pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: Quem cuida dos "nossos bandidos"?
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sábado, 30 de maio de 2026

Editorial: Quem cuida dos "nossos bandidos"?



A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos em classificar organizações criminosas como PCC e CV como organizações narcoterroristas condicionou os formadores de opinião a assumirem um posicionamento correto em relação  a um  assunto tão complexo, sob pena de perderem o bonde desse debate. Em período eleitoral, quando tenta uma reeleição, a Oposição pode atirar no colo do Governo Lula uma bomba de efeitos dantescos, que, se bem trabalhada, pode custar até a sua reeleição. Há uma profusão de fatos que podem provocar um climão de grande comoção pública, a exemplo daquele enterro na Bahia, que foi interrompido a tiros pelos marginais. Segundo um levantamentos do Datafolha, 41% da população brasileira já é refém de, alguma forma, das práticas delituosas desses facções do crime organizado em seus bairros. 

O medo da violência está superando o medo até do bolso, que, segundo o economista Roberto Campos, era, até então, a nossa parte mais sensível. Um expressão de Lula sobre o episódio, logo após a classificação dessas organizações como organizações terroristas pelo Governo dos Estados, já atiçou as redes sociais. O presidente Lula, em sua fala, utilizou a expressão: "nossos criminosos", numa referência ao fato de que competia ao Governo brasileiro cuidar deste assunto. Organizações como o PCC e o CV mantém uma espécie de centrais de gestões dos seus negócios, que hoje estão espalhadas pelo mundo todo, envolvendo inúmeras atividades. São transnacionais. Não fosse as ações de governos como o da Bolívia, aquele país estava se transformando num reduto seguro para o esconderijo dos chefões do tráfico. 

São necessárias ações integradas dentro e fora do país. Cidades como Cabedelo, aqui na Paraíba, eram controladas diretamente do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Policias da Bahia, de Pernambuco, da Paraíba precisam cumprir mandados em favelas tradicionais do Rio de Janeiro, onde os chefões que controlam o tráfico nesses estados estão escondidos.  São locais relativamente "seguros", onde a polícia encontra enormes dificuldades de chegar. E, quando estão próximos, os procurados são avisados antes por sua rede de informantes. Já enaltecemos por aqui as ações exitosas de alguns entes federados no enfrentamento dessa questão, mas, numa análise mais objetiva, sem ainda entrarmos no mérito dos eventuais equívocos, o Governo brasileiro parece ter perdido esta guerra contra o crime organizado.

Por falar nessas ações dos entes federados, as Polícias Civil e Militar de Pernambuco, juntamente com forças federais, realizam uma mega operação na Ilha do Bananal, no bairro de Iputinga, no Recife, local utilizado pelas facções como uma espécie de centro logístico de distribuição de armas e entorpecentes para várias regiões das cidades Olinda e Recife. Como reação, os controladores do território decretaram um toque de recolher na comunidade, ordenando o fechamento do comércio no bairro e incendiaram ônibus do transporte coletivo que circulam no local. A comunidade do bairro vive um momento de pânico, numa evidente constatação que tal situação é "insustentável". Vários estados brasileiros estão na iminência de um colapso na área de segurança pública.


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