Aconselho aos leitores deste blog a leitura do artigo do jurista José Paulo Cavalcanti Filho, publicado na edição de hoje, 04, do Jornal do Commércio. Como assessor do ex-Ministro da Justiça, Fernando Lyra, José Paulo Cavalcanti Filho foi um dos responsáveis por remover os entulhos autoritários deixados pelos governos militares no país. Zé Paulo, inclusive, tem vínculos orgânicos com a academia, sendo até recorrente as suas aparições no Programa de Mestrado e Doutorado da UFPE, durante a nossa época de estudante. Nos últimos anos, o país passou por um verdadeiro desmonte institucional. Tivemos um retrocesso sem precedentes, que passou de um governo protofascistas a uma democracia fake. Agentes do Judiciário movendo moinhos para impedir que a justiça seja feita. Há contradição maior do que essa?
O sistema aponta suas baterias por quem clama por posturas e procedimentos republicanos, coerentes com as funções de um agente público. Circula nas redes sociais um vídeo onde um desembargador vaticina que o país acabou há vinte anos. Não vejo porque não concordar com ele. Sob certos aspectos, vamos ter uma das eleições presidenciais mais atípicas do país. O que está se decidindo não é o nosso futuro, mas uma briga intestina e danosa entre petistas e bolsonaristas, cada qual com suas fragilidades inerentes. Nem dos debates públicos eles precisam participar, num profundo desrespeito ao eleitorado.
O arranjo que deve prevalecer, solvo melhor juízo, é o arranjo que deve proteger os blindados pelo sistema. Hoje uma articulista chega a insinuar, sem qualquer surpresa, que já se pensa num acatamento de um pedido de impeachment exatamente do magistrado que colocou o dedo na ferida, que conduz sua vida pública com absoluta correção. Para alguns atores do Executivo e do Judiciário, as investigações do caso Master não interessa exatamente porque pode prejudicá-los. Não surpreende essas composições e alianças.

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