pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: A banalização da corrupção no país.
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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Editorial: A banalização da corrupção no país.



Ao longo desses anos, acabamos por estabelecer algumas convicções acerca do problema estrutural da corrupção no país. Hoje, quando surge um novo escândalo de corrupção - o que, aliás, não é raro - já temos os parâmetros seguros para estabelecer se aquele escândalo tem a participação do crime organizado, por exemplo. Não erramos uma. Master, INSS, Rei do Lixo, entre outros. Alguém já disse que, se tivéssemos estabelecidos as clivagens corretas, Lula e Flávio Bolsonaro não estariam liderando as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República nas próximas eleições. Hoje, dia primeiro, o editorial do jornal O Estado de São Paulo é sobre o escândalo do Dark Horse, que, segundo o articulista, seria suficiente para sepultar a candidatura de Flávio Bolsonaro de uma vez por todas e isso não está ocorrendo. 

Os bolsonaristas vão dizer que o jornal agora é petista, assim como os petistas, em passado recente, já demonizaram o jornal, acusando-o de integrar uma conspiração antipetista. Eles já criaram couraça em relação ao assunto. O que não nos mata, nos fortalece, como diria o adágio popular, e isso vale até mesmo para os órgãos de comunicação. De fato o editorialista tem razão. Num país mais civilizado, onde os cidadãos fossem menos tolerantes à corrupção, isso seria suficiente para sepultar um candidato à Presidência da República. O problema é que estamos no Brasil. Dentro desta camisa de força imposta pela esgarçante polarização política isso já seria previsível. Estava dentro das possibilidades que os fatos talvez não produzissem prejuízos significativos ao candidato. As próximas pesquisas de intenção de voto podem confirmar, inclusive, que ele já reequilibrou o jogo.  

O que se diz é que se surgir um candidato capaz de furar esta bolha e chegar ao segundo turno, ele vence a eleição tanto disputando com Lula ou disputando com Flávio Bolsonaro. Mas quem seria este candidato? Renan Santos? Caiado? Zema? A rigor, se os bolsonaristas menos radicais lessem a República das Milícias, do cientista político Bruno Paes Manso, um dos livros eleitos pela Folha de São Paulo estre os melhores de não ficção, saberia melhor como foi feita esta transição entre Rio das Ostras e o Palácio do Planalto em passado recente. Não há inocentes por aqui.  

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