas as consequências daí decorrentes, a começar por um programa de governo que sequer chegou a ser pactuado com o eleitorado, pois não tivemos debates.
Vários fatores contribuíram para essa refrega do petismo, algo que não se limita apenas a essa onda de direita que varre o continente, onde o partido representava uma das poucas trincheiras ainda preservadas. Quem foi o grande eleitor desta eleição? O Medo? o Bolso? Talvez ambos, entendendo que o PT não conduziu ou gerenciou bem nenhum dos dois. Contas públicas à deriva, custo de vida diminuindo os itens da geladeira e um programa inconsistente de enfrentamento ao crime organizado. Saiu atrasado na costura das alianças para a formação das chapas que concorreriam ao Senado Federal pelos estados, amargando um grande fiasco nas urnas. Apenas em Pernambuco o partido conseguiu eleger dois senadores genuinamente vermelhos: Marília Arraes e Humberto Costa. Somete o PL fez 28 senadores, a partir de um plano que prevê o controle da Casa Alta, onde se pretende a adoção de medidas que devem ampliar, ainda mais, as indisposições entre os Três Poderes da República.
Segundo informações de bastidores, o nome do senador Rogério Matinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, já estaria sendo cotado para assumir a Presidência do Senado Federal, substituindo Davi Alcolumbre. A direita conseguiu a musculatura política necessária para assumir o controle da Casa. Na eventualidade ou não de Flávio ocupar a cadeira do Palácio do Planalto, a encrenca institucional já está instaurada. A direita tomou a bastilha. Vamos aguardar os próximos eventos, tratados aqui amiúdes, com a ponderação necessária, evitando incorrermos em equívocos de avaliações.

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