O escritor paraibano Ariano Suassuna adorava tipos humanos engraçados, todos eles devidamente registrados em suas principais obras, a exemplo da peça O Auto da Compadecida. Em suas andanças pelo país, onde realizava as suas famosas aulas espetáculo, o escritor relata um caso ocorrido em sua cidade natal, Taperoá, no Cariri Paraibano. Na realidade, o escritor adotou Taperoá como sua cidade natal, embora tenha nascido em João Pessoa. Como toda cidadezinha do interior que se preze, ali existam alguns desses tipos esquisitos, como o bêbado, o ateu e o doido. Ele relata que, um certo dia, as pessoas da cidade encontraram o "doido" - Ariano, inclusive, tinha grande admiração pelos "doidos" - encostado em um muro tentando ouvir alguma coisa.
Logo em seguida, formara-se uma fila de outras pessoas que repetiam o ato automaticamente. Num determinado momento, depois de algum tempo tentando ouvir algo, um deles perguntou para o "doido": - Fulano, até o momento não ouvimos nada. Ele então responde: - Está assim desde as sete horas da manhã. Já passava do meio-dia. É mais ou menos esta a situação que está ocorrendo com as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República já há algum tempo. Os escores são sempre os mesmos, a avaliação do Governo Lula 3 oscila negativamente e abra-se a possibilidade do candidato Flávio Bolsonaro superar Lula num eventual segundo turno, mas ainda dentro de uma margem de erro dos institutos.
Aliás, também em relação Flávio ele teria atingido o seu "teto". Ontem o Real Time Big Data, apresentou o resultado de sua nova pesquisa. Praticamente as mesmas configurações de escores ou índices anteriores divulgados pelo instituto, . A metade da população brasileira não deseja mais outorgar um quanto mandato ao presidente Lula e não temos alternativas ao bolsonarismo - em razão da centrífuga da polarização - proporcionando ao eleitorado o surgimento de nenhum outro nome competitivo. Ciro passou a ser testado, mas o cearense não passa para o embate de um segundo turno com Lula. Desde sempre temos afirmado isso por aqui. Melhor ele se dedicar aos problemas paroquiais, que não são poucos.
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