pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Editorial: Revogaço de um lado, caneta bic nada republicana do outro. É o Brasil.



Não tenhamos dúvidas de que os primeiros meses do Governo Lula ficará conhecido como o "Governo do Revogaço", em razão da necessidade de revogar ou fazer alterações nas legislação "permissiva" do último governo. Somente na área de meio-ambiente, tal revogaço está estimado em 140 decretos, leis e coisas e tais. Na área da Justiça - e talvez segurança pública - outros tantos, sempre com o objetivo de reintroduzir uma cultura de paz, desarmando o país. Por outro lado, num comportamento nada republicano, os escaninhos da política nos informam que o atual presidente estaria recebendo recomendações dos assessores para criar embaraços para o futuro governo, gerando prejuízos de arrecadação, por exemplo.

Não seria de bom alvitre tais atitudes, mas não se poderia esperar muito coisa do ancien régime. Já escrevemos por aqui como deveria ser organizada essa oposição ao futuro governo Lula, dentro das regras do jogo, atuando nas quatro linhas, de forma propositiva e crítica, contribuindo, na realidade, para fiscalizar e melhorar a gestão. Este seria o cenário desejável, mas, pelo andar da carruagem política, igualmente impossível.

Não temos nada contra o senhor Rogério Marinho, democraticamente eleito senador pelo Rio Grande do Norte, que já lançou sua candidatura às próximas eleições para a Presidência do  Senado Federal. Não ficamos felizes, por outro lado, em relação ao engendramento de uma manobra que estaria por trás de tal candidatura, que teria como objetivo acatar os pedidos de impeachment de membros do Poder Judiciário. Perdão, mas o propósito é ardiloso e descabido, uma vez que os membros do Poder Judiciário tem cumprido, unicamente, seus deveres constitucionais.   

Editorial: Até quando vão continuar os protestos bolsonaristas?



A rigor, não caberia mais os prostestos contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Lula está prestes a ser diplomado, em cerimônia programada para hoje, e toma posse como novo presidente no dia primeiro de janeiro de 2023. Pior do que as mobilizações bolsonaristas pelo país e na capital federal, somente a informação, repassada por fontes seguras, de que existe um propósito desses manifestantes em tumultuar os ritos do processo eleitoral, que incluem diplomação e posse,como se já não fossem bastante as contestações sobre o resultado das eleições, além das ilações descabidas sobre a sua lisura.   

Embora a temperatura política tenha cedido em algumas hostes bolsonaristas, nas ruas tal temperatura continua alta, com milhares de pessoas pedindo uma intervenção militar, ainda inconformadas com o resultado do pleito. É a primeira vez na história recente da República que ocorre uma situação desse gênero. Motivo, sim, para muitas preocupações, pois se trata de uma massa que se sente lesada, enganada, que consideram que as eleições foram fraudadas, que existiu uma trama armada pelo TSE e o STF para favorecer um determinado candidato, entre outras sandices do gênero. 

Cometem a ilegalidade de pedirem abertamente um intervenção militar sem sequer se darem conta do que isso significa e do legado de obscurantismo que eles podem estar produzindo para o futuro dos seus filhos. Uma absoluta irresponsabilidade. Isso só pode ser entendido como um momento de insanidade coletiva. Não seria possível que, de repente, essas pessoas perdesssem o bom-senso. Não é possível que existam tantos golpistas no pais. Eles sabem o que, de fato, segnifica uma intervenção militar? Eles conhecem o ônus a ser pago? As consequências para as futuras gerações? Eles já leram alguma coisa sobre o Golpe Civil-Militar de 1964? O que isso significou em termos da supressão das liberdades individuais e coletivas? Não seria de bom-senso acreditar que eles tenham alguma noção dessas questões e ainda permaneçam nas ruas, nesse jogo de altíssimo risco. 

O TSE vem adotando medidas no sentido de coibir essas irresponsabilidades, mas providênfias ainda mais severas precisam ser tomadas, antes que ocorra alguma tragédia. Chegaram a Brasília com o propósito deliberado de criar problemas para a posse do futuro presidente, eleito democraticamente, referendado pelas urnas, em eleições limpas, transparentes, republicanamente conduzidas pelas autoridades eleitorias do país. Cumprida a etapa da diplomação, a pergunta que se faz é se eles permanecerão em Brasília até o dia da posse de Lula. Isso está se tornando algo bastante complicado.  

domingo, 11 de dezembro de 2022

Editorial: O "código" Dirceu no futuro Governo Lula.



Os bolsonaristas estão à procura de um tal código-fonte das urnas eletrônicas, que, acreditamos, não conseguirão, pois se trata de uma prerrogativa da Justiça Eleitoral mantê-lo sobre o seus estrito controle. Num regime democrático, as pessoas e as instituições precisam respeitar o espaço do outro. Eleição é com a Jutiça Eleitoral. E somente a Justiça Eleitoral. O TSE e a Justiça Eleitoral já cumpriram com denodo todas as etapas do processo eleitoral, faltando, apenas, a diplomação e a posse do eleito, que ocorre a partir de primeiro de janeiro de 2023. Pelo que acompanhamos pelas redes sociais, está tudo sendo preparado pelo esposa de Lula, a Janja, que já confirmou a presença de 12 chefes de Estado na posse do petista. 

Infelizmente, o outro lado ainda não assimilou a derrota e não seria improvável alguns dores de cabeça mais adiante, como os "índios bolsonaristas", que estão ocupando o Aeroporto de Brasília, causando alguns transtornos. Colocamos o termo sob aspas porque, a rigor, não existem "índios bolsonaristas', como são tratados por um desses grandes paulistas. Na realidade, são índios apoiadores de Jair Bolsonaro, o que já se constitue numa profunda contradição. 

Mas, voltemos ao José Dirceu. Não faz muito tempo, comentamos por aqui, que ele fazia falta no meio-de-campo das negociações políticas engendradas pelo Gabinete de Transição. Hoje, leio uma matéria no site da revista Veja, assinada pela jornalista Marcela Mattos, informando que o ex-homem forte do partido continua atuando nos bastidores das negociações políticas, mesmo que discretamente, longe dos holofotes. Segundo a jornalista, ele costuma usar o código : "Vou levar este assunto adiante",que significa que o pleito chegará aos ouvidos do morubixaba petista. 

