pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: Operação "Puro Suco do Rio de Janeiro"
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Editorial: Operação "Puro Suco do Rio de Janeiro"


A Polícia Federal desencadeou mais uma operação no Rio de Janeiro, desta vez traduzindo perfeitamente no seu título, o que ocorre, de fato, na quadra política daquele estado, onde a corrupção já penetrou em todas as entranhas do aparelho de Estado. A operação leva o curioso, mas emblemático nome de "Puro Suco do Rio de Janeiro", onde ex-presidente da ALERJ, bicheiro, facionados, filho de ex-governador e pastor evangélico vendedor de cigarros estão envolvidos. Nenhuma surpresa por aqui. Em Rio das Pedras, onde se formou o primeiro núcleo miliciano do estado, a partir das inocentes associações de moradores, em princípio, os ditos milicianos combatiam os narcotraficantes que atuavam naquela área. 

Iniciava-se um processo de execuções, extorsões a comerciantes e exploração de alguns negócios, como alugueis, vendas de gás, transporte coletivo local e afins. Esses grupos contavam com a participação de pseudos agentes de Estado. Com o tempo, os traficantes perceberam que seria um bom negócio ampliar sua carteira de ofertas e passaram a explorar os mesmos mercados das milícias, que também passaram a estabelecer parcerias com grupos faccionados nesses empreendimentos. Hoje é difícil precisar onde há territórios genuinamente controlados por facções ou por milícias. Com o tempo, tantos as facções quanto as milícias perceberam que os templos evangélicos poderiam ser uma boa fonte de lavagem de dinheiro e passaram a investir nesses templos, sem qualquer pudor movido pelos princípios inerentes às Sagradas Escrituras. Hoje, o termo narcotraficante evangélico, por paradoxal que possa parecer, não se constitui surpresa. Nesses termos, um pastor evangélico vendedor de cigarros é "fichinha". 

Já existe algumas boas obras no mercado tratando desses assuntos, algumas delas esclarecendo como os fuzis se juntaram às Bíblias. O Rio de Janeiro já é um narco estado e, infelizmente, o modelo vem se alastrando por outros entes federados, na iminência de colapsarem. Houve um tempo em que se dizia que as facções estariam financiamento dos estudos de advogados com o intuito de constituíram a defesa dos seus interesses futuramente. Hoje eles operam não apenas dentro dos Executivos - em todos os níveis - mas no financiamento de parlamentares para as câmaras municipais, estaduais e federal. Não precisa fazer grandes esforços para encontrá-los. 

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