pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Editorial: Duelo de Titãs.



Hoje,dia 27, está sendo aguardado o anúncio de um plano de segurança pública aqui no estado de Pernambuco. Logo mais faremos alguns comentários a este respeito. Pernambuco sempre ostentou a condição de um estado violento e, nesses tempos bicudos de recrudescimento do problema, não poderia ficar de fora desse ranking macabro. É o terceiro estado mais violento do país, ficando abaixo apenas da Bahia e do Rio de Janeiro. Já antecipo que nossas expectativas não são muito positivas em relação a um plano que parece desconhcer a espertise acumulado com o Pacto pela Vida, indepedentemente de questões ideológicas. O Pacto pela Vida foi um dos planos mais bem-sucedidos no enfrentamento do problema da violência urbana no estado. 

Em Brasília, o caldeirão da política continua fervendo, em ponto de ebulição. O duelo de Titãs entre o Poder Judiciário e o Poder Legislativo continua produzindo suas consequências. Não fossem suficiente as rusgas criadas com a PEC do STF, que impõe limites às decisões monocráticas da Corte, agora o Senado Federal discute o mandato e a idade limite para ingressar no STF. Como se trata de uma batalha corporativa, as lideranças das duas Casas não estão nem aí para os esperneios. Acomopanham os seus pares. Existe uma bancada bolsonaristas que mantém, desde algum tempo, algumas indisposições com o STF, mas, independentemente dessas questiúnculas, o fato que os une, até mesmo aos integrantes do Governo, é que a Corte extrapolou seu papel quando quis legislar, de acordo com as avaliações dos senadores.   

Faltam algo em torno de vinte assinaturas para a aprovação da CPI do Abuso de Autoridade. Como o duelo é eminentemente corporativo, Jaques Wagner, líder do Governo no Senado Federal, pode ser o relator da PEC que impõe mandato aos membros do STF. Alguém já avisou a Lula? O PEC precisa de uma série de ajustes. Há quem advogue que o melhor limite seja de 08 anos, outros sugeram 10 e até 15 anos. Nem mesmo o senador que a propôs, Plínio Valério, do PSDB do Amazonas, está convencido sobre qual seria o melhor mandato. Possivelmente uma proposição fadada a mofar nos escaninhos nos tempos de paz, ganha um fôlego novo nesses tempos de duelo de Titãs.     

Charge! João Montanaro via Folha de São Paulo

 


domingo, 26 de novembro de 2023

Editorial: Bolsonaro desiste de comparecer às manifestações na Paulista.


Repercute bastante nas redes sociais a desistência do ex-presidente Jair Bolsonaro em comparecer às manifestações programadas para o dia de hoje, entre apoiadores do bolsonarismo, na Av. Paulista. A manifestação se constitui num protesto contra as prisões ocorridas no dia de 08 de janeiro, por ocasião da tentativa de golpe de Estado, além de outras prisões, consideradas pelo bolsonarismo como prisões políticas, como é o caso do ex-Deputado Federal Daniel Silveira. Por vezes, ficamos sem entender alguns cálculos políticos. Pelo manhã comentamos sobre uma eventual presença de Lula na posse do futuro presidente da Argentina, Javier Milei. Neste caso, há toda uma possibilidade de considerarmos prudente a sua não presença ao evento, em razão das hostilidades, que seriam inevitáveis. 

No caso, de Bolsonaro, na Av. Paulista ele estaria no seu habitat, juntamente com os apoiadores mais do bolsonarismo mais renhido, inclusive junto a um nicho eleitoral onde ainda hoje ele consegue ser majoritário, os evangélicos. Possivelmente Bolsonaro desistiu por alguma recomendação de natureza jurídica, no sentido de não se complicar, mais do que já está, nos embaraços a que responde judicialmente. Aliada às investidas legislativa da oposição, com essas já recorrentes manifestações de ruas - ainda incipientes, mas com grande potencial se se ampliarem - é possível concluirmos que o bolsonarismo voltou à carga contra o Governo Lula. Fustigar legalmente contra a Suprema Corte faz parte da estratégia, uma vez que eles consideram haver uma aliança velada por aqui.

Acompanhando o trabalho da Oposição durante as sessões do Legislativo, percebemos que a corda havia arrebentado. As reiteradas "desobediências' do Executivo às convocações do Legislativo podem ter antecipado o  embate. O alinhamento estratégico e pragmático dos presidentes das duas instâncias legislativa a uma maioria bolsonarista, por sua vez, fecharia o cerco. Agora é pau no muleira até o final do Governo.        

Editorial: Os convidados para a posse de Javier Milei.

 


As raposas políticas não costumam aparecer em ambientes hostis. Principalmente quando não são convidadas, como é o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda aguarda o convite a ser enviado pelo futuro presidente da Argentina, o ultradireitista Javier Milei. Aqui faz sentido uma pergunta: O que Lula iria fazer num ambiente de bolsonaristas? Melhor seria não ir mesmo. Seria, inevitavelmente, hostilizado. Já estão convidados para a posse do argentino, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a sua esposa, Michelle Bolsonaro, possivelmente os filhos,o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de Goiás, Ronaldo Caiado, de Santa Catarina, Jorginho Mello, do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Trata-se, realmente, de um encontro de atores políticos nitidamente identificados com a direita ou com a extrema-direita. 

Melhor Lula cuidar dos lençóis de algodão egípcio que estão dando o que falar. No dia de hoje, um domingo de muito sol, os bolsonarista prometem uma grande mobilização na Avenida Paulista. Apesar da pouca presença de público nas últimas manifestações convocadas, convém não  substimar a capacidade de mobilização dessa gente. A agenda dos protestos bolsonaristas de hoje é grande, mas, elas visam, sobretudo, a morte de Clériston Pereira da Cunha, preso no presídio da Papuda, sob custódia do Estado Brasileiro. Clériston é um dos presos por ocasião da tentativa  de golpe do dia 08 de janeiro. 

Os protestos contra o #ForaLula foram bastante genéricos,o que talvez explique a pouca afluência de público aos eventos. Neste caso em particlar, existe um estopim, o seja, a morte de Clériston ainda está muito presente na memória dos brasileiros. É aquela situação de grande comoção pública, onde não está descartada a possibilidade de uma mobilização exitosa.

P.S.: Contexto Político: Segundo comenta-se nas coxias, a provável ministra das Relações Exteriores - um dos poucos ministérios que escapou da motosserra - teria visitado Brasília e deixado um convite formal para o presidente Lula comparecer à posse de Javier Milei.   

Editorial: Os planos políticos de Rodrigo Pacheco.


Os membros da Suprema Corte, depois dos reflexos políticos indigestos produzidos pela PEC do STF, aguardam, agora, que a Emenda de Proposta Constitucional passe por um processo de arrefecimento na Câmra dos Deputados. A expectativa é a de que o Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, possa se empenhar pessoalmente para rejeitá-la. É pouco provável que isso ocorra. Aprovada com folga no Senado Federal, o previsível é que a PEC seja igualmente aprovada na Câmara. A lógica é simples: Tanto Lira quanto Pacheco estão apostando suas fichas políticas apenas com os seus pares. Acabou o tempo de comprar indisposições com os aliados para defender posições favoráveis ao Executivo ou ao Judiciário. 

Até recentemente, o Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, fez um discurso contundente em defesa da PEC do STF. Fazemos aqui o reconhecimento de que ele sempre se posicionou com bastante altivez  quando o assunto é a defesa da democracia e das instituições republicanas. Mas, diríamos que, neste caso, haveria um componente a mais. Em nova fala, o Presiente do Senado Federal se referiu ao instituto da reeleição, que ele considera que não foi muito bom entre nós. Esses movimentos, levam os analistas a se perguntarem sobre os planos políticos do Presidente do Senado Federal. 

Entre essas conjecturas, há quem diga que ele almejava indicar um nome para o STF, abrindo uma vaga no TCU, que seria ocupado por ele mesmo. Uma saída burocrática, longe dos holofotes, mas bastante interessante. Bons salários, benefícios, emprego vitalício. Mas há também quem veja ele apontando os faróis para o Palácio Tiradentes, nas Alterosas, sua doce Minas Gerais. A recente negociação sobre a dívida bilionária do estado com a União alimentou as expectativas de quem aposta que o seu projeto político está mesmo em seu estado natal e não em Brasília. Neste caso, poderia está ocorrendo uma articulação do Planalto no sentido de prestigiá-lo, isolando um inimigo comum, o governador Romeu Zema. 

No encontro que teve com os ministros do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula, estranhamente, afirmou que desconhecia o voto favorável do seu líder no Senado Federal, o senador Jaques Wagner. É aquela situação onde saber é um problema e desconhecer, outro ainda mais grave. Em meio a esse turbilhão ou crise institucional produzida pela PEC do STF, Rodrigo Pacheco voltou a falar que seria favorável a uma proposta que prevê mandatos para os membros da Suprema Corte. Algo que nos intriga por aqui é porque o Planalto não se motivou em rejeitar a PEC do STF.   

sábado, 25 de novembro de 2023

Charge! Marília Marz via Folha de São Paulo

 


Editorial: Preparem a pipoca para a sabatina. Tudo indica que Lula deve indicar o nome de Flávio Dino para o STF.



Em política, ocorrem algumas coisas curiosas. Existe a possiblidade de o Planalto não ter se empenhado devidamente em rejeitar a PEC do STF, geradora de uma indisfarçável crise política. O bate-bola está quente de ambos os lados, ou seja, ora com protagonistas do Poder Legislativo, ora com protagonistas da Suprema Corte, em defesa da inconstitucionalidade da medida. Em discurso recente, marcado por uma contundência incomum, O Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, rebateu a tese da inconstitucionalidade da PECe afirmou que não aceitará sua derrubada, exceto se submetida ao pleno do STF. Para o STF, ficou nítido a falta de empenho do Planalto em votar contra a matéria. O que se comenta nos escaninhos da política é que o seu líder no Senado Federal, o senador baiano Jaques Wagner, recebeu sinal verde para votar conforme suas convicções pessoais. O placar, numa matéria de interesse da Oposição bolsonarista, foi acachapante.  

Como se diz aqui no Nordeste, é briga de cahorros grandes. Em querelas desse porte, convém não se meter. O Planalto, duramente atingido pela crise, parece correr atrás do prejuízo, com medidas de reconciliação regadas ao repasto da culinária nordestina. Lula, com seus principais nomes da área jurídica, convidou ministros da Suprema Corte para um churrasco. Assim como ocorreu com o hoje Ministro Cristiano Zanin, vazou a informação de que o morubixaba petista já teria batido o martelo em termos dos nomes do procurador Paulo Gonot para a PGR e, até surpreendentemente, sinalizou que o indicado para o STF será mesmo o seu atual Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, presente ao encontro. 

Em tese, a indicação tira o ministro da fogueira em que ele está metido no Ministério da Justiça. Por outro lado, o Planalto deverá enfrentar mais uma batalha campal junto às hostes bolsonaristas, que rejeitam peremptoriamente o nome de Flávio Dino. Por questões já discutidas por aqui, Flávio Dino é o ministro do Governo Lula mais odiado pela Oposição bolsonarista. Caso se confirme essa hipótese, que os leitores preparem a pipoca porque vamos ter uma das sabatinas mais quente da República. Caso raro, até mesmo a possibilidade de uma rejeição não está descartada.   

Editorial: Contrariando todas as expectativas, Lula sinaliza que indicará Paulo Gonet para PGR e Flávio Dino para o STF.



Um pouco antes da indicação do seu advogado, Cristiano Zanin, para ocupar uma vaga no STF, o presidente Lula promoveu um churrasco com a presença de membros daquela Corte, onde teria sinalizado que o nome a ser indicado seria mesmo o de Cristiano Zanin. Naquele momento, os problemas eram bem menores, apenas relacionados aos notórios saberes jurídicos do indicado, bem como a conveniência ou não de se indicar um nome com o qual o mandatário mantivesse uma relação pessoal tão estreita. Cobranças que, aliás, vieram de alguns setores da imprensa, tradicionalmente hostis ao PT, e, naturalmente, da oposição bolsonarista. 

Desde então, os problemas com essas indicações se complexificaram, exigindo um amplo jogo de articulação com os poderes Legislativo e Judiciário, sob pena, até mesmo, de vetos, através de uma rejeição pelo Senado Federal, por exemplo. Lula não pode ter deixado de considerar essas variáveis, mas nos parece que resolveu partir para o enfrentamento.Segundo informa o jornal O Globo, o presidente manteve um encontro recente com membros da Suprema Corte, onde sinalizou que irá indicar para a Procuradoria-Geral da República o nome do procurador Paulo Gonet, nome amplamente rejeitado por sua base aliada mais renhida, por ser uma pessoa de perfil conservador. 

Diante de uma evidente indisposição do STF com a PEC do STF, que limite os poderese de decisões individuais de ministros da Corte, Lula tenta realinhavar suas relações com os membros do STF. O procurador Paulo Gonet é um nome que conta com o sinal verde dos Ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Diante das circunstâncias políticas tão adversas, o morubixaba deve ter feito o cálculo político que, neste momento, é muito melhor uma briga com as bases petistas. Caso se confirme a indicação de Flávio Dino, o caso nos parece mais complexo. Não sabemos como anda o pretígio do ministro junto aos membros da Suprema Corte, mas sabe-se que o seu nome é amplamente rejeitado pela oposição bolsonarista, que moverá moinhos para evitar a sua indicação à Suprema Corte. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Editorial: Já temos o nosso Javier Milei por aqui? Parece que sim.


Impressiona a convergência de ideias entre o futuro presidente da Argentina, Javier Milei, e alguns atores políticos brasileiros identificados com o bolsonarismo. Já discutimos isso por aqui, mas vale sempre a referência. Colocado diante dos ministérios do Governo de Alberto Fernández, a quem deve substituir a partir de janeiro, Milei foi instado por um repórter a se colocar sobre quais ministérios manteria e quais ele estava disposto a descartar. Qual não foi nossa surpresa (ou não?) quando o futuro mandatário do país andino informou que estava extinto o Ministério da Educação, segundo ele um antro de doutrinação, mais ou menos na mesma linha do bolsonrismo, que tem ojeriza pela academia. Um dos ministros da pasta afirmou que sentia urticária todas as vezes em que cruzava com o painel em homenagem ao educador Paulo Freire.  

Naquela postagem fazíamos referência a quem assumiria a condição de representar o argentino nas eleições presidenciais brasileiras, em 2026, já que o presidente Jair Bolsonaro está fora do páreo, em razão da inelegibilidade. Pelo andar da caruagem política, o que não faltarão por aqui são os Javier Milei tupiniquins, dispostos a encamparem sua plataforma e, quem sabe, até os seus símbolos. Assim que Lula assumiu a Presidência da Repubica, houve um momento de arrefecimento do bolsonarismo. Jair Bolsonaro, na avaliação de próprio Valdemar da Costa Neto, não assumia o papel de líder da oposição e, de alguma forma, alguns bolsonaristas até consideraram prudente manter um certo distanciamanto do ex-presidente. Para completar, ainda haviam as encrencas jurídicas que o capitão enfrenta até hoje.  

Hoje, não mais. Com o Governo enfrentando algumas dificuldades iniciais na condução da política econômica - o déficit público já é superior a R$ 120 bilhões -  momentos complicados na articulação política, o ex-presidente Bolsonaro voltou a fazer suas caminhadas pelo Brasil, orientar a orquestra da bancada de Oposição no Legislativo e reaproximar-se dos seus apoiadores pelo Brasil Afora. Seus aliados não escondem o desejo de ir às ruas defender ao seu legado e as suas bandeiras. A radicalização bolsonarista passou, então, por um momento de renovação. A aprovação da PEC do STF, por exemplo, está sendo classificada por um experiente jornalista e blogueiro, como um gol de placa do capitão. 

Assim, uma das condições impostas pelo PL para apoiar o projeto de reeleição de Ricardo Nunes em São Paulo é exatamente colocar na vice uma bolsonarista raiz, a Secretária da Mulher do Governo de Tarcísio de Freitas. Hoje, durante um encontro com auditório lotado, o Secretário de Justiça de Cidadania do Governo de Estado, Fábio Pietro, numa infeliz estocada nas lideranças sindicais, informou que eles davam aulas vagabunda de Filosofia e Sociologia. Foi vaiado pelo auditório lotado, mas, embora reprovável, seu discurso é a média do bolsonarismo radical neste momento. 

Não esperem nenuma medida de repreensão de sua fala. Não é nosso propósito estabelecer uma comparação entre o presidente argentino, Javier Milei, e o Secretário de Justiça e Cidadania de São Paulo, Fábio Pietro.  O que desejamos enfatizar por aqui é que o solo do bolsonarismo radical está úmido, bem adubado, propício para vicejar atores políticos com as similaridades do futuro presidente da Argentina.    

Editorial: Daniel Silveira está lendo Kafka na prisão.



O país, infelizmente, atingiu o estágio de uma preocupante crise institucional, com reflexos sobre a nossa formação cristã. O presidente recentemente eleito da Argentina, por exemplo, trata o papa como um demônio comunista. Francisco, de espírito elevado, já deve tê-lo perdoado. Como a campanha terminou e em breve Javier Milei deve está se mudando para a Casa Rosada, deve priorizar os procedimentos diplomáticos. Já andou até aplainando o discursos. Por aqui, depois da morte de Clériston Pereira da Cunha, sob a custódia do Estado Brasileiro, a alma do rapaz não conseguiu descansar em paz, em meio às polêmicas em torno do assunto. 

O defunto já foi atirado sobre a Suprema Corte, sobre o Palácio do Planalto, todos à procura de um responsável pela morte do rapaz. O ambiente político é turvo, carregado. Nenhuma solidariedade cristã em relação àquele ex-parlamentar que se encontra num estado de saúde deplorável, preso num hospital, segundo a família, perdendo a memória progressivamente. Muito pelo contrário. Hoje, através das redes sociais, foram divulgadas algumas postagens sobre a eventual rotina do ex-parlamentar Daniel Silveira na prisão. Ele estaria fazendo um curso de contabilidade, faz limpeza no presídio e ler o escritor tcheco Franz Kafka. 

Não sei o que ele procura em Kafka, mas há excelentes reflexões do autor sobre as agruras da burocracia, estados de exceção,  arbítrios jurídicos e coisas do gênero. Embora Kafka seja um excepcional escritor, não seria a leitura que recomendaríamos aos presidiários, por razões óbvias. Talvez, do ponto de vista estritamente psicológico, possa agravar seus sofrimentos dentro do sistema.   

