pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sábado, 5 de setembro de 2026

Editorial: Ciro lidera no Ceará, segundo nova pesquisa da Quaest



O presidente Lula esteve recentemente no Ceará, onde inaugurou trecho da obra hídrica do Canal de Transposição do Rio São Francisco. Aproveitou a oportunidade, naturalmente, para fazer um percurso de automóvel ao lado dos seus apoiadores no estado, o governador Elmano de Freitas(PT-CE), que concorre à reeleição, o candidato ao Senado Federal, Cid Gomes, e o ex-Ministro da Educação, Camilo Santana. Camilo é um dos coordenadores da campanha de Lula no plano nacional e, no Ceará, exerce forte influência sobre o grupo petista. Joga todas as suas fichas e prestígio político na eleição de Elmano de Freitas, uma jogada cada vez mais arriscada, uma vez que, a cada nova pesquisa, o franco favoritismo do candidato de oposição, Ciro Gomes, via se consolidando. 

Hoje, 05, saiu mais uma pesquisa de intenção de voto, desta vez realizada pelo Instituto Quaest, onde Ciro aparece com 45% das intenções de voto, enquanto o governista Elmano de Freitas crava 34%. Uma diferença de 9 pontos percentuais, embora tenhamos que considerar a margem de erro do instituto, ou seja, 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Num eventual segundo turno, Ciro aparece com 49%, enquanto Elmano pontua com 36%. Em muitas praças do país, o eleitorado, no tocante à eleição para o Senado Federal, tem adotado a prática de não colocar todos os ovos numa única cesta, ou seja, opta por um nome conservador e um nome progressista. No Ceará tem sido assim. Cid Gomes, identificado com o grupo de Camilo Santana, e o capitão Wagner, neoaliado de Ciro Gomes, lideram as intenções de voto para a Casa Alta. 

A pesquisa do Instituto Quaest foi encomendada pela TV Verdes Mares, ouviu 900 eleitores, pessoalmente, entre 31 de agosto e 03 de setembro e está registrada na Justiça Eleitoral daquele estado sob o número: CE: o1149\2016. O Ceará é um dos estados mais prejudicados pela atuação de grupo faccionado nas eleições. Ali ocorre, em algumas regiões,  a prática do que se convencionou chamar de pedágio eleitoral, onde esses grupos cobram para permitir que determinados candidatos façam campanhas em territórios controlados por ele, corrompendo o processo democrático. Recentemente uma cidade do interior amanheceu com pichações proibindo campanha de Ciro Gomes(PSDB-CE). 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Editorial: Desmonte institucional

 


Aconselho aos leitores deste blog a leitura do artigo do jurista José Paulo Cavalcanti Filho, publicado na edição de hoje, 04, do Jornal do Commércio. Como assessor do ex-Ministro da Justiça, Fernando Lyra, José Paulo Cavalcanti Filho foi um dos responsáveis por remover os entulhos autoritários deixados pelos governos militares no país. Zé Paulo, inclusive, tem vínculos orgânicos com a academia, sendo até recorrente as suas aparições no Programa de Mestrado e Doutorado da UFPE, durante a nossa época de estudante. Nos últimos anos, o país passou por um verdadeiro desmonte institucional. Tivemos um retrocesso sem precedentes, que passou de um governo protofascistas a uma democracia fake. Agentes do Judiciário movendo moinhos para impedir que a justiça seja feita. Há contradição maior do que essa? 

O sistema aponta suas baterias por quem clama por posturas e procedimentos republicanos, coerentes com as funções de um agente público. Circula nas redes sociais um vídeo onde um desembargador vaticina que o país acabou há vinte anos. Não vejo porque não concordar com ele. Sob certos aspectos, vamos ter uma das eleições presidenciais mais atípicas do país. O que está se decidindo não é o nosso futuro,  mas uma briga intestina e danosa entre petistas e bolsonaristas, cada qual com suas fragilidades inerentes. Nem dos debates públicos eles precisam participar, num profundo desrespeito ao eleitorado. 

O arranjo que deve prevalecer, solvo melhor juízo, é o arranjo que deve proteger os blindados pelo sistema. Hoje uma articulista chega a insinuar, sem qualquer surpresa, que já se pensa num acatamento de um pedido de impeachment exatamente do magistrado que colocou o dedo na ferida, que conduz sua vida pública com absoluta correção. Para alguns atores do Executivo e do Judiciário, as investigações do caso Master não interessa exatamente porque pode prejudicá-los. Não surpreende essas composições e alianças. 

Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio.

 


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Editorial: Tarcísio pode vencer no primeiro turno em São Paulo, diz pesquisa Atlas\Estadão



A pesquisa do Instituto Atlas, encomendada pelo Estadão, foi publicada no dia de hoje, 03. A pesquisa traz uma notícia alvissareira para o grupo que coordena a candidatura do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que pode vencer a eleição ainda no primeiro turno, o que se constitui numa dor de cabeça para o Planalto. O Planalto, aliás, não tem recebido notícias boas. Não fossem suficientes as dificuldades inerentes enfrentadas por Lula neste momento, soma-se a isso o agravamento da crise institucional, com reflexos diretos sobre o rumo das eleições. O posicionamento sobre o que está ocorrendo em relação à Suprema Corte pode até decidir as eleições de outubro. 

O plano em São Paulo nunca foi o de reservar a cadeira do Palácio dos Bandeirantes para o ex-Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O objetivo ali era só amealhar um coeficiente de votos que permitisse a Lula equilibrar o jogo no restante do país. Se Tarcísio fechar a fatura ainda no primeiro turno, as coisas se complicam. Talvez agora se entenda porque Lula declarou recentemente que, se não vencer no primeiro turno, as coisas podem se complicar. Hoje também o site O Poder traz uma pesquisa onde Flávio teria ultrapassado Lula numericamente: 46% a 45% no segundo turno. Tudo dentro de uma margem de erro, mas preocupante. 

A pesquisa do Instituto Atlas foi realizada entre os dias 26 e 31 de agosto, ouviu 1.810, com margem de erro de 1 pp para mais ou para menos, 95% de índice de confiabilidade. Está registrada no TSE-SP: 06964\20206 e TSE-BR: 02563/2026. Nesta pesquisa, Tarcísio aparece com 51,1% e Fernando Haddad com 39,9%.  Como nessas eleições estamos vendo coisas fora da curva, possivelmente em razão desse climão de crise institucional instaurada, ainda permanece as especulações acerca de uma suposta perseguição policial contra o motorista do candidato Fernando Haddad. 

Editorial: O desânimo em relação à eleição de outubro.

 


O jornalista Ângelo Castelo Branco, em artigo publicado no dia de hoje, 03, faz alusão às velhas eleições de antigamente, capaz de agitar a cidade do Recife. Hoje, há um mês das eleições de outubro, o clima sugere algo como um velório. Realmente não há motivos para grande empolgação com esta eleição, sobretudo se considerarmos o ambiente político em que ela está se desenrolando, com os atores que deveriam desempenhar o papel de árbitros no olho do furação de uma crise institucional sem precedentes, onde acordos políticos podem substituir os mais elementares pressupostos jurídicos; quando se sugere que elementos probabilísticos sejam solenemente ignorados; pedidos de impeachment engavetados sob argumentos estapafúrdios. 

Qual o verdadeiro debate de ideias entre os principais postulantes? O candidato da terceira via parece que acordou agora de um sono dos justos, fazendo um esforço tremendo para ajustar sua plataforma de postulante ao Palácio do Planalto. Alguém já avisou a ele que ele concorre a uma eleição presidencial? Foi pego de surpresa. Augusto Cury desponta no cenário apenas como reflexo do desgaste desta abominável polarização política. Isso está fazendo um mal danado ao país. Provas são ignoradas; arranjos não permitem que atores comprometidos sejam devidamente investigados e afastados de suas funções; impeachment são bloqueados. É um quadro desolador, meu caro Ângelo Castelo Branco. O que temos hoje de registros pelo centro do Recife são câmaras flagrando pessoas espalhando panfletos apócrifos pelos postes da cidade. É lamentável esse cenário. 

Uma vez um crítico disse que meus textos tinha a primazia de transformar lugares em personagens, numa referência que fazíamos à famosa rua da Aurora, a mais recifense das ruas, segundo o antropólogo Gilberto Freyre. Sempre gostei disso. Certa vez escrevi um conto sobre o trajeto de Albert Camus pelo Recife, saindo ali do Pátio de São Pedro - que encantou o escritor francês - passando pelo Beco do Veado, adentrando no Mercado São José. Sempre nos interrogávamos no texto a razão de Camus ter se encantado com o Pátio de São Pedro. Quando esteve no Recife, ele passou mal e sua conferência na Faculdade de Direito do Recife foi apenas protocolar. Ele não estava bem. Com o dinheiro recebido com o Prêmio Nobel de Literatura, adquiriu um imóvel na França, em muito semelhante à sua antiga residência na Argélia. Tá explicado. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Editorial: Pedágio Eleitoral



Nas eleições passadas, no estado da Paraíba, facções do crime organizado ameaçaram um candidato que iria fazer um comício numa determinada comunidade. Ali só seria permitida a presença de candidatos que tivessem celebrado algum tipo de acordo com esses grupos faccionados. À época, o candidato passou a contar com a segurança da Polícia Federal em seus deslocamentos. Logo em seguida, para complicar ainda mais o enredo, a própria PF detectou essas eventuais ligações cabulosas entre políticos locais e essas facções. Nessas eleições, em razão da profusão de ocorrências, o termo ganhou o status de "Pedágio Eleitoral". Em estados como o Ceará, a prática é recorrente desde eleições passadas. Em Sobral, por exemplo, vereadores já eleitos foram presos em operação da PF. 

Nas eleições deste ano, a prática está assumindo contornos preocupantes. Como o candidato Ciro Gomes, do PSDB, tem prometido uma luta sem trégua contra as fações, em algumas regiões seu grupo político está sendo ameaçado de fazer campanha. A prática é a mesma. Só entra na região controlada pelas facções aqueles candidatos que pagarem o tal pedágio, algo que depõe sensivelmente contra o modelo de democracia representativa do país. O eleitor deixa de ter a liberdade de fazer suas escolhas. Convém ficar atentos aos sinais. Aqui em Pernambuco, na comunidade do Iputinga, mais precisamente na Ilha do Bananal, depois de uma operação exitosa das polícias civil e militar, em conjunto com força tarefa da PF - em razão da participação do GAECO - as forças de segurança desmontaram um verdadeiro depósito de drogas e armamentos que atendiam ao interesse de inúmeras grupos faccionados que atuavam no estado. Era uma espécie de almoxarifado do crime. 

