pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Crônicas do Cotidiano: Os prefácios de Henry James
Powered By Blogger

domingo, 12 de julho de 2026

Crônicas do Cotidiano: Os prefácios de Henry James


No seu livro "A Preparação do Escritor", o escritor pernambucano Raimundo Carrero, morto recentemente, fala-nos sobre o processo angustiante e laborioso de escrever de uma obra de ficção. No texto, são constantes as expressões "ler, ler, ler", "escrever, escrever, escrever", "reescrever, reescrever, reescrever", "criticar, criticar, criticar", e assim por diante, antecipando aos desavisados de que a tarefa de produção de um romance não é algo simples, exigindo dedicação, resignação e, principalmente, muita disciplina. Mesmo nos seus manuais de escrita, nunca lemos alguma menção de Raimundo Carrero acerca do grande romancista britânico Henry James, cujos "Prefácios" lemos ate recentemente. 

Este livro, que pode ser traduzido como uma espécie de manual de escrita criativa, a partir da experiência de um dos escritores mais bem-sucedidos na escrita do gênero romances, na realidade, foi concebido quando a editora que publicava suas obras resolveu fazer uma publicação completa dos seu trabalho, reunindo todos os seus romances, num total de 11. Se Carrero tivesse tido acesso a tal obra, possivelmente ela seria matéria prima para as suas oficinas de criação literária. James pegou, para cada página escrita de cada um desses romances, uma página em branco, onde procedeu as modificações que considerara necessárias ao texto. Um trabalho primoroso que modificou o teor dos textos iniciais, corroborando com a "incerteza" inerente à concepção de uma obra de ficção, conforme enfatiza Carrero, apontando sua caraterística de infinitude. 

James era muito prolixo. Alguns críticos suspeitam que as suas novelas, na realidade, eram contos que ele não conseguia restringir a algumas poucas páginas. Não satisfeito, James resolveu escrever, para cada romance escrito, um prefácio contando a sua concepção, sua história, sua impressão sobre o texto, os personagens, algo que se constitui, conforme afirmamos antes, num momento de grande aprendizagem. É curioso como Raimundo Carrero tinha grandes afinidades com os poetas, sempre reiterando a necessidade de lê-los, o que facilitaria a construção de cenários para a construção dos romances e novelas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário