pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : dezembro 2025
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Editorial: O ano dos escândalos.

Crédito: Reprodução Rádio Metrópoles. 


Assim como recomendamos a leitura da matéria da BBC News sobre o que está ocorrendo com os nossos mais badalados balneários, a exemplo de Porto de Galinhas(PE), Pipa(RN) e Jericoacoara(CE), também recomendamos a leitura da coluna do Diário do Poder de hoje, 31, onde vários troféus são concedidos a atores do nosso cenário social, jurídico e político. De fato, tivemos um ano caracterizado por inúmeros escândalos de corrupção como sugere a coluna. Todos esses escândalos, no entanto, se tornaram fichinhas diante do roubo gigantesco dos aposentados e pensionistas do INSS. Outra recomendação que sugerimos é a coluna do Blog do Magno, escrita pela jornalista Larissa Rodrigues, principalmente no tocante às ponderações do cientista político Antônio Lavareda, que antecipa suas "previsões" sobre o pleito presidencial de 2026. 

Em sua opinião, Flávio Bolsonaro é um candidato competitivo e uma esmagadora maioria de eleitores bolsonaristas deverão votar no filho de Jair Bolsonaro. Para o cientista político, o que deve definir o êxito ou o fracasso do projeto de reeleição de Lula está c0ncentrado em suas taxas de rejeição e aprovação, que, aliás, sofreu um revés nas últimas pesquisas, acendendo a luz amarela no Palácio do Planalto. Já deixava o morubixaba petista preocupado o fato de esses números positivos não evoluírem. Houve uma reação, num determinado momento, mas tais índices logo estabilizaram. A SECOM precisa de um outro "mote" - como aquele do soberanês - para ser explorado em suas peças de comunicação institucional. Talvez a revista Economist tenha dado este mote, ao sugerir que Lula estaria "velho" para tentar um outro mandato.  

Ontem, 30, em Jaboatão dos Guararapes, quatro jovens foram assassinados dentro de uma barbearia. Uma nova chacina para tira o sono das autoridades de segurança pública do estado. Pernambuco já opera numa estufa, numa espécie de "permeabilidade" de violência, conforme já discutimos por aqui em outros momentos. Numa semana, comemora-se a diminuição dos índices de CVLI. Na outra, esses números voltam a assustar a população, indicando que as causas estruturais não sofreram alterações significativas. No plano federal, existe uma indisposição latente entre Governo e Oposição em relação a essa questão. Não teremos solução aparente até outubro, durante a realização do primeiro turno. Segurança Pública é o tema que mais preocupa os eleitores brasileiros. Este pode ser um fator decisivo das próximas eleições presidenciais. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Editorial: A covarde agressão aos turistas em Porto de Galinhas.



Este não era um assunto que gostaríamos de tratar por aqui. Está repercutindo bastante nas redes sociais um vídeo onde dois turistas mato-grossenses denunciam as agressões sofridas quando curtiam um passeio pelo famoso e aprazível balneário de Porto de Galinhas, na cidade de Ipojuca, Litoral Sul de Pernambuco. Teríamos uma grande análise a fazermos a partir deste episódio específico, mas, como estamos passando por tempos bicudos, torna-se prudente não enveredarmos por esta seara. É possível que haja um componente de homofobia nesta agressão, mas não é apenas isso. Convém cercar-se de todos os cuidados possíveis em visita a balneários, como Pipa, Porto de Galinhas, Jericoacoara, Canoa Quebrada, Cumbuco. Os turistas precisam muito mais do que um guia sobre os atrativos desses lugares. A dinâmica é complexa. 

Antes, quando planejávamos nossas viagens, fatores como o período adequado, disponibilidade das crianças, os passeios programados, hospedagem em hotéis e pousadas eram as únicas preocupações. Hoje, não. Infelizmente.  Aos leitores mais curiosos, recomendamos a leitura de uma longa matéria da BBC sobre o que está ocorrendo nos famosos balneários brasileiros. Isso explica tudo. A ausência de policiais fazendo o patrulhamento rotineiro, eventuais cobranças indevidas dos barraqueiros e coisas assim. Depois do estrago de imagem  produzido, a governadora Raquel Lyra, que está sendo muito cobrada em relação ao assunto, pediu desculpas pelo ocorrido. Há outros vídeos circulando nas redes, elevando a imagem negativa do turismo no estado, com o seu principal ativo sendo enxovalhado pelos internautas. Viralizou um vídeo onde um internauta faz a comparação de João Pessoa com Porto de Galinhas, onde se é possível saborear um prato razoável de petisco por vinte reais, sem cobrança de mesas e cadeiras. 

Não sabemos de onde ele fez a filmagem, possivelmente de uma das praias centrais de Jampa, mas sabemos que as coisas não funcionam bem assim. Em Cabo Branco e Tambaú, por exemplo, cobra-se pelo uso das mesas e cadeiras, assim como em outras praias da Paraíba. Existem grupos especializados exclusivamente na exploração deste comércio, que é legal. O abusivo se refere ao se estipular um consumo mínimo, segundo a legislação do consumidor. Os valores, as reclamações são recorrentes, principalmente em balneários como Coqueirinho, no Conde. Em Cabedelo, recentemente, repercutiu o valor cobrado por uma cioba, que estava sendo comercializada ao valor de R$ 470,00 reais. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Editorial: O caldeirão fervente de Brasília.


Muitas coisas ocorreram neste finalzinho de ano, aumentando sensivelmente a temperatura na capital federal. Hoje, 29, estão programadas entrevistas coletivas, coleta de assinaturas para CPMI's, pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Um final de ano com temperatura política elevada, indicando que 2026 pode nos conduzir a uma situação limite, de combustão. Para completar o enredo, em meio a este tsunami, teremos eleições presidenciais num clima de esgarçamento da polarização política. Sabe-se lá qual será o resultado de tudo isso. Já informamos por aqui algumas hipóteses de acomodação dessas placas tectônicas. Embora não sejam de oráculos, são previsões que não podem deixar de serem consideradas. Afinal, estamos numa espécie de anomia social ou institucional. 

O grau de animosidades entre os Três Poderes da República atingiu estágio insuportável. Até decisões técnicas, republicanas, isentas podem ser derrubadas em nome das conveniências políticas de ocasião. O sujeito precisa ser protegido porque sabe muito, tratou de comprometer meio mundo de gente. Não cairia sozinho. O Banco Central tem autonomia para tomar suas decisões técnicas, sobretudo quando são decisões tomadas em defesa dos interesses dos investidores incautos que confiaram em promessas fora da realidade. Fraudes não podem ser tradadas de outra forma. É estranho que até órgãos de fiscalização cobrem satisfações das decisões soberanas do Banco Central. 

Tempos bicudos o país enfrenta. Em sua coluna do último domingo, o jornalista Elio Gaspari se refere às bolas de ferro carregadas tanto pelo bolsonarismo quanto pelo petismo. Este peso vai ser sentido na resultado das próximas eleições de 2026, onde o tema da segurança pública poderá prejudicar sensivelmente o PT. Pelo andar da carruagem política, não há nenhum indicador sugerindo que as coisas possam melhorar nesta área até outubro. Neste Natal, para deleite da Oposição, tivemos vários problemas com a saidinho do período natalino. Vários detentos foram presos cometendo delitos, alguns deles rastreados pelas tornozeleiras eletrônicas. 

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


domingo, 28 de dezembro de 2025

Editorial: Brasília pega fogo neste final de ano.


Por algum motivo, a CPM do Crime Organizado não alcançou a mesma repercussão da CPMI do INSS. Talvez em razão do arranjo político que foi feito. Alguns desses arranjos, na realidade, contribuem para esfriar o ritmo dos trabalhos, ao invés de esquentá-los. Assistimos a algumas sessões mornas, burocráticas, eminentemente e demasiadamente técnicas. Motivos para mobilizar o interesse da população é que não faltaram. O país vive hoje um dos seus momentos mais difíceis em termos de segurança pública. No Ceará é cada dia mais crescente as áreas que estão sob o controle de facções. Há casos, como em Sobral, onde as quadras dos conjuntos habitacionais estão divididas entre essas facções. Na Bahia, recentemente, tivemos a tragédia de três servidores de uma empresa provedora de internet brutalmente torturados e mortos. 

O que deve ter pesado para essa CPM do Crime Organizado não pegar tração possivelmente foi a indisposição entre Governo e Oposição. Ninguém poderia imaginar que, já no finalzinho do ano, a capital federal pudesse entrar em ebulição, como decorrência de novos escândalos envolvendo agentes públicos. As blindagens, a promiscuidade entre o público e o privado, estão se tornando tão explícitos que já estão cruzando a linha de um mínimo de moralidade pública. Não estão preocupados nem em salvar as aparências. Os parlamentares de oposição estão se mobilizando em torno de novas aberturas de CPMI para apurar os escândalos mais recentes, a exemplo do Banco Master. Novos pedidos de impeachment também estão na ordem do dia. 

Como 2026 é um ano de eleições, geralmente a temperatura tende a baixar, uma vez que os políticos se voltam para a necessidade de atender às suas bases. Pelo andar da carruagem política, motivos não faltarão para manter a temperatura em alta. Pelo menos até o meio do ano. A CPMI do INSS, por exemplo, vai fazer um esforço hercúleo para convocar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, cujo nome aparece nas investigações da Polícia Federal. Pelo menos isso acreditamos que possamos afirmar, uma vez que o coordenador dos trabalhos do Governo naquela comissão, o deputado federal Paulo Pimenta, já assegurou que vai processar todo mundo que fizer ilações acerca de Fábio Luiz. 


sábado, 27 de dezembro de 2025

Editorial: As placas tectônicas do sistema se movimentam neste final de ano.

 


Muito feliz a matéria da Veja desta semana, observando que o ano de 2025 não termina daqui há alguns dias. Vamos entrar em 2026 com os problemas ali produzidos, sabe-se lá com alguma possibilidade de equacionamento no ano vindouro. Neste período, sempre surgem aqueles oráculos ou futurólogos fazendo previsões para o próximo ano, mas, pelo andar da carruagem política, as grandes decisões de 2026 já estão sendo tomadas em 2025. Um bom exemplo disso são as condições sob as quais o Brasil fechou um acordo com os Estados Unidos, dentro de um escopo geopolítico dos mais complexos, que vão muito além dos interesses comezinhos do continente Latino Americano. Isso apenas numa referência aos componentes políticos, sem referência às cobiçadas terras raras. 

Os Estados Unidos tem projetos bem definidos para o continente e desejam realizá-los de preferências sem embaraços diplomáticos ou militares. O alinhamento do Brasil à Venezuela poderia ser um desses empecilhos. Internamente, o país passa por um tsunami institucional. Ajustar isso não está sendo fácil. Outro dia acompanhávamos o raciocínio de um jornalista conhecido, cujo nome não vamos mencionar o por aqui. Segundo ele, essas placas tectônicas já indicam que o sistema já teria "abandonado" alguns atores importantes. As sinalizações estão sendo produzidas pelos editoriais da grande imprensa. Os próximos passos seriam a abertura de uma nova vaga na Suprema Corte, com a indicação de Rodrigo Pacheco ao cargo, dando uma satisfação ao Presidente do Senado Federal, que sempre desejou sua indicação ao posto. Isso seria um maneira de se conseguir uma reconciliação entre o Executivo e o Senado Federal. 

O Senado Federal, aliás, encontra-se literalmente em pé de guerra. Estão pensando até no sacrifício de cortar o recesso apenas para dar prosseguimento aos trabalhos. O tsunami é tal monta que até decisões técnicas, de caráter republicano, tomadas por órgãos como o Banco Central, podem ser revertidas no sentido de "acomodar" essas placas. Dentro desses grandes acordos, as condições de cumprimento de pena do ex-presidente Jair Bolsonaro poderiam ser reavaliadas. Não está sendo fácil para o ex-presidente. Já enfatizamos isso por aqui, mas não custa repetir. Ele não reúne as condições de cumprimento de pena num regime convencional. Suas condições de saúde não permitem. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Editorial: Silvinei Vasques é preso quando tentava fugir para El Salvador.



Pelo menos duas pessoas foram identificadas pela Polícia Federal como facilitadores da fuga do ex-deputado federal, Alexandre Ramagem. Não é improvável que, no decorrer das investigações, a PF chegue a mais nomes. Fugas não ocorrem com facilidade. Envolvem planejamento, logística e estratégia de sobrevivência. No caso de Ramagem, por exemplo, foi aplicado um torniquete tão severo que ele perdeu sua condição de delegado da Polícia Federal e o mandato de deputado federal. Soubemos no dia de ontem que ele vai se dedicar às mentorias online. Seu pedido de extradição já foi protocolado e não seria improvável que seja concedido, diante do armistício das relações entre Brasil e Estados Unidos. Hoje, 26, mais uma tentativa de fuga entre os condenados pela tentativa de golpe do 08 de janeiro. 

Silvinei Vasques, ex-superintendente da Polícia Rodoviária Federal na gestão de Jair Bolsonaro, rompeu a tornozeleira e tentou fugir através de um voo do Paraguai com destino a El Salvador. Possivelmente o seu destino final não seria El Salvador. Certamente uma escala. Silvinei Vasques, no contexto da trama golpista, salvo melhor juízo, esteve rigorosamente mais identificado em relação a uma suposta operação realizada em estados da região Nordeste, que tinha como propósito, segundo supõe-se, dificultar a vida de eleitores sabidamente identificados com a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Falou-se à época numa operação com o objetivo de fiscalizar os ônibus com pneu careca. Por muito pouco Lula não ficou "careca" de votos. 

O bolsonarismo estragou a vida de muita gente. Seja os inocentes úteis - como a horda que pensou que escaparia impune depois dos atos de vandalismo perpetrados na capital federal - até gente de boa formação, como é o caso de Silvanei Vasques, pelo currículo, um estudante aplicado. Mesmo em condições sensivelmente adversas, ao que se sabe, foi aprovado no concurso da OAB. Entrou em problemas psicológicos durante este período e resolveu tentar a fuga malograda do dia de hoje. Sua prisão preventiva já foi decretada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF. Assim que foi identificado os danos à tornozeleira eletrônica, a PF acionou seus "dispositivos". 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Editorial: Os movimentos dos políticos neste final de ano.



A revista Veja tem razão ao trazer, numa longa matéria, em sua última edição de 2025, uma discussão sobre um ano que não terminou. Temos uma infinidades de escândalos que sugerem investigações profundas no próximo ano, uma penca de pedidos de impeachment e de CPMI's. Vamos entrar em 2026 sem aquelas explicações nada convincentes daqueles atores políticos enredados até a medula com práticas de natureza pouco republicanas. Por falar em convencimento, muita gente ainda não está completamente convencida da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Trata-se de uma desconfiança natural, uma vez que ele sempre afirmou que seu grande projeto político era uma candidatura ao Senado Federal pelo Estado de São Paulo, possivelmente em dobradinha com Guilherme Derrite. 

O irmão do senador, o vereador Carlos Bolsonaro, por exemplo, se movimenta no sentido de uma candidatura ao Senado Federal por Santa Catarina, quando o ideal seria ocupar o vácuo político deixado por Flávio em São Paulo. Curioso que, mesmo internado para submeter-se a uma cirurgia, o ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu uma carta onde confirma a candidatura de Flávio. Mais um movimento que pode indicar que ele sabe que muita gente ainda tem dúvidas sobre a candidatura do filho. Conforme já comentamos por aqui em outro momento, este sonho acalentado por Bolsonaro no sentido de tornar Flávio seu sucessor é antigo. 

O problema não é o desejo de Bolsonaro, mas as circunstâncias políticas dessa escolha. A despeito de seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto, sabe-se, no entanto, que as resistências ao seu nome são explícitas no contexto das forças conservadoras, que já estavam comprometidas com outros nomes da direita. O próprio Flávio cometeu o deslize de sugerir que a sua candidatura poderia ser repensada consoante os acordos em jogo. Ou seja, ele mesmo não ajudou muito neste convencimento da firmeza dos seus objetivos. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Editorial: 74% do eleitorado brasileiro permanece na perniciosa polarização.



Sempre que alguém se refere a um eleitorado "nem nem" somos obrigados a estabelecer alguma desconfiança em relação ao assunto.  Aqui em Pernambuco, por exemplo, a centrífuga mói no sentido de "afunilar" a disputa de 2026 entre o atual prefeito do Recife, João Campos(PSB-PE), e a governadora do estado, Raquel Lyra(PDS-PE). Neste sentido, a imprensa dá uma forcinha, sempre reduzindo o debate sucessório a essas duas únicas opções possíveis. No plano nacional, os apoiadores do presidente Lula festejaram a indicação do nome do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. É mais fácil atirá-lo nas cordas da polarização política, no intuito de "salvar" a democracia. Outro dia saiu uma pesquisa onde os indicadores apontavam para uma espécie de "cansaço" do eleitorado em relação a esta renitente polarização política, alimentada até pela guerra das sandálias.  

Pelo andar da carruagem política, mesmo que perniciosa, a polarização terá um fôlego longo ainda no nosso sistema político. Isso só se acaba quando um dos lados ou polos destruir completamente o outro, conforme nos advertia o sociólogo jamaicano-britânico, Stuart Hall. A rigor, talvez nem precisássemos de pesquisa para chegar a essas conclusões. A polêmica causada em torno da propaganda das sandálias havaianas, depois que a atriz Fernando Torres utilizou aquela expressão é um bom exemplo do que estamos afirmando. A polêmica da presença de Lula e Janja na cerimônia de lançamento do SBT News é um outro exemplo. Dizem que até a audiência da rede de Sílvio Santos caiu sensivelmente, ampliando os índices da Record, uma vez que o bolsonarista raiz também não simpatiza com a Rede Globo. 

Algum dia um cientista político mais atento deve lançar uma obra tratando dos danos sociais, políticos e institucionais provocados por esta onda de polarização política. A guerra é insana, movida por ódio, o que, em si, já se traduz como indicador seguro de uma patologia política. A pesquisa acima mencionada foi realizada pelo Instituto Datafolha e publicada no dia de hoje, 24.  Presente de Natal amargo para a segurança e estabilidade de nossas instituições democráticas. 

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Hora de emergir e hora de submergir.

 


Já no final de sua vida, o eterno arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, se recolheu à Casa Paroquial da Rua da Fronteira, no Recife, onde permaneceu sob os cuidados dos abnegados servidores daquela instituição. Hoje ali funciona uma espécie de Memorial ou Casa Museu em sua homenagem. Seus restos mortais estão na Catedral da Sé São Salvador do Mundo, no Alto da Sé, em Olinda, atendendo a um pedido seu. Antes porém de se recolher aos aposentos, o arcebispo foi um dos mais ativos combatentes da ditadura militar no país, integrante das Comunidades Eclesiais de Base, um dos suportes civis à derrocada do autoritarismo. Ele dizia sempre que haveria momentos de emergir e de submergir. 

Ontem, por ocasião da desistência do ex-presidente Jair Bolsonaro em conceder uma entrevista já autorizada ao Portal Metrópoles, por alguma ração, nos veio à memória esta frase. Por todos os motivos, inclusive os de natureza política, seria imprudente a concessão dessa entrevista. Provavelmente, Bolsonaro iria "desabafar", o que poderia trazer algumas consequências para ele e para o futuro do bolsonarismo, inclusive, já que o seu filho, Flávio Bolsonaro, é candidato às eleições presidenciais de 2026. Assim, havia todas as razões do mundo para ele se manter em silêncio. Não bastassem as razões políticas, o ex-presidente encontra-se bastante enfermo. Neste momento, foi internado para  submeter-se a uma cirurgia, cercado por um forte aparato de segurança. É hora de submergir, como dizia o eterno arcebispo de Olinda e Recife. 

Os nossos leitores podem achar estranho as figuras de Dom Hélder Câmara, de um lado, e Jair Bolsonaro, do outro, quando se sabe que estamos diante de elementos que não se misturam. A referência aqui não ultrapassa o campo dos "conselhos" do arcebispo que, quando bem seguidos pelos agentes políticos, podem evitar que eles caiam em alguma enrascada, independentemente das ideologias que professam. Depois, estamos no Natal, época de desarme, em que se aconselha seguir os princípios cristãos. Saúde ao ex-presidente, independentemente dos momentos infelizes protagonizados por ele.  

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco - A reação de Raquel Lyra.

 

Divulgação

A reeleição de Raquel Lyra, em 2026, possivelmente está entre as prioridades do Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab. Ele vem sinalizando isso desde o momento em que filiou a governadora à sua legenda. Há um componente "diplomático" nesta expressão, uma vez que, nas últimas eleições municipais, Daniel Coelho e Mirella Almeida, que se elegeu prefeita de Olinda, também eram prioridades para o PSD. No caso de Raquel, algo nos sugere que a "prioridade" vai além das meras formalidades. Sempre que há um evento digno de sua presença, ele se desloca de São Paulo, onde mantém o seu bunker, para prestigiar a pupila, que o trata com um enorme carinho. Nos últimos dias, este editor tem acompanhado com mais atenção as movimentações da governadora Raquel Lyra. E olha que ela tem se movimentado bastante, seja entregando obras, em eventos oficiais, seja movida por orientação de sua assessoria de comunicação institucional. 

Sua presença pública, em eventos oficiais, seguem as diretrizes emanadas da comunicação institucional, o que não seria nenhuma crítica, tampouco uma observação que fugisse a uma realidade inerente a todo político. Se Lula seguisse rigidamente os script traçado por sua assessoria de comunicação, por exemplo, teria evitado enormes deslizes. Não raro, a comunicação institucional corre à reboque, tentando minimizar os estragos depois dos novos tropeços verbais do presidente.  A SECOM ainda assume o ônus de suas dificuldades neste terreno, como ficou claro na última reunião ministerial, quando Lula se queixou que o problema persiste e isso talvez explique suas dificuldades em melhorar os índices de popularidade. 

Trabalho, entregas, articulação política e melhoria na comunicação institucional, algo que reflete na percepção da população sobre o desempenho do governo, estão melhorando os índices de competitividade da governadora para as eleições de 2026, algo que se observa nos índices apontados pela última pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas. Algo sugere, como previa Kassab já naquele momento em que filiou a governadora ao seu PSD, que a gestora equilibraria a disputa nos momentos determinantes do pleito. A resiliência da dianteira absoluta do prefeito do Recife, João Campos, em relação à sua principal concorrente ao Palácio do Campo das Princesas, começa a ruir. Numericamente, a diferença ainda é expressiva, mas, as últimas pesquisas indicam uma recuperação da aprovação do Governo de Raquel Lyra, algo que começa a se refletir na construção de indicadores que sugerem um eventual equilíbrio de forças na disputa, ou seja, melhoria nos índices de aprovação e escores da disputa com o prefeito João Campos. 

Nos últimos meses, a gestão municipal tem sido bombardeada por uma série de denúncias de eventuais possíveis equívocos. Por razões óbvias, não vamos aqui entrar nas minúcias. Nesses tempos bicudos, até o ex-presidente Jair Bolsonaro resolveu cancelar uma entrevista que havia sido agendada com o site Metrópoles. Foi a medida mais prudente tomada pelo presidente, possivelmente aconselhado pela família e pelos advogados. Ele gosta muito de falar, mas não é a hora. Os petardos atirados contra a gestão do prefeito, possivelmente, estão produzindo os seus efeitos. Um dos indicadores é a ascensão do vereador Eduardo Moura nas pesquisas de intenção de voto, ele que faz uma fiscalização ferrenha da gestão do socialista. 

Os marqueteiros da governadora já devem ter percebido que o equilíbrio da disputa passa, necessariamente, pelo embate na Região Metropolitana do Recife. O "espelho" da gestão de João Campos se reflete bastante nesta região do estado. O mesmo se pode dizer, igualmente, em relação às críticas, principalmente quando se fala na atuação de Eduardo Moura. Não temos dúvidas de que seus escores obtidos nas pesquisas de intenção de voto são majoritariamente urbanos, recifenses em particular. Vamos aguardar as novas pesquisas de intenção de voto, agora no próximo ano, confirmando ou não a melhoria dos índices de recuperação da competitividade da governadora Raquel Lyra. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Editorial: E aí? Vamos começar o ano com o pé direito ou não?


Nas últimas horas não se fala noutra coisa senão no eventual deslize na publicidade das sandálias Havaianas, onde a atriz Fernanda Torres, numa peça publicitária, pede para não começarmos o ano com o pé direito. Consideramos tudo isso uma tremenda bobagem, mas a repercussão negativa obrigou a empresa a retirar a propaganda do ar e convocar uma reunião de emergência entre os seus executivos de marketing. As especulações são de toda ordem, pois, além da polarização política, também enfrentamos o aguçamento da teoria da conspiração. Poderia estar implícita uma campanha subliminar, de olho nas eleições presidenciais do próximo ano; o CEO da empresa teria participado de uma reunião de conselheiros no Palácio do Planalto; os bolsonaristas promovem uma verdadeira campanha de boicote às sandálias da marca, em contraponto ao incentivo à aquisição da sua principal concorrente. 

A polarização política alimenta essas situações, mas, no máximo, o que poderia ter ocorrido é um deslize involuntário. A turma passa a ver chifre em cabeça de cavalo. Há ilações aos cachês recebidos pela atriz; suas ligações com os grupos mais progressistas; sua relação com o grupo Moreira Salles, etc. Não faz muito tempo, foi divulgada a informação que havia um grupo de eleitores que estavam se cansado desta polarização, ou seja, desejavam uma opção entre o petismo e o bolsonarismo. Mas, pelo andar da carruagem política, a polarização terá fôlego longo, no mínimo até as eleições presidenciais de 2026. Credita-se, inclusive, o crescimento de Flávio Bolsonaro exatamente em função da polarização política. Mais bolsonarista do que ele, impossível. 

Nos bastidores da política comenta-se que o próprio Lula estaria interessando na consolidação dessa candidatura. Tarcísio de Freitas seria um nome mais difícil de ser derrotado, principalmente porque ele pode ter maior penetração ali pelo meio de campo, uma área onde Flávio Bolsonaro não joga bem.  Ele vem aparando as arestas do bolsonarismo mais radical exatamente com este propósito. Em todo caso, raciocina o morubixaba, seria mais fácil jogá-lo nas cordas. Na ilustração, uma propaganda do carro Fusca. Não encontrei aquela que falava nas "quatro coisas que enchem". Essas campanhas, segundo fomos informados, representou um verdadeiro divisor de águas no mundo da publicidade. Uma coisa é certa: não deixavam margem para interpretações de outra natureza. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

Editorial: Um bolsonarista fungando no congote de Lula


Há alguns anos, quando a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda engatinhava nas ruas - apenas alguns raros carros portavam cartazes com a sua foto - escrevemos um longo artigo nos referindo àquela ameaça, confirmada em sua gestão, principalmente em relação ao flerte autoritário que pôs em cheque os valores de nossa incipiente experiência democrática. À época, aprendemos muito sobre a atuação de demonização  ou cancelamento de adversários pelas hostes bolsonaristas. Para completar o enredo, o artigo foi ilustrado com uma charge de Quinho, assanhando ainda mais a ira. Assim como naquele período, hoje temos mais um bolsonarista pleiteando a Presidência da República. Flávio Bolsonaro é pré-candidato. 

Ele ainda não é muito convincente, mas já começa a incomodar, principalmente em razão de sua ascensão nas primeiras pesquisas de intenção de voto. Lula lidera o pelotão, mas incomoda um bolsonarista fungando no seu congote. A candidatura de Flávio ainda é uma grande incógnita. Esses apoios iniciais estão se dando muito mais em razão de laços afetivos e ideológicos do que em relação à competitividade do candidato. A frase do senador Ciro Nogueira, do PP de Sergipe, em relação a este tema é bastante emblemática. Candidato à Presidência da República tem que ter viabilidade eleitoral. O crescimento de Flávio talvez ainda não ofereça esta segurança. 

Nos últimos dias o comentário é que Lula está bastante preocupado com a estabilidade de sua popularidade. Há alguns meses ele esboçou uma reação mas foi só isso. Alguns institutos "insinuam", inclusive, uma tendência de queda de sua avaliação positiva. Na última reunião presidencial o recado foi um só. É preciso mostrar serviço ou mostrar o serviço. Ou ambas as coisas, para sermos mais precisos, uma vez que o presidente acredita que muito do que está sendo feito não chegou ao conhecimento da população. Sobrou até para Sidônio Palmeira, que parecia respirar aliviado depois da primeira recuperação de popularidade do presidente. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Editorial: Acordo sobre o PL da Dosimetria? Que acordo?


Fala-se na eventualidade de construção de um grande acordo no que concerne à aprovação do PL da Dosimetria. Numa declaração hoje pela manhã, a Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Lula deverá vetar o projeto. Lula, por sua vez, afirma desconhecer qualquer acordo sobre o PL da Dosimetria. Como haveria algum acordo se o presidente não está sabendo? Questionou Lula. O que se diz, à boca miúda, é que a aprovação do PL da Dosimetria estaria condicionada à distensão das relações entre o Brasil e os Estados Unidos.  Ou seja, o Governo faria corpo mole para que o projeto fosse aprovado. Talvez seja o caso de combinar com os jogadores, conforme sugere Lula em sua fala. 

A Oposição cumpriu o seu papel. O PL passou na Câmara e no Senado Federal. Até com uma ajudinha de membros do Governo, como aquele voto por "engano" do senador do Espírito Santo. No último final de semana, ocorreram grandes manifestações populares contra o PL da Dosimetria. Fazia algum tempo que não falávamos em grandes mobilizações populares do campo progressista. Eles voltaram a assumir o protagonismo das ruas, embalados pela presença de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Eles estão PT da vida com essa conversa de reduzir a pena aplicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O Ministro Alexandre de Moares também fez uma fala sobre o assunto, onde considera insensato reduzir as penas aplicadas aos envolvidos no 08 de janeiro. Acreditamos que tal tendência possa refluir. São as razões de Estado. 

Isso nos fez recordar de algumas lições que ficam do livro O Estado Espetáculo, de Roger-Gérard Schwartzenberg. Nas entrelinhas, sugere-se que pode tudo ser combinado, com os jogos de cenas previsíveis. Lula veta, sai bem na fita com sua base de sustentação política, e o Legislativo veta o veto de Lula. No dia de ontem, no curso da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal começou a desmontar ou revelar os grandes acordos dos fraudadores com os políticos. Os tentáculos são gigantescos, o que coloca o "núcleo político" em condições de igualdade com aqueles que lideravam as empresas\lavanderias, entidades fajutas e operadores. 



quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Editorial: Nova fase da Operação Sem Desconto.


Como reflexo do controle político, social,  econômico - e até religioso - de uma oligarquia industrial, o grau de republicanização de uma cidade da Região Metropolitana do Recife ficou irremediavelmente comprometido. Grupos políticos se sucederam no comando administrativo da cidade, sem que as prementes demandas dos moradores fossem atendidas, assim como vicejavam uma infinidade de denúncias de malversação de recursos público, ora no Executivo Municipal, ora no Poder Legislativo. A própria Polícia Federal fez várias incursões na cidade.  À época mais ativo, este editor se posicionou bastante sobre alguns desses episódios, chegando à conclusão, no final, de que tudo era inútil, pois não havia nenhum grupo político no município com envergadura moral para enfrentar aqueles desmandos. 

Assim, pouco importava quem assumisse a gestão municipal, uma vez que as cartas estavam todas marcadas aprioristicamente e era uma questão de tempo para as novas denúncias de corrupção na máquina municipal ganharem as manchetes dos jornais. A engrenagem da roubalheira moía independentemente de quem estivesse no poder. Depois da nova fase da Operação Sem Desconto, desencadeada pela Polícia Federal nesta manhã, com o objetivo de investigar os descontos irregulares dos aposentados e pensionistas do INSS, passamos a refletir sobre este assunto. O INSS tornou-se uma máquina burocrática comprometida, susceptível às ações irregulares desta natureza, desde longas datas, independentemente dos governos de turnos. É algo orgânico, sistêmico. E olha que estamos apenas na ponta do iceberg. Envolve desde servidores mais simples, que azeitavam as maracutaias com os seus pareceres, até gente do alto escalão do órgão, como um diretor afastado que recebia mesadas de 500 mil por mês. 

Hoje foi preso o número dois do INSS, já depois das mudanças ocorridas em razão das primeiras denúncias de corrupção, o que significa dizer que as senhas continuam liberando descontos irregulares. Até um senador da República está sendo arrolado, uma vez que a Polícia Federal suspeita que ele atua em conluio com o Careca do INSS. Aliás, a prisão deste senador foi requisitada pela Polícia Federal, mas não foi autorizada pelo Ministro André Mendonça, do STF. Por outro lado, foi autorizada pelo Ministro uma "penca" de prisões. Um gravíssimo problema enfrentado pela CPMI do INSS - que realiza um excelente trabalho - é justamente a blindagem de alguns agentes atolados até o pescoço nessas falcatruas, mas que são poupados pelas forças nada ocultas, uma vez que as suas revelações poderiam abalar os alicerces da República.

Mais de um requerimento de oitiva envolvendo o nome deste assessor do senador foi rejeitado. Uma testemunha chave, como um desafeto do Careca do INSS, também teve sua presença rejeitada na CPMI do INSS, quando ele mesmo se propôs a ser ouvido. Os dados do Banco Master, por exemplo, estão sob sigilo, dificultando enormemente o momento em que a CPMI entrará na fase dos empréstimos consignados. Entre o interesse público em jogo e os interesses de grupelhos, alguns parlamentares, infelizmente, optam por este último.  

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Editorial: Lula bem na última Quaest.




Oscilando ali entre 23% a 27% das intenções de voto, o nome do senador Flávio Bolsonaro, surpreendentemente, no escopo dos eventuais postulantes do campo oposicionista, é aquele que melhor aparece numa disputa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, muito provavelmente, deverá disputar o quarto mandato presidencial. A pesquisa do Instituto Quaest foi muito bem recebida no Planalto, uma vez que mostra o presidente Lula com um bom desempenho, seja lá quem for o ungido pelas hostes conservadoras. Mais de 60% da população acredita que o ex-presidente Bolsonaro fez uma escolha ruim ao indicar o senador Flávio Bolsonaro como seu sucessor. É basicamente o mesmo percentual de rejeição que carrega Flávio Bolsonaro, o que significa dizer quem acredita que Bolsonaro errou, não está disposto - pelo menos não ainda - a creditar seu voto no candidato. 

A encrenca é grande, uma vez que o pré-candidato mais verificado e paparicado pela Faria Lima, Tarcísio de Freitas, não aparece bem neste última pesquisa do Quaest. Conforme alertamos num momento anterior, Tarcísio de Freitas carrega o estigma da dúvida. É muito tergiversante em relação a uma candidatura presidencial, o que deve estar deixando seus futuros eleitores inseguros. Alguns nomes da hoste conservadora, mesmo sabendo das enormes dificuldades de se afirmarem como ungidos por este campo, são mais afirmativos em relação às suas pretensões, a exemplo de Ratinho Júnior, que melhora o desempenho nas coxias e nas ruas. 

Em relação a Flávio Bolsonaro, a pesquisa de seu desempenho reflete aquele tempo que não dado a ele para começar a costurar e sedimentar sua pré-candidatura. Nem ele mesmo parecia muito convencido disso, chegando a declarar que o seu pleito poderia ser negociado. Até de Trump ele hoje tem dúvidas se seria interessante colar ao seu nome, acreditamos que, sobretudo, depois de o presidente americano cessar as pressões do Governo Americano ao Judiciário brasileiro. 

Editorial: A saída de Sílvio Navarro do time da Oeste.





Ninguém mais afinado com a linha editorial da Revista Oeste do que o jornalista Sílvio Navarro. A sua saída da equipe, sobretudo em razão dessa identidade, causou muita surpresa não apenas em amplos setores da mídia nacional, mas, sobretudo, em relação aos assinantes e apoiadores daquele órgão, declaradamente identificado com o pensamento conservador. A surpresa é tanta que até o time de comentaristas da revista tiveram dificuldades em externar uma explicação convincente ao público, sempre se escudando naqueles clichês conhecidos. Especulou-se até mesmo que a revista poderia estar mudando sua linha editorial, uma vez que Sílvio Navarro foi comunicado do seu afastamento logo após um comentário de apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. 

Há um rosário de equívocos aqui, uma vez que o jornalista foi comunicado sobre o seu afastamento através de um nota de ZAP. Esta falta de tato nos fez lembrar de uma instituição onde chegamos a ministrar algumas aulas, que escolhia os piores momentos para a comunicação do afastamento de um professor ou coordenador de curso. Às vésperas de ano novo, quando o cidadão já estava preparando o pernil com a esposa e os filhos, e durante os almoços de confraternização. Uma vez insistiram bastante para que uma professora comparecesse a um desses eventos e ela achou que estava "prestigiada". Foi comunicada sobre o afastamento da instituição durante o encontro. 

Impensável raciocinarmos em termos de mudança de linha editorial da revista. Não sabemos de onde se tirou esta ideia. Em princípio, também não se pode afirmar, categoricamente, que a motivação teria sido os comentários favoráveis do jornalista ao nome de Flávio Bolsonaro. Quantas vezes o pai, Jair Bolsonaro, proporcionou picos de audiência ao programa diário da revista? Realmente é um mistério, conforme o assunto vem sendo tratado pela imprensa. Descartadas algumas hipóteses, fica realmente difícil entender o que houve.  

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Editorial: As costuras de Kassab em favor de Ratinho Júnior


Diferentemente de outros dias, hoje, 15, há uma profusão de assuntos que merecem a nossa apreciação por aqui. As intensas movimentações da governadora Raquel Lyra; a indisposição ideológica entre o cantor Zezé de Camargo e o SBT, contingenciando-o a retirar seu especial de final de ano da grade da emissora da família Abravanel; o eventual apoio do pastor Silas Malafaia ao projeto presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, segundo matéria de uma revista semanal de informações; o preço cobrado pelos Estados Unidos para cessar as sanções contra o Ministro Alexandre de Moraes. Mas vamos nos ater a uma questão já levantada pelo publicitário José Nivaldo, em artigo publicado no Blog do Magno. 

Até recentemente, no bojo do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, causou uma certa surpresa a este editor os movimentos da Faria Lima - claro que não sintonizada com a candidatura do filho do ex-presidente - mas com o mesmo entusiasmo em relação às candidaturas do governador do Paraná, Ratinho Júnior, e da candidatura do governador Tarcísio de Freitas. Há inúmeros fatores que podemos considerar por aqui, mas não deixa de ser interessante esta performance do governador do Paraná, principalmente quando traduzida nas intenções de voto junto ao eleitorado. Ratinho Júnior sugere ser mais enfático quando se refere à sua pré-candidatura presidencial, algo que não ocorre com o governador Tarcísio de Freitas, que sempre condiciona sua pré-candidatura no plano das possibilidades. Quando muito, uma vez que, em alguns momentos, deixa claro que o seu projeto é a reeleição em São Paulo. Um outro fator que não pode ser desconsiderado é a capacidade política do Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, que, embora instalado num bunker paulista, acompanha todos os movimentos do xadrez da política nacional, possivelmente puxando a brasas para os seus apadrinhados. De preferência do seu partido, claro. 

Kassab considera que o partido tem dois nomes competitivos para as eleições presidenciais de 2026. Os governadores Ratinho Junior e Eduardo Leite. Há de se considerar, no entanto, que as costuras em torno do nome do governador Tarcísio de Freitas começaram no momento em que ele assumiu o Palácio dos Bandeirantes, credenciando-o "naturalmente" ao Palácio do Planalto, pois, como observa o publicitário, São Paulo é São Paulo. Um homem com a habilidade política de Kassab, se perceber que as forças nada ocultas se inclinam, efetivamente, para consolidar o nome de Tarcísio como o representante das hostes conservadoras, ele não terá a mínima dificuldade em acompanhar o projeto. Aliás, até recentemente ele afirmou que o seu candidato ao Planalto é Tarcísio de Freitas. Não dá um passo em falso. 

domingo, 14 de dezembro de 2025

Editorial: Cabaceiras - Deu no The New York Times.



Nossa admiração pelo cineasta americano Orson Welles é tanta que ele até se tornou personagem de um de nossos romances. Leitores que acompanham o blog sabem o quanto de escritos já produzimos sobre o cineasta, inclusive contestando a tese de que o fim de sua carreira ocorreu no Brasil, depois das dificuldades de realizar a película que narrava a saga dos jangadeiros cearenses. Esta fase do cineasta, realmente, foi marcada por muito problemas seja de natureza política, seja de natureza pessoal. Ele chegou ao Brasil para as filmagens de Its all true durante o estágio mais agudo da ditadura do Estado Novo, que, indisfarçadamente, alinhava-se ao racismo científico e flertava com os regimes fascistas europeus. As tomadas de Orson Welles nas favelas cariocas, repletas de cenas de negros empobrecidos, desagradaram profundamente a ditadura de turno, que articulou-se com o Governo dos Estados Unidos para impedir a divulgação das imagens. 

Logo depois, o estúdio que financiava o projeto, RKO, cortou os recursos, deixando o cineasta à mingua. O resto da história todos conhecem, inclusive a sua obsessão de concluir as filmagens, mesmo diante das enormes dificuldades, fase em que ele vem ao Recife, mas apenas de passagem. Guardo até hoje um e-mail que recebi de um cineasta de Hollywood elogiando a nossa crônica, onde enfatizamos a fase em que ele retorna ao Ceará e tenta ainda continuar as filmagens, com equipamentos obsoletos, com um dos filhos de Jacaré assumindo o papel do pai. Este prólogo é apenas para fazer referência a uma matéria do prestigiado jornal americano, o New York Times, sobre a produção cinematográfica realizada numa cidadezinha do Sertão do Cariri Paraibano, Cabaceiras, a Hollywood do Nordeste. 

Esta cidade ficou famosa pela quantidade de películas que já foram filmadas ali, inclusive a obra de Ariano Suassuna, O Alto da Compadecida. Salvo melhor juízo, a cidade que Suassuna adotou como sendo o seu berço de nascimento, Taperoá - na realidade ele nasceu em João Pessoa - fica na mesma região. Era também a terra de minha mãe. Cabaceiras é conhecida por um fenômeno curioso. Chove em todo o seu entorno, mas não chove na cidade. Certa vez, numa palestra na Fundação Joaquim Nabuco, um agrônomo da Embrapa confirmou este fenômeno. Parabéns, Cabaceiras. 

Editorial: Ataque terrorista deixa onze mortos em Sydney, na Austrália.



Difícil combater um mal que está em toda parte. É este o caso dos ataques perpetrados por terroristas, que estão longe de se limitarem às zonas conflagradas. Ocorrem em Gaza, assim como pode ocorrer numa pacata praia, em  Sydney, na Austrália, como o ataque deste domingo, 14, que vitimou 11 pessoas até o momento. Judeus se reuniam para uma celebração religiosa numa praia quando foram atacados por dois homens armados, usando armas de grosso calibre. Não se sabe dos detalhes, mas, com certeza trata-se de mais um ataque execrável e abjeto ao povo judeu. A comunidade judia local havia alertado as autoridades acerca do problema, mas as providências devidas não foram adotadas. Quem impediu que o ataque assumisse proporções maiores foi um cidadão que, independentemente do risco que correu, desarmou um dos agressores. 

No veículo utilizado pelos terroristas, foram encontrados artefatos explosivos. O mais grave é que se sugere não tratar-se de um caso isolado, uma vez que tivemos outras ocorrências até mais recentemente pelo mundo afora, embora de menor proporção. Que notícia ruim para começarmos um domingo. O episódio abre as feridas daquela situação indesejável que ocorreu logo após os ataques do 11 de setembro, quando o mundo foi sacudido por uma onda de ataques terroristas. Enquanto isso, as indisposições entre Judeus e Palestinos se arrastam há dezenas de anos, sem que se vislumbre uma solução para o conflito. Decreta-se um cessar-fogo num dia, no outro dia o acordo é desrespeitado. Em regiões de Gaza, até comboios humanitários são atacadas, impedindo que alimentos e remédios cheguem aos desabrigados da guerra. 

Nesses tempos bicudos, até chefe de Estado já andou sugerindo propostas indecentes para a solução do problema do conflito entre Judeus e Palestinos. Não vale nem a pena comentarmos por aqui. No final, é lamentarmos profundamente o ocorrido e torcermos que, diplomaticamente, a humanidade encontre uma saída para esses conflitos. Ajudaria bastante diminuir esses ataques terroristas pelo mundo. 

sábado, 13 de dezembro de 2025

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: A entrevista de João Campos ao Diário de Pernambuco.

Crédito da Foto: Arthur Motta, Folha de Pernambuco. 


Para falar das eleições de 2026 em Pernambuco vamos começar pelas eleições do próximo ano no estado vizinho, Paraíba. Por razões óbvias, por lá tem muita gente preocupada com as movimentações políticas do prefeito da capital, Cícero Lucena, sobretudo depois que ele assumiu sua candidatura ao Governo do Estado nas eleições de 2026. Seus adversários dizem que ele abandonou a cidade para cuidar da campanha. Há, naturalmente, um certo exagero por aqui. Em Pernambuco, não existe mais nenhuma dúvida sobre a candidatura do prefeito João Campos ao Governo do Estado nas próximas eleições. Pelo sim, pelo não, porém, convém tomar alguns cuidados em relação ao assunto. Assim, em sua entrevista ao grande jornal Diário de Pernambuco o prefeito afirmou que está cuidando do Recife e que a palavra eleição não faz parte do seu vocabulário neste momento.  

Durante a entrevista, numa clara evidência de quem despista os jornalistas em relação ao assunto, João enfatiza uma série de obras que estão sendo tocadas no governo municipal, a exemplo da melhoria da orla de Boa Viagem e do Pina, a revitalização do centro do Recife, além da Ponte Giratória que deverá ser entregue à população ainda antes do Natal. Sobre a revitalização do Recife - não sabemos se hoje o termo é o mais adequado - o prefeito enfatiza que estudou bastante o assunto, contratou o melhor escritório de urbanismo do Brasil e acionou o BNDES para financiar o projeto. Mais importante: abriu consulta pública para receber as sugestões. Ele aponta que há muita "lacração" sobre o assunto. O prefeito está diante de uma das tarefas das mais difíceis. 

Se ele de fato estudou bastante sobre o assunto, deve saber que existe muitos trabalhos sobre o tema, inclusive de natureza acadêmica. Já houve um tempo em que este assunto nos interessava bastante. Hoje, não mais. Mas, do que me recordo daquele período em que queimava as pestanas tratando do tema, recordo-me, sobretudo, de um elenco de razões apresentadas por um teórico de formação marxista que apontava os motivos pelos quais essas intervenções geralmente fracassam. Não vamos aqui entrar nos pormenores, mas aqui mesmo temos exemplos de intervenções que não trouxeram os resultados esperados, como as intervenções no Recife Antigo, em outras gestões. O Pelourinho, na Bahia, é outro grande exemplo. Mesmo com grandes intervenções, reforço na segurança - existe uma Batalhão da PM local apenas para cuidar da segurança do local - e eventos sistemáticos para atrair os turistas, hoje está degradado, dominado por usuários de drogas e batedores de carteira. 

O prefeito goza de uma situação bastante confortável nas pesquisas de intenção de voto. Geralmente abre algo em torno de 30% de diferença em relação aos escores da governadora Raquel Lyra, que deverá disputar a reeleição. Esta estabilidade nas pesquisas é preocupante para os objetivos da governadora, que tenta furar a bolha e equilibrar a disputa com a entrega de obras e melhoria da comunicação institucional. As reações, no entanto, são incipientes ou quase nenhuma. A sensação é a de que o eleitorado já tivesse tomado uma decisão antes mesmo do pleito, que ocorre em outubro. E, por falar em obras, o prefeito lembra das obras deixadas no estado pelo seu pai, o ex-governador Eduardo Campos. 

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: CPMI do INSS fica sem acesso aos dados do Banco Master.


Os escândalos financeiros no país são recorrentes, levando-nos sempre a meditar sobre uma máxima do saudoso Millôr Fernandes, quando o escritor afirmava que, quando estivéssemos diante da notícia de um assalto a banco, convinha se perguntar se era de fora para dentro ou de dentro para fora. Sugere-se que estamos diante de um escândalo de dentro para fora, uma vez que milhões de investidores foram lesados. De há muito já se sabia que as vantagens oferecidas pelo banco aos investidores estavam fora da realidade financeira possível. Sabe-se até que servidores de carreira da Caixa Econômica Federal teriam sido penalizados ao recomendarem, tecnicamente, que o banco estatal não deveria fazer investimentos naquela instituição. 

Depois que o escândalo estourou, medidas estão sendo tomadas, como uma decisão de um membro do STF no sentido de impor sigilo aos dados, concentrando as investigações apenas na Suprema Corte. Hoje, dia 13, tanto o presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana, quanto o relator, o deputado federal Alfredo Gaspar, protestaram contra a medida, uma vez que ela prejudica sensivelmente os trabalhos da comissão. De fato sim. No início do próximo ano, a CPMI do INSS pretende - ou pretendia? - abrir a caixa preta das instituições bancárias com o objetivo de investigar os famigerados empréstimos consignados, que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas. Em alguns casos, eles sequer haviam autorizados as transações. 

Pelo andar da carruagem política, percebe-se nitidamente uma preocupação, supostamente externada por membros das força de investigação sobre o escândalo do Banco Master, sugerindo se o sistema suportaria tal investigação. Algo sugere que não. Até este momento, a CPMI do INSS já revelou um dos maiores escândalos de corrupção do país. Isso somente em relação às entidades picaretas forjadas apenas para receber os descontos nos contracheques dos velhinhos. Esta CPMI talvez possa ser  elencada como uma das mais importantes criados no Legislativo brasileiro nas últimas décadas. Trata-se de um trabalho conduzido com muita seriedade. Esbarra-se, no entanto, em situação como esta descrita acima. 

Editorial: Uma nova derrota para o bolsonarismo



No dia de ontem, 12, foi divulgada uma nova pesquisa de simulação de candidaturas presidenciais para as eleições de 2026, onde foram testados os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro. Há um equilíbrio de forças quando o presidente Lula entra na rinha com Tarcísio e Michelle, mas, quando o confronto direto é com o senador Flávio Bolsonaro, o presidente renovaria o contrato de locação do Palácio do Planalto por mais quatro anos, com facilidade, ainda no primeiro turno, evidenciando, entre outras coisas, que o filho do ex-presidente Bolsonaro é um ótimo candidato a ser derrotado pelo petismo. Isso já se sabia. Quando ele foi anunciado como possível herdeiro do espólio político do ex-presidente Bolsonaro, os governistas comemoraram. 

O próprio Flávio Bolsonaro tem dado declarações onde afirma que será um representante "repaginado" do bolsonarismo. Não sabemos se isso mudará muito coisa. Possivelmente não. Por outro lado, embora inquestionavelmente doente, observa-se uma tendência do "sistema" em não facilitar a vida do ex-presidente Bolsonaro. Fala-se em veto presidencial ao PL da Dosimetria ou a exclusão do ex-presidente em relação ao abrandamento das penas impostas aos envolvidos na trama golpista do 08 de janeiro. Agora foi a vez do presidente Donald Trump revogar as imposições da Lei Magnitsky contra o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e sua esposa. Credita-se aqui uma intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sentido. 

Em todo caso, confirma-se a tese de que o bolsonarismo está agonizando no escopo do sistema político brasileiro, conforme enfatizamos em outros momentos por aqui. A equação é simples. O sistema político se protege contra o bolsonarismo. No bojo das indisposições - e, consequentemente durante o processo de distensionamento  - o presidente Lula deixou escapar uma expressão bem emblemática. Vaticínio, aliás. Não nos lembramos exatamente o que ele afirmou, mas, durante um questionamento de um repórter, o presidente afirmou que o bolsonarismo era coisa do passado. Devia saber do que estava falando. Na prática, a revogação da Magnitsky é um exemplo disso. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Editorial: Amplia-se a crise entre os Três Poderes.


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, sob o argumento da inconstitucionalidade da votação que preservou o mandato da deputada Carla Zambelli, determinou que o Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, casse o mandato da deputada em 48 horas e efetive o seu suplente no cargo. Neste momento, sua decisão passa pelo crivo da Primeira Turma do Supremo, que geralmente referenda as decisões tomada pelo Ministro Alexandre de Moraes. A deputada deve mesmo ter o seu mandato cassado. Por outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido informado que será complicado recuar o PL da Dosimetria quando de sua apreciação pelo Senado Federal. 

O presidente já sinalizou que poderá vetar, uma vez que o ex-presidente Jair Bolsonaro deve pagar pelo que fez. Jair Bolsonaro está bastante enfermo. Estuda-se hoje alternativas para o cumprimento de sua pena, uma vez que as prisões convencionais não oferecem as mínimas condições para que ele possa ficar detido ali. Na sede da PF, por exemplo, ele se recusa até a receber a alimentação fornecida. Hoje, 12, especulou-se a possibilidade do cumprimento da pena na Papudinha, onde se encontra o ex-Ministro da Justiça do seu Governo, Anderson Torres. Hoje a imprensa enfatiza um eventual acordo preliminar onde ficara estabelecido que a deputada Carla Zambelli deveria mesmo perder o mandato. Faltou combinar, então, com os parlamentares de oposição. 

Não há mais crise, mas, na realidade, um ponto sem retorno entre os Três Poderes da República, o que vem contribuindo para as enormes dificuldades de governabilidade. O pior é que ninguém parece disposto a ceder, enquanto o cabo de guerra mantém-se retesado. A não cassação do mandato da deputada Carla Zambelli foi enormemente comemorada pela bancada de oposição. Vocês podem imaginar a pressão que será exercida contra Hugo Motta no sentido de não acatar a determinação da Suprema Corte. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: surpresa mesmo é o desempenho de Eduardo Moura, um bolsonarista no retrovisor de João Campos.



Faz algum tempo que não nos encontramos por aqui. Durante este período, inúmeras situações poderiam ressuscitar o debate, como as movimentações em torno da disputa pelo Senado Federal, onde uma penca de nomes anda concorrendo à composição das chapas de oposição e situação. Uma equação difícil, pois são muito os chamados e poucos os escolhidos, conforme ensina as sagradas escrituras no Evangelho de Mateus. Num arranjo mais complexo, durante este período, vale a pena as referências às portas abertas pela governadora Raquel Lyra ao PT, embora se saiba que acomodar o PT no seu grupo não seria uma tarefa simples. Mas, em política, tudo é possível. Neste aspecto, João Campos leva uma grande vantagem, pois já acomoda parte da legenda petista na gestão da Prefeitura da Cidade do Recife e mantém uma fidelidade canina ao Planalto. 

A rigor, João teria travado as portas para os movimentos da governadora nesta direção, conforme concluímos numa postagem anterior. Quando Raquel Lyra aguardava para recepcionar o presidente em sua última visita ao estado, João Campos já vinha na mesma aeronave presidencial, reafirmando sempre que será um soldado do projeto de sua reeleição em 2026. Há de se registrar, no entanto, os acenos de um fiel escudeiro da governadora, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro(PSD-PE), sugerindo que apoiará o projeto de reeleição do senador Humberto Costa, algo que causou uma certa surpresa no mundo político pernambucano. Dificilmente não foi algo combinado previamente com a governadora, dentro do raciocínio de Ulisses Guimarães, ou seja, nunca tão distante que não possa se reaproximar. 

