sexta-feira, 11 de agosto de 2023
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
Editorial: O impasse político entre o governador Tarcísio de Freitas e a direção nacional dos Republicanos.
A política produz alguns lances curiosos. A princípio, as negociações entre os Republicanos e o Governo Lula poderia, em última análise, favorecer o governador Tarcísio de Freitas na quadra paulista. Afinal, ele deseja um sinal verde para bater o martelo da privatização do Porto de Santos, algo que não se consegue destravar em Brasília, pois o Ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, é contra. Nessas negociações políticas entre os Republicanos e o Governo, inclusive, até a cabeça do ministro teria sido posta a prêmio.
Publicamente, no entanto, a despeito dessas questões provincianas, o governador Tarcísio de Freitas sempre se colocou contra a ideia de o Partido aliar-se ao Governo do PT. Instado a comentar sobre seus planos para 2026, o governador sempre sai pela tangente, reafirmando seu compromisso em continuar no Governo de São Paulo, onde não se descarta uma reeleição. Há membros do seu partido, como o deputado federal pernambucano, Sílvio Costa Filho, já com um pé dentro do Governo Lula. Sílvio já vem sendo tratado como novo campanheiro. Há controvérsias sobre o sinal verde do partido com relação a tais negociações, mas, em todo caso, o deputado é filiado à legenda.
As negociações entre a legenda e o Governo Lula estão num estágio tão elevado que se torna difícil um retrocesso neste momento. O governo contou com o concurso do partido para a esvaziar a CPI do MST, impedindo que o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, fosse convocado àquela comissão. Difícil dizer o que o Planalto disponibilizou para a legenda, mas o butim parece ser irrecusável.
Editorial: Quem era Fernando Villacicencio, candidato assassinado no Equador?
Editorial: Governo manobra na CPI do MST para não permitir audiência de ministro.
Nada nos assegura que sua diplomacia irá desmontar a indisposição de alguns parlamentares com o Governo, que deveráo se portar de forma mais contudente, quando tiverem as suas falas liberadas. Por outro lado, o que se comenta nos escaninhos da política é que o Governo Lula moveu moinhos políticos no sentido de não permitir que o Ministro Rui Costa, da Casa Civil, tivesse sua convocação aprovada para ser ouvido por aquela comissão.
A manobra teria envolvido uma articulação com partidos de oposição como o Progressistas, Republicanos e o União Brasil. Esses partidos estão em processo de negociações com o Governo para ocuparem espaços na máquina. Um dos mais revoltados é o Coronel Meira, parlamentar do Partido Liberal pernambucano, apeado dos trabalhos daquela comissão. Como se observa, nem mesmo o PL escapou da degola das manobras.
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
Editorial: Ainda as eternas preocupações de Lula com os serviços de segurança e inteligência.

Isto ocorreu com com os serviços de inteligência, com as corporações policiais federais, assim como em relação aos seus auxiliares militares. As medidas estão sendo adotadas, mas acreditamos que ainda sejam insuficientes para a promoção de uma assepcia republicana absolutamente necessária nesses órgãos e nas forças militares. Curioso é que à medida em que essa desbolsonarização se impõe, Lula negocia nacos de poder com o Centrão, cujos partidos que compõem o grupo estiveram relacionados à base de apoio do ancien régime.
A informação sobre a qual nos referimos diz respeito a um eventual vazamento de informação de um órgão de segurança, já sob os auspícios do Governo Lula, municiando um ex-ajudante de ordens com detalhes sobre a agenda de viagem do presidente. Isso é muito grave. Pelo andar da carruagem dos trabalhos da CPMI dos Atos Antidemocráticos no dia de ontem, o ex-ajudante de ordens será reconvocado em razão de uma outra motivação. Agora mais essa!
Editorial: Silvinei Vasques é preso pela PF no curso da operação "Pneu Careca"
Logo após as eleições, ocorreram vários pontos de bloqueios nas estradas, ação orquestrada por bolsonaristas insandencidos - insatisfeitos com o resultado das urnas - onde a PRF também foi acusada de leniência. A encrenca é grande e se a PF teve autorização para efetuar a prisão é porque existem fatos que amparam legalmente a medida. Durante o seu depoimenbto na CPMI dos Atos Antidemocráticos, o ex-diretor trouxe alguns dados sobre as operações realizadas pela PRF, sugerindo, inclusive, que tais operações teriam sido mais efetivas em outras regiões do país, dados que não teriam se sustentados posteriormente, quando confrontados com outras estatísticas.
O que ocorreu com o Governo Bolsonaro foi uma espécie de promiscuidade institucional. As fronteiras entre o público e o privado no país nunca estiveram tão escancaradas. Quando se analisam as instituições "permeáveis' ao bolsonarismo, então, o quadro é ainda mais nefasto. Se, como afirmava o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, essas fronteiras sempre foram tênues no Brasil, no Governo Bolsonaro elas simplesmente deixaram de existir. Um bom exemplo disso é o uso abusivo e irregular dos cartões corporativos, assim como o aparelhamento da máquina por fiéis escudeiros do projeto bolsonarista. Circula a informação, por exemplo, que agentes do aparato de inteligência "plantados" pelo bolsonarismo e que ainda permaneceram nesses órgãos depois que Lula assumiu, teriam passado dados sigilosos sobre a agenda de viagem do presidente Lula ao ex-ajudante de ordens do ancien régime.
terça-feira, 8 de agosto de 2023
Editorial: Ex-vereador Chico Bacana e irmão são mortos em atentado.
O ex-vereador Jair Barbosa Tavares, mais conhecido como Chico Bacana, e o seu irmão foram mortos em atentado ocorrido na noite de ontem, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Num passado recente, o ex-vereador, exercendo mandato, teria sido testemunha no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, de onde se conclui a associação entre o atentado de hoje e as possíveis ilações do caso como uma eventual queima de arquivo. É prematuro fazer tirar tais conclusões, mas, por outro lado, não há como convencer as hordas petistas do contrário.
Coincidentemente, o atentado ocorre pouco tempo depois dos avanços das investigações da Polícia Federal sobre o caso. Ouvido à época do assassinato da vereadora, Jair Barbosa Tavares afastou qualquer hipótese no sentido de ter alguma informação que pudesse auxiliar nas investigações da polícia. Alguém com o perfil de Chico Bacana remete a várias linhas de investigações. Segundo consta, existe a possibilidade de seu envolvimento com as milícias que atuam na zona norte do Rio de Janeiro, ampliando-se senvivelmente as possibilidades de motivações.
Como se sabe, o jogo é pesado e envolve muito dinheiro. Quando o ex-miliciano conhecido como Batoré foi morto em confronto com a policia, se descobriu que seu grupo arrecadava algo em torno de cinco milhões por mês apenas com a extorsão de motoristas de Vans que operavam em áreas sob o controle do seu grupo miliciano. No estado do Rio de Janeiro, inclusive, há um alto índice de contaminação do aparelho de Estado por esses grupos milicianos, envolvendo ex-agentes e até policiais da ativa. Adriano da Nóbrega, Ronnie Lessa e Batoré eram ex-policiais militares.
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
Editorial: Os reflexos da minirreforma ministerial nas quadras políticas estaduais.
O presidente Lula já antecipou que precisará entregar alguma cabeças do PT para satisfazer o apetite político do Centrão. Logo, logo a guilhotina política será liberada, cortando alguns cabeças do seu núcleo duro, assim como dos fiéis companheiros de longas datas, que integram partidos como o PSB. Chamamos a atenção por aqui sobre os reflexos políticos dessa minirreforma nas quadras estaduais, onde clima já está bastante pesado, conforme matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, no dia de ontem.
Na província pernambucana, por exemplo, criar uma aresta com o PSB, neste momente, não seria de bom alvitre, uma vez que as relações entre o prefeito João Campos(PSB-PE) com o Planalto estão bastante azeitadas. O PT, por outro lado, participa do Governo Municipal, ocupando duas secetarias. Estamos acompanhadno com uma lupa política ampliada as movimentações de próceres petistas aqui no Estado. Ora eles sinalizam sobre a eventualidade de uma candidatura própria; ora sinalizam para acordos com o prefeito João Campos, em torno das próximas eleições; ora abrem uma canal de diálogo com a governadora tucana, Raquel Lyra, que vem sendo mimada pelo Planalto.
Por enquanto, Lula ainda tem algumas cartas na manga e o que entregar. O problema maior será quando esses recursos acabarem. E observem os leitores que ainda estamos no início do governo. Pelo visto, vamos continuar convivendo com arranjos esdrúxulos, como um ministério comandado por um político do União Brasil e a EMBRATUR nas mãos de um psolista.
Editorial: Eduardo Leite "queima" a largada.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, acaba de "queimar" a largada como provável candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. Fez duas falas, ambas infelizes sobre a proposta de uma frente Sul\Sudeste aventada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema(Avante-MG). Eduardo Leite não esconde de ninguém os seus projetos presidenciais. Fez várias tentativas de viabilizar o seu nome no último pleito. O governador integra uma ala de renovação no ninho tucano, ao lado de outras jovens lideranças em ascendência, como é o caso, por exemplo, da governadora de Pernambucno, Raquel Lyra. Ao assumir a presidência da legenda tucana, Eduardo Leite falou de respeito e de moderação. Nos escaninhos, sabe-se que ele deseja distância do bolsonarismo.
O governador do Rio Grande do Sul nunca esteve associado à direita à direita bolsonarista como está sendo neste momento, depois de manifestar apoio ao colega mineiro. Foi infeliz, para dizermos o mínimo. Ainda falta muito tempo para o governador "reposicionar-se", mas, em todo caso, ele passa a amargar o ônus de uma declaração infeliz antes mesmo da largada. Nossa tese é que a perspectiva do desmonte democrático e institucional associado ao bolsonarismo ainda permitirá uma sobrevida ao petismo.
O clima de polarização do ambiente político brasileiro, por outro lado, constitui-se numa outra dor de cabeça para nomes "alternativos" como o do governador Eduardo Leite. Essa "polarização", por inúmeras razões, vem sendo sistematicamente alimentada. Se ele for jogado na fogueira de um nome associado ao bolsonarismo, sairá tostado das urnas.
Editorial: Anderson Torres no CPI dos Atos Antidemocráticos.
A polêmica em torno dessa frente Sul\Sudeste proposta pelo governador do estado de Minas Gerais, Romeu Zema, ainda deve render grandes discussões pela imprensa e pelas redes sociais durante esta semana. Está ofuscando, inclusive, a importância de uma audiência agendada pela CPI dos Atos Antidemocráticos para esta terca-feira, ou seja, a presença do ex-Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, o senhor Anderson Torres. Seria muito importante que ele falasse sobre o que ocorreu naquele 08 de janeiro, de triste memória para as instituições democráticas do país.
É realmente uma pena que os atores que poderiam contribuir para o andamento dos trabalhos da CPI resolvam permanecer em silêncio duranete essas audiências. O último deles nem a idade que quis revelar para um dos parlamentares da CPI. Assim, o pessoal precisa fazer uma ginástica danada para obter as informações que precisam, quebrando sigilos disso e daquilo, solicitando dados aos órgãos policiais, requisitando inquéritos aos ministérios, como este último pedido da CPI, que colocou em rota de colisão seu presidente e o Ministro da Justiça, o senhor Flávio Dino.
Nossas expectativas sobre o depoimento do senhor Anderson Torres se esvai no momento em que consideramos a possibilidade concreta de ele se manter em silêncio durante a audiência, o que não seria improvável. Ex-Minsitro da Justiça do Governo Bolsonaro, Anderson Torres pode ser identificado como do núcleo duro do bolsonarismo. Nesta condição, teria muito a contribuir com os trabalhos daquela comissão.
domingo, 6 de agosto de 2023
Editorial: A indecente proposta separatista do governador Romeu Zema
Os leitores não têm levado muito a sério as nossas postagens tratando do governador de Minas Gerais, Romeu Zema(Avante-MG). Numa avaliação preliminar, essas postagens são as menos lidas, sem que possamos identificar as reais razões. O governador mineiro tem assumido o protagonismo de alguns fatos inusitados, talvez com o objetivo de se manter diante dos holofotes, já de olho em assumir algumas credenciais visando as eleições presidenciais de 2026, onde desponta em todas as bolsas de apostas como um possível candidato.
O último desses fatos diz respeito a uma proposta separatista, onde haveria um pacto federativo entre o SuL\Sudeste, deixando o reduto petista, o Nordeste, de fora. A rigor, não é o primeiro momento em que o governador externa sua insatisfação com relação à região Nordeste. Numa outra oportunidade, ele trouxe as estatísticas sobre os nordestinos que dependem exclusivamente dos auxílios do governo, sem produzirem nada, posto que desempregados. Trata-se, naturalmente, de uma proposta indecente, mas, diante do clima de indisposições políticas que o país atravessa, nada mais nos surpreende.
Os governadores da região Nordeste estiveram recentemente reunidos em João Pessoa, com o objetivo de tratarem questões relativas ao Consórcio Nordeste. Diante da repercussão da proposta do governador mineiro, houve praticamente uma inversão na ordem do dia das discussões e o tema separatismo tornou-se a tônica das falas dos governadores nordestinos.
Editorial: O lado de Lula é o lado dos direitos humanos.
Os relatos sobre a ação da polícia indicam a ocorrência de excessos, conforme testemunhos, o que a corregedoria da polícia está tentando apurar. Afirmamos "tentando", uma vez que existe a informação de que o pessoal está tendo dificuldade em obter as informações do próprio órgão. Faz algum tempo que o jornal o Estado de São Paulo mantém uma linha editorial claramente em contraposição ao Governo Lula. O editorial de hoje é escrito pelo jornalista José Roberto Guzzo, que integra o corpo editorial da Revista Oeste, que adota uma linha editorial de um teor acentuadamente crítico ao Governo. Não se pode criticá-lo por falta de coerência. Ele assume abertamente um perfil conservador.
Numa declaração recente, o governador Tarcísio de Freitas(Progressistas-SP) fez questão de enfatizar que sua prioridade única é governar o estado de Sâo Paulo. Quando questionado pelos jornalistas a respeito do assunto, ele sempre repete este mantra. Um mantra que pode confirmar exatamente o contrário, ou seja, que ele é candidatíssimo à Presidência da República nas eleições de 2026. Para isso, ele ja conta em sua assessoria direta com o empenho e as articulações do bruxo Gilberto Kassab, um exímio articulador político.
sábado, 5 de agosto de 2023
Editorial: Em encontro neste sábado, Lula formaliza apoio a Boulos.

O PSOL, como base aliada, enquanto partido, por vezes, deixa o PT na mão, mas Guilherme Boulos não poderia ser responsabilizado por isso. Compra brigas feias em defesa do Governo Lula no parlamento. Como afirmamos em outra postagem, a eleição em São Paulo está super embolada. A minirreforma ministerial, pode acender ainda mais as indisposições já existentes com a Deputada Federal Tabata Amaral(PSB-SP), que pode consolidar o seu projeto de candidatura com o apoio da legenda, caso o partido venha a perder o Ministério de Portos e Aeroportos.
A engenharia política, como os leitores podem concluir, é complexa. Ricardo Nunes tenta a todo custo atrair o grupo de Tarcísio de Freitas para o seu projeto de reeleição. Segundo os escaninhos revelam, as cartas já foram postas: O apoio poderia ser outorgado se - e somente se, como aquelas expressões dos livros didáticos de matemática - Nunes garantisse o apoio da legenda a um nome do grupo de Tarcísio às eleições presidenciais de 2026. Será que o Nunes teria capital político para tanto?
Editorial: Sílvio Costa e André Fufuca já estão sendo tratados como novos companheiros.
O fato é que o presidente Lula não tem muitas alternativas. Alexandre Padilha, seu principal articulador, abriu as porteiras ao declarar que apenas a cabeça de Nísia Trindade seria poupada. Progressistas e Republicanos, embora sob protestos dos dirigentes da legenda e sem o sinal verde de Arthur Lira, já estão com um pé no Governo Lula. Os Deputados Federais Sílvio Costa Filho e André Fufuca já estão sendo tratados como novos companheiros entre os petistas. Os leitores que nos acompanham aqui pelo blog já sabem perfeitamente o que pensamos sobre o assunto.
Patrobras, Correios, Caixa Econômica Federal, Portos e Aeroportos, Esportes, Desenvolvimebto Social estão entre os órgãos e ministérios que poderão ser atingidos com essa minirreforma ministerial, algo que se aproxima perigosamente daquele núcleo duro que, em tese, o Governo Lula tenta preservar, como base de sua gestão.
Editorial: Uma CPI da CPI.
Raposa política cevada nos estertores da política - sem sujar as mãos, que fique claro - o velho Ulisses Guimarães, ao falecer, deixou algumas pérolas sobre o submundo das coxias do poder. Uma dessas máximas dizia respeito às CPI's, onde o político afirmava que sabemos como elas começam, mas nunca como terminam. Pela hegemonia da oposição sobre a CPI do Movimento Sem Terra, é possível que possamos nos antecipar às suas conclusões no que concerne ao relatório que será produzido sobre as ações desse movimento. A questão, no momento, diz respeito a como essa comissão está sendo conduzida, parecendo mais como uma praça de guerra entre Governo e Oposição.
Os embates tem sido duro e talvez esteja prejudicando o ambiente de trabalho, assim como distorcendo os objetivos preliminarmente estabelecidos pela CPI, uma vez que estão saindo de um amibente civilizado - o que seria o desejável - para um clima de intensa animosidade, com agressões e ofensas pessoais. Sensato, um dos parlamentares sugeriu que talvez fosse o caso de os deputados estarem discutindo, na realidade, um projeto de reforma agrária para o país, que se arrasta desde 1500. O dinheiro público seria melhor empregado. As animosidades entre os dois polos estão chegando a um nível tão elevado que já há parlametar processando o próprio presidente dos trabalhos, o Deputado Federal coronel Zucco, por gordofobia, em razão dele ter perguntado a uma deputada se ela não queria um hambúrguer.
O relator, por sua vez, não consegue esconder sua tendenciosidade na condução dos trabalhos. Da última vez, chegou a constranger o general Gonçalves Dias acerca de seu posicionamento em relação ao Golpe Civil-Militar de 1964, inclusive enaltecendo a ruptura com a democracia naquela período de obscurantismo e trevas que o país enfrentou. O propósito foi o de constranger o general, atirando-o contra os seus pares. Até melancia foi degustada durante a sessão, numa alusão clara, contingenciado o advogado do paciente a pedir providências ao condutor dos trabalhos. Que coisa pavorosa! Talvez fosse o caso que criarmos uma CPI da CPI.
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
terça-feira, 1 de agosto de 2023
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Editorial: Uma chacina na conta de Tarcísio de Freitas.
Em dois dias de operação no Guarujá, a Polícia de São Paulo matou dez pessoas, o que pode ser classificado como mais uma chacina, desta vez com o ônus e a responsabilização poítica inevitável ao governador Tarcísio de Freitas, um potencial aspirante a candidato às eleições presidenciais de 2026. Em entrevista à Globo News, ele apresenta-se bastante à vontade, informando, inclusive, que as operações devem continuar. A operação da polícia foi desencadeada para prender um suspeito de ter matado um policial da Rota - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar - tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, com altos índices de letalidade em suas atividades.
Esta não é a primeira chacina que ocorre - tampouco será a última, infelizmente - sempre motivada por fatores corporativos. Aqui no estado de Pernambuco - que voltou a ostentar a sua condição histórica de um dos estados mais violentos da federação - aguarda-se um novo projeto de segurança pública, possivelmente nos moldes da espertise adquirida com o Pacto pela Vida, mas com as estratégias políticas e publicitárias inevitáveis para dissociá-lo do projeto vinculado ao ex-governador Eduardo Campos.
O que estamos querendo informar é que a experiência do Pacto pela Vida - em nenhuma hipótese, muito menos ainda a política - pode ser negligenciada. Avançasmos em termos de concepção e gestão de um programa de segurança pública e esta é uma área nevrálgica, onde não se admite amadorismos. Outro dia, circunstâncialmente, nos deparamos com um texto do sociólogo José Luiz Ratton, que contribuiu com o Pacto pela Vida, tratando exatamente das características das polícias civis e militares do estado de Pernambuco. É preciso saber quem são e como pensam e agem esses policiais em seu trabalho cotidiano, ao abordarem os negros, os pobres, as mulheres. Isso é básico.
A chacina, inevitavelmente, terá um custo político a ser creditado na conta do governador paulista, muito identificado politicamente com essas corporações policiais, base de sustentação política do bolsonarismo. Salvo melhor juízo, ele determinou a retirada das câmaras que gravavam os policiais em operação, o que teria contribuído para o aumento dos índices de letalidade desde então.
domingo, 30 de julho de 2023
Editorial: Bolsonaro solto em seu reduto político.
A imprensa, a partir de dados do COAF, divulgou o montante de recuros arrecadados,através de PIX, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma fabulosa quantia, superior aos R$ 17 milhões, conforme informamos no dia de ontem. A família Bolsonaro, por outro lado, queixa-se da divulgação desses números por um órgão do Governo. Em meio a essas rusgas políticas entre Governo e Oposição - que, aliás, já se tornaram recorrentes - o ex-presidente cumpre uma extensa agenda de encontros em Santa Catarina, um dos seus principais redutos políticos no país.
