Já se disse que o Brasil não é um país para amadores. E não é mesmo. Nos últimos anos, então, movido por uma série de fatores - coincidentemente todos perniciosos - ocorreu uma espécie de "banalização do mal", ou seja, comportamentos antes tidos como reprováveis, a exemplo da disseminação de notícias falsas, assédios morais institucionalizados, linchamentos morais digitais, aparelhamentos de órgãos públicos, políticas de "cancelamentos" tornaram-se bastante recorrentes. Descemos alguns degraus na escala civilizatória. Num contexto evidente de degenerescência institucional, não estranha, por exemplo, a notícia de vazamentos ocorridos sobre uma sessão supersecreta organizada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.
No dia seguinte à reunião, surpreendentemente, alguns órgãos de imprensa passaram a divulgar trechos das falas dos ministros presentes, convocados pelo presidente da Suprema Corte, o ministro Edson Fachin. A reunião tinha como objetivo uma tomada de decisão em relação à relatoria do Caso do banco Master. Já faz algum tempo que estranhamos alguns fatos desta natureza. Processos apresentados como sigilosos chegam a alguns órgãos de imprensa com uma facilidade incomum. Houve até um ministro do STF que resolveu decretar a quebra de sigilo de alguns processos em andamento argumentando justamente que o objetivo era o de minimizar os ruídos em torno do assunto, assim como as ilações produzidas por alguns órgãos de imprensa.
Os ministros ficaram indignados com o ocorrido. Algumas providências deverão ser tomadas em relação ao assunto, para evitar essas "molecagens". Não sabem eles que tais "molecagens" são mais comuns do que se imagina no país de hoje. Chegamos a um estágio onde nem mesmo a mais alta corte de justiça do país está imune a tais investidas. Especula-se hoje sobre quem poderia ter vazado o teor da fala dos ministros durante a reunião. Mas não vamos dá mal exemplo e especular sobre especulações. Logo depois dos festejos momescos, teremos a tão aguardada presença do banqueiro Daniel Vorcaro na CPMI do INSS. O Caso do Banco Master, pelo visto, mexeu com as placas tectônicas do sistema.

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