pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
Powered By Blogger

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Editorial: Polícia Federal mira 45 milhões desviados de clientes da Caixa Econômica.


Até recentemente, a PF passou a investigar algo em torno de 170 peritos do INSS suspeitos de não concederem benefícios a determinadas pessoas que solicitavam serviços do órgão. A notícia era tão inusitada que tivemos o cuidado de pesquisar sobre o que, de fato, poderia estar ocorrendo. Nesse caso, o editor se tornou mais um investigador ad hoc da PF. Brincadeiras a parte, o  que estávamos fazendo mesmo era uma checagem da notícia, em razão do nosso total não entendimento sobre os motivos que levaram a Polícia Federal a concentrar suas investigações sobre laudos concedidos por servidores contratados pelo órgão, que exerciam constitucionalmente suas funções e que gozavam de credenciais ou prerrogativas para negarem esses pedidos, consoante as avaliações técnicas. 

Primeiro é preciso dizer que estamos concedendo o benefício da dúvida, de uma investigação em curso que ainda não se materializou-se numa comprovação de irregularidades. Depois disso o enredo é nebuloso, envolvendo despachantes, clínicas médicas credenciadas e escritórios de advogados mancomunados eventualmente com servidores públicos, dispostos a auferirem vantagens indevidas com as negações dessa perícias médicas. Isso dá a dimensão do quanto as nossas instituições estão enredadas com essas práticas. Hoje, 22,  foi a vez da Polícia Federal, juntamente com o GAECO, realizarem a Operação Infiltrados, que envolve uma quadrilha que estava atuando para desviar recursos de clientes da Caixa Econômica Federal. 

O operação mobiliza 25 policiais federais que cumprem 25 mandados de busca e apreensão em várias cidades do Rio de Janeiro. Suspeita-se de participação de servidores do órgão, assim como uma gama de eventuais agentes envolvidos nessa fraude. Hoje, no Brasil, quando o montante movimentado atinge tais valores é possível conceber a eventualidade de participação do crime organizado. No Rio de Janeiro, então. Ontem líamos uma matéria sobre as duas caipirinhas cobradas a um turista, que chegou ao valor de R$ 8.000,00. A Polícia Civil passou a levantar suspeita sobre tais recorrências dessas práticas nas praias cariocas, principalmente quando se sabe que os comerciantes contribuem financeiramente para grupos faccionados ou milicianos. 


Editorial: Todos contra Sérgio Moro


A decisão de candidatar-se ao Governo do Estado do Paraná pode ter sido uma das mais acertadas do ex-juiz Sérgio Moro. Desde o início que as pesquisas de intenção de voto indicavam que ele poderia ser bem-sucedido. Na realidade, o eleitor paranaense, que havia demonstrado interesse em conduzi-lo ao Palácio do Iguaçu é que o fez tomar a decisão de candidatar-se. Com a fama adquirida durante os trabalhos da Lava-Jato, o que se diz no estado é que muita gente teme uma devassa da devassa no Palácio do Iguaçu. Mas isso já seria uma outra discussão. Primeiro ele precisa sentar na cadeira. De preferência sendo eleito no primeiro turno, conforme aponta alguns levantamentos. 

Caso contrário, a situação muda completamente, uma vez que a tendência é uma união entre os seus principais adversários no pleito, desde o indicado pelo atual governador Ratinho Junior, Sandro Alex(PSD-PA), até o Requião Filho(PDT-PA), filho de Roberto Requião, ex-governador e ex-senador pelo  estado. Sérgio Moro vai precisar fazer um esforço para ganhar a eleição ainda no primeiro turno. Ratinho Junior tem uma boa aprovação e aposta todas as suas fichas no nome de Sandro Alex(PSD-PA) para sucedê-lo. Como ainda estamos numa fase de pré-campanha, difícil dizer se o ex-juiz da Lava-Jato reunirá as condições efetivas de vencer a eleição ainda no primeiro turno. 

Provavelmente não, uma vez que os demais concorrentes, por razões distintas, reúnem condições efetiva de uma reação,  crescendo nas pesquisas de intenção de voto. Requião Filho é de uma família tradicional da política paranaense; Rafael Greca foi ex-prefeito de Curitiba; Sandro Alex é apoiado pelo atual governador do estado, alguém que estava se credenciando até mesmo para disputar a Presidência da República. Com a máquina na mão, é bem provável que seu afilhado cresça nas pesquisas até o4 de outubro. 

Editorial: O sincericídio de Valdemar da Costa Neto



Muitos candidatos se preparam uma vida para se tornarem presidente de um país. No cenário político brasileiro talvez possamos citar aqui dois casos, entendendo as possíveis injustiças. José Serra e Ciro Gomes. O eleitorado, no entanto, principalmente no Brasil, sugere-se que não consideram este critério importante. Ciro Gomes tentou por quatro vezes, acabando por desistir de uma nova tentativa, ao entender que os problemas que ele havia apontado à época - passíveis de uma solução - haviam chegado a um estágio onde não haveria mais solução. Uma das consequências de se negligenciar esse conhecimento da realidade é que as contas estão chegando, mostrando os danos da irresponsabilidade fiscal praticada no país nos últimos governos. 

