segunda-feira, 21 de agosto de 2023
Editorial: As rusgas entre militares e a Polícia Federal.
Embora este dado da realidade não seja muito confortável, todos os governos apresentam suas ranhuras internas. Até bem pouco tempo, se discutiu bastante, por exemplo, o nível das escaramuças internas entre o núcleo duro petista, em torno de uma eventual disputa interna pela benção do morubixaba para sucedê-lo nas eleições presidenciais de 2026. A calmaria voltou depois de o próprio Lula emitir sinais de que pode disputar a reeleição em 2026. Hoje, próceres petistas ja advogam que tal embate interno só deverá ocorrer mesmo em 2030.
Qualquer analista com um mínimo de bom-senso e consequente advogaria que a melhor - e talvez a única - solução para os militares no Governo Lula seria o retorno à caserna, de onde, aliás, eles não deveriam ter saído, a julgar pelas encrencas em que alguns deles se meteram. Militares legalistas, de confiança, em funções estratégicas seria o objetivo máximo a ser alcançado pelo petista, evitando-se, assim, novos arroubos. A composição de um grupo de "militares de Lula" também não seria de bom alvitre. Por razões óbvias. Este, no entanto, parece não ser o entendimento de alguns deles, que preferem continuar atuando políticamente neste fase pós-Bolsonaro.
Assim, algumas ações da Polícia Federal está sendo encarada por segmentos militares como uma manobra para evitar essa aproximação desses militares com o Planalto. Nesta última viagem de Lula, por exemplo, comenta-se nos escaninhos da política que o entendimento das rotinas de segurança entre o GSI e agentes da Polícia Federal teriam sido prejudicadas.
Editorial: Termina em confusão reunião do Cidadania.
Roberto Freire mantém o controle da legenda Cidadania há alguns anos. Ontem, por ocasião de uma reunião virtual dos membros daquela agremiação, pintou um climão entre eles, que atingiu os níveis dos xingamentos pessoais impublicáveis. Um dos mais exaltados foi o pernambucano Daniel Coelho, que saiu em defesa de Roberto Freire, exigindo respeito à liderança nacional da legenda. Em princípio, o que está em jogo seria o controle da agremiação e, consequentemente, seu posicionamento em relação ao Governo Lula.
Enquanto Roberto Freire defende uma posição bastante equidistante do governo - sugerindo, inclusive, a ampliação das negociações federativas com o PSDB\MDB - membros da legenda consideram a possibilidade de uma aproximação da base governista, mesmo que isso não implique em ocupação de cargos na máquina. Afinal, como aponta Cristovão Buarque, o partido não é bolsonarista. Se algumas medidas não forem adotadas, o partido corre o risco de desaparecer, conforme vaticina o ex-governador do Distrito Federal.
Aqui em Pernambuco, as nuvens políticas estão mudando com uma velocidade impressionante. Abrindo espaços no seu governo para o PSD de André de Paula, Ministro da Pesca, acredita-se que o próximo passo da governadora Raquel Lyra(PSDB\PE) seria sua filiação ao PSD, legenda pela qual disputaria a reeleição em 2026, já devidamente integrada à base governista. Em tal cenário, entende-se os convescotes recorrentes de figuras de proa do Partido dos Trabalhadores com a governadora. Secretário de Turismo, Daniel Ceolho é tido como um eventual candidato às eleições municipais de 2024. Hoje seria pouco provável que seu nome viesse a ser ungido como candidato do Campo das Princesas, se considerarmos as nuvens políticas atuais. Mas, conforme advertimos, tais nuvens mudam bastante.
domingo, 20 de agosto de 2023
Editorial: Sai um pingado para Bolsonaro?