Charge! Marília Marz via Folha de São Paulo

 


Editorial: A fala enigmática do presidente Jair Bolsonaro.



Depois das eleições, bastante abalado com o resultado apontado pelas urnas, o presidente Jair Bolsonaro, como se diz aqui no Nordeste, se recolheu aos seus aposentos. Váris versões surigiram em torno do assunto, sempre emitidas pelos seus assessores mais diretos. O fato concreto é que ele ficou psicologicamente abatido, a julgar pelo semblante apresentado em público e o diagnóstico de alguns profissionais da área de psicologia, mesmo que diante de avaliações não presenciais. Seria perfeitamente compreensível, dentro do razoável, embora fosse de bom alvitre o reconhecimento da vitória do adversário, assim como tocar a bola para frente.  

O que não nos parece razoável é os seus grupos de apoiadores tentarem interpretar a sua fala recente, quando ele voltou ao diálogo com os apoiadores no chamado "cercadinho". A fala do presidente é uma narrativa enigmática em todos os sentidos, discurso construído com várias pausas, mas nos chamou a atenção a utilização do termo socialismo, em seguida enfatizando a tese de que as Forças Armadas poderiam abortar a sua implantação no país. Trata-se de uma tese surrada, ainda da década de 60 do século passado, quando as ideias de uma sociedade socialista ainda estavam em voga. A utopia ainda não está morta, mas hoje repousa apenas sobre as reflexões dos estudiosos do assunto, circunscrita ao circuito acadêmico, com as várias revisões impostas pela experiência histórica. 

Os militares que ocuparam o poder no país, após o Golpe Civil-Militar de 1964, sempre contaram com o apoio de um verdadeiro estrategista político, que possuia uma fenomenal biblioteca e lia os textos sempre no original, pois desconfiava das traduções. Estamos nos referindo aqui ao general Goubery do Couto e Silva, um dos artífices do processo de reabertura política, a partir da década de 80. Com as mobilizações sindicais daquela década, assim como a fundação do Partido dos Trabalhadores, setores militares temiam muito sobre o então líder Luiz Inácio Lula da Silva. 

Argunto obsevador da cena política - leitor de livros, de pessoas e de cenários - Golbery tranquilizava os companheiros de farda, afirmando que ficassem tranquilos, pois Lula nunca foi comunista. Mais tarde, durante uma entrevista, o próprio Lula trataria de confirmar a avaliação do militar, afirmando que nunca disse que era comunista. Esse terceiro mandato de Lula como presidente do país será o mais liberal possível. A prioridade hoje é a garantia do nosso arcabouço democrático - este sim, ameaçado, mas não é pelo socialismo - e assegurar o pãp para milhões de brasileiros e brasileiras que entraram nas estatísticas sombrias da fome. Na realidade, Lula é um cidadão de firmes convicções democráticas, com uma profunda sensibilidade social, construída a partir de sua experiência de vida. No momento, isso faz uma diferença abissal.  

sábado, 10 de dezembro de 2022

Editorial: Margareth Menezes aceita convite para o Ministério da Cultura.




Não tenhamos dúvidas de que os maiores pepinos ou abacaxis a serem descascados no futuro Governo Lula estão concentrados nos ministérios da Fazenda, Justiça e Segurança Pública e Defesa. Isso não quer dizer, no entanto, que não tenhamos problemas estruturais nos demais ministérios. Cultura, Meio-Ambiente, Casa Civil. Difícil dizer onde tenhamos problemas mais graves a serem enfrentados. Por vezes, os indicados para os ministérios sequer conseguem formar um consenso junto ao Gabinete de Transição, como parece ser o caso da cantora Margareth Menezes, indicada para o cargo de Ministra da Cultura. 

Ela já teria dado o sinal verde de aceite para o morubixada petista, último a bater o martelo, mesmo que à revelia de alguns companheiros. Segundo informações de bastidores, a atriz Mariete Severo foi convidada, mas teria recusado o convite. A gestão da cultura foi uma área completamente esquecida no governo Bolsonaro. Falamos isso de cátedra, porque, na condição de membro de uma comissão delibertativa que acomoanhava a cadeia da cultura aqui no Estado, este editor pôde se inteirar sobre a quantas andava a situação no país.

Margareth Menezes desenvolve um trabalho muito interessante na Bahia, através da Ong Fábrica Social, que atua na área de cultura, educação e sustentabilidade. Os atores políticos contrários à sua indicação alegam que ela não possue qualquer experiência em gestão cultural. É curioso isso porque não nos ocorre que tal exigência tenha sido feita ao ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Salvo melhor juízo, não nos ocorre alguma experiênfia em gestão cultural do artista antes de ele assumir o ministério. E, no entanto, ele fez uma excepcional gestão à frente daquela pasta. Vamos dar um crédito a Margareth?    

Editorial: A reação da Faria Lima ao nome de Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda.

 


Antes de mais nada, para quem deseja conhecer melhor essa relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e o professor Fernando Haddad recomendamos o artigo escrito pelo consultor e articulista Thomas Traumann, publicado no site da revista Veja. Na realidade, essa relação tem muito a ver com um momento de crise enfrentado pelo Partido dos Trabalhadores, quando suas principais lideranças foram soterradas por denúncias de procedimentos de caráter pouco republicano. Lula, então, estrategicamente, a partir do chamado "cinturão paulista", associou-se a várias lideranças petistas emergentes, com o propósito de requalificar o Partido dos Trabalhaores, retomando a sua condiçao de competitividade no cenário nacional. 

Seria um trabalho de reconstrução da legenda, a partir do maior colégio eleitoral do país. A época, Lula comprou lutas ferrenhas com figuras históricas da legenda, que se arvoravam no direito de não ceder espaço para um "novato". Não precisamos dizer que sua liderança acabou definindo o resultado do jogo, assim como ocorre nos dias de hoje, onde ele sempre é a última palavra. Desde então, ambos passaram a manter uma relação de profunda amizade, lealdade canina, confiança, e admiração recípcoca. 

Este editor não tem a menor dúvida de que Lula prepara o pupilo para a sua sucessão em 2026, quando o morubixaba petista já estaria com a idade avançada e deve retornar a curtir a sua praia de Ponta do Camarão, na Babia, onde descansou recentemente alguns dias com a sua esposa, depois da cansativa campanha política. Segundo comenta-se, a Faria Lima não gostou mouto da indicação do nome de Fernando Haddad. Tentaram inflar o nome de Alexandre Padilha, exímio articulador, mas, isso só fez aumentar a convicção  de Lula no tocante à indicação de Fernando Haddad, conforme observa Thomas Traumann.

Conforme comenamos antes, também ali o futuro ministro da Fazenda terá algumas bombas a desarmar, sobretudo no tocante ao teto de gastos de receita. O campo do futuro governo Lula está completamente minado. Possivelmente não há um único ministério onde não haja dificuldades ou problemas estruturais a serem enfrentados. Como costumo repetir, o estrago foi grande. Ontem comentamos que ele não deixará, quando possível, de puxar um pouquinho de brasa para o Beco da Fome. Mas será isso mesmo que incomoda o mercado?  

Editorial: Ministério ou esquadrão antibomba de Lula?



O jornalista Josias de Souza, do portal UOL, um dos mais argutos oberservadores da cena política brasileira, observou, em sua coluna daquele portal, que, na realidade, esse ministério anunciado por Lula mais recentemente - que incluem os nomes da Defesa, Justiça, Fazenda, Casa-Civil e Relações Exteriores - também poderia ser classificado como um esguadrão antibomba de Lula, dada as circunstâncias em que se encontram essas pastas, todas minadas por bombas, prestes a explodir a qualquer momento. Para não deixar as coisas assim no ar, ele mesmo tratou de identificar essas bambas armadas em cada um desses ministérios. 

Como não temos muito familiaridades com bombas, vamos deixar para os peritos essa missão. Mas, de fato, a reconstituição dessas pastas, em parâmetros minimamente republicanos, despolitizando-as e desaparelhando-as, será uma obra de engenharia institucional das mais complexas, embora fundamentalmente urgente e necessária. Quanto mais o Gabinete de Transição avança no diagnóstico da situação, mas cresce a percepção sobre o estrago produzido. É urgente da tomada de posse - como diriam os evangélicos - para evitar efeitos colaterais maiores. No estamento militar, por exemplo, numa atitude sem precedentes na história republicana recente, sugere-se que os comandantes militares estariam dispostos a entregarem seus cargos antes do início do exercício do futuro Governo Lula. 

Permitir um vácuo de poder num momento como este poderia trazer consequêncicas extremamente desagradáveis e indesejáveis. Daí a antecipação do nome do pernambucano José Múcio Monteiro para assumir, de imediato, a pasta da Defesa. Antes mesmo de ser indicado oficialmente, o ex-ministro do Tribunal de Contas da União já estaria trabalhando nas coxias, com o propósito de serenar os ânimos, escolhendo seus auliares no comando das três armas. O nome do ex-governador do Maranhão, Flávio Dino, foi muito bem recebido por setores da Polícia Federal, mas se sabe dos padrões de interferência do Executido nas forças policiais. Um amplo processo de desbolsonarização é a palavra de ordem neste momento. Vamos torcer que os nomes escolhidos tenham a perícia e a habilidade politica necessárias para desarmar essas bombas.  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Charge! Mor via Folha de São Paulo

 


Editorial: Izolda Cela é uma indicação nossa, Lula.



Durante a última campanha eleitoral, religiosamente, acompanhamos todos os debates possíveis entre os candidados que concorriam à Presidência da República, assim como aqueles que concorriam aos governos estaduais. Quando havia algum tempo, até mesmo o debate dos candidatos que concorriam ao Senado Federal. Tivemos gratas surpresas ao acompanhamos esses debates, como, por exemplo, o ótimo nível de candidatos que concorriam ao Senado Federal pelo Estado do Paraná, disputa vencida pelo ex-juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro, hoje em volta com ações que pedem a cassação de sua eleição para a Câmara Alta. Depois, com mais calma, o ex-juiz deve chegar à conclusão de que nunca deveria ter abandonado a toga e os seus alunos. Como já afirmamos por aqui, ele comete vários erros de avaliação. O último deles, segundo noticiado por um jornal carioca, foi pedir ao presidente Jair Bolsonaro que fizesse gestões junto aos caciques do PL para suspender as ações contra ele, impetradas no TRE do Paraná. Não foi atendido. 

Mas vamos voltar à nossa discussão sobre uma eventual indicação da governadora do Ceará, Izolda Cela, para o Ministério da Educação. Pois bem. O que tentei elencar desses debates acomapanhados é que os principais candidatos aos governos estaduais, das mais distintas tribos políticas, faziam referência ao exitoso modelo de educação pública implantado no Estado do Ceará. Os últimos indicadores divulgados pelo IDEB apenas confirmam uma política pública das mais bem-sucedidas no contexto nacional, contemplando o ensino fundamental e médio. 

Dos alunos do ensino médio - o ex-candidato Ciro Gomes enfatizava bastante isso - algo em torno de 80% são encaminhados ao mercado de trabalho, através de estágios iniciais. A eventual indicação de Izolda Cela para o MEC, portanto, seria justa. Justíssima, como diria o conterrâneo Chico Anízio. Seria uma indicação dos brasileiros e brasileiras, meu caro Lula. Ela entra na nossa cota, pelos bons serviços prestados ao ensino público do Estado do Ceará, que podem ser replicados para outras praças da federação. Estamos todos torcendo por sua indicação. 

Editorial: Sobre os nomes do futuro ministério, vamos aguardar o Diário Oficial.



Vamos seguir por aqui o conselho do Dr. Miguel Arraes, uma velha raposa da política pernambucana, no que concerne à escalação dos nomes que ocuparão o futuro ministério do Governo Lula. Quando alguém comentava com Arraes que um tal nome poderia compor o seu secretariado, porque alguém teria antecipado ou a notícia teria sido veiculada num jornal local, ele, depois do conhecido pigarro, retrucava: Vocês estão procurando no local errado. Deixam sair a nomeação no Diário Oficial, que é o lugar correto. 

Durante o dia de ontem, surgiram várias listas de nomes de personalidades do mundo da política que poderiam integrar a equipe dos futuros ministros de Lula. Oficialmente, ainda não houve uma confirmação, por parte do morubixaba petista, acerca da confirmação de algum desse nome, exceto, naturalmente, em relação ao nome de Múcio Monteiro para o Ministério da Defesa. Apenas quatro nomes estariam, de fato, mais amadurecidos. O pernambucano José Múcio Monteiro, que deve mesmo ocupar a pasta da Defesa, com uma tarefa das mais espinhosas, num momento delicado; Flávio Dino, que deve ir para o Ministério da Justiça e Segurança pública; o fiel escudeiro Fernando Haddad,que deve ir mesmo para a Economia; e o baiano Rui Costa, que deve ser indicado para a Casa Civil. 