Possivelmente nunca esteve no horizonte político do senador Flávio Bolsonaro alguma aspiração à Presidência da República, daí se entender o contexto em que o Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, ter afirmado que ele não se preparou para ser candidato à Presidência da República. Dissemos isso aqui ontem, embora não tenha alcançado a mesma repercussão do Valdemar. A escolha de Flávio Bolsonaro se deu por uma decisão deliberada do presidente Jair Bolsonaro, preocupado com a possibilidade de creditar a outro nome o espólio político do bolsonarismo. A declaração de Valdemar, de fato, não vem num bom momento, quando se sabe que a candidatura do senhor Flávio Bolsonaro vem passando por algumas dificuldades e sofrendo o bombardeio do fogo amigo. 

Dia 24, sexta-feira, deve sair mais uma pesquisa de intenção de voto, desta vez realizada pelo Instituto Datafolha, aquele que goza de maior expertise entre os institutos de pesquisa brasileiros. Vamos aguardar seus resultados. A coluna Diário do Poder, hoje, dia 22, traz a informação dando conta que o Presidente do Tribunal Superior Eleitora, o Ministro Nunes Marques, pretende conceder uma premiação àquele instituto com maior índice de acertos. A despeito da longa experiência do Datafolha, nas últimas eleições institutos com menor tempo de atuação, a exemplo do Paraná Pesquisas, mostraram escores bem próximos do resultado das eleições. 

terça-feira, 21 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: nova pesquisa Simplex confirma liderança de Raquel Lyra.


Possivelmente o TSE não é o melhor órgão para estabelecer os critérios de qualidade que devem reger os trabalhos dos institutos de pesquisa que atuam no país. Há uma grande discussão em torno do assunto, sobretudo depois que aquele órgão determinou a proibição de uma pesquisa realizada pelo Instituto Atlas\Intel, atendendo a um pleito da coordenação de pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Já há, inclusive, uma outra pesquisa do mesmo instituto contestada pelo equipe do pré-candidato. Comentamos o assunto por aqui. O consenso é que talvez precisemos de alguma regulamentação em torno da atuação desses institutos, o que seria bem-vinda. 

Hoje, 21, surgiu mais uma pesquisa do Instituto Simplex acerca da disputa eleitoral em Pernambuco, envolvendo os pré-candidatos João Campos(PSB-PE), Raquel Lyra(PSD-PE) e Ivan Moraes(PSOl-PE). Como os ânimos estão acirrados, uma das possibilidades é um dos lados tentarem "descredenciar" o instituto que não os favorece na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Numa campanha política praticamente todos os expedientes são utilizados, principalmente quando se sabe que os eleitores respondem mais à emoção do que à razão. Daqui há dez dias devem ocorrer as convenções dos candidatos, onde perderemos as contas sobre agressões, traições, defecções, entre outros termos. Perdas e danos inerentes a uma campanha política. 

Agora há pouco soubemos que o PP, comandado no estado pelo deputado Eduardo da Fonte, diante do impasse da escolha do seu nome para compor uma das vagas ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, prepara uma reunião definitiva com a sua base. Apesar de ainda jovem, sem delongas, Eduardo da Fonte é uma raposa política. Daquelas felpudas, que tem sempre uma carta na manga. Num estado com as caraterísticas de Pernambuco, onde até o PT sucumbiu ao eduardismo, ele seguiu numa raia própria. Sempre foi assim. Tem o apoio principalmente de uma bancada de parlamentares, além de uma penca de prefeitos e vereadores. 

Independentemente das colorações políticas ou se ele vai ser aceito ou não na chapa da governadora, convenhamos, ele vem realizando um bom trabalho pelo estado, cumprindo um papel de um parlamentar que pode reivindicar a indicação. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos. Não dá para acomodar tanta gente. Quem estaria considerando também a possibilidade de uma candidatura é o deputado federal Mendonça Filho(PL-PE). Vamos para a pesquisa do Instituto Simplex, que aponta que a governadora aparece com 48,2% das intenções de voto, enquanto o adversário socialista João Campos pontua com 36,5% das intenções. Ivan Moraes, do PSOL, pontua com 1,1% das intenções de voto. O instituto ouviu, por telefone, 1.067 eleitores, entre os dias 15 e 20 de julho de 2026. A pesquisa, que apresenta margem de erro de 3pp e escore de confiabilidade de 95% está registrada no TSE-PE: 03323\2026.   

Editorial: Renan antecipa convenção depois de sofrer ameaças



É preciso tomar alguns cuidados com essas notícias em época de eleição, mas ontem andou circulando a informação de que o pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, estaria antecipando a convenção do seu partido, homologando a sua candidatura, o que anteciparia a segurança disponibilizada ao candidato pela Policia Federal, com medo de ameaças sofridas por facções do crime organizado com atuação no estado do Ceará. Até recentemente, o pré-candidato esteve naquele estado, gravando vídeos para a sua pré-campanha, onde mostrava territórios fantasmas, tomados pelo crime organizado. Renan começou com 200 mil seguidores nas redes sociais e hoje já conta com 2 milhões. Era um traço e hoje já pontua hoje com 9% das intenções de voto em algumas pesquisas, muito acima de nomes conhecidos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema. 

