O Ministro André Mendonça assume relatoria do caso Master. O caso do Banco Master, o maior escândalo financeiro da História do país, vem produzindo seus estragos. E tem muito mais coisas por aí. Não vamos aqui entrar em alguns méritos da questão para não melindrar, mas o cara conseguiu enredar em sua teia figurões do Poder Judiciário, do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Sugere-se que sabia exatamente o que estava fazendo. Hoje só se fala sobre a saída do Ministro Dias Toffoli do caso, depois do relatório produzido pela Polícia Federal, onde aponta-se suspeição do ministro. Numa reunião tensa, os demais ministros da Suprema Corte decidiram pelo seu afastamento da relatoria. Segundo dizem, ele resistiu o quanto pode. A melhor analogia produzida sobre este caso veio do senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, que afirmou que tem gente tentando esconder um elefante debaixo da mesa.
André Mendonça já imprime seu ritmo e, principalmente, seu método de trabalho ao caso, já ouvindo a PF acerca das investigações conduzidas. Sugere-se que a relação seja mais proativa. Em última análise, trata-se de uma notícia alvissareira para os membros da CPMI do INSS, uma vez que André Mendonça é também o relator dos trabalhos daquela comissão, que luta pelo acesso a documentos importantes, assim como pela presença do banqueiro Daniel Vorcaro em audiência pública. Dentro de um espírito republicano, esta comissão vem realizando um excelente trabalho e, em tese, mereceria o apoio do Poder Judiciário em suas ações, mas, como se sabe, há aqueles atores inatingíveis, protegidos pelo sistema.
Há alguns anos ficamos bastante estarrecidos com o que presenciávamos em algumas repartições públicas. Demorou um pouco para entendermos o que, de fato, estava ocorrendo, denominado por nós como práticas de assédios institucionalizados, ou seja, assédio como política deliberada contra alguns atores, principalmente entre órgãos públicos que realizavam um trabalho que não se coadunava com as diretrizes do governo de turno, a exemplo das políticas indigenistas, em defesa do meio ambiente, de gênero, etc. Esses órgãos sofreram horrores em tempos que não estão tão distantes assim. Outros tantos foram aparelhados no sentido de servirem a tais governos, perdendo a sua condição de órgãos de Estado. Passamos por um processo de degenerescência institucional com reflexos até no Poder Judiciário.

Nenhum comentário:
Postar um comentário