São nomes muito bem ranqueados, de grande proximidade com o morubixaba petista. Exceto no caso de José Múcio Monteiro - cuja a indicação se daria por outros motivos - a dívida de gratidão de lula com os demais é grande. São nomes diretamente responsáveis por sua eleição. Sem o concurso decisivo desses nomes, ele teria dificuldades em superar Jair Bolsonaro na disputa. Sãp nomes cotadíssimo na bolsa de apostas ministeriais, portanto. Existe uma grande possibilidade da governadora do Ceará, Izolda Cela, seri indicada para o Ministério da Educação, o que seria um gol de placa. Todos os brasileiros e brasileiras estão torcendo por esta indicação.  

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Editorial: Antes da Economia, a Defesa. Tempos bicudos. José Múcio deverá ser anunciado hoje.



Nos escaninhos da política, especula-se que Fernando Haddad deverá ser mesmo o nome indicado por Lula para a condução da pasta da Economia, que deverá ter uma outra denominação. Paulo Guedes já andou desdenhando da indicação, mas vai sair do governo deixando um imbróglio dos diabos em relação ao orçamento. Não entendo muito bem de economia, mas o pessoal da área diz que é de sua responsabilidade esse caos. Penso que Haddad, na realidade, poderia dar uma grande contribuição ao futuro Governo, mas numa outra área. A preferência de Lula, no entanto, recai sobre o seu nome, visando, sobretudo um projeto mais à frente, ou seja as eleições presidencias de 2026. Haddad foi um excelente Ministro da Educação.   

Trata-se de uma aposta arriscada, sujeita à queimação de cartucho, mas o morubixaba petista deve saber o que está fazendo. Em tempos de normalidade democrática, o anúncio do futuro Ministro da Defesa ficava em segundo plano, dada a sua pouca relevância. Em tempos de instabilidade política, de de águas turvas, convém tomar as precauções necessárias e, neste sentido, Lula deve antecipar o nome do pernambucano José Múcio Monteiro para conduzir aquela pasta, com uma missão das mais espinhosas, pacificar o estamento militar. 

Por razões conhecidas, a área de Defesa e  Inteligência tornaram-se áreas nevrálgicas do futuro governo. Ocorreu, paulatinamente, um processo de politização das forças militares nas últimos anos, produzindo conseguências bem conhecidas. Somente na burocracia do Estado, ocupando cargos de confiança, estima-se que existam oito mil militares. O presidente Jair Bolsonaro escolheu a dedo os assessores militares, que estão ocupando cargos estratégicos no Aparelho de Estado. É um campo minado, onde José Múcio deverá usar de toda a sua habilidade política para contorná-lo. Creio que, pela primeira vez em nossa história republicana, um Ministro da Dedesa possua um status tão elevado, consoante a dimensão das responsabilidades que lhes serão delegadas. 

Charge! Laerte via Folha de São Paulo

 


Ediorial: Democracia e pão, os pilares do futuro Governo Lula.



Desde de 2013 que o país entrou numa expiral autoritária sem precedentes, tornando a nossa experiência democrática a mais ameaçado do mundo. A eleição recente de Luiz Inácio Lula da Silva, constituiu-se, e isso é consensual, numa inflexão nesse processo que poderia nos conduzir a um modelo de democracia iliberal, cujo organograma institucional mais próximo seria o da Hungria, de Victor Órban. Uma professora, em palestra organizada pelo jornal Folha de São Paulo, cunhou uma expressão muito feliz para o nosso futuro: passaríamos por um processo de hungrialização, caso essas forças fossem mantidas no poder. 

E eles ainda possuem o desplante de afirmar que o golpe nunca chegou a ser cogitado. Claro que foi. O golpe, inclusive, estava sendo engendrado nos moldes da supressão do miolo da democracia, que estava sendo comida, aos poucos, por dentro. A restituição dos valores democráticos perdidos vai exigir um grande esforço de reconciliação ou reconstrução nacional. O objetivo maior, neste momento, é isolar as forças da extrama-direita, os algozes do regime democrático. 

É neste sentido que o presidente Lula vem consturando alianças com setores conservadores, mas unidos em torno do projeto de reconstrução do nosso tecido democrático, o mais importante neste momento. Felizmente, até os petistas mais radicais parecem ter entendidos isso. Estão menos barulhentos. A outra prioridade, neste momento, é levar o pão para mesa dos 33 milhões de brasileiros e brasileiras que estão na condição de insegurança alimentar. Passando fome seria o termo mais apropriado. 

Toda a preocupação do Gabinete de Transição em negociar alternativas ao orçamento esta relacionada a esta questão. A confusão com o orçamento é generalizada. Existe dinheiro, o governo arrecada como nunca, mas as contas não batem. Neste finalzinho de exercício, está faltando dinheiro para quase tudo, os recursos estão bloquedos, conforme mostramos ontem por aqui. Somente para a nossa UFPE deixou de ser repassado 31 milhões de reais, comprometendo o pagamento de 6 mil bolsas de mestrado e doutorado. Uma situação caótica, nas palavras do próprio reitor.    

Editorial: Golpes e contragolpes.



Na escala política, a temperatura atingiu o seu ponto máximo. Hoje, só se fala em golpe e contragolpes pelo mundo inteiro, desde o Peru até a Alemanha. Felizmente, aqui no Brasil, pelo andar da carruagem política, a situação está sob controle, exceto por alguns abduzidos quem ainda insistem neste tema, mas são exceção à regra. Na realidade, algumas medidas jurídicas seriam suficientes para extinguir essa sandice e, neste aspecto, o nosso Poder Judiciário tem sido atento e célere. Os caras tem dia e hora marcada. Será que eles conhecem o general Olýmpio Mourão Filho, que quase abortou o Golpe Civil-Militar de 1964, ao sair na hora errada, fora do programado pelos outros golpistas? 