Logo em seguida, outra operação da Polícia Civil desmontou um esquema de serviços de internet que era operado pela facção. Hoje, 02, motoristas fazem protestos em razão da morte de um companheiro que teve seu ônibus sequestrado e incendiado, em razão da luta de facções que ocorre em região de Olinda, o que se constitui num estágio de avanço das ações desses grupos no estado. São sinais preocupantes. Alguns desses indicadores apontam que o crime organizado avançou uma casa sobre a ação do aparelho de Estado. 

Charge! Borega via perfil do autor no Instagram

 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Editorial: Lula: "Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno"


Hoje, dia primeiro, saiu mais uma pesquisa apontando que os índices de desaprovação do Governo Lula permanecem inalterados, índices que se repetem desde algum tempo, superando todas as tentativas do Planalto em tentar demovê-los. Lula afirmou recentemente que iria "fazer o diabo para ganhar no primeiro turno". Aqui teríamos uma série de conjecturas a fazer, a começar pelo conselho do velho Garrincha, quando fez aquele questionamento sobre a estratégia que seria recomendada pelo técnico para vencer o adversário: Isso já foi combinado com o adversário. É quase impossível que esta eleição presidencial se conclua no primeiro turno, principalmente agora quando se observa uma eventual reação da terceira via, através da candidatura de Augusto Cury, do Avante, que já aparece com 11% das intenções de voto. 

Neste momento, a situação da candidatura de Lula não é nada confortável. A avaliação do seu terceiro governo nunca permitiu que ele se descolasse efetivamente do seu principal concorrente, Flávio Bolsonaro, e, agora, começa a pagar um ônus pesado em relação ao episódio envolvendo o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", que está respondendo a três inquéritos na Polícia Federal. É uma eleição difícil para o morubixaba, que corre o risco de deixar a vida pública com uma derrota. Isso foi dito lá no início, quando ainda se especulava em torno de uma eventual candidatura. Lula recebeu conselhos de raposas felpudas, a exemplo de José Sarney e Michel Temer. Essas raposas tem um faro apurado. 

O cálculo de Lula é que as coisas serão complicadas num eventual segundo turno. Comentamos isso por aqui no dia de ontem. Até por osmose, todos os demais candidatos deverão compor com quem liderar contra ele. Hoje o mais provável é Flávio Bolsonaro, caso a bolha da polarização não seja furada por algum azarão. Depois de três mandatos, o que se esperava é que o PT já tivesse construído uma alternativa a Lula. Não o fez, talvez em função da própria personalidade de Lula. Especula-se hoje sobre 2030 porque, caso ele não seja eleito, não pode mais candidatar-se. Se ele perder essa eleição, não duvidamos de que ele volte a pensar em candidatar-se.   

Editorial: A escolinha do professor Bukele


Estávamos lendo no dia de ontem, 31, uma matéria sobre a estratégia de comunicação do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Trata-se de uma estratégia centrada em alguns eixos eficientes ao ponto de torná-lo hoje um presidente pop star. Onde ele aparece, são multidões de jovens tentando tocá-lo, fotografá-lo, num frenesi típico do que ocorria no passado com os integrantes da banda The Beatles. Não é apenas a redução dos índices de violência no país, assim como a introdução do polêmico CECOT que produziram, sozinhos, essa reação. Há mais elementos em jogo. O CECOT, inclusive, é um modelo de prisão que viola os mais elementares direitos humanos, ancorada em ilegalidades, como julgamentos coletivos, prisões arbitrárias e até execuções, conforme se especula. Estamos diante de um estado de exceção. 

Hoje, dia primeiro, o editorial do terrível editorialista do Estadão é sobre o fetiche que o modelo dessa prisão está exercendo sobre alguns dos candidatos presidenciais no país,  a exemplo de Renan Santos, Romeu Zema e Flávio Bolsonaro. Renan Santos, que teve sua candidatura suspensa recentemente, fez uma verdadeira cruzada pelo país com propostas que deixariam o próprio Bukele de queixo caído. Ele consegue ser mais radical do que o presidente de El Salvador. Flávio conversou recentemente com o secretário de segurança pública daquele país, onde teria deixado escapar para a imprensa que o Brasil prende pouco. Deveria ter consultado os seus assessores antes, porque somos a terceira população carcerária do mundo, mantendo preso em condições talvez até piores do que em El Salvador sob algumas circunstâncias. 

No Paraná, o ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, andou anunciando que, se eleito, irá construir um presídio de segurança máxima no país com o nome de El Salvador. Bukele, na realidade, vem fazendo escola por todo o continente. É o queridinho do presidente dos Estados Unidos no contexto da Operação Escudo das Américas. Prisões inspiradas em seu modelo do CECOT vem sendo construídas em alguns países do continente. A população brasileira está desesperada com esta situação do avanço do crime organizado. Realmente algo precisa ser feito e urgentemente, mas no escopo, como observa o editorialista, do respeito à Constituição. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Editorial: Augusto Cury testado no segundo turno?


