pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o carnaval da governadora
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o carnaval da governadora

 


Há alguns anos, enquanto nos dirigíamos ao trabalho, meditávamos sobre a campanha do então técnico do Governo do Estado de Pernambuco, Geraldo Júlio, alçado pelo ex-governador Eduardo Campos para assumir o comando da Prefeitura da Cidade do Recife. Orientado pelas pesquisas qualitativas realizadas por um publicitário argentino, o então governador havia chegado à conclusão de que os recifenses desejavam um gerente no comando do Palácio Capibaribe. Em inúmeros artigos publicados aqui pelo blog observávamos que os movimentos de Eduardo Campos indicavam que o seu objetivo maior era mesmo "unificar" a política pernambucana em torno do seu projeto de se tornar Presidente da República. Retirar o Palácio Capibaribe do comando do PT estava entre tal objetivo. Até os seus mais ferrenhos adversários à época foram cooptados em torno deste projeto, a exemplo de Jarbas Vasconcelos, que acabou não se materializando em razão de um trágico acidente aéreo. 

Ao chegarmos à repartição, antes das atividades diárias, escrevemos um artigo antecipando que ele seria o próximo prefeito do Recife. O artigo, naturalmente, causou alguns embaraços, principalmente entre os seus adversários à época, naturalmente insatisfeitos com o nosso prognóstico. Na realidade, conforme fazíamos todas as eleições, escrevemos uma série de artigos sobre aquele pleito específico que, se reunidos, daria um ótimo livro. Passados os anos, porém, pouca gente se interessa pelas eleições anteriores, exceto, talvez, marqueteiros, analistas políticos e publicitários. Isso nos veio a mente neste carnaval, depois de refletirmos um pouco sobre a arrojada campanha de comunicação institucional adotada pela governadora Raquel Lyra durante o período momesco, com fôlego de foliã adolescente, participando dos principais eventos, distribuindo uma alegria contagiante. Nas ladeiras de Olinda a governadora ganhou até uma sósia, tratada como irmã mais nova. 

Engana-se quem acredita que ela esteja "brincando" carnaval. O período, na realidade, foi escolhido para redimensionar a sua campanha de comunicação institucional já em curso, impulsionada por um bom momento. Não há muito o que se criar por aqui. É vender água para quem tem sede. É fazer melhor o que o João já faz. E desta vez eles conseguiram. Estamos tendo o carnaval da governadora. Mas vamos voltar ao nosso quadrado, evitando enveredar pelas áreas dos analistas de mídias sociais, publicitários, marqueteiros e nos concentrarmos na área de Ciência Política. Nos últimos dias, a presença ou não de Lula no desfile do Galo da Madrugada movimentou o mundo político pernambucano. Lula teria sido convidado pelo prefeito João Campos, do PSB, em mais uma de suas estratégias para assegurar palanque único de apoio ao projeto de reeleição do petista. 

Neste intervalo, surgiram burburinhos dando conta de que a governadora Raquel Lyra teria conversado com o morubixaba petista, dissuadindo-o da ideia. Uma blogueira chegou a anunciar que Lula não viria mais acompanhar o desfile do Galo da Madrugada. Logo em seguida, o próprio prefeito confirmou a presença de Lula no camarote oficial do Galo da Madrugada. A governadora Raquel Lyra não se fez de rogada e roubou a cena durante o desfile do tradicional bloco carnavalesco pernambucano, literalmente "colando" em Lula. Pelo menos no camarote do Galo, o palanque duplo ficou assegurado. O PSB integra o núcleo duro de apoio ao Governo Lula 3, mas a relação entre os dois partidos já gozou de melhores momentos. Hoje Lula tem dificuldades de assegurar ao partido a vice na chapa de 2026 e empurra uma candidatura à força de Alckmin na quadra paulista, algo que ele já afirmou ser improvável, sobretudo por conhecer as dificuldades da Planalto naquele estado da federação. 

O grande objetivo do Palácio do Planalto hoje é assegurar, em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro um percentual de votos que equilibre a disputa no restante do país, ou seja, permita que os votos que o PT espera obter em regiões como o Nordeste não sejam  tão amplamente suplantados. Hoje, numa avaliação preliminar, sabe-se das enormes dificuldades enfrentadas pelo presidente Lula neste momento, mas isso já é assunto para uma nova discussão. Independentemente disso, mesmo diante das dificuldades, Pernambuco sem mantém fiel ao seu filho ilustre. Os eleitores do estado estão propensos a apoiarem Lula mais uma vez, sendo fundamentalmente importante mantê-lo por perto, de preferência distante dos adversários. 

O PSD mantém um arranjo nacional que integra três governadores de Estado, uma trinca de ouro, de acordo com alguns analistas. Dizem que o projeto seria, na realidade, apresentá-los à sociedade numa chapa única, ou seja, Ratinho Júnior para a Presidência da República, Eduardo Leite para vice e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já seria apresentado como o "Xerifão" para ocupar o cargo de super Ministro da Segurança Pública, pondo "ordem" na casa, como fez no seu estado. Agora, tudo isso precisa ser combinado com o eleitorado, que tende a reproduzir a polarização intermitente que domina a política brasileira há algum tempo. Flávio Bolsonaro cresce a despeito das inconsistências de sua candidatura. 

Pragmático como sempre, Gilberto Kassab nunca se permite não ter uma plano "B" ou uma segunda jogada. Talvez até uma terceira. Dá como favas contadas a desistência de Tarcísio de Freitas, não se permite conversas com Lula acerca da possibilidade de indicação de um vice em sua chapa de reeleição, mantém sua trinca de ouro ativa para qualquer eventualidade de mudança de humor do eleitorado, que ele ainda acredita que poderá ocorrer. Mas, se não ocorrer, ele já tem cartas na manga. Aqui em Pernambuco, independentemente do cenário nacional, já teria alertado a governadora acerca da necessidade de não se afastar do líder petista, fundamental para o seu projeto de renovar o contrato de locação do Palácio do Campo das Princesas. A governadora parece tê-lo ouvido. 

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