pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Editorial: A retaliação do Governo brasileiro


Há muita coisa a ser devidamente esclarecida no que concerne à medida tomada pelo Governo dos Estados Unidos em relação ao descredenciamento de um delegado da Polícia Federal que atuava naquele país, envolvendo o episódio da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Algum tempo depois Ramagem foi solto e o ICE informou que ele pode aguardar a análise do pedido de extradição em liberdade. Assim que tomou conhecimento da medida, o presidente Lula informou que iria analisar a situação e que, se percebesse que se tratava de algum exagero, medidas de retaliação poderiam ser tomadas pelo Governo brasileiro. Ontem foi anunciado que um agente americano que trabalha no Brasil perdeu suas credenciais. 

O presidente Lula fez questão de elogiar a medida tomada pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Os jornais de hoje também informa o presidente teria autorizado a contração de novos policiais federais, dentro de um esforço para o enfrentamento do crime organizado no país. Sabe-se, entretanto, que não se trata apenas de aumento de contingente. As indisposições entre os dois países permanece, sem que se vislumbre, a curto prazo, alguma solução no campo diplomático. Há rumores de que os Estados Unidos, independentemente do desejo do Governo brasileiro, possa decretar como organizações narcoterroristas facções como o PCC e o Comando Vermelho, outro fator de estremecimento da relação entre os dois países.

Uma das primeiras lições de Sun Tzu, no texto clássico A Arte da Guerra, livro muito utilizado no mundo corporativo, é sobre a necessidade de conhecermos bem o adversário. Hoje, no continente, os Estados Unidos tem se comportando como uma nação que praticamente ignora as negociações diplomáticas e passam por cima da soberania dos países quando está em jogo seus interesses estratégicos. É muito complicada esta situação. Como critica Lula, tem que ser o que eles querem. 

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Editorial: Ciro e Cid juntos no Ceará?



Uma das premissas mais efetivas da política foi dita por um ex-governador de Pernambuco, Paulo Guerra, que, uma vez afinado com as oligarquias açucareiras do estado, foi mantido no cargo depois da deposição do Dr. Miguel Arraes, como consequência do Golpe Civil-Militar de 1964. A rigor, não era simplesmente porque se tratava de um rebento desta oligarquia, mas, sobretudo, porque tal aristocracia açucareira apoiou a ruptura institucional. Paulo Guerra dizia que, em política, não existem nunca nem jamais. A possibilidade de uma reaproximação entre os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes, até bem pouco tempo, era algo impensável, considerada bastate improvável. A briga foi feia e eles nem estavam se falando. 

Recentemente, houve um encontro familiar onde eles voltaram a se falar. Logo em seguida, Cid reuniu-se com lideranças políticas expressivas da cidade de Juazeiro do Norte, um dos termômetros políticos mais importantes da política cearense. Trata-se de um encontro emblemático e, por alguma razão que não apenas torcida, voltou-se a se falar na possibilidade de reaproximação entre os irmãos, de olho no Palácio da Abolição. Parafraseando outra raposa da política, desta vez mineira - o ex-governador Magalhães Pinto - vamos observar o formato das nuvens neste momento. Até bem pouco tempo elas indicavam numa quase impossível reaproximação, uma vez que Cid ainda fazia juras de amor eterno ao grupo liderado no Ceará pelo ex-Ministro da Educação, Camilo Santana. 

Há um certo pragmatismo no lance de Cid. Se, de fato, Ciro Gomes assumir sua candidatura ao Governo do Estado, será muito provável o futuro ocupante da cadeira do Palácio da Abolição. Ele anda meditando sob a maçaranduba do tempo, estudando o terreno, analisando as condições de apoio. Já foi convidado até a pensar sobre uma nova candidatura à Presidência da República. Não será uma disputa simples, uma vez que o Planalto faz realizar todos os seus esforços para impedir que ele volte a governar o estado. Camilo Santana está se aquecendo para entrar em campo. 

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Editorial: João Santana adverte Lula sobre o "fogo amigo".


Na realidade, não seria uma advertência, mas apenas o conselho de quem possui uma larga experiência em marketing eleitoral e que, inclusive, já trabalhou em campanhas do petista. Estávamos assistindo a um vídeo nas redes sociais do marqueteiro, onde ele observa que, neste momento da pré-campanha, 0nde Lula, definitivamente, enfrenta algumas turbulências, mantida a situação atual dos índices desfavoráveis de aprovação, não surpreenderia ao marqueteiro que o presidente passe a sofrer um bombardeio do chamado fogo amigo. Possivelmente muito aliados vão observar, ao seu critério, aquilo que estaria errado, oferecendo os caminhos possíveis para uma eventual reversão da situação. Seria, em tese, mais uma fonte de dor de cabeça para o petista. 

Ontem comentávamos por aqui que talvez o próprio Sidônio assuma a campanha presidencial de Lula em 2026. Há quem esteja sugerindo que ele possa deixar a SECOM para se dedicar integralmente a esta missão. Quanto a João Santana, o que se especula é que ele estaria sendo sondado pelo grupo político de ACM Neto, candidato ao Palácio de Ondina. Pela manhã comentamos sobre ausência de programa do candidato Flávio Bolsonaro, e, já à tarde, começaram os "vazamentos" de eventuais trechos do que seria um suposto programa de governo do candidato. Enquanto não houver uma posição oficial da campanha, nos recusamos a comentar por aqui.

