O Brasil não realmente um país para amadores. Nossa situação institucional hoje consegue ser até mais grave do que aqueles dias sombrios da década de 70, onde uma conspiração da Casa Branca contra o Partido Democrata, provocou a renúncia do presidente Richard Nixon. Nixon, inclusive, era tido como um grande estadista. Lemos sua biografia e descobrimos que seu talento já se destacava nos primeiros anos escolares, quando superava colegas no quesito redação e oratória. Na presidência, numa busca alucinante por uma reeleição a qualquer preço, ele permitiu que agentes do FBI plantassem escutas na sede do Partido Democrata. A manobra foi relevada por uma fonte do próprio FBI, que ficou conhecido como o "Garganta Profunda", numa alusão a um filme que fez muito sucesso à época. Brasília, neste momento, reúne os ingredientes necessários para uma série de espionagem. Temos uma penca de eventuais gargantas profundas, mas sugere-se que suas línguas poderão ser cortadas antes que eles falem.
A condução de alguns agentes públicos deixaram de ser condicionadas pelas funções que deveriam zelar, mas guiadas por inúmeros interesses em jogo, numa prática que subordinou completamente a conduta republicana. Não vamos aqui entrar nos detalhes para não melindrar, mas isso é mais uma evidência do quanto as nossas instituições foram contaminadas irremediavelmente nos últimos anos. Trata-se de uma temeridade para o cidadão comum, aqueles reles pagador de impostos, sem cadeia de proteção alguma. É esta situação que levou aquele desembargador a afirmar que o país havia acabado há 20 anos. A afirmação apenas confirmou aquilo que já suspeitávamos.
Hoje, 08, Brasília amanheceu em polvorosa depois que o Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, determinou o afastamento do diretor da Polícia Federal do seu cargo, assim como outros integrantes do órgão, recomendando, igualmente, a abertura de um PAD pela corregedoria do órgão. A decisão está sendo submetida ao colegiado do STF, mas já se sabe que o Ministro Gilmar Mendes pediu vista. Diante dos fatos, Lula reuniu-se com o Ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e com o Ministro da Justiça, Wellington Lima. O Planalto deve entrar com um recurso junto ao STF e vamos aguardar a decisão.

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