pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: O desânimo em relação à eleição de outubro.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Editorial: O desânimo em relação à eleição de outubro.

 


O jornalista Ângelo Castelo Branco, em artigo publicado no dia de hoje, 03, faz alusão às velhas eleições de antigamente, capaz de agitar a cidade do Recife. Hoje, há um mês das eleições de outubro, o clima sugere algo como um velório. Realmente não há motivos para grande empolgação com esta eleição, sobretudo se considerarmos o ambiente político em que ela está se desenrolando, com os atores que deveriam desempenhar o papel de árbitros no olho do furação de uma crise institucional sem precedentes, onde acordos políticos podem substituir os mais elementares pressupostos jurídicos; quando se sugere que elementos probabilísticos sejam solenemente ignorados; pedidos de impeachment engavetados sob argumentos estapafúrdios. 

Qual o verdadeiro debate de ideias entre os principais postulantes? O candidato da terceira via parece que acordou agora de um sono dos justos, fazendo um esforço tremendo para ajustar sua plataforma de postulante ao Palácio do Planalto. Alguém já avisou a ele que ele concorre a uma eleição presidencial? Foi pego de surpresa. Augusto Cury desponta no cenário apenas como reflexo do desgaste desta abominável polarização política. Isso está fazendo um mal danado ao país. Provas são ignoradas; arranjos não permitem que atores comprometidos sejam devidamente investigados e afastados de suas funções; impeachment são bloqueados. É um quadro desolador, meu caro Ângelo Castelo Branco. O que temos hoje de registros pelo centro do Recife são câmaras flagrando pessoas espalhando panfletos apócrifos pelos postes da cidade. É lamentável esse cenário. 

Uma vez um crítico disse que meus textos tinha a primazia de transformar lugares em personagens, numa referência que fazíamos à famosa rua da Aurora, a mais recifense das ruas, segundo o antropólogo Gilberto Freyre. Sempre gostei disso. Certa vez escrevi um conto sobre o trajeto de Albert Camus pelo Recife, saindo ali do Pátio de São Pedro - que encantou o escritor francês - passando pelo Beco do Veado, adentrando no Mercado São José. Sempre nos interrogávamos no texto a razão de Camus ter se encantado com o Pátio de São Pedro. Quando esteve no Recife, ele passou mal e sua conferência na Faculdade de Direito do Recife foi apenas protocolar. Ele não estava bem. Com o dinheiro recebido com o Prêmio Nobel de Literatura, adquiriu um imóvel na França, em muito semelhante à sua antiga residência na Argélia. Tá explicado. 

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