E, por falar na Bahia, as intrigas políticas estão em alta, expondo relações promíscuas entre agentes públicos e privados. Os arrolados, naturalmente, se recusam a admitir seus equívocos, se limitando a atacar a honra dos adversários. Essas reações já são esperadas. O gravíssimo neste episódio é o nível de comprometimento do aparelho de Estado com o  crime organizado. 16 presos faccionados, de alta periculosidade, saíram pela porta da frente da unidade prisional sob o pagamento de mais de dois milhões de reais em propina.  

Editorial: Qual, afinal, é o programa de Flávio Bolsonaro para o país?



Soubemos há pouco que o pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, estaria entabulando conversas com um ex-assessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de construir o seu programa de governo. É salutar que ele tome tal iniciativa, com respeito ao eleitorado, como convém a quem deseja seu voto para habilitar-se a ocupar a cadeira do Palácio do Planalto. Sobre Flávio Bolsonaro, há uma grande incógnita em torno do assunto. O que se sabe mesmo são promessas pontuais, como a de anistiar os envolvidos no episódio do 08 de janeiro, entre eles, o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Numa matéria recente, o jornalista Élio Gaspari questionou a sua experiência administrativa, que se resumia a gerência de uma loja de chocolates. Flávio realmente não possui nenhuma experiência no Executivo. 

Lula possui experiência de sobra, mas, mesmo assim, precisa apresentar algo novo à população, algo que justifique a sua permanência no Palácio do Planalto, conforme ele mesmo admite. Por enquanto, a pré-campanha permanece circunscrita à troca de farpas, à guerra das torcidas organizadas pelas redes sociais. O editorial do Estadão do dia de hoje, 22, é dedicado a este assunto, ou, para sermos mais precisos, à ausência deste assunto no debate político, onde se critica a inexistência de uma discussão mais consequente acerca dos grandes gargalos do país. E olha que são inúmeros, como a crescente infiltração do crime organizado nas instituições públicas, solapando os alicerces democracia, como é o caso do Rio de Janeiro e de cidades menores, a exemplo de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa.

Um dos ministros da Suprema Corte informou ter ouvido de fontes da Polícia Federal que entre 32 e 34 parlamentares da Alerj, supostamente, auferiam algum suborno do jogo do bicho. Na Bahia, o assunto do momento é uma fuga de 16  prisioneiros do sistema penal, num conluio entre agentes públicos, políticos e facções do crime organizado. No Ceará, depois de um ano de expedido um mandado de prisão, não se sabe o paradeiro de Bebeto do Choró, político ligado ao PSB, envolvido até a medula em ilícitos, segundo as investigações da Polícia Federal. 

Editorial: As polêmicas interessantes da política paraibana.


No dia ontem, 20, ocorreu uma festividade dos índios Potiguares de Baía da Traição, guerreiros que já enfrentaram até os portugueses durante o período da colonização. Como estamos num momento de movimentação política intensa, estiveram presentes o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, que concorre a uma vaga de deputado federal, e o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que concorre ao Governo do estado nas eleições deste ano. Ambos, civilizadamente, trocaram cumprimentos, acendendo as especulações acerca de uma costura de parceria entre ambos. Depois do episódio, o próprio Ricardo Coutinho, em suas redes sociais, andou explicando que se tratou apenas de uma mera formalidade entre dois políticos. Nada mais do que isso, desaconselhando especulações a respeito do assunto. 

Ambos estão politicamente rompidos. Na Paraíba, no entanto, isso não quer dizer muita coisa. Aliás, diz quase nada, uma vez que políticos rompidos num momento, fazem juras de amor num outro momento, tudo em nome dos arranjos políticos de conveniência. João Azevedo, por exemplo, foi escolhido por Ricardo Coutinho como seu sucessor, que entregou a ele uma super secretaria de infraestrutura, nadando em verbas, tudo com o objetivo de que ele se projetasse e fosse eleito governador da Paraíba. Acabaram rompendo algum tempo depois. Ricardo, que era inimigo figadal dos Cunha Lima, acabou fazendo uma aliança com a família, onde Cássio Cunha Lima se elegeu senador com mais de um milhão de votos. Hoje Cássio cuida apenas de orientar a terceira geração da família, que já atua na seara política.    

Um dia antes desta ocorrência de Baía da Traição, o PT de Campina Grande havia tomado uma resolução de apoiar os nomes do ex-governador João Azevedo e do senador Veneziano Vital do Rego, que concorrem ao Senado Federal nas eleições deste ano. Com isso, o PT de Campina Grande deixa de apoiar os dois candidatos ao Senado Federal que concorrem na chapa de Lucas Ribeiro, ou seja, João Azevedo e Nabor Wanderley. É como se aqui em Pernambuco, caso se viabilizasse a composição da chapa de João Campos com a federação União Progressista, e os dois senadores fossem Humberto Costa e Eduardo da Fonte, os militantes petistas de algum diretório municipal importante entendesse que apenas Humberto Costa representaria os interesses do campo progressista, não recomendando o voto em Eduardo da Fonte, e escolhendo alguém de perfil igualmente progressista, mas integrado a uma outra chapa. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Editorial: Chamem o Sidônio Palmeira, por favor.