Renan, por incrível que possa parecer, é aquele outsider com o potencial, quem sabe, de furar a bolha da polarização política entre petistas e bolsonaristas, segundo alguns analistas. Nas redes sociais, os bolsonaristas sempre foram bons, Lula melhorou bastante, mas nada se compara ao "estrago" produzido pela equipe de Renan Santos. Agora mesmo, diante do seu avanço nas pesquisas de intenção de voto - ainda modesto, convém observar - a recomendação do candidato é que as pessoas podem colaborar espalhando a notícia em suas redes sociais, nos seus grupos de Zaps, coisas assim. Ainda não acreditamos que seja possível ele furar a bolha, uma vez que o Brasil tem algumas atipicidades, mas marketing é uma coisa muito interessante. 

Uma mega empresa de bebida estimulante espalhava garrafas vazias do produto em ambientes estratégicos, com forte presença dos jovens, potenciais consumidores do produto. Deu certo. Renan tem usado estratégias de comunicação política agressivas em sua campanha, com cenas impactantes. Sabe-se lá o efeito disso junto aos eleitores, principalmente quando se sabe que hoje um dos maiores problemas do país reside exatamente na atuação do crime organizado. Ele já anda prometendo construir megas presídios e até introduzir a pena de morte em alguns casos.    

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


Charge! Thiago via Jornal do Commércio

 


Crônicas do Cotidiano: Trump e Lamine Yamal



Rodri foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2026. O goleiro da seleção espanhola, Unai Simón, recebeu a Luva de Ouro de melhor arqueiro.  Vai aqui também a nossa referência ao técnico Luis de la Fuente, que conduziu a seleção espanhola tão bem durante todo torneio, principalmente na partida final, quando montou um esquema tático que praticamente inviabilizou o adversário. Ele saiu de uma situação de desemprego para conquistar uma Copa do Mundo. A seleção espanhola parece ter um DNA de superação, uma vez que o melhor jogador eleito do torneio também se refere ao tema da superação.  Mas, já que estamos falando de superação, nosso olhos se encantaram mesmo foi com Lamine Yamal, que, com o corpo e a mente "preparados" pela pressão, ao responder a um jornalista sobre se sentia pressionado em decidir uma Copa do Mundo com a seleção da Argentina, argumentou sobre a sua trajetória de vida, afirmando que estava ali para jogar bola. Jogou bola e a seleção do seu país ganhou a Copa do Mundo de 2026. 

Isso nos fez lembrar de nosso tempo de peladeiro, quando, num sábado chuvoso, recebemos a visita em nossa cidade de um garoto franzino, de cor negra, com a barriga cheia de verminoses, oriundo da Zona da Mata Sul do Estado. Esse garoto se transformaria, pouco tempo depois, no melhor jogador do Monte Castelo Futebol Clube, do campeonato de várzea local, chegando a defender as cores do time da cidade no campeonato profissional do estado de Pernambuco. Um craque de bola. Já adulto, na universidade, gostávamos de fazer uma correlação entre os estudos acadêmicos do antropólogo José Sergio Leite Lopes com a história de vida de Nego Tom que, assim como Lamine Yamal, enfrentou muitas adversidades. Nego tom era filho de descendentes de ex-escravizados da Zona da Mata do estado, explorados pelas usinas de açúcar da região, tema do mestrado do antropólogo. 

Logo depois, o antropólogo se dedicou ao estudo da tecelagem do conflito de classe na cidade das chaminés, onde os pais do Nego Tom trabalhavam, numa indústria de tecidos localizada numa cidade da Região Metropolitana do Recife. Através de seus estudos acadêmicos, José Sérgio Leite Lopes acompanhou a trajetória de vida do Nego Tom. Tanto no mestrado quanto no doutorado. Na cerimônia de encerramento da Copa, tivemos a curiosidade de observar a indiferença com que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi tratado pelo craque da vida e da bola, Lamine Yamal. Cumpriu-se o rito, mas, em nenhum momento, ele demonstrou qualquer gesto de afetividade com o presidente americano.  

Editorial: Uma "nova" candidatura de direita?


Com o título "Uma chance de ouro para a direita", o editorial do jornal O Estado de São Paulo advoga que talvez seja o momento de, diante das dificuldades da candidatura de Flávio Bolsonaro, a direita pensar num outro nome a ser trabalhado como opção. Na realidade, já temos opções à direita e até à extrema-direita. A questão é que, embora os problemas da candidatura de Flávio estejam fragilizando sua performance na disputa presidencial de 2026 - conforme se presume pelas últimas pesquisas de intenção de voto - o eleitorado de direita não parece inclinado a credenciar um outro nome, a exemplo de Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Filho. 

Ontem, 20, comentamos por aqui uma pesquisa que aponta que o eleitorado que acaba decidindo a eleição - aquele independente, menos infenso ao petismo e ao bolsonarismo - diante das dificuldades de Flávio Bolsonaro, está migrando para Lula. Quem seria essa direita à qual o jornal se refere? A direita bolsonariasta? Estaríamos aqui, então, diante de uma defecção nas próprias hostes bolsonaristas, que poderiam, diante das circunstâncias adversas, passar a pensar numa alternativa ao nome de Flávio Bolsonaro, que, a rigor, não seria o nome pensado antes do ex-presidente Jair Bolsonaro bater o martelo? 

