Neste final de semana, o Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, concedeu uma entrevista ao jornal O Globo, trazendo alguns fatos que estão repercutindo bastante aqui no estado. Há algumas semanas atrás o Instituto Datafolha divulgou uma pesquisa onde aponta que a governadora Raquel Lyra(PSD-PE) teria ultrapassado o ex-prefeito do Recife, João Campos(PSB-PE) na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas. Discutimos por aqui, inclusive, as razões pelas quais a governadora havia obtido tal resultado, ancorada em entregas de obras por todo o estado, suporte exitoso da comunicação institucional, bons índices de aprovação e enfrentamento de uma questão decisiva neste pleito, ou seja, o medo da população, refém dos altos índices de criminalidade e da atuação das facções do crime organizado. Pernambuco não é uma ilha, faz fronteira com estado em situação delicada no quesito de segurança pública, já sentindo seus reflexos, como no caso de Petrolina, no Sertão do São Francisco, assim como Goiana, no Litoral Norte, onde grupos facionados oriundos da Paraíba já atuam na área.
Faz até um certo tempo que não publicamos postagens sobre a quadra política aqui de Pernambuco, uma vez que estamos numa espécie de brigas intestinas, sobretudo em relação à composição ao Senado Federal na chapa da governadora Raquel Lyra, onde não se sabe se o PP ou o União Brasil deverá representar a poderosa União Progressista. Mas voltando a Wellington Dias, durante o a entrevista concedida ele afirmou que Lula poderá ter diversos palanques duplos, inclusive em Pernambuco. Ele tem toda razão quando informa que há setores do PT que apoiam o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. Inclusive um setor no exercício de mandato parlamentar, que integra a base apoio da governadora na Alepe, a exemplo do ex-prefeito João Paulo, que já afirmou que se submete às deliberações do partido, mas acredita que a governadora deverá vencer o pleito.
Já houve um movimento de um militante veterano da legenda, Fernando Ferro, inclusive, no sentido de apoio ao nome de Ivan Morais, do Psol. É a velha guarda da mangueira petista que continua com o pulso firme a pressão em ordem. Fernando Ferro foi um dos nossos entrevistados para a dissertação de mestrado. Durante o momento de arguição, como fazíamos referência à Lei de Ferro das Oligarquias, do sociólogo alemão Robert Michels, um dos arguidores brincou se não estávamos nos referindo ao Ferro do PT. A relação do PSB com o PT vem sofrendo desgaste desde algum tempo. Os socialistas reclamam dos espaços ocupados na burocracia da máquina petista e, mais recentemente, quase Alckmin foi rifado na composição da chapa de reeleição de Lula.
Raquel também tem seus contatos em Brasília e, a rigor, sempre esteve ao lado do Governo Lula. Nunca se posicionou como oposição a Lula. Quando esteve aqui em Pernambuco, o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, um dos poucos interlocutores com a cesso direto ao presidente, disse que ela era uma aliada. Wellington Dias irá coordenar a campanha de Lula aqui no Nordeste. Já tratamos por aqui em alguns momentos das dificuldades que o partido enfrenta na região, antes uma fortaleza eleitoral inexpugnável da legenda, principalmente em razão dos efeitos dos programas sociais. Fadiga de material, má gestões e o avanço do crime organizado estão fragilizando tal fortaleza.

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