 A Bahia é terra de grandes estrategistas políticos. A chegada de Sidônio Palmeira ao cargo de Ministro das Comunicações Institucionais do Governo Lula 3 foi bastante festejada e, dizem, contou com o lobby dos baianos no Palácio do Planalto. Dizem que ele faria milagres. Até o momento, por inúmeros fatores, este milagre ainda não ocorreu, recaindo, injustamente sobre a SECOM, tal responsabilidade. Houve um esquenta rabo na última reunião ministerial do Governo Lula, mas, os créditos do marqueteiro permanecem. Na realidade, este quarto mandato de Lula precisa ser melhor costurado e explicado, ou seja, o Governo enfrenta sérios problemas na economia - 2 em cada 3 brasileiros estão endividados - assim como  próprio Lula admitiu, precisa apresentar algo novo para os seus eleitores, ou seja, as razões pelas quais os eleitores brasileiros se sintam à vontade de lhes conferir um quarto mandato.  

Num projeto de reeleição, o mais importante, conforme observa o cientista político Antonio Lavareda, na Veja, é a aprovação do postulante. Se ele não obtiver índices razoáveis de aprovação - a partir dos 45% - pode preparar sua caixinha com os pertences pessoais. É neste sentido que se diz, por exemplo, no caso de Pernambuco, que a governadora Raquel Lyra tem espaço para crescimento nas pesquisas de intenção de voto, em função de sua boa aprovação. Diante das dificuldades enfrentadas pela candidatura de Lula neste momento, o que se diz nas coxias de Brasília é que haveria um movimento entre os palacianas no sentido de convocar Sidônio Palmeira para se dedicar exclusivamente à pré-campanha de Lula, ou seja, assumir já como seu marqueteiro.

O que se diz é que tal missão poderia ser entregue a alguém da confiança de Sidônio Palmeira, possivelmente baiano. Mas, pelo andar da carruagem política - que anda rangendo muito, em razão do maquinário sem lubrificação - talvez ele possa assumir a função imediatamente. A crônica política de hoje repercute uma decisão do Governo dos Estados Unidos sobre um delegado da Polícia Federal que esteve envolvido no episódio da prisão de Alexandre Ramagem. A conclusão do Governo Americano é que, supostamente, possa ter havido algum equívoco ou precipitação da autoridade brasileira no caso. O Governo Lula fala que pode retaliar, reacendendo os bons momentos do "soberanês". 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: quem herda os votos de Eduardo Moura?



Conversamos pela manhã acerca das dificuldades que enfrenta,  neste momento, a pré-candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os problemas são preocupantes, uma vez que o petista está perdendo influência sobre nichos estratégicos do eleitorado, antes afinado com o petismo, a exemplo dos jovens. Mas esta já é uma outra discussão. Vamos voltar ao xadrez da cena política pernambucana. Salvo em algumas situações - como a de uma grande comoção pública - a transferência de votos não é algo automático. Há aqui algumas variáveis que podem interferir neste processo. Ilustres burocratas do corpo técnico do Palácio do Campo das Princesas, a exemplo de Paulo Câmara e Geraldo Júlio, foram eleitos, respectivamente, sem muitas dificuldades, para o Palácio do Campo das Princesas e para o Palácio Capibaribe. 

Paulo como resultado de uma grande comoção pública provocada pela morte prematura do ex-governador Eduardo Campos, e Geraldo Júlio, por interferência direta deste no processo eleitoral. No segundo turno das eleições passadas, o grupo Coelho, através do ex-candidato ao Governo do Estado, Miguel Coelho, conseguiu transferir 80% dos votos do Sertão do São Francisco para a governadora Raquel Lyra. Segundo algumas avaliações, a própria governadora foi beneficiada com a morte prematura do seu esposo, durante o processo eleitoral. No Ceará e na Bahia o PT conta com o engajamento de Camilo Santana, Jaques Wagner e Rui Costa para reverter situação desfavorável aos seus candidatos. Nos dois estados, em eleições passadas, a estratégia se mostrou exitosa. 

Na semana passada o vereador Eduardo Moura, do Novo, que mesmo sem se apresentar como pré-candidato ao Governo do Estado pontuava entre 5% e 8% das intenções de voto, desistiu de sua candidatura e declarou apoio ao projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Eduardo Moura será candidato a deputado federal. A questão que se coloca é se a governadora Raquel Lyra herda automaticamente os índices de voto de Eduardo Moura. Sim e não, para não nos comprometermos. Não seria improvável que a governadora herde esses percentuais, por dois motivos: pela identidade política\ideológica do vereador, que se situa ali do centro para a direta do espectro. 

Depois, por sua conhecida combatividade oposicionista contra o prefeito do Recife, João Campos, onde se notabilizou dentro e fora dos contornos da Casa de José Mariano. Possivelmente boa parte desse eleitorado - em princípio, devem estar concentrado na Região Metropolitana do Recife, que concentra o maior número de eleitores do Recife, onde João Campos vai muito bem, sobretudo em razão do alcance de sua propaganda institucional. Hoje, por exemplo, o seu perfil tece duras críticas a um suposto atraso na entrega de material escolar para os alunos da rede pública municipal. Possivelmente esses seus posicionamentos c0ntundentes devem ser explorados no guia eleitoral da chapa do Campo das Princesas. 