Editorial: Polícia Federal investiga desvio de finalidade na aplicação de recursos de emendas parlamentares.


Um ex-parlamentar - que hoje se encontra bastante doente, segundo os parentes até perdendo a memória - protagonizou um episódio emblemático durante aqueles idos do Escândalo do Mensalão. Por essa época, quando o parlamentar indicava um preposto de sua confiança para asssumir a direção de uma empresa pública já estava implícito que ele teria carta branca para as maracutais de desvios de recursos atinentes àquele órgão. Era como se o Estado tivesse sido rateado entre os gatunos do erário, com licenciosidade para as fraudes. 

Em diálogos pouco republicanos, isso era tratado com a maior naturalidade. O tempo passou, o Mensalão aposentou uma safra de políticos, mas os métodos parecem que não mudaram desde então, independentemente do mandatário de turno. O desvio de recursos públicos ignora solenemente essa conversa de ideologias, coisa para debates acadêmicos ou conversas de intelectuais, quando dos encontros nos botequins. Mesmo num contexto político onde ocupam o poder forças do campo progressista, os "constrangimentos" são impostos do mesmo jeito, sob os auspícios do presidencialismo de coalisão, sob pena de produzirmos, no limite, mais uma crise de governabilidade. 

Até recentemente, um integrante do ministério do Governo Lula foi denunciado por utilizar os recursos das emendas parlamentares para pavimetar estradas que permitiam o acesso a suas fazendas. O presidente não demitiu o sujeito, para evitar uma crise com o partido que o havia indicado. Pois bem. Agora surge uma possibilidade de o dito cujo está, mais uma vez, desviando recursos das emendas para favorecer seus negócios pessoais, conforme suspeita a Polícia Federal, que está investigando o caso. Por enquanto, estamos no campo das suspeitas.     

Charge! Cláudio Mor via Folha de São Paulo

 


Editorial: Uma coisa é a campanha, outra coisa é a presidência, Javier Milei.



Entende-se as bravatas durante as campanhas políticas. Faz parte do jogo. Nesta fase, por exemplo, Javier Milei, recentemente eleito presidente da Argentina, garantiu que iria baixar a inflação em pouco tempo, assim como afirmou que não queria conversa com comunistas, aqui incluso a China, o Vaticano e o Brasil. Sim. Milei considera Lula um comunista. Difícl entender como, no atual contexto da economia global, alguém pudesse aventar a possibilidade de se recusar a estabelecer relações comerciais com a China. Eis aqui, possivelmente, uma dessas bravatas de campanha para se reavaliada logo depois do indivíduo ser eleito.

Ainda não assumiu e Javier Milei começa a descer do palanque, entendendo a necessidade de reconsiderar algumas posições mais radicais, adequando-se às contingências impostas pela realpolitik. Numa entrevista recente, o presidente aleito já admite que os argentinos terão que conviver com inflação alta pelo menos pelos próximos dois anos. Possivelmente, durante a campanha, o então candidato tenha sido mais otimista em relação ao assunto. Milei também já atenuou sua fala em relação ao presidente Lula, assim como em relação ao Papa, a quem tratava como um demônio do comunismo. 

Não deixa de ser curiosa - e ao mesmo tempo preocupante - essa narrativa disseminada pelo bolsonarismo de que o Governo do PT pretende implantar uma ditadura comunista no Brasil, nos moldes do que ocorre na Venezuela. Conseguiram convencer o aliado argentino, hoje na presidência do país. Lula nunca foi comunista. Nem mesmo nos tempos de radicalização da fundação do Partido dos Trabalhadores. Nas vezes em que precisou se reportar ao assunto, sempre deixou isso muito claro. Até os militares brasileiros sabiam dessa condição do então líder sindicalista. O general Goubery do Couto e Silva, então Ministro da Casa-Civil durante o Governo Militar, tratou de tranquilizar os companheiros de farda em relação ao assunto. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Editorial: Flávio Dino aceita o desafio, mas escolhe o local: O plenário da Câmara dos Deputados.


A corda continua bastante esticada entre os Três Poderes e isso não é nada bom para as nossas instituições democráticas. O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, teria enviado um ofício ao Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, informando-o de sua disposição em comparecer a audiência àquela Casa, mas sob a condição de ser ouvido no plenário. Em razão do impasse institucional produzido depois da terceira recusa do ministro em comparecer à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, possivelmente isso não muda em nada a situação do ministro junto aos parlamentares de Oposição, que requereram sua presença. 

O presidente da Comissão, Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul, Sanderson, inclusive, já teria acionado a PGR no sentido de pedir a abertura de um processo por crime de responsabilidade imputado ao ministro. Chegou a tratar o ministro como um fora da lei. O clima é bastante carregado e estamos muito longe de uma arrefecimento civilizatório. Ao contrário, praticamente todos os dias a Oposição, arregimenta forças para um enfrentamento institucional contra os Poderes Executivo e Judiciário. Se a CPI da "Dama do Tráfico" tem poucas chances de vingar, por outro lado, a CPI do Abuso de Autoridade é praticamente certa. Todos sabem que ela visa atingir o STF. 

Estamos há onze meses de Governo e o clima de beligerância está apenas começando. Mesmo com os butins e cargos os partidos cooptados não se mostram confiáveis. Até recentemente, o Presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, prevendo novos desastres, manifestou suas preocupações ao presidente Lula. Não gostaríamos de acionar as trombetas do apocalipse por aqui, mas, pelo andar da carruagem política, como diria o general Gonçalves Dias, vamos ter problemas. 

Editorial: Senado Federal aprova PEC que limita os poderes do Supremo Tribunal Federal.



Estamos diante do agravamento dos impasses institucionais entre os Três Poderes da República. No dia de ontem, o Senado Federal aprovou a PEC que impõe algumas restrições às decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal. Na realidade, impõe limites aos poderes do STF. A medida, naturalmente, não agrada aos membros da Suprema Corte. Como a iniciativa sempre esteve identificada com a bancada bolsonarista de oposição, neste caso, O Governo Lula poderia se constituir numa espécie de aliado do STF, ajudando a rejeitar a medida. 

