As pesquisas sempre indicaram a existência de um eleitorado que está "cansado" desta camisa de força da polarização da politica brasileira, cindida entre petistas e bolsonaristas. De acordo com essas mesmas pesquisas, este eleitorado representa um contingente expressivo, capaz de mudar os rumos de uma eleição presidencial caso se identifique com uma das opções que disputam o pleito. Uma pesquisa do Instituto Quast\Genial, à qual o Estadão teve acesso, observa que, para esses mesmos eleitores que estão cansado dessa birra entre bolsonaristas e petistas, no entanto, não há como romper esta bolha, ou seja, mesmo desejando votar numa outra alternativa, eles se tornam reféns deste processo.
Como sempre nos referimos por aqui, trata-se de uma espécie de centrífuga, capaz de moer qualquer alternativa distinta que se apresente ao eleitorado. A imprensa também dá a sua contribuição para a manutenção deste processo. Aqui em Pernambuco, desde o início, todo o processo foi pautado em torno de apenas duas candidaturas, a de Raquel Lyra, que tenta a reeleição, e a do ex-prefeito João Campos, que deseja se tornar governador pela primeira vez, representando o clã Campos\Arraes. Todo o debate político parece que se resume a estes dois nomes, mesmo quando temos alternativas qualificadas disputando o pleito, a exemplo de Ivan Morais, do PSOL, que faz um esforço tremendo para, literalmente, procurar um lugar ao sol neste cenário.
É realmente profundamente lamentável que um país com problemas estruturais gigantescos tenham sua eleição para o Executivo mais importante decidida entre um modelo de gestão já exausto, temerário em relação às finanças públicas, e, do outro lado, uma profunda incerteza e insegurança sobre a gestão, além da convicção dos flertes autoritários com o ideário da extrema-direita. Neste ritmo, deverá ser cumprida uma previsão do sociólogo jamaicano Stuart Hall, ou seja, isso só acaba quando um dos polos destruir completamente ou outro. E nós vamos juntos.

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