Crédito da foto: Ana Paula Paiva\Valor
A matéria de capa da revista Veja desta semana é sobre a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Hoje, 12, os jornais trazem a notícia de que a Polícia Federal rejeitou mais uma de suas propostas de delação premiada, decisão que deve ser acompanhada pela Procuradoria-Geral da República. Segundo a matéria, a PF suspeita que o ex-banqueiro esteja tentando proteger os amigos, assim como há, na delação, a ausência de elementos comprovatórios suficientes, ou seja, ele não apresenta provas objetivas de suas afirmações. Na realidade, o que a imprensa andou divulgando acerca dessa nova delação premiada já se sabia a partir das investigações conduzidas pela própria Polícia Federal. Possivelmente, o único nome novo é o de um ministro do Governo Lula.
O esquema de compra de autoridades públicas dos Três Poderes para auferir vantagens para o grupo está escancarado. Esta engenharia de cooptação de agentes públicos com tal finalidade já é conhecida. Segundo a matéria, com informações apuradas a partir do teor desta nova proposta de delação premiada, um parceiro do esquema teria depositado a quantia de 30 milhões de dólares no exterior para favorecer resoluções do Legislativo favorável aos seus negócios. Recentemente, um ministro do STF anulou um processo e determinou o desbloqueio de bens de um dos envolvidos na Operação Calvário, um escândalo de desvios de verbas públicas na área da saúde, ocorrido na Paraíba.
Uma delatora entregou o esquema, dando detalhes e até as senhas que comunicavam a entrega de propina a agentes públicos arrolados à época. Falou até sobre o local onde os corruptores entregavam as malas com dinheiro, que ocorria num estacionamento do Shopping Manaíra. Nada disso foi suficiente para se caracterizar a culpa dos envolvidos. De fato, é preciso tomar todos os cuidados possíveis com essas narrativas, por vezes decorrentes do efeito manada. Alguém "planta" algo e as pessoas saem reproduzindo aquela informações, sem sequer se preocuparem sobre a sua veracidade ou não, colaborando com a estratégia explícita de destruição de reputações, algo que se tornou rotineiro nesses tempos bicudos. Neste caso da Operação Calvário, a cidadã delatora também estava envolvida no esquema. Em tese, não teria porque mentir.

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