Na década de 70 o Clube Náutico Capibaribe tinha um excelente plantel de jogadores, o que proporcionou grandes conquistas nos gramados pernambucanos, fazendo a alegria de sua fiel torcida. Entre esses jogadores, destacava-se o folclórico ponta Dedeu. Num determinado momento, por problemas de contusão, Dedeu não pode entrar em campo, levando um repórter a questioná-lo acerca dos problemas que o time enfrentaria com a sua ausência. A resposta de Dedeu entrou, definitivamente, para o folclore futebolístico pernambucano: "comigo ou sem migo o náutico vai vencer". Isso nos fizeram lembrar da polêmica produzida através de uma entrevista concedida pelo Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, ao jornal O Globo, onde ele insinua que Lula poderia ter um palanque duplo em Pernambuco.
Wellington Dias falou com a autoridade de quem está investido da responsabilidade de coordenar a campanha de Lula no Nordeste. O assunto provocou uma polêmica enorme na crônica política local, além de uma verdadeira operação de guerra dos socialistas em busca de um desmentido do Planalto e a ratificação de que o candidato João Campos(PSB-PE) tem primazia exclusiva do palanque do morubixaba petista no estado. Edinho Silva, Presidente Nacional do PT, além de conversar com Wellington Dias a este respeito, confirmou que o palanque de Lula no estado é ao lado do socialista. Aliás, logo após a divulgação da pesquisa do Datafolha - que tirou João Campos de uma confortável zona de conforto na liderança das pesquisas de intenção de voto - as inquietações começaram. Já elencamos por aqui as razões que levaram a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) a superar sua desvantagem nas pesquisas de intenção de voto. Com 67% de aprovação do eleitorado pernambucano, Raquel Lira reúne as premissas básicas para renovar seu contrato de locação com o Palácio do Campo das Princesas.
Era preciso alguns ajustes na comunicação institucional - o que foi feito - aparar algumas arestas em sua relação com o parlamento, afagar os gestores municipais com as entregas e tomar medidas em relação à nevrálgica questão da segurança pública. Em política - como de resto em tudo - posicionamento é algo muito importante. João Campos já foi eleito com um posicionamento claramente antipetista, angariando apoio de uma classe média simpática ao bolsonarismo, que hoje se encontra mais inclinada a apoiar o projeto de reeleição de Raquel Lyra. Com a formação de uma chapa puro-sangue João Campos perdeu a interlocução com este eleitorado, que em Pernambuco é representativo. Agora, parafraseando o craque Dedeu, a pergunta que se faz é: com Lula ou sem Lula será que ele consegue superar essas dificuldades?

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