A democracia brasileira vive um momento de inflexão. Ou vai ou racha. A corda está esticada, como sugerem alguns órgãos de imprensa, reproduzindo a narrativa de alguns atores estratégicos nesse jogo entre democracia ou barbárie. Todos os brasileiros e brasileiras teriam a obrigação de saber o que significa a perda dos referencias democráticos entre nós. Antes de sair por aí, irresponsavelmente, pedindo intervenção militar. Ao longo dos últimos anos - principalmente a partir de 2013 - os estragos produzidos contra as nossas instituições democráticas são visíveis e os entulhos autoritários só serão completamente removidos com muito esforço. Nem mesmo a Constituição Cidadã e Republicana de 1988 conseguiu tal proeza.
A prisão da cúpula da Polícia Mililtar do Distrito Federal pode ter sido o epicentro desse embate, a julgar pela reação dos corporações militares, incomodadas com as ações determinadas pelo STF. Quisera estivéssemos numa democracia plenamente consolidada e as próprias corporações militares dariam o bom exemplo de punir, com o rigor necessário, aqueles que atentatam contra as instituições democráticas do país. A corda esticada aqui pode ser interpretada como uma perigosa e preocupante postura corportativa.
Talvez por conviver constantemente diante desses solavancos institucionais - num ambiente democrático que pode ser atingido por um míssil lançado pelo Twitter - outro dia ficamos impressionados quando assistimos um filme, onde um comandante militar aplica uma repremenda num militar subordinado que havia desobedecido uma autoridade civil. Em tom enérgico, o comandante afirmava que o subordinado havia cometido uma falta grave, ao não acatar a determinação de uma autoridade civil. Por aqui, infelizmente, as coisas não funcionam assim.
A Polícia Federal reúne informações e provas insofismáveis de que membros do alto escalão militar estiveram no epicentro das tramas autoritárias contra as nossas instituições democráticas, além de atitudes irregulares em seu ofício na condição de servidores do Planalto. Não existe outra alternativa que não a de puni-los. Encrencado até a medula, seria bastante prudente, em tais cricunstâncias, que o ex-ajudante de ordens abrisse logo essa caixa preta do tal Rolex. Seria muito interessante vê-lo cantar como um canário belga durante uma sessão da CPMI dos Atos Antidemocráticos.
sábado, 19 de agosto de 2023
Editorial: Justiça para a Yalorixá e líder quilombola Maria Bernadete.
Segundo podemos presumir, só seríamos bem-recebidos pelas comunidades quilombolas se tivéssemos a sinalização da associação. A experiência foi tão interessante que passamos a estudar o assunto em profundade e mantivemos contatos estreitos até hoje com o MABE - Movimento dos Atingidos pela Base de Lançamento de Foguetes de Alcântara. Alcântara é uma cidade emblemática para entendermos a evolução das polítucas públicas sobre as comunidades quilombolas no país, pois várias experiências pioneiras foram ali materializadas, numa época onde ainda era exigido um laudo antropológico para se conceder a titulação de comunidade quilombola. No primeiro Governo Lula tal laudo foi abolido.
No último dia 17, vários homens armados entraram num terreiro da Bahia, amarraram os presentes e assassinaram Maria Bernadete, líder do Quilombo de Pitangas, conflagrado, em clima beligerancia com os latifundiários locais, que já assassinaram o se filho, em circunstâncias até hoje não devidamente esclarecidas. Maria Bernadete é mais ma guerreira que tomba na luta pelo direito à terra neste país de grandes latifundiários, grileiros armados, dispostos a tirarem a vida de quem se insurge contra essas injustiças.
Editorial: O mar revolto que ronda nossas instituições democráticas.
O jornalista Ricardo Noblat, através de postagem nas redes sociais, informa que se especula entre os militares que o coronel Mauro Cid poderá "ir para o barro", que, na gíria da caserna, significa que o militar poderá ser punido com a perda da patente e consequente exclusão dos quadros das Forças Armadas. Por outro lado, na mesma caserna circulam rumores dando conta de que alguns militares teriam ficado insatisfeitos com a decretação da prisão da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal. O comandante do Exército, inclusive, teria agendado um encontro com o presidente da CPMI dos Atos Antidemocráticos do dia 08 de janeiro, o deputado Arthur Maia(UB-BA), que, aliás, vem realizando um excelente trabalho na condução da comissão.
São históricas as relações entre as polícias militares e as Forças Armadas, daí se entender que eles também se sintam atingidos com tais prisões. Na realidade, em linguagem figurada, existe um batalhão inteiro de militares envolvidos nas tessituras golpistas do 08 de janeiro. A questão é saber se teremos a determinação e as condições institucionais de puni-los pelos seus atos contra as instituições democráticas. Atentar contra as instituições democráticas não é o tipo de coisa que se resolva com um simples tapinha nas costas. Será necessário cortar na pele, sob pena de abrirmos precedentes perigosos.
Não deixa de ser curioso tentarmos entender como alguns militares de alta patente foram arrastados para essa aventura. Pelos diálogos divulgados até agora eles tinham a convicção de que a engrenagem golpista seria irreversível. Ainda existem "dispositivos" que precisam ser desativados, como as denúncias de que agentes do serviços de inteligência e segurança de Estado estariam passando informações sigilosas sobre os deslocamentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Editorial: A revista Veja acaba de divulgar áudio de entrevista com o advogado de Mauro Cid.
Na realidade, o fato é que a Polícia Federal já arrolou o número de evidências suficientes para o indiciamento de alguns peixes graúdos. Numa sintonia incomum, alguns atores proeminentes do nosso campo político saíram em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e o Presidente da Câmara dos Deputados, o Deputado Federal Arthur Lira(PP-AL). O ex-presidente anunciou que seus advogados entrarão com uma representação contra o racker Walter Delgatti, que, em audiência na CPMI dos Atos Antidemocráticos, no dia de ontem, produziu um arsenal de declarações comprometedoras envolvendo o ex-presidente. Se tais declarações forem confirmadas, estamos diante de acontecimentos gravíssimos.
Como já antecipamos em postagem anterior, o moído é grande. As nossas instituições democráticas enfrentam uma prova de fogo. Importante agora é saber como elas reagirão diante da contigência imposta de tomar medidas cabíveis contra aqueles atores políticos que não se orientaram pelas regras do jogo democrático.
Editorial: PMs "bichadas" pelo bolsonarismo.
A prisão de toda a cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal confirma a tese que estamos comentando por aqui há alguns meses: o grau de contaminção das Polícias Militares pelo bolsonarismo. Se tal medida drástica fosse estendida para todo o país, não haveriam celas para prender tanta gente. Aqui mesmo em Pernambuco, durante uma manifestação organizada por sindicalistas ligados ao PT, eles abusaram de suas prerrogativas com o objetivo de repremir os manifestantes, contrariando, inclusive, as recomendações do próprio governador à época, o senhor Paulo Câmara, hoje na Presidência do Banco do Nordeste.
Situações do gênero foram verificadas em todo país, numa demonstração evidente do comprometimento dessas corporações policiais com o bolsonarismo. Além de corrigir esse problema junto às Forças Armadas - que a cada dia se impõe como absolutamente necessário esse enfrentamento - o Governo Lula terá que concentrar suas preocupações em relação às polícias militares estaduais. Uma missão hercúlea para os ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos. Há problemas históricos - como uma corporação policial que teve sua origem nos capitães do mato - até a recente esponja às pregações fascitas, violentas e violadoras dos direitos humanos atreladas ao governo anterior.
Não precisa ser um especialista em segurança pública para se verificar que ocorreram falhas clamorosas na estratégia de enfrentamento aos manifestantes do dia 08 de janeiro. A grande questão colocada era a identificação dos responsáveis por essas "falhas", que hoje já assumem um caráter de omissão ou mesmo "conivência", a julgar pela determinação do STF em decretar a prisão de alguns atores que estiveram no epicentro daqueles acontecimentos.
Editorial: Coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, confessa sua participação no "rolo" das joias.
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
Editorial: O desenho da minirreforma ministerial começa a surgir.
