pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : 2026
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Editorial: Edward Banfield de volta ao Brasil.


Edward Banfield foi um cientista político norte-americano. Escreveu um livro que o deixou registrado permanentemente nos anais da Ciência Política, ao cunhar a expressão familismo amoral, salvo melhor juízo, ainda sem tradução para o português. O estudo foi realizado numa aldeia italiana, onde o arguto observador verificou os danos produzidos ao interesse público quando apenas núcleos familiares e seus apaniguados conduzem os interesses do Estado. Em épocas passadas, quando éramos mais ativos, trazíamos Banfield ao Recife com regularidade, sempre que tratávamos de alguma situação onde a sua presença se tornava pertinente para entendermos tal dinâmica. E não eram poucas essas viagens. O grande problema é que essas oligarquias familiares não aceitam as críticas e partem sempre para os processos de perseguição, desqualificação e cancelamento desses atores. Trata-se de um processo de intimidação. 

Isso, aliás, é mais um reflexo desse familismo amoral. Afinal eles gerenciam o bem público como uma extensão de seus interesses privados. Na minha experiência no serviço público observamos coisas que deixariam Raimundo Faoro e Sérgio Miceli de queixo caído, como uma espécie de capitania hereditária dos cargos de DAS. Quando o cidadão titular do cargo se aposentava, por tradição - sempre ela - o cargo passava a ser ocupado por um parente ou pela amante indicada por ele. Em alguns casos, o erário público financiava as aventuras amorosos do sujeito. Repercute bastante nas redes sociais um desses "arrumadinhos", onde um cidadão que foi aprovado na 63ª posição foi alçado à primeira, tendo o seu pleito de PCD sido apresentado depois do concurso realizado. Felizmente a situação foi resolvida no último dia do ano, quando foi nomeado quem, de fato, foi aprovado em primeiro lugar. 

Brasília também não tem dado bons exemplos. A promiscuidade entre o público e o privado tornou-se escancarada. Coisas que até um cidadão analfabeto do Sertão Nordestino considerariam estranhas, servidores públicos investidos das funções de coibirem essas práticas, zelando pelo interesse público, consideram que são normais. Fazer o que? Competia a ele tal prerrogativa. Os parlamentares de oposição já conseguiram o número de assinaturas suficientes para a criação de uma CPMI do Banco Master. Realmente este escândalo merece ser investigado a fundo. Inclusive no tocante aos famigerados empréstimos consignados, que a CPMI do INSS pretende se dedicar após o recesso.