30% do território brasileiro já estaria sob o comando do crime organizado; 41% da população reside em áreas onde já se observa a presença de facções ou milícias; Organizações como o PCC, antes vinculadas apenas a ilícitos e comércios de entorpecentes, agora, a exemplo do CV, começa atuar também no controle de territórios, determinando normas a serem cumpridas pelos moradores desses espaços; Alianças já estariam sendo celebradas entre essas duas organização pelo país inteiro. O maior eleitor das eleições presidenciais de 2026 é o medo. A população brasileira está assustada. A reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, do último domingo, sobre uma cidade em estado de colapso na Região Metropolitana de João Pessoa, é um exemplo pavoroso do que estamos presenciando no país inteiro.
Voltaremos a discutir o caso de Cabedelo num outro momento. Ontem, 11, o Governo Lula anunciou um audacioso plano de combate ao crime organizado, orçado em 11 bilhões de reais. Entre outros projetos, o plano prevê uma asfixia financeira das organizações criminosas, maior controle sobre a segurança das unidade prisionais, impedindo os trabalhos home office a partir dessas unidades. Não conhecemos o plano em sua inteireza, não sendo pertinente fazer considerações sem conhecê-lo, mas é preciso dizer que estamos lidando com algo muito complexo, exigindo uma ação sistêmica, estratégia de longo prazo e liderança coordenada. Teríamos longas divagações pela frente para discutirmos cada uma dessa questões, algo que não seria possível num espaço de um editorial.
Mas já vamos antecipar aqui as enormes dificuldades que a União hoje enfrenta em estabelecer um consenso mínimo sobre essas ações junto aos entes federados, assim como a infiltração do crime organizado no aparato de segurança do Estado, exigindo-se, por consequência, uma reestruturação das polícias estaduais, o que não é algo tão simples. Não fosse essa polarização entre petista e bolsonaristas, um candidato que oferecesse uma solução para este problema teria enormes chances eleitorais. Infelizmente chegamos a este estágio.

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