Como resultado da adubação das bases e do processo de "metropolitanização", um dos postulantes ao Senado Federal, integrante do clã-familiar dos Coelho, de Petrolina, Miguel Coelho, passou a despontar, ao lado de Marília Arraes, como um candidato competitivo ao Senado Federal. Miguel Coelho, no entanto, precisa ultrapassar a barreira de obstáculo dentro da próprio federação União Progressista, além de ser ungido por João Campos(PSB-PE) como um dos nomes a compor a chapa ao Senado Federal. Muitos são os chamados, poucos os escolhidos (Mateus:22:14). A própria Marília Arraes anda colada no primo João. A pesquisa divulgado no dia de hoje, do Instituto Real Time Big Data, mostra um cenário sem alterações significativas, com o candidato João Campos abrindo algo em torno de 30 pontos de diferença em relação aos escores da governadora Raquel Lyra. Está assim há algum tempo, com ligeiras variações. Perigosamente estáveis tais números, a despeito dos esforços empreendidos pela governadora para revertê-los, reforçando sua presença na Região Metropolitana do Recife. 

Vale ressaltar, no entanto, o desempenho do "novato" Eduardo Moura, vereador do Recife, que tem se notabilizado por uma oposição ferrenha à gestão do prefeito João Campos. Eduardo Moura, em nenhum momento anunciou que seria candidato ao Governo do Estado, mas, sobretudo em função do capital midiático e das redes sociais, seu nome aparece cravando mais de 7% das intenções de voto. Embora dentro da margem de erro da última pesquisa, este escore apresenta indicadores de crescimento. Eduardo Moura vem conquistando capilaridade política junto aos eleitores pernambucanos, recifenses em particular, pois tudo sugere que seus votos teriam uma identidade mais urbana do que interiorana. Em última análise, trata-se de um indicador da aprovação do seu trabalho junto à população, assegurando, no mínimo, a renovação do seu mandato como vereador. 

Editorial: Glauber fica.


Em alguns momentos, o deputado federal Glauber Braga agiu sob forte emoção e, em tais circunstâncias, não raro, comete-se alguns erros estratégicos. Mesmo perseguido sistematicamente por um membro do MBL, as cenas que ficaram registradas pela imprensa dão conta do momento em que o deputado expulsa o tal sujeito a pontapés do Congresso Nacional. O rapaz, a serviço de interesses conhecidos, dirigiu ofensas até mesmo a mão do parlamentar. Na realidade, para sermos mais precisos, o "destino" do parlamentar foi selado quando ele entrou em rota de colisão com um mandatário da Câmara dos Deputados. Felizmente, o arranjo da última votação que poupou o seu mandato - determinado apenas uma suspensão de seis meses -  - coaduna-se com uma ampla manifestação nacional em favor da manutenção do seu mandato, desta vez com o engajamento efetivo do pessoal do Governo, liderado pela Ministra Gleisi Hoffmann. 

Ideologias à parte - havia quem torcesse pela expulsão do parlamentar - a permanência de Glauber Braga no nosso Legislativo deve ser comemorada. Estamos tratando aqui de um excelente deputado, íntegro, propositivo, o que se constitui em algo muito positivo. Nosso raciocínio não possui o viés ideológico, mas republicano. Ontem, por exemplo, pela terceira vez, o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar recebeu a honraria de ser indicado como o parlamentar mais atuante da Terra dos Marechais. Recebeu nosso reconhecimento e cumprimentos pelas redes sociais. Quem está atento ao que ocorre no parlamento do Rio de Janeiro, deve saber muito bem do que estamos falando. 

Depois de salvar o mandato da deputada Carla Zambelli, realmente não ficaria muito bem cassar Glauber Braga. Soubemos hoje que parlamentares da oposição se sentiram derrotados na manobra urdida no momento da votação. Hugo Motta mantém-se na condição de atuar sob uma situação de equilíbrio instável, ou seja, afagando, de um lado a oposição, do outro o Governo. Aprova-se isso, poupa-se o escalpo de alguém mais adiante. Faz parte do jogo. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: Desordem institucional.



O país passa por um momento de desordem institucional. Alguns dos exemplos mais emblemáticos não podemos mencioná-los por aqui, uma vez que, diante de tais circunstâncias, precisamos adotar o procedimento do nordestino mais autêntico, ou seja, falar por arrodeios. Chamar a atenção dos leitores nas entrelinhas. Ariano Suassuna sempre falava desta maneira e, numa de suas aula espetáculos, já com a idade avançada, confessa que antes ainda encontrava o fio da meada. Depois da idade, não assegurava que pudesse retomar ao assunto, de forma coerente, de onde havia partido. Acabava se perdendo mesmo. No escopo dos Três Poderes da República, no dia de ontem, 09, foram protagonizados episódios que poderíamos elencá-los aqui como exemplos dessa desordem institucional. Além de adotar o hábito de falar por arrodeios, evitamos tratar de determinados assuntos. 

Vamos nos ater apenas ao episódio da ocupação da cadeira do Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que produziu um tumulto generalizado na sede de um dos poderes mais importantes da República. O deputado federal Glauber Braga, resolveu ocupar o assento de Hugo Motta, tendo que ser retirado do recinto à força, depois de uma longa resistência, mobilizando um contingente considerável de policiais legislativos federais. O que se passou pela cabeça do Glauber Braga, que já vive um momento difícil, correndo o risco de cassação do seu mandato parlamentar? A motivação seria a eventual apreciação do processo de cassação do parlamentar, algo que tende a ser mais célere a partir do episódio, indicando a ineficácia da ação do psolista. 

Ocorreram alguns excessos na retirada da imprensa do recinto, o que deverá ser apurado, conforme afirmou o próprio Hugo Motta. Ontem a Câmara dos Deputados aprovou o PL da Dosimetria, que estabelece penas menores aos condenados pelo 08 de janeiro, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro. Hoje ficamos sabendo que sua defesa está requerendo ao STF sua liberação para uma cirurgia de emergência e eventual cumprimento da pena em prisão domiciliar. O senador Esperidião Amim, oposicionista, será o relator do PL da Dosimetria no Senado Federal. Sugere-se que, a carruagem possa emperrar no Senado Federal, mesmo com a relatoria sob os cuidados de Esperidião Amim. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Charge! Laerte via Revista Piauí

 


Editorial: Cisão da União Progressista em Pernambuco.


Este é um fenômeno que ocorre em todo o país. Não se trata de um caso isolado. Quando os grêmios partidários formalizam alguma federação no plano nacional, fica sempre o dilema sobre qual o grupo político controlará a nova federação nos entes federados. A rigor, aqui no estado de Pernambuco, as fissuras são recorrentes até entre partidos que não chegaram a formalizar alguma federação no plano nacional, a exemplo do PL, praticamente cindido entre o grupo político do ex-ministro do turismo, Gilson Machado - muito identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro -  e  a família Ferreira. No MDB, então, a querela está sendo resolvida nos tribunais, ora favorável ao herdeiro do espólio político de Jarbas Vasconcelos, Jarbas Filho, Jarbinha, e o grupo ligado ao Secretário de Articulação Política da Prefeitura do Recife, Raul Henry. 

Agora foi a vez da União Progressistas expor as suas vísceras políticas em praça pública. Em princípio, consoante as regras estabelecidas no plano nacional, o comando deveria ficar com o grupo do deputado federal , eventual candidato ao Senado Federal nas eleições de 2026. O senador Ciro Nogueira, um dos caciques da federação, apoia integralmente o arranjo em favor do grupo político liderado por Eduardo da Fonte. Já Antônio Rueda, oriundo do União Brasil, mas que dirige a nova federação no plano nacional, defende que o comando deva ficar com os integrantes do clã Coelho, de Petrolina. Em recente visita ao estado, declarou que apoia o nome de João Campos para o Governo do Estado, de preferência com Miguel Coelho ocupando uma das vagas ao Senado Federal. 

A querela promete. Nos últimos dias o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, tem intensificado suas movimentações junto ao prefeito do Recife, João Campos. Em alguns momentos, é preciso tirar o embaçamento ideológico de nossas lupas quando observamos o cenário político. Já afirmamos isso num outro momento e voltamos a fazê-lo novamente por aqui. A gestão de Miguel Coelho em Petrolina o credencia a novas experiências políticas a nível estadual. Miguel apresentou, por exemplo, o melhor programa de governo quando se candidatou ao Palácio do Campo das Princesas.