Embalado nos índices de intenção de voto que já o apontam com 11%, o psiquiatra Augusto Cury aparece hoje nas redes sociais se explicando acerca de algumas falas durante sua entrevista na Globo, onde pareceu confuso com sua proposta de utilização de drones na área de segurança pública. Vamos ser sinceros por aqui. Acreditamos que nem ele, tampouco o Avante mantinham alguma expectativa tão otimista em relação à sua candidatura. A partir de agora ele vai precisar fazer alguns ajustes de rumos, ter clareza sobre as suas propostas e, principalmente, saber comunicá-las à opinião pública. Começaram as especulações sobre se ele já poderia ser testado pelos institutos num eventual segundo turno, como já ocorre hoje com Renan Santos, Caiado e Romeu Zema. 

Na realidade, existe um eleitorado exausto dessa polarização política. O eleitor de Bolsonaro, em parte, é aquele eleitorado que não gostaria de conceder um quarto mandato ao lula, excetuando-se o bolsonasita raiz. O eleitor de Lula, excetuando-se o petista raiz, votaria no candidato em razão das incerteza inerentes a um governos de perfil bolsonarista. Incertezas ou certezas preocupantes, para sermos mais precisos. Já temos afirmado por aqui, com todo o respeito ao cabo Daciolo, que, se ele fosse para uma disputa com um dos postulantes acima, pontuaria de forma competitiva. Com Augusto Cury, antecipamos que estaremos diante da mesma situação. 

Como seria "natural", já começaram os ataques ao candidato ou uma tentativa de minimizar seu avanço nas pesquisas de intenção de voto, fato registrado por dois institutos, o Nexus e o Atlas\Intel. É melhor mudar a estratégia, uma vez que o candidato é, como se dizia outrora, ficha limpa. Aqui em Pernambuco, na ausência de algo que desabonasse a conduta da governadora Raquel Lyra, começaram, irresponsavelmente, a plantar difamações contra ela nas ruas do Recife, através de panfletos apócrifos. Uma conduta que depõe negativamente com um estado de fortes tradições políticas. Neste nível, vamos ganhar a eleição no critério baixaria. 


Editorial: Augusto Cury furou a bolha da polarização?

Crédito da Foto: Ana Branco, Agência O Globo


Hoje o dia será pequeno para as discussões em torno deste assunto, logo após a divulgação das pesquisa de intenções de voto do Instituto BTG\Nexus, onde o candidato do Avante, Augusto Cury, aparece com 11%, o que significa um salto gigantesco em relação ao universo de pesquisas anteriores onde o candidato não conseguia ultrapassar os 2%. Ainda é cedo para afirmar que se ele reúne as condições efetivas para furar a bolha da polarização, mas algumas questões já podem ser levantadas, a exemplo do que temos afirmado por aqui, ou seja, que estamos numa campanha presidencial marcada pelo "eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado", remetendo a um futuro de perspectivas incertas, temerárias ou certas, porém indesejáveis. Se aquele contingente de eleitores independentes estão direcionando suas insatisfações e indecisões para o candidato do Avante, aí sim teremos novidades na disputa. As últimas pesquisas indicavam que eles estavam diminuindo, mas sabe-se que praticamente "forçados" a tomarem uma decisão por um dos lados da polarização.   

Do ponto de vista do candidato do Planalto, não é improvável que a sua estagnação nas pesquisas de intenção de voto possa ter relação aos inquéritos que correm contra Fábio Luís Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal. Em relação a Flávio, muito provavelmente o Dark Horse esteja produzindo os efeitos dos coices. Uma jornalista declarou que o candidato bolsonarista tratou apenas do seu "currículo" na entrevista concedida à Rede Globo. Cada afirmação sua sugere-se uma correção imediata. Afirmar que temos poucos presos no Brasil é algo que não faz jus à nossa realidade de terceira maior população carcerária do mundo. Nós estramos numa campanha presidencial sensivelmente frágil, onde o debate que interessa não está na agenda. Isso já vem de algum tempo. É importante termos algum alento de mudança competitiva desse jogo. Até para provocar a ida dos principais competidores aos debates públicos. 

Outra questão importante diz respeito ao segundo turno das eleições. Há um grande equilíbrio de forças entre Lula e Flávio Bolsonaro. Lula 46%, Flávio 45%. Em termos de composição de alianças, é possível que Flávio leve algumas vantagens por aqui. Lula está sozinho como representante das forças de esquerda ou progressista. A pesquisa ouviu 2.005 eleitores, por telefone, entre os dias 28 e 30 de agosto. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG\Pactual. A margem de erro é de 2pp para mais ou para menos, com índice de confiabilidade de 95% e está registrada no TSE\BR- 08900\2026.   

domingo, 30 de agosto de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: campanha de ódio contra a governadora Raquel Lyra



Este artigo já havia sido escrito antes dos últimos episódios que, infelizmente, remete ao mais execrável nível a que chegou a campanha política em Pernambuco. Quem conhece a história política do estado não se surpreende com essas práticas, embora a indignação e a repulsa a tais atos permaneçam inquebrantáveis. Aqui queremos manifestar nossa solidariedade à governadora e à sua família por esses episódios deploráveis. Na campanha de 2020, a cidade do Recife amanheceu repleta de cartazes desabonando o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até hoje há alguns petistas autênticos que não suportaram ver o nome do presidente Lula enxovalhado daquela maneira. A hoje candidata ao Senado Federal, Marília Arraes, também foi vítima dessas quadrilhas de insanos que se especializaram nessas práticas abjetas. Ainda hoje este blog guarda as fotos dos muros pichados, próximos à sua residência, com dizeres impublicáveis. 

