O jornalista, ensaísta e acadêmico Francisco de Assis Barbosa escreveu a mais importante biografia do escritor Lima Barreto. O projeto era mais ambicioso. Por recomendação de um editor, entusiasmado com o texto de Triste Fim de Policarpo Quaresma, pediu ao jornalista que organizasse toda a sua obra para reuni-las numa publicação. Diante das dificuldades encontradas na tarefa, Francisco de Assis Barbosa optou por escrever uma biografia de Lima Barreto. Mesmo assim, Francisco de Assis Barbosa ainda solicitou a alguns escritores e estudiosos brasileiros que escrevessem a introdução de algumas obras do escritor. Inadvertidamente, solicitou ao antropólogo pernambucano, Gilberto Freyre que fizesse a introdução dos Diários de Lima.
Na realidade, há duas biografias escritas sobe Lima Barreto. Uma escrita pelo jornalista e outra escrita pelo historiadora Lilian Schwarz. Ambas são excepcionais, mas enaltecemos aqui a escrita pelo jornalista, uma vez que o texto foi capaz de chamar a atenção dos brasileiros e brasileiras sobre um grande vulto da literatura brasileira que estava praticamente no esquecimento. Foi um resgate não apenas da obra, mas da vida do grande Lima Barreto. O texto de Francisco cumpriu este papel importante. Lima tinha uma verdadeira obsessão por esta discussão sobre raça, enfatizando isso em toda a sua obra, ao ponto de descer aos pormenores na descrição dos personagens de suas tramas. Era um combatente feroz do racismo estrutural brasileiro, ao ponto de sua obra ser classificada como uma obra de literatura militante.
Por outro lado, o contato com Gilberto Freyre ocorreu num momento "inoportuno", quando o sociólogo pernambucano havia sido convidado pelo Governo Português para uma série de palestras pela África e Asia, nos países que haviam sido colonizados pelos portugueses, dentro da estratégia salazarista do Luso-Tropicalismo, depois que o antropólogo havia tecido loas ao projeto colonial português no Brasil. Era algo que tinha tudo para dá errado e deu mesmo. Os críticos de Gilberto costumam sempre apontar a mania que o antropólogo tinha de pontuar o "branqueamento" de algumas personalidades brasileiras negras ou mulatas como evidência de nossa democracia racial. Lima nasceu negro, viveu negro e morreu negro e no esquecimento, a despeito de ser um dos maiores romancistas brasileiros.

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