As pesquisas indicam que o candidato Aberlado de la Espriella pode ir para o segundo turno nas eleições que se realizam na Colômbia neste domingo, 31, em primeiro turno. Espriella é um candidato de ultradireita, advogado e empresário que vem se destacando nas eleições daquele país. É jovem, lidera um partido recém-criado e vem com uma proposta de enfrentamento radical do crime organizado no país, o que deve estar sendo decisivo em relação à sua ascendência naquelas eleições. Pelo andar da carruagem política, o medo passou a ser o grande eleitor não apenas do Brasil, mas do continente. O crime organizado está pintando miséria em todo continente, ampliando sensivelmente o flerte de alguns candidatos com o modelo adotado em El Salvador por Nayib Bukelle. Até no Brasil nós temos os nossos simpatizantes e até aspirantes declarados.
E olha que, em princípio, Bukelle não se elegeu com a plataforma política do CECOT. A adoção de medidas radicais contra as gangues só ocorreriam um pouco depois, quando ele já exercia o mandato, quando da decretação do regime especial de exceção. Ele tomou algumas medidas contra as gangues que atuavam no país e, no dia seguinte, El Salvador amanheceu contando os seus mortos nas ruas. Há uma série de questionamentos acerca do respeito aos direitos humanos quando se avalia as condições de confinamento ou de prisão adotadas no CECOT. Julgamentos coletivos, prisão perpétua, eventuais prisões arbitrárias - correndo-se o risco de prender inocentes - além das rígidas condições de cumprimentos das penas, como a ausência de proteínas nas refeições e colchões para as horas de sono.
Mesmo com todas essas críticas ou ponderações, quando se observa a queda vertiginosa dos índices de violência no país - El Salvador tornou-se o país menos violento do continente - sugere-se que a população local apoie as medidas, se considerarmos os escores de avaliações positivas do presidente Nayib Bukelle. Ele está fazendo escola por todo o continente, onde o modelo do CECOT já vem sendo implementado. Circunstâncias impostas por este momento difícil que enfrentamos, onde o crime organizado está assumindo o papel que deveria ser exercido pelo Estado.

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