Desta vez o alvo foi a governadora Raquel Lyra. Não há limites para essa gente, governadora. A cidade, redes sociais e até regiões do interior estão repletas de cartazes associando-a à morte do seu marido. Um desrespeito inominável. Não respeitaram a sua dor, não respeitaram a sua família, não respeitaram os seus filhos. Há muito interesses em jogo e tais interesses seriam contrariados com a permanência da governadora no Palácio do Campo das Princesas por mais quatro anos. Com 68% de aprovação junto à população do estado, somente num contexto fora do normal ela poderia perder as eleições. Não era um assunto que gostaríamos de comentar por aqui, mas este blog, como repositório das eleições no estado há 15 anos, não deveria deixar de registrar tal episódio, embora deplorável.  

No artigo anterior, que acabou não saindo, comentávamos acerca de um processo insipiente de judicialização da campanha, uma vez que a Frente Popular, assim como a assessoria jurídica da campanha da governadora poderia ser igualmente acionada ainda em função das informações que circulam na imprensa nacional sobre um suposto gabinete do ódio. Agora, chegamos ao mais baixo nível. Quem acompanha nossas discussões por aqui, sabe que não vamos muito bem no plano nacional, que está mais parecido com aquela série de filmes eu ainda seu o que vocês fizeram no verão passado. Aqui, entramos num lodaçal, no mais baixo nível de uma campanha política, quando o debate sobre o destino da res publica cede espaço a essas práticas sórdidas, execráveis, onde se impõe que sejam repelidas pelos homens e mulheres de bem do estado. 

Editorial: Reta final de uma eleição presidencial apertada


Soubemos há pouco que o candidato Flávio Bolsonaro se preparou durante uma semana para a sabatina da Rede Globo. Treino efetivo, segundo matéria de O Globo, com a ajuda da própria esposa, que assumiria a bancada doméstica como uma espécie de clone da jornalista Renata Vasconcelos. Logo após a entrevista, Flávio foi saudado por apoiadores e assessores mais próximos, que chagaram a comemorar a sua performance durante a entrevista. Como já externamos nossa opinião por aqui acerca do desempenho do candidato durante a entrevista vamos pular esta etapa. O Globo também anuncia a primeira pesquisa do Instituto Datafolha logo após o término da série de entrevista, o que amplifica, cada vez mais, a importância de tais entrevistas na corrida pelo Palácio do Planalto, principalmente num contexto onde alguns candidatos se recusam a participar dos debates. Vamos aguardar a pesquisa, que deve sair ainda nesta semana, possivelmente ao cair da noite, para aumentar as expectativas. 

O mais importante no editorial de hoje, no entanto, diz respeito à pesquisa do Instituto Vox Brasil, que aponta a dianteira numérica de Flávio Bolsonaro sobre Lula num eventual segundo turno das eleições. É claro que vamos ter segundo turno. Embora a diferença seja pontual e dentro da margem de erro, o dado é emblemático, uma vez que, as entrelinha apontam para uma queda dos índices de Lula pelos levantamentos do instituto, assim como uma recuperação gradativa do bolsonarista. Flávio Bolsonaro 45,1% e Lula 44,5%. A pesquisa do Vox Brasil ouviu 2.100 eleitores, entre os dias 25 a 27 de agosto, com margem de erro de 2pp e coeficiente de acerto de 95%. Está registrada no TSE-BRA- 05519\2026. 

Aqui em Pernambuco estamos assistindo a uma espécie de judicialização da campanha para o Governo do Estado. O fenômeno dos gabinetes do ódio aqui é endêmico, muito antes que campanhas sistemáticas de destruição de reputação tivessem assumido tal denominação. Aqui no estado há instituições que utilizam dessa prática como uma espécie de "protocolo" empregado contra agentes sociais que  contrariaram interesses ou se colocam contra as "engenharias" corporativas que se movem por incentivos nada republicanos. Não é exceção. É "protocolo". Basta "cruzar" a linha. Práticas abjetas, utilizadas como "rotineiras", sob a complacência de quem teria, por dever de ofício, a obrigação de coibi-las. O uso dos instrumentos do aparelho de Estado para perseguir os adversários é prática que vem desde 1500. 

sábado, 29 de agosto de 2026

Editorial: Entrevistas da Globo: entre mentiras e cinismo



Ali pelas 20h30, início do Jornal Nacional, já estamos a postos para acompanhar as entrevistas dos candidatos que concorrem às eleições presidenciais deste ano. As entrevistas são realizadas logo após o jornal. Conforme comentamos por aqui, no dia de ontem, 28, as entrevistas da Globo, por sua importância, já assumiram um status próprio, com uma bancada exclusiva de entrevistadores: César Tralli e Renata Vasconcelos. Nessas ocasiões, seria bastante interessante conhecermos as propostas dos candidatos caso chegassem a tomar assento na cadeira do Palácio do Planalto. Infelizmente, não é bem isso o que está ocorrendo. No caso de Lula, seria mais para continuar esquentado essa cadeira por mais quatro anos. 

Pesquisa cujos dados estão sendo divulgados nas redes sociais - ainda precisamos checá-la - aponta que, entre os entrevistados até o momento, Renan Santos, do Missão, foi o candidato que menos mentiu. Na realidade, estamos diante de um grave problema quando chegamos a este patamar. A primeira constatação é a de que teremos uma eleição presidencial fragilizada, onde os principais postulantes ao cargo de presidente precisam mentir sobre assuntos sérios, negar fatos para, logo depois, serem desmentidos. É aquela eleição do "eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado". Isso aponta para um futuro repletos de incertezas ou certezas desagradáveis. 

Hoje, sábado, é a vez da entrevista com o candidato Augusto Cury, do Avante, onde talvez possamos nos concentrar em suas propostas. Numa das pesquisas mais recentes Augusto Cury aparece pontuando com 4% das intenções de voto, enquanto o candidato Ronaldo Caiado(PSD-GO) aparece com 5%. Ainda é cedo para concluir se estamos diante de uma reação da terceira via. É realmente uma pena que temas nevrálgicos como a corrupção ou suspeita de corrupção não sejam suficientes para furar a bolha da polarização política. Um alento para este editor é que, em algumas praças, o espírito público ainda é valorizado pelo eleitorado. Em Minas Gerais, o senador Carlos Viana(PSD-MG) aparece bem na disputa de uma das vagas para o Senado Federal. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Editorial: Lula não esteve bem na sabatina do Jornal Nacional


No dia de ontem, 27, antes da entrevista concedida à bancada do Jornal Nacional, da Rede Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou alguns compromissos para se dedicar unicamente à preparação sobre como deveria pronunciar-se acerca das inevitáveis perguntas cabulosas dos entrevistadores. Aliás, a entrevista que era ancorada no Jornal Nacional já está se tornando um programa com status próprio. Ontem, por exemplo, os jornalistas César Tralli e Renata Vasconcelos se dedicaram unicamente à entrevista. Mesmo com todo o prepara e com a prerrogativa de levar alguns papeis, Lula não esteve bem. Quando um indivíduo precisa se explicar bastante sobre alguma coisa, estando ele com razão ou não, as coisas já fugiram do controle e é sempre um problema. 

Quando tergiversou, como foi o caso em relação à senhora Roberta Luchsinger, aí então é que as coisas se complicam, pois a senhora está sendo investigada no escândalo de corrupção do INSS. O jornalista Josias de Souza cronometrou 25 minutos da entrevista apenas focado no assunto corrupção, um assunto em si nevrálgico. Hoje, 28, os jornais e as redes sociais estampam a intimidade da senhora junto às altas autoridades de Brasília, inclusive junto ao presidente Lula, que afirmou que não a conhecia, nunca tivera contato algum com ela. Roberta, segundo os jornalistas que entrevistaram Lula, teria afirmado que recebera uma proposta de trabalho no Governo. O que intriga é que, justamente a esta senhora o tal assessor foi pedir dinheiro emprestado, fazendo aqui um voto de boa fé. 

Logo mais teremos a entrevista com o senhor Flávio Bolsonaro. No sábado, é a vez do psiquiatra Augusto Cury, que, segundo dizem, começou a performar nas pesquisas de intenção de voto depois do último debate da Band. Já aparece com 4% das intenções de voto. Se Lula passou 25 minutos se debatendo sobre perguntas cabulosas sobre eventuais corrupção, quanto tempo Flávio Bolsonaro vai explicar sobre os financiamentos do filme Dark Horse? Segundo afirmaram as redes sociais ligadas ao bolsonarismo, no dia de ontem, ele afirmou que deverá declinar alguns nomes que poderão compor o seu futuro governo, caso seja eleito. Acreditamos que ele não terá muito tempo para isso. Vamos aguardar logo mais. 

Editorial: Cenas de guerra no Rio de Janeiro



35% da população do Rio de Janeiro já vive em território controlado pelo crime organizado. A ausência do aparelho de Estado é praticamente inexistente nessas áreas. Há um controle absoluto de facções do crime organizado, em alguns casos, lutando entre si para ampliarem os seus domínios, como o que está ocorrendo mais recentemente entre o CV e o TCP. Quando a Polícia age, as retaliações são imediatas, com medidas como o fechamento do comércio, sequestro de ônibus para barricadas, cenas de barbárie em tempo de paz. Ouro dia a Polícia encontrou um automóvel com artefatos explosivos quando tentou entrar numa área sob o controle do Terceiro Comando Puro. A ideia seria detonar o carro, provocando a morte dos policiais que tentavam entrar o domínio da facção, o Complexo de Israel. 