Pelo andar da carruagem política, embora tenha sido essa a orientação do Planalto, ocorreram defecções, inclusive o voto a favor do próprio líder do Governo no Senado, o senador baiano Jaques Wagner, que está sendo trucidado pelas hostes petistas através das redes sociais. É curioso como o voto do senador petista está assumindo contornos tão emblemáticos. Se ele tivesse acompanhado os companheiros, talvez não mudasse em nada o placar, mas o que está pegando é a traição.  Uma jornalista, sem citar nomes naturalmente, informa que membros da Corte consideraram a atitude uma traição rasa e já teriam pedido a cabeça do líder do Governo. A avaliação da jornalista sugere, perigosamente, que o STF é um aliado do Governo.  

Um dos maiores problemas enfrentados pelo Governo Lula tem sido esses impasses institucionais, como decorrência, sobretudo, da ausência de uma base de sustentação política consolidada. O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, recusou-se, por três vezes, a comparecer à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. Ele tem lá suas razões, conforme enfatizamos por aqui inúmeras vezes, mas, por outro lado, a atitude contribui para ampliar as já complicadas relações entre o Executivo e o Legislativo. O Presidente da Comissão, Deputado Federal Sanderson, está pedindo, junto à Procuradoria-Geral da União, a abertura de processo por crime de responsabilidade contra o ministro. 

Conforme enfatizamos por aqui, no dia de ontem, 22, o ministro teria encaminhado um ofício ao Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, comunicando a sua disposição de comparecer à Casa, mas na condição de que a sua audiência seja realizada no plenário. Os parlamentares da Comissão, depois das sucessivas recusas do ministro, já adiantaram que as medidas jurídicas tomadas é um caminho sem retorno. Talvez possamos encontrar uma solução amigável por aqui, mas não deixa de ser um motivo de agravamento das tensões entre os Poderes Executivo e Legislativo. 

Para completar o enredo, a CPI do Abuso de Autoridade vai de vento em popa, já tendo amealhado 147 votos a favor. Mais alguns votos e ela reúne as condições de instauração. No atual momento, as lideranças do Senado Federal e da Câmara dos Deputados não estão nem um pouco preocupadas com os apuros do Executivo. Eles entenderam que não seria de bom auvitre comprar brigas com os pares em favor do Governo. As eleições internas estão a caminho e as eleições municipais programadas para outubro de 2024. Tudo isso interfere na correlação de forças e nos arranjos políticos para assegurar os nacos de poder. 

Charge! João Montanaro via Folha de São Paulo

 


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Editorial: A confusa narrativa sobre a dívida mineira com a União.



Problemas com "narrativas", infelizmente, se tornaram recorrentes no país, como herança maldita da era da pós-verdade, onde a mentira se tornou uma armas política poderosa, utilizadas à exaustão para linchamento de adversários. Até gabinetes especializados no assunto foram criados, também conhecidos como Gabinetes do Ódio. O termo "gabinetes' aqui, empregado no plural, não é por acaso. Nesses tempos bicudos, o primeiro conselho é não embarcar em narrativas, antes da imprescindível checagem da informação, para saber se não se trata de uma fake news

Que o Governo de Minas Gerais possui uma dívida exorbitante com a União, todos nós sabemos. A dívida é bilionária. Algo em torno de 141 bilhões.  No dia de ontem, se divulgou, sempre pelas redes sociais, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT-SP) havia se recusado a receber o governador de Minas Gerais, Romeu Zema(Novo-MG), para tratar deste assunto. No dia de hoje, Lula junta seu staff mais próximo, como o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, juntamente com o Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, para discutir uma solução para o problema. Até aqui, tudo bem. 

O problema é entender como Zema esteve em Brasília com o píres na mão - e não teria sido recebido pelo presidente, segundo se comenta - como entender que o mesmo lamentou profundamente que o governador de Minas Gerais tivesse negligenciado um debate tão urgente e necessário para permitir um fôlego à economia do estado. Até a folha de pagamento dos serividores públicos corria o risco de nçao ser honrada. Alguns analistas sugerem que o atual Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, prefere encerrar sua vida pública com um cargo vitalício no TCU. Outros, apontam que seu projeto político prevê ocupar a cadeira do Palácio Tirandentes. Ponto para quem se encontra neste segundo grupo.    

Editorial: Afinal, quem será o nosso Javier Milei em 2026?



Se depender dos bolsonaristas, o próprio capitão Jair Bolsonaro, a julgar pelas manifestações de júbilo das hordas bolsonaristas pelas redes sociais com a vitória do argentino nas eleições do último domingo. A empolgação foi tanta que eles esqueceram de perguntar ao STE se isso seria possível, uma vez que o ex-presidente encontra-se na condição de inelegível. A rigor, não são muitos os pretendentes a ocupar o espaço do "mito" entre os bolsonaristas, mas uma coisa precisamos admitir por aqui: O bolsonarismo mantém seu capital político, apesar da derrota nas urnas na última eleição presidencial.

Quando discutíamos isso por aqui, bem lá atrás, um conhecido blogueiro fez a cantraposição, afirmando que o bolsonarismo era uma onda passageira que havia acabado, que o capitão foi um mero acidente de percurso. Não somos bolsonaristas, mas isso não é verdade. Antes o tal bloqueiro que nos refutou estivesse certo e nós errado. Anda circulando um vídeo pelas redes sociais onde o presidente eleito da Argentina é posto diante de um quadro onde estão assinalados todos os ministérios do governo anterior.

Ficamos impressionados com a disposição de sua motosserra. Sobrou pouca coisa, talvez uns cinco ou seis ministério, aqueles absolutamente essenciais, para cuidar da Defesa, da Administração Pública, das Relações Exteriores e da Infraestrutura. Cultura, Turismo, Igualdade Racial, Educação, Saúde, todos passaram pelo motosserra. Quando cortou o ministério da Educação, Javier Milei ainda fez uma declaração que provocou cócegas no filósofo Olavo de Carvalho, mesmo no túmulo: doutrinação.

No momento, com a ausência de Jair Bolsonaro das urnas, quem mais se aproxima desse perfil é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Por razões óbvias, ele nega tal pretenção, mas vamos dá por aqui uma sugestão: Ele bem que poderia substituir a motosserra pelo martelo dos leilões, quando entra em êxtase ao concluir algum processo de privatização de empresas estatais. Das alterosas, o atual governador Romeu Zema, mas este faz questão de manter uma certa equidistância do capitão. Por alguma razão.