Conforme brincávamos por aqui, antes de uma decisão praticamente imposta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, já havia um nome "verificado" pela direita, inclusive a direita de matriz bolsonarista. O nome reuniria as melhores condições para disputa, conforme se presume pelo andar da carruagem política. A candidatura de Flávio Bolsonaro representa uma decisão pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro, referendada pelo núcleo duro do bolsonarismo e um eleitorado antipetista. Os bolsonaristas menos radicais hoje entendem que talvez não tenha sido a melhor opção. 

domingo, 19 de julho de 2026

Editorial: Os eleitores independentes estão indo para Lula


Há um debate bastante interessante sobre esses eleitores independentes ultimamente, muito incentivado, talvez, pela atenção sobre eles, a partir de algumas falas do marqueteiro João Santana, sobretudo porque eles definem as eleições presidenciais no país. São eleitores infensos à polarização política, mas capitulados por um dos lados - posto que sem alternativas - embora orientados por questões mais pragmáticas, não necessariamente ideológicas. Já foram rigorosamente independentes - não tendo nenhum candidato - já tenderam a votar na candidatura de Flávio Bolsonaro, hoje tendem, majoritariamente, a votarem no Lula. Lula hoje ostenta uma tendência de abocanhar 30% desses eleitores, Flávio 15% e 17% continuam sem definir o seu voto. 

Esses dados foram levantamos pelo Instituto Quaest. Estamos tratando aqui, como os eleitores já perceberam, de um eleitorado "volátil", suscetível, mas determinante no pleito, o que significa mais uma dor de cabeça para os bolsonaristas.  A candidatura de Flávio Bolsonaro, que nos permitam os bolsonaristas mais radicais, entrou num "enrosco" onde não se sabe se haverá alguma saída. Há muito coisa a ser gerenciada, dentro e fora do país. Algumas dessas variáveis a sua campanha não tem controle. As defecções passam uma imagem muito ruim para o eleitorado. Nem ele nem o Valdemar tem total controle sobre o que está acontecendo. Quem vai controlar, por exemplo, as ações de um Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, sempre considerando que suas iniciativas favorecem o irmão? 

Estamos nos aproximando do pleito e adversidades nesta fase passam a ser mais complicadas. No momento é possível concluir que o avanço de Lula está mais relacionado aos erros de Flávio do que aos méritos do petista. Por uma dessas ironias do destino, Lula conta hoje com um cabo eleitoral de peso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Melhor para se construir uma "narrativa" impossível. 

sábado, 18 de julho de 2026

Editorial: Coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro contesta mais uma pesquisa do Atlas\Intel


Recentemente ficamos sabendo que a coordenação de campanha do senhor Flávio Bolsonaro entrou novamente com uma representação no TSE contestando os resultados de uma nova pesquisa de intenção de voto do Instituto Atlas\Intel. Num primeiro momento, a coordenação de campanha contestou os resultados de um outro levantamento deste mesmo instituto, pleito que foi acatado pelo Ministro Nunes Marques, presidente daquela corte eleitoral, numa decisão que causou enorme discussão entre os analistas e pesquisadores, trazendo à luz questões relativas aos métodos de pesquisa utilizados por esses institutos. Curioso que, logo em seguida, o próprio TSE, através do mesmo ministro, comunicou a existência de um preocupação no sentido de estabelecer uma espécie de "controle de qualidade" do trabalhos desses institutos. 

Uma espécie de "selo" de qualidade dos institutos. À época, em razão da repercussão do caso, muitos CEO's ou diretores dos inúmeros institutos de pesquisa que atuam no mercado brasileiro se manifestaram sobre o assunto, sempre em defesa do rigor técnico, metodológico e isenção que orientam as pesquisas desses instituto, evitando, assim, os eventuais vieses que poderiam comprometer a autenticidade do resultado dessas pesquisas. Comentamos por aqui que talvez fosse o caso de uma "regulação de mercado", ou seja, a necessidade de criação de uma entidade que pudesse estabelecer normas para a criação e atuação desses institutos, que costumam proliferarem em períodos eleitorais, fato em particular que poderiam suscitar alguma inquietação. 

No mercado brasileiro existem inúmeros institutos em atuação, todos muito bem consolidados e com um excelente nível técnico dos seus trabalhos. Tivemos curiosidade de acompanhar a resposta do CEO do Atlas\Intel, Andrei Roman, acerca desta nova contestação apresentada pela pré-campanha do senhor Flávio Bolsonaro. Ele se mostra convencido de que não precisa alterar em nada os critérios adotados pelo instituto em relação à realização dessas pesquisas. Outros dados que este editor se preocupou em observar foram os escores apresentados ali, que indica, na realidade, um crescente declínio dos índices de intenção de voto do candidato Flávio Bolsonaro. Nesta pesquisa, em primeiro turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 36,6%. No segundo turno, Lula 48,8%, enquanto Flávio crava 42,3%.  

Editorial: As contas chegaram


Circula um vídeo nas redes sociais - sugere-se que seja autêntico - onde o presidente Lula afirma que esperaria a tomada de decisão do Governo Trump sobre as tarifas para, somente depois, tomar alguma iniciativa. O vídeo foi realizado possivelmente durante uma cerimônia pública, talvez entrega de obras, onde as bravatas são recorrentes. É possível até que ele não raciocinasse dessa forma e tenha até tomadas algumas iniciativas de negociações com os americanos, através de seus assessores. O fato é que essas negociações não andaram e durante os pronunciamentos públicos das autoridades daquele país, a conclusão é que faltou o empenho necessário do Governo brasileiro no sentido de um equacionamento dessa questão.  

O fato é que as contas chegaram, trazendo aquelas consequências indesejáveis, pois irão se refletir diretamente sobre setores produtivos importantes, produzindo prejuízos para a nossa economia e repercutindo sobre o emprego de milhares de pessoas. No momento, do ponto de vista das negociações, a corda está bastante esticada entre os dois países, com acusações de parte a parte. Em mais um dos seus arroubos, o Governo Lula afirma que vai jogar duro com o Governo dos Estados Unidos, auferindo os lucros eleitorais que a situação provocou. Já há quem esteja sugerindo que a reeleição de Lula, no atual contexto, são favas contadas. Há um derretimento da candidatura de Flávio Bolsonaro, posto que organicamente vinculada às mazelas do tarifaço. 

Neste momento, Trump é o maior cabo eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. O ônus do tarifaço será atirado no colo do adversário Flávio Bolsonaro. Se a situação for revertida, o mérito será também do presidente Lula, o que significa dizer que a situação política é confortável para ele neste momento. É preciso entender, no entanto, que este é um jogo complicado, quando se entende, sobretudo, que o Governo Norte-Americano pretende influenciar nas eleições do país, assumindo que se afina com o projeto político dos bolsonaristas.  

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Editorial: O "timing" do tarifaço de Trump


As tarifas impostas pelo Governo dos Estados Unidos a alguns produtos de exportação brasileiros, em qualquer circunstância, são extremamente danosas aos nossos interesses. Acabo de ler uma informação de que assessores da pré-candidatura do senhor Flávio Bolsonaro consideram que tais tarifas deveriam ter sido anunciadas um pouco depois e não de imediato, como se isso fosse fazer alguma diferença, exceto, talvez, em relação às pretensões presidenciais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. É assim que uma situação sensivelmente delicada está sendo tratada, ou seja, como um trunfo eleitoral de A ou B. Os bolsonaristas que nos perdoem, mas a candidatura do senhor Flávio Bolsonaro talvez não sobreviva às intempéries. Não se trata apenas do tarifaço( ou tariflávio, conforme os petistas), mas em função de uma tempestade perfeita que ronda o pré-candidato. 

E, segundo dizem, vem novos raios por aí. Alguns analistas observam que o Governo Lula pode ter sido leniente nessas negociações diplomáticas em torno do assunto. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem sido contundente no seu enfrentamento às medidas adotadas pelo Governo dos Estados Unidos. Está no seu papel. Não abandonou o seu embaixador em Washington, como ocorreu naquele caso da França, onde o embaixador Carlos Alves de Souza Filho, que defendia nossos interesses em relação à pesca da lagosta no país se sentiu abandonado pelo Governo, cunhando a expressão de que o Brasil não era um país que não se poderia levar muito a sério. 

O caminho, no entanto, seria o diálogo, mas, mesmo assim, talvez Trump não esteja muito afim de ceder. Matreiramente já deixou de fora os produtos de exportação que pudessem inflar os índices inflacionários no território americano. Lei da reciprocidade já se sabe como é. Retaliações sem fim de lado a lado. Recorrer aos organismos internacionais de regulação já não produzem os mesmos resultados de outrora, em função da fragilidade desses organismos na geopolítica atual. O Governo Lula informa que já tem um plano para socorrer os setores atingidos. Resta saber com que lastro diante de nossa combalida economia. 

Editorial: A presença do Estado no Distrito Mecânico\Comunidade do Renascer.



Já existem várias "cidades fantasmas" no estado do Ceará, ou seja, comunidades que abandonaram suas residências por determinação explícita ou guerra entre facções do crime organizado. O caso mais emblemático é o do distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova, que o Governo do Estado disse ter retomado, mas, logo em seguida, a oposição apresentou um vídeo mostrando o contrário, ou seja, o distrito continua com suas casas vazias, praças e ruas desertas, como é possível observar nas imagens acima. Nessa questão de segurança pública, alguns fatos devem acender os alertas das autoridades constituídas acerca do que está ocorrendo. A Paraíba, infelizmente, entrou no radar do "avanço" do crime organizado, protagonizando situações de tentativa de ocupação de territórios, conflitos entre facções rivais, chacinas, inserção de facções no aparelho de Estado, como foi o caso recente da cidade de Cabedelo. 

Se, num determinado momento, os índices de MVI ou CVLI  caem, mas, no momento seguinte a polícia descobre que as facções já determinaram que numa determinada comunidade a população só podem usar os serviços de internet mantidos por eles, isso significa que o crime organizado avançou mais uma casa e é questão de tempo para as taxas de MVI ou CVLI voltarem a subir. Ontem líamos uma matéria onde o articulista provava que, se o CV tomar a favela de Rio das Pedras forma-se o complexo de Jacarepaguá e a situação fica sensivelmente preocupante, tornando-se quase impossível a retomada de território naquela área pelo aparelho de Estado. Esta reflexão vem no bojo do que está ocorrendo no estado da Paraíba, que ganhou as páginas policiais nacionais depois do ocorrido no Distrito Mecânico, mais precisamente na Comunidade do Renascer, em João Pessoa. 

Rapidamente se perde o controle da situação. Tome-se, por exemplo o caso da cidade de Bayeux, na Grande João Pessoa. É praticamente impossível o cidadão observar a crônica policial e não encontrar o registro de alguma situação de grave violência naquela cidade, todos os dias. Um grande contingente da Polícia Militar da Paraíba foi acionado recentemente para conter a onda de violência que tomou conta do Distrito Mecânico, onde uma facção realizou sequestro de pessoas, segundo dizem, com o propósito de execução. Cenas de guerra, típicas do que já ocorre em regiões conflagradas, a exemplo do Rio de Janeiro, com 16 homens encapuzados, portando armas de grosso calibre. Felizmente a Polícia Militar chegou em tempo hábil e impediu o intento dos criminosos. 

Vários batalhões da Polícia Militar do Estado da Paraíba participaram da operação. Não sabemos se, nesse primeiro momento, a ação policial contou com a participação da Polícia Civil, mas, se contou, fica o registro. Está de parabéns as polícias do Estado da Paraíba, principalmente pelo entendimento de que o aparelho de Estado não pode perder o controle da situação, mantendo sua presença no local de forma ostensiva. Pelos informes obtidos, o próprio Comandante da Polícia Militar do Estado participa diretamente das operações no local, principalmente nessa segunda fase, onde é preciso assegurar a presença institucional da corporação, tranquilizando a população que se sente refém do crime organizado. 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o impasse na escolha dos senadores na chapa de Raquel Lyra.


Pelo andar da carruagem política, possivelmente esse impasse criado junto à federação União Progressista, que deve indicar um dos senadores na composição da chapa da governadora Raquel Lyra(PSD-PE), tende a uma judicialização, o que implica dizer que o impasse não seria resolvido até a convenção que homologaria a sua candidatura à reeleição, prevista para o início de agosto. A solução deveria passar pela construção de um consenso, algo improvável nesse momento, mesmo que a governadora tenha externado sua preferência pelo nome do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, do União Brasil. Ontem saiu uma pesquisa sobre a disputa ao Senado Federal no estado, indicando uma tendência já observada em sondagens anteriores, da eleição de um nome de perfil mais à esquerda e um nome de perfil mais conservador, quem sabe de centro-direita. 

Pela grande capilaridade política alcançada ao longo de anos de atuação, o deputado federal Eduardo da Fonte(PP-PE) aparece em terceiro lugar nesta pesquisa, ameaçando, eventualmente, caso se confirme o seu nome de algum modo,  a eleição do nome do senador Humberto Costa, do PT, que integra a chapa do ex-prefeito João Campos(PSB-PE). A reeleição do senador é prioridade da legenda no estado. João Campos montou uma chapa puro-sangue, mas o eleitorado parece decidido a não apostar todas as fichas em dois nomes de perfil progressista como representantes do estado na Casa Alta. Salvo melhor juízo, o próprio Humberto Costa acenou para esta preocupação no início das conjecturas em torno da formação da chapa de João Campos. Eduardo da Fonte chegou a conversar acerca da possibilidade de uma composição com o socialista João Campos, algo que serviu de argumento para a governadora não endossar o seu nome em sua chapa de reeleição. 

Marília Arraes segue firme na dianteira das pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal em Pernambuco. Sugere-se que seja uma hegemonia inquebrantável, algo já detectado muito antes das definições de chapa. Ela inclusive tinha um outro projeto político, mas acabou aquiescendo a esta tendência do eleitorado. Pelo andar da carruagem política, na realidade, temos apenas uma vaga me disputa ao Senado por Pernambuco, uma vez que a tendência de eleição de Marília é dada como certa. Humberto Costa disputa este espaço, mas vem sendo acossado por algum nome de perfil conservador, seja Miguel Coelho, seja Eduardo da Fonte, seja um outro nome. Mantida a atual tendência, a eleição de Túlio Gadelha, principalmente em razão de se apresentar como um nome do campo progressista, torna-se improvável. 

A pesquisa do Instituto Conecta entrevistou 2,1 mil eleitores, entre os dias 8 e 11 de julho, em 53 municípios pernambucanos. Está registrada no TSE-PE sob o número: o4263\2026. 



Editorial: "E o Brasil que se lasque"


Este é o título do editorial de hoje, dia 16, do jornal O Estado de São Paulo. Mais uma vez, o "terrível" editorialista daquele jornal tem razão em seus argumentos, ou seja, Governo e Oposição agem de forma irresponsável no que concerne às finanças públicas, produzindo um ônus pesado para o país, fatura que deve ser cobrada já nos próximos meses. Por enquanto, eles vão empurrando com a barriga, auferindo os resultados imediatistas do populismo. Com seus pacotes de bondade sem lastro o Governo avança nas pesquisas de intenções de voto; enquanto a Oposição festeja mais uma derrota infligida ao Governo. O editorial do Estadão faz menção à recente aprovação da PEC 14\2021, que concede aposentadoria especial aos agentes de saúde e de combate à endemias, o que irá representar um rombo estimado de 30 bilhões aos cofres públicos pelas próximas décadas. 

Não estamos tratando aqui do mérito da aprovação da medida, por sinal humanamente justíssima, mas observando suas consequências para as contas públicas. Há alguns meses atrás, a Ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que havíamos chegado ao limite. Era preciso realmente dá uma segurada nos gastos públicos, sob pena de enfrentarmos o caos. Pelo andar da carruagem política, em ano de eleições, este aviso caiu no vazio. A Confederação Nacional dos Municípios(CNM) já se manifestou contrária à aprovação da PEC 14\2021 avaliando que o impacto sobre os municípios seja da ordem de R$ 70 bilhões, praticamente levando a um impasse fiscal. 

É o Brasil descendo a ladeira, meu caro editorialista. Uma imagem que traduz muito bem isso é uma analogia atribuída a pelo antropólogo Roberto DaMatta, quando ele menciona a alegoria do elevador. O elevador do prédio suporta apenas seis pessoas. Num determinado momento, um funcionário tenta entrar no elevador, mesmo sabendo que a lotação já estava esgotada. O ascensorista em princípio recusa, mas o funcionário sugere que pode limpar sua barra com a empregada do 301. Ele acaba aquiescendo, cedendo à proposta, e o elevador vai ao fundo do poço.  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Editorial: Com melhora da avaliação, Lula abre vantagem significativa sobre Flávio Bolsonaro.



Ainda quentinha, acaba de sair da fornalha uma nova rodada de pesquisa do Instituto Quast\Genial sobre a disputa presidencial de 2026. O Planalto tem todos os motivos para festejar, enquanto a campanha do candidato bolsonarista, Flávio Bolsonaro, precisa colocar suas barbas de molho. É a primeira vez, desde 2024, pelos levantamentos do Instituto, que o presidente Lula tem índice de aprovação superior ao de desaprovação: 48% aprovam, enquanto 47% desaprovam. Este fato alvissareiro para o Planalto deve estar se refletindo diretamente nas escores de intenções de voto obtido pelo candidato Lula, que começa a abrir diferença significativa do oponente Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições de 2026. 

Segundo avaliação do presidente do instituto, o cientista político Felipe Nunes, o que se supõe é um eventual desgaste da imagem do candidato depois do affair Michelle Bolsonaro. Ou seja, o fogo amigo estaria produzindo maiores desgaste na candidatura de Flávio do que os méritos do próprio Lula. Se consideramos o que apresentamos pela manhã, com a possibilidade de novos petardos, a pergunta que se faz é se a sua candidatura não esteja começando a descer ladeira abaixo. Um fato curioso, igualmente observado pelo presidente do instituto, é que esses escores perdidos pelo pré-candidato bolsonaristas não são direcionados a nenhum dos demais concorrentes do segundo escalão. 

A pesquisa do Quaest ouviu, de forma presencial, 2004 pessoas, entre os dias 10 e 13 de julho, apresenta 2 p.p de margem de erro, índice de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o número: BR-07181\20226

Segundo turno: 

Lula(PT)       45%

Flávio Bolsonaro(PL)     37%

Editorial: André de Paula fica no Ministério da Agricultura


Ontem, 14, comentamos por aqui, em postagem dedicada à disputa política no estado, sobre a dissidência aberta no PT local em relação ao apoio do nome da governadora Raquel Lyra(PSD-PE) para o Governo do Estado, em 2026. É preciso, antes de mais nada, considerarmos o fato de que a governadora Raquel Lyra não tem arestas com o Planalto; hoje, lidera as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado; por fim, mas não menos importante, é preciso considerar que seus votos não são apenas oriundos da direita. O próprio Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, que hoje é o vice na chapa de Ronaldo Caiado(PSD-GO), deixou a governadora à vontade para as suas costuras locais. Em nenhum momento impôs que ela deveria apoiar o nome do partido, postura acompanhado pelo pré-candidato Ronaldo Caiado. 

Para evidenciarmos como esses arranjos locais podem não seguir, necessariamente, as decisões tomadas pelos grêmios partidários em Brasília, hoje, 15, leio, na coluna Diário Político, da jornalista Renata Bezerra de Melo, do Diário de Pernambucoque o Ministro da Agricultura, André de Paula, deve ser mantido no cargo, independentemente do rumos tomados oficialmente pelo PSD. A articulação com o ministro André de Paula, que é filiado ao PSD, está relacionada à bancada federal da legenda, que vota sempre em pautas a favor do Governo Lula. Trata-se um membro do partido, pernambucano, aliado da governadora Raquel Lyra, que vota a favor do Governo. 