Finalmente, começa a aparecer as nuvens cinzas da minirreforma ministerial do Governo Lula. Devem surgir outros nomes no horizonte, mas, a rigor, já podemos apontar alguns cargos que serão ocupados pelos partidos Progressistas e Republicanos. O União Brasil já teria sido contemporizado com o Ministério do Turismo, como eles desejavam. Os Republicanos, através do Deputado Federal pernambucano Sívio Costa Filho, deverá assumir o comando do Ministério dos Portos e Aeroportos, apeando os socialistas do cargo.
É cedo para dizer como eles reagiriam ao afastamebto de Márcio França. Em princípio, Silvio Costa poderia assumir o Ministério dos Esportes, com orçamento previsto de dois bilhões. O PP foi um partido atendido de forma gererosa, embora o seu presidente nacional Ciro Nogueira, continue um crítico contundente do governo. Os Progressistas foram contemporizados com o Ministério do Desenvolvimento Social e a Caixa Econômica Federal, de porteira fechada, do presidente ao estagiário.
Outra questão diz respeito ao nome de Tarcísio de Freitas, governador paulista, uma estrela de quinta grandeza entre os Republicanos, sua agremiação.Há uma possibilidade de Tarcísio deixar a legenda, ingressando no PL. Tarcísio de Freitas, embora negue, aparece em todos os retrovisores das eleições presidenciais de 2026. É um nome que vem sendo trabalhado para o projeto da direita - e até da extrema-direita - no sentido de retomar o controle do Palácio do Planalto.
Editorial: O depoimento mais bombástico da CPMI dos Atos Antidemocráticos.
Quando algum depoente abre o bico, consegue-se avançar no processo de investigações. Vários elos puderam ser conectados com o depoimento de Delgatti. Agora nossas instituições democráticas enfrentam uma prova de fogo. Reunir as condições para responsabilizar e punir os atores envolvidos nesses atos antidemocráticos, que tentaram minar as nossas instituições. Algumas delas precisam cortar na pele, o que nem sempre é uma tarefa fácil, em face do corporativismo reinante num país com as nossas características patrimonialistas, onde existem verdadeiros "vespeiros". Não vamos aqui entrar nos detalhes, mas os leitores e leitoras mais argutos podem imaginar sobre quais são esses "vespeiros" aos quais estamos nos referindo.
Uma das grandes preocupações é que os "dispositivos antidemocráticos" continuam ativos, podendo ser acionados a qualquer momento. Como adverte o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o Brasil se tornou um laboratório de experimentos nefastos da extrema-direita internacional. A queda de braço entre democratas e fascistas devem prometer novos rounds. Roguemos pelo Estado Democrático de Direito.
Editorial: A avaliação do Governo Lula.

Difícil fazer algum prognóstico mais preciso sobre o assunto, mas, no dia de ontem, um conhecido blogueiro assegurou que seria apenas uma questão de horas para a prisão do ex-presidente ser decretada. A nova tese dos advogados do ex-ajudante de ordens vai no sentido de informar que ele apenas cumpria ordens. Tal narrativa converge com uma preocupação já manifestada pelo seu pai, sugerindo que o filho estaria sendo penalizado sozinho nesse processo.
HOje, 17, a CPMI dos Atos Antidemocráticos ouve o hacker Walter Delgatti, que teria declarado à Polícia Federal ter invadido alguns sites, irregularmente, a pedido de uma deputada, tendo sido remunerado pelo trabalho. O ministro Edson Fachin, do STF, concedeu habeas corpus ao senhor Walter Delgatti para ele se manter em silêncio quando indagado sobre questões que poderiam comprometê-lo. Alguns depoentes ja fizeram tais pedidos, mas falaram no momento da audiência. Esperamos que este seja o caso do hacker.