Editorial: A resistência de setores do PT ao nome de Paulo Gonet para a PGR.



Sobretudo nesses tempos bicudos, marcados por instabilidade política e institucional, convém ao chefe do Executivo negociar bastante. É isso que Lula vem procurando fazer, abrindo canais de diálogos com a sociedade civil organizada e, até por contigência, ampliando tais diálogos com os poderes Legislativo e Judiciário. Como resultado desses diálogos, até mais recentemente, Lula demonstrou uma tendência de síntese sobre o nome de Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República. Um nome bastante conceituado no campo jurídico, mas, segundo algumas ponderações, de perfil conservador, o que vem provocando a resistência de setores mais progressistas de sua base de apoio. 

Enquanto o diálogo com os  poderes Legislativo e Judiciário estavam bem costurados, as "bases" rejeitaram solenemente a indicação de Gonet para a PGR. Não vamos falar aqui sobre a Procuradoria-Geral da República enquanto instituição, mas as últimas escolhas para a direção do órgão não foram muito felizes. Em razão disso, a PGR passou a enfrentar muitas críticas da sociedade, o que acabou, ao final, suscitando, até mesmo, algumas fissuras internas no órgão, mobilizando servidores contra decisões tomadas pela cúpula. 

Diante da resistência de setores ligados à sua base de apoio mais orgânica, o morubixaba petista resolveu reavaliar a situação. Uma indicação para a vaga de Rosa Weber ao Supremo Tribunal Federal, neste contexto, também se torna uma escolha com alguns complicadores. A princípio bem cotado ao cargo, o nome do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, saiu completamente da bolsa de apostas, sobretudo depois das rusgas institucionais criadas com o Legislativo.     

Charge! Leandro Assis e Triscila Oliveira via Folha de São Paulo

 


terça-feira, 21 de novembro de 2023

Editorial: Uma CPI sobre a "Dama do Tráfico".



Faz algum tempo que este país não consegue encontrar o seu rumo. Como se diz aqui no Nordeste, parece que estamos pisando sobre uma caveira de burro enterrada. Estão ocorrendo algumas coisas surreais, difíceis de acreditar. Condecorações sem uma justificativa plausível, acionamentos de ex-presidente por importunação a uma baleia jubarte, impasse institucional entre comissões da Câmara dos Deputados e ministros de Estado. É neste climão que não surpreende, por exemplo, a coleta de assintaura para se criar uma CPI da "Dama do Tráfico". É sempre proveitoso acompanhar o trabalho da Câmara dos Deputados. Mesmo quando os convocados não comparecem às audiências. Pelo terceira vez, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, deixou de comparacer a uma terceira convocação da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. 

Seu presidente, o Deputado Federal Sanderson(PL-RS), já informou que estará acionando a PGR para abertura de um processo contra o ministro, que deve responder por crime de responsabilidade. Mesmo se o ministro reavaliar a situação, segundo Sanderson, o processo será mantido. Temos o hábito de acompanhar esses trabalhos. Para amanhã, por exemplo, já estamos a postos para assistir à arguição ao Ministro da Educação, Camilo Santana. Por ali se sabe, por exemplo, que, infelizmente, o Rio Grande do Norte, pode voltar a repetir aqueles cenas tristes de meses atrás, quando bandidos, atendendo a ordens de chefes de facção, espalharam o terror no estado. 

E, por outro lado, foi por ali que tomamos conhecimento da existência de cincoenta assinaturas para a abertura de uma CPI da "Dama do Tráfico". Tal CPI ainda não tem nome definido, mas o propósito seria o de dirimir ou esclarecer em que circunstâncias a tal dama foi recebida nos gabinetes de ministeriais, em Brasília. Haja dor de cabeça para o Governo Lula. Se isso prospera, o Governo deverá mover moinhos para equilibrar o jogo em mais uma CPI criada pelo Oposição, com propósitos claros de atingir integrantes do seu Governo. 

Editorial: O "fermento" de Flávio Dino, Ministro da Justiça e Segurança Pública.


A Polícia Federal está nas ruas, cumprindo a vigéssima fase da Operação Lesa-Pátria, aquela relacionada aos atos golpistas do dia 08 de janeiro. A ideia é enquadrar todo mundo que esteve envolvido com os atos antidemocráticos. Nesta fase, uma vez que alguns participantes já estão sendo julgados e cumprindo pena, a PF se concentra nos financiadores, aqueles bolsonaristas que custearam as despesas da trupe que esteve nas portas dos quartéis ou depredando o patrimônio público. Tem sido assim todos os dias. A Polícia Federal tem atuado em todos os rincões do país, ora em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, ora com o apoio da Marinha, ora com o suporte de forças policiais estaduais. 

As ações da Polícia Federal estão produzindo danos consideráveis ao crime organizado pelo país afora. Uma verdadeira asfixia financeira, o que se constitui um dano irreparável para essas organizações criminosas. Começamos por aqui a suspeitar que existem mais gente com disposição para criar embaraços para o ministro, além, claro, dos bolsonaristas radicais e setores da chamada grande imprensa. O ministro já afirmou que não se intimida com essas provocações. 

Vai dar continuidade às suas diretrizes no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Quanto mais apanha dos adversários e de setores da mídia, mas intensifica suas operações, numa demonstração de seu convencimento de que está no caminho certo. Essas provocações parecem que funcionam como fermento para o ministro. Lamentável que um dos ministros mais atuante do Governo Lula esteja sob fogo cruzado da oposição, sendo intimado a prestar satisfações recorrentes à Câmara dos Deputados. Deixem o Dino trabalhar.   

O xadrez político das eleições municipais de 2024 no Recife: O PDT aposta na consolidação da aliança com João Campos.



As relações entre o PSB e o PT não são mais as mesmas de antes das eleições presidenciais de 2022, quando ambos os partidos constituíram uma aliança exitosa, que conduziu Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Logo em seguida, o butim foi repartido, cabendo aos socialistas três ministérios: o da Justiça e Segurança Pública, Portos e Aeroportos, Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços, este último entregue ao vice, Geraldo Alckmin(PSB-SP). Diante das contigências impostas por um Legislativo hostil, Lula precisou abrir negociações com a Oposição, visando reunir as condições mínimas de governabilidade. 

Com isso, precisou abrir espaços na máquina e liberar verbas para o Centrão, o que não produziu os resultados esperados até hoje. Há sérias dúvidas sobre as contrapartidas, negociadas ponto por ponto, num jogo intrincado, protagonizados por grandes raposas políticas. A situação está se tornando tão complicada, que até indicações para a PGR e para vagas abertas no STF precisam passar pelo crivo do Centrão, sob pena de serem rejeitadas durante a sabatina. Até recentemente, por ocasião da votação da Reforma Tributaria, por muito pouco, o Governo não foi derrotado. 

Nesta última minirreforma ministerial, os socialistas perderam espaço no Governo. O Minsitério de Portos e Aeroportos foi entregue aos Republicanos, ocupado pelo Deputado Federal por Pernambuco, Sílvio Costa Filho, que ainda não despachou com o morubixaba petista. Como prêmio de consolação, foi criado um Ministério das Pequenas e Médias Empresas, que ainda carece ainda, até mesmo, de um organograma. Na realidade, seria uma secretaria, antes subordinada ao Ministério de Indústria e Comércio, que adquiriu status de ministério. 

Um outro fator que vem produzindo algumas divergências diz respeito às próximas eleições municipais. Por razões naturais, neste momento, cada partido procura ampliar seus espaços junto ao eleitorado. Em princípio, toda agremiação partidária deseja o poder. Mesmo o Planalto tendo um candidato oficial em São Paulo, o Deputado Federal Guilherme Boulos, do PSOL,  o vice-presidente, Geraldo Alckmin, resolveu bancar a candidatura da conterrânea Tabata Amaral(PSB-SP), à Prefeitura de São Paulo, o que, segundo dizem, teria produzido algumas ranhuras junto ao núcleo duro do presidente Lula. 

A eleição para o Edificio Matarazzo, em São Paulo, será uma das mais renhidas disputas, onde as forças de Governo e Oposiçao devem se engalfinhar, antecipando cenários para 2026. A cada dis surge um fato novo. Agora é um ex-Ministro da Educação do Governo Bolsonaro, hoje arrependido, cogita lançar sua candidatura. Resta saber como ele pretende se posicionar para o eleitorado, uma vez que não é confiável nem de um lado, nem do outro.  

O PDT, por sua vez, também promove alguns ajustes internos, igualmente de olho nas próximas eleições municipais. Suas lideranças já perceberam que não será possível manter na mesma legenda os grupos dos irmãos Ferreira Gomes, Cid Gomes e Ciro Gomes. Neste sentido, é dada como certo o ingresso de Cid Gomes no PT, juntamento com o seu grupo político. A cereja do bolo dos socialistas continua sendo o filho do ex-governador Eduardo Campos, atual prefeito do Recife, João Campos(PSB-PE), que já se movimenta em torno das eleições de 2026. 

A reeleição em 2024 é apenas uma etapa deste planejamento. Sabedores deste projeto e com uma reeleição praticamente garantida, seus aliados passaram a brigar pela estratégica vaga de vice nas eleições de 2024. O PT já acenou até com uma candidatura própria, com o objetivo de ampliar o seu poder de barganha. Apesar das movimentações recentes da governadora Raquel Lyra(PSDB-PE), sugerindo que ela desejava tirar o PDT da base aliada do prefeito, caciques da legenda asseguram que a aliança está mais consolidada do que nunca e pretendem brigar para manter a Deputada Izabella de Roldão na condição de vice, para as eleições de 2024. Uma coisa podemos assegurar aos leitores por aqui: João Campos não entregará a vice ao PT. Traz o DNA político do pai.   

Charge! Amarildo via Twitter!

 


Editorial: A derrota do petismo na Argentina.



Não há como negar que a vitória de Javier Milei na Argentina, de alguma forma, deve significar uma inflexão na agenda da esquerda latino-americana, em particular no Brasil, muito especialmente aquela identificada com o PT, por mais que os petistas fujam do assunto ou tentem se eximir sobre tais consequências. Não estamos tratando aqui de abstrações. Na prática, o PT emprestou todo apoio ao candidato peronista Sérgio Massa, que perdeu aquelas eleições. Observem que a diferença entre Javier Milei e Sérgio Massa não foi tão apertada como ocorreu nas últimas eleições presidenciais no Brasil. Salvo melhor juízo, Milei abriu 11% de diferença sobre Massa.  

Em termos práticos, Lula abriu sua agenda para receber Sérgio Massa em diversas ocasiões. Os mesmos marqueteiros que trabalharam na campanha de Lula se deslocaram àquele país para compor o staff da campanha de Massa, daí se entender, igualmente, as estratégias de peças publicitárias focadas em incutir na população o risco que a democracia corria com a eleição de um ultradireitista como Javier Milei. Os bolsonaristas brasileiros já comemoram o fato como se houvessem derrotado o PT mesmo antes das eleições de 2026. Percebem, na vitória de Milei, um indício prematuro da derrocada do petismo no Brasil. Como se sabe, as movimentações dos bolsonaristas para as eleições de 2024 e 2026 já começaram por aqui. Ontem as hordas bolsonaristas colocaram o Bolsonaro 2026 no topo do trending topics twitter. Mesmo sabendo que o capitão encontra-se inelegível. 

Para amanhã, dia 22, está agendada a audiência pública do Ministro da Educação Camilo Santana, na Câmara dos Deputados, atendendo a um convite de três comissões distintas. Temos até uma preocupação sobre como será organizada tal audiência, uma vez que, como informamos, o ministro atende ao pedido de três comissões. Mais uma vez, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, está sendo convocado pela Bancada da Bala. Aqui não há mais como se formular um "convite", uma vez que, reiteradas vezes, Flávio Dino deixou de comparacer às convocações da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. A política prega umas peças curiosas. Flávio Dino talvez tenha sido o ministro que mais combate o crime organizado no país, mas não existe espaço institucional republicano onde possa prestar conta do trabalho desenvolvido por sua pasta. Na última vez ele foi claro ao afirmar que temia por sua integridade física.    

Charge! Benett via Folha de São Paulo

 


segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Editorial: Bancada da Bala deseja ouvir(mais uma vez) o Ministro Flávio Dino.



Um dia essa corda arrebenta, como ocorria nos nossas brincadeiras de cabos de guerra, dos bons velhos tempos da doce infância. Mais uma vez a Bancada da Bala - formado por bolsonaristas radicais - deseja ouvir o Ministro da Justiça e Segurança Pública, o senhor Flávio Dino, desta vez sobre a tal "Dama do Tráfico", uma designação utilizada por um desses jornais da grande imprensa, para se dirigir a uma cidadã ouvida por assessores do ministro, em circunstâncias bastante específicas, para tratar de questões relativas aos direitos humanos no sistema penitenciário. Pense os leitores sobre um assunto devidamente batido e esclarecido. É este aqui. 

A teia do enredo que envolve este episódio é daquelas onde o feitiço se volta contra o feiticeiro. A bem da verdade, neste caso, a feiticeira, uma vez que hoje já se tem como comprovado que a editora de política da publicação costuma forçar a barra dos jornalistas a ela subordinados no sentido de produzirem matérias desabonadoras contra o ministro e, por sua vez, contra o Governo Lula. Já perdemos a conta por aqui sobre quantas vezes o ministro foi convocado por esta bancada, criando um ambiente de profunda indisposições de lado a lado. 

Os expedientes normativos estão se exaurindo. Alguém já sugeriu até trazer o ministro sob vara verde, ou seja, ir buscá-lo no Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ministro, sem exagero, já disse que teme por sua segurança física. Mais uma vez, não há exagero aqui. Há um clima de beligerância envolvendo tal bancada e integrantes do Governo Lula. Se ele resolver comparecer, parafraseando o general Gonçalves Dias, vamos ter problema. A proposta é convocá-lo ainda esta semana. Está sendo votado um requerimento - com enorme chance de aprovação - para que o Ministério da Justiça divulgue a imagem a presença da tal senhora nos corredores e salas do órgão. Será que essas fitas ainda existem? 

Editorial: A motosserra de Javier Milei começa a funcionar mesmo antes da posse.

 

Em 1973, no bojo de um golpe de Estado que derrubou o Governo de Salvador Allende, legitimamente referendado nas urnas pelos eleitores, um grupo de economistas formados em academias americanas implentaram no Chile um verdadeiro laboratório de experimentos de políticas neoliberais, com reflexos na redução de direitos trabalhistas previdenciários da população, privatizações de setores estratégicos, enxugamento na gestão pública - com o pomposo nome de reforma administrativa - além de outros receituários bem conhecidos, logo igualmente reproduzidos em outros países latino-americanos. À época, para o país credenciar-se a receber créditos internacionais, tinha que seguir a cartilha, como uma espécie de garantia, assim como ocorre com os bancos, quando cencedem algum empréstimo ao cidadão.  

Alguns analistas sempre enfatizam essa primazia de entrada das políticas ultraliberais no continente latino-americano pela porta do Chile. Os reflexos são sentidos até hoje, quando tomamos como referência, por exemplo, o acesso da população à insumos básicos, como água potável. Politicamente, atráves da eleição de Gabriel Bóric, a população do país deu uma resposta nas urnas aos desmandos produzidos durante anos por essa política neo ou ultraliberal, com resultados caóticos para alguns segmentos sociais. Em algumas regiões do Chile, a água disponível é utilizada para irrigar plantações de abacate, enquanto a população é privada do precioso líquido. 

As pessoas se mobilizam, vão às ruas, são cegas pelos carabineiros - movidos ainda pela sanha da perversão  adquirida durante os anos de chumbo da ditaduta militar - mas, a realidade continua difícil, uma vez que a extrema-direita do país mantém a sua capilaridades social e política, capaz de impor algumas derrotas ao presidente de centro-esquerda. O Chile faz um governo de concertação, por vezes cedendo perigosamente à agenda de ultradireita. Como se sabe, Gabriel Boric teve uma eleição apertada, assim como Lula aqui no Brasil, que hoje enfrenta problemas semelhantes com a ruidosa oposição bolsonarista. 

Quase cinco décadas depois, eis que aparece no país andino uma espécie de besta fera do apocalipse ultraliberal, prometendo radicalizar no emprego desse receituário. Mesmo antes de tomar posse, já antecipou que pretende usar a motosserra para privatizar a estatal de petróleo argentina, além de tudo que for possível. A conta aqui é simples: não vai sobrar nada.  

Editorial: Bolsonarismo em festa com a vitória do ultradireitista Javier Milei na Argentina.



Não temos bola de cristal, mas, ao longo dos anos de batente, a experiência vai nos facultando a possibilidade de antecipar cenários, como o da vitória de Javier Milei à Presidência da Argentina. A postagem foi uma pouco acanhada, porque, na realidade, apesar de conhecer as dificuldades do peronista Sérgio Massa, este era, digamos assim, o menos pior entre as opções apresentadas ao eleitorado daquele país andino. Por outro lado, para quem acompanha o blog com regularidade, são inegáveis a nossa identificação com o conjunto de forças progressistas, seja por lá, seja por aqui. No final e ao cabo, torcíamos por Massa. A sua derrota nas eleições argentinas, em última análise, produz seus reflexos de arrefecimento no conjunto das forças do campo progressista na região.  

Javier Milei, como bem definiu um chargista, com charge publicaca por aqui, é um tiro no pé. A extrema-direita está em estado de graça. Pelas redes sociais, os bolsonaristas de todos os quadrantes estão festejando a vitória do compatriota argentino e fazendo previsões animadoras sobre as nossas eleições presisdenciai de 2026, assim como as eleições presidenciais americanas, previstas para 2024. Por razões, naturalmente, muito óbvias. Donald Trump por lá e Jair Bolsonaro por aqui. O entusiasmo é tão grande que eles esqueceram que o capitão se tornou inelegível.

Javier Milei fez promessas mirabolantes durante a campanha, como a de tirar a Argentina do caos econômico em que se encontra, transformado-a numa grende potência. No desespero, as pessoas acreditam em tudo. Funciona como uma bóia atirada a um náufrago. Foi um pouco dentro deste espírito que ele desenvolveu sua plataforma de campanha, que se sagrou vitoriosa nas urnas no dia de ontem.    

Charge! Laerte via Folha de São Paulo