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Editorial: Lula perde tração junto a jovens, mulheres e eleitores de classe média.



Nas eleições presidenciais de 2022 o PT encontrou enormes dificuldades em relação a um nicho eleitoral específico: os evangélicos. Esse nicho cresce continuamente no Brasil e, acreditam os especialistas, pode determinar o rumo de uma eleição presidencial no país a partir de 2030. Quer dizer, vamos chegar a um momento em que, sem as bençãos dos irmãos, o cidadão não senta na cadeira do Palácio do Planalto. De lá para cá as coisas não mudaram significativamente nesta relação. Talvez tenham até se agravado, depois dos episódios da Marquês de Sapucaí. São questões que não se resolvem apenas no período eleitoral. O próprio Lula chegou a espantar-se com o fato de o PT ter perdido essa liga com os evangélicos, uma relação tão harmoniosamente construída em tempos idos. As explicações para este fenômeno daria uma tese de doutorado, algo não possível de ser tratada apenas num simples editorial. 

As questões internas de uma pesquisa de intenção de voto, mais do que os números apresentados em si, podem ser ainda mais importantes numa campanha. Os escores podem mudar ao longo do processo, desde que o diagnóstico dos problemas sejam elencados e as providências adotadas. O cientista político Felipe Nunes, diretor do Instituto Quaest, concedeu uma entrevista ao Jornal da Globo, onde elenca, com base nas pesquisas realizadas pelo instituto, os nichos ou grupos de eleitores que não estão demonstrando grande simpatia por conceder um quarto mandato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre esses eleitores, os jovens, as mulheres e segmentos da classe média. Possivelmente apenas as pesquisas qualitativas, ouvindo os grupos de eleitores específicos, possa realizar um diagnóstico mais preciso acerca da razão desse hiato entre tais eleitores e o presidente Lula. 

Algo sugere que a medida adotada no que concerne a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais não está produzindo os efeitos esperados. Mas uma pesquisa do Datafolha onde evidencia-se que 70% dos brasileiros estão endividados -afetando o bolso a parte mais sensível, portanto - pode ser um bom prenúncio para entenderemos esse mau humor do eleitorado com o presidente Lula neste momento. Fala-se num eventual controle inflacionário, mas o brasileiro médio sente que tem sido cada vez mais complicado manter a geladeira abastecida.  

domingo, 19 de abril de 2026

Editorial: A preocupação do PT com o Nordeste



Há pouco comentávamos sobre a possibilidade de montagem de um palanque bolsonarista genuíno aqui no estado. Como se sabe, Pernambuco tem uma boa representação ou base bolsonarista, hoje abrigada com dificuldade no Palácio do Campo das Princesas. Sugere-se que poderia haver alguma pressão do PL nacional em relação ao assunto. Afinal, o candidato Flávio Bolsonaro escolheu justamente o Nordeste, tradicional reduto petista, para intensificar a sua campanha. Há, inclusive, uma visita já programada para Pernambuco, agendada pelo deputado federal Mendonça Filho, recentemente filiado ao PL. Há muito tempo batemos na tecla por aqui que o PT precisa refazer os seus cálculos eleitorais em relação ao Nordeste, onde já não desfruta do apoio de antes, quando as eleições passadas. 

É suficiente para isso observarmos a situação de estados como o Ceará, a Bahia, o Maranhão e, também Pernambuco, berço político de Luiz Inácio Lula da Silva, onde o Datafolha estima que o presidente possa ter perdido 10% dos seus eleitores. Tentar equilibrar as forças no chamado Triângulo das Bermudas - aqueles estados da região Sudeste do país, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e São Paulo - sem manter os mesmos escores de eleições anteriores aqui no Nordeste é uma aposta arriscada. Em São Paulo, por exemplo, ocorre um lance curioso. Fernando Haddad vai relativamente bem na disputa - até surpreendendo - mas os jornais hoje estampam a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro. 

Na Bahia, até bem pouco tempo, considerávamos que Jerônimo Rodrigues, que concorre à reeleição, estava equilibrando o jogo na disputa com ACM Neto. As últimas pesquisas dizem que não. A diferença entre ambos ainda é significativa. No caso da Bahia, duas situações precisam ser consideradas. ACM Neto ainda não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência da República. Estima-se que possa apoiar, inclusive, Ronaldo Caiado. Por outro lado, o PT acredita que, quando Jaques Wagner e Rui Costa entrarem em campo, o cenário tende a mudar completamente. O resumo da ópera é que os cálculos do PT sobre o seu desempenho eleitoral no Nordeste precisam ser refeitos. Pode evitar algumas surpresas desagradáveis. 

 

Editorial: A todo mundo eu dou psiu. Ciro! Ciro! Ciro!

 



Hoje, 19, a crônica política nacional está um pouco complicada. Um dos jornais da grande mídia traz, em seu editorial,  os conselhos de um ex-presidente sobre o momento atual do país. Um pouco demais para digerir o café da manhã num dia de domingo. Mas vamos lá. Como gostamos muito do cantor Raimundo Fagner - da impagável interpretação de "As velas do Mucuripe" - circula a informação de que ele deve participar do lançamento da candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará, nas eleições de 2026. Ciro é um político íntegro, preparado e dotado de espírito público. Poderia servir ao país da melhor maneira possível, evitando muitos dos descalabros que ora enfrentamos. Infelizmente, os eleitores não lhes deram esta oportunidade. 

Ele ficou assanhado com o convite recebido pelo Presidente Nacional do PSDB, Aécio Neves, para tentar, pelo quinta vez, uma candidatura presidencial. Mas a ponderação deve dizer a ele que esta não seria a sua melhor alternativa. Melhor concorrer ao Governo do Ceará. O anúncio oficial dessa candidatura deve ocorrer em Sobral, tradicional reduto político da família Ferreira Gomes. A sua família, è exceção do irmão Cid Gomes, que permanece com o grupo do PT no estado, está toda envolvida com o projeto de levar de volta Ciro Gomes a ocupar a cadeira do Palácio da Abolição. Nessas buscas pela rede, encontramos uma foto das antigas, onde o político participa de uma lual com o cantor, ainda jovens, num momento de grande descontração. 

A foto que ilustra este editorial é também das antigas, quando um grupo de políticos e empresários se uniram para desbancar do poder as velhas oligarquias carcomidas que ocupavam o Palácio da Abolição há décadas, algumas delas ainda "cevadas" na ditadura militar. Tasso Jereissati continuou como amigo de Ciro e o trouxe para o seu PSDB. Hoje o projeto é retomar o poder, que se encontra hegemonizado pelo PT. Apesar do capital político de Ciro, não se trata de uma tarefa das mais simples, uma vez que o Planalto vai dá a carga toda naquela eleição, pois se trata de uma região estratégica para o PT. Vamos ter uma das disputas mais acirradas do país. Em todo caso, os cearenses já estão entoando: "A todo mundo eu dou psiu. Ciro! Ciro! Ciro!". 

Editorial: A terceira via pernambucana?



Há muitos anos, ainda calouro dos bancos universitários, tivemos acesso a um texto onde o autor tratava das dificuldades de construção de uma "terceira via" em Pernambuco. Assim como ocorre no Rio Grande do Sul, dizia ele, onde ou o sujeito é gremista ou colorado, Pernambuco era um estado marcado por esta polarização política desde longas datas, antes mesmo que este fenômeno tivesse se consolidado nacionalmente, dividindo petistas, de um lado,  e bolsonaristas, do outro lado.  Mas, a rigor, os bolsonaristas ainda estão órfãos em Pernambuco, uma vez que, embora abrigados no guarda-chuva do Palácio do Campo das Princesas, não há como acomodá-los satisfatoriamente na formação da chapa, assim como algo sugere que a governadora Raquel Lyra não pretende apoiar o palanque nacional dos bolsonaristas no estado, representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro. 

A rigor, o que estaria de fato em jogo seria a formação de uma terceira chapa, não necessariamente uma terceira via. Especula-se sobre uma eventual articulação entre os partidos PL e PP no sentido de constituição de uma chapa para disputar o Palácio do Campo das Princesas. Eduardo Moura, do Novo, que nunca se colocou como pré-candidato, mas sempre pontuou bem nas pesquisas de intenção de voto, em nossas conjecturas, poderia ser um nome que reuniria condições de viabilidade, tanto em razão de sua performance nas pesquisas de intenção de voto, tanto pela ausência de arestas ideológicas entre essas legendas. Ontem, porém, o vereador declarou que seria candidato a uma vaga de deputado federal, assim como vinculou-se ao projeto de reeleição de Raquel Lyra. 

Por outro lado, a governadora ouviu do filho de Eduardo da Fonte, Lula da Fonte, que o PP estaria fechado com seu projeto de reeleição. Recentemente, em Xexéu, Raquel Lyra esteve ao lado de Anderson Ferreira, do PL, um dos representantes mais autênticos do bolsonarismo no estado. O que está em jogo é possivelmente articulações do PL nacional no sentido de construção de um palanque bolsonarista autêntico no estado. Existe uma inflação de bolsonaristas no Palácio do Campo das Princesas e, muito dificilmente, a governadora terá como conciliar tantos interesses. 

sábado, 18 de abril de 2026

Charge! Renato Aroeira via Brasil 247

 


O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Novo adere à candidatura de Raquel Lyra.


Pelo menos por enquanto, pelo andar da carruagem política, não teremos uma terceira chapa concorrendo ao Palácio do Campo das Princesas, em 2026. O Novo, que poderia aliar-se ao PL e constituir uma eventual chapa concorrente ao Governo do Estado, acaba de declarar apoio ao nome da governadora Raquel Lyra(PSD-PE). O Novo, através do combativo vereador Eduardo Moura, pontua bem nas intenções de voto ao Governo do Estado, oscilando, de acordo com os institutos, entre 5% e 7% das intenções de voto. Ao longo da campanha, pelo ritmo de entregas e índices aprovação, a governadora tende a tirar a diferença que a separa hoje do candidato João Campos, que, pela última Datafolha, ficou em 12%. Esta diferença tende a cair sensivelmente. 