Comentando sobre o assunto, o antropólogo Darci Ribeiro afirmou que bastava uma rajada de metralhadora das forças legalistas para os golpistas voltarem para casa com o propósito limparem as calças, pois tratava-se de uma tropa constituída por recrutas novos, despreparados. Infelizmente, Jango deixou de usar seus dispositivos e as consequências são conhecidas, assim como indesejáveis. Embora seja preciso analisar com mais calma o que ocorreu no Peru, o fato concreto é que, em menos de uma hora a situação foi resolvida, com Pedro Castillo cassado e a sua vice, Dina Boluarte, empossada.

Ainda bem que, no Brasil, hoje, as movimentações antidemocráticas estão resumidas a essa trupe de fanáticos. Por outro lado, convém tomar as medidas necessárias para que essa erva daninha não floresça. Vivemos num regime de democracia representativa e a Constituição do país é muito clara sobre o desrespeito aos seus princípios e valores. Defender, articular ou propagar golpe é crime, assim como não aceitar o resultado do jogo eleitoral, já claramente definido. O ministro Alexandre de Moraes tem sido um incansável na defesa desse arcabouço legal. Como se diz pelas redes sociais, nós autorizamos. 


 

Editorial: PL entra com ação no TRE do Paraná pedindo a cassação do mandato de Sérgio Moro.



Confesso que ficamos surpresos quando observamos esta notícia circulando pelas redes sociais. Afinal, o PL é o partido do presidente Jair Bolsonaro, que, até bem pouco tempo, havia feito as pazes com o ex-juiz da Lava-Jato, durante a campanha presidencial, argumentando que passado é passado. Alguém até nos corrigiu, pelas redes sociais, informando que o PL, na realidade, é de Valdemar da Costa Neto. Cascavilhando sobre o assunto, trata-se, na realidade, de uma disputa local. O PL deseja a vaga para Paulo Martins, o candidato que concorreu pelo partido naquelas eleições. 

As coisas ainda estão muito confusas, seguem em segredo de justiça, mas, na realidade, o que está em jogo é esta disputa local, que, inevitavelmente, proporcionou essa polêmica a nível nacional, principalmente em função do mais recente erro de avaliação do ex-juiz, que está sempre a cometê-los. Na reta final da campanha presidencial, Sérgio Moro voltou a reconciliar-se com o presidente Jair Bolsonaro, antes um desafeto. Eleito senador pelo Estado do Paraná, o senhor Sérgio Moro tratou logo de informar que montaria uma trincheira de oposição ao Governo Lula no Congresso Nacional, o que dava a dimensão do seu alinhamento com essas forças políticas que hoje pedem a cassação do seu mandato.

Nem mesmo essa predisposição oposicionista do ex-juiz constituiu-se em escudo suficiente para evitar as dores de cabeça com os "aliados". De fato, de acordo com  informações da própria Justiça Eleitoral, parece existir algums problemas com a prestação de contas de campanha do ex-juiz da Lava-Jato. Essa ação movida pelo PL, certamente, contingenciará o TRE a olhar com uma lupa mais ampliado para o problema. Mais um erro de avaliação do senhor Sérgio Moro? Outro dia, acompanhamos um vídeo da época em que ele justificava seu rompimento com o senhor Jair Bolsonaro. Talvez ele devesse ter ficado onde estava.   

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Editorial: UFPE tem 31 milhões de reais bloqueados pelo governo.



Notícia muito triste essa que a imprensa pernambucana está repercutindo, informando que a Universidade Federal de Pernambuco teve 31 milhões de reais bloqueados, o que significa que 6 mil estudantes de mestrado e doutorado ficarão sem receber suas bolsas de estudos, comprometendo suas pesquisas, de acordo com o reitor Alfredo Gomes. Profundamente lamentável que tenhamos chegado a este estágio de descuido com as instituições federais, atingindo órgãos de fomento, pesquisa, ensino superior de graduação e pós-graduação, além dos institutos de formação técnica. Outro dia li uma notícia  dando conta de que a Universidade Federal Rural de Pernambuco encontrava-se na mesma situação, senão ainda pior, pois não haveria recursos para manter sua estrutura em funcionamento. 

Não nos recordamos de uma crise desta mesma proporção, exceto, talvez, durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso, no bojo de uma reforma administrativa atroz, onde até papel higiênico faltou nas dependências da UFPE. Lembramos bem disso porque ainda éramos estudante da graduação. Aliás, devemos toda a nossa formação à UFPE. Fiz pós-graduação com bolsas custeadas pelo CNPq, órgão que também foi duramente atingido pelo corte de verbas. Sabemos bem o que signfica ficar sem receber essa bolsa, por vezes, único recurso com o qual o estudante conta.  

No finalzinho do governo, para atender o apetite voraz da turma do orçamento secreto, faltou dinheiro até para a merenda dos alunos nas escolas públicas. Salvo melhor juízo, o montante liberado previa algo como 36 centavos para cada aluno, o que não dava sequer, para comprar um ovo, dividido por quatro alunos, numa manobra solidária das abnegadas merendeiras. Este famigerado orçamento secreto - que se trata de uma verdadeira excrescência - infelizmente, precisou ser negociado por Lula, em razão das condições mínimas de governabilidade. Não torcemos por isso, mas é inevitável que ele enfrentará muitos problemas pela frente. Vamos aguardar as avaliações do STF, pois seus beneficiários, logicamente, o tratam como algo "inegociável".    

Editorial: A oposição bolsonarista ao futuro governo Lula.



Trata-se de uma notícia alvissareira essa movimentação das hostes bolsonaristas no sentido de organizarem uma oposição ao futuro Governo Lula. A leitura que fazemos por aqui é que, finalmente, eles começam a operar nos estritos limites impostos pela democracia representativa, o que é um bom sinal. O Ministro-Chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, tem reafirmado - embora não acreditemos muito nisso - que fará uma oposição cerrada a Lula pelos próximos quatro anos de governo. Já antecipou que não irá à posse do petista e, sempre que a oportunidade permite, faz juras de amor eterno ao chefe Jair Bolsonaro.  

O Senador Flávio Bolsonaro andou fazendo algumas considerações críticas em torno dos ajustes propostos pelo PT para administrar o teto do orçamento, diante da confusão em que se tornou este tema. De concreto mesmo, antes dos ajustes, é preciso encontrar dinheiro para o INSS, o SUS, as Universidades Públicas, além de honrar o pagamento do Auxílio Brasil, rebatizado de Bolsa-Família. O Gabinete de Transição fala num rombo de 400 bilhões. Vai demorar um pouco até que essa continha seja ajustada e possamos falar em responsabilidade fiscal dentro de parâmetros republicanos. 

