Sempre que alguém se refere a um eleitorado "nem nem" somos obrigados a estabelecer alguma desconfiança em relação ao assunto. Aqui em Pernambuco, por exemplo, a centrífuga mói no sentido de "afunilar" a disputa de 2026 entre o atual prefeito do Recife, João Campos(PSB-PE), e a governadora do estado, Raquel Lyra(PDS-PE). Neste sentido, a imprensa dá uma forcinha, sempre reduzindo o debate sucessório a essas duas únicas opções possíveis. No plano nacional, os apoiadores do presidente Lula festejaram a indicação do nome do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. É mais fácil atirá-lo nas cordas da polarização política, no intuito de "salvar" a democracia. Outro dia saiu uma pesquisa onde os indicadores apontavam para uma espécie de "cansaço" do eleitorado em relação a esta renitente polarização política, alimentada até pela guerra das sandálias.
Pelo andar da carruagem política, mesmo que perniciosa, a polarização terá um fôlego longo ainda no nosso sistema político. Isso só se acaba quando um dos lados ou polos destruir completamente o outro, conforme nos advertia o sociólogo jamaicano-britânico, Stuart Hall. A rigor, talvez nem precisássemos de pesquisa para chegar a essas conclusões. A polêmica causada em torno da propaganda das sandálias havaianas, depois que a atriz Fernando Torres utilizou aquela expressão é um bom exemplo do que estamos afirmando. A polêmica da presença de Lula e Janja na cerimônia de lançamento do SBT News é um outro exemplo. Dizem que até a audiência da rede de Sílvio Santos caiu sensivelmente, ampliando os índices da Record, uma vez que o bolsonarista raiz também não simpatiza com a Rede Globo.
Algum dia um cientista político mais atento deve lançar uma obra tratando dos danos sociais, políticos e institucionais provocados por esta onda de polarização política. A guerra é insana, movida por ódio, o que, em si, já se traduz como indicador seguro de uma patologia política. A pesquisa acima mencionada foi realizada pelo Instituto Datafolha e publicada no dia de hoje, 24. Presente de Natal amargo para a segurança e estabilidade de nossas instituições democráticas.

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