A dissidência aberta no PT local não é recente. Quando foi eleito prefeito do Recife pela primeira vez, quem procurou distância do PT à época foi o próprio candidato João Campos. Fez críticas duras ao partido e afirmou, categoricamente, que governaria sem o PT, fomentando alguns constrangimentos em membros da legenda. É possivelmente este grupo hoje que não se sente muito à vontade em endossar sua candidatura ao Governo do Estado. 

Editorial: Como a equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro pretende usar as medidas restritivas impostas a ele.



O bombardeio será pesado até o final da campanha presidencial. A disputa está equilibrada, dentro daquela condição imposta pela polarização política, ou seja, mesmo diante das dificuldades de ambos os candidatos, eles continuam competitivos, não permitindo a ascensão de um nome do segundo pelotão. A revista Veja trouxe até uma matéria recente sobre o outsider Renan Santos, o nome que, em tese, poderia provocar alguma mudança nessa dinâmica competitiva dos pleitos presidenciais no país nos últimos anos. Trata-se de uma dinâmica competitiva que divide a disputa entre petistas e bolsonaristas. 

Vem chumbo grosso por aí, mas vamos aguardar primeiro os disparos dos canhões. Por enquanto, o que se sabe é que assessoria de marketing do candidato Flávio Bolsonaro pretende utilizar as imposições do STF contra ele a seu favor, ou seja, trabalhar no imaginário social o sentimento coletivo de um filho proibido de ver o pai. Não sabemos se isso vai surtir algum efeito positivo para o candidato, uma vez que, conforme se presume, a comunicação do candidato hoje atua como bombeiros tentando apagar incêndios, inclusive aqueles que estão sendo produzidos pelos piromaníacos do próprio bolsonarismo. 

O candidato, por sua vez, tem cometido alguns erros primários, passíveis de serem evitados. São tantos os equívocos que, um espaço como este seria insuficiente para mencioná-los. A equipe de comunicação, na realidade, deveria ficar mais atenta aos seus passos e atitudes. O que seria mais importante? a divulgação de uma carta do ex-presidente apresentando-o como o interlocutor legítimo do bolsonarismo ou uma interlocução permanente com um ator que, mesmo cumprindo prisão domiciliar, realiza um trabalho estratégico para o bolsonarismo neste momento? A equipe de comunicação ou marketing político sabia da carta, assim como de sua divulgação?  

terça-feira, 14 de julho de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o "conclave" que define um dos senadores na chapa de Raquel Lyra.

Crédito da Arte: Blog do Magno


No estado vizinho, a Paraíba, o diretório do PT de Campina Grande já informou à direção estadual da legenda que os dois nomes que serão apoiados pelo partido na cidade para o  Senado Federal serão o do ex-governador, João Azevedo(PSB-PB), e o do senador Veneziano Vital do Rego(MDB-PB), que concorre à reeleição. A deputada estadual Cida Ramos(PT-PB), que dirige a legenda no estado, entendeu que se tratou de um processo natural, para não dizer também coerente. O PT estadual, igualmente, formalizou o apoio a um nome como o de Lucas Ribeiro, do PP, e, oficialmente, deve apoiar o nome de Nabor Wanderley(Republicanos-PB) ao Senado Federal. Um apoio com reticências naturais, mas endossando a aliança com o socialista João Azevedo. 

Trazemos este exemplo para tentar entender o porque de tanta confusão em torno de uma dissidência do PT de Pernambuco, onde segmentos endossam o apoio ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra(PSD-PE). É impressionante como as coisas estão assumindo um rumo de radicalismo, quando já se fala numa eventual expulsão do vereador Osmar Ricardo do partido, assim como não oferecer a legenda para os seus novos projetos políticos. Tratando da questão do ponto de vista estritamente ideológico, as duas citações não são convergentes. Embora filiado ao MDB, sabe-se da fidelidade do Veneziano Vital ao Governo Lula 3. Aqui o argumento "ideológico!" faz algum sentido, sobretudo se entendermos que forças do campo político oposto estão afinados com o projeto de reeleição da governadora. Por outro lado, do ponto de vista da burocracia partidária, depois de 46 anos de história, já se esperava que o partido tivesse uma estrutura de amortecedores melhores para lidar com uma situação do gênero. Parece até que estamos na década de 80. 

Por outro lado, Raquel nunca declarou oposição a Lula. Sua relação com o Planalto é a melhor possível e extrapola o meramente institucional. Pragmaticamente, hoje lidera as pesquisas para o Governo do Estado. São votos que interessam ao projeto de reeleição de Lula. A imagem publicada no blog do Magno de uma espécie de conclave para definir o segundo nome na chapa ao Senado Federal da governadora Raquel Lyra foi muito feliz, embora se saiba que a gestora, depois de esgotar suas posições sobre o assunto, entregou aos caciques da federação União Progressista uma decisão sobre o assunto. A imagem é uma referência às intensas - e não menos tensas - reuniões com Antonio Rueda(UB-) e Ciro Nogueira(PP) em torno do assunto.