O Bolsa-Família ficaria fora desses ajustes por um período de dois anos e consiste aqui a crítica do senador Flávio Bolsonaro. O presidente Jair Bolsonaro já avisou que não pretende voltar ao seu tradicional reduto político, o Estado do Rio de Janeiro. Deverá mesmo permanecer em Brasília, para acompanhar de perto o futuro Governo Lula. Já estaria à procura de uma residência na capital federal. Nenhum problema por aqui. Sejam todos muito bem-vindos. Lula tem feitos negociações amplas, com diversos partidos e atores políticos, sobretudo aqueles dos campos mais conservadores, pois será um governo de reconciliação nacional. O "estrago" institucinal e político provocado nos últimos anos foi grande. O próprio regime democrático, hoje, encontra-se ainda sob ameaça. O PT apoiará a reeleição de Arthur  Lyra(PL-AL) para a Câmara dos Deputados e, se houver outros liberais interessados em negociar com o futuro governo, as sinalizações são positivas. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Editorial: Ah! o discurso desses políticos. Por que não confiar?



Durante o período de campanha, das bravatas em praça pública, Lula mostrava-se completamente reticente à pessoa e a tudo que estivesse associado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lyra(PL-AL). Precisou engolir - mesmo com a garganta avariada - o indigesto orçamento secreto, possivelmente contemplará o novo aliado com alguns nacos de poder no Executivo e, ainda, levou os partidos de sua base aliada histórica a apoiar o projeto de reeleição do alagoano para a Presidência da Câmara dos Deputados.  

Em São Paulo, sobretudo nos momentos mais decisivos da campanha, o governador eleito, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, fazia juras de amor eterno ao presidente Jair Bolsonaro. Vazou nas redes sociais, mais recentemente, supostas declarações, atribuídas a ele, em contrário ao seu passado bolsonarista raiz. Existem aquelas iscas mais adequadas para se fisgar determinados espécies de peixes. As traíras, por exemplo, são mais facilmente capturadas com iscas que se movimentam e, de preferência no período da noite, quando elas estão famintas. 

Para "fisgar" o Centrão nós não diríamos que existe uma isca adequada. Existe, na realidade uma única isca, com o recheio de cargos e liberação de emendas, hoje, preferencialmente, através do orçamento secreto, para não se ter a dor de cabeça com o expediente republicano da transparência da prestação de conta. Há um ilustre representante deste grupo que anda afirmando que irá fazer oposição ao futuro Governo do PT pelos próximos quatro anos; faz juras de amor eterno ao ex-chefe; lamenta as interpretações equivocadas sobre ele. É só uma questão de tempo para ele mudar de posição. De tempo, não. Corrijo-me. De liberações de emendas e cargos na máquina. 

Charge! Benett via Folha de São Paulo

 


Editorial: Alexandre de Moraes determina suspensão das contas da deputada Bia Kicis


O assunto de maior repercussão no momento - depois das expectativas em torno da posse de Lula, naturalmente - é o choro do presidente Jair Bolsonaro. O futuro presidente do país terá um diálogo importante com os emissários americanos, onde devera tratar de temas caros para a sobrevivência dos regimes democráticos nesses tempos bicudos de ocorrências de retrocessos autoritários em todos os quadrantes do planeta. A "onda" agora é um modelo de democracia "iliberal",onde, de democracia mesmo só se conserva a fachada. A rigor, não há conteúdo democrático. Comparamos àqueles pães franceses enormes, de boa aparência, inflado pela adição de bromato, mas sem miolo.

Temos por aqui algumas hipóteses sobre a motivação do choro do presidente, mas a nossa condição de cristão nos recomenda respeitar este momento introspectivo do mandatário do país. Quanto à suspensão das contas da Deputada Federal Bia Kicis, do Partido Liberal, em suas redes sociais, a razão parece ser óbvia, pois no argumento que justitica tal medida estaria supostas pregações em favor de uma solução antidemocrática para o país. As redes sociais é um ambiente pantanoso, cheio de is e armadilhas e ardis, onde procuramos circular tomando todos os cuidados possíveis. Não aceitar os resultados de uma eleição limpa, num regime de democracia representativa, já pode ser interpretado como uma atitude que depõe contra suas convicções democráticas. Não entro no mérito das postagens da deputada, porque não a acompanho, mas o Ministro Alexandre de Moraes não toma medidas que não sejam amplamente amparadas em fundamentos legais.  

O Brasil passa por um momento difícil, enfrentando uma grave crise política e institucional, ainda não completamente superada. Seria uma irresponsabilidade usar as redes sociais que não com o propósito de pregar a serenidade, o arrefecimetno dos ânimos, a solidariedade e o estrito respeito às leis e às regras do jogo democrático, que já definiu e sacramentou seus resultados. Qualquer coisa fora disso se constitue em desvios, que devem ser combatidos e é aí que entra a pena do Presidente do Superior Tribunal Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes.   

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Editorial: Paulo Câmara talvez volte mesmo a cuidar das "finanças".



Antes de entrar na seara política, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara(PSB-PE), era um técnico especializado em finanças, homem forte, da estrita confiança do ex-governador Eduardo Campos. Mesmo emparedado pelo seu grupo político, o ex-governador Eduardo Campos o escolheu como seu sucessor, tornando-o governador do Estado. Os acontecimentos acabaram atropelando o próprio Paulo Câmara, surpreendido com a morte prematura do seu tutor político, que o orientaria na difícil missão de gerir a máquina e se conduzir no ambiente movediço da política, repleto de tessituras, armadilhas e ardis. 

Ambos técnicos escolhidos a dedo pelo ex-governador Eduardo Campos, logo Paulo Câmara estabeleceria uma parceria com o ex-prefeito do Recife, Geraldo Júlio(PSB-PE), segundo comenta-se nos escaninhos da política, um dos grandes responsáveis por sua recondução ao Palácio do Campo das Princesas, cumprindo o seu segundo mandato. Mais recentemente, durante o tumultuado processo de escolha do candidato que concorreria ao Governo do Estado pelo PSB, nas eleições estaduais deste ano, a relação entre ambos ficaram bastante estremecidas, pois Geraldo Júlio seria o candidato "natural' dos socialistas.  