Vamos ter uma eleição bastante equilibrada para o Governo do Estado. Com os treinos em dia, Raquel Lyra continua seu périplo pelo interior do estado, sempre entregando obras, distribuindo simpatias junto ao eleitorado. Quando questionada acerca da diferença que a separa do ex-prefeito do Recife, afirmou que responde com trabalho. O que consideramos interessante, é que, nessas últimas incursões pelo interior, ela esteve colada junto ao senador Fernando Dueire, hoje filiado ao PSD, tratando-o como meu senador. Podemos ter algumas surpresas por aqui, uma vez que, sobre nomes a princípio consolidados, a exemplo do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, começam a pairar dúvidas. A governadora teria ficado aborrecida com medidas apoiadas pelo grupo Coelho na ALEPE. 

Há muitas incertezas acerca da composição da chapa da governadora Raquel Lyra. Diante dos novos fatos, a grande dúvidas é como ela pretende administrar as demandas representadas pela União Progressista, mesmo em ratificando o nome de Miguel Coelho, uma vez que permanecem as rusgas entre o antigo União Brasil e o Progressistas, aqui no estado representado por um conjunto de forças políticas estratégicas. Soma-se a isso os arranjos envolvendo os bolsonaristas, que ela, certamente deseja o apoio, mas não deseja declará-lo tão explicitamente, compondo a chapa com seus representantes no estado. 

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Editorial: Dez anos do impeachment de Dilma Rousseff



No dia de ontem, 17, completaram-se dez anos do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Teríamos outro termo para tratar o assunto, mas, para não melindrar - sobretudo nesses tempos bicudos - vamos manter o termo impeachment. Repercute bastante uma entrevista concedida pelo ex-Presidente da Câmara dos Deputados à época, Eduardo Cunha, ao jornal O Tempo, de Minas Gerais. Eduardo Cunha, como se sabe, está tentando retomar sua carreira política candidatando-se a uma vaga de deputado federal nas próximas eleições. Experiente, tem feito o dever de casa de sempre, adubado as bases, o que significa dizer que pode voltar à ribalta de Brasília na próxima legislatura, sobretudo se conhecemos bem o nível de "exigência" do eleitorado brasileiro.  

O curioso nesta entrevista é que ele fala sobre fatos gravíssimos, que corroeram o tecido democrático brasileiro depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, como se ele, na condição do cargo relevante que ocupava, não tivesse absolutamente nada a ver com isso. O que ele admite é que o país, de fato, enveredou para um desmonte institucional e trilhou um caminho de autoritarismo logo após o episódio,  culminando com a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2016, que já governou sobre uma estufa autoritária. O pacto pela democracia que existia antes teria sido quebrado. De fato sim, com reflexos até nos nossos dias. A saúde da nossa democracia ainda não foi completamente restaurada desde então. É uma democracia em convalescência. 

Salvo melhor juízo, Eduardo Cunha escreveu um livro com as suas memórias políticas. Acompanhamos todos os passos da agonia política a que foi submetida a ex-presidente Dilma Rousseff, traduzida num livro reportagem que permanece em nossos arquivos de computador. O tempo vai passando e esses assuntos acabam caindo no esquecimento e não mais despertam o interesse do público. Os assuntos do dia a dia acabam por ofuscar esses episódios, embora eles sejam relevantes e nos transmitam tantas lições. O que veio depois do impeachment de Dilma Rousseff corroeu de forma indelével os alicerces de nossa democracia e isso não é pouco, se considerarmos as consequências de um país onde a solidez democrática é apenas uma força de expressão, uma narrativa sem sustentação no nosso cotidiano. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Editorial: Temporada de delações


Parece que entramos mesmo numa espécie de temporada de delações premiadas. O ex-diretor do BRB, detido ontem pela Polícia Federal, no curso da Operação Compliance Zero,  Paulo Henrique Costa, segundo dizem, já estaria acenando com a possibilidade de negociar um acordo de delação premiada. Está tudo certo para a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que pode abalar os alicerces de nossa já frágil república, pois envolveria nomes dos Três Poderes, uma vez que o acordo só está sendo viabilizado diante dessa condição. É a medida toda, como diria o radialista Geraldo Freire. Hoje, 17, voltou a repercutir o acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor do INSS, Maurício Camisotti, que sugeriu devolver aos cofres públicos a bagatela de R$ 400 milhões. 

Somete por este montante, os leitores podem imaginar o estragos que os gatunos produziram nos cofres públicos, penalizando os pobres velhinhos aposentados e pensionistas. Vorcaro teria acordado em devolver outra cifra estratosférica, que seria utilizada, em princípio, para ressarcir o prejuízo produzido junto aos aplicadores em seus papéis podres. Muito mais escandaloso do que esses escândalos de desvios de recursos públicos, somente as manobras escusas perpetradas nos corredores de Brasília no sentido de blindar alguns atores envolvidos. As manobras são explícitas, escancaradas, desavergonhadas, praticados por atores que, neste momento, estão cuidando de suas campanhas para se reelegerem como representantes dos interesses da sociedade.