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
Publisher: Thousands of Daisies arrive in Brasilia
Yesterday, in an audience at the MST's CPI, when asked about the group's activities, its leader, João Pedro Stédile, predicted that one of the ways to put an end to the movement, as desired by opposition parliamentarians, would be to land reform in the country. That simple. By some estimates, it might not even need to expropriate land anymore. We would already have enough land. The point is that agrarian reform involves much more than simple access to land. The Marcha das Margaridas is a tribute to unionist Margarida Maria Alves, president of the Rural Union of Alagoa Grande, in Paraíba, murdered at the behest of local landowners.
We got a picture of her, possibly rare, at a rally held on top of a truck, in her city, Alagoa Grande, next to President Luiz Inácio Lula da Silva, certainly when he was his first candidacy for the Presidency of the Republic. The identification of the place was due to the image that appears in the background, that is, the Igreja Matriz de Nossa Senhora de Boa Viagem. Alagoa Grande would become known nationally as the land of Jackson do Pandeiro.
Editorial: A marcha das Margaridas chega à Brasília.
Milhares de Margaridas chegaram à capital federal e estão, neste momento, ouvindo das autoridades do Governo e do próprio Lula o anúncio de uma série de medidas concernentes às políticas fundiárias. Lula já deve ter sido informado que a sua popularidade está em ascenção, atingindo até redutos tradicionalmente identificados com o bolsonarismo, como é o caso de eleitores ricos, evangélicos e de regiões como o sul do país. Sua empolgação pode ser reflexo desse empurrãozinho. Sempre ajuda bastante. Em sua fala, não poupou "elogios" aos adversários.
No dia de ontem, em audiência na CPI do MST, ao ser indagado sobre as atividades do grupo, o seu líder, João Pedro Stédile, vaticinou que uma das maneiras de acabar com o movimento, conforme desejam os parlamentares de oposição, seria fazer a reforma agrária no país. Simples assim. Segundo algumas estimativas, talvez nem precisasse mais desapropriar terras. Já teríamos terras suficientes. A questão é que a reforma agrária envolve muito mais do que o simples acesso à terra. A Marcha das Margaridas é uma homenagem a sindicalista Margarida Maria Alves, presidenre de Sindicato Rural de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada a mando dos latifundiários locais.
Conseguimos uma foto dela, possivelmente rara, em comício realizado em cima de um caminhão, em sua cidade, Alagoa Grande, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, certamente quando de sua primeira candidatura à Presidência da República. A identiticação do local se deu pela imagem que aparece ao fundo, ou seja, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Boa Viagem. Alagoa Grande ficaria conhecida nacionalmente como a terra de Jackson do Pandeiro.
Editorial: O "apagão" do Governo Lula?
O caso da privatização da Eletrobras é um desses casos. Um pandemônio que envolve, segundo alguns especialistas em privatizações, irregularidades como subfaturamento dos valores de venda, privilégios desmedidos aos futuros acionistas do setor privado e coisas do gênero. O próprio Lula já esboçou uma insatisfação com o processo de privatização do sistema elétrico. Ontem o ex-candidato presidencial Ciro Gomes veio a público para manifestar sua indignação com o ocorrido, argumentando que tal privatização se constituiu num tremendo equívoco - um equívoco de dimensões gigantescas, para ser mais fiel às suas palavras - sugerindo que o Governo Lula reestatize o setor.
As explicações dadas pelo Ministro das Minas e Energia, Alexandre Vieira, não foram nada convincentes, suscitando maiores preocupações. Até a Polícia Federal e a ABIN estariam sendo acionadas com o propósito de investigar a possibilidade de sabotagem. A oposição não perdeu a oportunidade para explorar politicamente o episódio, colocando a culpa no Governo Lula, quando se sabe que tal privatização ocorreu em 2022, quando do Governo Bolsonaro. Com raras exceções, quando o Estado deseja privatizar um órgão, adota uma série de medidas para "justificar" tal privatização. Nem sempre tais medidas são de caráter republicano. Com o episódio, ganha fôlego a tese de reestatização do setor.
Editorial: O velho Karl Marx ressurge em audiência da CPI do MST.
O líder nacional do MST, João Pedro Stédile, chega à Brasília para ser ouvido durante audiência no CPI do MST. Nunca o trabalho de uma comissão se tornou tão previsível, no sentido de se contrapor às atividades de um movimento social. O clima já esteve mais tenso, mas o Governo manobrou para substituir alguns nomes, o que permitiu que houvesse uma diminuição da temperatura durante os trabalhos. Mesmo assim, a presença de um ator político como João Pedro Stédile, por razões óbvias, reacendeu a temperatura.
O líder nacional do MST teve uma recepção calorosa por parte dos seus apoiadores, que organizaram uma grande recepção em Brasília para recebê-lo. Alguns parlamentares, infelizmente, continuam se excedendo em suas arguições, o que acaba em agressões dirigidas aos convocados, seja lá em que condição, tornando o ambiente carregado, com trocas de farpas entre eles. O relator da comissão, Deputado Federal Ricardo Salles, por sua vez, concentra muito tempo dos trabalhos, o que mereceu críticas dos demais membros da comissão.
Durante sua inquirição sobre eventuais desvidos de condutas no que concerne às atividades de membros do MST, João Pedro Stédile aproveitou o ensejo para rememorar suas leituras do filósofo alemão Karl Marx, talvez, como sugere Stédile, o maior estudioso da economia capitalista. Mais preocupado com o debate sobre a reforma agrária, esses encontros têm sido importantes para conhecermos a dinâmica do agronegócio no país e até lá fora, como na China, temas sobre os quais o líder do MST deu uma verdadeira aula durante a audiência. Curioso o fato observado por Stédile de que o economista Delfim Neto, que foi durante anos o mago da economia do regime militar, é o maior estudioso de Karl Marx no Brasil, com uma vasta biblioteca dedicada ao filósofo.
terça-feira, 15 de agosto de 2023
Editorial: O impasse entre o Ministério da Justiça e a CPMI dos Atos Antidemocráticos.
A sessão da CMPI dos Atos Antidemocráticos iniciou seus trabalhos no dia de hoje, 15\08, num clima bastante tenso entre os parlamentares, sobretudo os parlamentares de oposição. O impasse diz respeito a uma solicitação de imagens por aquela comissão ao Ministério da Justiça, sobre as quais existem entendimentos distintos. Por parte da comissão, consoante suas prerrogativas, as imagens deveriam ser liberadas em sua integridade, sem restrições. Por outro lado, o Ministério da Justiça concebe a hipótese de alguns sigilos relativos a tais imagens, arroladas em inquéritos. Salvo melhor juízo, esse é o argumento apresentado pelo Ministério da Justiça.
Depois de muitas idas e vindas, o Ministério da Justiça resolveu liberar parcialmente essas imagens, produzindo ruídos entre o ministério e a CPMI dos Atos Antidemocráticos. Como o perfil deste governo é democrático, legal e republicano, o mais coerente seria disponibilizar essas fitas, sem restrições, cumprindo as diretrizes ou princípios que regem o serviço público: um deles é a transparência. Uma outra questão diz respeito a inclusão, nos debates da comissão, o rolo das joias das arábias, questão amplamente descartada pelo presidente dos trabalhos, o Deputado Federal Arthur Maia, que vem conduzindo os trabalhos com bastante equilíbrio e serenidade.
Pelo andar da carruagem política, a CPMI continuará nesse queda de braços com o Ministério da Justiça. Há um pleito de que tais imagens sejam liberadas em sua integridade, ruído que não é muito confortável numa democracia, por envolver rusgas entre os poderes. No final, deve prevalecer o bom-senso.
Editorial: O mal-entendido entre Lira e Haddad.
Às vesperas do anúncio da minirreforma ministerial - e de votações importantes para o Governo Lula - um dos principais expoentes do staff lulista, o Ministro da Fazenda Fernando Haddad, protagonizou um desentendimento com o Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Haddad afirmou que a Câmara Federal ostenta bastante poder e não poderia usar deste poder para humilhar o Executivo e o Senado Federal. Politicamente correto, o ministro de Lula incorre no equívoco, porém, de cutucar o diabo com vara curta, como se diz aqui na região Nordeste.
Haddad tratou logo de desfazer o mal-entendido, telefonando para Arthur Lyra e tranquilizando o núcleo duro petista de que estava tudo bem. Havia sido mal interpetrado. A declaração não seria suficiente para produzir um atrito, mas nunca se sabe como reagem esses atores políticos, afeitos a um jogo onde os mínimos sinais emitidos pelos "adversários" podem ser entendidos como um recado. Do outro lado do balcão, por exemplo, já existe uma leitura de que o Governo Lula estaria manobrando estrategicamente para anunciar essa minirreforma ministerial.
O anúncio da minirreforma não deve passar desta semana. Há uma grande expectativa em torno do assunto, mas a cada dia ela fica mais confusa. Hoje, somente a Caixa Econômica é dada como certa na cota do Centrão, embora o butim seja generoso, pois irá contemplar partidos como os Progressistas, os Republicanos e o União Brasil. A rigor, ninguém se sente absolutamente seguro no Governo Lula, com raríssimas exceções. Principalmente órgãos e ministérios com orçamentos expressivos.
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
Editorial: Uma CPI das joias?
Este é um dos assuntos mais comentados nos corredores da capital federal. Segundo informações de bastidores, os propositores de uma hipotética CPI das joias já haviam recolhidos 130 assinatutas favoráveis. Com mais 41 assinaturas, haveria número suficiente para a sua instalação. Na realidade, já temos CPI's de mais funcionando e sabe-se lá se elas produzirão os resultados esperados pela população. Tratamos aqui de uma obra de engenharia política complicada que, não raro, foge ao controle do empenho dos parlamentares envolvidos nesse processo.
Um bom exemplo disso são as inúmeras denúncias simplesmente engavetadas com relação à conclusão dos trabalhos da CPI da Covid-19. No caso de abertura de uma CPI das joias, talvez fosse mais prudente aguardar as conclusões dos trabalhos eficazmente conduzidos pela Polícia Federal. E, por falar em CPI's, a semana será agitada. Na CPI do MST teremos a presença do líder dos Sem Terra, João Pedro Stédile. Depois que o Governo manobrou para esvaziá-la, os ânimos serenaram. Os deputados de oposição não escondem sua decepção com tais manobras.
A manobra política do Governo produziu efeitos visíveis no andamebto dos trabalhos daquela comissão. O climão de beligerância arrefeceu. Nem precisamos mais usar o colete durate as audiências. A CPMI dos Atos Antidemocráticos começa a semana com a temperatura altíssima, pois atores de proa envolvidos nas tessitutas antidemocráticas do dia 08 de janeiro também gostavam de negociar joias presenteados por autoridades estrangeiras ao Governo Brasileiro. Existem regras claras para o recebimentos de presentinhos, cujos valores são cabalmente determinados. O governo anterior, infelizmente, parece que não dava muita importância a esses detalhes republicanos.
domingo, 13 de agosto de 2023
Editorial: Republicanos não devem recusar o butim do Planalto.
Salvo melhor juízo, as negociações entre o Planalto e os Republicanos chegaram a um estágio irreversível. Integrantes do clã Bolsonaro já estão tratando a sigla como do campo de esquerda e, por consequência, cobrando do governador Tarcísio de Freitas o seu desligamento da legenda. As negociações com o Planalto não terão mais volta. O que pode ocorrer é a resiliência do governador em continuar na legenda, sob os argumebtos do pastor Marcos Pereira, Presidente Nacional dos Republicanos. Afinal, para sermos mais sinceros, as negociações do Planalto com integrantes do partido não necessariamente passaram pelo crivo dos seus dirigentes, como ocorreu com o parlamentar pernambucano, Sílvio Costa Filho, praticamente de malas prontas para a Esplanada dos Ministérios.
