pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: "A política ama a traição, mas odeia o traidor".
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sábado, 4 de julho de 2026

Editorial: "A política ama a traição, mas odeia o traidor".




Esta máxima política foi dita pelo ex-governador Leonel de Moura Brizola. Ali pela década de 80, quando o PT estava em processo de formação, o general Golbery do Couto e Silva alertou aos militares que não haveria nada a temer em relação ao metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Ministro-Chefe da Casa Civil, Golbery era uma espécie de estrategista político do regime militar. A abertura dada ao PT, naquele momento, segundo avaliam alguns analistas políticos, seria uma maneira de evitar "um mal maior", isolando aquele político que, de fato, poderia representar um enfrentamento do status quo: Leonel de Moura Brizola. 

Tantos anos depois, até recentemente, com um microfone aberto que ele não sabia que estava aberto, Lula acabou dando razão ao bruxo do regime militar, ao admitir que nunca fora de esquerda, mas um político de centro. Mas não precisávamos ir tão longe, conforme evidenciamos em nossa dissertação de mestrado, quando citamos um trecho de uma declaração de Lula, ainda na década de 80, quando ele adverte aos "companheiros" que "Não importava a cor do voto se ele cai na urna". Depois das décadas de experiência com o ser humano, hoje estamos diluindo um pouco o radicalismo de outrora. Lamentamos até hoje nunca ter dado um voto de confiança ao senhor Leonel Brizola, imbuído, naquele momento, pela esperança representada pelo metalúrgico. Pessoas de minha geração podem ter sidos igualmente embevecidos da mesma maneira. 

Era Brizola quem teria coragem para fazer as mudanças que o país sempre reclamou. Brizola dizia que a traição no meio politico é até recorrente. Faz parte do jogo. A questão é o traidor que, em algum momento, pode ser apeado do sistema político. Este editorial surgiu em função de uma traição recente ocorrida na política pernambucana, envolvendo o nome do ex-ministro de Portos e Aeroportos, apunhalado pelas costas por um prefeito que recebeu todo o seu apoio. Deve ter sido bastante traumático tal processo, pois estamos tratando aqui de um político cuja lealdade é inquebrantável, mesmo atuando em posições distintas a este editor. Há muitas injustiças. Esta foi uma delas. Não temos nenhuma relação política ou pessoal com o senhor Sílvio Costa Filho, mas acompanhamos - por dever de ofício - sua atuação política no estado, sempre marcada pela coerência e posicionamentos corretos, como ocorreu nas eleições municipais de 2024, onde, mesmo trabalhando com a eventualidade de uma candidatura ao Senado Federal, ele não se afastou um milímetro do conjunto de forças aliadas ao Palácio do Planalto. 

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