Sabotou-se duas CPI's importantíssimas. A do INSS e a do Crime Organizado. Alfredo Gaspar, Carlos Viana e Alessandro Viera - que fizeram um esforço tremendo para desnudar a podridão envolvendo agentes públicos e privados, estão pagando um ônus enorme por desafiar os poderosos. Numa entrevista recente, o ex-Presidente da CPMI do INSS,   o senador Carlos Viana, afirmou que nós não tínhamos a dimensão exata do quanto ele foi perseguido. Podemos imaginar. Estou torcendo que ele seja reeleito senador pelo seu estado, Minas Gerais, que ele representou tão bem como parlamentar. Torçamos que ele tenha o reconhecimento dos seus eleitores. 

Editorial: O avanço do crime organizado na Paraíba



Estávamos lendo há pouco uma entrevista com uma autoridade do GAECO, onde ele demonstra sua preocupação com o avanço do crime organizado no estado da Paraíba. O quadro é preocupante não apenas no interior do estado - onde se tornaram frequentes as abordagens da PF em prefeituras municipais, seja por desvios de conduta de autoridades locais, seja em razão do plantio de entorpecentes - mais na Grande João Pessoa e Região Metropolitana, envolvendo, notadamente, as cidades de Bayeux, Santa Rita, Cabedelo e Conde. São recorrentes as ocorrência de chacinas em Bayeux - como a ocorrida com os quatro jovens baianos recentemente -  assim como todos tomaram conhecimento do que ocorreu em Cabedelo, onde um prefeito foi cassado e, logo em seguida, seu sucessor, eleito em eleição suplementar, teve o mesmo destino, em razão de suposto envolvimento com o desvio de recursos públicos em favorecimento de facções do crime organizado. 

Uma das pessoas detidas na operação em Cabedelo forneceu informações sobre como a engrenagem criminosa moía na prefeitura municipal, num conluio entre agentes públicos e privados. Gente ligada à facção vencia licitações fraudadas e os "terceirizados" eram pessoas ligadas e contratadas pelas  facções Quer dizer, em última análise, um munícipe poderia ser atendido num posto de saúde por um faccionado. Vejam em que estágio nós chegamos. Já desconfiávamos de eventuais procedimentos desta natureza, sobretudo no quesito de contratação de serviços de segurança privada. A fala da depoente apenas confirma esses conluios ou entranhas. Nas eleições de 2022 denúncias desta natureza atingiram até a administração municipal da capital João Pessoa. 

Hoje, 17, no bairro de Colinas do Sul, uma família teve que deixar a sua residência às pressas, por determinação de um grupo faccionado. Quando a Polícia Militar teve acesso ao imóvel, ele já havia sido saqueado. A expulsão ilegal dos moradores de uma região é um dos índices mais seguro para se checar o avanço do crime organizado numa determinada área. Na Bahia e no Ceará isso já se tornou rotina, sendo esses estados fortes candidatos a um colapso em termos de segurança pública. O que ocorreu no bairro Colinas do Sul já foi verificado em zonas da Grande João Pessoa, indicando, de fato, que faz todo o sentido as preocupações da autoridade do GAECO. 

Editorial: As críticas de Cícero Lucena ao PT da Paraíba



Recentemente, o PT da Paraíba fez um movimento curioso, capaz de produzir algumas faíscas no meio político local. Declarou apoio ao candidato Lucas Ribeiro(PP-PB), atual governador do estado, que concorre à cadeira do Palácio da Redenção nas próximas eleições. O PT negocia a participação no máquina pública estadual, quem sabe assumindo uma secretaria voltado ao atendimento das demandas sociais mais prementes da população. A rigor, não há nenhum problema aqui, pois Lucas Ribeiro é do grupo político do governador João Azevedo, filiado ao PSB, partido coligado ao PT no plano nacional. Por outro lado, como afirma a Presidente Estadual da legenda, a deputada estadual Cida Ramos, a decisão foi tomada nas plenárias do partido, uma decisão colegiada, portanto.  A  decisão do partido, surpreendentemente, causou um verdadeiro frisson na chapa do ex-prefeito da capital, Cícero Lucena(MDB-PB) que, também concorre ao Governo do Estado. 

Cícero fez um pronunciamento duro em relação a tal movimento, questionando a motivação do partido - que seria, segundo ele, ocupar cargos na máquina - e afirmou ter dúvidas sobre o apoio do presidente Lula ao nome de Lucas Ribeiro. O ex-prefeito afirmou não haver nenhuma declaração de Lula em relação ao assunto. Não precisava de tal declarações, uma vez que Lula tem compromissos com os socialistas. Seria um apoio "natural". Surpreende um pouco este comportamento beligerante de Cícero, algo incomum ao político mais manhoso do estado. Foge de querelas como o diabo foge da cruz. É alguém conciliador por natureza. Cícero questiona, inclusive, a motivação do partido, que não seria ideológica, ao apoiar uma chapa com tal perfil. Não vamos aqui entrar nas minúcias para não melindrar. 

