A morte de "El Mencho", chefe do cartel de Jalisco, no México, infelizmente não impedirá o tráfico de drogas para os Estados Unidos. Os cartéis de drogas do continente, desde algum tempo, estão organizados como verdadeiras empresas, não sendo portanto a morte de uma liderança suficiente para interromper o fluxo do comércio ilegal de entorpecentes. Muito embora esses "chefões", geralmente, sejam bons gerentes que emprestaram suas habilidades para atividades ilegais. Nemesio Rubén Oseguera, a exemplo de Joaquin Gusman, "El Chapo", que hoje vive em condições deploráveis numa prisão de segurança máxima americana, eram tidos como bons gerentes. No Brasil, sem querer declinar o nome, há também um grande traficante procurado pela Polícia do Rio de Janeiro também considerado uma pessoa muito hábil com os negócios. Nemesio Rubén era o criminoso mais procurado do México.
O Governo Mexicano contou com a ajuda do Governo dos Estados Unidos para a sua captura. Na realidade, ele morreu no confronto com as forças de segurança do Estado, no dia de ontem, 22. Um dos seus filhos foi capturado. De origem humilde - como, aliás, a esmagadora maioria dos traficantes - Nemesio foi deportado dos Estados Unidos, iniciou suas atividades criminosas no estado de Jalisco, expandindo seus negócios rapidamente, tornando o CJNG numa das organizações criminosas mais poderosas do mundo. Sua morte produziu uma onda de violência talvez sem precedentes naquele país, com o registro atual de 53 mortos até o momento. Geralmente os narcotraficantes reagem dessa forma, não sabemos se em proporção semelhante.
O Governo Mexicano, de alguma forma, vem colaborando com os Estados Unidos no sentido de minimizar o fluxo de drogas para aquele país. O Governo Trump já sinalizou que essas atitudes podem representar um afrouxamento das pressões políticas, econômicas e até militares, como ocorreu na Venezuela. A ação das forças de segurança do México contou com a inteligência da DEA americana. Mesmo assim, em face do grande poderio bélico dos traficantes, ainda estamos tentando imaginar como "El Mencho" foi morto. Esse aparato conta, inclusive, com homens extremamente preparados, cooptados das forças regulares, ou seja, o Estado investe em sua formação e eles acabam servindo ao mundo do crime, recebendo remunerações vultosas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário