O pernambucano José Múcio Monteiro é um conciliador por natureza, daqueles políticos que aparam as arestas entre as partes, construindo pontes, consensos mínimos. Neste sentido ele se parece muito com o ex-senador Marco Maciel, exímio articulador, apagador de incêndios. Pode-se dizer que são da mesma escola. Quando se aposentou do TCU poderia muito bem voltar ao seu reduto político, conviver mais com a família, ouvir os pássaros canoros pela manhã e ao final da tarde, comer mel de engenho com cuscuz, doce de leite preparado com leite ainda fresco e o tradicional bolo de rolo com bastante recheio de goiaba, uma "invenção" tipicamente pernambucana, uma vez que o original português era recheado com amêndoas e nozes.
Dizem até que teria uma proposta irrecusável para atuar na iniciativa privada, mas atendeu ao pedido de Lula para assumir o Ministério da Defesa num dos momentos mais delicados, logo após o 08 de janeiro. Neste embate com o Congresso Nacional, principalmente em relação ao Senado Federal, se o Executivo não buscasse uma conciliação amargaria mais algumas dores de cabeça. Lula superestimou sua capacidade pessoal e subestimou os ardis e as armas do adversário. Ainda bem que seus assessores mais diretos o convencerem que o caminho - o único sensato, aliás - era a conciliação. Depois da rejeição do nome de Messias, há, pelo menos, oitenta outras indicações do Executivo que precisam de aprovação nas inúmeras comissões na Casa Alta. A governança que não vai bem poderia ficar pior.
Lula escalou o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o Ministro da Articulação Institucional, José Guimarães, para esta missão. Neste terceiro mandato, Lula nunca acertou a mão em duas áreas estratégicas, a comunicação institucional e a articulação política, que vem dando dores de cabeça desde o início do governo. Gambiarras e panos mornos são utilizadas com frequência nestas áreas nevrálgicas. Pessoas sem know-how na comunicação já estiveram à frente da SECOM, assim como políticos de perfil radical quase sempre estiveram à frente da articulação, a exemplo de Gleisi Hoffmann e agora José Guimaraes. Uma vaselina política seria muito bem-vinda nessa área, alguém com a maleabilidade e o contorcionismo político de um Zé Múcio, que já ocupou o cargo no passado, descascando os abacaxis antes que eles chegassem ao mandatário.
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