O que deve ter causado o aborrecimento foi o grande esforço empreendido pelo ex-prefeito no sentido de buscar o apoio do PT e ter um palanque ligado a Lula na Paraíba. As articulações envolveram o PT nacional, tratadas diretamente com Edinho Silva. Ficamos por aqui tentando entender qual seria o cálculo de Cícero, mas não se pode negar seu invejável feeling político. É raposa bem cevada, daquelas que sobrevivem às intempéries. Cida afirmou que ele pode estar passando por um momento de descontrole emocional. Cícero é daquele político que bebe em várias fontes. O que ele pode ter percebido é uma espécie de "congestionamento" das fontes conservadoras no estado. Manter uma relação mais estreita com os progressistas, neste momento, poderia ser o mais estratégico para o ex-prefeito. 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: Enfim, saiu a Datafolha sobre a disputa ao Governo do Estado.


Hoje, 16, conforme já havíamos antecipado, saiu a pesquisa do Instituto Datafolha sobre a disputa ao Governo do Estado de Pernambuco. Nesta pesquisa, o candidato João Campos(PSB-PE), ex-prefeito do Recife, aparece com 50% das intenções de voto, enquanto a governadora Raquel Lyra(PSD-PE), que tenta a reeleição, crava 38% das intenções de voto. A diferença é, portanto, de 12 pontos entre ambos. Trata-se de uma diferença expressiva, mas não há nada definido ainda, principalmente em razão dos bons escores de aprovação da governadora, assim como em razão da campanha, que está apenas no seu começo. Ainda não há motivos para os socialistas soltarem os rojões. As pesquisas anteriores, lá atrás, já mostraram João Campos bem melhor posicionado.  

Na realidade, os dados do Datafolha divulgados no dia de hoje mostram a situação de largada dos candidatos ao Palácio do Campo das Princesas. Vamos ver quem tem mais fôlego até o dia 04 de outubro, daqui há cinco meses, portanto. Aliás, um pouco mais, uma vez que a fatura muito dificilmente será liquidado ainda no primeiro turno. Ambos os candidatos estão se movimentando. João Campos, inclusive, junto às velhas bases deixados pelo seu avô, Dr. Miguel Arraes, no interior do estado, um simbolismo que faz muito bem à campanha e deve ser muito explorado em suas peças publicitárias. Não faz muito tempo, ele encontrou-se com Pezão, uma velha personalidade ligado aos socialistas desde longas datas, passando de Arraes a Eduardo Campos. 

A pesquisa de hoje mostra algo interessante em relação à corrida ao Senado Federal, situação que deve deixar o Campo das Princesas atento. A demora na definição da chapa pode estar prejudicando a campanha de Raquel Lyra. Por outro lado, no tocante à chapa de João Campos, temos a consolidação do nome de Marília Arraes com franco favoritismo a assegurar uma vaga entre os representantes de Pernambuco na Câmara Alta, assim como o acerto do senador Humberto Costa em "colar" em sua companheira de chapa, realizando aparições públicas em conjunto. Ele hoje já aparece num confortável segundo lugar e, melhor, sem o assédio dos demais concorrentes, a exemplo do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que, a rigor, ainda não sabe se será, de fato, definido como um dos candidatos ao Senado Federal, e o bolsonarista Anderson Ferreira. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número: PE-04713\2026.  

Charge! Kleber via Correio Braziliense

 


Editorial: Ciro Gomes e a tentação do Palácio do Planalto


O ex-governador Ciro Gomes(PSDB-CE) ainda mantém mistério sobre sua candidatura ao Palácio da Abolição, alimentando as expectativas de que possa aceitar o convite formulado pelo deputado federal Aécio Neves para candidatar-se à Presidência da República. Se movimenta no seu estado como um possível candidato ao Governo nas eleições de 2026, mas as dúvidas permanecem. Se sentiu honrado com o convite formulado pelo mineiro, mas disse que precisaria consultar seus familiares a esse respeito. Ciro, como sempre fez os deveres de casa, traça um futuro sombrio para o Brasil no contexto desta contenda entre petistas e bolsonaristas. Ciro é um cara sério, probo e preparado, com propostas para enfrentar os principais "gargalos" do país. Isso ficou evidente desde as suas últimas candidaturas. 

O eleitor brasileiro é que, por algum motivo, não deu uma chance ao cearense. Ele conhece a situação crítica do seu estado, mas, em alguns momentos, deixa transparecer que ainda sonha com a cadeira do Palácio do Planalto. E aqui não vai nenhuma crítica quanto a isto. Consideramos apenas pensar com muito carinho sobre o assunto, uma vez que, se ele aceitar, esta seria a quinta candidatura à Presidência da República. Os especialistas dizem haver uma chance, mas esta chance, em tese, já existia desde as eleições passadas e não foi dado a ele. Ciro, apesar do esforço, não conseguiu furar a bolha da polarização renitente. Na última campanha seus assessores fizeram de tudo para construir esta alternativa. Tudo em vão. 

Neste momento, infelizmente - digo infelizmente uma vez que, uma vez eleito ele saberia realmente como enfrentar esses "gargalos" do país - talvez o caminho mais prudente seja mesmo tentar uma eleição para o Palácio da Abolição. Ele já havia decidido que não seria mais candidato à Presidência da República. Os tucanos desejam ardentemente um nome que possa voltar a projetar o partido nacionalmente. Desejam voltar a ter protagonismo na política nacional. Mesmo carentes de quadros, talvez não seja interessante delegar tal responsabilidade aos pássaros que ainda estão criando asas no ninho.