Aliás, essas eleições é um dos pontos nevrálgicos do processo de esfacelamento dos padrões de relações pessoais entre os socialistas. Eles estão sensivelmente divididos. Agora mesmo, por ocasião da composição e das sinalizações emitidas pelo Grupo de Transição do Governo Lula no sentido das prováveis indicações de ocupação de cargos na máquina, há socalistas tupiniquins apoiando nomes do Sudeste, ao invés de nomes locais, apenas para "isolar" os desafetos aqui na província. 

São nesses momentos que a gente percebe o que é mais valorizado, se os interesses pessoais ou de grupo, ou os interesses do Estado. Li agora na coluna do jornalista Cláudio Humberto que a "cota" do PSB talvez se resuma ao nome do senador Flávio Dino(PSB-MA), ex-governador do Maranhão, que deve ocupar o Ministério da Justiça, credenciando-se para uma indicação posterior ao STF. Curioso que, a princípio, Flávio Dino entraria na cota pessoa de Lula. Os dois outros nomes em disputa nas hostes socialistas seriam o de Márcio França e Paulo Câmara. Em tais circunstâncias, cogita-se que Paulo Câmara possa assumir algum cargo numa estatal, possivelmente na área de finanças, que ele entende tão bem. O governador entregará a máquina estadual à sua sucessora, Raquel Lyra, do PSDB, no estrito limite da responsabilidade fiscal, com as finanças completamente em ordem, com dinheiro em caixa para investimentos.  

Editorial: "Eleições livres, justas e críveis". Ponto final. O golpe está desarmado.



Assim que a apuração das eleições presidenciais no Brasil foram concluídas - com as urnas ainda "quentes', na expressão do jornalista Josias de Sousa, do portal UOL - o presidente norte-americano, Joe Baden, fez questão de ser o primeiro chefe de Estado a felicitar Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória. Na ocasião, reforçou sua crença no processo eleitoral brasileiro, afirmando que tais eleições foram livres, justas e críveis. Em meio à turbulência da crise política e institucional instaurada após a vitória do petista, Joe Baden tratou de enviar um emissário ao país para acertar um encontro com o futuro presidente, antes mesmo de sua posse. 

A manobra foi uma espécie de ducha-fria nas pretenções descabidas de alguns atores políticos no sentido de tumultuar o processo democrático no país, flertando com retrocessos autoritários. Há poucos dias, escrevemos um texto por aqui tratando desta questão, mas ainda não estava completamente convencido sobre o momento exato em que a eventualidade de um alternativa autoritária teria sido abortado. Não faz muito tempo, um general com trânsito na caserva e no poder civil emitiu algumas pistas, informamdo que tal perspectiva estava fora de cogitação, posto que as consequências seriam "terríveis". 

Teríamos até uma piada pronta a este respeito, mas não vamos mais colocar lenha na fogueira. O momento é de "desarme", de convivência pacífica, de reconstruir o país, de trilhar os caminhos dos avanços no que concerne à democracia substantiva - atendendo às demandas dos desamparados e desvalidos, que já chegam aos milhões - tudo consoante o escopo definido pelos parâmetros da democracia política. Nada fora disso. Do contrário, não teremos "manobras conjuntas".  

Charge! João Montanaro via Folha de São Paulo

 


domingo, 4 de dezembro de 2022

Editorial: O ministério do Governo Lula



Diante de tantas controvérsias em torno do assunto, ninguém, com o mínimo de bom-senso, se arriscaria a fazer um prognóstico sobre os nomes que ocuparão os ministérios do futuro Governo Lula. Em princípio, serão 34 ministérios, divididos em sua base de apoio histórica, os nomes de sua cota pessoal e os nomes reservados aos seus "novos" aliados, fruto das negociações com o parlamento, visando preservar as condições mínimas de governabilidade. A fiel escudeira, Gleisi Hoffmann, pelo andar da carruagem política, poderá mesmo permanecer cuidando das tarefas partidárias, onde seria mais importante neste momento. Caiu na bolsa de apostas ministeriais, pois estava cotadíssima para assumir a Casa Civil, que poderá ser entregue ao baiano Rui Costa, que entra na cota pessoal de Lula. 

Ainda pelo andar da carruagem política, certos mesmo são os nomes de Fernando Haddad, para a pasta da Economia - o que sugere que Lula pretende prepará-lo para as eleições de 2026 - e o ex-governador do Maranhão, Flávio Dino, que deverá ocupar a pasta da Justiça ou Segurança Pública - já que existe um projeto de desmembrar essas duas pastas - cacificando-se para o seu grande objetivo, que seria uma indicação para o STF, coroando sua carreira jurídica. 

Num momento em que as Forças Armadas estavam pacificadas, o Ministério da Defesa não tinha tanta importância assim. Hoje, diante da crise institucional instaurada, tal ministério assume uma relevância singular. Lula faz gestões pessoais para que o ex-ministro do TCU, o pernambucano José Múcio Monteiro, assuma tal ministério, com delegações bem específicas neste momento de crise. Para o Meio-Ambiente, que este editor considerava favas contadas, surgem outros postulantes ao cargo, além de Marina Silva. Randolfe Rodrigues, uma peça-chave na campanha do petista, cresceu na bolsa de apostas.  

Charge! Jean Galvão via Folha de São Paulo

 


Editorial: A Torre de Babel em que se transformou o Gabinete de Transição de Lula


A Torre de Babel é um desses mitos bíblicos, narrando no livro de Gêneses. Teria sido erguida pelos descendentes de Noé, e tratava-se de uma imensa torre, que tinha como objetivo estabelecer uma comunicação com Deus. O todo-poderoso não gostou da ideia e, em razão da soberba dos homens, criou a confusão necessária para o desmoronamento do projeto. Ninguém conseguiu entender, até o momento, as razões pelas quais o Gabinete de Transição de Lula assumiu essa conformação. Como observa o jornalista e articulista da revista Veja, José Casado, é uma equipe imensa, formado por mais de 900 pessoas, hoje impossibilitados de serem acomodados, no espaço físico previsto para esta finalidade, em Brasília. São 904 pessoas, uma população maior do que uma cidade localizada no centro-oeste de Minas Gerais, Serra da Saudade.   