Salvo melhor juízo, Bolsonaro obteve mais de 70% dos votos válidos nas últimas eleições naquele estado. Santa Catarina representa para Bolsonaro o que a Bahia representa para o PT ou Lula em particular. No primeiro encontro, dedicado às mulheres, Bolsonaro esteve acompanhado de sua esposa, Michelle Bolsonaro. Almoçou com o governador Jorginho Mello, discurssou, agradeceu a solidariedade dos bolsonaristas e ainda fez ironia, afirmando que os recursos arrecadados através do PIX dava para pagar as despesas e ainda comer um pastel com caldo de cana.
Em sua fala, o ex-presidente pareceu sincronizado com os planos do seu partido, o PL, que pretende fazer mais de mil prefeitos nas eleições municipais de 2024. Aproveitou a oportunidade para anunciar que o seu filho Renan, pode candidatar-se a uma vaga de vereador pela cidade nas próximas eleições. E, por falar em rusgas e escaramuças, elas nunca estiveram tão presentes nessas negociações políticas entre o Governo e a Oposição, hoje majoritariamente representada pelo Centrão. A cada dia surge um nome "queimado", um novo órgão sob os olhares gulosos desse grupo político e coisas assim. Em tal ambiente político, as intrigas palacianas vicejam.
sábado, 29 de julho de 2023
Editorial: O desgaste produzido pelo balcão de negociações da minirreforma ministerial.
Por razões óbvias, o Presidente Nacional do PSB, Carlos Siqueira, manifesta suas preocupações em torno do assunto. Setores do Planalto teriam posto ministérios controlados pelo partido na mesa de negociações com o Centrão. Lula se reúne com seu staff de articulações políticas para analisar cenários, mas, a rigor, o outro lado também tem suas preferências, que não são orientadas por requisitos republicanos, mas consoante possibilidades concretas de vantagens financeiras e políticas.
Não sendo possível o Ministerio da Saúde, desejam algo que igualmente reúna essas condições, como o Ministerio do Desenvolvimento Social, a Caixa Econômica Federal e até a Petrobras, como já se especula por aí. Outro dia comentamos por aqui que eles talvez desejassem cometer feminicídio no Governo mas estávamos enganados. Se a questão é não demitir a gestora da Caixa, substituindo-a por um homem indicado pelo Centrão, eles também apresentam a solução: indicam uma mulher do grupo para assumir o cargo.
sexta-feira, 28 de julho de 2023
Editorial: Através do PIX, bolsonaristas saíram em socorro do "mito".
Segundo dados apurados pelo COAF, repercutido pelo jornalista Josias de Souza em sua coluna do UOL, entre outros canais, o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter arrecadado, através de PIX, neste ano, a fabulosa soma de R$ 17, 2 milhões de reais, muito além do que ele mesmo prevê desembolsar em despesas judiciais. Não se pode dizer que os bolsonaristas não sejam solidários. Muitos deles estão encarcerados em presídios como a Paupuda e a Colméia, em Brasília, e continuam endeusando o seu "mito", fiéis desde sempre, conforme atestam parlamentares que os visitam com alguma regularidade.
Outros parlamentares identificados com a direita ou com a extrema-direita também recorreram ao expediente do PIX e foram igualmente bem-sucedidos. Vamos fazer aqui uma correção que nos parece razoável. Na realidade, a iniciativa não teria partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, a julgar pelo que conseguimos apurar. Partiu de parlamentares, que chegaram a divulgar a sua chave pelas redes sociais, informando que ele estaria precisando, pois estava com as contas bloqueadas. Josias, com o seu conhecido humor cáustico e fina ironia, faz alguns comentários capciosos sobre o fato, mas não vamos aqui provocar os bolsonaristas.
Não sabemos como este fato tende a ser encarado pelas autoridades financeiras do país, pois se trata de doações espontâneas, legais, através de um expediente institucionalizado, como o PIX. Comenta-se bastante sobre a eventual impossibilidade de o PL, partido ao qual o ex-presidente está filiado, de continuar garantido os mantimentos de sua geladeira, pagando a ele um salário mensal, uma vez que ele se tornou inelegível. Pelo andar da carruagem do PIX, isso, de fato, não se constitui num problema.