O que ocorre no Rio de Janeiro já é possível observar em outras praças do país, a exemplo da Bahia e do Ceará. Ontem mesmo, em razão da morte de um traficante de uma dessas facções, ocorreu um toque de recolher no comércio de Morrinhos, cidade do Litoral Norte cearense. Adesão total. Ninguém ousou contrariar as determinações do crime organizado, tampouco o Estado reuniu condições de garantir a ordem pública. No caso do Ceará, o que consideramos fora de propósito é que o atual governador, Elmano de Freitas(PT-CE), durante os debates com o candidato Ciro Gomes(PSDB-CE), insiste em discutir a filigrana acerca do momento exato em que a fação Comando Vermelho instaurou-se no estado. Isso é o menos importante. O que interessa, de fato, é que o aparelho de Estado falhou clamorosamente no enfrentamento do crime organizado. Nos debates, possivelmente orientado por marqueteiros, ele tem batido nessa tecla.

Hoje é o dia da sabatina do candidato Flávio Bolsonaro na Rede Globo. Ontem as redes sociais divulgaram que haveria uma possível alteração no horário previsto. Em todo caso, a entrevista ocorre logo após a edição do Jornal Nacional. Comenta-se que ele havia dito que poderá anunciar alguns nomes de um eventual futuro governo. Aqui para nós, se considerarmos a dinâmica da entrevista de ontem, com o presidente Lula, acreditamos que ele não terá muito tempo para isso. No caso de Lula, a metade da entrevista abordou o escândalo do INSS, respingando nas suspeitas que pesam contra nomes como Fábio Luís da Silva e Jaques Wagner.   

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Editorial: Sabatina com Lula no Jornal Nacional



Assim como os debates da Band, a sabatina da Rede Globo com os candidatos que concorrem à Presidência da República constitui-se em dois momentos importantes da eleição. A ausência dos dois principais protagonista das eleições de outubro próximo, Lula e Flávio Bolsonaro, esvaziaram o debate da Band. A sabatina da Globo, realizada durante o Jornal Nacional, como é individual, em tese, poderia deixar os candidatos mais à vontade para discutirem suas ideias e propostas. Por algum motivo, não é bem isso o que vem ocorrendo. Os candidatos estão se saindo muito mal naquela sabatina, a exemplo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Renan Santos, do Missão, até que não foi muito mal. 

Hoje, 27, ele aparece em vídeo bastante ordeiro, calmo, convocando civilizadamente os candidatos para o debate do SBT. Afirma que irá se comportar durante o encontro, o que até Deus duvida. Em todo caso, fazemos coro com ele, uma vez que se trata de um grande desrespeito ao eleitor não comparecer a um debate público. Em épocas, passadas, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos dava uma dimensão gigantesca a esta sabatina. Não nos recordamos se ele chegou a ser entrevistado, mas dizia que, se conseguisse participar da sabatina seria o próximo presidente do país. Como se sabe, Eduardo Campos morreu num trágico acidente de avião. 

Hoje, 27, há uma grande expectativa acerca da entrevista que será concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, onde, muito provavelmente, ele será instado a se pronunciar sobre temas delicados. O que talvez ajude bastante é que ele passou por uma sabatina dias antes, na Record, onde certamente foi orientado sobre como se comportar diante das questões cabulosas. Pelo andar da carruagem, nossas eleições estão se tornando atípicas, com o desespero dos candidatos do segundo pelotão em furar a bolha da polarização - parece que a ansiedade já começa a tomar conta deles - e um vazio de propostas entre os dois principais concorrentes? Ela não é atípica se considerarmos que esta polarização não é de hoje, mas, por outro lado, está complicado esse "debate" sobre o rumo do país.  

Editorial: Indexa\Estadão: Lula lidera no segundo turno com 46%


Os petistas estão bastante animados com o resultado dessa pesquisa realizada pelo Instituto Indexa, em parceria com O Estado de São Paulo. O motivo é que a pesquisa é favorável a Lula num confronto de segundo turno com o candidato Flávio Bolsonaro. Se até o Estadão está dizendo, não há porque duvidar. A leitura dos petistas é que estamos lidando com um órgão de imprensa de perfil conservador. Vamos colocar um pouco de água fria nesta fervura. Não há como soltar rojões, num contexto em que, há poucos dias, outros institutos apontaram um rigoroso empate técnico entre os dois principais concorrentes à cadeira do Palácio do Planalto. Empate técnico pode significar, inclusive, a possibilidade de Flávio estar à frente de Lula. 

Existe uma "estabilidade" preocupante em relação a Lula desde o início, como um contingente expressivo de eleitores que não estão completamente convencidos de que ele merece um quarto mandato, assim como muitas insatisfações por parte de outro contingente - ou seria o mesmo? - que não aprova esse terceiro mandato à frente do Palácio do Planalto. Lula vem neste diapasão desde o início da jornada. Fadiga de material, ausência de projetos inovadores, irresponsabilidade fiscal que já começa a esboçar suas consequências. Se até as Casa Bahia estão pedido concordada, imagina como não está sendo o sacrifício do cidadão comum para garantis os mantimentos na geladeira. Os danoninhos dos meninos já devem ter sido riscados da lista. Picanha, então, quem sabe será novamente prometida pelo sucessor do morubixaba. 