Ao lançar as bases do novo PAC, o presidente Lula assegura que está começando agora o seu terceiro mandato. Na realidade, se seguirmos o raciocínio do arguto jornalista Josias de Souza, com o ato, Lula anuncia que será candidato à reeleição, o que não seria de todo improvável. Contingenciado pelos arranjos políticos que se impõe, Lula, em última análise, acaba comprometendo o que fora prometido em praça pública, durante a campanha, pois alguns nomes já entram "bichados" no Governo.
A oposição reclama que o Governo agiu pesado para esvaziar a CPI do MST, contingenciado legendas como Progressistas, Republicanos e União Brasil a afastarem alguns membros daquela comissão. Seja lá como for, o fato é que tal comissão atingiu um nível de beligerância que não tem sido positivo para o andamento dos trabalhos. Um dos polos deseja esmagar o outro e tal procedimento esgarça os padrões de civilidade exigidos em qualquer debate público.
Editorial: E se Bolsonaro for preso?
Pode ocorrer tudo, inclusive nada. Eis aqui uma boa saída para quem não tem muita convicção sobre os efeitos sociais possíveis em caso de uma eventual decretação de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Difícil fazer uma previsão sobre como reagiriam as hordas de bolsonaristas ensandecidos pelo país afora.
Segundo o consultor e articulista Thomas Traumann, em sua coluna de Veja, já estaria em fase de disparos uma mobilização dos bolsonaristas diante dessa possibilidade materialiar-se. Seria um segundo 08 de janeiro? Sob alguns aspectos, os bolsonaristas raízes são bastante previsíveis. Mas, como advoga o consultor, essa radicalização pode estar minguando aos poucos, principalmente entre os apoiadores menos radicais, que já estariam procurando alguma alternativa no campo da direita para além do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Politicamente, o ex-presidente procura cumprir as missões delegadas pelo seu partido, o PL, que paga a Bolsonaro um salário mensal com esta finalidade. A sua condição de inelegível poderia colocar essa remuneração numa condição de irregular, mas, pelo andar da carruagem sugere-se que existem outros entendimentos sobre essa questão e ele continua recebendo seu salário regularmente. Por outro lado, as encrencas jurídicas crescem numa proporção geométrica e, sem foro privilegiado e indisposto com o atual governo, a possibilidade de uma prisão torna-se uma hipótese mais provável.
sábado, 12 de agosto de 2023
Editorial : As maçãs podres empurradas pelo Centrão ao Governo Lula.
Nos escaninhos da política paulista, há rumores de que pessoas próximas já teriam aconselhado ao prefeito Ricardo Nunes manter uma distância regulamentar de um ex-presidente, que pode vir a ser preso no curso das últimas investigações da Polícia Federal. Ricardo Nunes(MDB-SP) parece enebriado pelo poder, colocando como uma ideia fixa a sua permanência como prefeito da capital, o que, em si, já se constitui num problema, pois ele está disposto a mover moinhos nessa empreitada. O concurso do governador Tarcísio de Freitas ao seu projeto de reeleição integra uma dessas estratégias.
Assessorado por ninguém menos do que o bruxo Gilberto Kassab(PSD-SP), Tarcísio não bate o martelo sem algumas garantias, que estão muito além das possibiludades do atual gestor, que seria assegurar a adesão do seu MDB a um projeto presidencial do governador. Como se sabe, nacionalmente, inclusive, parte do MDB está na base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, por falar em más companhias, salvo pouquíssimas exceções, o Centrão está empurrando figuras bichadas para o exercício de cargos públicos.
Sinceramente? Não sei como essas figuras passam na clivagem da ABIN. Salvo mehor juízo, a partir do DAS 3, todos os indicados são submetidos a um pente fino antes de ter suas portarias homologadas. Lula já foi posto na situação onde algumas cabeças deveriam ser cortadas, mas teve que recuar diante da articulação política desses atores, o que lhes garantiu uma sobrevida, tudo em nome de uma tal governabilidade. Pelo andar da carruagem política, tal possibilidade tende a se tornar rotineira no governo.