Mas, o problema não é só esse. Na realidade, ninguém se entende por ali. Lula procura manter distância da miudeza e o coordenador da equipe, Geraldo Alckmin, emite indícios de ter perdido o controle da situação, posto que incapaz de administrar o ego de alguns grupos de trabalho. Comenta-se até, que já tem gente falando em língua estrangeira, para não se fazer entendido por alguns companheiros indesejáveis. A experiênfia mostra que o desfecho não poderia ser outro, apesar das supostas boas intenções de democrtizar amplamente essa discussão. 

Na prática, não funciona. Acaba por não levar a lugar algum. Isso nos fez lembrar de um episódio ocorrido aqui no Recife, quando um jovem diretor de uma instituição museológica, destinada a preservar acervo relativo ao período da abolição da escravatura no país - diante do desafio de reestruturar tal exposição - resolveu abrir um amplo debate com os grupos representivos do movimeno negro. Logo ele descobriria que o movimento negro não tem nada de tão unificado assim e as discussões assumiriam uma proporção que fugia ao controle de uma sistemaização e um consenso desejáveis.  

sábado, 3 de dezembro de 2022

Editorial: Quando o golpe foi abortado?

Crédito da foto: Plabo Porciúncula\AFP

Eis aqui uma informação que todos os brasileiros e brasileiras gostariam de saber. Para obtê-la seria necessário não apenas conhecer a dinâmica dessa relação nevrálgica entre civis e militares no país, como, igualmente, possuir informações privilegiadas sobre o comportamento de setores militares durante essa crise política e institucional que o país vem enfrentando que, embora arrefecida, ainda tende a perdurar por mais algum tempo. Se, por um lado, hoje, já é possível concluir que as possibilidades de um golpe de Estado estão sensivelmete reduzidas, por outro lado, é perfeitamente razoável supor que tal alternativa esteve entre as possibilidades possíveis, a julgar pelas "notinhas' soltadas por alguns atores.  

A fala do vice-presidente Hamilton Mourão, eleito senador pelo Rio Grande do Sul é bastante didática no sentido de se entender porque a possibilidade de uma intervenção militar teria sido abortada. O general Hamilton Mourão, como se sabe, é um desses atores privilegiados, por transitar, com desenvoltura, tanto na caserna quanto nos ambientes do poder civil. Quando começaram a eclodir as mobilizações de rua, ele fez uma fala afirmando que tais protestos estavam fora de lugar ou de tempo. Não era uma condenação às mobilizações dos bolsonaristas, mas uma advertência sobre o fato de elas ocorrerem no momento errado. Hoje ele ainda fez a ressalva de que os bolsonaristas que estão nas ruas não deveriam ser chamados de "golpistas". 

O momento certo, segundo Mourão, era antes, quando Lula ainda não era candidato. Vencida essa etapa, Lula candidato eleito, pouco coisa restava a fazer. Em suas declarações recentes, ele é afirmativo no sentido de que, uma vez eleito, Lula deve assumir o governo. Não haveria condições de uma intervenção militar e os seus reflexos para a economia e para a imagem do país no exterior seriam terríveis. As consequências seriam "terríveis", aqui bem sublinhada pelo editor. Em 1964 os militares contaram com o apoio de setores da sociedade civil brasileira e do Governo dos Estados Unidos, preocupados com um eventual avanço das ideias comunistas no seu quintal.  

O circuito golpista, então, estava completamente fechado. Desta vez a conta do golpe não fechou, e, possivelmente, o fator externo deve ter pesado bastante. O Governo dos Estados Unidos, foi um dos primeiros a reconhecer a eleição de Lula, ratificando o propósito de que não aceitaria algo fora das quatros linhas do regime democrático. Por via das dúvidas, Lula empreende todos os esforços no sentido de pacificar as Forças Armadas, já antecipando quem seriam os novos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. A escolha do ex-presidente do TCU, Múcio Monteiro, para o Ministério da Defesa caiu bem, mas o martelo ainda não foi batido, por alguma reticência do convidado.     

Editorial: Saiu a "conta" da governabilidade.



Talvez este editor não seja mesmo afeito às contas, mas salta aos olhos o preço altíssimo a ser pago pelo futuro Governo Lula, no sentido de assegurar as mínimas condições de governabilidade. Isso no aspecto econômico - propriamente dito - e, sobretudo, no tocante ao meio de campo político. Sempre muito hábil, o próprio Lula começa a moldar a sua narrativa discursiva diante das contingências impostas por essa tal governabilidade. Crítico ferrenho de Arthur Lyra - Presidente da Câmara dos Deputados - passou a ter nele um "aliado", apoiando sua reeleição, mesmo contrariando companheiros históricos de sua base aliada, a exemplo do alagoano Renan Calheiros(MDB-AL), adversário do grupo político liderado por Lyra naquele Estado. Renan, momentaneamente acompanha as tratativas de Lula, mas Lyra deverá mesmo parmanecer atravessado em sua garganta, dado o quadro de animosidades entre ambos.  

Mesmo amuado, Renan deixará de ser um obstáculo que impedia o MDB de apoiar a reeleição do desafeto. Com Lyra fica mantida a excrescência do orçamento secreto, um expediente nefasto, que depõe contra as boas regras do serviço público e da própria democracia, que exige um mínimo de transparência dos seus atos. Do ponto de vista do custo político, o governo já começa a ser fatiado em seu primeiro e segundo escalões, com ministérios e estatais divididos entre os novos aliados. Para os petistas mais radciais, informamos que sempre foi assim, dada as circunstâncias de nossa conjuntura política, traduzida pomposo nome de presidencialismo de coalizão.

O apetite dessa gente é voraz e a tenndência é que eles avancem ainda mais em suas reivindicações, abocanhando mais nacos de poder e polpudas verbas. De preferência, através do famigerado orçamento secreto.  Do contrário, eles aplicam um torniquete político no Executivo, inviabilizando o Governo, podendo culminar com um processo de impeachment, como ocorreu com a ex-presidente Dilma Rousseff. Se não existe uma motivação concreta, como no caso dela, eles "inventam". No caso de Dilma Rousseff, "impeachment" aqui é usado como eufemismo para golpe parlamentar ou institucional. No primeio Governo Lula, já atuando dentro desse escopo político possível, não era incomum encontrar, na direção de órgãos federais, figuras emblemáticas do ancien régime, mantidas em seus cargos de direção. Vão se acostumando. Faz parte do jogo.