A liderança de Lula, a rigor, ainda está dentro da margem de erro, ou seja, 46% a 41%. Em todo caso, é mais alvissareira do que os últimos índices, ou seja, 46% a 45%. Estamos tendo uma eleição presidencial marcada por uma profunda precariedade. Já tivemos dias melhores, onde nos concentrávamos em candidatos que propusessem mecanismos de como enfrentar os grandes problemas do país, estudassem o assunto como alunos aplicados. Hoje eles faltam aos debates públicos, estão enrolados em problemas. Estamos realmente vivendo um momento delicado, uma vez que, muitos jornalistas optaram por desqualificar o debate da Band como se a emissora fosse a responsável por aquele desastre. A emissora, como sempre, teve as melhores intenções.  

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Editorial: Quem tem moral em Pernambuco para criticar os gabinetes do ódio?

Gilberto Freyre 


Quando estivemos mais ativos aqui pelo blog fomos atacados por diferentes tribos políticas. A  pseudo esquerda, alguns deles até se protegendo, cinicamente, sob o escudo ético do educador Paulo Freire. Os laranjinhas do gabinete da sacanagem e, finalmente, os bolsonaristas. Desses, aparentemente, o mais óbvio, seria os bolsonaristas, que não gostaram de um artigo escrito sobre o seu grande líder, Jair Bolsonaro. Aqui em Pernambuco, no entanto, sinceramente, não sabemos quem são os mais venenosos. Veja-se, por exemplo, o que ocorreu contra a candidata ao Senado Federal, Marília Arraes, alguns anos atrás. Uma política difamatória vil e desumana, atacando a sua honra com inscrições apócrifas nos muros da cidade. 

Não gostaríamos de voltar a tratar desse tema - naturalmente pouco agradável - mas a imprensa e as redes sociais publicaram hoje uma série de ocorrência acerca deste assunto. O mais pedagógico aqui é que as pessoas estão provando do próprio veneno, ou seja, aqueles que antes apenas se preocupavam em disseminar mentiras com o propósito de "cancelamento" dos seus críticos a adversários estão sentindo, na própria pele, o que isso significa. É, quem sabe, o lado positivo desses eventos macabros, se é que podemos afirmar isso. Recentemente, escrevemos um roman à clef, como diriam os franceses, para tratar de um desses casos. Em Pernambuco, existem alguma particularidades. Como os escudos éticos usados por uma pseudo esquerda;  um estado onde o "gatilho" da inveja é disparado sistematicamente quando alguém se sobressai em alguma área; uma grande dificuldade dessas oligarquias políticas em lidar com os seus críticos. 

Eles exercem o poder de Estado como se estivessem em seus quintais, em suas propriedades privadas, em suas Sesmarias. Gilberto Freyre conheceu Oliveira Lima ainda adolescente, como estudante do Colégio Americano Batista. Quando esteve nos Estados Unidos, cumprindo temporada de estudos, aproveitou bem a biblioteca do diplomata, que trabalhava ali. Concluído seus estudos, consultou Oliveira Lima sobre a possibilidade de regressar ao Brasil. Foi desaconselhado. Oliveira Lima tinha sérias indisposições no Itamaraty com outro notório pernambucano. Quando morreu, entregou uma preciosa biblioteca sobre assuntos brasileiros a uma universidade americana, privando-nos de um precioso acervo, usado por Gilberto ainda na adolescência.  

Editorial: Quem vai decidir a eleição presidencial de 2026?


Numericamente, o jogo da disputa presidencial de 2026 está bastante equilibrado. Num eventual segundo, turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão praticamente empatados dentro da margem de erro. Lula parece ter encostado no teto, enquanto Flávio avança um pouco, talvez em função dos problemas relacionados às investigações que envolvem o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha". O próprio Lula manifesta uma grande preocupação em torno deste assunto. Pesquisas de intenção de foto dizem muitas coisas, mas ocultam algumas sutilezas fundamentais, apenas detectadas pelas pesquisas qualitativas. Uma tendência do comportamento do eleitorado aqui e ali pode ser determinante no resultado final do jogo. 

Fala-se muito em torno do comportamento daquele eleitorado independente, que, hoje, já não seria mais de 27%. Este número estaria diminuindo exatamente porque eles já não são tão independentes assim com a proximidade do pleito. Já fizeram suas opções e, pelo andar da carruagem - como, aliás, se previa - entre os principiais concorrentes. Uma outra "sutileza" levantada no dia de ontem por alguns analistas é que um pequeno núcleo de eleitores será determinante para a  definição do pleito. A sorte de Lula está nas mãos desses eleitores. Eles votaram em Lula em 2022 para um terceiro mandato e hoje têm dúvidas se devem conceder um quarto mandato ao petista. É este núcleo de eleitores que pode definir o pleito de 2026. 

Estamos, na realidade, todos exauridos por essa polarização política. A "qualidade" dos debates sobre o futuro do país caiu drasticamente nos últimos anos. Vejo que o time do segundo pelotão está cansado de tentar furar a bolha. O péssimo desempenho nos debates esvaziados ou nas sabatinas da Globo talvez já seja um reflexo disso. Zema foi "triturado" com perguntas cabulosas sobre  a dívida pública de Minas Gerais, as denúncias de corrupção e o aumento de mais de 300% d0 próprio salário, quando os servidores públicos estaduais não tiveram a mesmo tratamento.