Fala-se na eventualidade de construção de um grande acordo no que concerne à aprovação do PL da Dosimetria. Numa declaração hoje pela manhã, a Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Lula deverá vetar o projeto. Lula, por sua vez, afirma desconhecer qualquer acordo sobre o PL da Dosimetria. Como haveria algum acordo se o presidente não está sabendo? Questionou Lula. O que se diz, à boca miúda, é que a aprovação do PL da Dosimetria estaria condicionada à distensão das relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Ou seja, o Governo faria corpo mole para que o projeto fosse aprovado. Talvez seja o caso de combinar com os jogadores, conforme sugere Lula em sua fala.
A Oposição cumpriu o seu papel. O PL passou na Câmara e no Senado Federal. Até com uma ajudinha de membros do Governo, como aquele voto por "engano" do senador do Espírito Santo. No último final de semana, ocorreram grandes manifestações populares contra o PL da Dosimetria. Fazia algum tempo que não falávamos em grandes mobilizações populares do campo progressista. Eles voltaram a assumir o protagonismo das ruas, embalados pela presença de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Eles estão PT da vida com essa conversa de reduzir a pena aplicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O Ministro Alexandre de Moares também fez uma fala sobre o assunto, onde considera insensato reduzir as penas aplicadas aos envolvidos no 08 de janeiro. Acreditamos que tal tendência possa refluir. São as razões de Estado.
Isso nos fez recordar de algumas lições que ficam do livro O Estado Espetáculo, de Roger-Gérard Schwartzenberg. Nas entrelinhas, sugere-se que pode tudo ser combinado, com os jogos de cenas previsíveis. Lula veta, sai bem na fita com sua base de sustentação política, e o Legislativo veta o veto de Lula. No dia de ontem, no curso da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal começou a desmontar ou revelar os grandes acordos dos fraudadores com os políticos. Os tentáculos são gigantescos, o que coloca o "núcleo político" em condições de igualdade com aqueles que lideravam as empresas\lavanderias, entidades fajutas e operadores.

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